Às vezes é preciso aprender a... Alessandro Teodoro

Às vezes é preciso aprender a abraçar a Solitude bem apertado para fugir do abraço apertado da Solidão.
Existe uma diferença muito silenciosa entre estar Só e sentir-se Sozinho.
A Solidão, muitas vezes, chega metendo o pé na porta, sem ao menos pedir licença.
Ela pesa, esvazia, faz companhia aos medos e ainda alimenta a sensação de abandono.
Já a Solitude é uma escolha consciente: é o encontro consigo mesmo, o espaço onde o silêncio deixa de ser inimigo e se torna um mestre.
Aprender a abraçar a Solitude é entender que nem toda ausência representa perda.
Há momentos em que precisamos nos afastar do barulho do mundo para ouvir a voz da nossa própria essência.
É nesse recolhimento que redescobrimos quem somos, quais são nossos valores e o que realmente merece permanecer em nossa vida.
Quem teme estar sozinho acaba, muitas vezes, aceitando companhias que ferem, ambientes que sufocam e relações que ofuscam ou apagam sua luz.
Mas quem aprende a apreciar a própria presença não busca pessoas para preencher vazios; busca para compartilhar a plenitude que construiu dentro de si.
A Solitude não elimina a necessidade de amar ou de ser amado.
Muito pelo contrário, ela ensina que o amor mais importante é aquele que nos permite permanecer inteiros, mesmo quando ninguém está por perto.
É desse amor-próprio que nascem relações mais saudáveis, livres da dependência e do medo.
Talvez o maior desafio da vida não seja encontrar alguém que nos complete, mas tornar-nos completos o suficiente para que a presença do outro seja uma escolha, e não uma necessidade.
Porque, no fim das contas, é preciso aprender a abraçar a Solitude para fugir do abraço da Solidão — e descobrir que a melhor companhia que podemos cultivar é a nossa.
