Textos que Descreva a Si Própria

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Ileísmo
(Mauro 1Evaristo)

Ele está de boa, no sossego,
É bem resolvido com si mesmo,
Por acreditar no melhor
Raramente se sente só.

Ele é do bem e saudável,
Tem um bom papo, agradável,
É raro se sentir só
Por sempre acreditar no melhor.

No dia a dia não se ofenda,
Não debate, não entra em contendas,
Segue de boa em seu caminhar,

Ele é o autor deste poema,
O Mauro só quer se expressar
Pois, sabe que tudo de bom até ele virá.

feradapoesia.blogspot.com

Vamos repensar?

Sócrates — “Conhece-te a ti mesmo.”

“Conhecer a si mesmo é apenas o começo; o verdadeiro desafio é ter coragem de confrontar aquilo que descobrimos. Muitos procuram autoconhecimento não para mudar, mas para justificar quem escolheram permanecer sendo.”

Carlos Eduardo Balcarse

Vamos repensar?

Baltasar Gracián:

“Conhecer a si mesmo é o começo de toda sabedoria.”

Carlos Eduardo Balcarse:

“O homem moderno conquistou o mundo externo e perdeu o acesso ao próprio mundo interior. Sabe medir distâncias entre planetas, mas desconhece os abismos dentro de si. A maior ignorância humana não é não saber sobre o universo; é não saber quem observa o universo.”

Você pode estar vivendo uma versão vencida de si mesmo

Talvez um dos maiores conflitos humanos não aconteça entre aquilo que somos e aquilo que desejamos ser.

Talvez aconteça entre quem continuamos sendo e quem já não precisamos mais ser.

Passamos a vida tentando evoluir, mas raramente percebemos que algumas dificuldades não exigem evolução.

Exigem atualização.

Atualizamos máquinas, sistemas, conhecimentos, métodos e tecnologias. Reconhecemos naturalmente que aquilo que funcionava ontem pode já não responder às necessidades de hoje.

Curiosamente, temos muito mais dificuldade para aplicar essa compreensão a nós mesmos.

Atualizamos tudo aquilo que utilizamos, mas frequentemente continuamos utilizando uma versão desatualizada de nós.

Continuamos respondendo a situações novas com medos antigos.

Tomando decisões presentes a partir de feridas passadas.

Defendendo convicções construídas por alguém que já não possui as mesmas experiências que possuímos hoje.

Talvez exista dentro de nós uma espécie de atraso de identidade.

O corpo chegou.

O tempo passou.

As experiências aconteceram.

O conhecimento aumentou.

Mas alguma parte de nós continuou morando em uma interpretação antiga da própria existência.

Nem sempre estamos presos ao passado. Às vezes estamos presos à pessoa que o passado nos ensinou a ser.

Essa diferença é profunda.

Superar um acontecimento não significa necessariamente superar a identidade construída a partir dele.

Podemos deixar de sofrer por alguma coisa e continuar organizando nossa vida para impedir que aquilo aconteça novamente.

E, sem perceber, aquilo que aparentemente ficou para trás continua decidindo aquilo que fazemos pela frente.

Talvez algumas cicatrizes parem de doer, mas continuem escolhendo.

É por isso que autoconhecimento não deveria servir apenas para descobrir quem somos.

Deveria também permitir descobrir quem continuamos sendo sem necessidade.

Existe uma pergunta pouco feita:

“Qual parte de mim ainda existe apenas porque nunca foi novamente questionada?”

Talvez encontremos ali comportamentos que chamamos de personalidade, limites que chamamos de realidade e mecanismos de defesa que passamos a chamar de identidade.

Nem tudo aquilo que repetimos nos representa.

Repetição não transforma comportamento em essência.

Fazer algo durante trinta anos prova apenas que fizemos algo durante trinta anos.

Não prova que precisamos continuar fazendo.

Há um perigo silencioso em transformar permanência em identidade.

Quando dizemos “eu sou assim”, podemos estar descrevendo quem somos.

Mas também podemos estar decretando quem nos proibimos de deixar de ser.

Toda definição de nós mesmos pode se transformar em uma fronteira quando esquecemos que também somos possibilidade.

Talvez uma das maiores manifestações de inteligência seja conseguir revisar a própria identidade sem interpretar essa revisão como traição.

Mudar de opinião não significa necessariamente incoerência.

Abandonar uma convicção não significa fraqueza.

Reconhecer um erro não apaga a inteligência anterior.

Pode simplesmente revelar uma consciência posterior.

Coerência não é pensar a mesma coisa para sempre. É ter coragem de não continuar defendendo aquilo que já deixamos de compreender da mesma maneira.

O problema é que construímos reputações em torno das nossas certezas.

Depois, algumas pessoas passam a defender ideias não porque ainda acreditam nelas, mas porque acreditam que precisam continuar sendo reconhecidas por elas.

Nesse momento, a identidade deixa de expressar o indivíduo.

Passa a aprisioná-lo.

Quando precisamos continuar sendo quem fomos para preservar aquilo que pensam que somos, a imagem venceu a identidade.

Talvez liberdade também seja poder decepcionar a expectativa criada sobre uma versão antiga de nós.

Não por irresponsabilidade.

Mas porque ninguém deveria ser condenado à permanência apenas para facilitar o reconhecimento dos outros.

Somos continuidade, mas também ruptura.

Somos memória, mas também possibilidade.

Somos consequência, mas também construção.

E talvez exista uma dimensão ainda mais profunda da autoria:

Não apenas escolher o que fazer com a própria vida, mas escolher conscientemente quais versões de nós ainda terão permissão para continuar escrevendo-a.

Porque dentro de uma mesma pessoa podem coexistir diferentes autores.

A criança que teve medo.

O jovem que precisou provar alguma coisa.

O adulto que aprendeu a se defender.

A pessoa que sofreu.

A pessoa que venceu.

A pessoa que perdeu.

Todas podem continuar escrevendo decisões muito depois de o contexto que as criou ter desaparecido.

Por isso, algumas escolhas aparentemente presentes possuem autores antigos.

Nem toda decisão que tomamos hoje nasceu no presente.

Discernir também é descobrir quem, dentro de nós, está segurando a caneta.

Talvez essa seja uma das perguntas mais desconfortáveis que podemos fazer:

Quem está escrevendo minha vida hoje?

Minha consciência?

Meu medo?

Minha necessidade de aprovação?

Minha história?

Minha expectativa?

Ou uma versão antiga de mim que ainda acredita estar vivendo circunstâncias que já terminaram?

Não precisamos destruir quem fomos.

Precisamos reconhecer que cada versão de nós cumpriu determinada função na construção daquilo que somos.

Mas gratidão pelo passado não exige submissão a ele.

Podemos agradecer à pessoa que precisamos ser sem obrigá-la a continuar sendo a pessoa que precisamos nos tornar.

Talvez amadurecer seja justamente isso.

Não abandonar a própria história.

Mas impedir que a história reivindique propriedade sobre o futuro.

Porque existir é continuar no tempo.

Evoluir é aprender com ele.

Mas talvez haja algo além:

atualizar-se é permitir que a consciência presente tenha autoridade para revisar a identidade construída pela consciência passada.

Não somos arquivos terminados.

Somos versões em permanente revisão.

E talvez o maior risco não seja mudar tanto a ponto de deixarmos de ser quem somos.

Talvez seja exatamente o contrário:

permanecer tanto tempo sendo quem fomos que nunca descubramos quem ainda poderíamos ter sido.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

A ausência de si

Talvez exista uma forma de ausência que nunca percebemos.

Estamos presentes fisicamente, cumprimos compromissos, conversamos, trabalhamos, produzimos, conquistamos, respondemos mensagens e continuamos funcionando.

Mas funcionar não significa necessariamente estar presente.

Podemos comparecer a todos os lugares e ainda faltar dentro de nós mesmos.

Talvez essa seja a ausência de si.

Não é desaparecer do mundo.

É permanecer nele durante tanto tempo respondendo ao que esperam de nós que já não sabemos distinguir aquilo que fazemos por escolha daquilo que fazemos por repetição.

Existem pessoas extremamente ocupadas que talvez estejam, na verdade, ocupando-se para não se encontrarem.

Porque o silêncio produz perguntas que o barulho consegue adiar.

Quanto mais barulho fazemos do lado de fora, menos ouvimos aquilo que continua falando do lado de dentro.

Produzir pode ser realização.

Mas também pode ser fuga.

Trabalhar pode representar propósito.

Mas também pode evitar encontros internos.

Ajudar os outros pode ser generosidade.

Mas, algumas vezes, cuidar permanentemente de todos pode ser uma maneira sofisticada de nunca precisar olhar para quem cuida.

Por isso, nem toda produtividade significa evolução.

Há pessoas construindo grandes coisas enquanto silenciosamente deixam de construir a si mesmas.

Talvez tenhamos aprendido a medir demais aquilo que fazemos e muito pouco aquilo que estamos nos tornando enquanto fazemos.

Perguntamos:

Quanto produzi?

Quanto ganhei?

Quantas pessoas alcancei?

Quantas metas cumpri?

Mas raramente perguntamos:

Quem estou me tornando enquanto conquisto aquilo que desejo?

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes do desenvolvimento humano.

Porque nenhuma conquista chega sozinha.

Toda conquista também constrói o conquistador.

Cada caminho modifica aquele que caminha.

Cada escolha repetida transforma-se gradualmente em comportamento.

Cada comportamento repetido participa da construção de uma identidade.

Por isso, talvez exista algo anterior ao sucesso.

Não basta perguntar se estamos chegando. Precisamos perguntar quem está chegando conosco.

Podemos alcançar o destino e perder partes fundamentais de nós durante o percurso.

E existe uma ironia nisso:

passamos anos tentando construir uma vida melhor para nós mesmos e podemos acabar construindo uma vida na qual já não existe espaço para nós.

Uma agenda cheia também pode esconder uma existência vazia de presença.

Talvez o contrário de vazio não seja preenchimento.

Talvez seja presença.

Porque preencher todos os espaços não significa habitar nenhum deles.

Podemos preencher a agenda, a casa, a conta bancária, o currículo, as redes sociais e até os relacionamentos e, ainda assim, permanecer ausentes da própria experiência.

Por isso proponho outra ideia:

Presença não é estar onde o corpo está. É conseguir existir conscientemente onde a vida está acontecendo.

E a vida sempre acontece agora.

Não ontem.

Não depois da próxima conquista.

Não quando tudo estiver resolvido.

Agora.

Talvez tenhamos desenvolvido uma extraordinária capacidade de registrar momentos que já não sabemos experimentar.

Fotografamos antes de observar.

Publicamos antes de sentir.

Compartilhamos antes de compreender.

Transformamos experiências em conteúdo e, algumas vezes, deixamos de transformar experiências em consciência.

Nunca registramos tanto a vida e talvez nunca tenhamos precisado tanto aprender a vivê-la sem registro.

Não se trata de rejeitar tecnologia, trabalho, ambição ou progresso.

Trata-se de impedir que os instrumentos criados para ampliar nossa existência acabem ocupando o lugar dela.

Porque existe uma diferença entre possuir ferramentas e ser conduzido por elas.

Entre utilizar o tempo e ser utilizado pelas urgências.

Entre construir reconhecimento e depender dele para reconhecer a própria existência.

Talvez liberdade não seja fazer tudo aquilo que desejamos.

Talvez exista uma liberdade ainda mais rara:

não precisar demonstrar permanentemente que estamos vivendo para conseguir sentir que nossa vida possui valor.

Quando a existência depende excessivamente do olhar externo, podemos começar a viver como espectadores de nós mesmos.

Perguntamos como parecerá antes de perguntar como será vivido.

Escolhemos aquilo que poderá ser mostrado.

Construímos uma versão publicável de nós.

E, gradativamente, podemos começar a confundir visibilidade com existência.

Mas ser visto não significa ser conhecido.

Ser conhecido não significa ser compreendido.

Ser admirado não significa estar realizado.

E ser seguido por milhares não impede alguém de ter perdido o caminho para dentro de si.

Visibilidade é quando muitos conseguem nos encontrar. Presença é quando ainda conseguimos encontrar a nós mesmos.

Talvez essa distinção se torne cada vez mais necessária.

Porque o mundo continuará disputando nossa atenção.

Empresas querem nossa atenção.

Redes querem nossa atenção.

Pessoas querem nossa atenção.

Problemas querem nossa atenção.

Objetivos querem nossa atenção.

Mas existe uma pergunta anterior:

quanto da nossa própria atenção ainda permanece disponível para nós?

Aquilo para o qual entregamos repetidamente nossa atenção participa silenciosamente da construção da nossa consciência.

Talvez, portanto, atenção seja muito mais do que concentração.

A atenção é uma forma silenciosa de autoria: aquilo que escolhemos observar começa, pouco a pouco, a participar daquilo que nos tornamos.

Se entregarmos nossa atenção apenas ao barulho, o barulho passará a habitar nosso interior.

Se entregarmos nossa existência apenas às urgências, poderemos passar uma vida inteira resolvendo aquilo que precisava ser feito sem descobrir aquilo que precisava ser vivido.

Talvez o verdadeiro desenvolvimento não consista somente em acrescentar competências.

Talvez também exija recuperar presença.

Voltar a habitar as próprias escolhas.

Voltar a escutar as próprias perguntas.

Voltar a perceber aquilo que sentimos antes de explicar aquilo que sentimos.

Voltar a existir antes de representar que existimos.

Chamo isso de presença consciente:

a capacidade de participar da própria existência enquanto ela acontece.

Porque talvez exista uma tragédia maior do que perder alguma coisa durante a vida.

É chegar ao final e perceber que estivemos presentes em quase todos os acontecimentos, mas ausentes de nós mesmos enquanto eles aconteciam.

Não permita que sua existência se transforme apenas em evidência de que você existiu.

Esteja nela.

Porque uma vida pode ser longa em anos, enorme em realizações e repleta de acontecimentos…

e ainda assim ter sido pouco habitada.

A maior distância que alguém pode percorrer talvez seja aquela que, sem sair do lugar, o afasta de si mesmo.

E talvez uma das maiores conquistas humanas seja exatamente o caminho contrário:

voltar a estar presente na própria existência.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

PENSAR POR SI NÃO É PENSAR EM SI

“PENSAR por SI mesmo NÃO tem absolutamente nada a ver com PENSAR em SI…”

— Carlos Eduardo Balcarse

Existe uma distância enorme entre duas expressões separadas por uma palavra minúscula:

pensar POR si e pensar EM si.

Quem pensa por si procura autonomia.

Quem pensa apenas em si pode transformar autonomia em egoísmo.

E talvez um dos grandes equívocos do nosso tempo seja confundir independência de pensamento com centralidade do próprio eu.

Pensar por si não significa pensar somente em si.

Significa não terceirizar a própria consciência.

É ouvir sem obedecer intelectualmente.
É aprender sem simplesmente absorver.
É discordar sem precisar destruir.
É concordar sem precisar se submeter.

Porque repetir aquilo que todos pensam não é necessariamente pensar.

Às vezes é apenas emprestar a própria voz para um pensamento que nunca foi nosso.

Mas existe outro extremo.

Há quem tenha deixado de pensar pelos outros e passado a pensar apenas em si.

Parece liberdade.

Pode ser apenas outra prisão.

O ego também possui grades — a diferença é que elas ficam do lado de dentro.

Vivemos em uma sociedade que nos ensina constantemente a olhar para nós:

meu sucesso.

minha carreira.

meu dinheiro.

minha imagem.

meu patrimônio.

meu futuro.

E passamos tanto tempo pensando no que queremos conquistar que raramente pensamos no que estamos entregando para conquistar.

Literalmente vendemos nosso tempo para ganhar dinheiro para sobreviver.

Isso não é metáfora.

Entregamos horas de nossa existência em troca de recursos que nos permitem continuar existindo.

Precisamos trabalhar.

Precisamos sobreviver.

Precisamos de dinheiro.

Mas existe um paradoxo:

vendemos tempo para ganhar dinheiro e depois desejamos dinheiro suficiente para finalmente termos tempo.

Trabalhamos para ganhar a vida enquanto gastamos justamente aquilo de que a vida é feita.

Tempo.

Talvez por isso a pergunta não seja apenas:

“Quanto estou ganhando?”

Mas também:

“Quanto de mim estou gastando para ganhar?”

Porque existe diferença entre preço e valor.

Seu trabalho pode ter preço.

Sua hora profissional pode ter preço.

Sua vida, não.

Dinheiro perdido pode voltar.

O minuto que você gastou para ganhá-lo não volta com ele.

E é justamente aqui que pensar por si se torna necessário.

Quem não pensa por si pode passar a vida inteira perseguindo uma definição de sucesso criada pelos outros.

Estuda porque disseram.

Trabalha porque disseram.

Compra porque disseram.

Compete porque disseram.

Acumula porque disseram.

E um dia talvez descubra que venceu uma corrida sem nunca ter perguntado se queria chegar naquele lugar.

Não existe protagonismo em uma vida vivida segundo pensamentos terceirizados.

Mas pensar por si também exige perceber o outro.

Porque consciência que só enxerga a si mesma talvez ainda não tenha ampliado suficientemente o próprio campo de visão.

Eu existo.

Mas o outro também existe.

Eu tenho dores.

O outro também.

Eu tenho sonhos.

O outro também.

Eu preciso de tempo.

O outro também está gastando vida enquanto divide o tempo dele comigo.

Talvez compreender isso transforme relações.

Quando alguém nos oferece uma hora, não está oferecendo apenas sessenta minutos.

Está oferecendo uma parte irrepetível da própria existência.

Por isso, presença é uma das formas mais profundas de valor.

Quem oferece tempo oferece algo que jamais poderá receber de volta.

Pensar por si é liberdade.

Pensar no outro é consciência.

Pensar apenas em si pode ser aprisionamento.

E deixar que os outros pensem por nós é desistir silenciosamente da autoria da própria mente.

Então pense.

Mas pense sobre o pensamento.

Questione aquilo que você acredita.

Desconfie inclusive das certezas que mais confortam você.

Porque talvez a pergunta mais importante não seja:

“O que estão pensando de mim?”

Talvez seja:

“Quem está pensando dentro de mim quando acredito que estou pensando por mim?”

Não permita que pensem por você.

Mas também não transforme você no único objeto do seu pensamento.

Afinal,

“PENSAR por SI mesmo NÃO tem absolutamente nada a ver com PENSAR em SI…”

Uma preposição muda a frase.

Uma consciência muda a vida.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

COMO SABER SE ESTOU REALMENTE PENSANDO POR MIM MESMO?

Pensar por si mesmo parece uma tarefa simples até percebermos que grande parte daquilo que chamamos de pensamento próprio chegou até nós antes mesmo de decidirmos pensar.

Aprendemos palavras que não inventamos, valores que não escolhemos, explicações que recebemos prontas e interpretações que repetimos tantas vezes que deixaram de parecer interpretações. Tornaram-se evidências.

Talvez uma das maiores ilusões da autonomia seja acreditar que um pensamento é nosso simplesmente porque acontece dentro da nossa cabeça.

Pensar por si mesmo não significa pensar sozinho. Ninguém constrói conhecimento partindo do zero. Somos atravessados por professores, livros, famílias, culturas, religiões, ideologias, experiências, algoritmos e autoridades. A questão não é eliminar essas influências. A questão é decidir quanto peso cada influência merece.

É nesse ponto que pensamento crítico e discernimento se aproximam, mas não são exatamente a mesma operação.

Questionar uma ideia é importante. Encontrar argumentos contrários também. Mas existe uma pergunta anterior e frequentemente esquecida: por que estou atribuindo a esta informação o peso que estou atribuindo?

Uma fonte pode ser confiável e ainda assim não ser decisiva para determinado problema. Uma emoção pode ser legítima e ainda assim não constituir evidência. Uma autoridade pode dominar um campo e estar falando fora dele. Uma experiência pessoal pode ser verdadeira e continuar insuficiente para uma generalização.

Pensar melhor, portanto, não depende apenas de possuir mais informações. Depende de aprender a avaliar a função que cada informação deve exercer naquilo que decidimos acreditar ou fazer.

Chamo essa operação de discernimento.

Em meus trabalhos sobre METADISCERN, Pedagogia do Discernimento e Alfabetização do Discernimento Consciente, tenho investigado justamente essa passagem: não apenas pensar sobre o pensamento, mas examinar o que estamos autorizando a participar de nossas decisões e com qual peso.

Autonomia não é ausência de influência.

Autonomia é influência examinada.

Talvez pensar por si mesmo comece quando descobrimos que nem todo pensamento que acontece em nós precisa receber nossa autorização para continuar pensando por nós.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

POR QUE DUVIDAR DE SI MESMO PODE SER UMA FORMA DE AUTONOMIA?

Normalmente associamos autonomia à confiança.

Uma pessoa autônoma sabe o que pensa, sustenta suas decisões e não se deixa levar facilmente pelos outros.

Tudo isso pode ser verdadeiro.

Mas existe outra dimensão menos confortável da autonomia: a capacidade de suspeitar do próprio julgamento.

Não para viver em insegurança permanente.

Mas para reconhecer que autoria não produz infalibilidade.

Ser autor de um pensamento não o torna verdadeiro. Sentir uma emoção não transforma sua interpretação em fato. Ter vivido uma experiência não garante que compreendemos todas as suas causas. Estar convencido não elimina a possibilidade de erro.

Por isso, duvidar de si mesmo pode ser profundamente autoral.

A dúvida cria espaço.

Entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.

É justamente nesse espaço que situo o discernimento.

Não como paralisia. Como intervalo funcional.

Um lugar cognitivo no qual o pensamento pode ser observado antes de receber autorização para continuar comandando a interpretação.

Para pensar não basta pensar. É necessário duvidar do que pensamos.

Mas a dúvida também precisa de limite.

Duvidar de tudo impossibilita agir. Nunca duvidar de nada impossibilita aprender.

Discernimento talvez seja justamente aprender quando a dúvida merece entrar e quando já cumpriu sua função.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

Dentro da ilusão temporal, compreendemos que o tempo não existe por si só; é apenas uma sintonia do corpo para que tudo tenha sentido. A noção psicológica natural do espaço e do tempo está fixada na mente através de uma ação lógica e racional, até que a própria funcionalidade do espaço-tempo se torne parte da continuidade massiva.
​Num único fragmento do tempo, a nossa existência revela-se insignificante — como uma imagem em movimento que desaparece a cada fração de deslocamento aleatório.

Não mentir para si mesmo
que nutre a expectativa
cinematográfica de viver
um amor com dedicação,
é um excelente começo:
Confesso que exatamente
como você também desejo.


Ocupar a sua mente mais
do que dizem ser só aventura,
e sim ser toda a tua aventura,
a possuidora e garantidora
absoluta da tua plena ventura
em todos os tempos e estações.


Nos teus lábios jamais deixar
faltar a Serikaya que adoce,
quando a rotina não for doce,
Colocar o teu coração batendo
para dançar ritmos de folclore.


Sem pensar duas vezes jogar tudo
para o alto sempre for imperativo,
para que o fogo da paixão não falte,
e nada nem ninguém o amor devore.

Não quero que concorde
comigo sem antes aprender
a pensar por si próprio,
sem antes de saber quem
é a Aguia-careca, o Quetzal e o Condor,
sem antes de você saber
que você é filho do Gavião-real,
sem antes de você saber
quais são os territórios ultramarinos
no Hemisfério Ocidental,
sem antes de saber qual é
o cerne da Doutrina Monroe,
sem antes de saber quem
mais rasgou o Direito Internacional,
sem antes de relembrar
que avisei que o Deus da Guerra
poderia dançar dentro
da América do Sul,
sem antes de saber que a situação
é fluída e pode vir se espalhar,
sem antes de relembrar,
que não era preciso esperar
uma guerra para aprender
a amar de verdade a nossa terra,
não antes de saber que não
sou grande coisa na vida - apenas poeta.

Uma parte de mim
descansa por saber
que leva em si a tradição
entre belas montanhas,
sem perder esperanças.


Nasceu capaz de sair
muito antes da Primavera,
se for preciso fazer guerra
contra qualquer guerra,
e contra qualquer quimera.


Jamais por escolha
e nem por ter nascido
forjado para a guerra,
e sim por amor à terra,
nenhum pouco efêmera.


Com o brilho cortante
da estrela mais brilhante
do rigoroso Inverno
e nascido tão belo,
que ouso chamar
de meu o seu Universo.

Há beijos...


Há beijos que pronunciam por si sós
a sentença de amor condenatória.
Principalmente aqueles beijos dados
em segredo no coração não têm volta.


Gabriela Mistral, Claudio Estrada,
Rufino Blanco Fombona,
Fortoul-Hurtado e o poeta anônimo
de um poema viral — meus advogados —,
trouxeram à luz que a tua existência é a prova. Venha, porque a hora de amar é agora!


Há beijos que se dão com o olhar,
tantos dei e ainda te dou sem que saibas.
Há beijos que se dão com a memória,
os nossos não acabarão em nada.
Haverão de ser os nossos beijos
o nosso estabelecimento da íntima pátria.


...
Nota: Este poema foi inspirado no famoso "Beijos", erroneamente atribuído a Gabriela Mistral. Invoco Mistral e outros autores como "meus advogados" para denunciar ironicamente essa falsa atribuição. Uma homenagem ao verso que se tornou uma expressão popular de amor.

O grande perigo da Inteligência Artificial em si é o fator humano, a princípio eu identifiquei esses fatores:


1 - A falta de bagagem cultural e a falta de senso de pesquisa de quem administra e de quem acessa.


2 - O uso para controle político por parte dos países que representam as grandes hegemonias globais.


3 - O uso de guerra de qualquer intensidade.

FELIZ 2021
Este ano de autorrevelações cada um deu o que realmente tinha dentro de si, servindo para que enxerguemos verdadeiramente quem são de fato as pessoas, sem a camuflagem da hipocrisia, pois o que definiu o comportamento de cada um foram atos e não palavras, uns deram indiferença, omissão, arrogância, maldade, intolerância, egoísmo, contrassenso, total falta de empatia e há os que deram solidariedade, humanidade, fraternidade, generosidade, bom senso, tolerância, humildade e empatia com a dor do seu próximo. Que tipo de ser humano você descobriu ser? Ou melhor; descobriram que você é! Feliz Ano Novo aos que fizeram a diferença para um mundo melhor, e aos que foram indiferentes quanto a dor alheia que revejam seus conceitos de humanidade.
(Mário Luíz)

Há pessoas que partem, mas não vão embora por inteiro.
Deixam um pouco de si em cada coração que tocaram, em cada gesto que ensinaram, em cada lembrança guardada com carinho.
Você foi exemplo sem precisar ser perfeita, foi abrigo para teus filhos e netos.
Sentiremos sua falta, mas quando a saudade apertar, não lembraremos apenas da sua partida, mas da pessoa forte que você foi e do exemplo que deixou e que o tempo não será capaz de apagar.
Porque algumas pessoas
não permanecem ao nosso lado,
permanecem dentro de nós.
E você permanecerá.
Em nossas histórias, em nossas lembranças, em tudo aquilo que aprendemos com você.
Até que a saudade deixe de doer
e passe a ser apenas a maneira mais bonita de dizer: foi um privilégio ter você em nossas vidas Vó.
Que sua passagem seja tranquila e que você descanse em paz.
Adeus, Vó!

⁠... a espiritualidade
ou a ciência do espírito, por si mesma,
não necessita ser provada - porém, pronta e
exaustivamente dissecada por cada Ser
habitandoessa terra - salientando que qualquer expressão de verdade deve passar pelo filtro
do nosso próprio entendimento
e, não mais se perca pela
incerteza!

A Metamorfose
Deixe viver,
Deixe falar por si.
Não fale pelo outro,
Deixe que o outro caminhe
E tome suas próprias decisões.
Não viva a vida do outro,
Pois muito zelo sufoca.
Prepare para o mundo,
Não crie para você.
Deixe a lagarta virar
Uma linda borboleta.
Mesmo ao sair do casulo,
Ela sempre volta para visitar
O lugar de onde surgiu.
— Roseli Ribeiro ano 2026

Mãe ama...


Mãe ama quando o filho é sementinha dentro de si, entre enjôos e vômitos.


Mãe ama quando escolhe o berço e todo o enxoval do seu bebê.


Mãe ama entre as dores dilacerantes do parto.


Mãe ama quando pega seu bebê nos braços pela primeira vez entre risos e choros, já esquecida das dores.


Mãe ama ao escolher um nome entre tantos...


Mãe ama quando arruma o quartinho,
a moradia, o colégio...


Mãe ama na saúde e na doença, nos bons momentos e nos momentos não tão bons.


Mãe ama quando vigia, aconselha, berra, grita, pune...


Mãe é assim: - sol e chuva por fora e por dentro um arco íris; - Amor em todas as cores! .
Haredita Angel
29.01.23

Nosso Norte


O primeiro movimento rumo ao desenvolvimentopessoal é compreender
a si mesmo.


Navegar por seus rios,
explorar os oceanos,
ser impactado pelas ondas,
descobrir o sol,
sentir as gotas da chuva
e permitir que a carne seja ferida
pelos espinhos das despedidas.


Depois do primeiro movimento, o percurso é irreversível; entretanto, a cada passo, uma dose de coragem se une à jornada deste ir.


Caminhemos rumo a nós mesmos...
-Eu estava com saudade de mim!


Marcelo H