Textos e poemas
Somos amigos
Eu queria um beijo, um abraço de saudades com sinceridade. Externalizar enfim, aquilo que há de abstrato em mim. Sobre você. Temos tão pouco tempo por aqui, hoje tudo é tão moldável. Fluído numa correnteza fria de sentimentos frouxos. Segmentado em classes e posturas onde o vil metal prevalece. Queria, amigo que sou, ser irmão na presença transcendente que não posso aqui explicar, e que distância alguma, esquecimento meu, teu tu terás.
Será que não percebes?
Será que não percebe que posso ir embora?
Será que não vê que vivo por você?
Preciso de ti bem perto
Estou lhe recebendo de coração aberto
Mas você finge não ver.
Será que não percebe o quanto tu se encontra longe?
O nosso café esfriou, em plena manhã de domingo
Não quero mais seus respingos
De tortura e prazer.
Será que não percebe que a lua continua igual?
Desde o primeiro beijo, até nosso último desejo
O sol nasce então, vejo seu rosto despertar
Pausadamente seus braços me entrelaçarem
Beijando-me, até que então meus pensamentos se vão
E percebo
- Ah, você é meu.
EU GRITO DESEJO
Teu corpo é maravilhosamente bem desenhado. Não sei por qual motivo se desfizestes de teus laços. É só o teu lado mais feminino que entende porque passo as noites e madrugadas escutando Jazz. Talvez e só talvez, decifrando na melodia o meu real desejo. Sujando as paredes brancas do meu quarto, com a perversão do estar com o real você, que não é tu, mas, um de nós. Movendo-se em mundos pequenos. Paralelos, eu não posso vê. Um embaço de fumaça e poeira se foi dançando, fazendo movimentos cadenciados como a melodia doce e amarga que senti um dia ao te experimentar profundamente.
Que você seja alegre mesmo quando vier a chorar;
Que você seja sempre jovem quando o tempo passar;
Que você sempre tenha esperança
Mesmo quando o sol não nascer.
Que você ame mesmo quando sofrer;
Que jamais deixe de sonhar
Mesmo quando vier a fracassar!
Ser sábio não é ter uma vida perfeita, é usar os erros para auto respeito!
Que você possa ouvir no silencio dos meus olhos o grito que ecoa: Estou contigo!
Deixe-me pegar na sua mão e caminharmos juntos em completo silencio!
AÑÃ’GWEA
Enquanto sinto o meu coração palpitar, observo a beleza dos raios de um sol de inverno afagar minha pele suja de terra, meus olhos pesam, apago.
Lá no alto da colina, por entre árvores criaturas fantasmagóricas dançam envoltas na brisa suave do vento.
Agora o vento sopra lentamente uma doce canção.
Será esta a canção das criaturas que habitam os céus ou daquelas nas profundezas dos mares?
Acordo desse sonho pesado algum tempo depois, a canção ainda ecoa como um grito que se sufoca
Agora posso ouvir o som da minha alma;
“Voe filha de Iamandu;
Voe bem alto e faça das nuvens um véu;
Espere pela noite e suas estrelas brilhantes;
Voe e dance como o vento no céu.”
SINFONIA
Nas sombras da tristeza me encontrei,
O coração em pranto, o peito apertado,
Lágrimas como chuva a cair, sem lei,
Em meio às lamentações, perdido e cansado.
A melancolia tece teias ao redor,
Emaranhando os sonhos, prendendo a voz,
Suspiros ecoam, pesaroso clamor,
Em busca de alento, anseio por uma voz.
Nas noites mais escuras, busco a luz,
Mas a escuridão parece tão densa,
Em meio às sombras, sinto-me em cruz,
Navegando em mares de tristeza imensa.
Porém, em meio a essa penumbra e dor,
Deixo um pedido ecoar em meus lamentos,
Que nenhuma nota de felicidade se cale,
Por causa dos meus tristes pensamentos.
Que mesmo nas horas mais sombrias,
A alegria encontre sua morada,
E que em meio às minhas melancolias,
A esperança seja sempre despertada.
Que a música da vida siga a tocar,
Um acorde de esperança e contentamento,
Para que a felicidade possa encontrar,
O seu lugar, rompendo meu sofrimento.
Que, ao contemplar o céu estrelado,
Eu possa ver além das nuvens cinzentas,
E saiba que, mesmo com o coração apertado,
A vida é uma sinfonia, complexa e lenta.
CONSTÁNCIA.
Talvez você seja uma pedra esperando alguém para ser lapidada, não nascemos prontos, a vida é um constante processo de evolução.
Crescer é um processo longo e doloroso, mas necessário. Ao longo da vida, somos colecionadores, temos o livre arbítrio para escolher o que queremos que faça parte da nossa vida.
Seguir em frente não é uma garantia de que chegaremos lá, mas é uma demonstração de que pelo menos tentamos.
AQUIVOS DELETADOS.
Apaguei da minha memória tudo o que vivemos juntos para permitir-me esquecer a nossa história, os nossos sonhos que muitas vezes insistimos em compartilhar.Removi o passado e os arquivos já apagados, excluir as lembranças que às vezes ecoavam em meus pensamentos.Apaguei tudo o que era nosso, mesmo que sendo difícil de desfazer.
Agora só resta-me a dor da ausência, tá sendo dolorido ficar sem nenhum registro da nossa história, hoje só me restou os cacos, restou-me viver momentos de caos sem nenhuma lembrança do que já vivemos juntos.
"GOSTARIA DE SER O ULTIMO.
Hoje anseio ser o último. O derradeiro pingos de água que percorre teu corpo, escorrendo vagarosamente por todas as tuas curvas desejo ser o último batom do dia, para habitar teus lábios.
Ambiciono ser aquela toalha que cuidadosamente desliza por tuas curvas ao te enxugares. Hoje anseio ser também tuas mãos, que acariciam tua pele ao aplicares desodorante, deixando um toque suave em cada centímetro do teu corpo.
Hoje adoraria ser teu travesseiro, onde pousas a cabeça ao dormires. Hoje pretendo ser o último pensamento antes de adormeceres.
NÃO ME JULGUE.
Não me julgue pela aparência, pelas palavras negativas que dizem sobre mim. Não me julgue pelas coisas que não deu para aprender, nem pelas cicatrizes visível em meu corpo. Não me julgue pelas lágrimas que chorei quando pensei em desistir.
Não me julgue pelas vezes em que me viu trabalhando nas ruas, com as mãos cheias de calos, eles são marcas das enxadas da época que trabalhei no campo, me esforçando para sobreviver. Não me julgue por nada, ficar calada só ouça minhas palavras.
Elas são de resistência, são das milhares de batalhas que venci, são das milhares de coisas que abri mão para me tornar quem sou.
Talvez se eu estivesse desistido teria me juntando às vítimas da sociedade, ou a alguém que deixou de viver, que deixou de sonhar, por não acreditar que sonhos são possíveis
Eu sou mais um brasileiro, como milhares de brasileiros, que todos os dias tenta sair das estatísticas da pobreza sair da miséria, da triste realidade que vivi milhares de famílias desse país.
Não me julgue quando ver meus sonhos sendo construídos pois só eu sei quanto custou cada gotas de suor do meu corpo.
AUTORRETRATO
Demétrio Sena - Magé
Não há como encontrar em mim a sensibilidade que os seus olhos leem no poeta que sou. Quem mora no poeta é alguém mais frio e sem coração do que as pessoas que nunca se camuflaram nos versos. Leia no romantismo dos meus poemas comoventes, algo escrito para convencer a mim mesmo. Veja nas minhas construções literárias que mais encantam pessoas, um desencanto pessoal. Uma incapacidade como indivíduo, para corresponder aos ideais.
Quem conhece profundamente a humanidade, a tal ponto que a interpreta, compreende ou conforta, não é uma pessoa física. É o imaginário em redor da pessoa incapaz de manter o encantamento; a confiança afetiva; o romantismo; a segurança emocional. O indivíduo que mora no poeta é frio; seco; apático; insensível... tenta, em vão, ser o poeta que é... repetir o poeta no sujeito e se apossar do seu predicado... vencer a si mesmo ao se matar como indivíduo, para sobressair-se como entidade... a entidade que se faz amar através das letras... da alma literária... alma de fora... armadura do corpo e da alma que se anulam, porque não podem corresponder aos sonhos que levam às essências longínquas.
Fique apenas com o poeta... com a doce mágica do seu próprio imaginário... e do meu lado impessoal. A pessoa que recheia o poeta é um indivíduo de corpo e vícios... que pelo quanto alimenta o poeta, já se tornou oco... é árido, escarpado e sem graça... é triste, rígido e deserto... é de fácil decepção e com certeza lhe magoaria, no futuro... talvez até o fizesse não muito tempo depois.
Se num futuro imprevisível... por algum descuido seu ou por uma tocaia inadvertida em minha solidão, você vier a me conhecer, antecipadamente me perdoe por eu não ser o poeta... o poeta que sou, mas que voa mundo afora e me deixa no abismo do apenas eu... tão vazio da poesia com que abasteço corações remotos.
... ... ...
#respeiteautorias Isso é lei.
"Do que adianta o whisky na prateleira, luxuoso, envelhecido?
Se ele não serviu o seu propósito, de ter sido servido.
Viva, ame; mas a si primeiro é o que tenho dito.
Amar dói, não ser amado fere, mas tudo isso, é o que nos dá certeza, de que estamos vivos.
Sou vívido.
Não tenho apenas vivido.
A vida tem suas peripécias, tem um gosto amargo, assim, também, é o mais valioso dos vinhos.
Envelhecido.
Não envelheço, não me permito.
Me torno mais amargo, valioso, com o passar dos dias, a cada solstício.
Sirvo ao meu propósito, de escrever a todo aquele que não fora amado; de coração, desiludido.
Sou um valioso whisky, que não pode ser, empobrecido.
Pois, cumpro o meu propósito, aos de alma triste, como um bom whisky, sirvo o conforto e o amargor, de meus escritos..."
LILIUM
De longe a observo...
Tão quieta...
Parece distante...
Quero dizer-te:
Tu és meu fascínio
Deleito-me por ti
Oh! Menina colírio!
Vou roubar tu, meu lírio
Para um antídoto
E de ti, fazer uso contínuo
Oh! Menina delírio!
Aproxime-se...
Deste lado também nasce o sol
E corre o rio
Há noite, há plantio
Surgem vaga-lumes, cantam os passarinhos
Venha, minha flor!
Não deixarei te faltar suspiro
Pule a cerca, desvie-se dos espinhos
Só depende de tu teu caminho
Oh! Lindo lilium!
Custa-me sonhar?
Um dia atracarei
Mas... Daqui até lá
Vivo a te esperar
É o que me resta...
Pois não posso te obrigar a me amar
Oh! Pequena flor!
Deixe-me sentir teu calor?
“Baixem as velas!”
Berraria o capitão ao ver teu navio prestes a afundar
Do contrário, com os dedos cruzados
Pobre marinheiro...
Naufragou em auto-mar
Pois do amor, não soube desfrutar
Deixando-te morrer por uma flor
Que não sabes desabrochar.
azul como o céu 🌊
Azul como o céu
Azul como o mar
Estrelas a brilhar
E nossos corações a pulsar
Sentados na calçada a noite
Perdida no Azul dos seus olhos
Tento focar no que você diz
E me perco em seus braços, como uma boa aprendiz
Um amor puro e verdadeiro
Um laço forte, um laço inteiro
A conexão nunca falha
Em cada abraço, a alma se agasalha
A cada beijo, a cada toque
Nossos desejos dançam como um rock
Em nossos corpos, a paixão se foque.
Poema: És bela
És bela, como um diamante lapidado
Como as estrelas coloridas,
Teus olhos são brilhantes
Iguais ao arco-íris.
Tua boca, carnuda
Tua pele, macia,
O teu corpo despido
Me enfeitiçam.
Queria estar em seus braços
Sentir teu cheiro, o teu suor em meu corpo.
Ah quem me dera fazer do teu corpo
Uma excursão, conhecer lugares novos
E observar as paisagens do teu corpo e teu coração.
Encontro no Silêncio
No refúgio sereno da tarde que finda,
Teus olhos buscaram o que o coração sente,
Entre murmúrios suaves, a paz nos brinda,
Um instante eterno, tão eloquente.
Os beijos furtivos, como brisa ao passar,
Escrevem histórias em lábios ardentes,
E o tempo se perde, se deixa levar,
Nos gestos que unem almas contentes.
Conversas tão doces, segredos trocados,
Palavras que dançam no ar, leves, puras,
O mundo lá fora parece calado,
Aqui só existe o que o amor conjura.
Carícias que embalam a noite a chegar,
Em toques sutis, promessas sublimes,
No calor dos abraços, me deixo ficar,
Buscando em teu peito, razões e rimes.
E agora me perco no doce desejo,
De um novo encontro, do mesmo embaraço,
De sentir novamente teu toque e teu beijo,
E de ter-te de novo, aqui, nos meus braços.
Adeus em Versos
Parto agora, deixando um pedaço,
Um rastro de mim no espaço.
Levo no peito cada memória,
Cicatrizes, risos e a nossa história.
Não há rancor, apenas o tempo,
Que nos afasta como o vento.
Nosso laço, embora profundo,
Agora pertence a outro mundo.
Os dias vividos não são em vão,
São estrelas que brilham na imensidão.
Carregue-as contigo, se precisar,
E nelas me veja, se desejar.
O adeus não é o fim de tudo,
É apenas silêncio em meio ao estudo.
E quem sabe um dia, em outro lugar,
Nos encontramos, sem precisar chorar.
" É CERTO QUE AS INCERTEZAS NÃO DÃO CERTEZAS "
É certo que as incertezas não dão certezas
Quando somos feitos com tantas diferenças
Aceito que a imensidão não aceita
Pois há um monte de direções que podem se apontar as setas
Olhe que o destino não segue tão recto como aparenta
Não basta olharmos para as indiferenças
Se não julgarmos, de quê adianta ser racional?
Será a diferença entre o homem e o animal?
Eis a sentença ao cair para o real
" A realidade é o Supremo Tribunal "
Não há conscidência
Quando tudo é dirigido pela regra da consciência
Só se pode medir um acto pela consequência
Bem como as palavras de pedras
Não faz parte da ciência, na realidade esta é a regra
Somos carrascos de nós mesmos
Os nossos próprios demônios
Os outros apenas existem para expô-lo
Existe uma linha tênue entre igualdade e diferença
Ambos são sinônimos de humanidade apesar da controvérsia
É certo que as incertezas não dão certezas
Como este pensamento inócuo
Não é justo ser julgado por quem seja
Do mesmo modo que ninguém deve dar valor aos seus defeitos
Condenando os dos outros
" UM IMPETUOSO TEMOR ME ASSOMBRA "
Um impetuoso temor me assombra
Ameaçando mostrar os meus pecados ao mundo
Fez a coragem cair em suas manobras
Na tentativa de evidenciar o meu Eu profundo
Até um homem de fé tem seus pecados
Não é novidade... É a essência de ser humano
Eu tenho os meus, garanto-vos!
Não foi premeditado e não tenciono confessá-los
A minha dignidade anda com as pernas de avestruz
Tornaram-se bambas desde que tem este fardo
Parece mesmo o passado, todo pesado
Mas sabe que as provas nunca há de chegar nas mãos do juiz
Vendi a minha alma ao silêncio e os tagarelas descontentes estão
Nas artimanhas da vida temos que ganhar habilidades que não nos dão
Os meus pecados estão selados longe das portas desses tribunais
Bem que Eu queria a liberdade mas ela não é assim tão livre quando também é dada aos demais
Como a de qualquer outro homem
A minha coragem tem os seus vacilos
Nem tudo é tranquilo como as ondas do rio
A verdade é que traquinas não são apenas os macaquinhos
Mas o temor me segue e me cobra
Está bem diante da minha porta
Sou um homem de poucas palavras, não dou-lhe corda
Eu sempre pago as minhas dívidas mas dele não me importa
" EM QUE PÉ ESTAMOS? "
Em que pé estamos?
Se nos pés que nos apoiamos não marcam passos
Se as asas que nos levitavam cortamos
Até parece que reduzimos a infinidade num facto escasso
Aonde está a compreensão?
Não sei qual de nós em nossos sentimentos gerou a desertificação
O teu coração quer me tornar num órfão de afeição
Eu olho para os teus olhos e hoje apenas refletem a insatisfação
Em que pé estamos?
Se de um ou outro tudo se resume a "tanto faz"
Se os sonhos e fantasias, juntos não enxergamos mais
Parece que bebemos dos relacionamentos tóxicos demais
Nem tanto em prantos nos encontramos
Mas em que pé estamos?
Quando o prazer nos abandona... Com quem ficamos?
Órfãos nos tornamos!
Nem Eu e nem você o erro aceitamos
O orgulho tem o seu defeito, olhe o quão crasso
Será que nos reduzimos ao fracasso?
Diz-me... Em que pé estamos?
