Textos Reflexivos sobre a Vida

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NOVO TEMPO
Seu olhar atravessa o oceano
Buscando harmonia no olhar
Celebrando a vida em oração .
Corcovas desafiando deserto
Novas aventuras em emoção !
A liberdade em novo horizonte
O céu girando em harmonia
Em busca de uma sinfonia
Que transborda nos acordes
Uma inexplicável alegria .
O topo do mundo maravilha
Onde palavras não definem
A sensação em tudo que brilha
Um sonho para que realizem
As verdadeiras transformações
Viajando espaços de luz
Para coroação de um novo tempo
Onde a verdadeiro luminar
Está eternamente aceso
Nos eternos laços do coração!

João Batista Barbosa
POESIA

Não adie a vida enquanto há tempo pra viver , enquanto corre nas veias a intensidade do querer ,corra atrás do que for necessário, mesmo que venha perder , mas com certeza toda sua vontade estará focada em cada instante respirado e que faça tudo que puder fazer, enquanto o tempo não se esgote e vá embora e deixe vazio tudo que poderia realizar . Então, por favor, não adie a vida , pois ela é por demais preciosa , mesmo que alguns momentos, bata o desânimo e o fracasso , continue lutando pra que um dia encerre seus momentos com o prazer de ter enfrentado cada momento e assim feche os olhos com a convicção de que valeu a pena ter vivido sem adiar a vida !
João Batista Barbosa

O relógio da vida não retorna para as oportunidades,
se elas surgirem no seu trajeto cotidiano procure aproveitar intensamente pois é sua única e exclusiva chance que terás para usufruir ou rejeitar...
Seja sábio nas escolhas, pois muitas não somarão
nos seus objetivos ou nas metas previstas.

As Mãos Que Dão Forma

Pai,

há homens que passam pela vida,
e há homens que deixam marcas.

Tu aprendeste a conversar com a matéria,
a ouvir o silêncio da pedra,
a descobrir formas onde outros
apenas veem um bloco sem vida.

Com as tuas mãos,
dás rosto ao que era vazio,
forma ao que era bruto,
e alma ao que parecia apenas matéria.

Mas a tua maior obra
talvez não esteja numa escultura.

Está nas pessoas que tocaste,
nos caminhos que abriste,
nos ensinamentos que deixaste,
e em mim.

Porque, sem perceber,
também foste escultor da minha vida.
Com paciência, firmeza e amor,
foste moldando quem hoje sou.

E como toda grande obra,
a tua história não se mede apenas
pelo que as tuas mãos criaram,
mas pelo legado que elas deixam.

Hoje celebro o homem,
o artista,
o pai.

Que a vida continue a oferecer-te matéria
para criares,
tempo para sonhares,
força para continuares
e motivos para sorrir.

E que, quando um dia olhares para trás,
possas reconhecer na tua caminhada
a mais bela das esculturas:

uma vida construída com as próprias mãos.

Feliz aniversário, Pai.
Que o teu legado continue a ganhar forma
muito depois de as tuas mãos descansarem.

QUIRINO


Quirino, velho Quirino, viveu boa parte da sua vida em dedicação aos serviços da Igreja Matriz de Simplício Mendes. Alto, moreno, magro e de rosto pequeno, causava, à primeira vista, a sensação de ser circunspecto, mas, era mesmo só aparência, pois tinha uma voz e uma maneira bastante engraçada, e essas características lhe ajudava bastante a conseguir mais fácil a simpatia das pessoas.


Nas suas festas de aniversário, compareciam muitos convidados. Uma boa parte da turma, principalmente a que não tinha muito dinheiro para comprar um bom presente, não queria perder os comes e bebes dessas festinhas. Por isso, compravam sabonetes, embrulhavam-nos e os entregavam como presente. Outros não tinham dinheiro nem para isso e enrolavam pedras no formato de algum objeto.


Quirino, já cansado de tanto embuste, resolveu ficar na entrada da casa recebendo os convidados com seus presentes. Ao apalpar o embrulho e notar que era parecido com sabonete, dizia logo:


— Sabonete não, menino! Sabonete já tem.


Em outra ocasião, sentindo-se chateado no acerto de contas de uma das festas religiosas da Igreja Matriz de Simplício Mendes, ele saiu às ruas gritando e dizendo que ia se enforcar em um pé de coentro que tinha no quintal da sua casa.

Nos labirintos dos vales cheios de vida, mesmo no escuro absoluto, a existência predomina.
​Ainda que o tempo passe nas profundezas, encontramos sentido na contemplação do ego singelo que se projeta nas superfícies ao longe, até o amanhecer das almas remanescentes. Pequenas porções em gotas de orvalho espalham-se pelos astros em expansão no universo. As sementes das árvores do abismo só existem no próprio abismo.
​Sentimentos correm como uma cachoeira em fluxo constante: mesmo na seca mais severa, onde o chão racha, os peixes se escondem sob a terra esperando as chuvas de inverno. A lua vermelha cresce nas sombras dos cânions e, nas fissuras, uma figura mística mastiga a seiva das pedras — gotas extraídas do nevoeiro noturno. O gelo que a noite traz tempera o calor do dia, fazendo a vida renascer seja no deserto ou numa planície esverdeada.
​Sempre haverá oportunidades de compreender os mistérios que compõem a beleza do caos caótico do universo. Tanto na massividade quanto no microcosmo, há elementos que geram vida. Os campos polarizados pelo pólen da flor do deserto e pelo clamor sereno dão corpo a um cenário de sonhos, repleto de desejos e esperanças. A ressonância harmônica da resiliência cósmica infinita faz do desejo de florescer o próprio desejo de viver.
​Essa beleza hipnotizante é a evidência do equilíbrio do bioma: besouros, moscas e abelhas compõem um ciclo infinito; até cobras, lagartos e animais maiores integram o cenário. Mas quem realmente vê a beleza das flores?
​Num mausoléu mental e emocional, damos à alienação conectiva a forma de um abismo cognitivo — a simplicidade abandonada dos sentimentos. Buscamos parâmetros de sensatez, mas, entre as variáveis alternativas, vemos a vida teimar até no asfalto quente que frita um ovo. No deserto árido da sociedade, a emoção tenta se reerguer pelo vídeo que viralizou porque um gato gerado por IA aprendeu uma nova modinha.
​A culpa da pandemia e os morcegos que vivem nos abismos — servindo de iguaria culinária — mostram como quebramos o bioma das profundezas. Novos horizontes ganham desenho intelectual complexo, mas o que realmente causa impacto é o vídeo de gatos rebolando ou de um macaco roubando uma furadeira Makira.
​A realidade da chuva ácida e a poluição das garrafas plásticas trazem a sensação do puro veneno. As indústrias do tabaco e das bebidas alimentam esse mesmo abismo, enquanto novas radiações emergem da imensidão perdida da camada de ozônio.

Bom dia!!!


A vida é um jardim e nós somos as flores que dão vida e embelezam este jardim.


Mas, antes de sermos vida, somos a semente que, para florescer, precisa ser cuidada com muito amor e zelo, pois só assim seremos flores belas e perfumadas, irradiando vida pela vida afora!


É preciso viver e não apenas existir.
É preciso florescer, apesar das condições nem sempre favoráveis, mas florescer sempre, para que o jardim da nossa existência atraia as mais lindas borboletas, pois o Criador nos criou para a vida e vida em plenitude!

a níveis cósmicos

Talvez algumas pessoas não voltem para a nossa vida.

Talvez elas nunca tenham realmente saído.

A gente só aprende a conviver com a distância. Aprende a seguir a rotina, conhecer outras pessoas, ocupar os espaços vazios e fingir que certas histórias ficaram para trás.

(receio de parecer redundante)

E funciona.

Até o dia em que a gente se encontra de novo.

Então acontece uma coisa simples demais para ser ignorada, parece que nada precisou ser recuperado.

A conversa volta ao lugar onde parou. A risada ainda tem o mesmo efeito. Os apelidos continuam fazendo sentido. É como se o tempo tivesse passado para todo mundo, menos para nós dois.

Talvez seja isso que torna algumas pessoas tão difíceis de transformar em passado. Porque, com elas, o passado nunca parece completamente encerrado.

A gente pode passar meses tentando ficar longe, convencendo a si mesmo de que é melhor seguir caminhos diferentes. Mas, quando estamos no “mesmo lugar”, existe uma familiaridade que não precisa ser chamada.

Ela simplesmente aparece.

Como se alguma coisa dentro de mim dissesse

“Ah. Era aqui.”

E tudo volta a funcionar. Não de um jeito perfeito, mas natural.

A conversa se desenrola sem esforço. Uma piada puxa outra, um assunto qualquer vira uma conversa de horas e, quando percebo, estou falando de coisas que COM CERTEZA não contaria para mais ninguém.

Com você, eu não preciso escolher tanto as palavras. Existe um idioma que construímos sem perceber. Você sabe onde tocar para me fazer rir, entende meus silêncios, reconhece minhas manias e percebe qual versão de mim está aparecendo.

Talvez essa seja uma das formas mais profundas de intimidade, não precisar reaprender alguém.

A gente já se conhece.

Só precisou se reencontrar.

E é aí que tudo fica estranho.

Quando estamos longe, parece possível seguir em frente, colocar cada coisa no seu lugar e aceitar que algumas histórias pertencem ao passado. Mas, quando estamos juntos, o mundo parece discordar.

As cores ficam mais vivas. As coisas pequenas ganham importância. Uma conversa qualquer parece suficiente para salvar o dia. Um problema enorme perde o tamanho, não porque foi resolvido, mas porque estamos ali.

Você não melhora a minha vida como quem chega para consertá-la. Você me faz lembrar de como é gostar dela.

Não precisa trazer respostas, prometer que tudo vai dar certo ou mudar alguma coisa. Basta estar. E alguma coisa em mim descansa.

É como se meu corpo reconhecesse uma casa que minha cabeça passou muito tempo tentando esquecer.

Talvez por isso eu tenha a sensação de que nos conhecemos há mais tempo do que deveríamos. Como se a nossa história tivesse começado antes da primeira página que consigo lembrar.

E existe uma coisa ainda mais difícil de explicar mesmo quando a distância vence, alguma parte de mim parece continuar orientada na sua direção.

Não é pensamento. Não é exatamente saudade. É uma espécie de insistência silenciosa.

Como se os olhos ainda soubessem procurar você antes mesmo de eu perceber que estou procurando. Como se meu corpo tivesse guardado, em algum lugar que a razão não alcança, uma noção muito particular de onde você está.

Talvez seja por isso que, entre tantas pessoas, tantos lugares e tantos caminhos possíveis, existe sempre alguma coisa estranhamente familiar quando o caminho termina em você.

Como se certas conexões não dependessem de proximidade para continuar existindo.

A gente pode até tentar ficar longe, mas distância não é o mesmo que ausência. Distância é quando não estamos juntos. Ausência é quando a pessoa deixa de existir dentro da gente.

E você nunca chegou a esse lugar.

Não é que eu precise de você para existir. Nós dois conseguimos viver separados. Mas, quando existe a possibilidade de compartilhar a vida, aparece uma vontade maior do que a lógica.

Ela não pergunta se é conveniente. Não calcula a distância, não consulta o calendário nem faz uma lista de motivos. Apenas olha para tudo que está no caminho e pergunta

“Tá. Mas como a gente faz?”

Os obstáculos continuam existindo. Só deixam de parecer maiores do que a vontade.

A distância vira um detalhe. O tempo pode ser atravessado. O medo vira conversa. O passado deixa de ser uma sentença e passa a ser apenas parte da história.

Porque existe alguma coisa entre nós que não se repete.

Não é só química, saudade ou carinho.

É reconhecimento.

É olhar para alguém que eu já conheci de tantas formas e ainda encontrar algo novo. É saber quem você é e, mesmo assim, continuar querendo descobrir quem está se tornando. É ter história suficiente para entender o silêncio e curiosidade suficiente para continuar perguntando.

E talvez seja justamente isso que torna tudo tão difícil de explicar, há coisas que a gente entende sem saber dizer como. Um olhar que encontra o outro no meio de uma sala. Uma presença que o corpo percebe antes da cabeça. A sensação de que, mesmo depois de tantos caminhos diferentes, existe uma espécie de direção que nunca deixou de existir.

Não sei se algumas pessoas ficam gravadas na memória.

Talvez fiquem em lugares mais profundos do que isso.

Quando compartilhamos a vida, mesmo que por pouco tempo, existe uma paz difícil de explicar para quem olha de fora.

Ninguém entende completamente as nossas piadas, os apelidos, os silêncios ou o motivo de uma frase qualquer fazer nós dois rirmos daquele jeito.

E talvez nem precise entender.

Algumas coisas ficam mais bonitas quando não podem ser traduzidas. Existem relações que podem ser explicadas e existem relações que só podem ser vividas.

A nossa parece pertencer a segunda categoria.

É por isso que nada se compara. Não porque não existam outras pessoas incríveis, mas porque nenhuma delas é você. Nenhuma carrega exatamente a nossa história, conhece a nossa língua ou sabe chegar naquele lugar específico dentro de mim.

O que mais me impressiona é que nós já tentamos ficar fora da vida um do outro. E, ainda assim, quando voltamos a compartilhá-la, tudo parece fazer sentido rápido demais.

Como se, apesar de todos os caminhos diferentes, alguma parte de nós ainda soubesse voltar.

E talvez o mistério não seja entender por que continuamos sendo puxados um para o outro.

Talvez seja perceber o que acontece quando paramos de resistir.

O mundo fica mais leve. A conversa acontece. A vontade vence algumas distâncias. Os problemas diminuem de tamanho. A gente volta a falar aquela língua que só nós dois conhecemos.

Por algumas horas, não existe passado, futuro ou necessidade de definir nada.

Existe você.

Existe eu.

E existe a sensação quase inacreditável de que, entre todas as possibilidades da vida, estamos exatamente onde deveríamos estar.

Quando estamos juntos, não parece que estamos começando de novo.

Parece que, depois de tanto tempo tentando ficar longe, finalmente paramos de lutar contra algo que sempre soubemos

juntos, existe paz.

Existe paz quando abraçamos as nossas crianças internas, um refúgio.

E talvez você não faça a minha vida parecer melhor.

Talvez você faça a vida parecer o lugar certo.

Faço música para sobreviver ao meu coração partido pela vida. Faço música para não sufocar em minha própria intensidade. Faço música porque, sem ela, não sobreviveria. Faço música porque é a única forma de dizer o que sinto com alguma segurança.
Faço música porque não há outra alternativa. Faço música porque é o que mais amo no mundo. Faço música porque ela é o que me salva. Faço música para sobreviver a minha própria intensidade. Faço música porque, através dela, me conheço e reconheço o que atormenta a minha alma.
- Marcela Lobato

Costumo tratar muito bem a tudo e a todos pelos caminhos da minha vida mas não confundam, que eu seja insensível, apático ou pouco inteligente.Assim o faço por que é da minha essência e sempre quero o melhor para minha vida, e o grande caminho dos caminhos nos revela, uma única verdade, em sempre ser bom, ofertar o bem e semear
a harmonia, primeiro.

⁠Livre, leve e sereno

A vida é assim...
Estamos vivos
Caminhando
Pulsações constantes
Mas
Deixemos fluir
Pelo coração
Tudo passa
Tudo passará
Devemos armazenar
Segurar
O amor de Jesus
Porque assim
As batidas ficam suave
Mais leves
Conseguimos fluir...
E se tivermos
Alguém
Uma companhia
Para esquentar
Nossos corações
Abraçar nossa alma
E juntinhos
Com Deus
Seguir nossa jornada
Fica melhor
Mais que bom
Uma belezura!...
Gratidão por tudo
Por todos
Que comigo
Caminham
Viajam
Nesse espaço
Nessa constelação
Nesse Facebook
De olho no olho
Click a click
Toc toc
Muita emoção
Felicidades pra todos, viu!!!
Sentimentos assim
É bom
Pra vcs
Pra mim
Continuemos nessa marcha
Com fé e oração
Coração bombeando
Sangue circulando
Ar respirando
Saúde na alma
E paz no coração ❤️
Felicidades sempre 🙏

Solange Oliveira
Muita paz no coração 🙏

A cada dia, a cada segundo
Eu me entrego, íntegro e me religo nesse fluxo abençoado da vida, onde o onipresente sempre esteve em nós. E nós como cegos, coxos e aleijados, não percebiamos o Rio de água viva: a fonte da vida que sempre esteve presente e que jamais faltará para aqueles que sentem essa unidade com o todo, com a consciência universal, com o mental: com Deus

Quero retomar minha vida. Sair dessa lama. Fugir do esconderijo. Alcançar o maior dos sonhos. Mas por que é tão difícil? Por que o universo vive nos surpreendendo com o pior? Me entorpeço diariamente, para suportar a dor.

Tantos sofrem muito mais, só que isso não me impede de sentir tão absurdsmente, e somando-se a tudo que me faz querer parar, vem a culpa de por, relativametomente tão pouco, explodir, e ser motivo o bastante pra chorar.


Vivo dentro desse extremo caos interno, visivelmente também externo, aparentemente infinito, que não tem cura ou remédio. Como uma maldição jogada para nunca ser feliz. Às vezes, tudo que quero, é desistir, me entregar. Esquecer todos, e me apagar, com a mesma facilidade que tanta gente já me apagou.
- Marcela Lobato


Texto de agosto de 2019.

O Que Restou


Perdi muito nessa vida. Perdi o medo de perder pessoas, perdi a mim mesmo... perdi a minha liberdade! Perdi tudo, menos uma coisa: a vontade de viver. Mas viver assim dói. É um pulsar cego no escuro, entre os escombros do que fui, no silêncio de uma cela vazia. Essa vontade é a única coisa que restou, uma chama teimosa que queima no frio.

Santos para a Plateia




Há pessoas que passam a vida vestindo máscaras tão bem ajustadas que já não sabem mais quem são quando estão sozinhas. Diante dos outros, pregam bondade, compaixão e humildade, mas, quando chega a hora de transformar palavras em atitudes, nada existe além do discurso. Falam sobre fazer o bem como se fossem exemplos, embora raramente tenham estendido a mão quando alguém realmente precisou.


E ainda encontram tempo para julgar aqueles que escolheram caminhar por uma estrada diferente. Chamam de perdidos os que não seguem suas regras, de distantes de Deus os que questionam, de sem fé os que procuram respostas por outro caminho. Dizem que falta oração quando, talvez, o que realmente falte seja respeito pelo livre-arbítrio e humildade para aceitar que ninguém é obrigado a enxergar o mundo através dos mesmos olhos.


É curioso como algumas pessoas acreditam que conhecer o caminho certo lhes dá o direito de condenar quem escolheu outro. Esquecem que fé sem bondade é apenas aparência, oração sem compaixão é apenas palavra, e um discurso sobre amor perde todo o sentido quando é usado para diminuir alguém.


No fim, a máscara pode enganar uma multidão, mas não transforma uma pessoa naquilo que ela finge ser. Porque caráter não se veste para uma ocasião, bondade não precisa de plateia e quem realmente carrega luz não precisa apagar o caminho de ninguém para provar que o seu é o certo.

Depois que eu descobri que o sentido da vida, além da morte, é viver compartilhando, compartilho tudo o que sou.

Compartilho o ar que respiro, o sentimento que transmito, a ideia deste pensamento, tudo aquilo que invento... Compartilho minhas reflexões, percepções, emoções, minhas ações... Compartilho tudo o que falo, digo, expresso, demonstro, mostro... Compartilho meus movimentos, por onde passo, o que faço, o que traço, desfaço, satisfaço... Compartilho tudo o que vivo, seja positivo ou negativo, pois tudo o que experimento faz parte de mim.

Evito guardar, prefiro compartilhar, pois, de qualquer forma, a morte levará tudo. Então, escolho deixar no mundo tudo aquilo que sou...

O verdadeiro sentido da vida é compartilhar de si com os outros, não acumular o que vem dos outros para si.

Se o propósito da vida fosse acumular para si mesmo, todos aqueles que partem deste mundo levariam consigo tudo o que acumulou ao longo da vida. Mas isso não acontece. Ninguém leva nada consigo. O que realmente levamos, o que permanece, é o que compartilhamos durante o caminho, em vida.

Para quem duvida do eterno mistério da vida
e do sumo encantamento da morte,
os sentidos naturais nos convidam
à uma reflexão filosófica:
A música de Bach, o prodígio divino de Beethoven
as óperas Wagnerianas, o virtuosismo de Chopin
para mim seria suficiente, mesmo que
me faltassem todos os outros sentidos.
Se eu não pudessem ler os poemas de Camões
nem as odes de Horácio e de Cícero
ou ainda as "odisseias" de Homero,
e os poemas de Pessoa. Mesmo assim
estaria convencido da existência
de um espirito eterno e sábio
que sopra aos humanos tanta
beleza e espanto... e divindade.
Olhe que não citei Verdi

Síntese da vida

A poesia é a síntese da vida,
vida sem poesia é vida inútil
traduza-se isso por:

"Vida sem amor não é vida que vale viver..."

Antes de se aventurar a fazer poesia
antes se faz necessário viver
por isso se lê tantos poemas insípidos
de poetas que não têm calos na alma
nem nas mãos,
nem de viver
nem de fazer poesia.

VIDA DE PASSARINHO

Pobre do homem que leva uma vida de passarinho. Apenas preocupado com seu deitar e com seu levantar, com seu cansaço e com seu descanso, que vive preocupado em produzir ou caçar como um animal, seu alimento diário, mas que nesta rotina enfadonha e neste trabalho de Sísifo, encontra algum sentido para continuar vivendo.

Que deidade perversa, como Hades, que libertou o homem para voltar a viver em busca da felicidade, representada pela mulher amada, ou como Zeus, que o puniu por enganar a morte mais uma vez, teria submetido o homem comum a tal sofrimento e vida inútil?

Os poetas, contudo, para fugir desta vida vã e deste trabalho de Sísifo, forjaram do nada a possibilidade da vida útil e criativa, inventaram a ilusão e a beleza do abstrato, o prazer eterno nos braços da musa, e a ideia de imortalidade, para no final da vida breve invejar os passarinhos, que não sonham com recompensas metafisicas nem têm delírios de eternidades.

Evan do Carmo