Textos sobre Aprender
Para as Almas Abençoadas que se despertam dispostas a aprender todos os dias, até o Encardido tem ensinamentos.
Inicialmente parece um baita despropósito, e antes fosse…
Mas definitivamente não é.
O Encardido sabe que não tem salvação nem morte que o espere, e mesmo assim faz as suas tentações todo santo dia, como se fosse o último.
Quantos de nós, cheios de Vida Eterna para vivermos, medimos esforços todo santo dia?
É curioso — e até muito desconcertante — perceber que aquele que já perdeu tudo, ainda assim, não perde o ímpeto.
Ele insiste.
Persiste.
Não por esperança, mas por natureza.
Nem por fé, mas por constância.
Há nisso uma disciplina ligeiramente sombria que, se olhada sem o véu do orgulho, sem a santidade fabricada, revela-nos um espelho absurdamente incômodo.
Porque nós, que ainda temos escolha, que ainda temos tempo, que ainda temos propósito, tantas vezes nos damos ao luxo da inércia.
Adiamos o bem que sabemos fazer, protelamos a transformação que sentimos necessária, e negociamos com a própria consciência como se o amanhã fosse uma garantia — e não apenas uma possibilidade.
O Encardido não espera o momento ideal.
Ele age.
Não escolhe o dia perfeito.
Ele insiste.
E talvez seja aí que reside a provocação mais profunda: não naquilo que ele é, mas naquilo que nós deixamos de ser.
Se até quem está perdido mantém sua constância no erro, o que dizer de nós, que ainda podemos escolher o acerto?
Se até ele se levanta todos os dias para cumprir o que acredita ser sua missão, por que nós hesitamos tanto em cumprir a nossa?
A verdade é que não nos falta luz — falta-nos Decisão.
Não nos falta Caminho — falta-nos passos.
Nem nos falta Propósito — falta-nos Entrega.
Aprender com o que é torto não é se contaminar, é reconhecer que até na escuridão há lições sobre movimento, sobre foco e sobre continuidade.
E, sobretudo, é lembrar que, ao contrário dele, nós ainda podemos escolher a Direção.
Que a nossa constância não seja menor que a dele — mas que seja infinitamente mais Luminosa.
Despertemos — Despertai-vos!
Buscai as Coisas do Alto!
Às vezes é preciso aprender a abraçar a Solitude bem apertado para fugir do abraço apertado da Solidão.
Existe uma diferença muito silenciosa entre estar Só e sentir-se Sozinho.
A Solidão, muitas vezes, chega metendo o pé na porta, sem ao menos pedir licença.
Ela pesa, esvazia, faz companhia aos medos e ainda alimenta a sensação de abandono.
Já a Solitude é uma escolha consciente: é o encontro consigo mesmo, o espaço onde o silêncio deixa de ser inimigo e se torna um mestre.
Aprender a abraçar a Solitude é entender que nem toda ausência representa perda.
Há momentos em que precisamos nos afastar do barulho do mundo para ouvir a voz da nossa própria essência.
É nesse recolhimento que redescobrimos quem somos, quais são nossos valores e o que realmente merece permanecer em nossa vida.
Quem teme estar sozinho acaba, muitas vezes, aceitando companhias que ferem, ambientes que sufocam e relações que ofuscam ou apagam sua luz.
Mas quem aprende a apreciar a própria presença não busca pessoas para preencher vazios; busca para compartilhar a plenitude que construiu dentro de si.
A Solitude não elimina a necessidade de amar ou de ser amado.
Muito pelo contrário, ela ensina que o amor mais importante é aquele que nos permite permanecer inteiros, mesmo quando ninguém está por perto.
É desse amor-próprio que nascem relações mais saudáveis, livres da dependência e do medo.
Talvez o maior desafio da vida não seja encontrar alguém que nos complete, mas tornar-nos completos o suficiente para que a presença do outro seja uma escolha, e não uma necessidade.
Porque, no fim das contas, é preciso aprender a abraçar a Solitude para fugir do abraço da Solidão — e descobrir que a melhor companhia que podemos cultivar é a nossa.
"Temos que aprender o que é ser intercessores. Não oramos pra o `EU`senão para o `NÓS`, isso sempre levará a sermos agentes do Reino. Quando entendermos isso, saberemos ser guerreiros para entrar na brecha e vencer qualquer batalha. De momento estamos como os Hebreos(dando volta ao redor da montanha). Que Deus tenha misericórdia de TODA A HUMANIDADE, sendo povo de Deus ou não, somos TODOS criados por Ele. Então devemos ser como Jesus que veio para nos dar exemplos de servir a todos.
[NÃO QUEM QUEREMOS, SENÃO A QUEM PRECISA.]"
—By Coelhinha
“Por Que Podemos Aprender Muito E Continuar Sem Saber O Que Fazer Com O Que Aprendemos?”
Existe uma diferença entre receber uma informação, entender uma explicação, aprender um conteúdo e saber o que fazer com aquilo que aprendemos.
Podemos estudar muito e continuar repetindo.
Podemos memorizar e não compreender.
Podemos compreender e não conseguir aplicar.
Podemos conhecer diferentes respostas e não saber qual delas utilizar diante de um problema real.
Talvez uma das maiores dificuldades da aprendizagem esteja justamente nessa passagem.
Durante muito tempo, ensinar esteve fortemente associado à transmissão de conteúdos. Quanto mais alguém soubesse, maior seria sua capacidade de decidir. Mas a quantidade de conhecimento disponível não resolve, sozinha, um problema anterior: como avaliamos aquilo que aprendemos quando informações, interpretações e possibilidades diferentes disputam nossa decisão?
Foi investigando essa distância entre aprender e saber utilizar o que foi aprendido que passei a estudar o discernimento como uma capacidade que também pode ser desenvolvida.
Essa investigação originou uma sequência de trabalhos científicos de minha autoria: METADISCERN, Método PROTAGONISTA, Pedagogia do Discernimento, Alfabetização do Discernimento Consciente, Da evocação à desautorização e Discernimento na regulação da relação entre emoção e ação.
Embora partam de problemas diferentes, esses trabalhos se encontram em uma questão comum: o ser humano não precisa apenas receber informações. Precisa aprender a examiná-las, relacioná-las ao contexto, reconhecer seus limites e transformar conhecimento em julgamento, decisão e ação.
Na Pedagogia do Discernimento, essa questão alcança diretamente a educação: formar alguém não deveria significar apenas aumentar aquilo que essa pessoa sabe, mas ampliar sua capacidade de avaliar o próprio saber.
Na Alfabetização do Discernimento Consciente, o problema avança para a formação de capacidades que permitam distinguir, ponderar e revisar aquilo que participa dos nossos julgamentos.
No estudo sobre evocação e desautorização, a pergunta chega àquilo que já aprendemos: recuperar uma informação da memória não significa que ela continue sendo a resposta mais adequada para uma situação presente.
No estudo sobre emoção e ação, a mesma arquitetura alcança nossas experiências emocionais: sentir alguma coisa e decidir o que fazer diante daquilo que sentimos não constituem necessariamente a mesma operação.
No Método PROTAGONISTA, o problema chega à autoria das respostas possíveis diante das circunstâncias concretas da vida.
E no METADISCERN, o próprio discernimento torna-se objeto de exame.
Talvez, portanto, o verdadeiro desafio da aprendizagem não termine quando conseguimos responder a uma pergunta.
Ele começa quando precisamos decidir o que fazer com a resposta.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Autor e Pesquisador
Linha de pesquisa e publicações científicas: METADISCERN; Método PROTAGONISTA; Pedagogia do Discernimento; Alfabetização do Discernimento Consciente; Da evocação à desautorização: regulação discernitiva do conteúdo recuperado no processo educacional; Discernimento na regulação da relação entre emoção e ação: autorização funcional, calibração discernitiva e agenda de validação.
Desaprender é um dos atos mais elevados da inteligência.
Fomos ensinados a aprender, mas raramente fomos ensinados a desaprender. E talvez seja exatamente por isso que tantas pessoas acumulam conhecimento sem jamais alcançar sabedoria.
Aprender amplia a mente. Desaprender a liberta.
O conhecimento acrescenta. O discernimento seleciona.
A mente mente. Cuidado para não ficar demente. Ela se apega às certezas, apaixona-se pelas próprias conclusões e transforma opiniões em prisões. Por isso, nem tudo o que aprendemos merece permanecer dentro de nós.
Há ideias que iluminam. Outras apenas ocupam espaço.
O verdadeiro conhecimento não consiste em acumular respostas, mas em desenvolver a coragem de abandonar respostas que já não explicam a realidade. Crescer exige aprender. Evoluir exige desaprender.
Quem não desaprende transforma a própria inteligência em cárcere. Afinal, a pior prisão não é aquela construída por muros, mas por convicções que nunca foram questionadas.
Toda aprendizagem autêntica exige um esvaziamento. Não se derrama água limpa em um recipiente cheio de água turva. Antes de receber uma nova verdade, muitas vezes é preciso renunciar às velhas ilusões.
Desaprender não é esquecer. É discernir.
É separar o conhecimento da sabedoria.
É abandonar crenças que limitam para acolher verdades que libertam.
A ignorância pode ser ensinada. A arrogância de quem acredita já saber tudo torna-se quase inalcançável. O maior inimigo da aprendizagem não é a falta de conhecimento, mas o excesso de certezas.
Quanto mais rígida é uma mente, menor é sua capacidade de crescer. A inteligência abre portas. O ego as tranca.
Penso, logo resisto. Resisto à manipulação, às verdades prontas, aos paradigmas herdados sem reflexão e às ideias aceitas apenas porque sempre foram repetidas.
Desaprender é um ato de humildade intelectual. É reconhecer que a verdade não precisa da nossa aprovação para continuar sendo verdade.
A educação nos ensina a responder. O discernimento nos ensina a perguntar.
A educação nos ensina o que pensar. O discernimento nos ensina a pensar.
Porque, no fim, aprender muda o que sabemos.
Desaprender muda a forma como enxergamos o mundo.
E quando muda a forma como enxergamos o mundo, inevitavelmente muda quem somos.
Carlos EDUARDO Balcarse
28/07/2026
QUANTO MAIS INTELIGENTE FICA A TECNOLOGIA, MAIS PRECISAMOS APRENDER A PENSAR
Nunca tivemos tanta informação, tanta tecnologia, tantas redes sociais, tantos seguidores, tantas respostas e, paradoxalmente, tantas pessoas procurando respostas para si mesmas.
A inteligência artificial evolui, os algoritmos aprendem, as redes sociais nos conhecem e a ansiedade aumenta. Talvez o maior perigo da tecnologia não seja a máquina aprender a pensar, mas o ser humano desaprender a pensar por si mesmo enquanto procura, no mundo digital, respostas para o vazio que existe no mundo real.
Estamos hiperconectados, mas nem sempre conectados conosco.
Falamos sobre saúde mental, ansiedade, autoestima, felicidade, propósito, relacionamentos e qualidade de vida, mas continuamos terceirizando aquilo que deveria começar dentro de nós: o pensamento.
A tecnologia responde.
O algoritmo recomenda.
A rede social influencia.
A inteligência artificial produz.
E você? Pensa ou apenas reage ao que fizeram você pensar?
Nem tudo o que aparece na sua mente nasceu em você. Existem pensamentos aprendidos, herdados, repetidos, sugeridos e até impostos silenciosamente pelo ambiente, pela cultura e pelo mundo digital.
Por isso, informação não é conhecimento.
Conhecimento não é consciência.
Convencimento não é conhecimento.
E pensamento não é necessariamente verdade.
A mente mente.
Talvez uma das maiores formas de liberdade do nosso tempo seja aprender a questionar aquilo que pensamos antes que nossos pensamentos decidam quem seremos.
Enquanto discutimos o futuro da inteligência artificial, talvez estejamos deixando em segundo plano uma pergunta muito mais urgente:
Qual será o futuro da inteligência humana?
Não temo uma sociedade em que as máquinas tenham cada vez mais respostas.
Preocupa-me uma sociedade em que os seres humanos tenham cada vez menos perguntas.
Porque a verdadeira revolução não acontecerá quando a tecnologia conhecer profundamente o ser humano.
A verdadeira revolução começará quando o ser humano conhecer profundamente a si mesmo.
No mundo dos algoritmos, pensar por si mesmo tornou-se um ato de liberdade.
No excesso de informação, discernir tornou-se uma necessidade.
E numa sociedade em que quase todos querem influenciar aquilo que você pensa, talvez o verdadeiro protagonismo seja não entregar a ninguém a autoria da própria consciência.
Não pense como eu penso. Pense no seu próprio pensamento.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor, pesquisador e autor.
Reflexões sobre consciência, discernimento, comportamento humano, educação, tecnologia e sociedade.
“A educação deseducadora: quando aprender não ensina a pensar”
Há uma educação que educa e há uma educação que, embora ensine, deseduca. Chamo de educação deseducadora aquela que acumula respostas sem ensinar a formular perguntas, que transmite conteúdos sem desenvolver critérios, que premia a repetição e chama isso de aprendizagem. É uma educação que pode formar pessoas informadas e, paradoxalmente, intelectualmente dependentes.
Durante muito tempo repetimos: leia mais. Mas talvez precisemos acrescentar: leia melhor. Porque quantidade de leitura não é sinônimo de qualidade de compreensão. É possível ler muito e compreender pouco; acumular autores e não construir autoria; saber citar e não saber perguntar.
O mesmo vale para o pensamento. Talvez não precisemos simplesmente pensar mais. Precisamos pensar melhor. Pensar melhor não é pensar como alguém manda. É aprender a examinar o que pensamos antes de conceder ao pensamento o estatuto de verdade.
Nunca tivemos tanta informação disponível e, ainda assim, talvez nunca tenha sido tão fácil confundir informação com conhecimento, opinião com verdade, convicção com evidência e repetição com compreensão. Nesse cenário, o discernimento deixa de ser um luxo e se torna uma necessidade. uma necessidade.
É nesse ponto que a Pedagogia do Discernimento se coloca, não como acréscimo de conteúdo, mas como uma mudança de ênfase: menos acumular, mais examinar; menos repetir, mais compreender; menos receber pronto, mais perguntar. Porque o problema não está apenas no que entra na nossa mente, mas no que encontra permissão para permanecer nela.
José Saramago falou sobre sair da ilha para ver a ilha. Eu acrescentaria: não basta sair da ilha para vê-la, é preciso sair da ilha e tirar a ilha de dentro de nós. Porque podemos mudar o lugar de onde olhamos sem mudar o olhar.
Carregamos conosco lembranças, afetos, medos, feridas, certezas, interpretações. E muitas vezes acreditamos estar observando o mundo quando, na verdade, estamos apenas reencontrando o que já estava dentro de nós. Não vemos apenas o que vemos. Vemos também com aquilo que somos.
Por isso, afastar-se não basta. É preciso perceber o que levamos conosco quando nos afastamos.
É nesse ponto que Metadiscern e o conceito de metadiscernimento se situam: não basta discernir o objeto observado; é preciso discernir também os critérios com os quais observamos. Não basta olhar para o objeto, é necessário perceber o observador observando o objeto.
Daí a necessidade de uma alfabetização do discernimento capaz de alcançar não só a leitura de palavras, mas a leitura das influências, das convicções e das autoridades que aceitamos quase sem perceber.
A mente produz, mas produzir não é provar. Pensar algo não torna esse algo verdadeiro. A mente produz. O discernimento depura.
Essa compreensão atravessa também o Método Protagonista. Ser protagonista da própria história não significa controlar tudo nem eliminar influências, mas reconhecer quais forças nos movem e escolher, com responsabilidade, quais merecem peso nas nossas decisões. Não existe protagonismo sem discernimento.
A educação deseducadora não falha apenas por falta de conteúdo, mas por ausência de critérios. E pode oferecer ao sujeito uma infinidade de janelas para enxergar o mundo, sem jamais lhe entregar um espelho.
Leia mais, sim, mas leia melhor. Pense mais, se for o caso, mas, sobretudo, pense melhor. E quando acreditar que aprendeu a enxergar, desconfie novamente dos seus olhos.
“A educação não tem segredo. O segredo está na educação.”
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador.
APRENDER TAMBÉM É DESAPRENDER
Aprender não é apenas acrescentar. Às vezes, aprender exige retirar.
Acumulamos informações, crenças, interpretações, hábitos e certezas. O problema é que aquilo que aprendemos não permanece apenas armazenado: recebe peso, ocupa espaço, cria critérios e passa a participar da maneira como interpretamos o mundo.
Por isso, desaprender não é esquecer.
Desaprender é retirar autoridade daquilo que já não resiste ao discernimento.
Essa distinção é fundamental.
O esquecimento perde o conteúdo. A desaprendizagem consciente preserva a possibilidade de reconhecê-lo, mas recalibra o peso que ele merece exercer sobre o presente.
Nem tudo o que aprendemos precisa continuar decidindo por nós.
A Pedagogia do Discernimento exige, portanto, uma educação capaz de ensinar não somente a incorporar conhecimento, mas também a examiná-lo. É nesse ponto que aprender encontra o METADISCERN: precisamos pensar sobre aquilo que pensamos e, principalmente, discernir os critérios pelos quais continuamos autorizando determinadas ideias.
Há conhecimentos que precisam ser adquiridos. Há conhecimentos que precisam ser revisados. E há aprendizados que precisam perder autoridade.
A mente aprende.
O discernimento calibra.
A autonomia começa quando aquilo que aprendemos deixa de possuir autoridade automática sobre aquilo que ainda podemos aprender.
Aprender a desaprender é impedir que o passado intelectual se transforme no carcereiro do pensamento presente.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Autor e Pesquisador
POR QUE SABER QUE TEMOS VIESES NÃO NOS LIVRA DELES?
Aprender sobre vieses cognitivos pode produzir uma ilusão curiosa.
Começamos a enxergá-los nos outros.
Reconhecemos o viés de confirmação do adversário, a racionalização de quem discorda de nós, a influência emocional sobre determinada pessoa e a manipulação que determinado grupo sofre.
Quanto mais aprendemos sobre os erros do pensamento, maior pode se tornar nossa capacidade de diagnosticar o pensamento alheio.
Mas existe um problema.
Conhecer o nome de uma armadilha não significa estar fora dela.
Podemos saber perfeitamente o que é viés de confirmação e continuar procurando argumentos que confirmem aquilo em que já acreditamos.
Podemos estudar influência social e continuar sendo influenciados.
Podemos compreender manipulação emocional e permanecer vulneráveis justamente às mensagens que confirmam nossa identidade.
O conhecimento sobre o erro não produz automaticamente imunidade ao erro.
Talvez exista inclusive um paradoxo: quanto mais sofisticada se torna nossa capacidade de justificar o que pensamos, mais sofisticadas também podem se tornar nossas racionalizações.
Por isso, o pensamento crítico precisa voltar sua atenção para quem está realizando a crítica.
Não basta perguntar onde está o viés.
É necessário perguntar: “Por que percebi tão rapidamente o viés do outro e tive tanta dificuldade para considerar o meu?”
Essa mudança exige uma operação de segunda ordem.
O pensamento deixa temporariamente de examinar apenas o objeto e passa a examinar sua própria relação com o objeto.
É nesse território que situo parte daquilo que venho trabalhando como discernimento e metadiscernimento.
Não se trata de alcançar uma mente sem vieses. Trata-se de desenvolver maior capacidade para perceber quanto estamos autorizando nossas próprias inclinações a determinar aquilo que concluímos.
O viés mais perigoso talvez seja aquele que aprendemos a reconhecer em todos, menos em nós.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
QUANDO APRENDER EXIGE DESAPRENDER?
Aprender costuma ser imaginado como acrescentar.
Mais informações. Mais conceitos. Mais experiências. Mais repertório.
Mas existem momentos em que o crescimento intelectual depende de uma operação aparentemente contrária.
Retirar.
Uma explicação antiga pode ter sido útil e deixar de ser suficiente.
Um hábito mental pode ter funcionado em determinado contexto e tornar-se inadequado em outro.
Uma crença pode ter sido construída com as melhores informações disponíveis e precisar ser revisada diante de novas evidências.
Nesse sentido, desaprender não é esquecer.
É reavaliar a autoridade daquilo que já aprendemos.
Isso é muito diferente de apagar o passado.
Conhecimentos anteriores continuam participando da nossa história.
A questão é se continuarão governando nossas decisões.
Por isso, aprender a desaprender também é aprender.
Talvez seja uma das formas mais difíceis de aprendizagem.
Adicionar conhecimento novo pode ser prazeroso.
Retirar autoridade de uma certeza antiga pode atingir identidade, pertencimento e segurança.
O discernimento aparece justamente nesse intervalo.
Não devemos abandonar o antigo porque é antigo.
Nem preservar o antigo apenas porque nos trouxe até aqui.
Precisamos perguntar se aquilo que aprendemos continua merecendo o peso que recebe.
Aprender acrescenta possibilidades. Desaprender retira obrigações. Discernir decide o que permanece.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
Está em tempo de aprender
a respeitar e de reconhecer
o legado da ancestralidade
da terra e da que cruzou o mar,
e que até o nosso idioma
por cada qual foi moldado,
sem criar um novo pecado.
Cultivar o olhar não limitado
pela cronologia e que encontra
na mata o Vassourão florido
sob o céu de novembro vestido.
Deixar-se levar pela festa do que é
de fato culturalmente enraizado,
e não mais se permitir seduzir
por aquilo que nos foi empurrado.
Não quero que concorde
comigo sem antes aprender
a pensar por si próprio,
sem antes de saber quem
é a Aguia-careca, o Quetzal e o Condor,
sem antes de você saber
que você é filho do Gavião-real,
sem antes de você saber
quais são os territórios ultramarinos
no Hemisfério Ocidental,
sem antes de saber qual é
o cerne da Doutrina Monroe,
sem antes de saber quem
mais rasgou o Direito Internacional,
sem antes de relembrar
que avisei que o Deus da Guerra
poderia dançar dentro
da América do Sul,
sem antes de saber que a situação
é fluída e pode vir se espalhar,
sem antes de relembrar,
que não era preciso esperar
uma guerra para aprender
a amar de verdade a nossa terra,
não antes de saber que não
sou grande coisa na vida - apenas poeta.
Não é a primeira vez que pedi
para você aprender a voltar
os teus olhos para o céu austral
de ponta a ponta no continente.
Eles querem que percamos
o interesse pela gente para sempre.
Com as mãos eu pego a conjunção
de Vênus, Júpiter e da aurora matutina.
Daqui a pouco vai ter jogo da Copa do Mundo,
enquanto a Bolívia marcha sozinha,
difamada, torturada e esquecida pela rua,
ultrapassando até memória bíblica,
mas vivendo o seu autêntico deserto.
Há um jogo imundo que ninguém
sairá ileso por covardia da tentativa
de fazer vista grossa,
Não perceberam que estamos
atravessando independente
da direção e da bandeira,
a fase mais perigosa da travessia
goste ou não, queira ou não queira.
Por causa da anomia alheia,
cheguei até a jurar que nunca mais
iria escrever poesia política,
Não por falta de empatia ou coisa parecida,
mas por cansaço de ver que o poder
vampiriza a última gota de sangue,
e por ser difícil buscar quem realmente
com a vida se envolve e de fato se alia.
Como calar sufoca, até represa transborda,
não retenho o que é de natureza reativa.
Cultivar com constância romântica
tudo o que une e é de elegância;
aprender a lidar, lado a lado,
com as senhas da pele e do charme;
ser laço e nó que ninguém desate.
Nas tuas mãos ser fogo para brincar,
aquecer o chá de mulungu
e o necessário o tempo nunca apagar;
nas tuas mãos entregar o poder
e deste gesto profundo me orgulhar.
Possuir a tua existência por dentro,
ser a existência cativa sem regresso
e sem pressa por reconhecimento,
do sussurro à mútua leitura ótica,
como falantes do idioma do encantamento.
Sem hora para começar e sem pensar,
todo o lugar será sempre o lugar,
porque pertencer foi escolhido como lar,
e nele encontrar razões para voar,
pousar, descansar e jamais pensar dele ir.
"Não permitas te arrastem os acidentes exteriores; procura tempo livre para aprender algo bom e pare de girar como um peão. Adiante, deves precaver-te também de outros desvios. Porque deliram também, em meio a tantas ocupações, os que estão cansados de viver e não têm alvo ao qual dirigir todo impulso e, em resumo, sua imaginação.
Marco Aurélio - Meditações
Eu vou aprender, pode ter certeza
EU desconheço ainda o mundo
Não sei o que vuz capaz pode causar
Nem muito menos onde ele poderá me levar...
Não tenho experiência na vida
Vivo para aprender e me espelhar
Não me deixar pelo mal influênciar
Apesar das coisas que ruins que no mundo há...
Meu espírito se revela no que antes era
É difícil chegar numa tarde fria sem pensamentos voarem com vento sem brisa
Não há com ou como que se explica
Essa, apesar de difícil e quase impossível de entender, é a vida.
Você deve aprender mas isso ao longo da vida, que algumas pessoas são como flores... Bonitas em seu determinado tempo, exalam um perfume na primavera e durante a próxima estação apodrecem, é necessário deixá-las partir, significa que uma nova flor mais bonita e com um cheiro mais agradável precisa passar pela sua caminhada.
Eu acredito em anjos e você deveria acreditar, Jamais alguém passa em sua vida sem nenhuma importância, acredite, no seu desenho é você que deve saber como colori-lo, quais são as cores que precisa usar e quais são as pessoas que vão te ajudar a desenhar-lo, os anjos podem te surpreender nas tonalidades de suas cores, e o seu desenho vai ficar maravilhoso, permitir é necessário e resiliência faz parte desse processo chamado vida. Eu procuro mais anjos em minha vida... E flores na primavera seguinte!
Aprender
Como a vida é fantástica, e ao mesmo tempo complicada e duvidosa.
Mas convenhamos, de que ela teria graça se não tivéssemos como resolve La.
Esses dias de gloria e fúria não acontecem por acaso.
Não sabemos “às vezes” nem quem somos?
Então por que se martirizar a todo tempo, e esquecer-se de aproveitar esta grande oportunidade,
De acordar todo dia e ter o poder de mudar.
De crescer, aprender e evoluir.
Não devemos usar de solidão junto à ilusão
Ela só nos atrasa no tempo majestoso que temos de aproveitar aqui.
A vida é e sempre será uma escola, em todos os sentidos.
Para todos os efeitos, aprenda, mas aprenda com dignidade e respeito aos outros.
Aprenda só o que é bom e útil,
Aprenda o amor, com amor.
Quem quiser seguir seu caminho, deve aprender a esquecer.
As lembranças aparecem vez em quando, quase sempre.
Se nos entregarmos ao passado, não se vive o presente.
Por isso temos que fechar os olhos, e abrir novamente...
Temos que olhar o mundo todo diante de uma perspectiva inovadora a todo momento, pois o que nos destrói não é a consciência do que se acontece em si, e sim os sentidos revelados pela percepção dos fatos. Há os que se perdem em caminhos que já se foram, onde a mágoa ainda predomina, e também uma parte de sua felicidade. A cada gota de força para lembrar, está se perdendo uma ótima oportunidade de olhar adiante, sem se quer ser ferido, sem sequer chorar, sem sequer ficar doente, e sem chão. Lembre-se quando não houver mais perspectivas, quando as portas lhe forem fechadas, e não houver esperança de que elas abram. Lembre do que fazer, pois aí está a sua identidade, e não pode se esquecer dela, senão teremos que lembrar, e lembrar...
Tem muito o que aprender aquele que quer ser "iluminado".
Quando parece que compreendeu o sentido das principais coisas que movem a razão do viver, perceberá que o simples que ficou para trás, é o mais importante.
O conhecimento é uma sala imensa, é uma sala que não se pode avistar o fim; quando tu pensares que chegou ao seu fim, perceberás que apenas abriu a porta e deu o primeiro passo, mas ainda existirá uma imensidão de pegadas a deixar na sala.
Não se canse de buscar toda a ciência possível ao homem! Certamente chorará, sentado nessa sala, mas entenderá que essa lágrima inspirará a outro homem como você, e que ela ajudará a iluminar a escuridão que se acha dentro do coração desse homem!
SEJA UMA ETERNA CRIANÇA, QUANDO SE TRATA NA BUSCA DO CONHECIMENTO!
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