Textos para Boas Vindas
2313 📜 "O Escritor que sempre quis ser Escritor, começa o mais famoso livro dele, com 'A casa tinha três quartos, duas salas, banheiro, copa, cozinha, quarto de empregada, porão, varanda e quintal.'
Este é o início do livro a que fui apresentado com meus 14 Anos de idade e que, por causa deles (Livro e Autor), fui conhecer Minas Gerais como nem mineiros conhecem, acredito!"
2314 📜 " Já o Autor de um dos mais marcantes livros de todos os tempos, inicia a obra com 'Se você quer mesmo ouvir a história toda, a primeira coisa que você deve querer saber é onde eu nasci e como que foi a porcaria da minha infância e o que os meus pais faziam antes de eu nascer e tal e essa lenga lenga toda, tipo David Copperfield...'
Começa assim o livro que li, com prazer, repetidas vezes!"
0703 📜 "Ah, o AMOR... AMOR é palavra com cinco letras, iniciada por "A" e terminada por "R". Se lida ao contrário, AMOR vira ROMA."
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"Achou esse meu texto óbvio, tolo e piegas? Ora, se existem tantos textos assim na Internet, por que também Eu não posso? Hein?
Chega de Margens
A chaleira começou a gritar antes de mim.
Fiquei olhando para ela no fogão, esperando que alguém tomasse alguma providência. Ninguém tomou. A casa continuou quieta. O gato estava sentado no corredor, olhando para mim com aquela expressão de quem já descobriu que os humanos fazem muito barulho para resolver coisas simples.
Desliguei o fogo.
Passei café.
Era uma manhã comum. Dessas que não prometem nada e, por isso mesmo, costumam ser mais honestas.
Sentei à mesa.
O gato veio até a porta da cozinha, parou e ficou me olhando. Não pediu comida. Não pediu carinho. Apenas ficou ali. Talvez estivesse esperando alguma coisa. Talvez não. Gatos têm a vantagem de não precisarem explicar a própria presença.
Eu devia ter aprendido isso antes.
Olhei para minhas mãos.
A idade estava ali.
Não como número. Número é coisa de formulário. A idade aparece nas pequenas coisas. Na maneira como o corpo levanta da cadeira. Na demora para encontrar uma posição confortável. No joelho que reclama sem ter sido consultado. No espelho, principalmente.
O corpo começa a diminuir.
É uma espécie de ironia.
Passamos metade da vida tentando ocupar espaço e a outra metade descobrindo que o corpo já não pretende colaborar.
Mas alguma coisa acontece nesse mesmo período.
A cabeça começa a fazer o movimento contrário.
Ela aumenta.
Não sei se isso acontece com todo mundo. Talvez não. Algumas pessoas envelhecem apenas. Continuam obedecendo às mesmas regras, repetindo as mesmas opiniões e chamando isso de experiência.
Eu também fiz isso durante muito tempo.
Aprendi a ser aceitável.
É uma habilidade bastante valorizada.
Você aprende a medir as palavras. A esconder certas vontades. A escolher o que dizer e, principalmente, o que não dizer. Aprende a ser fácil de carregar. Fácil de entender. Fácil de amar.
É cansativo.
E ninguém entrega um certificado quando você termina.
Apenas esperam que continue.
O mundo gosta de gente previsível.
Hoje existe uma palavra nova para isso. Várias, na verdade. Há sempre alguém na internet explicando como devemos viver, envelhecer, pensar, comer, vestir, desejar e até fracassar. Os antigos chamavam isso de conselho. Agora tem nome em inglês, câmera frontal e milhares de seguidores.
Talvez eu esteja velho demais para isso.
Ou finalmente velho o suficiente.
O gato atravessou a cozinha.
Passou por mim sem qualquer cerimônia e subiu na cadeira ao lado.
Ficou olhando para a mesa.
Não parecia preocupado com a opinião de ninguém.
Pensei que talvez houvesse alguma coisa a aprender com aquele animal.
Não era a independência.
Era a ausência de necessidade de justificá-la.
Foi aí que comecei a entender uma coisa que demorei décadas para entender.
Eu passei muito tempo vivendo nas margens da minha própria vida.
Não completamente fora dela.
Isso seria fácil de perceber.
Eu estava dentro.
Trabalhava, fazia planos, cumpria obrigações, amava algumas pessoas, suportava outras. Ri quando era conveniente. Fiquei calado quando era necessário. Fiz o que precisava ser feito.
Mas havia sempre uma parte de mim sentada um pouco mais distante.
Observando.
Esperando.
Pedindo licença.
Talvez esse tenha sido o meu maior erro.
Pedir licença para existir.
Não estou falando de fazer tudo o que dá na cabeça. Isso é apenas outra forma de imaturidade.
Estou falando de não precisar transformar cada escolha em uma defesa.
De não precisar explicar por que quero determinada vida.
De não precisar reduzir minhas opiniões para que alguém não se sinta ameaçado.
De não precisar esconder minhas contradições para parecer uma pessoa coerente.
Aos 62, 63, começa a ficar estranho continuar fazendo isso.
Há uma certa falta de sentido em passar tantos anos aprendendo quem você é e, depois, gastar o resto da vida tentando convencer os outros de que não é bem assim.
O espaço nunca foi o problema.
O problema era que eu insistia em caber.
E talvez o espaço fosse pequeno demais.
Essa conclusão demorou.
Porque admitir isso também significa olhar para trás.
E olhar para trás não é sempre bonito.
Há versões minhas que eu não gostaria de encontrar novamente.
Não porque fossem ruins.
Algumas eram apenas assustadas.
Outras queriam ser aceitas.
Algumas confundiam amizade com aprovação. Amor com concessão. Educação com silêncio.
Eu fui me ajustando.
Pouco a pouco.
Até quase esquecer que ajuste demais também deforma.
O curioso é que eu não quero voltar no tempo.
Não tenho esse interesse.
A juventude tem sido superestimada desde que inventaram os espelhos.
Não quero o corpo de antes.
Não quero repetir os erros com mais energia.
Quero outra coisa.
Quero a liberdade que existia antes de eu aprender a me diminuir.
Talvez seja por isso que envelhecer possa ser um retorno.
Não uma partida.
Um retorno.
Há uma criança escondida em algum lugar desse homem que passou décadas tentando parecer adulto. Não é uma criança inocente. Essa parte já morreu algumas vezes.
É apenas aquela que ainda não sabia que precisava caber.
O gato pulou da cadeira.
Foi até a janela.
Ficou ali, olhando a rua.
Pensei que talvez ele também estivesse cansado de mim.
Seria compreensível.
Terminei o café.
A casa continuava a mesma.
A mesa.
A chaleira.
A janela.
O gato.
Nada havia mudado.
Mas alguma coisa tinha mudado.
Não era uma revelação grandiosa. Não houve música. Nenhuma luz atravessou a cozinha no momento certo. A vida não costuma ter esse tipo de educação estética.
Foi apenas uma compreensão silenciosa.
Eu podia ocupar espaço.
Sem tirar nada de ninguém.
Podia querer mais.
Sem precisar chamar isso de ambição.
Podia não querer certas coisas.
Sem precisar inventar desculpas.
Podia envelhecer sem transformar a idade em pedido de desculpas.
O corpo talvez encolhesse.
A consciência não precisava acompanhar.
Talvez fosse esse o acordo possível com o tempo.
Ele leva algumas coisas.
Eu paro de entregar outras.
Olhei novamente para o gato.
Ele continuava na janela.
Não parecia impressionado.
Ainda bem.
Talvez fosse melhor assim.
Aos 62, 63, não estou me tornando alguém novo.
Estou apenas deixando de me afastar de quem sempre fui.
Isso muda muita coisa.
Porque crescer, nessa idade, já não significa subir.
Às vezes significa ocupar.
Ocupar a própria cadeira.
A própria casa.
A própria cabeça.
A própria vida.
Sem pedir licença.
Sem pedir desculpas.
Sem precisar ser compreendido por quem passou a vida inteira confortável dentro da mesma moldura.
Talvez seja isso que ainda estou aprendendo.
Que posso viver uma vida que me caiba.
E que, se ela finalmente ficar grande demais para algumas pessoas, talvez o problema não esteja mais em mim.
Talvez seja apenas a velha margem chegando ao fim.
A chaleira estava fria.
O café também.
O gato continuava olhando pela janela.
E eu fiquei ali.
Sem pressa.
Pela primeira vez em muito tempo, não senti necessidade de diminuir nada.
Nem a voz.
Nem a vontade.
Nem o espaço.
Nem eu.
Apreende na tua
sede os teus
lábios aos meus.
Porque não
sei nem por
onde começar...
Apreende na tua
fome o meu
corpo ao teu.
Porque longe
de mim
querer me
salvar de ti.
Apreende o meu
peito bem
unido ao teu.
Em ti não
serei mais eu,
seremos
o infinito.
A Dor e o Tempo.
A dor grita alto no começo. Parece que nunca vai acabar, que vai te engolir inteira.
O tempo não apaga a dor. Ele ensina você a carregar ela de outro jeito. No início você arrasta. Depois você aprende a caminhar com ela no bolso. Um dia percebe que ela ficou menor que você.
Tempo não é remédio. É espaço. É ele que te dá fôlego pra respirar entre uma lágrima e outra, até o dia em que a saudade pesa menos que a lembrança.
Não tenha pressa de "superar". Tenha paciência de atravessar. E se hoje doer demais, lembra: isso também vai passar.
NETOS
Meu bisavô começou
Com coragem e tradição,
Plantou nome e deu exemplo
No terreiro do sertão.
Fez da honra uma bandeira,
Do trabalho uma lição.
Meu Bisavô começou,
meu Pai continuou,
minha parte Eu fiz.
Agora é você Filho que diz.
Meu avô pegou a chama
Que o tempo não apagou,
Guardou cada ensinamento
Que a família lhe deixou.
Foi ponte entre as gerações,
Nunca o rumo abandonou.
Meu Bisavô começou,
meu Pai continuou,
minha parte Eu fiz.
Agora é você Filho que diz.
Meu pai seguiu a jornada
Com firmeza e devoção,
Carregando o sobrenome
Com respeito e gratidão.
Mostrou que a verdadeira herança
Mora no bom coração.
Meu Bisavô começou,
meu Pai continuou,
minha parte Eu fiz.
Agora é você Filho que diz.
Chegou a vez deste Neto
Assumir a construção,
Erguer sonhos, criar filhos,
Cultivar a tradição.
Pois o sangue que nos une
É mais forte que o sertão.
Meu Bisavô começou,
meu Pai continuou,
minha parte Eu fiz.
Agora é você Filho que diz.
Quando nasce um Bisneto
A esperança faz morada,
É a história caminhando
Pela estrada iluminada.
Cada nome é uma semente
Na família semeada.
Meu Bisavô começou,
meu Pai continuou,
minha parte Eu fiz.
Agora é você Filho que diz.
E se vier um Trineto
Num futuro abençoado,
Vai ouvir dos mais antigos
O legado preservado.
Que um nome vale pouco
Sem caráter ao seu lado.
Meu Bisavô começou,
meu Pai continuou,
minha parte Eu fiz.
Agora é você Filho que diz.
Assim segue a corrente
Que o tempo nunca desfez,
De Bisavô para Neto,
De filho para outra vez.
Pois quem honra suas raízes
Multiplica sua altivez.
Meu Bisavô começou,
meu Pai continuou,
minha parte Eu fiz.
Agora é você Filho que diz.
FAMÍLIA VIDAL DE NEGREIROS
Das terras velhas da Europa,
Onde a História começou,
Veio um tronco de bravura
Que o destino encaminhou.
Trazendo fé e coragem,
O oceano atravessou.
Pelas rotas da aventura,
Pelo vento e pelo mar,
Entre povos e culturas
Foi seu nome semear.
Na África deixou pegadas,
Fez histórias prosperar.
Mas foi no solo brasileiro
Que ganhou dimensão,
Misturando sangue e sonhos
Com trabalho e devoção.
Fez da luta seu estandarte,
Fez da honra sua missão.
Em Pernambuco floresceu
Como um forte cajueiro,
Enfrentando tempestades
Com espírito guerreiro.
Cada filho foi guardando
O valor de um pioneiro.
Na Paraíba encontrou
Terra fértil pra crescer,
Entre engenhos e sertões
Fez raízes renascer.
E nas secas e invernias
Aprendeu a resistir e vencer.
Lá no Maranhão distante
Também fincou seu brasão,
Misturando sua história
Com a história da nação.
Fez do Norte uma morada,
Fez da terra seu chão.
Passaram-se muitas gerações,
Mudou roupa, fala e jeito,
Mas permaneceu acesa
A chama viva no peito.
Que não se mede em riqueza,
Mas em caráter perfeito.
Vieram mestres e soldados,
Lavradores e doutores,
Homens simples e honrados,
Mulheres de mil valores.
Todos regando a família
Com seus exemplos e amores.
Cada ramo dessa árvore
Tem memória pra contar,
Dos avós que abriram trilhas
Para os novos caminhar.
Mostrando que a verdadeira herança
É saber perseverar.
Hoje o tempo segue adiante,
Como rio rumo ao mar,
Mas a Família Vidal de Negreiros
Continua a navegar.
Entre passado e futuro,
Sem jamais sua essência deixar.
Que Pernambuco a celebre,
Que a Paraíba também,
Que o Maranhão reconheça
O legado que ela tem.
Pois quem honra seus ancestrais
Fortalece o que mantém.
E enquanto houver descendentes
Preservando a tradição,
Viverão os antepassados
Na memória e no coração.
Família Vidal de Negreiros,
Orgulho de uma geração.
Um poema grande morde a isca do poeta ai começa a luta pela palavra certa, o jogo é indo cansando o danado em frase aberta, dando linha pra não perder a pesca, o bruto pesa na rima — o poeta enrola o raciocínio focado na meta; o branco rabeia na mente negando a palavra: o poeta astuto solta mais linha vendo a oportunidade na água, sabe que usou isca pra grande sinestesia quem narra embarca no peso da pesca criando o gosto por frases onde tem
poesia
Leonardo Mesquita
Oportunidades são esses portais únicos, que surgem alinhando tempo, coragem e sorte. Elas aparecem uma única vez, e o que separa quem aproveita de quem fica olhando é decisão imediata. Quem hesita, observa a chance desaparecer no horizonte, e muitas vezes nunca volta.
A vida, na real, é uma sequência de momentos raros disfarçados de cotidiano. Identificar uma oportunidade exige intuição aguçada, visão clara e uma pitada de ousadia. Agarrar não é só ação física, é compromisso com o próprio futuro..É dizer: “Eu mereço, eu posso, eu faço”.
"Ofereci confiança, oportunidade e parte de mim em forma de negócio.
Era amor, era fé, era acreditar no outro.
E quem não correspondeu, quem não valorizou, mostrou apenas sua própria medida.
Não perdi nada: Só reconheci onde minha energia vale e onde não deve ser desperdiçada.
O valor não está no que dei, mas em quem sou.. Inteira, lúcida e inteira de novo."
No silêncio do abandono, existe também uma oportunidade de clareza.
Você percebe quem realmente se importa, quem respeita o espaço que você ocupa, e começa a aprender que vínculo verdadeiro não se compra com proximidade constante, mas com reciprocidade real.
É aí que a dor se transforma em força: ao invés de tentar recuperar alguém que escolheu outro caminho, você passa a se fortalecer na própria presença, na própria verdade.
"O símbolo que não fecha"
O infinito não promete.
Ele insiste.
Não tem começo, não aceita fim,
só dobra o caminho pra continuar existindo.
É o amor que não coube no tempo,
a dor que aprendeu a respirar sozinha,
o retorno eterno de quem vai
mas nunca some de verdade.
Infinito é laço, não linha reta.
É cair e voltar diferente,
errar com memória,
seguir mesmo cansada.
Não é pra sempre.
É apesar de tudo.
*Ciclo*
Quando o fim é um começo
Fim da manhã, fim da tarde
Fim da noite, fim da madrugada
E tudo recomeça
Começo do dia, começo da tarde
Começo da noite, começo da madrugada
Tudo se renova a cada fim
Assim sou eu
Perto de ti
Termino em calma
Recomeço em ti
Sou fim que espera
Sou começo que vai
Todo tempo é pouco
Quando o fim me leva
Pro teu começo
Você transforma hora em poesia. É relógio e é eternidade.
(Saul Beleza)
Há uma LUZ que sempre ...
Sempre me guia
e me ajuda a todos os dias
Re-começar ...
Toda vez que estou triste
e prestes a desabar.
Essa LUZ
eu guardo no meu coração e
carrego comigo ... em minh'alma
com o maior cuidado e adoração .
É ela quem me sustenta
me alumia
me alimenta
me carrega
quando minhas asas estão quebradas
É ela quem me cura e
me faz acreditar a nunca desistir
dos meus sonhos.
Essa luz infinita chama-se:
DEUS
e com Ele não há mal no mundo
que ouse e consiga me derrubar !
Você começa a perceber que a leitura é um caminho sem volta, quando mal desvia os olhos de um texto e se vê lendo e interpretando pessoas.
Quando, sem notar, ela começa a moldar a forma como você enxerga o mundo.
No início, os livros parecem apenas histórias, informações, curiosidades.
Mas, com o tempo, algo muda: cada página lida amplia sua lente interna.
Você já não se contenta em apenas decifrar palavras — passa a querer decifrar gestos, silêncios, intenções…
Aquilo que antes parecia simples ganha camadas, nuances, contextos.
Ler é, aos poucos, aprender a interpretar o humano.
É perceber que as pessoas, assim como os livros, carregam prefácios ocultos e capítulos inacabados.
Que as entrelinhas não estão apenas nos textos, mas nas conversas, nos olhares, nos desvios de assunto…
Os que cultivam o hábito da leitura acabam desenvolvendo um tipo raro de sensibilidade: não conseguem mais caminhar pelo mundo sem tentar enxergar as histórias escritas em cada rosto, enredos escondidos em cada atitude…
Por isso, a leitura não transforma apenas o leitor; transforma também a forma como ele se relaciona com tudo e todos.
E, depois disso, não há retorno.
Porque, uma vez que aprendemos a ler as páginas da vida, descobrimos que elas nunca acabam.
Aprendemos que cada indivíduo é uma obra aberta, cheia de prefácios ocultos e capítulos inacabados.
A Liberdade de Pensar por Conta Própria começa ao desconfiarmos das certezas que nunca deram trabalho para questioná-las.
Porque tudo aquilo que chega pronto, embalado em convicção absoluta, raramente nos convida ao esforço do pensamento — apenas à aceitação.
E aceitar sem resistência pode ser confortável, mas dificilmente é libertador.
Pensar por conta própria exige atrito: com ideias, com crenças herdadas, com narrativas que parecem sólidas demais para serem tocadas.
Há uma sedução muito silenciosa nas certezas fáceis.
Elas nos poupam tempo, nos dão senso de pertencimento e nos protegem da dúvida — essa companheira incômoda, porém essencial.
No entanto, é justamente na dúvida que o pensamento crítico ganha fôlego.
É ali, no espaço entre o que vimos e ouvimos e o que conseguimos compreender por nós mesmos, que nasce a autonomia.
Desconfiar não é negar tudo, mas recusar o papel passivo diante do que nos é apresentado.
É fazer perguntas onde só existem respostas prontas.
É suportar o desconforto de não saber, em vez de se apegar a uma segurança artificial.
Afinal, ideias que nunca foram questionadas não são necessariamente verdadeiras — apenas bem empacotadas e acomodadas.
Pensar por conta própria não nos torna imunes ao erro, mas nos torna responsáveis por ele.
E talvez seja esse o preço — e ao mesmo tempo o privilégio — da liberdade de pensar: não apenas ter opiniões, mas construí-las com consciência, revisá-las com humildade e, quando necessário, ter coragem de abandoná-las.
Porque, no fim, a verdadeira liberdade não está em ter certezas inabaláveis, mas em não ser prisioneiro delas.
Ao ver pessoas de quase 90 anos perdendo a linha nas discussões com as de quase 5, começo a desconfiar que partiremos todos desse mundo esperando o fim dele.
Talvez uma das principais ilusões da vida seja acreditar que a idade, por si só, nos entrega a serenidade.
Como se os anos fossem um depósito automático de sabedoria, paciência e compreensão.
Mas basta observar uma criança em uma birra e um idoso em uma teimosia para perceber que o tempo não apaga certas características humanas; apenas muda suas roupagens.
Há algo curiosamente semelhante entre quem está chegando e quem está se despedindo da longa estrada da existência.
Ambos enxergam o mundo a partir de suas próprias certezas.
A criança porque ainda não aprendeu que o universo não gira ao seu redor.
O idoso, porque já viu tanto que às vezes acredita não haver mais nada novo sob o sol.
Entre um e outro, surgem discussões que parecem menos sobre razão e mais sobre a dificuldade de abrir mão do próprio ponto de vista.
Talvez seja por isso que tantas gerações se encontrem na mesma reclamação: a sensação de que o mundo está acabando.
A criança sente o fim do mundo quando lhe tiram um brinquedo.
O adulto sente quando seus planos fracassam.
E o idoso sente quando os costumes que conheceu desaparecem.
Em escalas diferentes, todos experimentamos pequenas versões do apocalipse particular.
A verdade é que o mundo muito raramente acaba.
O que acaba são as versões dele que construímos dentro de nós.
Acabam as referências, os hábitos, as certezas e os cenários que aprendemos a chamar de lar.
E cada despedida dessas exige uma adaptação que nem sempre estamos dispostos a fazer.
Talvez a maturidade não esteja em deixar de esperar o fim do mundo, mas em compreender que ele termina e recomeça inúmeras vezes ao longo da vida.
E que a grande arte de viver não é impedir essas transformações, mas atravessá-las sem transformar toda divergência em batalha.
Porque, no fundo, dos quase 5 aos quase 90 anos, seguimos aprendendo a mesma lição: o mundo não precisa terminar só porque deixou de ser exatamente como gostaríamos que fosse.
Espalhe o seu melhor ao mundo, pois através dele atrairá para si oportunidades incríveis. Seja o movimento necessário para sair da estagnação e criar oportunidades. O universo apenas lhe devolverá o que emana. Não espere para manhã o que pode ser mudado Hoje.
Existem três questões:
Onde você Esta ? Aqui .
Que Horas São ? Agora .
Quem é você ? Este Momento!
Inspirado no Filme : Poder Além da Vida
*O RELÓGIO QUE VOLTOU A ANDAR*
A chuva começou antes do almoço e, por algum motivo, resolveu ficar.
Não era uma chuva forte. Era pior. Daquelas que molham a cidade por horas sem produzir nenhum acontecimento digno de nota. O céu baixo, as janelas fechadas, o frio entrando pelas frestas. Um dia feito para não sair de casa.
Meu bourbon tinha acabado na noite anterior.
Considerei sair para comprar outra garrafa. Cheguei a procurar as chaves. Depois olhei pela janela e achei que morrer de frio por uma garrafa de bourbon seria uma maneira muito idiota de continuar vivo.
Deixei as chaves sobre a mesa.
Foi quando a energia acabou.
A casa ficou quieta de uma maneira diferente. A geladeira parou, o computador apagou, o relógio da cozinha perdeu os números vermelhos. Até a chuva pareceu mais próxima.
Acendi uma vela.
O cheiro da parafina tomou conta da sala quase imediatamente. Nunca entendi por que velas têm cheiro de coisa velha. Talvez porque geralmente só as acendemos quando alguma coisa deu errado.
O gato apareceu no corredor, olhou para a vela e depois para mim.
— Não fui eu.
Ele ficou me olhando mais alguns segundos.
Talvez estivesse tentando decidir se acreditava.
Ou talvez estivesse apenas esperando a hora da comida.
Abri uma das caixas empilhadas no armário.
Eu vinha adiando aquilo havia meses. Dentro havia documentos antigos, fotografias, recibos, cartas, cartões de visita de gente que provavelmente já tinha mudado de telefone três vezes ou morrido. Era impressionante a quantidade de papel necessária para provar que uma pessoa existiu.
Comecei pelos documentos.
Certidões.
Contratos.
Papéis de bancos que já nem existem.
Depois encontrei fotografias.
Uma delas me pegou desprevenido.
Eu estava mais jovem, numa praia que não reconheci de imediato. Havia outras pessoas na fotografia. Algumas eu lembrava. Outras não.
Fiquei olhando meu próprio rosto durante um tempo.
Não gostei muito do sujeito.
Parecia confiante.
Isso me incomodou.
Eu não me lembrava de ter sido tão confiante.
Talvez eu apenas tivesse aprendido a posar.
Continuei remexendo na caixa.
Encontrei um relógio de pulso.
Eu o reconheci.
Era meu.
Coloquei-o sobre a mesa.
O relógio estava parado havia anos. A pulseira estava ressecada e o vidro tinha um risco atravessando o mostrador.
Aproximei-o do ouvido.
Nada.
Era estranho escutar o silêncio de um relógio.
Pensei em quantas coisas param sem que ninguém perceba.
Depois achei a velha chave de dar corda.
Ainda estava junto dele.
Dei algumas voltas.
O ponteiro dos segundos começou a andar.
Tic.
Tic.
Tic.
O gato levantou a cabeça.
Olhou para o relógio.
Depois voltou a deitar.
Eu ri sozinho.
Aquele animal tinha um talento irritante para não se impressionar com as coisas certas.
Fiquei sentado no chão, cercado por fotografias e papéis.
Foi aí que percebi que eu tinha passado boa parte da vida tentando guardar provas de que certas coisas aconteceram.
Fotografias para lembrar de pessoas.
Documentos para provar acontecimentos.
Cartas para conservar frases que alguém havia escrito quando ainda queria que eu as conservasse.
Como se a memória fosse uma repartição pública e, sem carimbo, nada tivesse validade.
Peguei uma fotografia.
Naquela época eu ainda achava que tinha tempo.
Não muito.
Mas algum.
É uma diferença importante.
A gente não percebe quando passa a contar a vida de outro jeito. Primeiro pensa em anos. Depois começa a pensar em coisas que ainda dá para fazer. Depois em coisas que talvez não valha mais a pena fazer.
E então surgem os pequenos acordos.
Não vou hoje.
Amanhã eu vejo.
Depois eu compro.
Depois eu telefono.
Depois eu arrumo.
Depois eu saio.
Depois.
Essa palavra tem uma capacidade impressionante de ocupar uma vida inteira.
O relógio continuava fazendo seu trabalho sobre a mesa.
Eu não.
Pelo menos naquele momento.
Eu estava sentado no chão de uma sala fria, com fome, sem bourbon, ouvindo a chuva e um relógio que eu tinha esquecido que existia.
O gato levantou, atravessou a sala e parou diante da janela.
Ficou ali olhando a chuva.
Pensei que talvez ele soubesse alguma coisa sobre permanecer.
Logo depois percebi que aquilo era apenas mais uma das minhas maneiras de transformar um gato em personagem da minha cabeça.
Ele provavelmente estava olhando um pássaro.
Ou querendo sair.
Ou pensando em comida.
Talvez não estivesse pensando em nada.
Essa última hipótese me pareceu bastante ofensiva.
E útil.
Voltei às fotografias.
Uma delas tinha uma dobra no meio.
Passei o dedo sobre ela, tentando alisá-la.
Não adiantou.
Deixei assim.
Durante muito tempo achei que continuar fosse uma espécie de vitória.
Hoje não sei.
Também não sei se é esperança.
Nunca fui muito bom com essa palavra.
Às vezes continuar é apenas aquilo que acontece quando você ainda não parou.
Você acorda porque o corpo acorda.
Faz café porque sempre fez.
Atende o telefone porque ele tocou.
Paga uma conta porque alguém inventou a conta.
Alimenta o gato porque, aparentemente, o gato não está disposto a participar das suas crises existenciais.
E isso vai formando uma espécie de rotina sem discurso.
Talvez seja pouco.
Naquele dia, foi o que eu tinha.
A energia voltou no começo da noite.
A geladeira ligou.
O computador acendeu.
O relógio da cozinha voltou aos números vermelhos.
A casa recuperou seus pequenos ruídos.
Eu poderia ter ligado a televisão.
Não liguei.
Fiquei ouvindo o relógio de pulso.
Tic.
Tic.
Tic.
O gato dormia no sofá.
Guardei os documentos de volta na caixa.
As fotografias, não.
Deixei algumas sobre a mesa.
Não por nostalgia.
Ou pelo menos foi isso que disse a mim mesmo.
Depois fui até a cozinha.
Abri a torneira.
Bebi água.
Não era bourbon.
Mas era água.
Voltei para a sala.
O relógio continuava andando.
Dessa vez não o tirei do ouvido.
Fiquei apenas escutando.
E, naquela noite, pela primeira vez em algum tempo, não tive pressa nenhuma de fazê-lo parar.
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