Textos Reflexivos sobre a Vida

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NÃO DESISTA DA VIDA.
Há vida por toda parte: no infinitamente pequeno e no infinitamente grande. A vida pulsa nas galáxias e nos átomos, nas florestas e nas sementes, no nascer do sol e no silêncio da noite. E tu?
Tu és filho da Vida e do Pai da vida. Foste chamado não apenas para existir, mas para viver, aprender, amar e ser esperança. Sê vida na vida de alguém. Às vezes, uma palavra de carinho, um gesto de bondade ou um olhar de compreensão basta para reacender a luz de um coração quase vencido pelo desalento.
Ainda que os dias pareçam cobertos por nuvens espessas, o sol continua existindo acima delas. Há dores que nos fazem acreditar que tudo terminou, quando, na verdade, estamos apenas atravessando uma estação difícil da existência. Nenhuma tempestade possui autoridade para apagar definitivamente a luz que habita a alma.
A vida não se mede apenas pelos momentos de alegria, mas também pela coragem silenciosa de continuar caminhando quando o coração está cansado. Cada lágrima derramada pode tornar-se a semente de uma compreensão mais profunda, de uma força que ainda desconhecemos em nós mesmos. É justamente nas noites mais escuras que aprendemos o verdadeiro valor da aurora.
Talvez hoje você não consiga enxergar sentido. Talvez o amanhã pareça distante. Ainda assim, permaneça. Há encontros que ainda não aconteceram, abraços que ainda não foram dados, páginas que ainda não foram escritas e amanheceres que esperam apenas que você esteja presente para contemplá-los.
Nenhuma noite é eterna. O tempo transforma a paisagem da alma. Feridas cicatrizam, saudades aprendem a conviver conosco e esperanças, por menores que pareçam, renascem quando menos esperamos. O que hoje parece um fim poderá revelar-se, amanhã, como o início de uma história mais bela e mais madura.
Se o peso estiver grande demais, não o carregue sozinho. Procure alguém de confiança, um familiar, um amigo ou um profissional. Pedir ajuda não diminui ninguém; ao contrário, é um gesto de coragem, humildade e amor pela própria vida.
A sua existência possui um valor que não diminui por causa do sofrimento. Você importa. Sua história importa. Sua presença faz diferença, ainda que você não consiga percebê-la neste instante. Enquanto houver um único sopro de vida, haverá também a possibilidade de um novo começo, de uma reconciliação, de uma alegria inesperada e de uma esperança renovada.
Não desista da vida.
Permaneça.
O amanhã pode revelar aquilo que hoje as lágrimas ainda não permitem enxergar.
Vive. Ama. Espera. E, por onde passares, sê vida na vida de alguém.

REFLEXÃO AMIGA.
Essa mensagem, ela pode servir como incentivo a quem atravessa um momento difícil. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que, para quem está em intenso sofrimento emocional, palavras de esperança podem ser um primeiro passo, mas buscar apoio de pessoas de confiança ou de um profissional também é um ato de coragem e cuidado consigo mesmo.
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A Vida.
Ó vida, monstro de matéria impura,
Que em carne podre o espírito encarceras,
Tu és o pântano onde a desventura
Germina larvas, vermes e quimeras!
Teus dias são cadáveres que andam,
Arrastando o peso de átomos em dor;
A ilusão no crânio humano expande
E o cérebro apodrece em seu fulgor.
Que importa o riso, o amor, a efêmera glória?
Tudo se extingue em húmus e em lodo vil;
A vida é um câncer que devora a história
E entrega o homem ao sepulcro hostil.
Assim caminha o bicho racional.
Orgulho vão de célula enferma e cega,
Rumo ao nada, ao eterno charco igual,
Onde a morte, por fim, o esqueleto entrega.

ERRATICIDADE:
O INTERVALO SAGRADO ENTRE AS EXISTÊNCIAS. A VIDA DO ESPÍRITO APÓS A MORTE E ANTES DA REENCARNAÇÃO.
INTRODUÇÃO: A MORTE COMO TRANSIÇÃO, NÃO COMO FIM.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Na visão espírita, a morte não representa o desaparecimento da individualidade espiritual, mas apenas a libertação do Espírito dos limites temporários impostos pelo corpo físico. Ao abandonar o envoltório carnal, o ser inteligente retorna ao seu estado natural: a vida espiritual.
Entre uma encarnação e outra existe um período denominado erraticidade, conceito fundamental da Doutrina Espírita apresentado por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos.
É importante compreender que erraticidade não significa vagar sem rumo, estar perdido ou condenado à inatividade espiritual. Ao contrário, representa uma fase dinâmica de aprendizado, reflexão, preparação e progresso.
Como esclarecem os Espíritos a Kardec:
“Os Espíritos errantes são mais ou menos felizes segundo o seu grau de adiantamento. O estado errante não é sinal de inferioridade dos Espíritos.”
(O Livro dos Espíritos, questão 224).
Portanto, a erraticidade é uma condição temporária de todos aqueles que ainda necessitam de experiências reencarnatórias para alcançar a perfeição espiritual.

O QUE É A ERRATICIDADE SEGUNDO ALLAN KARDEC?
A palavra “errante” poderia sugerir, no entendimento comum, alguém que anda sem direção. Porém, no contexto espírita, possui outro significado.
O Espírito errante é aquele que aguarda uma nova oportunidade de encarnação, permanecendo no mundo espiritual entre duas existências corporais.
Kardec esclarece que:
“A erraticidade é o intervalo entre as existências corporais.”
(O Livro dos Espíritos, questão 223).
Assim, a erraticidade não é propriamente um lugar, mas um estado de existência espiritual.
O Espírito continua vivendo, pensando, sentindo, aprendendo e relacionando-se com outros Espíritos. Ele não deixa de possuir sua personalidade, suas tendências, seus conhecimentos e suas imperfeições.
A desencarnação não transforma imediatamente um Espírito ignorante em sábio, nem um Espírito desequilibrado em perfeito. A morte física apenas muda o campo de manifestação.
Como afirma a orientação espírita:
“A morte não produz milagres.”
O Espírito leva consigo aquilo que construiu interiormente.

OS ESTÁGIOS DA ERRATICIDADE NA ÓTICA ESPÍRITA.
Embora a Codificação não estabeleça uma divisão rígida em “fases” da erraticidade, podemos compreender, através dos ensinamentos de Kardec e das obras mediúnicas posteriores, diferentes momentos que caracterizam a caminhada espiritual após a desencarnação.

1. O PERÍODO DE ADAPTAÇÃO APÓS A DESENCARNAÇÃO.
O primeiro momento é aquele em que o Espírito se desprende dos vínculos materiais.
Esse período varia profundamente conforme a condição moral e intelectual de cada indivíduo.
Um Espírito equilibrado pode despertar com serenidade, reconhecendo a continuidade da vida.
Já aquele que cultivou apego excessivo à matéria, vícios, ódio ou sentimentos inferiores pode experimentar dificuldade em compreender sua nova realidade.
Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta sobre a perturbação que segue à morte:
Questão 163:
“A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo?”
A resposta espiritual demonstra que existe um período de adaptação:
“A alma passa algum tempo em estado de perturbação.”
Essa perturbação não é uma punição divina, mas uma consequência natural da transição.

2. O MOMENTO DE REFLEXÃO E RECONHECIMENTO.
Após a adaptação, o Espírito começa a perceber com maior clareza sua própria realidade.
Muitos relatos espirituais descrevem esse momento como uma avaliação da existência anterior.
O Espírito compreende:
as oportunidades aproveitadas;
os erros cometidos;
os sentimentos cultivados;
os compromissos assumidos;
as necessidades de renovação.
A consciência torna-se o grande tribunal interior.
Não existe condenação arbitrária, mas a compreensão das próprias escolhas.
Como ensina O Evangelho Segundo o Espiritismo, a responsabilidade moral acompanha o Espírito além da morte:
“O homem sofre sempre a consequência de suas faltas; não há uma só infração à lei de Deus que não tenha sua punição natural.”

3. O ESTÁGIO DE APRENDIZADO E TRABALHO ESPIRITUAL.
A erraticidade é também um período de estudo.
Segundo a Doutrina Espírita, os Espíritos podem adquirir conhecimentos, desenvolver virtudes e preparar-se para novas experiências.
A questão 227 de O Livro dos Espíritos esclarece:
“De que modo se instruem os Espíritos errantes?”
Resposta:
“Estudando o seu passado e procurando meios de se elevarem.”
O Espírito não permanece parado. A vida espiritual é uma continuidade educativa.
Nas obras complementares, especialmente na série atribuída ao Espírito André Luiz, encontramos descrições de comunidades espirituais organizadas, onde existem atividades de auxílio, estudo, tratamento e preparação.
A obra Nosso Lar, psicografada por Francisco Cândido Xavier, apresenta uma visão de uma colônia espiritual onde Espíritos em recuperação trabalham e aprendem antes de novas experiências.

4. O PLANEJAMENTO REENCARNATÓRIO.
A erraticidade culmina na preparação para uma nova existência corporal.
A reencarnação não seria, segundo a visão espírita, um acontecimento aleatório, mas uma oportunidade educativa.
O Espírito, auxiliado por benfeitores espirituais, analisaria suas necessidades evolutivas e as experiências capazes de favorecer seu progresso.
A questão 258 de O Livro dos Espíritos aborda a escolha das provas:
“Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá durante a vida?”
A resposta indica que o Espírito pode entrever suas necessidades e participar das escolhas relacionadas à nova jornada.

O TEMPO NA ERRATICIDADE.
Analisando uma das características mais profundas desse conceito é a relatividade do tempo espiritual.
Não existe uma duração fixa.
Um Espírito pode permanecer pouco tempo ou muitos séculos antes de uma nova encarnação.
Tudo depende:
do seu desejo de progresso;
do seu preparo;
das necessidades evolutivas;
das oportunidades disponíveis.
O Espírito superior pode desejar retornar rapidamente para auxiliar.
O Espírito ainda preso às imperfeições pode retardar sua renovação por resistência própria.

ERRATICIDADE NÃO É INFERIORIDADE ESPIRITUAL.
Um dos equívocos mais comuns é imaginar que “Espírito errante” significa Espírito atrasado.
Kardec esclarece que todos os Espíritos que ainda não atingiram a perfeição encontram-se na erraticidade.
Inclusive Espíritos elevados podem estar nessa condição.
Somente os Espíritos puros, completamente depurados, não necessitam mais de encarnações.
A erraticidade é, portanto, uma etapa universal da evolução.

A GRANDE LIÇÃO DA ERRATICIDADE.
O estudo da erraticidade oferece uma profunda reflexão moral:
A vida não termina no túmulo.
Cada pensamento, sentimento e atitude constrói a realidade espiritual futura.
O Espírito não foge de si mesmo.
Ele leva consigo:
sua consciência;
seus valores;
seus conhecimentos;
suas imperfeições;
suas conquistas.
A erraticidade revela a justiça e a misericórdia divinas: nenhum esforço sincero se perde e nenhuma criatura está condenada eternamente ao sofrimento.
A evolução é uma lei universal.
CONCLUSÃO.
A erraticidade, segundo o Espiritismo, é uma escola entre duas existências. Não é abandono, vazio ou espera passiva, mas uma etapa viva da caminhada espiritual.
Entre a morte e o renascimento, o Espírito aprende, trabalha, reflete e prepara-se para novas experiências.
A compreensão desse período amplia a responsabilidade humana, pois demonstra que a existência terrestre é apenas um capítulo de uma história muito maior: a longa ascensão do Espírito rumo à perfeição.
FONTES CONSULTADAS:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Paris, 1857. Questões 100 a 113; 223 a 263.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Paris, 1864.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Paris, 1865.
KARDEC, Allan. A Gênese. Paris, 1868.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito André Luiz). Nosso Lar. FEB, 1944.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito Emmanuel). Roteiro. FEB, 1952.
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O CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA - SOB A ÓTICA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
“A cada um segundo suas obras” (Mateus 16:27)

Apocalipse 22:12 diz: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (na tradução Almeida Revista e Atualizada).

Três núcleos fundamentais de “O Céu e o Inferno”, obra codificada por Allan Kardec em análise das informações obtidas dos próprios Espíritos, todos ligados ao princípio evangélico “A cada um segundo as suas obras”. Ele permite compreender a justiça divina na visão espírita: a responsabilidade pessoal, a reencarnação como instrumento de progresso e a ausência de penas eternas.

A LEI DIVINA DA RESPONSABILIDADE E DO PROGRESSO ESPIRITUAL.
No capítulo V da primeira parte de “O Céu e o Inferno” (1865), Allan Kardec apresenta uma das ideias centrais da filosofia espírita: a alma não é condenada definitivamente nem salva por privilégios externos; ela progride mediante o próprio esforço moral.
A afirmação:
“Em cada existência, uma ocasião se depara à alma para dar um passo avante.”
revela a finalidade educativa da encarnação. A vida corporal, para o Espiritismo, não é uma punição arbitrária, mas uma oportunidade de aprendizado, reparação e aquisição de virtudes.
Cada existência representa uma etapa no caminho evolutivo. A criatura pode avançar rapidamente, transformando suas tendências inferiores pelo exercício do bem, ou permanecer estacionada, adiando sua própria libertação.
Kardec explica que as imperfeições não desaparecem por simples passagem do tempo, mas pelo trabalho consciente de renovação interior:
“É, pois, nas sucessivas encarnações que a alma se despoja das suas imperfeições.”
A reencarnação surge, assim, como expressão da misericórdia divina. Deus não cria seres destinados ao sofrimento eterno; oferece infinitas oportunidades para que todos alcancem a perfeição relativa possível.

A CRÍTICA À IDEIA DE PENAS ETERNAS.
No capítulo IV de “O Céu e o Inferno”, Kardec analisa a questão dos limbos e das doutrinas tradicionais que atribuíam destinos definitivos às almas sem considerar o conhecimento, a intenção e a responsabilidade individual.
O raciocínio espírita parte de um princípio essencial: não pode existir verdadeira justiça sem proporcionalidade entre culpa e responsabilidade.
A criança que desencarna sem ter praticado atos conscientes, ou aquele que ignora completamente determinados princípios morais, não poderia receber a mesma responsabilidade de quem age deliberadamente contra a própria consciência.
Kardec estabelece:
“Obras, sim, boas ou más, porém praticadas voluntária e livremente, únicas que comportam responsabilidade.”
Esse pensamento aproxima-se do ensino de Jesus, pois o mérito e o demérito dependem da liberdade de escolha e do grau de consciência.

O CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA.
No capítulo VII da primeira parte de “O Céu e o Inferno”, Kardec apresenta uma síntese das leis espirituais que regem as consequências morais.
O chamado Código Penal da Vida Futura não representa um tribunal humano no além, mas a explicação das consequências naturais dos atos praticados pelo Espírito.
Seus princípios fundamentais são:
1. O sofrimento nasce da imperfeição.
O sofrimento espiritual não é uma vingança divina. Ele resulta do desequilíbrio produzido pelo afastamento das leis morais.
Assim como o excesso prejudica o corpo físico, os excessos morais geram consequências para o Espírito.
2. Toda falta traz consigo suas consequências naturais.
Kardec compara essas consequências às leis da natureza:
o abuso prejudica;
o egoísmo isola;
o orgulho impede o progresso;
a ociosidade produz vazio interior.
Não há necessidade de uma condenação externa para cada erro, porque a própria consciência e as leis espirituais estabelecem os efeitos correspondentes.
3. A transformação é sempre possível.
O ponto luminoso da doutrina está na possibilidade de libertação:
“Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos.”
A justiça divina, portanto, está inseparavelmente ligada à misericórdia. A criatura nunca fica aprisionada eternamente ao passado; através do arrependimento sincero, da reparação e da prática do bem, pode reconstruir seu destino.

“A CADA UM SEGUNDO SUAS OBRAS”: A SÍNTESE DA JUSTIÇA DIVINA.
“A cada um segundo suas obras” (Mateus 16:27)
A frase de Jesus, registrada nos Evangelhos, torna-se para Kardec a expressão perfeita da lei espiritual:
“A cada um segundo as suas obras.”
Ela significa que cada Espírito recebe segundo aquilo que constrói em si mesmo.
Não é uma lei de punição, mas de correspondência:
o amor gera paz;
o egoísmo gera sofrimento;
a caridade eleva;
o orgulho retarda.
O futuro espiritual não é determinado por privilégios, aparências ou fórmulas exteriores, mas pelo patrimônio moral que cada ser conquista.
A grande mensagem de “O Céu e o Inferno” é que ninguém está condenado ao fracasso definitivo. A evolução é uma lei universal, e a justiça de Deus se manifesta oferecendo a todos os Espíritos os meios necessários para alcançar a perfeição.
A cada um segundo suas obras, no Céu como na Terra: tal é a lei da Justiça Divina.

FONTES CONSULTADAS:
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Primeira parte: capítulos IV, V e VII. Paris, 1865.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões sobre lei de progresso, responsabilidade moral e consequências dos atos.
Evangelho de Jesus Cristo — princípio: “A cada um segundo suas obras” (Mateus 16:27; Apocalipse 22:12).
“Cada (a) um segundo suas obras: O Céu e o Inferno”.

Nossa História, Nosso Amor


​Não foi o acaso que nos uniu,
foi a vida pedindo recomeço.
A dor de lá encontrou a dor de cá,
e no meio da tempestade
a gente descobriu o nosso abrigo.
​Ele veio lá do Sul,
com o vento frio e o peito ferido.
Eu, aqui no asfalto paulistano,
com a alma aflita, cuidando dos meus.
A vida nos testou com força,
mas do meio dos espinhos
nasceu o carinho mais bonito
que o coração humano pode ter.
​O tempo olhou para nós dois
e contou trinta anos no relógio,
mas o amor não sabe contar anos.
O amor só sabe contar abraços,
só sabe contar o desejo, a entrega,
o arrepio na pele ao segurar a mão.
​A Avenida Paulista parou para ver
o nosso primeiro encontro.
Enfrentei o vento forte das terras dele,
o frio gelado que assusta a gente,
mas o calor que recebi no peito
deixou a vida quente de novo.
​Que não seja eterno posto que é chama,
mas que seja infinito enquanto dure.
Hoje a gente vive assim:
corpo, alma, paixão e verdade.
Ele é meu porto seguro, meu homem,
meu presente e meu futuro.
A prova viva e bonita
de que o amor de verdade
sempre vale a pena.

A roleta vai girando
Qual roda da vida
Um conto de fadas
Uma Estrada Florida
ou Caminho difícil
Lamacento
Tudo é vida
e nada funciona
Cem por cento
Se não choverem flores
No teu caminho ruim
Faça acontecer
Mesmo assim
A vida é e sempre será
Uma jóia muita cara
Mas alguns de nós
Precisam saber
A maneira correta
de a lapidar
Um dia a roleta pára
No início
ou no fim
E tudo que restar
Medos e segredos
Guardados e esquecidos
Sob a égide de uma lápide
E, talvez
Algo muito bonito
Esteja escrito ali.

Edson Ricardo Paiva

O mais belo poema da vida
Universo escondido
Nos recônditos da alma
Arte esculpida de algodão
Nas nuvens que vi no céu
Dos sonhos de criança
Que um dia todos sonham
Em voltar a ser

Onde a única lei
Que desejamos ver obedecida
É a lei da gravidade
Quando a gente escorregar num papelão
Por sobre um imenso barranco gramado

Não precisa ir muito longe
Não preciso ter dinheiro
A beleza mora nos detalhes
Agora mesmo, olhando em volta
Olhando as folhas lá no alto
Eu pressinto, um dia vão cair

Meus passos apressados ao pisar o asfalto
As contas atrasadas
A parede que precisa há muito uma pintura
Vamos todos cair, a exemplo das folhas

Minha pressa não levou-me a nada
A conta que interessa é o correr
Dos dias que não vão jamais voltar
As paredes das nossas vidas
Essas sim, precisam ser pintadas
Com as cores da coerência e fantasia

Pra que a gente enxergue em volta
A mais linda poesia da vida
Continua sendo escrita todo dia
Com a tinta da saudade que sentiremos
Das pessoas apressadas e insensíveis
Que um dia fomos.

Edson Ricardo Paiva

Se Eu Soubesse Que a Vida

Se eu soubesse que a vida
Era um barco à deriva
Mas que nem sempre ela o era
Não ficava lá, parado na esquina que não se dobra
Nem perdia meu tempo a olhar horizonte

Não se deixe iludir pelo tempo, ele não é nosso amigo
Teria dormido menos, teria sonhado mais

Se soubesse que há fases na vida
Cujos sonhos quase sempre são verdade
E há verdades que são só palavras que vão no vento
Elas teriam sido o que são:
Só verdades de momento
Momentos importantes, de mudarem vidas.

Saía da esfera da dúvida
Fecharia as portas do meu coração
Para assim eu nunca sentir saudade

Pois saudade é uma semente
Que precisa antes madurar
Pra depois ser percebida

Eu não sei se é uma falha da vida
Que a espalha aos montes pelos caminhos
A teria sentido menos
E teria sido apenas
Se valesse a pena de ser sentida

Teria direcionado as velas do barco
E mirava um ponto no horizonte
Lhe teria dado outro rumo

Ah, se eu soubesse
Que de vez em quando há sonhos mais reais que a vida
E que há sonhos, de tão parecidos o são
Eles dão sentido às vidas, tão sincronizadas
Que nem as batidas das penas
Nas asas coloridas de um pequeno beija-flor
Me fartava todo dia, de tanta alegria

Se eu soubesse que todo tempo do mundo
Não era tanto tempo assim
Enfim, creio que nem tempo havia.

Edson Ricardo Paiva

A vida trouxe dias


Que pensei que fossem primaveras


Mostrou cores que enxerguei azuis


Me ensinou palavras doces


Conduziu-me só pelas estradas, crendo estar acompanhado


Fez sentir calor


Quando era frio


E não havia nada pra se ver nesse denso nevoeiro





A voz gasta do silêncio ensina mais


O aroma, a brisa de verão


Não precisa dizer nada





Era eu que gostava da vida


Dessas coisas que alegravam o caminho


Nem sempre era estrada





A vida não trouxe nada


Era a gente que acreditava


E foi feliz assim





Compreendi


Que a vida é uma cantiga


Que não liga pra onde o vento leva


Olhe bem, tem dias que nada adianta


E tudo acaba em uma terça-feira


Quase sempre o sol nascente escuro





Alguma coisa faltando


Aquilo que era, não era


Parecia doce, primavera


Confundia


Pensei que fosse azul


---
Edson Ricardo Paiva

Graças a Deus eu vejo a vida com a certeza de
que não é uma competição, não é sobre Ganhar
ou sai perdendo ..
É sobre a liberdade de ser quem você realmente
é e se sentir bem.
A leveza de caminhar sem a pressão social de
“ ser alguém” “ ter as coisas “.
As lutas nunca são comparadas pra êxito da
afirmação do bem comum . Que a vida nos
presenteie com as ferramentas certa pra cada
adversidade.

Brumar

E se um dia me perguntarem o que é a vida...


Eu responderei que a vida é linda.
Linda não porque seja perfeita, mas porque, mesmo depois das lágrimas, dos dias difíceis, das dores e das decepções, ela sempre nos presenteia com uma nova oportunidade.


A oportunidade de levantar depois da queda,
de limpar as lágrimas, respirar fundo e tentar novamente.
De deixar para trás aquilo que machucou, aprender com o que passou
e seguir em frente com o coração cheio de esperança.


A vida nos ensina que nenhum momento difícil é eterno.
Depois da tempestade, o céu volta a clarear.
Depois da noite, o sol sempre nasce.
E, quando tudo parece perdido, a vida nos sussurra: “Comece de novo.”


Por isso, eu escolho acreditar na vida.
Acreditar nos recomeços, nos sonhos e nos dias que ainda estão por vir.
Porque viver é isso: cair, levantar, aprender, amar e continuar...
E enquanto houver um novo amanhecer, sempre haverá uma nova chance de ser feliz.

Na vida, aprendi que nem sempre estarei feliz — e tudo bem. A felicidade vai e vem, mas a paz é o que permanece quando a gente aprende a aceitar, soltar e seguir.

Hoje, não quero controlar tudo, nem provar nada a ninguém. Quero apenas ter paz no coração, silêncio na mente e a consciência tranquila.

Porque, no fim, talvez a verdadeira felicidade seja justamente isso: estar em paz com quem somos e com aquilo que não podemos mudar.

Nunca perca a sua essência.

A vida não é sobre agradar a todos, nem sobre viver tentando corresponder ao que esperam de você. É sobre permanecer fiel àquilo que existe dentro do seu coração.

As pessoas vão criar versões de você, vão julgar, interpretar e falar. Mas nenhuma opinião será maior do que a verdade de quem você é.

Não mude sua essência para caber na visão de alguém.
No fim, a vida é sobre quem você realmente é — e nunca sobre aquilo que os outros acham de você.

Tem momentos em que simplesmente
A vida parece estar mais feliz
e o dia amanhece quente e doce
Um pássaro me trouxe
Uma rara melodia na janela
Aqueles sentimentos tristes
Milagrosa e temporariamente
desistem de mim
e vão entristecer noutro lugar
Que bom seria, se eles não voltassem
Meu Deus, que bom seria, alegria
Se você ficasse e morasse aqui
Eu jamais desisti de conhecer
Esta sua feliz companhia
E hoje me parece, enfim
que você também
Não desistiu de mim.

A vida passa depressa e a gente vai levando a vida cercado de gente. Vai brincando, contando piadas, trabalhando, se envolvendo, rindo e aprendendo e quanto mais aprende mais quer aprender. Aprende tanto que quando percebe; descobre que não aprendeu nada. Descobre que não teve amigos, descobre que o trabalho foi infrutífero, descobre que os envolvimentos foram ilusórios, que as piadas não tiveram graça e que brincou demais com a vida. Descobre que enquanto riam ao seu lado...estavam rindo de você.
Um dia você acorda e descobre que está igual ao que estava no dia em que nasceu e no dia em que haverá de partir: Sozinho.

Se a vida fosse
resultado de um desenho
Eu pensaria hoje
Que meu lápis estava assombrado
Mas como tudo termina
Num lugar aonde
Meus pés me levaram
Só posso concluir
Que eu não soube mesmo
caminhar
Mesmo assim
Não sei dizer
Se a caminhada foi perdida
Só sei dizer
Tenha sido com as mãos
Ou com os pés
Esta foi minha vida
Pés calejados
Mãos doloridas
Desenhos e caminhadas
Cujos resultados
Somente Deus conhece
Pensamos ver e saber
A vida é uma jornada
Vivida de olhos vendados.

Preso em monólogos, rótulos, vou pra rua
e a vida nos cobrando respostas sem dar as perguntas.verdades são nuas e cruas.

Rotina ofuscando a retina que ainda brilha,
mas o brilho também é resistência, conduta e disciplina

.
Medos batem no peito como tambores,
e a coragem nasce no compasso,

Moldando amores e dores.

Cada cicatriz eu transformo em poesia,

Verso que ecoa, ferida que nos guia.



Caminhando sozinho por dentro dos meus pensamentos,
às vezes lento, mas sempre em movimento,

observo o tempo sempre correndo.
Acelerado, paro e conto até três, me acalmo,
mesmo no caos, busco a paz que torna alvo.

Buscando sempre a paz que me livra dos alarmes falsos.



Respiro fundo, guardo a brisa fria no peito,
mesmo em campo pequeno, chuto a bola meu jeito.

A cada batida, minhas rimas são espadas estilo esgrima,
a cada corte machuca, porém, também ensina.
Não desistir, persistir,
se seu sonho é grande você também precisa evoluir.

No ringue da vida não existe plateia,
suor no rosto é chama que clareia.
Cada queda ensina, cada dor constrói,
quem luta de verdade jamais se corrói.

Minha voz ergue muros, derruba mentiras vazias,
bloqueando sombras que iludem almas frias.
Cá entre nós, nunca estamos a sós,
quem ontem me ignorou, hoje implora minha voz.

Olho nos olhos, não fujo da briga,
verdade é flecha, mentira fadiga.
Quem hoje aponta, amanhã admira,
quem fecha a porta, um dia suplica a saída.

Eu não paro, eu insisto,
cada rima é fogo, cada verso é grito.
Do silêncio eu faço poesia,
das feridas sangram minha energia.

Esse sorriso que anseia pela vida,
que se aglomera entre objetos, sonhos e planos…

Como poderia se conter
tanta energia que pede para transbordar
através do seu rosto?

Não tente se espreitar,
nem se resumir a rascunhos —
como uma molécula solitária,
sem perceber o próprio potencial.

Você é transformação.
É a prova de que a energia, quando bem direcionada,
se torna força, movimento
e um átomo inteiro de felicidade.

A Sabedoria dos Ciclos


A maturidade nos ensina que a vida é feita exclusivamente de momentos. Nada neste mundo físico dura para sempre, e essa é a nossa maior lição de humildade e de esperança. A dor que hoje aperta o peito e parece eterna é apenas um ciclo que vai passar; da mesma forma, a alegria que ilumina o hoje deve ser saboreada com gratidão, pois ela também é um instante. As dificuldades, as tristezas, as perdas e os ganhos são como as estações do ano: vêm, cumprem o seu papel de nos transformar e vão embora. Compreender a impermanência de todas as coisas nos liberta da ansiedade e nos dá a paz de espírito necessária para aceitar cada dia como ele se apresenta. Tudo passa, só o aprendizado fica.

Chega um dia na vida
Que a medida de tudo
Muda
A passagem do tempo
E a contagem das horas
Dinheiro contado
O Relógio emudece
Cresce a escuridão
Escurece
E tudo é medido
Pela altura
Nessa altura da vida
É que se descobre
Descobri
Que eu não sou quem eu era
Eu morri
Faleci de esperar
O dia que não veio
Morri de tanta espera
Bem no meio da vida
Esperei por ela
Parado
Bem no meio do passeio
Um arranjo de flores
Hoje, em meio a essas dores
Não sei se era pra mim
Ou se pra ela
Minha causa mortis
Desnuda
Fingindo vestida
Foi vida
De todo despojada
Minha vida me matou
Enquanto a vivia
Triste a morri
E a vida seguia
Morri de vida
Sem rumo
Sem prumo e nem norte
Eu morri uma morte linda
de morte despercebida
Enquanto a vivia ainda.

Edson Ricardo Paiva.