Textos de Saudade
SAUDADE
"Seus olhos castanhos me assombram, me dominam, desde a última vez em que o brilho dos seus olhos, brilhou de volta por entre os meus.
Nunca vão compreender o quanto a amo, receio que nem mesmo você.
Saudade da sua presença, dos seus problemas para que eu possa solucioná-los, para depois ver você com raiva, dizendo que não quer que eu os solucione.
Saudade da sua gargalhada, aquele instante em que você a carrega e aguarda para soltá-la.
Inveja da vento brincando nas ondas do seu vestido, é o mais perto que minhas mãos já estiveram.
Saudade das curvas do teu corpo, que são como as das montanhas das cordilheiras, dolorosa e a espera para que eu me perca entre elas mais uma vez.
Não desejo você, pois o desejo foi atrelado a morte, para que os homens pudessem matá-lo, entrego a você o meu amor, pois foi atrelado a vida, para que pudéssemos vivê-lo."
"Soube que era saudade
quando houve perdão sem ocorrer pecado.
Quando notei que a lua não respeitou o dia.
Quando as asas antecederam o pássaro.
Quando o beijo chegou antes dos lábios.
Quando fiz duas porções para jantar só.
Quando houve dicotomia e minha alma se apresentou sem corpo.
Quando meu corpo sentiu o que meus olhos não enxergaram.
Quando fechei os olhos para enganar o meu cérebro.
Quando vi sua foto e a memória quis encarnar."
Dia da saudade
Lembro de quando era mais novo e nenhuma saudade morava em mim.
A saudade parece ser um diálogo silencioso entre quem ficou e quem segue.
Mia Couto a descreveu como uma tatuagem na alma, afirmando que só nos livraremos dela perdendo um pedaço de nós.
É a palavra que usamos para abraçar quem não está por perto.
Rubem Alves, ao nomeá-la, disse que a saudade é a nossa alma dizendo para onde quer voltar.
Acho que ela é o instante querendo reacontecer.
Ai, que saudades que eu tenho do sertão
tinha um ranchinho
hoje não vejo mais nada
Ai, ai, meu Deus
quanta dor, quanta aflição
êêê, quanta saudade que eu tenho do sertão
Tá tudo novo, tá tudo modernizado
Coral: tá tudo novo, tá tudo modernizado
Ai, que saudade eu tenho da minha boiada
pega de boi
da minha vaquejada
do meu chapéu
do meu facão
do meu gibão
Ai, que saudade que eu tenho do sertão
Tá tudo novo, tá tudo modernizado
Coral: tá tudo novo, tá tudo modernizado
Sinto saudade da pureza do ar,
Da pureza pela pureza.
Sem cliques.
Do canto despretensioso dos pássaros.
Do toado das crianças que brincam
Sem pretensão de culpa,
Com presunção de inocência.
Do verde dos bosques rutilantes.
Do azul do céu só pelo azul
E nada mais.
Sinto saudade de quem eu era
Antes de escalar o monte dos pensamentos
E ser condicionado a ser o que sou.
Sinto saudade de mim.
O mal real existe e é humano, não místico.
Ele nasce da ausência de consciência, do ego sem limite, da falta de responsabilidade.A melhor proteção espiritual hoje não é o medo, nem a crença cega, é o discernimento.Consciência não é acreditar em tudo.É saber onde parar.
Quem desperta não se perde em fantasias, não terceiriza o próprio juízoe não entrega a própria lucidez em nome de narrativas.
Evoluir é enxergar com clareza, agir com ética emanter os pés no chão, mesmo com o coração aberto.
Um rio...
E quando deixamos a saudade seguir sozinha, há sempre um novo caminho, um rio que leva a nossa imaginação para distâncias incalculáveis, sem medo, vamos virando na próxima curva, lá, as opções são infindáveis, há beiradas onde a sombra ameniza o calor, e a brisa, parece gostar da nossa companhia.
by/erotildes vittoria
CARRINHO D’ÁGUA
Saudades daquele carrinho de feira cheio de garrafas pet vazias, passando rumo a mina d’água, fazendo barulho nas pedras do asfalto ou nos desníveis das calçadas e ao retornar, vinha fazendo inhac, inhec, inhac, inhec, com o peso da água que enchia todas as garrafas. E era uma alegria quando criança, ir buscar água, colocar mais de uma garrafa ou galão para encher ao mesmo tempo sobre as torneiras, era tão bom que de vez em quando se formava até fila.
Que sede!
E era assim na minha casa e em quase todas as casas do bairro e da cidade, água só se for da mina, e que alegria!
Hoje passo naquela velha mina que um dia bebi muita água e o que sobrou, apenas paredes pixadas, torneiras que não abrem mais, cheiro de urina, bitucas de cigarros, um enorme descaso, o que trazia tanta alegria, vida e saúde se tornou um lugar feio, sujo e insalubre.
Agora a água chega na porta de casa em um galão e não é mais carrinho de feira, muito menos está vindo da mina, vem da distribuidora, entregue por um entregador, que entra em sua casa, coloca o galão em um filtro e cobra um valor... Que calor!
Criança e adolescente nos dias de hoje, deixaram morrer esse velho costume, os pais não ensinaram, o vizinho não explicou... Que saudades do meu avô!
Esse, na ponta da língua tinha a rima, “se for beber água, só se for água de mina!” Que sina!
Ir para escola era muito bom e uma alegria a hora do recreio, tinha diversas conversas, amizades, brincadeiras, e em todas, eu estava no meio.
Depois da aula, tudo continuava na pracinha, era pic esconde, pega pega, burica e amarelinha, carrinho de rolemã, patins, bicicleta, skate e pular corda.
Hoje é computador, celular, videogames e o resto fora de moda.
Era café da manhã com pão, almoço arroz feijão e ovo e o mesmo na janta, agora é lanche do Mac, pizza, refrigerante, doce e outra coisa não adianta.
Todas nossas atividades era um exercício e todos exerciam, andava descalço, sujava a roupa e tomar banho na chuva era rotina, agora é ar-condicionado embaixo do telhado bem protegido, só levanta para ir ao banheiro, banho nem de chuveiro, só sedentarismo.
Te pergunto o que fazer, virou até seriado de TV, pessoas que não param de comer e com o garfo tem um compromisso, isso não é coisa do meu tempo, onde faltava até o sustento, em plena fase de crescimento e com saúde até hoje estamos vivos.
Hoje está tudo diferente, todos se dizem tão inteligentes e sabem se cuidar, para cada dor um comprimido, na internet milhões de amigos, doença é não ter celular...
De casa não sai, não importa aonde vai, pois quando chega já vai perguntar, qual a senha do Wifi? Se não tem, a gente já vai, é assim em todo lugar
Não me perdi, mas o mundo se encontra perdido, muitos ouvem, mas não dão ouvidos, estão correndo grande perigo dentro da internet.
Já não sabem o que fazer, mudou o jeito de falar e de escrever, é para mim e para você, esse mundo de marionetes!
BRASIL, ESSA É SUA CARA?
Que saudade daquela terra indígena, onde o maior crime era deixar estragar a proteína, onde os banquetes eram tantos e não se consumia, onde não se tinha rebeldia e nem covardia, não se conhecia letras, mas boas palavras eram seu guia, sem saber, agradeciam a luz do Sol, um Deus que temiam, mas não entendiam o que era a lua que aos poucos se enchia... que bailarina...
E foi em um dia feio, que os barcos desceram dos seus navios, atracaram pela terra com seu covil, ofereceram presentes, compraram aquela gente, na baixa de um rio, e quem sorriu? Pedro? Alvares? Animal? Sem sal o tal, com lanças e flechas matando mais que um _______, isso foi real, nada leal, onde só existia bondade se espalhar o mal no país do Real.
Assim se fez a mistura, de uma raça que se diz nobre, com a raça mais pura, que loucura; e surgiu o surgimento que conhecemos há tanto tempo, nesse pequeno grande país violento, sem sentimento, nem conhecimento, o que era barro e madeira se tornou cimento, com filhos ao relento, tanta abundância e falta alimento, é muita informação e continuará sendo, mas não me rendo para aqueles que não me entendem eu finjo, que até os compreendo, tendo que entender o que é o sofrimento, só lamento.
Brasil, essa é sua cara? Uma ferida que não sara? Internado na UTI, jogado dentro de uma vala?
O que não se resolve na conversa, a violência escala e come bala que nunca para;
Nas redes sociais se pegam muitos pois não se usa mais a vara que corrigia o filho dentro de casa, a rua se torna sua sala, passa tudo para cá, e sua boca cala como se não fosse nada, um país que vive bolado e na 2ª. é sua ressaca, muitos morrem por falta de dinheiro, pois por dinheiro se matam, e criam asa se consumindo em fogo que arde em brasas, não se esqueça que na subida e descida se usa a mesma escada, que palhaçada.
Brasil, vamos mudar de casa em que momento?
Pare de usar máscaras e maquiagem desde seu surgimento
É hora de realmente fazer o desenvolvimento, um país tão rico de conhecimentos, onde se aprende com uma mula e um jumento, que tudo é questão de cada um descobrir o seu talento, junto do próprio sustento, enquanto alguns param eu continuo em movimento, quero ver meu país gigante, crescendo, dividir tudo o que tenho mesmo não tendo, se luto, brigo, vou pra cima, é porque sou de carne e carne tem sentimento, não quero abaixar seu salário, mas quero um aumento, para que a fome não seja um tormento, para os que fingem não ver eu estar te vendo, se quiser me ouvir fique aí, vou continuar lendo, escrevendo, para os que creem em uma vida melhor, eu peço continuem crendo, vivendo, sendo, para mudar essa cara de um Brasil violento!
Tem pessoas que nem conhecemos pessoalmente e quando se vão deixam tanta SAUDADE!!!!!!! Não...não trata - se somente de idealização, simpatia...São pessoas que têm a alma no olhar...exposta, aquelas que mais parecem LUZ, ANJOS...e que de alguma forma gostaríamos de ter conosco ainda.
................................Flávia Abib
A Incredulidade
A incredulidade define a ausência de fé,
Se recusa em crer ou em se convencer.
É um estado de falta de crença e até
Um obstáculo para na vida vencer.
A falta de fé é uma dureza do coração,
É uma resistência à verdade.
A presença de fé supera desafios, então,
A fé não é uma vaidade.
Diferente da dúvida, que é uma fé fraca,
A incredulidade é a falta dela.
É uma qualidade de quem não se convence fácil
E se deixa levar por uma parcela.
A incredulidade é a recusa em crer,
Barreira à instabilidade emocional,
Limita as experiências pra valer,
A uma vida instável, modo substancial.
Acredita-se que a falta de fé rouba a paz,
Causa desânimo pessoal e leva à apostasia.
Afasta o indivíduo do seu propósito, aliás,
A paz roubada e a alegria.
Agora, a fé que Deus existe
É a crença firme, no coração,
Na existência de um Criador e consiste
Em amor, fundamentos e devoção.
Suas promessas são revelações divinas,
E vão além da necessidade de provas físicas.
Ela não é considerada uma ruína,
Nem aqui, nem no espaço físico.
Essa fé não é abstrata,
É uma convicção que transforma o ser,
Permite mover "montanhas" em tempo exato
Enfrentar dificuldades com a convicção e crer
Num propósito maior de fato.
Raimundo Nonato Ferreira
Fevereiro/2026
Quando a distância é longa, a saudade é cada vez mais curta
E no coração, um nó que não desata.
A mente viaja, a alma se acalma.
E no silêncio, um nome se multiplica.
A cada dia, um pouco mais perto
do momento em que vou tentar te esquecer.
A ansiedade aperta, o tempo acelera os dias.
E a saudade, um fogo que arde e não sacia.
Mas na memória, um sorriso.
E a esperança de um flerte se avança.
E mesmo sufocado, um brilho se acende.
É a certeza de que o amor não se rende.
(Saul Beleza)
Meu guia
Metade de um todo é amor e a outra metade é saudade desse mesmo amor,
quebrado por dentro e raso demais por fora para entender os dias que ficam e os que vão,
qual a mágica para transformar uma dor no coração em sorrisos?
o pior foi receber o teu último beijo sem saber que era um adeus,
tenho a impressão que estou morando dentro de uma câmara fria e invisível,
o meu guia é a reciprocidade, um dia espero vencer esse oceano.
Puro encantamento
Pensar em você dói,
a saudade chega a causar desequilíbrio,
na consciência a conexão é presente e os sentidos se comportam de maneira extraordinária,
nas orações os motivos são meros detalhes, já os pedidos são muito sensíveis,
num instante uma pausa para o vazio, no momento seguinte uma ininterrupta viagem sobre nós,
entre sonhos e medos e entre planos e desejos, uma voz no ego é ouvida, logo um abraço protetor é sentido,
então, arrebatado pelos sentimentos anciões sou levado aos sorrisos e perfumes daquela encantadora borboleta rabo de dragão e ali me perco nos labirintos do seu doce encantamento.
Conexão que arde
Tentar esquecer uma conexão que arde é a mesma coisa que cutucar a saudade com a distância,
Um coração casca grossa é sensível a insistência do retorno, porque as ideias opostas não se separam com tanta facilidade,
Através do choro as noticias chegam sobre você e elas deixam marcas nas lembranças, então começo a montar o quebra-cabeça na linguagem do amor que apenas nós dois conhecemos,
E independente do que os meus olhos veem como arte o meu coração está preparando em silêncio na certeza do que nunca deveria ter acabado.
Nem imagina o estrondo que saudade faz
Ecoa no peito, sem parar
Eu aqui com meus madorno, sonhos repentinos
Vendo tua imagem, sem te encontrar
A distância é um abismo, que não se cruza
Só resta a memória, e a vontade de voltar
Mas por agora, só resta sonhar
Com o reencontro, e o abraço que vai durar.
(Saul Beleza)
Saudade do que foi vivido
Sinto saudade não do que faltou,
mas do que existiu inteiro,
do riso que aconteceu sem esforço,
do tempo em que o corpo não doía por lembrar.
É uma saudade estranha,
porque não pede volta,
só reconhecimento.
Ela diz: isso foi real, isso me atravessou.
Tenho saudade do jeito que eu era
quando aquilo cabia em mim,
quando o mundo não pesava tanto
e amar não exigia sobrevivência.
Não é ausência.
É memória viva.
Algo que passou, mas não morreu.
Algo que vivi, e por isso, deixou marca.
Saudade é isso:
não um buraco,
mas uma cicatriz quente
provando que houve vida ali.
San Telmo
Tenho saudade de San Telmo
não como lembrança bonita,
mas como falta física.
Daquelas que apertam o peito sem pedir licença.
Saudade das ruas gastas,
do chão que já ouviu passos demais
e ainda assim sustenta quem passa.
Ali, o tempo não corre. Ele observa.
Sinto falta do cheiro antigo das casas,
do tango escapando pelas esquinas
como quem não quer ser esquecido.
Em San Telmo, até o silêncio tem memória.
Ali eu era parte do cenário,
não visita.
O bairro me reconhecia
antes mesmo de eu dizer meu nome.
Hoje carrego San Telmo dentro,
feito ferida que não infecciona,
mas também não fecha.
É casa que virou ausência.
Não dói por ser passado.
Dói porque ainda é meu.
Há quem olhe de longe
não por saudade,
mas por inquietação.
Curiosidade não é cuidado.
É a pergunta que se faz
sem coragem de escutar a resposta.
Quem observa em silêncio
costuma carregar dúvidas
que não sustenta em voz alta.
Espia para confirmar
se a escolha feita
ainda se justifica.
Mas olhar não é presença.
E visitar não é permanecer.
Há histórias que não aceitam plateia
de quem escolheu não ficar.
Algumas portas seguem visíveis
não por convite,
mas por transparência.
Outras jamais se reabrem,
mesmo quando vistas.
E se alguém entende ao ler,
entende porque sabe.
Curiosidade reconhece
aquilo que não foi resolvido.
Eu me sentia invisível ao teu lado,
doía admitir — ausência não se apaga,
o tempo apenas cala o que é calado
e ensina a dor a descansar na vaga.
Segui meu rumo, outra mão tenho amado,
te contei, e o teu “feliz” soou vago:
era verdade ou gesto educado
pra esconder o indizível, sufocado?
Nunca soube se era defesa ou medo,
a tua condição, teu silêncio espesso;
fiquei — porque isso, ao menos, era afeto.
Hoje amo, e mesmo assim penso no avesso:
se um dia me amaste, guardo o segredo
e peço perdão por culpas que não peço.
