Textos que Falem eu Nao Vivo sem Voce
Eu não entro em atritos com o mundo
Tenho questões mais importantes
E infinitamente mais profundas
A resolver comigo mesmo
Reservo algum tempo assim
A tentar ouvir coisa nova
Uma ideia, um poema, uma trova
Escuto
Uma avalanche de trovões
Vozes astutas
Encalabouçadas
Palavras de cor escura, soam mais velozes
Que os próprios pensamentos que as gerariam
Se porventura pensamento houvesse
Pois não dizem nada
Desconhecem até mesmo o que procuram
Ecoam
Devido ao lugar vazio de onde vem
A essa altura da minha vida
Percebo um mundo ensimesmado
Orbitando mil universos, em derredor de si mesmos
Lugares sem ninguém
Assim
Sobram-me os dias
A enxergar como é bonito
O círculo vicioso
Tornar paz em conflitos e afins
Um xingamento, um problema, uma prosa
Paredes pintadas, desenhos de flores
Nos jardins não há rosa, nenhuma flor se via
Entrementes, a cada dia mais conflitantes,
Rebuscando a paz, onde paz, antes havia.
Edson Ricardo Paiva.
Prece sem Razão
Não sou o dono de qualquer verdade
Nem senhor jamais eu fui
De nenhuma vontade, além das minhas
Eu não tenho aquele olhar que exclui
Não é minha a voz que manda
Tenho os sentidos que ouvem
E olhares que veem
Não faço parte do grupo que tinha ou que tem
Enfim
Sei que fica tudo sempre tudo bem
Porque as coisas são assim
Se olhar direito e prestar atenção
A voz da ilusão não combina com ela
Fica sempre aos mais atentos
A velha impressão que essa voz não vem dela
Uma das duas é bela, outra não
Não sou dono de qualquer verdade ou senhor da razão
Sigo a voz dos ventos sussurrando em meus ouvidos
Fecho os olhos pra enxergar sentido
Porque sei que as coisas são assim
E que, apesar de tudo
Tudo fica sempre tudo bem
Porque é assim que as coisas são
Razão, verdade, ilusão ou sentido
Antes, nunca tinha me sentido assim
Até que um dia percebi
Que a voz da ilusão
Junta gente em multidão e grita em frente à praça
Enquanto a voz dos ventos me procura
Quando estou na mais completa solidão
Na hora escura da vida
Numa prece humlide, na beleza mais bonita da verdade
Na simplicidade da oração
E cura a dor sentida, num sorriso de alegria
Carrega a tristeza que eu tinha
E tudo fica sempre tudo bem
Porque não sou dono da vontade de ninguém
Além das minhas
Sinto-me em paz
Me encontro em mim
E fica tudo sempre tudo bem
Sem qualquer necessidade de que exista uma razão.
Edson Ricardo Paiva.
Tantas lembranças eu tenho
Algumas afogadas em taças de vinho
Outras eu queria não ter visto
E que a vida houvesse sido
Qualquer outra coisa
Exceto isto
Todas deixadas ao longo do caminho
Algumas dessas dores eu cobri com flores
E de uma maneira ou outra
Nós vamos vivendo
Bebendo essses remédios que a vida dá
Sem ao menos ler as bulas
Sorrindo quando o Sol
Sem me dar alternativa
ilumina a minha cara
e chorando de forma furtiva
No silencio impenetrável
das infindas noites escuras
Em que à beira de fogueiras
Às vezes minh'alma dança
Triste ou feliz
Por haver em minha vida
A sorte ingrata de haver no coração
Tantas lembranças.
As coisas que faço
E as coisas que eu digo
Não pretendem conquistar nenhum espaço
Nem ligo
Não pretendo ser quem não sou
Sou aquele que Deus fez
A minha vez já chegou
é hoje, foi ontem e amanhã será
Meu tempo é este
E eu sou apenas eu
Apesar de todos os meus defeitos
Vivo apenas do jeito que posso
E te ajudo, se precisar
Às vezes me iludo
Pois sou gente igual você
Mas não quero o que não me pertence
Nem penso ser mais que ninguém
Estou na vida pra aprender
dividir e amar a vida
Por ser assim
e não saber mentir
Vivo sozinho
Quase que isolado
Não haverás de ver ao meu lado
Muita gente
Desejo que sejam felizes
Longe de mim
Não existe nenhuma garantia
Que eu não vá terminar meus dias
Embaixo de algum viaduto
Um desconhecido morto
Que viveu no anonimato
Não teve nada
e nem foi ninguém para este Mundo
Mesmo assim, se procurar
Não há de encontrar
A quem eu tenha feito o mal
O mal que me fizeram
Morreu em mim
Eu afoguei o mal, não o perpetuei
Portanto
Se terminar os meus dias
Sem ninguém ao meu lado
Eu mesmo me julgarei
Um bem aventurado.
Vida minha, amada vida
Te agradeço por vivê-la
Mesmo que às vezes eu sinta
Que talvez eu não mereça tê-la
Cresce em mim a cada dia
A alegria de poder viver
Vida, te prometo
Que até o meu último suspiro
Você não há de ser perdida
E que mesmo nos piores
Momentos de delírio
Não haverei de sentir
Medo de vivê-la
Tenho sim
Vontade de fazer
Muita coisa que eu não faço
Aquelas que, portanto
Você, minha vida, permitir fazer
Se acaso pra longe eu tenha que ir
Eu vou até lá para vivê-la
E viverei, durante a viagem
A alegria de enxergar
A linda imagem da minha chegada
E mesmo que lá não haja nada
Viverei a alegria da volta
Vida, imensa vida
Cuja existência, muita gente acha
que deve ser vivida animalescamente
Permita, vida
Que o vento leve estas palavras
E as entregue a alguém
Que mereça recebê-las
Diga à ela, vida
Que antes que você se acabe
Eu gostaria muito de poder
Conhecê-la
E que ela finalmente
Reconhecesse o que me faz.
Vê-la
Sentí-la
Beijá-la
E, quem sabe, dizer que por ela
Valeu-me viver minha vida.
Em um dia, não muito distante
Eu sei, não estarei mais aqui
A vida passou-se em instantes
Poucos deles realmente eu vivi
Mas guardei no meu coração
E levarei comigo, onde estiver
A lembrança dos meus amigos
trechos de uma oração
E o nome de uma mulher
Desta vida que passou voando
deixo ao Mundo alguns poemas
Singelas lembranças
E, talvez, alguém pense em mim
de vez em quando
Eu sonho em um dia
Ser e poder ser quem eu sou
E não apenas este
Que o Mundo me obriga a ser
Por menos que eu queira
Me obrigam a interpretar
e não me permitem viver
Eu tenho hora pra sorrir
e não posso conversar com qualquer um
Eu tenho hora pra dormir
Eu tenho hora pra falar
Eu não posso
Não me permitem amar a quem me odeia
E eu sou obrigado a amar
Quem me despreza
Eu tenho hora pra passar fome
Mesmo que eu nunca reclame da comida
Eu sou obrigado a viver esta vida
todo dia
Eu tenho que vestir o que eles mandam
Eu tenho que gostar do que eles gostam
Eu tenho que sonhar o que eles querem
Se eu gostar
Preciso gostar em segredo
Não posso apontar nenhum dedo
e dizer
Que era esta que eu queria
E não há nada que eu possa fazer
Além de sonhar escondido
Com um dia, que eu sei
Não vai haver.
Se Deus me concedesse hoje
O direito a um único pedido
Eu não pediria prata e nem ouro
Pois nunca os tive e jamais precisei
Não pediria beleza ou juventude
Pois já as tive e não soube o que fazer
Não pediria nem saúde ou paz na vida
Optaria por pedir
Somente sabedoria
Pra saber dividir o pouco que tenho
Com aqueles que trilham comigo
Pra nunca angariar inimigos
Pra conhecer a palavra certa
E ouvir o silêncio das pedras
E enxergar os espíritos das árvores
E orientar corretamente
A quem de mim precisasse
E nunca desperdiçar uma semente
E saber compeender a ingratidão
E pisar corretamente
Em cada chão por onde eu passasse
E compreender e saber respeitar
cada opinião, cada sonho e cada religião
E saber traduzir cada mensagem
Que Deus nos envia
Através dos ventos
Através dos séculos
e até por intermédio do sofrimento
Eu não pediria a Ele nenhuma resposta
Pois eu já as teria em mim
E seria eu a solução
Pra tanta angústia que domina
A cada coração sem Deus.
Meu amor
Conforme eu lhe prometi
Hoje eu lhe trouxe a Lua
Ei-la aqui, pra provar
Que eu não me esqueci
Podes ficar, ela é sua
Amor da minha vida
Se quiseres continuar
A dividí-la com a Humanidade
Eu posso devolvê-la ao Céu
Onde ela há de ficar
Por toda a eternidade
Porém, na verdade, ela é sua
Assim como minha alma
Meu amor, minha vontade
e meu olhar
Se olhares em meus olhos vais ver
Que o brilho que neles existe
Quando olham pra você
é maior e mais intenso
Que a luz do luar
Por favor, não me deixes
ficar triste
Nunca mais
Por você eu buscaria
Até o Astro mais distante
Mas a qualidade de nenhum deles
não chega a ser nada, diante
desse meu amor
Que não morreu
Mas existe
é de verdade
e é seu.
Talvez hoje eu esteja feliz
Creio que seja
Por não ter conseguido
Tudo que eu quis
Se tivesse
Não teria lido tudo que eu li
E nem ido aonde eu fui
E nem feito tudo que eu fiz
Portanto, não fui eu que perdeu
Pois tudo isso me fez
Eu ser eu
E eu satisfeito com isso
Me alegro com todos compromissos
Que eu cumpri
Tudo me fortaleceu
Hoje
Se você tentar me vencer
Eu não me rendo
Se tentar me comprar
Eu não me vendo
Se tentar me enganar
Eu não me iludo
Hoje
Eu tenho os pés no chão
Se alguém tentar me convencer
Eu digo não
Pois hoje eu tenho
Tudo que eu quis
E hoje é sim, a minha vez
Portanto
Eu digo a todos vocês
Com certeza e não "talvez"
Eu estou muito feliz
Por não ter conquistado
Aquilo que um dia eu quis
Eu não sabia
Que se tivesse
Talvez hoje
Eu não fosse feliz
Qual será o poema mais bonito
que já foi escrito?
Eu o vejo todo dia
Não é poema, é poesia
Recitado com o Verbo Divino
A primeira vez que o lí
Eu ainda era menino
E nem ao menos compreendia
tanta beleza que via
Quando olhava o Céu e as Estrelas
Havia comida à mesa
E borboletas e formigas
no quintal
E às vezes dentro de casa
E mesmo sem nunca tê-los visto
Eu sabia que existiam
As Florestas, O Mar e o Amor
O Amor de Deus
A me dar atenção
E a emprestar-me
a compreensão
e poder ver tudo isto
Era-me algo tão natural
Que um dia então
Eu quase que pensei
Que eu era mau
Ao descobrir
Que nem todo Mundo
Enxerga as coisas
Sempre igual.
Quando eu era criança, ainda
Não me ensinaram a olhar o Céu
E chamar as pipas de "pipas"
Àqueles mágicos brinquedos
Eu dava o nome de "quadrados"
Em alusão à coincidência geométrica
Finas ripas de bambu,
papel de seda
e sonhos
A voar mais alto
Que o próprio urubu
Não havia e ainda não há
Qualquer outra coisa quadrada
A simbolizar
Com tanta desenvoltura
A liberdade
A simplicidade
E a ausência do medo de altura
Humildade de papel
A ganhar o Céu
Ensinando
Que nem sempre
fragilidade é sinal de fraqueza
Se cada coisa tem o seu lugar
O lugar do quadrado é lá
Nos Céus imagiários da minha infância
Pois as coisas simples
Sempre serão aquelas
belas lembranças
Que o tempo há de ensinar
Que ao final
haverão de ter
O lugar de maior importância.
Se eu soubesse voar
Eu não sei se voaria
Eu acho que eu queria
Somente entender a vida
Se eu entendesse a vida
Eu não sei se a viveria
Creio que eu queria apenas
compreender a mim mesmo
E se eu me conhecesse
eu acho que não queria
Ser amigo de mim mesmo
Se eu pudesse me ignorar
creio então, que eu aceitaria
O dom de voar e sumiria
Muita coisa não deu certo
Creio eu que foi isso que me deu
A força que agora eu tenho
E com coragem, deixei de seguir
Tantas leis, de tamanha injustiça
Pois um dia eu descobri
Que as fizeram só pra mim
Assim
Deixei de estar por perto
Desertei, fui embora, porque
Minhas súplicas, ninguém ouvia
Os meus dias nasciam mais cedo
Eu tinha medo de ir e sempre ia
Não sabia calcular meus passos
Arrisquei mesmo assim
Muitos saltos na vida
E em alguns eu não cai
Ninguém nunca se importou
Se eu sentia saudade ou vontade
E os meus dias eram sempre
Os que terminavam mais tarde
E quando era assim
Acabava estando tudo
Distante, muito distante
Parecia que só eu errava
Tem dias em que a vida
Simplesmente não ajuda
Enquanto tudo se agigantava
Fui crescendo, também eu, com isso
E agora
Meu único compromisso
é com algo
que ainda não conheço
As coisas que não deram certo
Me ensinaram
Que um novo amanhã
e um novo começo
Podem estar
Bem mais perto
Mais perto que eu penso.
Sob meus pés
O pó da Estrada
Onde eu leio meu nome escrito
Amanhã ou depois
Não resta nada
Fica o dito
pelo não dito
E isso vale pra nós dois
Há de se apagar a tinta
e o tempo corrói o pincel
Se tudo isso existe de fato
Não passa de Fato Cruel
Que não vale o pó dos sapatos
Tudo passa
Como passam
as nuvens do Céu
Faz centenas de anos que eu venho
Tentando decifrar algo que eu vi
Não no Céu, nem numa folha de papel
Era um desenho rabiscado
Pelo chão do meu caminho
Era um desenho pra se ler
Eu eu, na condição de criança, o lia
Mas meu coração perdeu aquela pureza
E hoje eu não compreendo mais
Aquilo que eu senti naqueles dias
E agora não consigo
mergulhar naquela paz
Que tudo aquilo me causava todo dia
Era um desenho de anjos
Pautado em melodias
Onde eu lia e entendia seus arranjos
a ponto de poder ouvir
Mentalmente e lentamente
Uma linda sinfonia de Anjos
Com os quais o tempo me fez
Perder totalmente a sintonia
Um dia a gente percebe
Que quanto mais pensava
Evoluir e ficar mais inteligente
Fatalmente deixava escapar
por entre os vãos dos dedos
A pureza necessária
Pra poder compreender
Plenamente a vida e o Mundo
E todos os segredos
pra afastar do coração
Esta enorme quantidade de medos.
Meu violão me disse não
Quando eu tentei agradar
Alguém que não merecia
Dias há em que isso acontece
Até que o coração arrefece
A tristeza é um enorme ciclope
Que traz uma clava na mão
Mas a vida não é,
de nenhuma maneira
Uma cópia da arte
As coisas tem vontade própria
Quando a verdade pulsa mais
As vias lacrimais
Se recusam a demonstrar
Qualquer emoção
Que não mereça ser mostrada
Eu creio ser esta a razão
Pra meu violão dizer que não
Quando é assim
Meu violão não diz mais nada.
Por não saber voar
de vez em quando
Eu voo de amor
E quando sinto calor
Eu volto pro ninho
E procuro
Um abanador de carinho
E saio mais tarde
Pedalando amizades
é muito leve fazer isso
Nas rodas da sinceridade
E quando minhas pernas se cansam
Eu uso meu estoque de abraços
É isso que eu faço
Para otimizar o torque
Meus braços se abrem
E abarcam o Mundo
Desde os pássaros no Céu
Até o plâncton esquecido
Lá no fundo do Oceano
Com meu abraço de menino
Eu acolho até aqueles
Que não constavam nos meus planos
Pois eu sei
Que não pode haver enganos
Nos desígnios do Divino
Em todas as tardes
Quando à tarde chove
Não existe um dia
Em que eu não olhe
para as nuvens
e recorde
Aquela tarde triste
Eu posso até rever
Distante, o arco-íris
sobre o qual subiste
bem diante dos meus olhos
Rapaz
Você não pode imaginar
A falta que me faz
E quanto tempo leva
Até passar o tempo
O tempo do Nunca Mais
É esse o tempo que se aguarda
Naquela Plataforma de Partida
desde aquela tarde triste
em que partiste
Em uma despedida
Só de ida.
edsonricardopaiva e Fellipe Arcanjo
Quando eu desejo
Que alguém tenha um bom dia
Desejo somente
e mentalmente
Não mando um beijo
Não mando um abraço
Apenas penso na pessoa
E peço a Deus
Que lhe mande alegria
Imprimo-a no meu coração
Em uma tela colorida
Se ela é importante na minha vida
Não conto pra ela
Eu guardo somente pra mim
Esse carinho resumido
E exponho a minha saudade
Uma vez ou outra
Mas só o digo de vez em quando
Assim ninguém há de pensar
Que eu não ligo
e continuo gostando sempre
e todo dia
Sem confessar
que é eternamente
Pois tudo que existe todo dia
Não tem necessidade de contar
A gente mostra
também no silêncio
e na paciência
E guarda um pouco de carinho
Para entregar pessoalmente
Quando a gente
Finalmente se encontrar.
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