Textos de luto para refletir sobre a perda e a saudade

⁠não é solidão.
é invasão consentida.
um tipo de presença que não pede licença
porque sabe que ainda tem a cópia da chave.



o lado esquerdo da cama cede.
não por hábito.
mas por teimosia do lençol.
o corpo ausente continua exigindo espaço ~
e eu cedo.



a toalha continua úmida.
não sei se é da última vez
ou de alguma memória que escorreu
quando eu não estava olhando.



o som do gelo ainda cai no copo.
como se tivesse a quem servir.
mas ninguém brinda comigo.
nem o silêncio.



a morte não te levou.
ela só desfez o contrato.
ficou com o nome,
com os papéis,
com a parte que convence os outros
de que você se foi.

mas o resto ficou.
os ruídos leves no corredor.
o perfume que reaparece ~ sem explicação.

essa mania absurda de eu ainda saber
o ritmo da sua respiração
mesmo sem você.



ninguém me disse que o luto fala baixo.
que ele deita do meu lado
e às vezes respira junto.

que eu ainda viraria de lado à noite
esperando um corpo
que aprendeu a não chegar.



não sei se sinto falta
ou se me converti naquilo que faltava.
na forma da ausência,
no vulto do costume,
no intervalo entre a porta abrindo
e ninguém entrando.



não sei mais se sinto falta.
ou se já sou feita só disso.
da tua falta com forma.
com corpo.
com tempo marcado.
com trilha sonora que insiste
em tocar quando não devia.



isso não é saudade.
é ocupação indevida.
com senha do wi-fi.
com chave da porta.
com espaço no armário.

uma ausência que não partiu.
só se instalou.
e tem me mantido acordada
no mesmo ponto
em que você deixou de me amar.

como se esse ponto fosse
casa.
fim.
ou castigo.

Juliana Umbelino • O Luto Sou Eu

#Luto #Poesia #LiteraturaBrasileira #Relacionamentos #Leitura

Inserida por Umamineira

⁠não houve justiça. nem perdão. só o costume de esquecer.

a professora faltou hoje.
mas ninguém perguntou por quê.
disseram que ela "estava estranha" há dias —
como se tristeza usasse crachá.

a vizinha do oitavo foi despejada.
levou um gato.
deixou uma planta na portaria.
ninguém subiu com ela.
ninguém ligou depois.

um amigo meu não responde mais.
não porque sumiu.
mas porque cansou de tentar explicar
por que dói mais quando dizem que você precisa seguir em frente
como se a frente existisse
pra quem ficou soterrado por dentro.

falam muito em cura.
mas quase sempre é cobrança disfarçada.

falam muito em perdão.
mas quase sempre é silêncio em cima da dor alheia
pra não estragar a estética do discurso.

ninguém quer saber o que te quebrou.
só querem que você pareça inteiro.

a mulher que denunciou
foi lembrada como “intensa demais”.

o homem que chorou
foi tachado de instável.

a criança que travou
foi chamada de birrenta.

não existe justiça
quando o critério é o incômodo que você causa.
nem perdão
quando o outro não acha que errou.

e ainda assim,
o mundo continua a se cumprimentar nas calçadas.
a desejar bom-dia
com a voz pastosa de quem não quer escutar resposta.

não houve reconciliação.
houve esquecimento.
que é o nome elegante do abandono.

a justiça virou post.
o perdão, estética.

ninguém quer reparar.
só remendar o que aparece.

e se você insiste em lembrar,
te chamam de ressentida.
te pedem leveza,
mas nunca te devolvem o que te tiraram.

ninguém paga.
ninguém volta.
ninguém segura a mão da criança que você era
quando a dor começou.

perdoar virou roteiro.
mas ninguém ensina a segurar o corpo
quando ele treme só de ouvir o nome.

a justiça falha.
mas o que mais dói
é ver quem sempre se calou
sendo cobrado por não reagir bonito.

a verdade é que a maioria não quer justiça.
quer tranquilidade.

e o perdão?
só serve se vier com laço e silêncio.

hoje,
eu vi alguém chorar no vagão do metrô.
ninguém olhou.
ninguém estendeu palavra.
mas todos pensaram:
“tomara que fique bem.”

como se torcer fosse gesto suficiente.

não houve justiça.
não houve pedido.
não houve volta.

mas houve alguém que entendeu
que continuar,
mesmo sem reparo,
tambem é um tipo de resistência.
e isso, aqui,
é o mais próximo que a gente tem do perdão.

Inserida por Umamineira

⁠sem justiça, sem perdão — só protocolo

ninguém é salvo.
alguns só têm boa assessoria.

há quem confunda resposta com redenção.
mas o que é dito publicamente
raramente se parece com o que sangra no privado.

o mundo aprendeu a pedir desculpas
como quem emite um recibo:
com data, com cálculo, com linguagem neutra.

desculpa hoje vem com asterisco.
com planejamento de imagem.
com legenda que diz “aprendi muito”
sem dizer o quê.

ninguém quer ser perdoado.
só esquecido.

e rápido.

a justiça também virou performance.
é lenta onde devia ser urgente.
é veloz onde devia ter escuta.

e se você gritar,
vão dizer que perdeu a razão.
se ficar em silêncio,
vão chamar de consentimento.

não há saída fácil
quando quem escreve as regras
também decide quem merece exceção.

no filme,
a ilha prometia liberdade.
e entregava anestesia.

a dor era arquivada.
os traumas, redesenhados.
o passado, editado para caber numa narrativa rentável.

não é ficção.
é estrutura.

é o feed onde tudo parece harmonia,
mas ninguém pergunta quem limpou o chão depois da festa.

o mundo não quer justiça.
quer justificativa.

e isso — isso é o mais desolador.

perdão, aqui,
não nasce de consciência.
nasce de conveniência.

e a paz?
ela existe —
mas só pra quem pode pagar pela versão limpa da própria história.

quem sobrevive,
sabe:
não há reconciliação onde o poder segue intacto.

há só o silêncio de quem entendeu tarde demais
que perdoar também virou moeda.

e que a justiça, hoje,
é só uma sala com espelhos.
e ninguém mais reflete.

Juliana Umbelino

Inserida por Umamineira

⁠I. a parte em que ninguém percebe

há dias em que o mundo continua ~
mas eu não.

eu me arrasto dentro da roupa.
cumpro compromissos como quem finge
ainda habitar o próprio nome.
me sento onde sempre me sentei,
mas algo em mim não chega.

o corpo levanta,
mas não comparece.



há horários que evito.
nomes que pulo.
itens na gaveta que não toco há meses.

não é superstição.
é autodefesa.

ninguém entende.
porque continuo funcionando.
mas já não pertenço à máquina.



II. a parte que só eu escuto

há um som que só eu ouço.
não é voz,
não é memória,
não é aviso.

é uma frequência baixa
que vibra quando tudo está em silêncio.

uma presença que não se mostra,
mas me atravessa.

me obriga a manter as janelas fechadas,
a não reorganizar os móveis,
a conservar os espaços como estavam
no dia anterior ao que nunca mais passou.



não estou esperando nada.
mas também não fui.
é isso que ninguém entende:
o não ir.

o continuar por engano.

o viver como quem segura a respiração
no fundo da piscina
sem saber se ainda é possível subir.



III. a parte em que eu entendo

as coisas não melhoram.
elas se adaptam.
e chamam isso de cura.

eu aprendi a conversar sem falar.
a sorrir sem acionar músculo.
a dormir com a sensação
de que algo ainda respira ao lado.

talvez seja eu.
talvez não.

mas sigo deitada.
olhando pro teto
como quem espera uma explicação
que não chega.



e então amanhece.
como se nada tivesse acontecido.
como se meu corpo não estivesse carregando
o peso exato
do que ninguém ousa perguntar.

e eu levanto.
porque a vida, ao contrário da morte,
não precisa pedir permissão pra continuar.

Juliana Umbelino • O Luto Sou Eu

#LeitoraVoraz #Luto #Sentimentos #Lar #LiteraturaBrasileira

Inserida por Umamineira

⁠há coisas que não escrevi em papel.
mas continuam aparecendo nas minhas mãos.



talvez seja isso que chamam de seguir em frente:
continuar tocando o mundo com dedos que ainda tremem do que não foi dito.

não é culpa.
não é saudade.
é o tipo de presença que já não tem nome
mas ainda sabe o caminho até minha cama.



essa semana, encontrei seu nome
no fundo de uma gaveta
onde não guardo mais nada.
mas ali estava ele.
como se nunca tivesse saído.

às vezes, as lembranças têm a audácia
de se esconder nas coisas limpas.



tem palavras que não escrevi,
mas o corpo aprendeu.
tem hábitos que finjo que perdi,
mas reaparecem nos dias em que durmo pouco
e acordo cedo demais pra estar viva de verdade.



nunca fui de ter fé.
mas às vezes falo contigo
como quem reza pra algo que não acredita,
mas precisa manter por perto.

e não.
não é oração.
é hábito.
é cansaço.
é um tipo de apego que ainda late.



ninguém me avisou que aquilo que não se escreve
fica procurando lugar pra sair.

às vezes escorre no banho.
às vezes bate na parede da garganta.
às vezes se arruma inteiro pra aparecer de madrugada
com cheiro de antes
e a voz que eu jurei não lembrar mais.



tem dias em que acordo com a sensação de que alguém escreveu em mim.
e não fui eu.
como se as mãos tivessem lembrado o caminho sozinhas.
como se o corpo tivesse sonhado um gesto
e decidido repeti-lo em silêncio.



há coisas que eu jurei ter superado.
mas continuam me usando como hospedeiro.
coisas que encostam nos objetos,
mexem na disposição dos móveis,
ficam em pé no canto do quarto
como um pensamento que ninguém convidou
e não tem educação pra sair.



as palavras não saem.
mas a sensação fica.
e ela sabe usar minha mão pra lembrar.



ninguém vê.
mas tem algo aqui dentro
que escreve por mim.

não escreve bonito.
não escreve pra curar.
escreve pra lembrar que eu ainda sinto.



o que não é escrito,
às vezes cresce.
às vezes pesa.
às vezes te escreve de volta.

sem papel.
sem tinta.
só a memória viva do que você tentou enterrar
com palavras que nunca chegaram a nascer.



e é aí que mora o perigo.
no que ficou grande demais
pra continuar calado.
mas educado demais
pra gritar.

Juliana Umbelino

Inserida por Umamineira

⁠eu cresci ouvindo duas vozes.
uma dizia: abaixe a cabeça.
a outra perguntava: até quando?



no começo, obedeci.
porque ensinaram que ser boa
era o mesmo que não incomodar.
que ser certa
era não querer mais do que te dão.

e eu quis.

quis tudo.

quis entender o que havia em mim
que doía mesmo quando tudo estava calmo.
quis saber se a fé podia existir sem promessa.
se era possível amar sem se oferecer em sacrifício.



foi assim que aprendi a diferença entre culpa e chamado.
culpa grita quando você se escolhe.
chamado sussurra quando você esquece de si.



tem gente que ouve Deus nas igrejas.
eu ouvi dentro de mim.
no dia em que parei de fingir que tava tudo bem.
no dia em que parei de repetir o nome dos outros
como se fosse meu.



não me tornei melhor.
me tornei honesta.
com a raiva.
com o medo.
com a sede de parar de agradar
quem nunca teve fome de mim.



há quem diga que a vida é sobre encontrar paz.
mas ninguém avisa que, às vezes,
a paz é barulhenta.
ela chega quebrando os móveis
onde você guardava a versão que os outros aceitavam.



no fim, eu entendi:
o inferno não são os outros.
é a tua própria voz
cada vez que você se cala pra caber.

e o céu?
o céu talvez seja esse instante exato
em que você decide nunca mais se explicar.



Juliana Umbelino

#Literatura #AmoLer #Leitora #Leitura

Inserida por Umamineira

⁠os ombros aprenderam a subir.
sozinhos.
pra se defender de um impacto que não vem mais,
mas continua esperado.

e ninguém percebe.
porque do lado de fora,
parece só postura.



os olhos seguem.
mas sem foco.
não procuram.
se movem por convenção.
há muito deixaram de querer encontrar.



a respiração encurta
em lugares muito cheios,
em mensagens muito longas,
em olhares que demoram mais que dois segundos.

não é fobia.
é memória corporal de quando tudo doía demais
pra ser dito em voz alta.



o toque —
não importa se vem por afeto ou distração —
é lido como ameaça.
o corpo se retrai antes de entender.

o corpo entende antes da razão.
sempre entendeu.



tem dias em que visto a roupa com cuidado
pra que ela esconda
onde dói mais.

e se encaixe nos ombros
como um escudo.
ninguém repara.
mas eu visto pra não ser tocada.



os pés não fazem barulho ao andar.
não por elegância.
mas porque aprendi que ser invisível
é, às vezes, mais seguro do que ser querida.



há partes minhas que desativaram.
não por escolha.
por sobrevivência.

ninguém nota.
mas eu parei de acenar.
parei de chamar.
parei de responder ao próprio nome
com entusiasmo.



isso não é trauma.
é adaptação.
o corpo se acostuma a não esperar retorno.
e começa a existir
com o mínimo necessário
pra não sumir.



mas o mais cruel é que, por fora,
parece força.
parece autonomia.
parece “nossa, como você lida bem com tudo isso”.

mal sabem
que foi o ombro subindo sozinho
que contou o resto da história.



Juliana Umbelino

Inserida por Umamineira

⁠A última vez que falei com a senhora foi na quinta-feira. Como sempre, com aquele cuidado carinhoso de quem se importa de verdade:
"Como está o trabalho?"
"E a faculdade, está gostando?"
"Ainda está estudando pra concurso?"

A senhora nunca deixava de demonstrar atenção, mesmo nas coisas mais simples. Sempre presente com palavras que acolhiam, sempre interessada em saber como eu estava, mesmo quando o mundo parecia girar depressa demais.

Receber a notícia da sua partida foi como um silêncio que ecoa. Seu jeito singelo, mas firme, dava brilho à nossa família.

O que mais me dói é não poder estar presente neste momento. Dói não poder contribuir fisicamente com o que talvez fosse meu último gesto de cuidado com quem tanto me cuidou.

Mas levo comigo a esperança de que, de alguma forma, eu possa honrar a sua memória com a minha caminhada.

Descanse em paz, minha vó. E obrigado por tanto.

Inserida por filipe_barreto_1

⁠Cabelos caindo
Dentes lascando
Língua sangrando
Cansaço frequente
Fraqueza anormal
Alimentação ruim
Unhas fracas
Dentes ficando amarelos
Higiene regredindo
Impulsividade fora do controle
Apatia...
Esperança de te encontrar na próxima página desse caderno velho...
Esperança de te reencontrar na av sete de setembro
Esperança de sentir seu calor novamente, seu amor, sua saudade
A gente só sente saudade de algo quando a gente perde algo, e quando foi mesmo que eu te perdi? Eu nem me lembro mais...
Eu ainda te amo
Você soa como palavras não ditas num discurso de ódio, ou melhor, de amor...
Melhor ainda... Você apenas soa como palavras não ditas dentro da minha cabeça
Você ainda vive dentro de mim
Tudo ainda tá aqui, o que mudou é que o tudo que era nosso não tá mais com você.
Você ainda vive aqui dentro de mim, naquele sítio que eu te prometi, de como você me contava de quando você e sua mãe brigavam, e sem pensar duas vezes eu te prometia te tirar daquele inferno cotidiano assim que você completasse 18 anos, mas como ditado diz...
Quem jura, mente...
Eu não estava mentindo, só que o destino não queria isso pra gente.
Você ainda vive dentro de mim...
Você e a Millena e o sítio, e a briza fria da manhã num dia ensolarado, era assim que eu te descrevia meu doce girassol.
Eu te amo, não se esqueça nunca de mim girassol
Eu nunca vou te esquecer, vou te levar pra sempre comigo, com a gente....
Você ainda vive dentro de mim.... E vou levar você, a nossa linda filha e o nosso momento pra sempre dentro do meu peito.
Viva com ele, como você nunca viveu dentro de mim...

Inserida por Extintor

⁠Meus sentimentos não passam de leve — eles rasgam, queimam, vibram na pele.
Tudo em mim sente demais, vive demais, doa demais. Deus me livre de atravessar essa vida de forma mecânica, anestesiada, e sem alma.
O que me torna tão humana é justamente essa vulnerabilidade em sentir tudo. Essa entrega sem defesas, essa coragem de sentir até o que machuca.
Porque até a dor, quando vivida por inteiro, me lembra que ainda estou aqui — viva, presente, pulsando.
E eu sou grata por isso.
Porque a vida é breve, e talvez essa seja a única chance que eu tenha de sentir tudo o que há pra sentir
eu sou profundamente grata por não ser feita de indiferença.
Pois ser indiferente seria desperdiçar o milagre de estar viva.

Inserida por sarahcastello

⁠Minha vida tem tantas portas...
Tem vias retas... tem vias tortas.
Toda manhã ao sol nascer...
qual delas quero trilhar...
tranquilamente posso escolher.
Vou seguindo nesse espaço infinito.
Num compasso tão bonito...
Dois pra cá... dois pra lá...
Fazendo meus dias formosos.
Gravando na alma tudo em que acredito...
Tenho força, tenho entusiasmo, tenho ânimo...
Tenho fé... acima de tudo
Um futuro leve e cheio de paz.
Para qualquer dor, tenho um escudo.
Todavia...
As vias nem sempre como quero se desenham...
Apesar de todo meu empenho...
Lá vem nuvens pesadas devagarinho...
Seu intuito: fazer sombras pelo meu caminho.
Tenho toda a força do mundo...
Luto... esmurro... grito... rujo como um leão...
Mas o mundo tem-me feito muitas vezes um frio e insensível vagabundo.
Luto, sim... mas, às vezes, esmorece meu coração.
E tá tudo bem 😉

Inserida por RosangelaCalza

Para quem fica é sofrimento pois perdemos pessoas especiais para o mistério da morte que nunca à compreenderemos, mas para quem se foi é mero descanso causado pelo sofrimento dos problemas vivenciados na terra antes da sua partida.
Só resta para quem ficou, buscar forças em Deus para superação da dor.

Inserida por IlzimarDantas


A peneira da seletividade não começa na infância, afinal lá temos a inocente mania de achar que família são todos que tem o mesmo sangue que a gente.
A vida adulta chega e com ela também chega o que a Bíblia chama de dia mal. E não queiram saber como esse dia dói, penso que a Ciência jamais explicará o que sente aquele que o vivenciou. Um vazio que nem a vasta imensidão das coisas criadas conseguiria preencher, uma dor que nem o mais eficaz dos remédios poderia resolver.
Nesse momento a consanguinidade se torna tão ínfima que uma mágica acontece, os lindos laços vermelhos da infância, representados pelo sangue, se transformam em laços brancos, representados pelo Espírito. Afinal aonde o sangue não se faz presente, o espírito não se faz ausente.

Inserida por pamellarodriiguess

⁠Para a minha amada mãe que foi morar no céu.

Ao olhar as belezas do mundo me sinto com os seus olhos.
Só quem lhe conheceu sabe da profundidade de cada história que eles refletiam.
O seu jeito aventureira que ainda me enche de alegrias, e ao mesmo tempo muitas saudades!
Foi da minha história, a maior parte,
Tantas lembranças, guardadas em sete chaves.
Você era fogo, e eu calmaria.
Você era realidade, e eu fantasia.
O reflexo da sua alma, estará para sempre a enfeitar o meu coração.
Em cada flor que você poderia admirar.
Em cada lugar que poderia se encantar.
Em cada coisas belas que gostava de descobrir, e cada jeito seu que me fazia rir...
Então, quem sabe um dia mãe poderás me contar sobre o paraíso.
Tenho certeza que é tão imensurável, como o seu sorriso!

Inserida por simone_franciscani

⁠A última carta

Meus dias estão totalmente nublados.
Mas se até às nuvens choram em dias assim,por que eu não poderia?
Vc é meu Sol, que orbita por toda a minha galáxia chamada Coração. E por muito tempo iluminou todos os meus dias,todo o meu interior.

Mas hoje estou de luto,um luto frio e solitário dentro de mim,o luto da dor de perder um grande amor.
Por que eu sempre tenho que falar tanto ou me expressar demais?
Eu ainda não sei, talvez seja meu modo de ser, talvez seja um desabafo, talvez a expressão seja um refúgio que eu ainda não compreendi.
Mas eu gosto de ter o poder das palavras e poder desembaralha-las e fazer sentido ao mundo externo tudo que eu sinto no meu interno,no meu coração.

A minha jóia mais rara e imensurável que faz eu me manter vivo,que bate bate e bate sem parar onde a cada batida é lembrança do quão importe ele é,pq me faz viver e guarda todos os meus sentimentos. O que eu fiz? Eu entreguei pra vc,estava em suas mãos, mas hoje está sangrando e doendo como nunca senti na vida, saiba que sempre foi seu,vc ainda é a dona do meu coração.
E por mais que não acredite,eu ainda te amo de forma incondicional.

Eu fui a tua morada,a tua acalmaria,o teu refúgio,o teu amor, mas incrivelmente ao mesmo tempo eu fui tua tempestade,o teu tormento, a tua dor.
Mas hoje, o que eu ainda sou pra vc?
Talvez eu nunca terei a resposta,pois estou me despedindo,e talvez nunca mais voltarei.

Eu nunca te esquecerei, ninguém jamais vai ocupar o seu lugar no meu coração, vc não sabe,mas essa é a verdade.
Eu ainda te amo,por tudo que a gente já viveu.
Como esquecer alguém que vc tanto ama?
Ainda não sei,mas quando souber a resposta posso voltar aqui e adicionar novas linhas a fim de resolver essa incógnita.

Estou tão inconsolável.
Eu só queria poder deitar agora no teu colo e poder chorar,sim chorar igual uma criança pondo toda a minha dor pra fora,sou homem,mas também sou humano, também sinto,também tenho sentimentos.
Então pra que esconder?

E por mais que vc diga que não me ama mais e que me quer longe de vc, meu Deus, como vou fazer isso?
Se vc não me ensinou a te esquecer?
E sim me ensinou a te amar.
Por medo de te perder, eu me perdi por ver isso acontecer e me perdi cada vez mais estando sem chão por perder vc.

Me desculpa, esse é o mais sincero desabafo de um homem que perdeu um grande amor,eu só quis te amar,mas eu falhei.
Eu só queria ter a chance de poder voltar a trás e finalmente, desenterrar no cemitério de todas as palavras enterradas que eu nunca disse ou não soube dizer a vc.
Eu só queria poder mudar essa realidade em nome do nosso amor,eu só queria te dizer o quanto ainda te amo e idiota por ter aceitado te perder,pq eu devia ter lutado quando eu pude,mas meu tempo acabou.

Por mais que minhas esperanças de vc voltar acabaram, meu coração ainda me diz o contrário, não sei pq ele ainda acredita que vc vai voltar um dia,por favor, mostre que esse coração está certo e aparece pra mim amar,pra dizer que não quer me perder,que ainda me ama,que vai... não sei.
Lágrimas caem agora me dando um nó na garganta.
Eu queria poder ter feito tudo diferente.
Mas saiba que enquanto houver estrelas no céu,vou continuar te amando.
Por mais que os anos se passem e vc esqueça o meu rosto, ainda assim eu te amarei.

Com amor,seu eterno Wildney.
(21/12/2020 às 19h45)

Inserida por WildneyRocha

⁠Mais um dia sem voce
Faz uma semana... Os dias deveriam estar ficando mais fáceis, mas não estão.
Faz uma semana... Os dias cinzentos ainda não foram substituídos pela doce
lembrança e o calor da saudade que tanto ouvi falar.
Faz uma semana... Os a minha volta já falaram tudo que poderiam para mim, eu já ouvi tudo que poderia e lembrar de você ainda me aperta o peito.
Faz uma semana... Os dias que fiquei com você, você era minha força, agora, nos próximos dias, meses, anos e décadas que estou fadado a viver, você será apenas minha estrela.
Nos próximos dias, semanas, meses e anos vou lembrar de você com carinho, com dor, com tristeza e todos os sentimentos possíveis que sempre vem junto com eles
E por mais que você tenha partido, o som de suas patas, seus latidos e seus choros vão ecoar em minha mente sempre que eu passar por aquele corredor que leva pra lavanderia onde você ficava...
Faz uma semana... E eu não consigo me acostumar com a ideia que você partiu.
Se você pudesse ouvir, de algum jeito essas palavras, eu sei que não me culparia, pois seu coração era puro, mas eu não consigo parar de me culpar, por favor... Faz isso parar.
Faz uma semana... E essa dor em meu peito não se afasta...

Inserida por daniel_artur_silva

Todo o mal que nos fizerem, sobretudo os males que aniquilarem uma parte de nossas esperanças e sonhos dignos, justificará sim um luto. E que o vivamos intensamente. Mas depois que ele - o luto - passar, a própria matemática incoercível da vida se encarregará de colocar tudo - e todos - no devido lugar da reposição da verdade.

Inserida por admiradoresdotony

⁠Como reajo depois de ter perdido o chão?

Você continua. Continua não porque é forte, mas porque tem um Deus forte te sustentando. Você pode achar que perdeu o chão, mas na realidade ele te segurou no colo. Você já venceu tantas lutas, e essa será apenas mais uma, pra sua coleção na estante da superação. Você olhará e dirá: Essa foi difícil, mas eu venci. O Eterno me ajudou, Ele nunca me abandonou.


“Pode a mãe se esquecer do filho que ainda mama? Pode deixar de sentir amor pelo filho que ela deu à luz? Mesmo que isso fosse possível, eu não me esqueceria de vocês!
(Isaías 49:15)

Inserida por JoseanneKarla

⁠...
Hoje faz um ano que meu irmão partiu, e não quero externar tristeza ao me defrontar com um dos principais marcos deste ciclo de resignação, quero expandir minha consciência e recuperar toda a energia que, ao longo deste tempo, foi manipulada pelos meus maiores medos e receios.

Enquanto parte do que sou, descansou, outra parte, ainda bem viva, respira e busca evoluir diante dos caminhos que levam a uma série de projetos que envolvem paz, saúde, família, equilíbrio, sucesso, e evolução física, mental e espiritual.

Meu irmão não partiu em vão, sua missão foi cumprida no plano físico. Já no plano espiritual, tenho a convicção de que a leveza sugerida para estes pontos de aproximação – nós e ele – deve remeter aos pensamentos e lembranças que canalizem energia pura e nova.

Pureza e novidade aceleram nossa renovação, e limpam nossa mente daquela nostalgia que nos leva ao calvário ao invés de estimular um passado mais distante, onde ele vendia vitalidade e nos contaminava com seu carisma singular. Esta é a verdadeira castidade entre elos que foram partidos. Quanto ao novo, ressalto a importância do campo das ideias e das realizações como um contraponto à tristeza. Quanto mais ativos e criativos, menos chance de cedermos espaço para uma infantaria repleta de ansiedade e depressão.

Neste primeiro ano de ausência, quero inundar este marco com a inteligência emocional que me faltou, transbordar o remanso em orações silenciosas, convidar meus entes queridos a fazer o mesmo, e assim, orgulhar aquele que se foi na matéria, mas que continua vívido em nossos corações.

Irmão, que a serenidade destas palavras chegue até você, e que o reflexo desta troca silenciosa irradie luz em todas as direções. Clarividência para prosseguir, resiliência para entender as insígnias de Deus.

Inserida por andre_villasboas

Na eternidade um dia te encontrar

⁠Lembro tampos antigos quando você chegava em casa eu me sentia bem
Quando você me chama de meu neném, minha chere
Jogamos baralho juntos riamos era tão legal, viver com você era tão especial, lembro quando você demorava e eu me preocupava se estava bem
Você me prometeu assim
'Filha eu nunca vô dormir fora de casa'
Ao menos que eu esteja no hospital, eu sorri mais despreocupada e concordei, na verdade eu sempre me preocupava porque tinha medo de te perder, mais é como você me disse a lei da vida é essa os filhos enterram os pais, e eu achei que iria reencontrar mais uma uma vez eu achei
Uma cartinha eu escrevi, dormir agarrada no seu travesseiro
Sonhei que dividimos cocada seu doce preferido, no dia seguinte eu acordei com vontade de te ver
Mais a notícia era que você não estava mais aqui, meu coração despedaçou
O meu mundo caiu mais eu precisei ser forte porque você me disse filha
Se algo acontecer comigo
Cuida da sua mãe
E uma vez na eternidade eu peço a Deus para te encontrar
Mais até eu sempre vou lembrar que eu te amo meu pai
Porque eu te amo eu vou guardar sua memória, o sua vontade principal realizamos e seu sonho vou conquistar
Mais até lá eu vô lembrar e peço a Deus para na eternidade um dia te encontrar
Cícero Pai

Inserida por vitoria_powell