Textos eu Preciso
Se você fosse poema, eu te recitava;
Se você fosse o vento, sentiria sua brisa;
Se você fosse um avião, faria você decolar e pousar em segurança;
Se você fosse um deserto, te regaria até que brotassem flores;
E se você estivesse perdida, te encontraria pelo dia e pela noite.
Você é como uma rosa, é preciso olhar além dos espinhos para enxergar toda sua beleza.
Meio que feliz
Eu amo escrever
e derramar minha alma
em tudo que sei e tudo que sinto,
mas a necessidade diminui
quando as peças se encaixam
quando o dia termina
e o mundo simplesmente funciona
e eu sou tão grato, sem um fardo para escrever.
Porque eu estou contente com
alguma aparência de felicidade
com a paz que encontrei
em deixá-la ir,
deixando o passado no passado,
deixando os outros se controlarem,
deixando as coisas funcionarem,
deixando as coisas caírem pelas rachaduras,
deixando o espaço tomar seu tempo,
deixando os momentos passarem,
deixando o mundo girar
deixando as ondas rolarem
deixando as nuvens flutuarem
deixando a chuva cair,
deixando o sol brilhar,
deixando-me ser eu mesmo
em todas as minhas glórias
e todos os meus fracassos
Era hora de ser diferente
de todo aquela tristeza
e ainda estou tentando encontrar o
que mudou em mim
para mudar minha vida
e agora eu sei que é um lindo dia
para falar sobre coisas bonitas
através das palavras que eu crio
neste lindo sentimento
que eu chamo de meu próprio poema
é hora de eu escrever um
que tem um pouco de edificante
para me lembrar de mantê-lo apenas por hoje
com promessa para amanhã.
-Raio de Sol
Vou ser direto, já rindo: eu não me importo com os problemas alheios. Kjkjkjkkj. Não é falta de coração, é falta de espaço mental mesmo. Minha cabeça já parece um quarto bagunçado, se eu colocar mais tralha emocional dos outros ali dentro, desaba tudo. Kakakakakaka.
Tem gente que chega contando problema como se eu tivesse assinado um contrato invisível. A pessoa senta, suspira fundo e começa: “porque veja bem…”. Quando eu percebo, já tô ouvindo uma história que começou antes de eu nascer. Eu balanço a cabeça, faço cara de interessado, mas por dentro tô assim: ksksksksks, será que isso acaba hoje?
E não falha: é sempre o mesmo pessoal. Os que reclamam, recebem conselho, ignoram, fazem exatamente o contrário e depois voltam indignados. “Não sei por que isso aconteceu comigo.” Kjkjkjkkj, realmente, um mistério digno de investigação científica.
Tem também os dramáticos profissionais. Tudo é o fim do mundo. Um atraso vira tragédia, uma mensagem sem resposta vira abandono emocional. Eu escuto e penso: calma, protagonista, isso não é série da Netflix. Kakakakakaka
No fundo, eu só aprendi que cada um tem seu caos particular. O meu já me ocupa tempo demais. Meus problemas rendem reflexão, meme, crise leve e risada nervosa. Se eu for adotar os dos outros, vou precisar de um HD externo emocional. Ksksksksks.
— Cyrox
Aqui e lá
Era início de noite na praia em que eu sempre passeava com minha esposa.
Praticamente calados, muito pouco conversávamos. Tínhamos bons empregos, carros, apartamentos, enfim, uma excelente condição financeira. Porém algo estava faltando. Eu caminhava com ela todos os fins de tarde, naquela mesma praia, e observava um casal que parecia ter pouco mais de 60 primaveras. Pareciam duas crianças brincando com a areia, abraçados, contando as ondas do mar, admirando as estrelas em meio aos abraços, cafunés e beijinhos que pareciam roubados ao seguirem sorrisos indescritíveis. Todos os dias eles ali estavam, sorrindo, cantando, festejando uma alegria que eu não conseguia explicar, visto que viviam em condições não muito favoráveis de se viver. Eram extremamente humildes. Moravam em um quartinho que fizeram de casa, com sala, cozinha e banheiro em poucos metros quadrados. Nunca soube se tiveram filhos e se estes deram-lhe netos. Mas eram tão felizes...
Não aguentando-me de curiosidade, certo dia ao andar por essa mesma praia, questionei-o:
- Sr., por favor, poderia responder-me a uma pergunta?
- Claro, meu jovem. Se estiver ao meu alcance, o farei com todo prazer.
Enquanto eu olhava para a senhora dele sentada na areia de frente para o mar, fiz a pergunta que angustiava-me há algum tempo:
- Olha, eu tenho carros, apartamentos, ótimo emprego, uma mulher linda, mas sinto que falta algo em minha vida. O que está faltando eu só consigo encontrar ao ver seu relacionamento com sua senhora. Qual é o segredo de tanta alegria e entusiasmo após décadas de relacionamento?
-Meu jovem, o segredo está em valorizar as coisas mais simples da vida. Um sorriso, uma palavra, um gesto. A partir do momento que tornamos isso mais importante do que tudo que o dinheiro pode comprar, passamos a ter aquilo que nenhuma quantia poderá pagar, que é o mais importante da vida. E isso, jovem, é o que realmente levamos daqui. Tivemos 6 filhos e com todas as dificuldades em nosso caminho, estão todos formados e trabalhando. Já temos alguns netos e sou muito grato a Deus por tudo! Passamos por muitos momentos difíceis, mas com fé e amor superamos tudo!
Ao virar o rosto para falar com este Sr., ele não encontrava-se mais ali. Nessa mesma hora, chegou minha esposa para contar-me do falecimento destes dois senhores, em sua humilde moradia, há algumas horas.
Faleceram abraçados, como não poderia deixar de ser, pouco antes de meu questionamento a ele.
Surpreso, apenas olhei para o local onde eles costumavam ficar, sentados, admirando um ao outro como dois eternos jovens amantes. Na areia havia um coração em que dentro dele estava escrito: "aqui e lá sempre vou te amar".
Assim que o mar apagou os dizeres, lá estavam eles, sumindo lentamente ao caminhar em direção ao lá com o mesmo amor, carinho, respeito e simplicidade que tiveram aqui.
Se tem uma coisa que eu, com meus gloriosos 19 anos, tenho de sobra são problemas pessoais e medos completamente desnecessários. Alguns até fazem sentido, outros claramente nasceram às três da manhã, quando a mente decide trabalhar contra você.
Eu tenho medo do futuro, por exemplo. Não do futuro distante, tipo velhinho alimentando pombos. Tenho medo do futuro próximo mesmo, daquele “e agora?”. Medo de não dar certo, de escolher errado, de olhar pra trás e pensar “era pra eu ter feito diferente”. Ao mesmo tempo, morro de medo de ficar parado. Ou seja, tenho medo de ir e medo de não ir. Coerência passou longe.
Também tenho o incrível talento de transformar pequenos problemas em grandes dramas internos. Uma mensagem sem resposta vira um filme de suspense. Um “a gente conversa depois” vira uma série de 12 temporadas na minha cabeça. E o pior é que, na maioria das vezes, não acontece absolutamente nada. Mas tenta explicar isso pro meu cérebro.
Tenho medo de não ser suficiente. Suficiente pra mim, pros outros, pra quem eu gosto. Medo de decepcionar, de falhar, de parecer perdido demais. O detalhe engraçado é que eu já estou perdido, então talvez esse medo seja só medo de confirmar o óbvio.
Financeiramente, finjo que sou tranquilo, mas qualquer conversa sobre dinheiro me dá vontade de rir de nervoso. Faço piada, brinco, digo “uma hora dá certo”, enquanto mentalmente calculo quantos anos vou levar pra ser minimamente estável. Spoiler: muitos.
Também tenho problemas com o famoso “pensar demais”. Penso tanto que canso. Penso no que falei, no que não falei, no que poderia ter falado melhor. Às vezes penso tanto que esqueço de viver. Outras vezes penso tanto que acabo rindo da situação, porque se não rir, dá vontade de deitar no chão e fingir que virei um tapete.
Mas nem tudo é drama. Eu rio dos meus próprios medos. Faço piada com minhas inseguranças. Brinco com o caos interno como se fosse um amigo inconveniente que aparece sem avisar. Afinal, se eu não rir de mim, quem vai?
No fim, meus problemas e medos andam comigo, mas não mandam em mim o tempo todo. Sou um jovem de 19 anos tentando entender a vida, errando bastante, acertando às vezes, e rindo sempre que dá. Porque se tem algo que eu aprendi cedo é que crescer é assustador, confuso… e absurdamente engraçado, se você olhar do jeito certo.
— Cyrox
São os últimos dias de 2025 e, acima de tudo, eu vibro gratidão. Não foi um ano perfeito, mas foi um ano vivo, intenso, verdadeiro. Foram muitos os motivos para agradecer a Deus. Eu sinto gratidão, alívio, expectativa e fé. Aprendi muito. Aprendi a acreditar mais em mim, a respeitar meus limites, a lidar melhor com aquilo que não depende das minhas mãos. Aprendi a não absorver o que não agrega e a me afastar, com serenidade, do que me diminuía. Enfrentei medos e angústias, olhei para dores antigas e, mesmo machucada, segui em frente. Rompi padrões negativos, encerrei ciclos que já não me cabiam e iniciei outros, ainda em construção, mas cheios de esperança. Chorei meus problemas e também sorri minhas vitórias. Cai e levantei. Perdi e ganhei. E, em tudo, Deus esteve comigo. Hoje, meu coração bate com força de fé e gratidão. Eu creio em um fechar de ano com chave de ouro. Creio em um novo ano como o ano da virada, da grande virada, na qual eu me escolho com mais coragem, me acolho com mais carinho e sigo com mais confiança no que Deus prepara para mim.
Que venha o novo. Eu estou aqui: inteira, grata e em paz com o que deixo e com o que começo.
Josy Maria 30/12/2025
Frases, textos e citações by Josy Maria
MANIFESTO CONTRA A HIPOCRISIA.
Eu vim esclarecer o ódio, desgosto e principalmente nojo que sinto por festas "modernas". Não sou alguém muito sociável, apenas quero seguir uma linha reta que nunca mostrou perigos, mas as poucas vezes que fui a "festas" ou algo que infelizmente é parecido, sentir uma ancia de desgosto pelo oque estava a me cercar, nunca tinha visto algo tão.....imundo, escroto, repugnante, estupido e completamente sem lógica alguma pelo o por que aquilo significa "comemoração", eu vi tanto em poucas vezes que já estive presente fisicamente e não mentalmente, pois eu me mataria se dedicasse um neurônio ou resquício de minha alma para um evento tão depravante, vi pessoas andarem sem lógica alguma sem se importarem por onde pisavam ou quem perturbassem por simplesmente seguir não uma correnteza, mas sim, um redemoinho que matava seus corpos e carregava suas almas até o mais profundo oceano de águas mortas que enferruja o mais brilhante dos diamantes no mais inflamável carvão. O excesso de informações era tão ilógico quanto uma engrenagem sem dentes. Ali não existia comemoração além do caos, não existia música, apenas barulho incessante como gritos verdadeiros de sofrência vindos do pior dos assassinos. Pessoas dançavam sem sentido ou motivo, como se pisassem em chamas do próprio inferno, sabendo que nunca apagaram. Tentei, mas eu juro que tentei aproveitar algo de lá, não me juntando a eles, mas sim tentando aproveitar o peso da realidade. Tentei respirar para me lembrar que estava vivo, mas só consegui sentir o odor de fumaça e o fedor de burrice no ar. Tentei me movimentar, mas estava preso como um peixe em uma rede feita de pessoas se encostando por simplesmente não olharem o quanto espaço existia à sua frente, e, como um padrão, todas carregavam copos, com o único diferencial ser o nome da bebida, mas todas serem o mesmo veneno asqueroso. Aqui eu digo: se o próprio demônio vier me entrevistar, eu irei avisá-lo se eu cair. Espero que meu inferno seja semelhante a isso, pois não acho nada mais sofredor do que viver a eternidade em uma porcaria dessas.
Se eu te amo?
Oh, meu amor, meu amor por você é imenso. Eu te amo como Van Gogh se encantou com as estrelas, assim como Leonardo da Vinci amou pintar o mais belo sorriso, como Orfeu amava compor músicas de paixão para sua amada Eurídice, ou como Chaplin encontrou felicidade em fazer os outros rirem em meio ao silêncio. Te amo dessa maneira — de forma completa, sem reservas, genuína, sem barreiras, destemida, sem truques, apenas você. É como se você demonstrasse que o amor verdadeiro não menospreza, não critica, mas simplesmente recebe, reconhecendo a beleza mesmo onde o espelho pode falhar em capturar, falhar em evidenciar e louvar. Eu desejaria quebrar este espelho para que cada parte refletisse sua luz para mim, sonhando em arrancar meus olhos para que você pudesse observar sua própria beleza através deles, como uma flor, um sorriso brilhante, o fascínio de uma lua. Ah, mas que lua, aquela distante no céu, que um dia desejei alcançar. E aqui está você, abandonando seu papel de estrela noturna e guia dos perdidos, para guiar meu coração tolo até você. E, ao longo do caminho do seu coração, sua gentileza me ofusca de amor, cegando-me de paixão com sua luz, como a de uma estrela, mas não uma estrela qualquer, uma estrela que é você, brilhante e encantadora, que me cativa sempre que te vejo, pois de longe, via uma bela lua que me direcionava ao amor, mas agora é uma estrela que já não me guia mais, mas me envolve com sua graça e amor, me aquecendo em seu coração e fazendo-me sentir agradecido por te amar, grato por te ver, grato por poder afirmar que sou seu e você é minha, grato como a mais simples planta que se alegra por ter você como meu sol, entre milhares de estrelas, você é única em bilhões e bilhões, você é a única que tenho a alegria de dizer Eu Te Amo.
Não queira ser como eu.
Sou um poço de fracassos, de dores cravadas na alma, traumas não resolvidos, amores cortantes, lembranças amargas, vergonhas gigantescas e fiascos incontáveis. Lembro-me mais das minhas falhas do que das minhas virtudes.
Não seja como eu: inevitavelmente grosso, habitualmente arrogante e, por fim, eternamente apaixonado.
Sinto muito, mas aquele que você viu — aquele que dizia conhecer — foi apenas a parte que eu escolhi mostrar, numa tentativa de parecer menos inútil do que realmente me sinto.
A verdade é que a única coisa verdadeiramente boa em mim sempre foram vocês e o meu amor genuíno. Um amor que, mesmo existindo por inteiro, muitas vezes não soube demonstrar — e, por isso, pode não ter parecido suficiente.
Um amor puro!
eu quero falar oque sinto mais não consigo por medo de perder vc e
nossa amizade eu quero me entregar de alma a corpo mais meu coração está com medo e cm mto amor mais n consigo explicar ou falar pra vc qnd falo com vc parece q meu dia melhorou fico mais feliz em saber q está bem e que seu dia foi bom, meu dia fica bom qnd falo cm vc eu tenho q aprender mto mais não consigo esperar mais pra abraçar vc e encher de beijos
Algo brando e singelo sou,
eu e você
em um destino paralelo.
Era eu a te amar,
você a me escutar —
sou verdade
ou pesadelo
no teu pensar?
Poderíamos ter sido
o amor mais verdadeiro,
nos amar de janeiro a janeiro.
Mas o amor,
essa droga delicada,
ficou entre parênteses.
Você foi faísca.
Eu fui quem te ofereceu
o mundo inteiro.
Girei palavras
tentando falar de amor:
era você e ela
ou era você e eu
nesse mundo
onde eu pensava
que tudo era só dor?
Você é minha inspiração diária,
o fragmento mais belo
nesse mundo de ilusões
onde sobrevivi
escutando refrões
de um amor
que nem sei se foi verdade
ou se foi meu pensamento
afastando a realidade.
A cruzada dessa guerra
foi perdida uma vez —
só para eu saber
se caminho sozinha
ou se ainda vou te encontrar
para viver
uma vida bela,
leve
e singela.
✨ O Meu Brinde de Domingo
"Hoje eu escolho a calma. Escolho recarregar cada pedaço da minha energia para encarar a última semana do ano com o coração pronto.
Que a prosperidade não seja apenas um plano, mas uma colheita. Que a paz e a saúde sejam o meu alicerce e que a alegria transborde em cada pequena realização.
Estou pronta para encerrar 2025 com gratidão e abrir as portas para um 2026 extraordinário! ✨🚀"
Este ano foi de muitos desafios, momentos de desespero, mas todas as vezes eu pensava "vai passar", porque assim como a vida, os problemas também são passageiros, e a cada um resolvido, é um ponto na nossa fé, na nossa evolução. Todos os problemas tem solução, só precisamos ter paciência, muita fé e estarmos ciente do real motivo de estarmos aqui que é a evolução perante Deus, a partir daí ele nos mostra o caminho a seguir.🙏
Abençoado seja nosso dia🙏❤️
Lembra-te…
Que eu te amei, mesmo quando eras apenas sombra nos meus pensamentos.
Amei-te na ausência, no silêncio que gritava teu nome,
na distância que não apagava tua essência.
Ainda assim, eu te amei.
Amei-te como quem guarda fogo no peito,
como quem se perde e se encontra na mesma lembrança.
E mesmo quando o tempo tentou roubar tua imagem,
eu te mantive vivo em cada suspiro,
em cada palavra não dita,
em cada madrugada que se vestia de saudade.
Lembra, porque eu não esqueço:
o amor que te dei não foi pequeno,
foi tempestade e calmaria,
foi ferida e cura,
foi eternidade em instantes.
Ainda assim… eu te amei.
Quando eu era jovem, muitas vezes pensava: “Nossa, como meu pai é quadrado… ele não acompanha as mudanças, não se moderniza e ainda enxerga algumas atitudes minhas como absurdas. Ele deveria se atualizar, entender que o mundo mudou.”
E, no fundo, eu fazia uma promessa silenciosa a mim mesmo: quando eu ficasse mais velho, jamais deixaria de compreender o comportamento dos mais jovens. Eu seria aquele “coroa” descolado, aberto, que entende o seu tempo.
Hoje, percebo que a vida ensina com mais calma e com mais humildade do que a gente imagina.
Pode acreditar em mim, eu te amei — mesmo quando só havia teu rastro
no silêncio dos meus pensamentos,
mesmo quando a tua voz era um eco distante
e a tua presença, um mapa que eu desenhava à noite.
Amei-te como quem guarda um fogo em segredo,
sem pedir abrigo, sem cobrar retorno;
amei-te com a fome de quem conhece a própria sede,
com a coragem de quem planta flores no inverno.
Havia em mim um mar que te chamava pelo nome,
ondas que batiam nas pedras da saudade,
e cada lembrança tua era uma estrela acesa
no céu que eu tecia para não me perder.
Sei que te amei com a força dos rios que não se explicam,
com a paciência das raízes que sustentam árvores inteiras;
amei-te sem medida, sem trégua, sem testemunhas —
um amor que foi inteiro, mesmo quando só existia em mim.
Guardo esse amor como quem guarda um segredo sagrado:
não para esconder, mas para lembrar que fui capaz
de amar com toda a pele, com toda a voz, com todo o tempo.
Lembra — eu te amei, e esse amor ainda me habita.
A sombra do meu pecado me trai — um vulto que conhece meus passos antes de eu os dar.
Atrai-me para o submundo onde a escuridão tem voz e os nomes se desfazem,
um convite sem luz, uma promessa que cheira a ferro e a lama.
Somos dois náufragos: eu e essa sombra que me habita,
invisíveis aos olhos que ainda acreditam em salvação.
Envolvidos como raízes emaranhadas, presos no pântano do desejo,
onde o tempo apodrece e as horas se tornam moscas.
Caímos sem alarde, amordaçados pela própria culpa,
a boca cheia de terra, o grito reduzido a um eco de ossos.
A decomposição não é só do corpo — é do nome que eu dava às coisas,
do mapa que traçava para me encontrar, agora rasgado e úmido.
Há um frio que não passa, uma sede que não se sacia;
cada passo afunda mais, cada lembrança vira lodo.
E, no entanto, há uma clareira de silêncio dentro desse breu,
um lugar onde a traição aprende a dizer o seu próprio nome.
Não peço perdão — não ainda — porque o perdão exige luz que não trago.
Quero apenas ver, por um instante, a sombra desvelada:
que se revele inteira, sem disfarces, para que eu saiba com quem divido o corpo.
Se a escuridão é casa, que seja ao menos honesta;
se o pântano é prisão, que me mostre a porta que não consigo ver.
E se a decomposição é destino, que me ensine a colher do próprio fim
a semente que, talvez, um dia, resista e floresça na lama.
Eu não te peço amor como súplica,
nem imploro que faças da tua vida um altar para mim.
Peço apenas que sejas verdadeira,
que não me ofereças migalhas quando tens um universo dentro de ti.
Se não fores capaz de incendiar teus dias ao meu lado,
se não fores capaz de viver o teu melhor comigo,
então não posso permanecer na sombra do que poderíamos ser.
Prefiro a solidão honesta
ao abraço morno que não me sustenta.
Prefiro partir com a dignidade intacta
do que ficar onde o coração não floresce.
Eu sou feito de intensidade,
de horizontes que pedem coragem,
de sonhos que exigem presença.
E só quem ousa viver o próprio melhor
pode caminhar comigo até o fim.
A revolução começa aqui, a indústria treme
Eu sou estranho, mas são todos iguais a mim
Por isso eu sou gigante
Eu poderia ficar muito rico
Eu preciso disso porque eu sinto fome
O dinheiro é um desperdício, só faz rima pobre
A revolução começa aqui, a indústria treme
Eu sou estranho, mas são todos iguais a mim
Sou gigante
Sim, eu poderia ficar muito rico
Eu preciso disso porque eu sinto fome
O dinheiro é um desperdício
Eu olho pro meu passado e rio. Rio porque se eu não rir das minhas próprias brincadeiras, alguém vai e provavelmente já riu. Quando eu era mais novo, o bairro não era só onde eu morava, era meu palco. E eu, humildemente, era a atração principal. Não pedi esse talento, nasci com ele.
Cada rua guarda uma memória que eu claramente ajudei a criar. A bola que sempre caía no quintal errado (coincidência nenhuma), a campainha tocada e a corrida digna de atleta olímpico, as reuniões improvisadas na calçada que terminavam em bagunça sem plano e sem motivo. Tudo extremamente organizado dentro do caos.
Eu não fazia brincadeira pequena. Se era pra aprontar, era com criatividade. Se era pra irritar, era com estilo. Os vizinhos não sabiam meu nome completo, mas sabiam exatamente quem eu era. Ícone local. Lenda urbana em construção.
O melhor é lembrar da confiança. Eu tinha certeza absoluta de que nada dava errado se ninguém fosse pego. E quase nunca éramos. Quando éramos, vinha aquele discurso interno: “relaxa, isso vai virar história”. E virou. Sempre vira.
Hoje eu crio memórias rindo das antigas. Eu exagero? Óbvio. Mas se eu não valorizar meu próprio legado, quem vai? Aquela bagunça toda virou repertório, virou risada, virou aquela frase clássica: “cara, lembra daquela vez?”. Lembro. Como esquecer?
No fim, eu não me arrependo das brincadeiras. Elas me deram histórias, cicatrizes pequenas e um ego levemente inflado. Eu não era só mais um moleque do bairro. Eu era o moleque que fez o bairro ter assunto por anos.
E sinceramente? Se um dia alguém escrever sobre aquela rua, meu nome pode não estar lá… mas minha bagunça com certeza vai estar.
— Cyrox
