COMO SABER SE ESTOU REALMENTE PENSANDO... Carloseduardobalcarse

COMO SABER SE ESTOU REALMENTE PENSANDO POR MIM MESMO?

Pensar por si mesmo parece uma tarefa simples até percebermos que grande parte daquilo que chamamos de pensamento próprio chegou até nós antes mesmo de decidirmos pensar.

Aprendemos palavras que não inventamos, valores que não escolhemos, explicações que recebemos prontas e interpretações que repetimos tantas vezes que deixaram de parecer interpretações. Tornaram-se evidências.

Talvez uma das maiores ilusões da autonomia seja acreditar que um pensamento é nosso simplesmente porque acontece dentro da nossa cabeça.

Pensar por si mesmo não significa pensar sozinho. Ninguém constrói conhecimento partindo do zero. Somos atravessados por professores, livros, famílias, culturas, religiões, ideologias, experiências, algoritmos e autoridades. A questão não é eliminar essas influências. A questão é decidir quanto peso cada influência merece.

É nesse ponto que pensamento crítico e discernimento se aproximam, mas não são exatamente a mesma operação.

Questionar uma ideia é importante. Encontrar argumentos contrários também. Mas existe uma pergunta anterior e frequentemente esquecida: por que estou atribuindo a esta informação o peso que estou atribuindo?

Uma fonte pode ser confiável e ainda assim não ser decisiva para determinado problema. Uma emoção pode ser legítima e ainda assim não constituir evidência. Uma autoridade pode dominar um campo e estar falando fora dele. Uma experiência pessoal pode ser verdadeira e continuar insuficiente para uma generalização.

Pensar melhor, portanto, não depende apenas de possuir mais informações. Depende de aprender a avaliar a função que cada informação deve exercer naquilo que decidimos acreditar ou fazer.

Chamo essa operação de discernimento.

Em meus trabalhos sobre METADISCERN, Pedagogia do Discernimento e Alfabetização do Discernimento Consciente, tenho investigado justamente essa passagem: não apenas pensar sobre o pensamento, mas examinar o que estamos autorizando a participar de nossas decisões e com qual peso.

Autonomia não é ausência de influência.

Autonomia é influência examinada.

Talvez pensar por si mesmo comece quando descobrimos que nem todo pensamento que acontece em nós precisa receber nossa autorização para continuar pensando por nós.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador