Textos Reflexivos sobre Inclusão
Como chamar uma pessoa de 'burra' em 7 maneiras acadêmicas:
... O que dizer? A sua inteligência é utópica. O seu conhecimento tem dimensão quântica. A sabedoria e você caminham juntos paralelamente. E o seu conhecimento se aproxima da sabedoria de maneira assintótica. Você é uma aula à parte.
Uma mente dessas deveria estar protegida... num museu. É realmente... impressionante.
Como chamar uma pessoa de 'burra' em 8 maneiras acadêmicas:
1. "O que dizer? A sua inteligência é utópica."
2. "O seu conhecimento tem dimensão quântica."
3. "A sabedoria e você caminham juntos paralelamente."
4. "O seu conhecimento se aproxima da sabedoria de maneira assintótica."
5. "Você é uma aula à parte."
6. "Uma mente dessas deveria estar protegida... num museu."
7. "É realmente... impressionante."
8. "Obrigado por compartilhar... mais uma pérola."
"Foi no seu olhar que encontrei o propósito que eu nunca teria escolhido — mas que sempre precisei.
Naquele instante, não houve discurso.
Só um olhar — firme, cheio de graça.
E, com ele, um convite silencioso:
'Segue-me.'
Tudo mudou ali.
O chamado não foi merecido,
mas foi impossível de ignorar."
(...) Em dezembro de 1983, nascia uma afável de uma deleitável criança, cuja vida não lhe foi tão propícia aos anseios inocentes de sua inflorescência infância.
Pertencente a uma origem humilde, ele recebeu uma educação doméstica e acadêmica sigilosamente rudimentar, porém, eficaz.
O seu caráter cortês foi moldado precocemente por ironia do destino, deixando-o parcialmente inibido ao seu mundo interior propriamente dito, ou seja, o seu “eu”.
O tempo passou, e naturalmente o menino de olhos claros, a cor da natureza, de cabelos castanhos e de uma estrutura emocionalmente épica, tornou-se num dócil homem sensivelmente inclinado a uma dimensão gerada nos corações poéticos, de seres meramente apaixonados pela arte de escrever.
Apresentando ser um mancebo convencido (o que não era) por ter um semblante austero, era um jovem bem-humorado e eufórico na área da comunicação.
As suas decepções amorosas deixaram o centro das suas faculdades glacialmente petrificadas, no entanto, maduras, sem esquecer que o universo, por um todo, conspirou propositalmente a favor de uma coesão ilibada de sua simplória dignidade masculina.
Mesmo tendo como experiência, diversas desilusões sentimentais, esse probo sonhador, nunca deixou de acreditar na força cândida do casto amor, concebendo assim, uma personalidade definitivamente singular e assaz para uma patente óptica horizontal da sua vital existência.
Aos 19 anos, tornou visível a imagem latente duma película revelação artística no seu desvanecido âmago, da qual se espargiu pelas fronteiras exteriores do universo clássico da literatura coeva.
Anos mais tarde, um ser magnificamente metafísico, chamado transcendentalmente de EL (Deus), une grandiosamente a sua alma ao core de uma linda mulher, que se tornou para ele num límpido baluarte moral e afetivo, pela qual discorre o início de uma triunfante história que não terá um ponto final escrito por mim, mas futuramente pelos seus áureos filhos, que serão eternas e importantes estrelas de uma era não muito distante ou por nobres companheiros, que o auxiliaram com bálsamo no período bélico da sua rústica jornada.
Enfim, esse fidalgo ser não foi nenhuma celebridade, nenhum fenômeno heroico e muito menos um mito greco-romano, ele foi simplesmente ele, Diogo Oliveira, mais conhecido e respeitado carinhosamente pelos seus veros amigos de: macjhogo,
"o escritor".
"Não desperte inveja no sucesso dos outros, nem alimente sentimento de desânimo, frustração ou incapacidade por ver seus amigos progredindo, e você parcialmente paralisado por alguma dificuldade involuntária, se sentindo preso em incertezas numa situação de estagnação.
Não entre em competição com o próprio tempo. Cada pessoa tem seu modelo e ritmo de sucesso, você não tem que sabotar o seu, só precisa respeitar o seu processo."
"Estava aqui pensando com os meus botões... Para ser mais exato, estava refletindo como expressaria sobre o que aconteceu comigo
no coliseu da vida... Sob o efeito colateral do
espaço-tempo, que
subjetivamente, finalizou ao nocautear-me com um choque paralelo de realidade, ao êxtase da minha imaginação."
"A anáfora de minha alucinação periférica, adormecida pela tese de um neurótico insight, desencadeia um zênite embate dialético... Filtrado como causa de uma antítese ortodoxa dos meus primitivos pensamentos, gerando uma síntese
retórica de ciclos decrépitos, num sentido antagônico ao niilismo existencial
de moléculas, aleatoriamente traçadas numa deriva calopsia do universo.
Sobretudo, resiliente ao paradoxo de uma dispneia psicogênica de uma prospecção assertiva. Catalisando, no que lhe concerne, o protagonismo complexo de uma alexitimia ipseidade."
"Não se define o caráter de alguém pelos erros do seu passado ou por seus acertos atuais.
O caráter é forjado pelo padrão constante de sua conduta, aplicada ao reflexo do tempo e espaço sem parcialidade.
Erros e acertos, além de serem 'imprevisíveis' e 'instáveis', são suscetíveis a qualquer pessoa, sobretudo, não se mede a curto prazo a honra de sua dignidade."
"A pressuposição dos meus devaneios, dissertam no abadá sorriso de mariposa, estampada no rosto amargo de um âmbito antagônico, o qual me lanço no imperativo desfilar das suas asas,
sobrevoando o arranha-céu do desconhecido em meio ao caos, e com o seu toque púrpura, me faz prisioneiro de uma esfera armilar, em redundância ao arco de uma criança, que chora por ver a realidade do seu castelo de areia, se desmanchando na espuma do mar."
"Evite ser persuadido pelos pseudointelectuais, eles são estorvos ignorantes, que vivem numa profunda fantasia, distorcida da percepção alucinógena, aderidos de uma ambiência classe psicodélica como mariposas, atraídas pelo brilho artificial em tessitura dos seus óbices sapientes, que adredemente coadunam, despoticamente
em nada."
Alguns dias parecem pesados
Em dias assim, de chumbo e calmaria tensa,
O mundo grita em cores que a alma não pensa.
O coração, outrora canção leve e solta,
Bate exausto, na engrenagem que nos volta.
O peso interno, fardo invisível e constante,
Não se revela em números, mas em instante
De respiração curta, em nó na garganta,
Em sombra alongada que a alegria espanta.
Esmaga lento, como a gota que fura a pedra,
Cada suspiro um passo em direção à treva.
A força se esvai, a vontade se dobra,
Sob o jugo silente que a alma absorve.
Mas lembre-se, em meio à pressão que aperta,
Que a noite mais densa precede a alvorada liberta.
Ainda há espaço para um respiro profundo,
Para encontrar em si um novo mundo.
Se em determinadas circunstâncias te sentes injustiçado, como se todos estivessem contra ti. Pare e reflita. Será que todos estão errados e só tu és o certo? Este é um bom começo para uma bela reflexão. Saber ouvir os outros e dialogar sem agressões, aceitar que existem outros pontos de vista e que nem sempre o teu é o que prevalecerá.
Quem tenta manipular os outros acaba sozinho. Viver em sociedade é saber dialogar, saber ouvir, ser flexível, é aprender que precisamos uns dos outros e que ninguém é melhor que ninguém.
Estamos aqui só de passagem e o que levamos dessa vida são as lições aprendidas. Que sejamos humildes o suficiente para reconhecer nossos erros e buscar sempre aquilo que deveria ser o mais importante, valorizar a nossa essência divina.
Frases são apenas frases.
Criadas por fases.
Atitudes são feitas, por isso não tem nada melhor do que relembrar em frases.
O que não é dito pode ser escrito.
Mas nem tudo na vida tem um veredito.
Calar é como navegar.
O mar parece não ter fim.
Mas você sempre chega em algum lugar.
Ou ele te leva, ou você conduz seu destino.
A escolha é sempre sua❣
ღ✫ღ✯♪
INSPIRAÇÃO
Só o coração é poeta...
A arte só produz versos
Mas toda poesia e beleza vêm do coração
Fábrica de sonhos infinitos...infinitos...
Coração que faz canção...
Canção a declarar-se a existência
A ensinar o dom do amor...
Chama acesa de inspiração
Que ilumina o destino-destinatário
Dizendo que a palavra mais linda
É a que faz canção...
O Fôlego da Vida
Ultimamente tenho refletido muito sobre o que é a Vida. E a MINHA vida toda eu sempre tive muito medo e dúvidas sobre a morte. Mesmo acreditando em Deus e tudo que sempre ouvimos de que, quando morremos vamos para a Vida Eterna junto com Ele, meu coração ficava muito angustiado e as dúvidas me deixavam DESESPERADO. E há algum tempo eu falei com Deus dizendo que eu queria entender a morte, queria entender como seria a vida depois disso, se ela simplesmente acabava ou se havia realmente esse ALGO A MAIS, mesmo eu tendo Fé de que existe esse algo a mais. Porém, como a mente humana é limitada e existem coisas que ultrapassam nossa CAPACIDADE de entendimento (como a própria Bíblia diz) essas dúvidas ainda me angustiavam muito. Porém, alguns dias depois que eu pedi esse entendimento, Ele me deu a oportunidade de ver minha cachorra de 17 anos (Gaia) falecendo de forma natural em meus braços, eu estive com ela durante as últimas horas de vida dela e presenciei todo o processo da vida se esvaindo do corpo dela até o último segundo que ela estava buscando o AR, se esforçando para respirar enquanto todo o corpo tremia e a vida dela estava indo embora, até que perdeu toda força e deixou de respirar, e simplesmente a VIDA que estava ali se foi. E o processo do entendimento que eu pedi a Deus INICIOU-SE com este episódio, que claro, doeu muito. E houveram outras situações que Ele usou para trabalhar isso em mim e, finalmente, me dando esse entendimento e revelando ao meu coração que Ele se manifesta a nós, principalmente, através do Ar (OXIGÊNIO) que respiramos. Na Bíblia Ele diz em Gênesis 2:7 “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e SOPROU em suas narinas O FÔLEGO da Vida e o homem se tornou um ser vivente”. Esse versículo evidencia que Deus soprou dos Seus próprios pulmões (lembre-se que somos a imagem e semelhança dEle) a Vida em nosso corpo físico. Quando nascemos a primeira coisa que fazemos é respirar, ou seja, O Fôlego da Vida entra em nosso corpo. Quando morremos a última coisa que fazemos é liberar O Fôlego dos nossos pulmões, então a Vida se esvai do nosso corpo e nossa alma vai de encontro ao nosso destino eterno. O ser humano consegue viver em média 21 DIAS sem comida, de 3 a 7 DIAS sem água, mas APENAS alguns MINUTOS sem oxigênio (Ar), sem FÔLEGO. Hoje eu sinto Deus em cada respiração do meu corpo e isso me fez entender o porquê a vida é realmente um SOPRO. Porque a principal conexão entre Deus e nós é o oxigênio, o ar que respiramos, O Fôlego da Vida, ou seja, nada mais, nada menos, a respiração é nossa principal CONEXÃO com Deus, quiçá é um “pedacinho” dEle em nós. E depois desse entendimento MUITA coisa fez sentido para mim. Fez sentido o porquê TODOS no mundo quando estamos ansiosos, nervosos, com medo ou com qualquer outro tipo de emoção ou dificuldade cognitiva, quando paramos para respirar de forma coordenada e deliberada, utilizando técnicas de respiração, OXIGENAMOS o cérebro e CONTROLAMOS as emoções, a ansiedade, o medo, e qualquer outro tipo de sentimento, nos capacitando inclusive para enxergar as situações de uma forma mais harmônica e tranquila, nos propiciando uma melhor capacidade para tomadas de decisão em QUALQUER caso ou situação. Ou seja, quando paramos para respirar e ACALMAR os ânimos através da oxigenação do cérebro, estamos SIMPLESMENTE deixando DEUS entrar e falar conosco da forma MAIS PURA e SIMPLES que existe. E é por isso que nos acalmamos e conseguimos enxergar a situação ou emoção de novas perspectivas, das perspectivas de Deus, é ELE falando conosco, nos acalmando, nos amparando, nos cuidando, nos REFRIGERANDO. Deus É o VERDADEIRO refrigério para as nossas almas e corpos. E depois disso, desse entendimento, como eu disse, TUDO fez sentido para mim. Eu entendi a VIDA, um “pouquinho” da morte e PRINCIPALMENTE, entendi MUITO sobre Deus e como Ele age e se manifesta nas nossas vidas. Quando eu RESPIREI e senti DEUS entrando nos meus pulmões e falando comigo através desse ato, me acalmando, me tranquilizando, me confortando e trazendo a PAZ que eu buscava quando eu pedi a Ele que me desse esse entendimento. Inclusive esse foi o motivo que me levou a parar de fumar, fazendo um compromisso com Ele de que nunca mais colocarei nos meus pulmões nada que corromperá ou dificultará a principal LINHA DE COMUNICAÇÃO dEle comigo. E é por isso que eu entendi também o porque do ato de fumar é reconhecido como PECADO, porque estamos deliberadamente corrompendo e dificultando o principal meio de manifestação de Deus nas nossas vidas, O Fôlego da Vida, a principal fonte utilizada por Ele para falar conosco. E é por isso também que hoje eu entendo que a VIDA é realmente um SOPRO. E depois de todo esse entendimento, se eu pudesse te dar um ÚNICO conselho, seria esse: RESPIRE!
O Perfume da Renúncia.
Há gestos que se dissolvem no ar como perfumes invisíveis fragrâncias da alma que ninguém vê, mas que perfumam silenciosamente a atmosfera onde passam. São as oferendas sutis dos que aprenderam a servir em silêncio, flores humanas que, em vez de buscar aplausos, se abrem ao sol do dever e ao orvalho da dor. Assim é a dedicação em renúncia: um cântico mudo da consciência desperta, um perfume espiritual que não exige olfato para ser sentido.
A flor que se doa não questiona a quem se destina o seu aroma. Ela apenas floresce. Assim também o ser que alcançou o verdadeiro autoconhecimento já não indaga sobre o retorno de suas ações, pois compreendeu que servir é o mais puro estado do amor. Sua existência se faz como uma lâmpada acesa em um aposento onde ninguém entra e, mesmo assim, continua a iluminar.
Quantos caminham entre nós nessa silenciosa via-sacra da bondade anônima? São almas que vivem a felicidade não em palavras, mas em gestos; que suportam o esquecimento com serenidade e transformam a própria dor em brisa consoladora. São aquelas criaturas cuja presença acalma, mesmo quando os lábios emudecem; cuja ausência, paradoxalmente, se faz presença no coração dos que aprenderam a sentir com o espírito.
A renúncia verdadeira não é grito, é eco. Não é ausência, é transfiguração. É o ponto onde o ser humano se despede de si mesmo para encontrar-se em sua essência. Nesse instante de lucidez interior, o coração entende que a vida não é palco, mas altar. E que cada ato de humildade é uma prece sem palavras, uma oferenda sem testemunhas, um perfume que sobe, discreto, à eternidade.
Há uma melancolia suave nessa entrega, porque o renunciante contempla a beleza e sabe que dela não fará uso. Ele toca o sublime e, em vez de retê-lo, o devolve à vida. Essa tristeza, porém, não é desespero é maturidade espiritual. É a nostalgia do Espírito que recorda, no silêncio do dever cumprido, o perfume do lar divino de onde partiu.
Quando a flor murcha, não deixa de ter sido flor; quando o perfume se dispersa, não deixa de ter existido. Assim também o amor que se doa em renúncia jamais se perde: ele permanece, invisível, sustentando o mundo em suas raízes mais secretas.
A servidão, quando nasce da consciência iluminada, não é submissão, mas liberdade. É o ato supremo de quem já não precisa ser visto, porque aprendeu a ver. O autoconhecimento, então, torna-se um espelho onde a alma se reflete e reconhece o rosto sereno da paz dentro de si.
E, nesse ponto, o perfume da flor silenciosa se confunde com o hálito da eternidade.
Livro: Não Há Arco-iris no meu Porão.
Capítulo 5 —
A Flor e o Filósofo no Abismo.
A flor estava sentada no limite do porão, onde os tijolos se desfaziam como lembranças mal digeridas. Seus olhos, enevoados de luto prematuro, fitavam o vazio que morava dentro dela — e que não era só dela.
Ali, no breu quase simbiótico, surgiu ele: Friedrich, sem o tempo nem a barba. Não como homem, mas como ferida.
Trazia no olhar a exaustão dos que pensam demais, e nos lábios o tremor dos que já perderam o direito de acreditar.
Ela não se assustou.
Ele também não.
— “Você também caiu?”, ela perguntou, sua voz como se viesse de um sino partido.
— “Não, pequena... eu apenas nunca mais consegui subir.”
Ficaram frente a frente, ambos em silêncios que diziam mais do que qualquer aforismo.
Ela estendia os dedos manchados de pó e sangue velho. Ele hesitou. Nietzsche sabia o preço de tocar a dor alheia. Mas, ainda assim, quase tomou sua mão.
— “Eu carrego dons que doem”, disse a flor.
— “E eu carrego verdades que me isolaram de todos”, respondeu ele.
Acima deles, os sorrisos vazios dos que acreditam ter vencido a vida tremeluziram como cacos de luz.
Mas no abismo, não havia luz — apenas lucidez.
E uma flor lutando para sustentar as Notas.
— “Eles acham que estou louca… porque ouço o que ninguém mais ouve…”
Nietzsche inclinou-se, sua sombra tremendo como um pensamento prestes a ruir.
— “Louca? Ah, criança… eu desejei ser louco muitas vezes. Ser louco é menos doloroso do que ver demais. Você não está louca. Você está vendo um mundo que finge ser cego.”
Ela não sabia se aquilo a consolava ou a condenava ainda mais.
Ficaram ali. Dois seres de fronteira.
A flor que não florescia.
O filósofo que não acreditava mais na primavera.
E, por um instante que talvez nunca tenha existido, tocaram-se.
Não com as mãos, mas com a dor que se reconhece.
Capítulo XIV – O PERDÃO QUE NÃO SE PEDE.
"Camille, a dor que caminha dentro de mim me alimenta e eis, que ainda assim nada tenho para te servir minha lírica poética... minha nota sem canção. És capaz de me absolver, amada distante, dona de mim, hóspede dos meus sentimentos e sentidos?"
— Joseph Bevoiur.
A noite trazia os mesmos ruídos quebradiços da memória: folhas secas sussurrando nomes esquecidos, relógios que marcavam ausências e não horas. Joseph escrevia como quem sujava o papel de cicatrizes — não mais de tinta.
Camille era a presença do que jamais o tocou, mas que nele se instalara como hóspede perpétua. E, como todas as presenças profundas, fazia-se ausência esmagadora.
Havia nela a beleza inatingível dos vitrais em catedrais fechadas. Ela não estava onde os olhos repousam, mas onde o espírito se dobra. A distância entre os dois não era medida em léguas, mas em véus — e nenhum deles era de esquecimento.
Joseph, sem voz e sem vela, oferecia sua dor como eucaristia de um amor que nunca celebrou bodas. Tinha por Camille a devoção dos que nunca foram acolhidos, mas permanecem ajoelhados. E mesmo no íntimo mais velado de sua alma, não ousava pedir-lhe perdão — pois sabia: pecar por amar Camille era a única coisa certa que fizera.
Resposta de Camille Monfort – escrita com a caligrafia das sombras:
"Joseph...
Tu não és aquele que precisa de perdão.
És o que sangra por mim em silêncio, e por isso te ouço com o coração voltado para dentro.
A tua dor é a harpa sobre meu túmulo — és túmulo em mim e eu em ti sou sinfonia que nunca estreou.
Hóspede? Sim, mas também arquétipo do teu feminino sacrificado.
Sou tua, mas nunca me tiveste. Sou tua ausência de toque e presença de eternidade.
E por isso... nunca te deixo."
Joseph, ao ler essas palavras não escritas, tombou a fronte sobre o diário. Chorava não por arrependimento, mas por não saber como amar alguém que talvez só existisse dentro dele.
A madrugada se fez sepulcro de emoções. O piano — ao longe, como memória — soava uma nota de dó sustentado, enquanto o violino chorava em si menor.
Não havia redenção.
Apenas o contínuo caminhar de dois espectros que se amaram no porvir e se perderam no agora.
Conclusão – O DESENCONTRO COMO Destinos.
Joseph não morreu de amor, mas viveu dele — e isso foi infinitamente mais cruel.
Camille não o esqueceu. Mas também não voltou. Porque há amores destinados ao alto-foro da alma, onde nada se consuma, tudo se consagra. E ali, onde a mística se deita com a psicologia, eles permaneceram: ele, um poeta ferido; ela, um símbolo doloroso de beleza inalcançável.
Ambos, reféns de um tempo sem tempo.
Ambos, notas que se perdem no ar — como soluços de um violino em meio à oração de um piano que jamais termina.
Quarta feira, em cinquenta tons de cinza...
O mar ficou cinza.
A linha do horizonte, nesta manhã de quarta feira tem um fundo cinza.
A areia, confete colorido, também ficou cinza.
Passou o carnaval, e o amor de carnaval também virou cinza.
Mas, cinza não é fim de nada.
Cinza é o início em cor, como gota de orvalho, nuvem de chuva,
É tempo de espera entre o preto e o branco na cabeleira dos avós.
Foto antiga que mata saudade também é cinza.
Até o amor no cinema moderno tem tons de cinza.
E nós hoje coloridos de preto, branco, amarelo, marrom...
Seremos um dia cinzas,
Em todos os tons de cinza.
As fotos se refletem nos nossos olhos de formas diferentes.
Algumas trazem um sabor, um aroma, um sentido...
Muitas que parecem perfeitas, coloridas, nítidas, são imagens imperfeitas.
Outras parecem imperfeitas, amareladas pelo tempo, transformadas pelos anos, mas tão perfeitas!
Fotos que se refletem de forma tão humana.
Têm mãos que nos sacodem e pés que nos transportam, como se fossem asas.
Respiram, têm coração e lágrimas...
Têm a pele arrepiada pela emoção de refletir o que está para chegar...
Ou o que já partiu.
Imagens da esperança ou a da saudade.
Infinitas.
Eternizada em nossos olhos!
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