Bruna Monteiro
Pausa…
Queria que o tempo pudesse parar.
Só para eu conseguir contemplar
e desvendar cada detalhe seu.
Na verdade, não sei se isso seria
uma boa ideia.
Afinal, quanto tempo eu levaria
na profundidade do seu olhar,
se pelos olhos começasse?
Que olhar.
Só de pensar, já me perdi.
E o tempo…
já não me importa.
Carta para Luna,
Camões disse uma vez que o amor é fogo que arde sem se ver.
Paulo escreveu, em sua carta aos Coríntios, que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.
Tanto se fala sobre o amor. Tantos já tentaram escrever sobre ele. Mas hoje eu quero falar do nosso amor.
Com você, aprendi que amar também é detalhe, é dia a dia. É presença que não se pede, carinho que não se mede, conversa sem precisar mover os lábios.
Com você, tenho aprendido que o amor carrega uma pitada de mistério, dessas que aumentam ainda mais o desejo de conhecer. Que amor não é exigência nem cobrança, é ajuste, cuidado e escolha.
E, ao contrário do que muitos pensam, ele não diminui com o passar do tempo. Ele cresce. Porque, à medida que descobrimos mais uma sobre a outra, conhecemos nossas versões perfeitas e imperfeitas, e ainda assim escolhemos ficar.
Com o tempo, deixamos de amar apenas aquela pessoa por quem nos apaixonamos no início. Passamos a amar também aquela que faz o melhor café, aquela que veio morar comigo, aquela que faz ondinhas no cabelo e deixa sinais pela casa.
Aquela que briga igual mãe, que finge que está tudo bem, que se preocupa, se estressa, ama muito, acolhe, chora e ri.
Enfim, eu amo todas as suas versões.
E, se tanto já se escreveu sobre o amor, eu entendo. Porque desde que você chegou, também dá vontade de escrever sobre ele.
EU TE PROCURO EM TUDO QUE EU FAÇO
PERCEBO A AUSÊNCIA DO SEU OLHAR
SINTO A DISTÂNCIA DO SEU CORAÇÃO
QUANDO ELA EXISTE.
EU TE PROCURO EM TUDO QUE EU FAÇO
FICO FELIZ QUANDO ENCONTRO SEUS OLHOS
E ELES, DE VOLTA, SORRIEM PRA MIM.
SINTO MEU CORAÇÃO ACELERAR
DE UM JEITO QUE PARECE QUERER FUGIR DAQUI
SÓ PRA ENCONTRAR O SEU.
NÃO PENSE, NEM POR UM DIA, QUE EU NÃO TE AMO.
QUANDO OLHAR PRA MIM E ACHAR QUE NÃO BATE NADA AQUI DENTRO,
É PORQUE, NA VERDADE,
SINTO QUE PARO DE VIVER POR SEGUNDOS
QUANDO ESTOU AO SEU LADO.
NÃO SONHE QUE EU NÃO TE AMO.
EU TE PROCURO EM TUDO QUE EU FAÇO
E SEMPRE FICO NO AGUARDO
DE ESTAR BEM CONTIGO,
DE VOLTAR PRAQUELE LUGAR
ONDE A GENTE ESQUECE UM POUCO O RESTO DO MUNDO.
EU TE PROCURO EM TUDO QUE EU FAÇO.
GOSTO DE TE SENTIR NA MINHA ROTINA
E DE PENSAR QUE, MESMO COM TUDO,
VOCÊ AINDA AMA O MEU JEITO.
AGORA EU SÓ ESPERO QUE A GENTE FIQUE BEM,
QUE A GENTE SE AME BEM,
E QUE TUDO AQUILO QUE NÓS DUAS PROCURAMOS
SEJA ENCONTRADO
UMA NA OUTRA.
De repente…
Algumas coisas só fazem sentido quando acontecem.
De repente, as roupas que ocupavam dois espaços passam a ocupar um só.
A casa fica mais florida e uma rotina de regar flores começa sem que eu perceba.
As memórias reveladas encontram espaço sobre o rack e uma casa que nunca teve sofá ganha um de dois lugares.
De repente, na cama existe um lugar. O silêncio pertence a dois, o tempero da comida já não é mais o mesmo e o café ganha um sabor que nenhum outro parece ter.
De repente, eu já não preciso olhar pelo retrovisor para saber se vem outro carro.
E, quando menos percebo, entendo que nunca estive falando sobre coisas.
De repente, você chegou.
E ocupou espaços que eu nem sabia que ainda estavam vazios.
Trouxe vida para a casa e, sem perceber, trouxe vida para mim também.
Me ensinou que algumas coisas precisam ser regadas para continuarem vivas. Que dividir espaço não significa ter menos lugar. Que algumas presenças mudam até o silêncio. E que ser cuidada, às vezes, é simplesmente poder continuar olhando para frente porque existe alguém ao meu lado olhando por mim.
De repente, eu não quero mais outro olhar pelo retrovisor, outro lugar ao meu lado ou outro sabor de café.
Porque não são essas coisas que eu quero que permaneçam.
É você.
E talvez essa seja a parte mais difícil de admitir.
Você mudou a minha vida por completo e não é fácil ser mudada quando eu já havia aceitado que aquela era a minha versão final.
Eu já conhecia meus espaços, meus hábitos, meus silêncios. Já sabia viver a minha vida do jeito que ela era.
Até você chegar e, de repente, existir um “nós” onde por tanto tempo só existiu um “eu”.
Agora me vejo amando.
Te amando.
E entendendo que o mesmo amor que tornou tão bonito dividir a vida também trouxe o medo de imaginar como seria se um dia eu precisasse voltar a vivê-la sem você.
Algumas coisas só fazem sentido quando acontecem.
Mas existe uma que eu não quero que um dia precise fazer sentido:
perder você.
