Textos românticos que encantam e aproximam corações
O mundo pode
até dormir,
O nosso sol
sempre abrirá:
Os mais lindos
caminhos
Nas noites
lunares no [mar.
O mundo pode
até esquecer,
O nosso amor
sempre existirá,
E a nossa música
jamais deixará
De tocar
o nosso coração,
e embalará
O nosso grande amor
em todo o [lugar.
O mundo sempre
tenta contestar,
O amor teimoso
sempre persistirá;
Ele escolheu
o teu coração
para morar...
Soneto escrito macio
em cada concha,
Soa como o cravo
que toca;
Deste país amor
sempre toma conta...
O mundo pode
até acabar,
O Universo que há
em nós não findará;
Neste abrigo sempre
há de constelar...
O mundo pode tudo,
e pode mesmo:
O mundo só não pode
acabar com
- o nosso desejo -
Nos trigais do alvorecer,
[e no poente.
O mundo não pode acabar com o que
há de mais bonito dentro
[da gente;
E com todo esse oceano de amor
que a gente sente - alucinadamente.
Talvez te
ver mais
uma vez,
talvez!...
Transitando
entre a tua
gente,
pode ser,
Fui na beira
da praia
na areia
No afã
de escrever
o teu nome
Só para te
esquecer:
não consegui
- corri!
E eu que acreditava
que os meus poros
Eram impenetráveis,
- você está neles
Ocupando
com todos
os teus
aromas,
- os mais
primaveris
aromas
Tomaste-me
de mim
para ti,
Dominada
estou pelas tuas
pompas.
Rompo com o mundo
para me dobrar,
Para me ceder
ao cortesão
[atirado,
Teu primaveril
perfume perfuma,
Esse verso sobre
o teu corpo deitado,
Findando
esse soneto
[enamorado.
Haverás de me rever refeita,
Ainda mais tua - e perfeita,
Porque a trova que plantamos
A acácia mais bela [semeia].
Acabaram de vez os [freios,
Só a espaço para desejos e flores,
Conhecemos a vida e os [sabores,
É por isso que nos escolhemos.
Nós sabemos o quê queremos,
Amor de verdade é o quê temos,
Um sentimento de pertença,
Com doses de [indecência].
Carinhos que irão sempre [adiante,
Gostamos de tudo que seja insinuante,
As nossas índoles são [picantes,
No melhor do arfar - extasiantes.
Os nossos beijos são o [alimento],
Os nossos corpos formarão um casulo,
Decidimos estamos pelo nosso futuro,
Nós nos escolhemos por porto seguro.
Com o coração apaixonado
Pertenço-te mais à você
Do que a mim mesma,
Você chegou para mexer
Com a minha cabeça,
Não há mais um porquê
Para olhar para trás,
Agora sei que eu te
amo a cada dia mais...
Se é conto de amor,
A gente inventa
Do jeito que for,
E tempera o nosso
amor com pimenta
O nosso bom motivo d
e sermos presença,
Assim nos aquecemos
com o mútuo calor...
Do que dizem que
pode ser ilusão
Está escrito nos teus
olhos a minha paixão,
Sei que aos poucos
você está para chegar
Não falta muito, sei que
você vai se entregar,
Nem eu e nem você vamos
parar para pensar...
Não procure
pela explicação
O amor quando acontece
tem a sua própria lógica,
O importante é estarmos
juntos além das horas,
E dessa vez, nenhum
dos dois irá embora,
O amor chegou para ficar
escrito na nossa história.
Você me pede um verso
Eu quero bem mais do que isso,
Estou pedindo o teu avesso
Quero viver no teu
colo um doce paraíso;
Ter você aqui do meu lado,
é bem isso que eu preciso.
A nossa aliança é sublime
Mais do que palavras
- elas cultivam a atitude:
Nunca subestimamos o acaso.
O amor sempre esteve conosco
- lado a lado
Determinação do Bom Jesus dos Navegantes,
que fez a gente ter se encontrado.
A tarde chega misturando amorosamente
No céu as cores rosa e lilás...
Sinto gotejar o aroma de lavanda
- estou aqui na varanda...
Contando os versos
Que vem atrás dessa saudade,
Que você me faz;
Está retido na minha boca o teu beijo
que me embalsama,
e no meu corpo está a tua mocidade vivaz.
O mundo pode cair à deriva...
Temos em nós uma paz infinita,
Uma vivacidade que não se apaga
E um encanto além da chama...
Sim, nesta tarde que saúda
As minhas três palmeiras,
Estou aguardando notícias suas
[alvissareiras] - cá estou sereníssima...
Quando se ama é assim: não se teme dançar
no [precipício,
O coração busca o outro até no
[abismo,
Vive-se a profunda certeza de estar
Vivenciando a amorosa serenidade
[mais extrema]...
É na certeza de ter a proteção
Do teu colo dando o meu em troca,
é que a gente se amplifica e se serena;
certeza longe de ser pequena.
Os teus olhos não se dissociam
Mais dos meus,
É uma coisa boa esse teu requebrado,
Que também provoca o meu,
E não há mais como dizer adeus.
Gosto de me sentir um pouco criança
Quando recebo o teu beijo
Sempre antes de dormir,
Imagino que teu carinho é garantido,
E que o amanhã há de porvir!
Juntos somos sempre um começar,
E também sabemos partir.
Amanhã é outro dia, para o teus braços
Eu hei de ir - estou aqui à sorrir...
Faço música além do que você
Possa ouvir: vou muito além
Do que os teus olhos podem enxergar:
Nasci mulher para você me amar.
Mesmo que digam que é tarde
Para amar alguém:
O destino é caprichoso,
E fez você encontrar o teu bem.
Iremos bem maduros e muito além...
Por mais que queiram impôr uma pena
capital à um poeta, na alma dele mora
a chama redentora do mundo celestial.
O poeta é o abolicionista, o inconfidente
essencial - e para ele não há umbral.
O Universo é o prêmio dos poetas,
- nele cabem Ariano e as letras...
O Universo é o boticário dos poetas,
- é nele que removemos a trama espinhenta...
Está no poeta o olho do furacão: ele é
o princípio e o fim de toda revolução.
É fato, que toda a poesia
nasceu para ser castigada - mas nada,
nada mesmo fará a alma do poeta fadigada.
O Universo é o mar dos poetas,
- com ele brincamos com as estrelas...
O Universo tem a força dos poetas,
- o cheiro de nós dois nele se intensa...
O Universo cabe no Sertão e faz lavoura
no Deserto, bobo é aquele que acha que
o poeta não tem nada de esperto...
O poeta finge que dorme, mas sempre
está com um olho fechado e outro aberto.
O Universo cabe na mão do poeta,
- só ele é domina a arte de semear a terra...
O Universo é o instante intacto da ternura,
- ele conhece bem a rota de fuga da amargura...
O prêmio do poeta sempre será o Universo,
- porque no nosso escrever
cabe o Universo inteiro...
O poeta finge que cansa, mas não
desiste nunca - o espírito do poeta é trigueiro,
o poeta arruma sempre um motim festeiro.
O Universo é a geografia dos poetas,
- é nele que abrimos estradas e somos lenda...
O Universo é a casa dos poetas,
- é nele que mora a felicidade imensa...
O poeta já nasceu sabendo
que nada desanima e que tudo desafia - a poesia.
E sempre haverá mil motivos para continuar
escrevendo a poesia.
O poeta conhece a dor, e sabe o quê é a alegria;
conhece o Universo da nostalgia, e o caminho
da galáxia que extasia - o Universo da Poesia.
Talvez o quê eu mais deseje
de ti seja intangível,
- escrevo.
Ou talvez não,
nada que a poesia
Não possa tocar o teu coração,
- incrível...
Numa insegurança
implacável
Está este corpo,
Nada que o teu
Colo não resolva,
- se ele for amável...
Carinhoso e inefável.
Neste meu canto de exaltação,
- desfaço-me por ti e sem fim...
Sim, assumiria para você
Que ainda sonho contigo,
Se você tivesse reparado
O quê é importante para mim.
Tenho nos meus abismos
mais escondidos
- inscritos -
os teus beijos
ofertados à eles;
ali estão os teus
beijos habitantes
dos meus recôncavos,
e nestes beijos
estão os afetos afogados.
O coração é bicho bom,
- é instrumento fino,
Quanto mais se aperta,
Mais se acerta [o tom]...
Estou correndo
na noite brumosa,
E desatada de mim
mesma na ágora
infante cercada
por essa relva azulada
- correndo de mim
para ir até você -
insinuando-me amorosa
aos caminhos
entreabertos que por ti
foram despertos.
Nunca correrei de ti,
só te espero;
Espero como quem
espera um milagre,
Um sinal celeste.
Dei para ti o meu
corpo sublime,
E com vocação amante
com a fé de quem ama
Crendo que poderá seguir
adiante - assim te espero.
Só para revirar os teus sentidos,
E nos toques mais infinitos:
Pedi o ombro do meu moço,
Amei você com gosto.
A felicidade não tem preço,
Quando ela chega, te vira
E revira do avesso...
Ela tem sempre um começo,
E também um recomeço.
Com gestos e feitiços plenos,
O teu sorriso iluminou,
Só quem não deu valor,
É porque nunca enxergou...
Escrevo todos os dias
Para dizer que jamais te esqueço,
Entre nós haverá sempre um defeso,
Para nós o amor é indefeso;
Portanto, eu implacavelmente te protejo.
Como um arvoredo, tu me proteges,
O nosso arvoredo está repleto de frutos,
Não há mais segredos entre nós dois;
Os teus afetos foram me entregues,
Quero que com o teu amor me leves.
O teu escudo e o teu broquel
- são asas -
concedidas pelo Pai do Céu;
Tenho por ti a infinita
Ternura, todo o afeto e mel
Que cabem em versos celestiais,
O amor nos faz especiais.
O teu beijo é de afeto,
E o meu beijo é devotado,
Na verdade, somos ávidos
Para provar a boa
Loucura do bom requebrado.
Os beijos e os afetos
Estão sendo levados
Pela noite santificada
E pelo amor;
O coração vibra a pequena serenata
- anunciada -
Guardo para ti a minh'alma - enamorada.
Do despertar até ao sono,
E tenho nos embalado,
Colhas para ti
- a mais fina safra de beijos -
Não por impulso.
Faça um bom vinho,
E me recolha
No teu coração
Enamorado;
Sei que estás
Apaixonado.
O meu verso alexandrino
Toma conta intrépido,
Ele te faz a cada dia mais menino
Como um amanhecer
- lépido.
Sou o teu sorriso que não se contém,
Sei que podem nos julgar;
Não há o quê temer,
Nós nos queremos bem,
Juntos iremos muito além...
Ontem a noite estava fria,
A Lua pousou sobre a janela,
Senti a carícia plena...,
- a mais bela
Ela fez mais rosa a rosa cor-de-rosa,
A roseira estremeceu inteira...
Eis aqui um coração de pomba,
E você com esse teu charme
Que amacia, toma-me por tua conta!
Transformou-me a comportada menina
Em mulher faceira que só pensa
Em poesia - e na entrega perfeita.
Quem te tem no coração,
Não é mais sozinha,
Você esquenta e faz amorosa
A mais baixa temperatura,
Estou à espera de teus beijos,
E por eles escrevendo versos de ternura.
No itinerário a ser percorrido,
Há desejos a serem encaixados,
Dois corpos para serem acariciados,
Duas volúpias para não serem contidas,
E beijos para não serem findados,
As nossas mãos se farão incontidas.
Estou sentindo o amor primeiro chegar,
Chegou o tempo das nossas possibilidades,
É tempo particular das ternuras aconchegadas,
Saberemos o quê fazer,
E como fazer com as nossas docilidades
Vamos mais do que nos apaixonar:
- Nós vamos é nos (entregar)!
Não há nada
mais santificado
do que uma
vadiagem poética,
eu sou o quê
você procura
no meio
da bagunça
do seu coração.
Inspiro e respiro
aquilo que nutre,
e te traz fascinação.
Transpiro em verso
aquilo que sugere,
e te traz inspiração.
Não há nada mais
o quê ocultar,
escrevo poemas
para os lábios
teus abastecer,
e me incendiar
mais ardente
do que uma
vela no altar.
Seduzo em prosa,
aquilo que desejo,
e atrai por sedução.
Induzo em canto,
aquilo sem reverso,
e que já é paixão.
Não há nada
mais delicioso
do que uma fuga
do cotidiano,
eu sou o quê
te desafia,
e provoca
real encanto
trazendo revolução.
No meio das brumas irrompeu-se
a mais bela luz que se tem notícia,
No teu sorriso encontrei a primeira
- folia -
E a mais bela e estonteante primícia
feita de rosa, cores e toda a poesia.
No teu olhar feito de verde oceano,
eu encontrei o amor sem engano:
verdadeiro, indivisível e primeiro
És a minha alvorada e o meu poente
- perfeito -
Nas texturas, misturas e virtudes,
- incomparáveis
Feita de Sol, Lua e todo o Universo
o amor primeiro, dileto e correto,
Cheio de emoção e todos os sabores;
És Mãe, o maior de todos os amores.
No seio das ternuras iluminou-me
a mais linda de todas as paciências,
Ainda lhe devo todas as obediências
- reconhecidas -
E uma obstinação de fazer da vida
um arauto de todas as reverências
- Merecidas! -
Quando...
Quando as coisas começarem a não fazer mais sentido;
Quando tudo o que gostávamos, começa a não ter mais nenhum significado;
Quando o que fazíamos com amor, passa a ser um fardo;
Quando o que pensávamos que era amor, deixa dúvidas;
Quando as pessoas ao teu redor não entenderem o motivo da tua estada ao lado delas;
Quando a raiva começa a nos dominar, chegou o momento de parar, pensar e ir em busca de novos caminhos.
A vida possibilita, mostra, ensina, aponta, dá sinais, porém se não estivermos atentos ou não entendermos o significado do seu ensinamento, chegou a hora de partir.
ARGOS E A VIGÍLIA DA FIDELIDADE ABSOLUTA.
O episódio de Argos constitui um dos momentos mais silenciosamente trágicos e moralmente elevados da narrativa antiga. Não é uma façanha de guerra nem um triunfo político que encerra a longa errância de Odisseu, mas o olhar cansado de um cão esquecido no limiar da casa que um dia foi nobre.
Após vinte anos de ausência, dez consumidos pela guerra e outros dez diluídos na provação do retorno, o herói chega à sua pátria reduzido à aparência de um mendigo. Tal metamorfose não é apenas corporal. Ela é simbólica. Odisseu regressa despojado de glória visível, privado de reconhecimento social, colocado à prova em sua essência moral. A casa está ocupada por usurpadores. A esposa está cercada. O reino encontra se em suspensão ética.
Argos, outrora um cão vigoroso de caça, fora abandonado num monte de esterco, negligenciado pelos servos que já não respeitavam a antiga ordem. Velho, doente e quase cego, conservava apenas aquilo que o tempo não pode corroer a memória do vínculo.
Quando Odisseu cruza o pátio, nenhum humano o reconhece. A aparência engana os olhos treinados para os signos do poder. Argos, porém, não vê com os olhos sociais. Ele reconhece pela presença essencial. Ao ouvir a voz e sentir o odor do seu senhor, ergue as orelhas, move a cauda com esforço e tenta aproximar se. Não ladra. Não chama atenção. Apenas confirma, em silêncio, que a fidelidade sobreviveu ao tempo.
Odisseu vê Argos. E nesse instante ocorre uma das mais densas tensões morais do poema. O herói que enfrentou monstros e deuses não pode ajoelhar se diante do próprio cão. Revelar se significaria colocar em risco o desígnio maior da restauração da justiça. Ele precisa seguir adiante. Contém as lágrimas. O silêncio torna se uma forma de sacrifício.
Argos, tendo cumprido sua vigília, morre. Não de abandono, mas de conclusão. Esperou o retorno para poder partir. Sua morte não é derrota. É cumprimento. Ele fecha o ciclo que a guerra abriu. Onde os homens falharam em reconhecer, o animal guardou a verdade.
Este episódio revela uma antropologia moral profunda. A fidelidade não depende da razão discursiva nem da convenção social. Ela nasce da constância do vínculo. Argos não exige provas, explicações ou aparências. Ele sabe. E ao saber, encerra sua existência.
A grandeza deste momento reside no fato de que o primeiro reconhecimento do herói não vem da esposa, nem do filho, nem dos aliados, mas de um ser esquecido, humilhado e descartado. A ética antiga ensina aqui, com sobriedade severa, que a verdadeira nobreza não está na glória visível, mas na lealdade que resiste quando tudo o mais se dissolve.
Argos não fala. Não combate. Não julga. Apenas espera. E ao fazê lo, torna se imortal na memória humana, pois há fidelidades que não atravessam o tempo para viver, mas vivem para atravessar o tempo, tocando a imortalidade daquilo que jamais traiu.
ALÉM DA DOR
Por mais densas que sejam as névoas que se interpõem entre ti e a claridade dos dias, lembra-te de que, além delas, a harmonia divina sustenta o universo em silencioso equilíbrio. Nada é desordem na Criação — o que parece caos é apenas parte de uma sinfonia que ainda não compreendes por inteiro.
As cores vivas da esperança e da alegria não nascem fora de ti: germinam primeiro no campo interior da alma. Aprende, pois, a vê-las em ti mesmo, e o mundo refletirá o brilho do teu olhar pacificado.
Não te detenhas nas sombras dos que te julgam ou te ferem. Preocupa-te, antes, em conservar o coração livre de ressentimentos, porque o rancor é a febre da alma que adoece o corpo e entorpece o espírito. O perdão, ao contrário, é a higiene moral que restaura o equilíbrio e reconstrói a saúde interior.
Quem ama verdadeiramente ultrapassa as fronteiras do ego, e encontra, no gesto simples de compreender, o segredo da serenidade. Se alguém não te estima, não te amargures: cada um projeta no outro o que ainda traz em si. Tu, porém, nasceste para aprender a amar — e o amor é a mais alta escola da evolução.
Não te iludas: a tarefa é árdua, mas profundamente libertadora. Cada vez que renuncias ao revide, uma nova luz se acende em ti. As vozes que te acusam hoje, amanhã se calarão diante da força silenciosa do bem que praticas.
Segue, pois, fazendo o bem sem interrogações. A dor é uma névoa passageira, mas o amor é o sol eterno que jamais se apaga.
Muita paz e que tua luz brilhe sem pressa, mas com verdade.
Entre a Solidão e a Incompreensão.
“Existem pessoas que não reclamam da solidão mais que aquelas que as criticam. Existem mais pessoas incompreendidas que solitárias.”
Há uma diferença sutil, porém decisiva, entre estar só e não ser compreendido.
A solidão pode ser um retiro voluntário da alma que busca silêncio para florescer. Já a incompreensão é um exílio imposto — um afastamento moral que nasce quando o coração fala uma linguagem que os outros não escutam.
Muitos temem a solidão porque confundem o recolhimento com abandono.
Entretanto, há espíritos que, mesmo isolados, irradiam presença e serenidade, enquanto outros, rodeados de vozes, sentem o peso do vazio interior.
A verdadeira solidão não está na ausência de corpos próximos, mas na ausência de almas que nos compreendam.
Psicologicamente, a incompreensão toca uma ferida ancestral: o desejo de sermos aceitos como somos.
Quando o ser percebe que sua maneira de sentir é distinta, que seus valores destoam da pressa e da superficialidade do mundo, ele se recolhe não por fuga, mas por proteção da própria sensibilidade.
É nesse silêncio que o autoconhecimento floresce, e a alma aprende a encontrar em Deus o eco que faltou nos homens.
A existência nos ensina que toda alma traz experiências múltiplas, provenientes de outras existências, o que explica a diferença de maturidade espiritual entre os seres.
Muitas vezes, quem hoje é incompreendido caminha alguns passos à frente, porque já compreendeu o que os outros ainda temem enxergar.
Por isso, a solidão, para o Espírito evoluído, deixa de ser dor e se transforma em laboratório de luz interior.
O Filho Pródigo é talvez a mais conhecida das parábolas de Jesus, apesar de aparecer apenas em um dos evangelhos canônicos. De acordo com Lucas 15:11–32, a um filho mais novo é dada a sua herança. Depois de perder sua fortuna (a palavra "pródigo" significa "desperdiçador", "extravagante"), o filho volta para casa e se arrepende. Esta parábola é a terceira e a última de uma trilogia sobre a redenção, vindo após a Parábola da Ovelha Perdida e a Parábola da Moeda Perdida.
Esta é a última das três parábolas sobre perda e redenção, na sequência da Parábola da Ovelha Perdida e da Parábola da Moeda Perdida, que Jesus conta após os fariseus e líderes religiosos o terem acusado de receber e compartilhar as suas refeições com "pecadores".[1] A alegria do pai descrita na parábola reflete o amor divino,[1] a "misericórdia infinita de Deus"[2] e "recusa de Deus em limitar a sua graça".[1]
O pedido do filho mais novo de sua parte da herança é "ousado e insolente"[3] e "equivale a querer que o pai estivesse morto".[3] Suas ações não levam ao sucesso e ele finalmente se torna um trabalhador por contrato, com a degradante tarefa (para um judeu) de cuidar de porcos, chegando ao ponto de invejá-los por comerem vagens de alfarroba.[3] Em seu retorno, o pai trata-o com uma generosidade muito maior do que ele teria o direito de esperar.[3]
O filho mais velho, ao contrário, parece pensar em termos de "direito, mérito e recompensa"[3] ao invés de "amor e benevolência".[3] Ele pode representar os fariseus que estavam criticando Jesus.
TÍTULO
A JUSTIÇA DIVINA E A LIBERDADE DO ESPÍRITO
ARTIGO
O Espiritismo, em sua expressão mais depurada, não se apresenta como sistema de temor, mas como pedagogia moral da consciência. A Doutrina não constrói um Deus punitivo, arbitrário ou vingativo. Revela um princípio soberanamente justo e bom, cuja ação se manifesta pelo respeito absoluto à liberdade espiritual e pela finalidade educativa das experiências humanas.
Deus não condena suas criaturas a castigos perpétuos por erros transitórios. Tal concepção violaria a própria ideia de justiça, pois nenhuma falta limitada no tempo poderia justificar uma pena infinita. O erro, no entendimento espírita, é sempre circunstancial e próprio de um Espírito ainda imperfeito, jamais definitivo ou essencial à sua natureza. Por isso, a Lei Divina oferece, a qualquer tempo, meios de progresso, reparação e reequilíbrio moral.
O arrependimento não surge como mero sentimento de culpa, mas como lucidez ética. Reparar não é sofrer por sofrer, mas agir em favor do bem, restabelecendo a harmonia rompida. A justiça divina não se impõe de fora para dentro. Ela opera no íntimo da consciência, onde cada Espírito experimenta as consequências naturais de suas escolhas. Persistir voluntariamente no caminho do mal converte-se, por si mesmo, em sofrimento, pois ninguém viola a ordem moral sem ferir a própria estrutura psíquica e espiritual.
A chamada pena eterna, à luz do Espiritismo, não é um decreto imutável, mas uma permanência voluntária no erro. Se o Espírito ali permanecesse indefinidamente, a dor também se prolongaria. Contudo, a mínima disposição ao arrependimento basta para que a misericórdia divina se manifeste, oferecendo novas oportunidades de aprendizado e reabilitação. Eis a relatividade das penas e da própria noção de eternidade, compreendida não como duração infinita do sofrimento, mas como continuidade da vida orientada ao aperfeiçoamento.
A liberdade concedida aos Espíritos é condição indispensável para o mérito moral. Se não houvesse possibilidade de escolha, não haveria responsabilidade, nem virtude autêntica. Deus permite que o Espírito experimente o bem e o mal para que aprenda, pela razão e pela vivência, a distinguir o que eleva daquilo que degrada. A sabedoria divina não se impõe pela coerção, mas pela educação gradual da consciência.
O primeiro ensinamento é o amor. O segundo é a instrução. Amar sem compreender conduz ao fanatismo. Instruir sem amar conduz à aridez moral. O Espiritismo une ambos, chamando o ser humano a uma ética da responsabilidade, da lucidez e da esperança ativa.
Assim, a mensagem espírita não promete atalhos, nem absolvições automáticas. Ela convoca o Espírito à dignidade de construir-se, passo a passo, na liberdade, assumindo o peso de seus atos e a grandeza de sua capacidade de transformação, pois toda consciência que se esclarece encontra no bem não uma imposição, mas um destino escolhido com maturidade e verdade.
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