Textos eu Preciso

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Eu engoli as palavras
Na minha barriga fez um nó
Se eu não nasci para isso, não sei quem foi
Olha, eu vejo bem esses olhos
Sei que estão chegando ao fim
Olha eu não sou daqui, também não sei de onde vim
Consegui uma casa, um trabalho, um amor
E posso me orgulhar
Mas minha alma, mesmo grata, as noites quer voar
Eu amo você, não teria para onde de ir
Além de onde a mente pode me levar
E a loucura que é viver a vida
Como um do sonho
Por um sonho
Eu vi em cada poro a gota de suor
Eu senti nas curvas do seu rosto cada milagre
Mas não há nada que se possa provar
Como eu não vou enlouquecer?
Como eu não vou enlouquecer?
Me dê forças ao menos para parecer normal
Pois já demoli os muros do que pode ser real
Não tenho mais nada que se possa provar
Eu não sou nada que se possa provar
Nem mesmo minha fé, nem mesmo eu
Eu nem sei o que sou
Ou se existo
Nem sei o gosto do meu lábio
Eu só sei que vou seguir em frente
Custe o que custar
E camuflar minha loucura
Que me consome
Que me mata e me dá vida
Enquanto eu respirar.

Às vezes acho que sou louca,
Às vezes tenho certeza.
Seriam loucos os outros?
Quem sou eu na correnteza?
Por favor, Entre no meu coração e veja!
Por favor, Exista e me compreenda.
Esse mar dentro de mim,
Quero bem que Tu vejas.
Onda após onda, enquanto eu respirar.
Nunca cessa, nuca para.
Eu não tenho descanso
Mas eu sou como o mar...
Mesmo que não nos encontremos
Me repara!
Há espuma em mim
Quando vem a noite a maré sobe
Transbordo em lágrimas
Minha boca salga
Eu sou ressaca
Se parece impossível dentro de mim ter mar, vos confirmo: me afoga e me traga...
Da mesma forma espero em Ti,
Que sem olhos, veja minhas águas
Eu só sei chorar e sentir
Menos que as pedras, sou temporária...
Se Tu não existir
Quem entenderá minha dor?
De a parte todo amor, não sermos nada...
Te compreendi pelo limbo das folhas e todas flores brotadas
Após a morte, não precisa haver mais nada!
Mas como poderei eu ter existido
Sem que Tu tivestes visto minha praia?
Habite meu coração, o sinta e estarei salva
Mesmo que nunca nos encontramos além dessa jornada.
Exista; quero ser para Ti como as flores e a praia.


Assim, tão triste sem razão
Estou farta de mim
Eu maltrato meu coração
Ao sofrer pelo bem que eu tentei
Nem vi, todo mal que há em mim
Ao querer impor um fim
Ao meu Bel prazer
Fujo tão covarde do meu sonho
Com medo de me soltar
O que vão pensar de mim?
A verdade, é que eu não desisti
Ainda creio conseguir
Bem alto cantar pra Ti
E para mim
Pois sei, hoje estou a merecer
Por tudo que já lutei
Pelo amor que eu senti
Agora, é hora de lutar por mim
Pois eu vou chegar ao fim
Como a chuva que passou
As vidas, são luzinhas a piscar
Ao acender e apagar
Tão fugazes no além
Mesmo sendo somente um piscão
Brilhar sempre é minha ambição
Através da minha voz
Pelo bem e pelo mal que há em mim
Por tudo que eu sofri
Me rebaixando a solidão
Por não ter quem me escutar
Quem em mim a acreditar
Pelo que simplesmente sou
Um artista, como um Deus deve ser belo
Grandioso e eterno
Pra servir de inspiração
Agora, eu preciso de Você
Pois estou a envelhecer
Quem olhará uma murcha flor?
Se, eu não me dou descanso
É pois eu ainda sonho
Em cantar com o coração.

Passei minha vida a sonhar...
Sonhei muito mais do que eu seria
Fui muito menos do que vislumbrei
Concreto em mim, é somente a poesia,
Que dá serventia às minhas noites sem dormir.


Deus, minha maior ambição é Tu existires
E compreenderes a mim...
E guardar todo amor que senti em uma caixinha no Teu infinito,
Para que, pelo menos pra Ti, eu não deixe de existir.


Coisas belas no mundo, tantas belezas eu vi,
Mas, muitas vezes, não fui enxergada e ouvida...
Não ao menos sendo eu: Natali...


Um coração que queria amar, criar e dar o melhor de si...
Mas um coração, nesse mundo, não é nada...
Por isso, espero em Ti.


Sonhei muito mais do que fui,
Mas, mesmo sendo apenas uma sonhadora,
Eu fui real e leal à verdade que há em mim.

Lá vou eu extravasar as elucubrações contidas em meu peito, liberar as vozes presas dentro de minha cabeça. Ando saturado das pessoas — de suas manifestações, pensamentos, conceitos e atitudes. Às vezes penso que, com o passar do tempo, seja natural que, ao envelhecermos, passemos a ser mais críticos, menos tolerantes, mais… chatos. Era assim que eu via as pessoas mais velhas: chatas. Aborrecidas, amargas, de mau com a vida.


Talvez não seja nada disso. Talvez apenas carreguemos, com o tempo, uma bagagem mais objetiva e clara — e, paradoxalmente, mais abrangente e diversa. E talvez isso pese mais do que imaginávamos.


Percebo — e sei que não estou fora disso — que as pessoas, de modo geral, andam excessivamente superficiais e egocêntricas. Isso ultrapassa o limite do suportável para quem já enxerga o Mundo e a Vida por um prisma um pouco mais ajustado, ainda que longe de ideal. Posso estar enganado. Posso estar cansado. Ou ambos.


Pode ser que isso se deva aos meios que existem hoje para as pessoas - ao menos teoricamente - se comunicarem. Mas ao invés de fazerem uma troca, parece que querem apenas monologar. Parece que todos se julgam os Escolhidos, os Iluminados aos quais todos (todos, sem exceção - na cabeça delas) querem ouvir, querem saber sobre, querem aprender com.


Nem mesmo na minha fase de professor, quando me era atribuída alguma “autoridade” para ser ouvido e respeitado, eu me sentia dono da verdade. Sempre questionei o que ensinava. Sempre tentei plantar a dúvida no terreno do meu próprio conhecimento, então ainda bastante limitado. Hoje, consciente de que sei mais do que sabia naquela época, sei também — como Sócrates — que nada sei. E que do Universo nada saberei no dia em que não mais for.


Vejo gente despejando pela boca a própria ignorância, temperada com soberba, arrogância e autodeslumbramento. E reconheço: em certos dias, temo fazer o mesmo. O amor ao próximo — desde que não esteja tão próximo — parece ter sido substituído pelo amor-próprio superlativo. A opinião virou espetáculo. Quem dá palco, muitas vezes, o faz apenas para atirar tomates depois. Não para ouvir, mas para se validar. Para se sentir maior.


Vejo isso em todas as searas: pessoal, social, moral, política, comportamental. Todos são autoridade no que fazem, mesmo sem formação. Todos estão por cima da carne seca, mesmo enfrentando a própria precariedade cotidiana. Todos se declaram impolutos, ainda que cultivem preconceitos íntimos. Todos são “do bem”, desde que o político de estimação do outro seja, invariavelmente, um bandido.


Talvez eu esteja cansado. Cansado de ver gente tentando convencer os outros a abraçarem sua religião, sua sexualidade, sua visão política, seus hobbies. Não me obriguem a acreditar em deus. Não me obriguem a ser quem não quero ser. Não me obriguem a votar em quem cujas botas vocês escolhem lamber. Não me obriguem a gostar do seu estilo musical preferido.


Se as pessoas parassem de bater bumbo para doido dançar, talvez tudo isso pudesse perder força. Talvez não resolvesse. Mas, quem sabe, voltasse a ser minimamente suportável. Para todos.

⁠Eu odeio o amor.

Odeio como os seus olhos brilham e me encantam... ao mesmo tempo ofuscam a sua alma de mim.
Odeio quando você diz que me ama, mas que não me quer... fazendo-me te esperar por toda a minha vida.
Odeio como, mesmo de maneira inconsciente, vivo pensando em você... o que me faz sonhar acordado.
Odeio que, depois de 14 anos, você tenha dito que ainda me ama... já que desperdiçou os melhores anos da minha juventude.
Odeio que você esteja tatuada na minha pele... externando o que há muito está tatuado na minha mente e no meu coração.
Odeio como magoo as demais mulheres... só por não poder e não querer te esquecer.
Odeio quando você me liga... só pra dizer que não quer mais falar comigo.
Odeio que você nunca me esqueça... mas diga que não quer ter um vínculo eterno comigo.
Odeio que você tenha vindo me ver e me beijado... me deixando novamente apaixonado.
Sobretudo, odeio não conseguir te odiar nem por um segundo... embora seja um misto de amor e dor, eu ainda TE AMO! ❤️💔

Quando eu gosto, eu gosto de verdade.
Quando eu quero, eu faço acontecer.
Mas pra fazer acontecer, eu preciso sentir que do outro lado também existe vontade, presença e reciprocidade.
Não me basta ser usada.
Palavras ferem.
Sentimentos são sentidos.
Não dá pra apagar o que marcou, como se apagam palavras ditas ao vento.
Nem mesmo aquelas palavras duras que um dia fomos obrigados a escutar.
Mas podemos contorná-las, transformá-las em lição, e seguir mais fortes do que antes.
E sobre sonhos…
Não é que eu sonhe alto demais.
É que eu sempre fui uma pessoa de muita fé.
Eu acredito no impossível de Deus.
Então, quando alguém me diz que eu não sou capaz — mesmo sem usar essas palavras —
é como cortar as asas de um pássaro que sabe cantar
e trancá-lo numa gaiola.
Sonhos são movimento.
São o que nos levanta todos os dias.
E sobre o amor…
O amor é uma construção que não precisa ser dura.
Não é civil, é sensível.
Amar deve ser leve.
Os passos precisam ser sentidos, não forçados.
Sonhos e amores só sobrevivem
quando existem pessoas que acreditam de verdade
e carregam dentro de si o poder de fazer acontecer.
Fora disso, não passam de palavras bonitas
guardadas numa gaveta qualquer.
Às vezes nos tornamos rebeldes
não por quem somos,
mas pelo que recebemos.
Nos doamos tanto a alguém
que sequer é capaz de nos enxergar.
Eu quero ser vida na vida de alguém,
mas que seja recíproco.
Que juntos possamos atravessar pontes
e subir, lado a lado,
as escadas do sucesso.
Ninguém nasceu pra ser só.
E ninguém nasceu pra ser pó.
Deste mundo não levaremos nada,
mas que sejamos tudo aquilo
que não levaremos.
E que nunca nos falte fé
para acreditar
que ainda existem amores e sonhos
que valem a pena lutar.


- Uma carta para o meu Hoje.

Estou feliz com as minhas conquistas e, muitas vezes, paro para refletir: se eu não tivesse TDAH, se não tivesse me casado, se meu pai não tivesse falecido, se meus acertos tivessem sido maiores do que os meus erros… eu ainda seria a mesma pessoa?

Talvez não. Porque cada limite me obrigou a criar força, cada perda me ensinou profundidade e cada erro me deu consciência. O que sou hoje não nasceu do caminho ideal, mas do caminho possível, e foi nele que aprendi a sustentar quem me tornei.

Amém.

Se ela não se importa comigo, tudo bem.
Eu não vou mendigar atenção, nem implorar por migalhas de afeto.
Eu sigo, me doando o meu melhor agora, para mim.


Quem não reconhece meu valor não merece meu desgaste.
Meu tempo minha energia e, meu coração é precioso demais para ser desperdiçado, para em quem não sabe cuidar.


Eu escolho me levantar, me olhar no espelho e enxergar a força, que sempre esteve aqui.
Eu escolho ser fiel a mim mesmo, porque ninguém pode me dar aquilo que eu mesmo posso construir: respeito, amor-próprio e dignidade.


Se ela não está nem aí, eu estou.
Estou aqui, firme, vivendo, crescendo e me tornando cada vez mais forte.

Eu não sei por que me permito ser tão usada por você.
Dói, e não dói de um jeito humano, doi como se ferisse minha alma
Eu queria muito que você fosse diferente, sinceramente nem eu me reconheço mais do seu lado
Eu te amo ao ponto de não querer ir embora, mas ainda sim sentindo uma dor absurda toda vez que eu fico.
É absurdo, sinceramente... Foi a última vez.

Eu deixo a moralidade para putas e ladrões.
Ontem mesmo eu estava com a solidão, essa velha cafetina da alma, me levou ao quarto de uma meretriz. Não tinha dinheiro, mas paguei com um relógio que encontrei no próprio prostíbulo; o tempo ali não pertence a ninguém.


Deixo a moralidade para os alcoólatras e os viciados em jogos, que fazem sermões com o copo na mão e roletas no bolso. Eu, por mim, não gosto nem de álcool nem de jogos, então só jogo quando bebo, e só bebo quando me percebo vivo.


Deixo a moralidade para os que se afogam na em águas rasas.
Eu prefiro os pecados honestos, as mentiras sinceras e as verdades que se contam em um beijo na boca.

Ao primeiro coração que se alimentou da minha natureza, eu lhe dou tal alcunha:


Os fogos que reproduzi em teu peito,
saiba que não se originaram da minha vontade,
mas de um desejo sórdido, do qual fui marionete de impulsos.


Ao final do vosso nome, eu fui vilão,
mas, para os nascidos após aqui, serei herói.


Não pude caminhar em teus ombros,
contudo, fui capaz de sentir a chuva de quem te amou.


E, sem dúvidas, foram sonhos, enquanto fingíamos dormir.

Pausa…

Queria que o tempo pudesse parar.
Só para eu conseguir contemplar
e desvendar cada detalhe seu.

Na verdade, não sei se isso seria
uma boa ideia.

Afinal, quanto tempo eu levaria
na profundidade do seu olhar,
se pelos olhos começasse?

Que olhar.

Só de pensar, já me perdi.
E o tempo…
já não me importa.

SIMPLESMENTE EU.

Quando a emoção toma conta não dá pra segurar, as palavras vêm com força tamanha, estranha, incontroláveis. Neste momento uma avalanche de frases interrogativas, imperativas, exclamativas e conclusivas formam um turbilhão em minha mente e o caminho mais certo é falar. Não há princípios para o certo, incerto, coberto, descoberto e no brilho dos teus olhos busco respostas, justificativas e o que vale é jogo aberto.

⁠Mãe
Desde do dia em que se foi minha vida não é mais a mesma, tudo perdeu o sentindo, eu não sei como seguir, eu tô só vivendo, levando a vida como Deus quer.
Eu tô sozinha, sempre me sentia só, mas hj eu realmente tô sozinha.
Ninguém pergunta por mim, ninguém liga pra saber como eu tô, se estou bem o elo acabou.
Meu único motivo de está aqui ainda nesse mundo é a Laura é por ela que eu ainda insisto em viver.
Talvez só ela que me ame e por ela continuo aqui.

Eu passei toda a minha vida com medo.
Medo do que podia acontecer... e podia ou não acontecer.
Eu passei 50 anos assim.
Ficava acordado até três horas da manhã.
Mas quer saber?
Desde o meu diagnóstico, eu consigo dormir bem.
Eu percebi que esse medo era o pior de tudo.
O medo é o inimigo real.
Então levanta.
Vá pro mundo real.
E bata naquele desgraçado o mais forte que puder, bem nos dentes dele.

(Walter White)

Aqui


No pé da serra eu construí o meu barraco
Fugi da correria,
Da selva
De concreto e cimento armado,
De valores forjados,
Onde animais indomados se corroem,
Se autodestroem
E morrem aos poucos.


No pé da serra eu vou viver em harmonia
Vou ver brotar a luz do dia,
Sem cortina de fumaça,
Sem medo de arruaça,
Sem essa de internacionalizar.


Aqui o viver é bem melhor,
Os animais se respeitam,
Não respeitam horários
Nem têm regras para seguir.


Aqui tem cheiro de mato,
Flor no regato,
Tem lírio e colibri.
Aqui tem vida, sim.
A língua falada é o viver,
Viver melhor,
Viver melhor.


Aqui não tem televisão,
Nem globalização,
Morte no asfalto,
Mãos para o alto,
“Isso é um assalto”,
Dá-me o teu dinheiro e a tua roupa,
És um prisioneiro nessa vida louca,
Na selva,
De concreto e cimento armado,
De valores forjados,
Vive condenado a vegetar.


Marcos Decliê

⁠És o centro gravitacional do meu mundo, a razão pela qual os meses passam e eu sigo com esperança de tocá-la novamente, ainda que respeitosamente, a menos que me peça para ser mais...


Peço-lhe que não apague a fusão nuclear que vive em seu peito por mim. Aguardarei como Plutão: mesmo distante, esperançoso por qualquer resquício de seu calor e brilho, para ainda ser considerado planeta — e eu, o seu amor.

NÃO QUERO SER FÓSSIL VIVO
Eu me sento à beira do mar quando o sol ainda é promessa de luz. As ondas
vêm e vão sem perguntar se hoje me sinto disposto ou cansado, sem
perguntar se meu cabelo já é quase todo branco. Elas apenas chegam com a
mesma certeza de quem sabe seu lugar no mundo. Eu respiro fundo, e esse
ar gasto em todas as estações da vida me lembra de que, aos 80 anos, ainda
posso, sim, surfar a próxima onda.
E, nessas reflexões, me lembro também do dia em que comecei a pensar em
hormônios não como uma força do passado, mas como aliados do presente.
Certa manhã, enquanto fazia alongamentos, reparei que meu corpo reagia
diferente: as articulações falavam, a pele parecia pedir mais cuidado e, de
repente, descobri que o cortisol não precisava ser meu inimigo. Foi como
descobrir um velho amigo guardado em caixas de memórias, esperando para
me ajudar a encarar cada amanhecer com vigor. A cada dose de testosterona
que tomo, sinto não só o vigor físico, mas um frescor quase infantil de quem
redescobre o sabor de correr no parque, de sentir o vento bater no rosto. E
por que não correr? Meus ossos podem chiar, minhas costas podem
reclamar, mas meu coração ainda quer bater forte quando vejo o horizonte
se acender de laranja. Quero ver o sol despontar atrás das nuvens e também
contemplar a escuridão sem hora para acabar, porque a noite me lembra de
que há beleza nos mistérios, na imensidão da lua refletida na água escura.
Se alguém me chama de “velho”, não me ofendo: sou antigo como o oceano,
mas não sou “fóssil vivo”.
Aliás, já desenterrei esse termo do meu vocabulário — prefiro
“testemunha ativa”. Porque testemunhar, para mim, é participar: é pedalar,
é jogar basquetebol que amo e sempre amarei, é nadar, é jogar bola com os
netos que me vencem em agilidade, mas não me vencem em vontade de
viver.
Há dias em que a dor sussurra mais alto. A cada passada no asfalto ou a cada
curva do caminho, meu corpo lembra que o tempo deixou suas marcas. Mas
a dor, se bem entendida, não é sentença; é lembrete de que ainda estou
aqui, pulsando. Mesmo sentindo cada vértebra reclamar, descubro que
posso transformar essa dor em impulso para seguir adiante. É como se ela
fosse o vento que empurra minhas velas: incômoda, sim, mas necessária
para manter o barco em movimento.
Meus amigos dizem: “Quando a gente chegar à terceira idade, vêm a poeira
e a apatia”. Eu só sorrio e respondo com os olhos brilhando: “Terceira idade?
Estou criando turbinas” porque, no fundo, estarei sempre aqui.

Manual de sobrevivência da tartaruga (que eu não segui)


Existe um jeito muito eficiente de viver bastante: não fazer nada.
Movimente-se pouco, evite impactos, não salte, não corra, não jogue basquete , de preferência, observe a vida sentado. Funciona. Dizem que a tartaruga vive duzentos anos.
Eu tentei. Não consegui nem dez minutos.
Enquanto alguns contam passos, eu conto arremessos. Enquanto uns dormem oito horas religiosamente, eu durmo seis e acordo com vontade de viver. O joelho range? Range. A cartilagem acabou? Acabou. Mas a alegria segue intacta , essa, curiosamente, não aparece em radiografia.
Há quem me pergunte se vale a pena. Vale.
Vale o salto, vale o tombo, vale a dor do dia seguinte e vale, principalmente, a sensação de estar vivo enquanto ainda dá tempo.
Todos nós vamos morrer. Uns chegam lá conservados, outros chegam usados. Eu prefiro usado , com marcas de quadra, suor seco na camisa e histórias que não cabem no prontuário médico.
A tartaruga pode até viver mais. Eu não discuto com estatísticas.
Mas enquanto ela atravessa a rua em câmera lenta, eu atravesso a vida correndo, sorrindo e, se possível, tentando mais uma bola de três.
No fim das contas, a vida é uma só.
E eu escolhi não passá-la dentro do casco.