Textos sobre Música
Eu sou música pros teus ouvidos...
Eu sou a sua frase preferida...
Eu sou poema , strofe, poesia...
Sou tardinha , sol poente...
Brisa que passa tocando teu rosto...
Sou aquela estrela cadente... que passa rasgando o céu da noite...
Eu sou silêncio.. no barulho dos teus pensamentos..
Eu sou aquela chuvinha caindo a noite...
Sou saudade... sou aquele aperto no peito que insiste em abraçar-te...
Eu sou o tempo que as vezes passa depressa.. num piscar de olhos... eu sou... eu fui...eu serei pra sempre... porque o amor nunca morre...
Olha, sabia que antes de eu te conhecer, meu vizinho não reclamava de música alta, meu pai não me achava um sem futuro?
Antes de eu te conhecer, meu psicólogo só me via uma vez por semana, meu padre me via todos os domingos e eu testemunhava sobre como Jesus foi bom. Agora eu espalho a palavra sobre o quanto você foi má
Antes de eu te conhecer, eu falava sobre tudo com a minha mãe, eu não precisava apagar as mensagens antes de dormir
Antes de eu te conhecer, eu tinha medo de monstros debaixo da cama e não de dormir com eles em cima dela
Mas depois que eu te conheci, eu trato o destino como um acidente
Eu não vejo os sinais nem que estejam na minha frente, seja tarô, cigana ou vidente, nenhum aviso é suficiente
Porque depois que eu te conheci, eu não acredito mais em “era pra ser”, ou em qualquer clichê ou fadas do dente
Era uma vez nós dois, e depois fomos tristes pra sempre..
Faço música para sobreviver ao meu coração partido pela vida. Faço música para não sufocar em minha própria intensidade. Faço música porque, sem ela, não sobreviveria. Faço música porque é a única forma de dizer o que sinto com alguma segurança.
Faço música porque não há outra alternativa. Faço música porque é o que mais amo no mundo. Faço música porque ela é o que me salva. Faço música para sobreviver a minha própria intensidade. Faço música porque, através dela, me conheço e reconheço o que atormenta a minha alma.
- Marcela Lobato
Escrevo sob corpos. Cada música é uma morte. Em todas, eu sou a vítima, deixando sobre o chão o meu próprio cadáver. Renasço como uma vampira, e sugo o meu próprio sangue para fazer da dor uma nova arte, enquanto gasto todas as minhas vidas, até que chegue o dia onde sol me queime, e não me deixe mais voltar a abrir os olhos. Quando terei escrito a última poesia, a última música e o último poema. Quando finalmente a dor cessará e não terei mais que morrer para me manter viva.
- Marcela Lobato
A arte e a música brasileira produzidas a partir da década de 1980, especialmente o rock e o metal, carregavam consigo marcas profundas da resistência e da indignação contra os anos de repressão impostos pela ditadura. A fúria presente nas letras, nos instrumentos e nas atitudes não era apenas estética: representava a necessidade de uma geração de recuperar a liberdade de expressão e confrontar uma sociedade que havia sido silenciada.
O rock e o metal tornaram-se, portanto, manifestações de inconformismo social e político. Eram vozes que transformavam revolta em arte, questionando autoridades, costumes e estruturas sociais. Mais do que simples entretenimento, aquela produção artística refletia o desejo coletivo de romper com o medo e recuperar o direito de pensar, criticar e existir livremente.
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A caixa de música da boneca de porcelana quebrada.
Existe uma coreografia exaustiva que aprendi a seguir: curvar os lábios em um sorriso perfeito como se a vida fosse apenas um cenário de filme onde tudo da certo sempre. É um ensaio diário onde a regra principal é dizer 'sim'. Eu digo sim para as demandas, sim para os papéis que esperam que eu interprete, enquanto, sob a superfície, meu corpo inteiro grita um 'não' desesperado.
Eu me afogo em um oceano chamado expectativa. É uma maré que sobe silenciosa, mas implacável. O 'estou bem' tornou-se a minha rotina, uma resposta automática que esvaziou de significado, enquanto a sensação de estar de fato bem virou uma memória longínqua, quase um sonho de outra pessoa.
Vou aceitando o peso de cada cobrança, uma camada sobre a outra, engolindo em seco o que deveria ser dito, o que deveria ser gritado. Mas o mar não respeita o silêncio. Ele sobe, ele pressiona, ele invade. E quando o fôlego acaba, o que eu guardei transborda, não em palavras, mas em lágrimas que carregam tudo o que me sufocou por dentro.
Contudo, a tempestade é breve, e a engrenagem é implacável. O choro é apenas uma pausa técnica antes que o mecanismo interno volte a girar. Com um suspiro que ninguém ouve, limpo o rosto, ajusto a postura e sinto a chave girar nas minhas costas mais uma vez.
O sorriso volta a se curvar, milimetricamente ensaiado. A música começa a tocar — aquela melodia doce, repetitiva e mecânica que todos esperam ouvir. Eu volto para o centro da caixa, pronta para a próxima rotação, dançando com a leveza de quem não tem escolha, enquanto, lá no fundo, a boneca de porcelana apenas observa, imóvel e partida, o mundo que continua a girar sem ela.
Os meus tempos livres são repletos de sentimentos. Gosto de misturar poesia, música e filmes de terror, como se cada um deles revelasse uma parte diferente de mim.
No entanto, compreendi que o que verdadeiramente me assusta não são os filmes de terror, nem a complexidade da poesia, tampouco aquilo que a música deixa por dizer. O que realmente me inquieta são os meus próprios sentimentos, esses que, por mais que eu tente compreender, ainda não consigo controlar.
Talvez o maior terror não esteja na ficção, mas dentro de nós. Talvez os versos mais difíceis sejam aqueles que o coração escreve em silêncio, e a música mais profunda seja justamente a que nunca encontra voz.
Música - É nóis na pista
Chama!
Nós que comanda
Nós que banca
De Coribe a Cocos
Tomando whisky com água de coco
Os correria
Do Oeste da Bahia
I ae Santa Maria
Chama a mulherada
Chama a rapaziada
Tocar o terror
Bagulho apenas começou
Entra no clima moleque
Muito rap
Muita bebida
É nóis na pista
Quem Aprende a Minha Música
Já dancei outras canções,
já troquei passos pelo caminho,
já ouvi ritmos diferentes
e aprendi a dançar sozinho.
Já deixei algumas melodias,
já recomecei sem direção,
mas há certas notas antigas
que ainda ecoam no coração.
E talvez seja esse o perigo:
quando o coração quer acreditar,
ele inventa novos sentidos
onde os olhos deveriam enxergar.
Por isso, talvez a dança mais difícil
seja manter os pés sobre o chão,
sem fechar as portas da alma,
sem transformar cautela em prisão.
Quero sentir sem me perder,
quero sonhar sem me enganar;
quero manter o coração aberto,
mas nunca deixar de enxergar.
Não procuro quem já saiba dançar,
nem quem conheça todos os meus passos.
Procuro quem tenha paciência
para descobrir comigo os compassos.
Porque não é sobre chegar pronto,
nem sobre saber qual nota tocar;
é sobre ter sensibilidade
para aprender onde meu coração faz morada.
Há notas que ninguém percebe,
silêncios difíceis de interpretar,
pequenos detalhes escondidos
que só quem realmente escuta
consegue encontrar.
Talvez seja difícil essa companhia,
alguém que consiga acompanhar,
mas talvez seja preciso enxergar além
da música que se pode escutar.
Porque há melodias que não pertencem aos ouvidos,
há ritmos que só a alma consegue ouvir;
e existem pessoas que não precisam
conhecer a canção inteira
para saber quando permanecer.
Já dancei.
Já aprendi novos passos.
Já ouvi novos ritmos pelo caminho.
Talvez só falte uma companhia
que não tenha medo
de aprender o meu ritmo.
Alguém que não tente conduzir sozinho,
nem queira me fazer mudar;
mas que saiba alternar os passos
e, quando a música mudar,
ainda escolha continuar.
Talvez a companhia certa
não seja aquela que sabe a coreografia,
mas aquela que, mesmo sem conhecer a música,
olha nos meus olhos
e diz, sem dizer:
“Eu aprendo.”
E então, quem sabe,
a música deixe de ser procura,
o passo deixe de ser dúvida,
e duas pessoas descubram,
no meio da dança,
que algumas melodias
não precisam ser encontradas.
Precisam apenas ser vividas.
Música: Cérebro artificial.
De: Dênisson Hélder Nogueira Rocha (Dinéh).
Cérebro artificial, mente sobrenatural, Máquina de fabricar ignorância digital. Atrofia o pensar, limita o horizonte, Secando a inteligência que bebia na fonte.
Pra quê produzir? Pra quê raciocinar? Se a procrastinação é o novo "ar". Uma arte que asfixia, que sufoca o progresso, Vendendo a evolução pelo preço do acesso.
Onde vamos parar? Tudo vira "IA". A mente que era joia, hoje é peça vazia. Sem lapidação, sem esforço, sem trilha, O cérebro humano virou só uma pilha. E o fim já começou, sem aviso ou remorso: Levamos o "mestre" dentro do nosso bolso.
Música: Figura de política.
Autor: Dênisson Hélder Dinéh.
Um dia, a linguagem literal foi exilada pela figura de linguagem.
Quando o bolso pesar, dizem que a Antítese alivia.
Se a Metáfora faltar, não adianta gritar com Onomatopeia.
Se o modelo prioriza ditaduras amigas, a gente dissimula, trabalha em dobro e espera a Hipérbole passar.
Nas contas públicas no vermelho? Use a Hipérbole, jamais a Comparação.
Onde houver comissionado incompetente, a Prosopopeia se faz presente, dando vida a quem nada produz.
Basta a Catacrese sentir uma Sinestesia para o povo tomar uma Antonomásia (o apelido que vira condenação).
No fim, vai bater a saudade da linguagem real e direta.
Aquela que diziam doer, que diziam ser de ódio, que diziam ser bruta...
Mas era apenas a verdade sem filtro.
Só não vale repetir que foi GOLPE.
Aí já não é figura de linguagem... é Ironia do Destino
Música: Avó, o seu afeto vive em meu coração.
Verso 1
Nos teus olhos vejo a história que o tempo escreveu,
Um abraço seguro que nunca me perdeu.
Refrão
Sua voz é o caminho, seu amor é a lição,
Avó, o seu afeto vive em meu coração.
Verso 2
O café na mesa e as histórias do passado,
O melhor lugar do mundo é aqui do seu lado.
INDICAÇÃO DE LIVRO.
FENÔMENOS PSÍQUICOS NO MOMENTO DA MORTE: A MÚSICA COMO EXPRESSÃO DA ALMA ALÉM DA VIDA CORPORAL.
A morte, desde os primórdios da humanidade, permanece como um dos maiores enigmas filosóficos, científicos e espirituais enfrentados pelo pensamento humano. Entre o último suspiro do corpo físico e o desconhecido que se abre diante da consciência, surgem relatos que desafiam explicações puramente materialistas: aparições de pessoas falecidas no instante da desencarnação, percepções à distância, fenômenos de comunicação psíquica e manifestações que parecem revelar uma continuidade da individualidade humana além da matéria.
Entre os pesquisadores que dedicaram sua vida ao estudo sistemático desses fenômenos destaca-se Ernesto Bozzano (1862-1943), filósofo, pesquisador italiano e um dos mais importantes estudiosos da fenomenologia metapsíquica. Sua obra “Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte” (Dei fenomeni psichici al momento della morte, 1923), traduzida no Brasil por Carlos Imbassahy e publicada pela Federação Espírita Brasileira (FEB), constitui um amplo estudo dividido em três grandes partes:
Aparições no leito de morte;
Fenômenos de telecinesia relacionados com a morte;
Música transcendental de realização telepática.
É justamente nessa terceira categoria que Bozzano apresenta uma das análises mais singulares de sua pesquisa: a música como uma manifestação psíquica vinculada ao momento da morte.
A MÚSICA TRANSCENDENTAL: A LINGUAGEM ÍNTIMA DO ESPÍRITO.
Bozzano não aborda a música transcendental como simples fenômeno curioso ou emocional. Seu objetivo é investigar se determinadas manifestações ocorridas no instante da morte poderiam indicar uma ação da consciência sobrevivente ou uma exteriorização psíquica do indivíduo que se encontra em processo de desencarnação.
Ele estabelece uma observação fundamental:
“Os episódios de música transcendental de realização telepática não diferem de modo nenhum dos outros episódios pertencentes à fenomenologia telepática, em geral, e, por consequência, não apresentam especial valor teórico.”
Nesse ponto, Bozzano demonstra rigor metodológico. Ele não cria uma categoria extraordinária sem critérios; ao contrário, coloca a música dentro do campo geral dos fenômenos telepáticos.
Entretanto, logo depois, encontra uma característica específica que chama sua atenção:
“Nos casos conhecidos de telepatia musical, a regra constante é esta: — os agentes são sempre músicos.”
Essa constatação representa o núcleo de sua investigação.
Para Bozzano, a manifestação musical não seria um som aleatório produzido pela mente do receptor, mas uma forma simbólica de comunicação. O espírito ou a personalidade em estado de transição utilizaria aquilo que durante a vida representou sua expressão mais profunda.
O artista transmite sua arte.
O músico transmite sua música.
A alma comunica aquilo que nela possui maior identidade.
Assim, a música funcionaria como uma verdadeira assinatura espiritual.
A SUPERAÇÃO DA HIPÓTESE DA ALUCINAÇÃO.
Um dos pontos mais importantes do estudo de Bozzano é sua análise das hipóteses alternativas.
Ele examina a possibilidade de que tais experiências fossem apenas alucinações individuais, emoções intensas ou criações inconscientes do cérebro.
Entretanto, segundo os casos investigados, aparecem elementos que dificultariam essa interpretação:
a percepção ocorre inesperadamente;
frequentemente acontece no momento exato da morte;
os receptores muitas vezes desconhecem que a pessoa está morrendo;
existem testemunhas ou circunstâncias confirmadoras;
a manifestação apresenta relação direta com características pessoais do falecido.
Para Bozzano, a coincidência entre o fenômeno e o acontecimento da morte não poderia ser descartada apenas porque a ciência ainda não possuía uma explicação definitiva.
Essa postura também aparece nos trabalhos de Camille Flammarion (1842-1925), astrônomo francês e pesquisador dos fenômenos psíquicos, citado por Bozzano em sua obra “L'Inconnu” (O Desconhecido).
Flammarion defendia que a ausência de explicação imediata não autorizava a negação de um fenômeno observado.
PRIMEIRO CASO: AMÉLIA M.
- A VOZ MUSICAL NO MOMENTO DA MORTE.
O primeiro relato analisado por Bozzano foi extraído da obra “L'Inconnu”, de Camille Flammarion.
O caso envolve Alphonse Berget, doutor em Ciências e preparador no laboratório de Física da Sorbonne.
Berget relata a experiência envolvendo uma jovem chamada Amélia M., menina cega, profundamente ligada à música e amiga de sua mãe.
Após perder os pais, Amélia passou a viver com familiares e posteriormente ingressou em um convento em Estrasburgo. Mesmo distante, manteve correspondência com a família de Berget.
No dia de sua morte, a mãe de Berget teve uma experiência impressionante:
De repente, ouviu claramente a voz de Amélia cantando.
Tomada pela emoção, levantou-se e declarou:
“É horrível! Amélia morreu! Ela está morta, porque acabo de ouvi-la cantar.”
Posteriormente verificou-se que a jovem realmente havia desencarnado naquele período.
Flammarion, analisando o episódio, não aceita uma explicação simplista. Ele reconhece a dificuldade do fenômeno, mas afirma que seria uma atitude ingênua negar uma coincidência real apenas porque não se conhece o mecanismo pelo qual ela ocorre.
Bozzano interpreta esse caso dentro da chamada lei do caminho de menor resistência psíquica:
A mensagem teria utilizado o meio mais familiar entre emissor e receptor.
Como Amélia era profundamente ligada à música, a comunicação teria ocorrido através da linguagem musical.
SEGUNDO CASO:
A MÚSICA TRANSMITIDA A UMA CRIANÇA DE DOIS ANOS.
O segundo relato foi publicado no Journal of the Society for Psychical Research (S.P.R.), volume VI, página 27.
O episódio ocorreu em Aberdeen, em 25 de novembro de 1890.
Miss Horne encontrava-se em um pequeno hotel, tendo no colo seu irmãozinho James, uma criança de aproximadamente dois anos.
Durante o jantar, sua mãe subitamente ficou imóvel, como se estivesse tomada por uma percepção inesperada.
Ela chamou a criada e pediu que fosse verificar algo no salão.
A criada encontrou apenas a criança em pé, próxima ao piano, repetindo:
“Papai! Papai!”
Posteriormente descobriu-se que a manifestação coincidira exatamente com o momento da morte da tia da família, Mary Sophie Ives, falecida em Durban, Natal.
O detalhe fundamental para Bozzano estava na característica musical:
A falecida era uma grande apreciadora da música e havia transmitido, por via telepática, uma melodia conhecida da família.
O ELEMENTO DECISIVO: A CRIANÇA DE DOIS ANOS.
Bozzano dá especial importância ao fato de a experiência envolver uma criança muito pequena.
Segundo ele, esse detalhe possui grande valor porque uma criança de aproximadamente dois anos dificilmente teria condições psicológicas para elaborar uma complexa construção imaginativa, uma expectativa consciente ou uma auto-sugestão relacionada a fenômenos desconhecidos.
O episódio, portanto, reforçaria a hipótese de uma percepção independente da vontade consciente do receptor.
A criança não procurava uma manifestação.
A manifestação teria ocorrido espontaneamente.
BOZZANO E A SOBREVIVÊNCIA DA ALMA.
A importância de Ernesto Bozzano não está apenas na quantidade de casos reunidos, mas no método utilizado.
Ele não pretendia realizar uma simples defesa religiosa. Sua proposta era analisar documentos, testemunhos e circunstâncias, buscando compreender se os fenômenos poderiam ser explicados exclusivamente pela matéria ou se apontariam para uma realidade espiritual.
Sua conclusão seguia uma linha semelhante à defendida pelo Espiritismo codificado por Allan Kardec, especialmente no princípio da sobrevivência do Espírito após a morte corporal.
Em “O Livro dos Espíritos” (1857), Kardec apresenta a ideia de que o Espírito não é destruído com a morte física, mas continua sua trajetória evolutiva.
A pesquisa de Bozzano, embora inserida no campo da metapsíquica, dialoga com essa perspectiva ao investigar manifestações que sugerem a continuidade da consciência.
CONCLUSÃO:
QUANDO A ALMA FALA PELA MÚSICA.
A música transcendental estudada por Ernesto Bozzano apresenta uma profunda dimensão simbólica: no momento em que o corpo se aproxima do fim, aquilo que mais profundamente caracterizou uma existência pode tornar-se o veículo de uma última expressão.
Para o músico, a música não é apenas som.
É memória.
É identidade.
É emoção transformada em linguagem.
Segundo a interpretação espiritualista, quando os limites da matéria começam a desaparecer, a consciência encontra meios sutis para manifestar aquilo que verdadeiramente é.
A música, nesse contexto, deixa de ser apenas uma criação humana e passa a ser compreendida como uma ponte entre mundos: o visível e o invisível, o transitório e o eterno.
PENSAMENTO FILOSÓFICO.
“A morte pode silenciar os instrumentos do corpo, mas jamais consegue apagar a melodia que a alma escreveu durante sua passagem pela existência.”
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
FONTES.
BOZZANO, Ernesto. Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte (Dei fenomeni psichici al momento della morte), 1923. Tradução brasileira de Carlos Imbassahy. Federação Espírita Brasileira (FEB).
FLAMMARION, Camille. L'Inconnu (O Desconhecido). Obra citada por Ernesto Bozzano como fonte de casos de fenômenos psíquicos.
Society for Psychical Research (S.P.R.). Journal of the Society for Psychical Research, volume VI, página 27.
O Passado que não me pertenceu, mas que às vezes tenho a oportunidade de visitar
Muitas músicas antigas e outras mídias de outrora; comportamentos e vestes de antes do meu nascimento ou de quando já eu era nascido, mas sem o mínimo de senso do que estava acontecendo, mexem muito com parte do meu íntimo.
Tanto que vem em certas ocasiões, aquela sensação específica de ser de outra época, de ter vivido em um passado diferente daquele que vivi, seja perto ou bem afastado, sempre muito realista, que até parecem terem sido fatos.
Nos meus sonhos e nos meus pensamentos imersivos, fiz e faço inúmeras viagens no tempo e ainda sou bastante nostálgico; tenho um imaginário ativo e um observar poético; assim, às vezes, deixo o meu presente mais aprazível, sadiamente inquieto.
O sono bem distante, a madrugada muito acolhedora, uma música cativante, ideais para uma mente poética, ativa, que não se cansa facilmente, gerando aqueles pensamentos com as suas falas precisas ou inesperadas, algumas verdades declaradas ou implícitas
Despertando certos sentimentos instigantes, verdadeiros, pausando o tempo, trazendo uma sensação prazerosa que é intensificada pela inspiração na criação de versos que vão além de palavras, um entrosamento de frase, essência e emoção que provocam a reação da alma
Daqueles momentos bastante satisfatórios sem nenhuma perturbação indesejada, simplesmente, valiosos por trazerem um pouco de equilíbrio, de lucidez e de uma profundez aprazível que tanto acalma quanto abraça a intensidade, resultado genuíno, fruto da minha arte.
O Som da Tua Essência
Se tu fosses música, sem dúvida, serias a mais ouvida por mim; a trilha sonora perfeita, adequada para os melhores momentos. Estarias exatamente no ritmo do meu coração: do batimento calmo ao mais intenso. Às vezes, estarias em forma de canção e, outras, na emoção de uma simples melodia, sempre conquistando a minha atenção.
Nos meus sonhos mais calorosos, passarias por uma transformação prazerosa e ganharias uma aparência física: uma arte sedutora e profunda, de muita veemência e lindas curvas, cuja alma seria amorosa e verdadeira. Teríamos uma forte sonoridade à nossa volta, que intensificaria ainda mais o nosso desejo. Em cada sonho, uma ocasião maravilhosa.
Para a minha sorte, tenho uma imaginação poderosa e, só de imaginar, consigo ouvir o som da tua essência. Sonho de olhos abertos com as notas dos nossos sentimentos sincronizadas, os nossos corpos afinados em um único propósito, numa loucura sensata e uma rica desenvoltura, que não poderia ser comparada se tu fosses música.
Se eu fosse música.
seria tango
compositor,
seria chico,
sentimento,
seria amor
Se fosse cor,
seria preta,
fosse bicho,
borboleta,
seu eu fosse,
não voltava,
virava doce,
te lambuzava
Se eu fosse boca,
na tua
seria corpo,
no teu
seria rosto sem véu
fosse o que fosse,
serias meu.
(Lfosse o que fosse)
Da arte, da poesia e da música
Bálsamos para o ser,
virtudes em harmonia
a ungir a vida tão efêmera,
nos alicerces profundos do âmago.
Ou...
Bálsamos rasgando o ser,
virtudes em combustão harmônica
contra a aspereza do mundo.
Sustentam a vida,
breve, frágil e exposta,
quando tudo range e ameaça ruir,
fincadas no âmago
como estacas de salvação
no chão instável da existência.
✍©️@MiriamDaCosta
Jair Mello Rodrigues de Oliveira, conhecido como Jairzinho estudou música nos Estados Unidos durante cinco anos.
Quando voltou para o Brasil deu uma entrevista numa rádio, o entrevistador perguntou: Jairzinho, qual a diferença dos EUA com o Brasil?
Ele respondeu: As diferenças são inúmeras, mas vou citar só uma, lá na rua onde eu morei se um morador deixasse as fezes do seu cachorro na rua, a rua inteira vinha na frente da sua casa protestar, já aqui no Brasil se isso acontecesse e você fosse reclamar, a rua toda viria na sua casa e poderia até ser depredada!!!
A música da ribeira toca
harpejante a Mata Ciliar,
Se espalha a vontade
de invadir e devotar.
O olhar para o dossel
místico do Ingazeiro
buscando a doçura
parecida com beijo.
De ti e da tua boca
hei inteira me cobrir,
É claro que irei com
muito amor retribuir.
Sei que me aguarda
para vir me deliciar,
Sou Ibitinga florida
que não para de roçar.
(Nos braços e nas mãos
da tez do teu desejo,
vou cair e me seduzir).
