Textos em versos
Lamentos
Quanta dor...
Não queria estes versos escrever.
Minha vontade é toda dor do mundo esconder.
Mas há algo que em mim insiste.
De escrever meu coração não desiste.
Tornar palpável meu sofrimento...
Quem sabe diminui meu tormento.
Lamento.
Triste não te quero deixar não.
Não deixe esta minha dor perto de ti chegar.
Não leia esta dorida lamentação.
Poesia enganosa
Temas tão tristes
teimam em minha mente aparecer...
Versos sadicamente me fazer escrever.
Uma cruel solidão assola meu coração.
Uma dor tão doente...
Embaralha minha mente demente.
Causa-me espasmos agoniantes permanentemente.
Machuca-me profundamente... essa insistência em me fazer pôr em versos
do meu coração toda a dor.
Triste e chorosa... lágrimas calmas brotam em meus olhos... caem dentro de mim.
Triste esse caminho em que a dor me faz companhia...
É minha sombra do começo ao fim.
O perfume das rosas é o que apenas desejo.
Mas elas secaram.
Um odor agro exalam.
Um cheiro de pólvora flutua no ar...
O oxigênio pouco a pouco a se acabar.
O mundo ao meu redor recita, numa lamentação acrimoniosa
poesias que soam amargamente amargas... enganosas.
"Versos Que Me Libertam"
"Te amo… e te odeio no mesmo verso.
Queria ser feliz, mas me afogo nos meus próprios erros.
Sou falha, sou confusão,
presa em sentimentos que nem eu entendo.
Escrevo pra me acalmar,
porque só nas palavras encontro paz
pra tudo o que sinto — e não consigo dizer."
AMOR QUE FREIMA (soneto)
Versos meus que chamei de ilusão
Devaneios, mas cheios de sentido
Suspiro, sussurro, na dor escondido
Versos meus a que chamei paixão
O ardor cultivei, tive sofreguidão
Também, de afeição fui servido
Nesta versificação estive aluído
Ora cá, ora acolá, varia emoção
Romantismo na rima foi colocado
Onde o meu versar fica debruçado
A espiar o existir a se movimentar
E direis, versos meus, ainda teima?
Como negar a um verso apaixonado
Se meu canto tem amor que freima.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24 julho, 2025, 19’56” – Araguari, MG
Versos de um Biquíni no Tempo 🎶
No coração do Brasil, um som despertou,
Entre acordes e sonhos, o tempo parou.
Biquíni Cavadão, rebeldia e ternura,
Cantando verdades com alma tão pura.
Vieram dos anos de dor e mudança,
Guiados pela luz da eterna esperança.
Em cada refrão, um grito contido,
Em cada palavra, um mundo vivido.
Não era só música — era libertação,
Era ponte entre o medo e a inspiração.
E até hoje, no peito de quem sente,
Ecoam canções que embalam a gente.
APENAS UM POEMA
Um poema com traços vibrantes
De versos que agrade os leitores
Despido de aplausos e louvores
Que prenda os olhos por instantes.
Aquele poema que traz sentimento
No grito de uma melodia
Deixar explodir a minha fantasia
Um poema escrito sem fingimento.
No êxtase da paixão se despir
Arrancar suas vestes com ousadia
No suspiro de uma doce magia
No poema de amor não vale fingir.
Nem tão pouco a falsidade
Mesmo que o poema seja atrevido
Com aquele verso bem exibido
Ele sempre diz a verdade.
Autoria Irá Rodrigues.
VERSOS DE SAUDADE (soneto)
Vou de versos em saudade, sofrente
As trovas choram lágrimas, suspiram
Soluça. A solidão e o pesar, inspiram
Vertente. Nublando o verso da gente
O poetar de nostalgia, uma serpente
Ondeando o ritmo com um amargor
Envenenando o verso com sua dor
E na versificação uma dor clemente
Adeus, uma poesia que estrangula
Adeus, agonia que o pesar formula
Enfeitiçando a prosa tão cruelmente
Aperto, enjoo, o verso sem medida
Nesta saudade poética tão abatida
Enchendo o soneto de rima ardente.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28 julho, 2025, 13’51” – Araguari, MG
“Versos em Meio à Fumaça”
Oi Deus, tá ouvindo? Porque aqui embaixo tá difícil.
O mundo tá quebrado, cheio de dor, cheio de fome.
As crianças choram com o estômago vazio,
enquanto os ricos contam moedas que não curam ninguém.
Tem guerra rolando todo dia,
não é só entre nações, é entre anjos e demônios
dentro de cada mente que tenta sobreviver.
O amor virou artigo raro,
ninguém sente mais nada, nem por si mesmo.
Tô aqui, sentado no canto da rua,
escrevendo o que meus olhos cansaram de ver:
pecado virando rotina,
bondade virando piada,
e a esperança... quase indo embora.
Vejo o Estado sumido,
só aparece quando é pra reprimir.
Polícia sobe o morro com fuzil,
mas desce sem futuro,
deixa mãe chorando e a mídia sorrindo.
Na TV, o sangue dá audiência,
a miséria é pauta, mas nunca urgência.
Político promete, mas mente com pose,
só lembra da gente na época de voto e selfie com pobre.
Educação? Tá largada.
Professor sem voz, aluno sem chão.
Saúde? Tá doente.
Quem não tem plano espera milagre no corredor.
A favela grita, mas ninguém escuta.
A rua fala, mas só quem vive entende.
É por isso que eu falo com o céu,
porque aqui embaixo, Deus,
o silêncio é mortal… e a revolta é o que nos mantém de pé.
À Senhora da Última Viagem
Morte, de tantos nomes e em tantos versos,
Escrevo-te hoje, sem medos ou reversos.
Não como um lamento, nem com dor a chorar,
Mas com a curiosidade de quem quer desvendar.
Vens sem aviso, ou com sinais que ignoramos,
Levando de nós os elos que tanto amamos.
Em teu silêncio, resides a grande incerteza,
Do que há depois, da eterna beleza.
Muitos te temem, a ti, o inevitável fim,
A fronteira que corta a vida de mim.
Mas vejo em ti também um grande alívio,
O ponto final para o sofrer e o calvário.
Tu não distingues idade, riqueza ou poder,
Com tua foice justa, vens para colher.
És a igualdade que a vida não oferece,
A paz derradeira que o corpo envelhece.
Ensina-nos, Morte, a valorizar cada instante,
A amar sem reservas, com um amor radiante.
Pois ao sabermos que tua visita virá,
Damos mais valor ao tempo que nos resta.
E quando chegares, com teu véu a planar,
Espero encontrar a calma para te abraçar.
Que em teus braços, a alma possa repousar,
E o que foi vivido, eternamente brilhar.
Com respeito e, sim, um pouco de fascínio,
Um Ser Humano em seu caminho.
Versos de Mim
Se eu pudesse viver uma vida em um só dia,
eu viveria mil existências em cada amanhecer.
Sou o tudo e o nada.
A plenitude e o vazio.
Não habito o passado,
não espero promessas do porvir —
vivo o agora como quem beija o instante.
Sou tristeza em forma de silêncio,
sou alegria em forma de tempestade.
Sou cada emoção à flor da pele.
Não me basta ser o que sou —
sigo em busca do que ainda posso me tornar.
Sou estiagem quando o mundo exige pausa,
sou tormenta quando o peito transborda.
Minha alma não se acomoda em metades:
não aceito histórias incompletas,
finais morrentes,
sorrisos contidos.
Trabalhar pouco, dançar pouco, amar pouco...
isso não me cabe.
Eu sou intensidade —
e só sei viver em excesso.
Não creio em sucesso sem suor,
nem em fortuna sem caminho.
Conquistas, para mim, têm preço.
E eu pago — com coragem.
Sou extremos.
Sou mistério e revelação.
Criatura e criadora do caos e da calmaria.
Aos meus amigos, dou-me inteira.
A eles dedico o que há de mais puro:
meu amor leal, minha presença fiel,
minha alma em celebração ao afeto.
Desejo sua felicidade como extensão da minha.
E me alegro — de verdade —
por vê-los sorrir.
Quando amo, sou céu e abismo.
Sou milagre e tempestade.
Quem me ama, jamais me esquece:
meu amor não se aprende em livro —
ele se sente com o corpo inteiro.
Sou mar sereno,
mas basta um sopro de dor
e posso me tornar onda que arrasta o mundo.
Sou idealista —
prefiro morrer de pé por aquilo em que creio
do que viver ajoelhada diante do que não faz sentido.
Se me fosse dada a escolha,
seria mártir da minha verdade,
nunca cúmplice da covardia.
Não fui feita para o morno, para o meio,
para o quase.
Sou intensidade em estado bruto:
muito mais ou muito menos,
mas nunca menos do que sou.
E quando fujo de mim,
quando esqueço o que sou,
é a noite — com sua voz de vento —
quem me lembra:
"É no teu esquecimento de si
que mais profundamente te permites existir."
Teço versos com delicadeza,
Embarco nesse mar de sutilezas,
Crio laços de pura magia,
Entre palavras e poesia.
A conexão que nos une é intensa,
Numa dança poética, imensa,
Das palavras surge a identidade,
E a criatividade em sua plenitude.
Somos artistas desse universo,
Compondo o roteiro do verso,
Projetando sentimentos na tela,
Em cada gesto, em cada janela.
Como uma festa de Halloween,
Cada palavra é uma cena,
Numa entrevista com a emoção,
Nos preparamos para a evolução.
Que a poesia seja nossa guia,
Nessa jornada de pura sinfonia,
Onde a arte e a vida se entrelaçam,
Num poema que eternamente abraça
opióide II
devaneio sussurrado
sufocando
em versos brandos,
a morfina das metáforas,
delírios brancos.
néctar, veneno,
remédio insano,
êxtase puro
em sonho arcano.
arpejo mental,
torpor visceral,
perfuração física —
dança letal,
remédio e veneno
num ciclo final.
abre espaço
para o vazio
silêncio —
a aorta dormiu.
a vertigem se desfaz
em névoa e sombra
o que da realidade me separaria
antes, ao sangue, se assimilaria.
arpejo mental —
anestésico
de braço aberto:
dança pura
entre remédio
e perfume.
e o universo
é um cobertor
de esquecimento.
Abandono.
Nos teus versos calados,
Na tua alma chorada,
Perco-me nos teus braços.
E neles, eu clamava.
Clamava para a dor sumir,
Para os ventos se perderem,
Para então eu fugir,
Para nunca me verem.
Meu coração ja não aguenta mais,
Muito menos meu corpo,
Só sou um simples rapaz,
Que se desfaz com um sopro.
E nos passos descalços da alma,
Que pede e clama por socorro,
Peço que vá com calma,
Antes que me perca no abandono.
MEUS VERSOS (soneto)
Meus versos, assobio do vento no cerrado
A alma melancólica devaneando na rima
O sentimento escorrendo de sua enzima
Do grito do peito do sonho estrangulado
Mimo das mãos no verbo que a alma lima
Ternura na agonia, voz, o lábio denodado
Galrando sensações num papel deslavado
Que há no silêncio do fado em sua estima
Os versos meus, são o olhar em um brado
O gesto grifado no vazio sem pantomima
Vagido da solidão parindo revés entalado
Meus versos, da alacridade me aproxima
Me anima, da coragem de haver poetado
Ter e ser amado, o telhado, riso e lágrima.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril de 2017 - cerrado goiano
A poesia
Está na alma do poeta
Desabrocha em versos
Que ficam guardados
Esperando brotar...
A poesia
Vem sem esperar
Do sorriso que brota
Da lágrima que cai
Do vento que passa
Da chuva que se esvai...
A poesia
Ela vem assim
Do olhar que brilha
Do rosto de uma criança
Da meiguice estampada
Com sabor de esperança...
A poesia
Chega de mansinho
No canto de um passarinho
Na brisa que passa rasgando
Fingindo está brincando...
Versos de Um Desamor
Te amei sem ter te tocado,
Te amei sem te beijar
Só hoje percebi que estive errado,
Ao gostar de alguém que não compreendia meus olhares,
Alguém que não pôde me amar.
Te amei por um tempo,
Até perceber que era tudo em vão
Amar alguém em pensamento,
Que mesmo por um curto momento,
Te encheu de esperanças de uma possível paixão.
Te amei mais que tudo,
Que um alguém poderia amar
Te amei tão profundo,
Que conseguia te ver sorrindo ao fundo no céu azul do luar.
Te amei até tudo fazer sentido,
E conseguir compreender a real situação
Que apesar da ironia do destino,
O tal desamor foi o gatilho,
Que me inspirou ao descrever em versos o que estava descrito apenas no coração!
MEUS VERSOS SÃO UM SONETO
Meus versos são um soneto... bem sei
Provida no sentimento e muita poesia
Momentos, sensações, assim, os rimei
Também, os choros, suspiros e magia
Cantei no versejar aos que romanceei
Chorei em cada estrofe com nostalgia
A alegria, como não, então, eu exaltei
E, em cada tom aquela exata sintonia
Gabei nos versos a carícia tão amada
Segredei sigilos em noite enluarada
E na madrugada sussurrei na solidão
Na sentimental simbiose, o trovador
E a trova, sempre tão cheio de amor
Soneteando os sucedidos do coração.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08 julho 2025, 17’22” – Araguari, MG
NARRATIVA TRUNCADA (soneto)
Muitos versos, por certo, me cantaram
por certo, muitos sonetos eu segredei
alguns poemas, cadências me soaram
desses, ilusões no sentimento guardei
O choro e o riso na rima entrelaçaram
ritmo e desordem na inspiração operei
de os desencontros que me abraçaram
sussurros, os suspiros, também, notei
Promessa e jura. As estrofes disseram
e os versos sofrentes as dores fizeram
ah, se errei, não importa, pois tentei!
Mas sinto ainda no versejar inquieto
um estilo que não acho no alfabeto
pra narrar aquele amor, que susterei.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12 julho 2025, 18’52” – Araguari, MG
Desejo que as inspirações convertidas em versos e poesias apresentadas nesta obra pioneira nos provoquem tão variadas reações, motivem a leitura, a reflexão e produções artísticas como expressão dos sentimentos favoráveis e antagônicos inter e entre si, envolvendo-nos no mesmo vento em que, como bem traduzido por Luiz Fernando Veríssimo “Os tristes acham que o vento geme, os alegres acham que ele canta”, em razão nossos diferentes estilos e subjetividades.
Trecho do prefácio do e-book "Fragmentos de Inspiração: versos e poesias"
Versos para ser feliz.
Para que sejas feliz derrame a mesa um pouco do que te faz rir.
Para que sejas feliz, não se aborreça com quem não saboreia da alegria.
Para que sejas feliz, ame a ti, ame ali, ame aqui, e não deixe de amar.
Para que sejas feliz em sonhos, sonhe alto e não permitam que vejam antes de realiza-lo.
Para que sejas feliz em liberdade, não se prenda em quem não quer estar feliz contigo.
Se ao teu lado venha existir um companheira(o) que não esteja tão feliz quanto você, compartilhe da tua felicidade.
Abrace sua pessoa triste, enrole em um cobertor, alimente de amor, e a faça se sentir gratificada por ter alguém incrível como você ao lado. E nesse pequeno momento, ela verá que não existe somente a tristeza para ser aproveitada.
