Textos Reflexivos sobre a Vida

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⁠A URGÊNCIA DE VIVER


A vida é única,
e a sua duração é como o passar de um dia,
que logo termina
sem ao menos percebermos.
Como o dia,
que só tem utilidade enquanto não acaba,
assim é a vida
enquanto dura.
Por isso, aproveite agora
a dádiva desse extraordinário dia de vida
como algo único e essencial
para pensar mais em você.
Cuide melhor da sua saúde,
alimente-se bem,
corra atrás dos seus objetivos
e acredite na sua capacidade de realizar sonhos.
Sendo assim,
que o principal motivo de você viver bem hoje
seja o fato de você
talvez não estar vivo amanhã!

MANTENHA O FOCO

Qual o seu o alvo na vida?
Está pergunta te desafia?
Mas é importante se questionar
Pra saber onde você quer chegar
Na dúvida, aproveite para refletir
Despertar a consciência e agir
Pra você atingir os objetvos na vida!
E lembre sempre: Deus é contigo!

Cláudio Cruz

⁠Vida...
Ao nascer somos obrigados a expressarmos, aoenxergar o mundo, olhamos para nossos pais, o primeiro som é a voz dos pais, toda a vida de um ser está ligado à família, impossível é estar de fora dos planos de Deus.
Sua família é dádiva de Deus, então, OUÇA, VEJA e VIVA seus pais! Este é o único mandamento com promessa.

O Chão Não é o Fim.


Levar uma rasteira da vida ou das pessoas nos joga em um chão frio e solitário, onde a fragilidade bate forte e a sensação de destruição parece definitiva. Olhar para cima e ver o tamanho do abismo assusta, mas o chão só se torna o fim para quem desiste de lutar. Estar caído é apenas uma posição temporária na sua história. É exatamente do absoluto nada, quando não nos resta mais nenhuma ilusão ou expectativa externa, que nasce a força mais genuína do ser humano. Levantar-se após o pior tombo não é sobre esquecer a dor, mas sobre usá-la como impulso para ficar de pé novamente.

Que o domingo amanheça como um abraço sereno da vida, trazendo calma para a alma e luz para o coração. Que cada instante seja um convite para desacelerar, respirar profundamente e reencontrar a paz nas pequenas coisas.
Tenha um domingo leve, cheio de paz, gratidão e belas inspiraçõe. Bom dia!

O que será que a vida espera de mim?

Às vezes me pergunto se ela espera que eu seja alguém digno. Alguém que tenha aprendido as regras do mundo, que saiba distinguir o certo do errado, que cumpra os valores que me ensinaram e carregue, com alguma dignidade, tudo aquilo que esperaram que eu fosse.

Mas quem decidiu o que é ser digno?

Talvez dignidade seja apenas uma palavra que inventamos para dar nome à maneira como esperamos que o outro viva.

Desde cedo nos ensinam o que devemos ser. Estudamos para ser alguém. Trabalhamos para ser alguém. Construímos relações, acumulamos histórias, conquistas, fracassos, títulos e lembranças — quase sempre tentando responder a uma pergunta que ninguém nos fez diretamente, mas que parece estar escondida em tudo:

“Você está sendo aquilo que deveria ser?”

E talvez seja justamente aí que a vida se torne estranha.

Porque, enquanto tentamos corresponder ao mundo, vamos nos afastando lentamente de nós mesmos.

Talvez a vida não queira de mim grandes feitos. Talvez não queira que eu seja extraordinário, admirado ou lembrado. Talvez queira apenas que eu consiga existir sem precisar transformar cada passo em uma prova de que mereço estar aqui.

Ser alguém simples.

Alguém que compreenda a si mesmo, ainda que nunca completamente. Alguém que reconheça as próprias contradições, faça as pazes com algumas delas e aprenda a conviver com aquilo que jamais conseguirá compreender.

E, quem sabe, compreender um pouco os outros.

Porque talvez compreender o outro seja também perceber que ninguém sabe exatamente o que está fazendo. Há pessoas que parecem ter todas as respostas, mas carregam perguntas que nunca tiveram coragem de dizer em voz alta.

Talvez todos nós estejamos apenas tentando encontrar alguma forma de chamar de vida aquilo que fazemos com o tempo que nos foi dado.

E então penso que talvez eu esteja fazendo a pergunta errada.

Talvez não seja a vida que espera alguma coisa de mim.

Talvez seja eu quem espere alguma coisa dela.

Espero que, em algum momento, tudo faça sentido. Que os encontros tenham uma razão, que as perdas tenham deixado alguma coisa, que os caminhos que não escolhi tenham me conduzido, de alguma maneira, até onde deveria estar.

Espero que exista alguma espécie de resposta escondida depois de todas essas perguntas.

Mas talvez não exista.

Talvez eu esteja procurando por algo que nunca teve nome.

Algo simples e, ao mesmo tempo, impossível de explicar. Algo que não cabe em uma profissão, em uma relação, em uma conquista ou em qualquer uma das palavras que usamos para definir uma vida.

Algo que talvez exista apenas naquele lugar silencioso dentro de nós onde ninguém mais consegue entrar.

E talvez seja por isso que, mesmo quando conquistamos aquilo que um dia desejamos, ainda sentimos que falta alguma coisa.

Porque há desejos que não sabem dizer o próprio nome.

Há vazios que não pedem para ser preenchidos, apenas compreendidos.

Há partes de nós que passam anos esperando que finalmente prestemos atenção nelas.

Talvez viver seja esse movimento estranho entre aquilo que o mundo espera de nós e aquilo que, silenciosamente, esperamos encontrar dentro de nós mesmos.

Talvez amadurecer não seja finalmente descobrir quem somos.

Talvez seja aceitar que nunca seremos uma resposta definitiva.

Somos perguntas em movimento.

Somos aquilo que fomos, aquilo que perdemos, aquilo que escolhemos, aquilo que recusamos e também tudo aquilo que ainda não conseguimos ser.

E talvez a vida não esteja esperando nada de nós.

Talvez ela simplesmente aconteça.

E sejamos nós que, diante dela, insistimos em perguntar:

“O que devo fazer com tudo isso?”

Talvez a resposta não esteja em descobrir o que a vida espera de mim.

Talvez esteja em descobrir o que, apesar de tudo, ainda faz com que eu queira continuar vivendo.

Seria assim tão estranho não desejar a vida?

Não desejar a morte — apenas não desejar a vida.

Talvez exista uma diferença entre essas duas coisas que raramente nos permitimos pensar.

Não falo daquele sofrimento profundo que transforma a própria existência em peso, nem da angústia de quem deseja desesperadamente desaparecer. Falo de algo mais silencioso. Mais difícil de explicar.

Uma espécie de ausência.

A vida continua, o corpo acorda, os dias passam, as pessoas chegam e vão, o mundo permanece acontecendo diante dos nossos olhos. E nós seguimos junto com ele.

Não porque tenhamos sede da vida.

Apenas porque estamos vivos.

E talvez seja estranho admitir isso em um mundo que parece exigir de nós uma paixão constante pela existência. Esperam que desejemos crescer, conquistar, amar, viajar, construir, envelhecer. Esperam planos para amanhã e motivos para levantar hoje.

Mas e quando não há esse desejo?

Quando viver não dói o suficiente para querer partir, mas também não encanta o bastante para querer permanecer?

Talvez exista um intervalo entre querer viver e querer morrer.

Um lugar quase sem nome, onde a pessoa não deseja necessariamente abandonar a existência, mas também não sente que precisa agarrar-se a ela.

Ela simplesmente continua.

Levanta porque amanheceu.

Come porque tem fome.

Trabalha porque precisa.

Sorri porque alguém sorriu.

Dorme porque o dia acabou.

E, no dia seguinte, tudo recomeça.

Talvez o mais estranho não seja isso.

Talvez o mais estranho seja a nossa necessidade de transformar toda existência em uma declaração de amor à própria vida.

Como se estar vivo exigisse entusiasmo.

Como se sobreviver tivesse que significar desejar.

Como se aquele que não sente uma profunda vontade de viver estivesse, necessariamente, quebrado.

Mas será que estamos?

Ou será que existe uma diferença entre amar a vida e simplesmente aceitá-la?

Talvez algumas pessoas atravessem determinados períodos sem encontrar na existência algo que as faça dizer “eu quero estar aqui”, mas ainda assim continuem abertas à possibilidade de que alguma coisa aconteça.

Um encontro.

Uma conversa.

Uma manhã qualquer.

Uma música.

Um lugar.

Uma pessoa.

Ou simplesmente uma versão de si mesmas que ainda não conheceram.

Talvez continuar não seja necessariamente desejar a vida.

Às vezes, continuar é apenas não fechar completamente a porta.

E talvez isso já seja alguma coisa.

Porque há dias em que viver parece uma escolha.

Em outros, parece apenas uma sequência.

E há momentos em que nem sequer sabemos se estamos escolhendo ou apenas seguindo o movimento das coisas.

Talvez a vida seja estranha justamente por isso.

Ela não nos pergunta todos os dias se queremos estar aqui.

Ela simplesmente amanhece.

E nós precisamos decidir o que fazer com mais um dia.

Talvez eu não precise sentir uma fome imensa pela existência para continuar existindo.

Talvez eu possa apenas caminhar enquanto procuro alguma razão que ainda não conheço.

E talvez, no fim, a vontade de viver não seja algo que precisamos possuir o tempo inteiro.

Talvez ela também possa ser encontrada.

Aos poucos.

No meio do caminho.

Sem promessa.

Sem certeza.

Sem nome.

Apenas aquela pequena sensação de que, apesar de ainda não saber exatamente por quê,

talvez amanhã valha a pena descobrir.

Desabafo:
A minha vida é uma longa história, e nela eu aprendi que nem sempre vai ser uma história de felicidades, vai ter amor, felicidade, tristeza, dor, medo, inúmeras coisas que vai se passando e construindo grandes histórias em nossas vidas, seja de fracasso ou superação... todos os dias temos novas linhas para serem traçadas em nossas vidas!

A vida não é glamour, é coragem.
Glamour é o filtro. Coragem é o rascunho. É o despertador tocando antes do sol, é o silêncio de quem espera o exame, é a mão que segura a outra sem saber se vai dar certo.
Glamour é o que mostram. Coragem é o que ninguém vê: o recomeço no dia seguinte, a gentileza depois da mágoa, a fé que insiste mesmo quando o chão treme.
A vida não é o tapete vermelho. É a cicatriz. E é justamente por isso que ela é tão sua. A cicatriz...
Tenho muitas!

“Vive o hoje, acolhe o amanhã.
Mas não te esqueças de que o maior princípio da vida é o amor à família,
um amor que não se mede pelas circunstâncias
nem se fragiliza nas provações que ela atravessa.
Porque é na família, mesmo ferida ou incompleta,
que o ser humano aprende o sentido do cuidado,
da renúncia e da permanência.
Tudo passa: o tempo muda, as dores transformam-se,
mas o amor que se escolhe preservar
torna-se raiz, abrigo e eternidade.”
Furucuto, 2026

⁠MULHER

Ser sublime criado por Deus, criatura meiga
e sedutora que faz da vida um ideal.

Mulher criança, que na inocência cria um mundo de fantasias.

Mulher jovem, que na ingenuidade busca o amor e encontra sofrimento.

Mulher mãe, que se doa totalmente
para trazer ao mundo uma nova vida.

Mulher idosa, que no passado esteve forte para consolidar seus objetivos
e no presente preserva esses momentos nas mais puras lembranças.

Mulher sofrida, que na ansiedade tem a esperança de encontrar a paz.

Mulher negra, que suporta todo o preconceito sem perder a coragem nos
momentos de angústia.

Mulher sim, é aquela que cheia de virtudes ultrapassa os obstáculos e
alcança um lugar na sociedade.

Soneto “Homens da minha vida”


Márcio, meu esposo, namorado e companheiro
Um pai presente, com carinho e dedicação
Homem simples, divertido e verdadeiro
Sua alegria nos cativa, pura diversão.


Márcio Júnior, meu filho primogênito, meu doce amor
Meu menino autista, cheio de sonhos, azul é seu mundo
A cada dia nos ensina o novo e pretende ser ator
É calmo, sereno, sincero e com olhar profundo.


Henrique Lui, menino parceiro, nosso segundo rapaz
Gosta de esportes, é dedicado, tranqüilo e espontâneo
Meu tesouro branco, é firme em tudo o que faz.


Emanuel Cauê, o caçulinha, de futebol, aos sete já era comentarista
É carinhoso, emotivo, às vezes tímido, questionador
Meu pacotinho de ouro, meu intenso flamenguista.


Tatiane da Silva Santos - Santarém PA
23/08/25

A vida e seus conflitos

Ter um relacionamento afetivo exige enfrentar divergências. Se você não tem paciência para lidar com incompatibilidades relacionais, fique sozinho.

Ter um emprego demanda paciência diante das discordâncias nas relações interpessoais. Se você não sabe lidar com as diferenças, fique desempregado.

Ter filhos ou ser mentor de alguém requer dedicação e responsabilidade. Se você não se sente apto a dar suporte ao outro, desista.

Por outro lado...

Se você não tiver um relacionamento afetivo ou um casamento, nunca terá a experiência de amar ou ser amado, de compartilhar as alegrias do cotidiano, de desabafar sobre os dias ruins ou de envelhecer junto.

Se você não tiver um emprego ou um trabalho, jamais terá a oportunidade de exercitar suas habilidades, de sentir-se útil na sociedade ou de socializar e construir amizades necessárias.

Se você não tiver filhos, não assumir alguém como mentor ou adotar um animal, nunca terá o prazer de ser chamado de pai ou mãe, de sentir a gratidão e respeito por ser essencial ou de receber um carinho ao chegar em casa.

Não importa o que façamos, sempre haverá conflitos. O importante é buscar a melhor forma de enfrentá-los e assim adquirirmos a serenidade e resiliência para seguirmos a vida.

Sobre ser poetisa



A poesia chegou em minha vida de repente, profunda e decidida.
Ela veio como um toque leve, mas com certo magnetismo.
Essa poesia que vejo em tudo, me trouxe novos olhares para a vida e favoreceu meu autoconhecimento.


Onde ela está?


Ora, naquela arte majestosa que é apreciada nos espaços fechados ou nos muros esquecidos.
Na letra de música que retrata um contexto histórico ou uma paixão arrebatadora.
Naquele texto de mensagem do WhatsApp feito com capricho para desejar felicitações de aniversário.
Nas palavras escolhidas sabiamente antes de serem proferidas com empatia e gentileza a alguém, que a recebe com grandíssima alegria.


Viva a poesia! ❤️

Sem Medo de Dizer


A vida é curta demais para que a gente economize as palavras que têm o poder de salvar o dia de alguém. Precisamos aprender a falar sem o medo paralisante das retaliações, sem o receio constante de magoar por estarmos sendo verdadeiros com o nosso afeto. Dizer o que sentimos, com respeito e transparência, é um ato de libertação. Quando deixamos de engolir os nossos sentimentos e passamos a falar com o coração desarmado, mostramos que o amor é sempre maior do que o orgulho e que a verdade dita com carinho nunca destrói, só edifica.

"O dia em que a vida te cala..."

Um dia a gente descobre que o nosso maior erro foi achar que éramos os bons, enquanto pisávamos no sentimento de quem estava do nosso lado.

Que Deus nos dê tempo para amadurecer.
Tempo para lembrar das nossas fragilidades e das vezes em que caímos.

Mas, acima de tudo, que Deus nos dê a graça de mudar hoje, para que a nossa ignorância nunca mais faça chorar quem a gente ama.

Pr. Erivan Jesus

Setembro amarelo


Nossa vida é cheia de turbulências, que vão e vêm
Os problemas existem e quando conseguimos enfrentá-los, descobrimos a nossa força
E lutamos
E amadurecemos
Seguimos resilientes
Enxergamos a vida com um novo olhar
E entendemos que há grandeza nas pequenas coisas
Que um sorriso é acolhimento
Que um abraço salva
Que a palavra consola
Que o muito às vezes é nada
Que o pouco pode ser gigantesco
E que toda vida importa


02/09/26

Cansei de andar pela vida,
Buscando um lugar distante de mim,
Cansei de andar esquecido,
Sem notar que havia um jardim na esquina.
De repente os meus olhos perceberam os acenos,
De repente o mundo parecia pequeno...
Descobri me perdendo que eu estava distante,
Não porque me faltava,
Mas porque eu procurava
Afastando os meus passos
Dos que já me encontravam....

NA QUITANDA DA VIDA

Na quitanda da vida,
eu aprendi que viver
não vem pronto.

A vida se oferece em porções:
tem dias que adoçam a boca,
outros que amargam a alma.
Tem dias de fartura
e dias em que a gente precisa
dividir o pouco
para ninguém ficar sem comer.

Foi no meu quilombo que aprendi
que a vida não se mede pelo que se possui,
mas pelo que se partilha.

Minha primeira escola foi o território.

Foi olhando a terra,
ouvindo os mais velhos,
sentindo o cheiro da chuva,
vendo o dendê nas mãos,
escutando as histórias que não estavam nos livros,
que comecei a compreender
que memória também é conhecimento.

Eu sou feita dessas coisas.

Do chão que meus ancestrais pisaram.
Das palavras que sobreviveram ao silêncio.
Das mulheres que sustentaram suas famílias
quando quase ninguém olhava para elas.
Das mãos que plantaram, colheram, cozinharam,
criaram filhos e mantiveram a comunidade de pé.

Por isso, quando digo quilombola,
não estou apenas dizendo quem sou.

Estou dizendo de onde venho.
Estou dizendo o que carrego.
Estou dizendo aquilo que não aceito perder.

Minha identidade não é fantasia.
Não é adereço.
Não é tema para novembro.

É existência.

É estar no mundo
sabendo que antes de mim
muita gente precisou resistir
para que eu pudesse estar aqui.

E estar aqui também é resistência.

Eu não quero que contem minha história
como quem observa de longe.

Quero falar.

Quero contar.

Quero produzir conhecimento
a partir do lugar onde meus pés estão.

Porque também fazemos ciência
quando guardamos a memória.
Também fazemos educação
quando ensinamos uma criança a conhecer sua história.
Também fazemos cultura
quando transformamos nossas vivências em arte.

O quilombo não é passado.

O quilombo é presente.

Está na criança que pergunta.
Na mulher que enfrenta.
No jovem que permanece.
No mais velho que aconselha.
Na comunidade que se reúne.
Na terra que alimenta.
Na memória que insiste em permanecer viva.

E eu sigo nessa quitanda da vida
escolhendo o que quero carregar.

Não levo tudo.

Algumas dores eu deixo na banca.
Alguns silêncios eu devolvo.
Algumas histórias eu reescrevo.

Mas a ancestralidade,
essa eu levo comigo.

Porque aprendi que não basta sobreviver.

É preciso existir com dignidade.
É preciso ocupar.
É preciso falar.
É preciso criar.
É preciso deixar marcas.

E quando perguntarem
o que é ser quilombola,
talvez eu não precise explicar tanto.

Basta olhar para mim.

Eu sou mulher.
Sou território.
Sou memória.
Sou continuidade.

Sou uma voz que veio de longe
e ainda está chegando.

E enquanto eu tiver voz,
o quilombo continuará falando.

Na Quitanda da Vida

Na quitanda da vida,
o produto mais precioso é o viver.

E o quilombo sabe disso.

Aqui, cada experiência tem sabor,
cada memória tem raiz,
cada pessoa carrega consigo
um pedaço da história de quem veio antes.

Na banca da ancestralidade,
encontramos a sabedoria dos mais velhos,
a palavra que atravessa gerações,
o canto que guarda memórias,
o tambor que anuncia presença,
a dança que movimenta a história,
o alimento que reúne a comunidade
e a terra que sustenta nossos passos.

Aqui, nada é apenas mercadoria.

A cultura não está à venda.
A memória não está à venda.
O território não está à venda.
A identidade quilombola não está à venda.

São heranças.
São direitos.
São fundamentos de uma existência
que se recusa a desaparecer.

Na quitanda da vida,
cada geração recebe uma cesta
cheia de saberes ancestrais.

Recebe o dever de cuidar,
de preservar,
de ensinar
e também de transformar.

Porque ser quilombola
é reconhecer de onde viemos
sem perder de vista
para onde queremos caminhar.

É fazer do território
mais que um pedaço de chão:
é reconhecê-lo como casa,
memória, alimento, pertencimento
e futuro.

É olhar para nossas crianças
e dizer:

vocês são continuidade.
Vocês são presença.
Vocês são memória viva.
Vocês são o amanhã que já começa hoje.

Nossa resistência não vive somente nas grandes lutas.

Ela está na roça cultivada,
na comida compartilhada,
na roda de conversa,
na reza,
no canto,
no artesanato,
na festa,
na escola,
na juventude que permanece,
na mulher que sustenta saberes,
no mais velho que ensina
e em cada quilombola que afirma:

“Nós estamos aqui.”

Estamos aqui porque existimos.
Existimos porque resistimos.
Resistimos porque temos história.
E temos história porque nossos ancestrais
não permitiram que suas raízes fossem arrancadas.

Na quitanda da vida,
provamos as dores que herdamos,
mas também degustamos
a força que nos foi deixada.

E seguimos plantando.

Plantamos memória.
Plantamos dignidade.
Plantamos cultura.
Plantamos autonomia.
Plantamos pertencimento.

Para que aqueles que vierem depois
encontrem não apenas os frutos,
mas também a terra,
as sementes
e o direito de continuar plantando.

Porque, na quitanda da vida,
viver é o produto,
aprender é a degustação,
ancestralidade é a raiz,
território é o chão,
e a presença quilombola
é a afirmação de que nossa história
continua viva.