Textos de Festa
1- DE MAIO
UMA FESTA, UMA CONSCIÊNCIA
(Reflexão)
"Ser feliz é bonito. Partilhar é ainda mais necessário" É bonito ver-nos felizes, alegres, desfilar, agradecer e reconhecer o nosso esforço diário. Mais bonito ainda é ajudarmo-nos uns aos outros.
Mas há um ponto que não pode ser ignorado: é arrepiante festejar diante de quem não trabalha, comer diante de quem não tem o que comer. "Nós, que trabalhamos, temos também uma responsabilidade. A de estender a mão a quem está desempregado."
Aquele lixo que acumulas no teu quintal, pode ser trabalho para alguém. Chama alguém e paga, nem que seja pouco.
O teu carro precisa de estar limpo. Façamos valer cada minuto da nossa vida, não só para nós, mas para os outros. Sejamos felizes, mas sobretudo, unidos.
Feliz 1 de Maio de 2026, e perdoem -se sempre.
Entre Confetes e Máscaras
Dia de festa nacional.
Confetes e serpentinas também sinalizam que há inimigos ocultos, escondidos entre as alas das ruas largas e os carros alegóricos que atravessam becos estreitos.
Há, ainda, seres sinuosos e aparentemente divertidos, sorridentes, com a malícia oculta por detrás das máscaras.
É como se, em meio à alegoria, uma pandemia invisível também desfilasse.
É um mistério — pois tudo pode acontecer: comigo, contigo, com todos nós.
Há um perigo iminente, onde toda cautela se faz essencial.
Dê as mãos à alegria, mas mantenha os olhos atentos à vigilância.
Brinque, pule, divirta-se — porém, com prudência.
Bom Carnaval a todos.🇧🇷
Constante 13/02/21
É manhã
O sol nasce
E o dia começa
Sinto que hoje pode ser uma festa
E por que não?
Somos jovens
E isso é o que interessa
Cada dia
Um obstáculo
E cada obstáculo
Um novo desafio a ser superado
O ontem se foi
Levando um pouco de você
Acredite quando eu digo
Que a vida é intensa
E que o tempo é uma constante
Impossível de conter
Viver é um alívio
E disso não dúvido
Por isso agradeço
E sigo meu caminho.
Adner Fabrício
Entre vilões vestidos de festa
Palavras iradas, palavras contidas
entre vilões vestidos de festa
lobos disfarçados de cordeiros
um dia hás de ser mais do que estes vis sinaleiros.
A guerra sanguinária há de ter um fim
entre espinhos cortantes e terramotos violentos
alguém se há de salvar por inteiro
deste mistério horrendo e verdadeiro.
É Natal
A festa começou
Na Vila de Natal
Encontrei o meu presente
Na Vila de Natal
Meu maior presente
É ter você ao meu lado
Nessa noite especial
Na Vila de Natal
É Natal, é Natal
Na Vila de Natal
Vem Natal, Vem Natal
Na Vila de Natal
Só sei que quero estar com você
Meu maior presente é ter você
Nessa noite especial
Na Vila de Natal
É Natal, é Natal
Na Vila de Natal
Vem Natal, Vem Natal
Na Vila de Natal
A fogueira está queimando
Toda a noite se ilumina
Alegria, minha gente
É mês de festa junina!
Quentão, cuscuz, paçoca,
E não se esqueça da pipoca
Toca a música o sanfoneiro
E Santo Antonio é o casamenteiro
E assim vou fazendo rima
É festa caipira, entre no clima
Alegria, minha gente
É mês de festa junina!
#O #GAMBÁ
Armei armadilha...
E peguei um gambá...
Toda noite era festa em meu forro...
Sempre a me atormentar...
Botei linguiça para ser a isca...
Se tivesse posto cachaça...
Tinha pego político seria outra bisca...
Quando que essa praga vai acabar ?
Se não é um gambá...
É uma "autoridade" para mentir e roubar...
Bicho feio, esquisito...
Igual a político...
Só anda aprontando...
Se eu reclamo...
Sai rosnando...
Hoje fica na gaiola...
Amanhã dou sumiço...
Levo para bem longe...
Solto com um sorriso...
Esse mamífero...
Posso até soltar sem perigo...
Mas o político...
Desconfio...
Sei que aqui ...
Não mais há de voltar...
Mas o diplomático...
Que de 4 em 4 anos se mostra simpático...
Tenho medo e lido com cuidado...
O bicho feio...
Com medo fede...
O oficial público me dá medo...
E até me estremece...
É tanta falsidade...
Minha gente , vou dizer...
As vezes prefiro o gambá...
Do que outros safados...
Que a gente tem que também prender...
Amanhã eu solto...
Lá perto do ribeirão...
Enquanto do outro passo longe...
Bem de largo...
Não aperto a mão...
Tenho certeza...
Vou dizer...
Amanhã à noite...
Armo outra armadilha...
Pego mais gambá ordinário...
Mas de político safado...
Passo longe...
Não sou otário...
Sandro Paschoal Nogueira
Cantinho do Vale🍷
Brinde na mão,
barato que aquece, destrói o coração.
Na hora é festa, risada, união,
no dia seguinte… A ressaca é do cão!
Boca seca, cabeça em turbilhão,
corpo pede água, alma pede perdão.
Mas rimos alto, ninguém perde a paixão,
porque no Cantinho, vale cada canção.
As pessoas passam quando veem flores.
Param quando há festa, riso fácil, promessas leves.
Mas desviam o olhar diante da cadeira, do silêncio,
do corpo que pede cuidado e não encanto.
Fico.
Não por vocação ao sacrifício,
mas porque amor não negocia presença.
Ser só eu e ela pesa,
não pelo caminho em si,
mas pela constatação de que poucos sabem caminhar
quando o chão exige firmeza.
Aprendi a ser suave sem ser frágil,
a seguir sem plateia,
a entender que quem vai embora
não falhou comigo,
apenas revelou seus limites.
E sigo.
Com menos mãos ao redor,
mas com a consciência limpa
de quem não trocou amor por facilidade.
MENSAGEM DE NATAL
Dezembro, a maior festa cristã aproxima-se e o espírito cristão aflora,
ou pelo menos deveria aflorar em nossos corações.
A paupérrima, em relação a valores materiais,
lembrança do Cristo criança ali naquele estábulo,
entre eqüinos, caprinos, bovinos, deveria servir-nos de exemplo,
que fosse uma pequena dose de humildade,
um pouquinho do gosto do desprendimento
às nossas almas tão atadas aos faustos prazeres e valores fajutos.
Que a luz do santo espírito que Luzia nas pupilas daquele recém nascido,
luzisse ao menos por um átimo
nos lustres luxuosos dos palácios dos nossos líderes
para iluminá-los para leis mais justas e medidas amplas
que varressem toda a espécie de injustiça do nosso tão carente quadro social.
Que entre um aperitivo e outro da nossa burguesia,
ficasse um pouquinho do intragável amargor da miséria do nosso semelhante
para ter-se um mínimo de noção do quão deprimente
é a angústia da criminalidade, da prostituição infantil e da fome.
E assim, mesmo que laconicamente, tivéssemos pelo menos por instantes no natal
a vaga ilusão de que um dia aquela criança
não fora sacrificada pela nossa mesquinhez...
Festa Junina
Prá dançar quadria no sertão é mais mió
sanfoneiro e violeiro tomam conta do forró
não precisa orquestra pra animar a festa
o fungado da sanfona vai-se até o nascer do sol(bis)
Piriri piriri piriri
Toca o fole na palhoça
piriri piriri piriri
como é bom São João na roça(bis)
Festa da Caneta!
Para o meu querido e amado Ian!
O tempo passa…
Mas não precisa correr…
Ainda temos muito para aproveitar e aprender!
Hoje é dia de comemorar a tão sonhada Festa da Caneta!
Meu amado filho, Ian,
há coisas que só os pais conseguem entender…
O quanto é emocionante ver seu baby crescer.
Faça da caneta a sua aliada, a sua espada e, principalmente, o seu escudo…
Pois ela estará presente nos seus melhores e mais importantes momentos:
na sua identidade, na carteira de motorista, no passaporte… e até no visto.
Treinamos a vida toda para ter uma letra bem bonita,
mas a caneta sente a nossa alma e, dependendo da situação,
sai tortinha, pequenininha ou bem grandona…
E, quando a emoção aperta, a letra fica bem “tremida”…
Mas é assim a nossa vida:
enganamos a todos…
mas a caneta, não.
Ela deve estar ligada diretamente ao coração.
Por isso, vá com calma, dê sempre o seu melhor e,
quando chegar a hora
de assinar os resultados,
a Dona Caneta estará ao seu lado.
Acreditamos em você
e desejamos que seja imensamente feliz
em todos os momentos da sua vida!
Mais que destino, foi profecia
Grande demais para ter uma festa, pequena ainda para entender que ela é a homenageada, mas que a celebração é minha.
Aquele laudo inesperado, meses antes do casamento, dizendo que eu não seria mãe; as lágrimas secando, a cura e a volta da razão...
Aquilo tudo não era uma sentença, porque nada pode contra Deus, e Ele já tinha me mostrado o resultado final.
Era fé.
Era destino.
Era profecia.
Era amor.
E já estava escrito, lá nas estrelas e no meu caderno, quando eu era apenas uma adolescente.
Às minhas gêmeas, Iala e Isla, e ao caçula, Iarane Jr. Era como se o meu amigo imaginário saísse dos meus sonhos, das nossas conversas telepáticas intermináveis, e viesse ao meu encontro para ser o pai dos meus filhos. Sim, estava escrito. Eu mesma escrevi... porque Deus me permitiu.
Então, era apenas uma questão de tempo. Eu esperaria um ano, faria tratamentos, desceria qualquer escada de joelhos, não por duvidar Dele, mas porque acreditava que nada vem de graça; é preciso merecer.
Coloquei uma data, sem compreender o tempo divino. Não sabia que aquele sono inesperado durante o show do Cirque du Soleil, enquanto tentava assistir ao La Nouba, nem que o sono durante as apresentações da NASA, em Cabo Canaveral, e a fome constante no Magic Kingdom eram por acaso.
Ela era, realmente, uma princesa vivendo o seu primeiro drama: uma viagem clandestina de ida e volta, acompanhada da irmã.
Aquele teste de farmácia e o exame de sangue não eram as provas necessárias para um milagre. A confirmação viria no ultrassom. Mas a alegria e a dor, muitas vezes, moram juntas, e, naquele dia, apenas um coração batia.
Eu não estava errada. Ele não errou. Talvez fosse apenas o intervalo entre as linhas... Talvez, quando pensei que havia perdido, Deus apenas estivesse me conduzindo a um novo destino.
Logo entendi que o tempo e o espaço trabalham de maneira diferente no mundo divino. Nem toda alma gêmea chega junto, e nem todo gêmeo nasce ao mesmo tempo.
Eu iria até o infinito. Brigaria com o inimigo. Seria humilhada e viveria uma vida diferente daquela que imaginei... tudo para proteger, para vê-la feliz.
Existe algo muito maior, muito além daquilo que conseguimos compreender. É difícil explicar. Pequeno para mim e, ao mesmo tempo, grande demais para uma menina entender que tudo é uma questão de amor e fé...
Ou talvez de fé e amor.
Dia de festa
Café da manha ao ar livre com o canto dos pássaros pousados nos pés de manga a frente, que grata surpresa!
Nossa você caprichou no bolo de mandioca, esse queijo qualho tá uma delícia! Olha a cara desse pão caseiro, ou desse doce de ambrosia, perfeitos.
Amor passa o suco de laranja, veja um avião passando entre as nuvens, é engraçado ou parece que ele está fazendo desenhos nas nuvens, uau! Um coração deve estar homenageando alguém. Que loucura amor ele fez o seu nome com os dizeres parabéns e felicidades. A, a, a, a! Você esta chorando, eu só queria te surpreender nessa data tão importante do nosso aniversário de casados, me sinto vivendo nas nuvens e é lá que preferi te mostrar o meu presente, assim como para o mundo inteiro poder ver também, parabéns!
- Sociedade De Estudos Espíritas realizou, em 1º de novembro de 1869.
A FESTA DOS MORTOS NÃO É NOS CEMITÉRIOS
A COMUNHÃO DE PENSAMENTOS ENTRE OS VIVOS E OS DESENCARNADOS.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A comemoração dos mortos, quando compreendida à luz do Espiritismo, deixa de ser uma simples visita ao lugar onde repousam os despojos físicos e assume uma dimensão muito mais profunda. O cemitério guarda o corpo. A lembrança, porém, procura o Espírito.
Foi precisamente nesse sentido que a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas realizou, em 1º de novembro de 1869, sua sessão anual dedicada à memória dos mortos. Na ocasião, além das manifestações mediúnicas, prestou-se uma homenagem especial a Allan Kardec, reconhecendo o homem que dedicara sua existência à organização metódica e à divulgação da Doutrina Espírita.
O episódio merece atenção não apenas como registro histórico, mas sobretudo porque permite compreender uma questão essencial do pensamento espírita: qual deve ser a verdadeira relação entre os vivos e aqueles que já deixaram o corpo?
A MORTE NÃO É O FIM DO SER.
Para Kardec, a morte não significa o desaparecimento da individualidade. O corpo material retorna aos elementos que o constituíram, enquanto o Espírito prossegue sua existência.
Essa distinção é fundamental. O túmulo pertence ao corpo. A pessoa que amamos não está encerrada ali.
O Espiritismo desloca, portanto, o centro da lembrança. Em vez de transformar a morte numa contemplação exclusiva da matéria que se desfaz, conduz o pensamento para o ser espiritual que continua sua caminhada.
É nesse horizonte que a comunicação atribuída a Moki, publicada na Revista Espírita de dezembro de 1869, afirma que a verdadeira vida não está nos restos mortais, mas no Espírito que prossegue sua existência. O texto critica a visita puramente convencional ao cemitério quando ela se reduz ao hábito exterior e não é acompanhada de sincero recolhimento.
Não se trata de desprezar os túmulos.
Trata-se de não confundi-los com aqueles que amamos.
A RELIGIÃO DA LEMBRANÇA.
Uma das imagens mais fortes do texto é a oposição entre a multidão que visita os cemitérios e a verdadeira comunhão de pensamento.
Pode haver muitas pessoas diante de uma sepultura e, ainda assim, existir pouca lembrança verdadeira.
Pode haver flores, silêncio momentâneo e gestos tradicionais, mas faltar aquilo que, para o Espiritismo, possui maior significado: o pensamento sincero dirigido ao Espírito.
A lembrança espírita não necessita de espetáculo.
Ela pode nascer no silêncio de uma prece.
Pode surgir durante uma recordação.
Pode manifestar-se numa lágrima.
Pode aparecer quando alguém, diante da ausência, decide continuar praticando o bem em homenagem àquele que partiu.
É uma compreensão particularmente coerente com o discurso pronunciado por Allan Kardec em 1868. Naquela ocasião, ele explicou que a reunião dos espíritas para comemorar os mortos encontra sua razão na comunhão de pensamentos e sentimentos, capaz de fortalecer fraternidade, solidariedade, indulgência e benevolência.
A lembrança, portanto, não é simples exercício da memória.
É vínculo moral.
A COMUNHÃO DE PENSAMENTOS.
A expressão utilizada por Jean Reynaud na comunicação publicada em 1869 merece especial atenção.
"Comunhão de pensamentos."
Não se trata de uma fórmula ritual.
Não depende de objetos.
Não exige uma cerimônia exterior.
É uma convergência interior de sentimentos e propósitos.
Quando várias pessoas se reúnem sinceramente para recordar um Espírito, orar por ele e desejar-lhe paz e progresso, a reunião adquire significado espiritual precisamente pelo pensamento que a sustenta.
Essa concepção está em plena consonância com Kardec.
Em seu discurso de 1868, o Codificador esclareceu que o vínculo espírita é essencialmente moral e espiritual, fundamentado na caridade para com todos, compreendendo tanto os vivos quanto os mortos.
E aqui encontramos uma consequência extraordinariamente importante.
Para o Espiritismo, o morto continua pertencendo à humanidade.
A morte modificou sua condição de existência, mas não destruiu sua individualidade.
Por isso, a fraternidade não termina diante de uma sepultura.
ALLAN KARDEC E A OBRA QUE PERMANECE.
A homenagem prestada a Allan Kardec em 1869 possui também um significado que ultrapassa a mera reverência histórica.
A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas reconhecia naquele momento o trabalho daquele que organizara metodicamente os princípios recebidos dos Espíritos e os apresentara de maneira racional, filosófica e moral.
O próprio Kardec jamais reivindicou para si a autoria absoluta da Doutrina. Sua tarefa foi a de investigador, organizador, observador e codificador.
É justamente essa característica que torna sua obra tão importante para aqueles que desejam preservar o caráter racional do Espiritismo.
O Codificador não pediu uma fé cega em sua palavra.
Ao contrário, construiu um método de observação, comparação, análise e controle.
Em "O Que É o Espiritismo", apresentou o Espiritismo como uma doutrina que investiga os fenômenos espirituais e procura compreendê-los racionalmente, afastando-os tanto da credulidade quanto da negação sistemática.
Por isso, honrar Kardec não significa transformar seu nome em objeto de culto.
Significa estudar sua obra.
Compreender seu método.
Preservar a fidelidade aos princípios.
E, principalmente, aplicar na própria existência aquilo que a Doutrina ensina.
LEMBRAR OS MORTOS É TAMBÉM VIVER MELHOR.
(Ver 488 - L.E.)
Existe uma consequência moral ainda mais profunda.
Quando compreendemos que a existência corporal é transitória, a relação com os mortos modifica também nossa relação com os vivos.
A morte nos ensina a relativizar aquilo que julgávamos absoluto.
As disputas diminuem de importância.
O orgulho revela sua inutilidade.
As mágoas tornam-se pesadas demais para serem carregadas indefinidamente.
E a pergunta fundamental deixa de ser "quanto tempo ainda temos?" para assumir uma forma mais elevada:
"O que estamos fazendo com o tempo que recebemos?"
Essa é uma das grandes forças morais da compreensão espírita da morte.
Ela não convida à tristeza permanente.
Convida à responsabilidade.
Aquele que partiu não precisa apenas de lágrimas.
Precisa, quando necessário, de nossas preces, de nosso carinho e de nossos bons pensamentos.
E nós, que permanecemos temporariamente na experiência corporal, precisamos transformar a saudade em aperfeiçoamento.
O CEMITÉRIO E A VIDA REAL.
O texto de Moki apresenta uma crítica vigorosa à visita automática ao cemitério. A questão não está no local, mas na disposição íntima daquele que o visita.
O cemitério pode ser lugar de profunda reflexão.
Pode ser lugar de respeito.
Pode ser lugar de prece.
Mas não é a morada definitiva dos mortos.
O corpo repousa ali.
O Espírito prossegue.
Essa distinção, aparentemente simples, modifica toda a compreensão da morte.
O túmulo deixa de ser a imagem do fim e passa a ser a lembrança de uma passagem.
A lápide não encerra uma história.
Ela apenas registra a passagem de uma existência corporal.
A verdadeira continuidade encontra-se no Espírito.
"SEDE ESPÍRITAS TANTO POR VOSSOS ATOS, QUANTO POR VOSSAS PALAVRAS."
A frase atribuída a Jean Reynaud no final da comunicação resume admiravelmente o sentido moral de toda a mensagem.
Ser espírita não consiste apenas em afirmar a sobrevivência da alma.
Não basta falar sobre reencarnação.
Não basta conhecer Kardec.
Não basta frequentar reuniões.
A Doutrina somente alcança sua finalidade quando modifica o indivíduo.
Se acreditamos na vida espiritual, devemos viver de maneira coerente com essa crença.
Se acreditamos na fraternidade, precisamos praticá-la.
Se acreditamos na sobrevivência da alma, devemos abandonar o materialismo moral que transforma a existência terrestre em finalidade absoluta.
Se acreditamos na comunicação entre os dois planos da vida, devemos compreender que o vínculo mais legítimo com os desencarnados não é a curiosidade, mas a caridade.
E se verdadeiramente admiramos Allan Kardec, talvez a melhor homenagem que possamos prestar ao seu trabalho não seja repetir seu nome, mas estudar aquilo que ele estudou e praticar aquilo que sua obra moral nos ensina.
CONCLUSÃO.
A morte, contemplada pelo Espiritismo, perde o aspecto de ruptura absoluta.
O corpo termina sua função.
A individualidade continua.
A saudade permanece, mas pode transformar-se em esperança.
A lembrança permanece, mas pode converter-se em prece.
A ausência permanece aos sentidos, mas não significa necessariamente separação definitiva.
Eis por que a verdadeira "festa dos mortos" não precisa estar confinada aos cemitérios.
Ela pode existir onde houver uma consciência que recorda com amor, uma inteligência que compreende a continuidade da vida e um coração que transforma a saudade em bem.
Kardec ensinou que a comunhão de pensamentos é capaz de aproximar moralmente aqueles que compartilham os mesmos sentimentos.
Assim, diante de uma sepultura, o espírita não precisa perguntar apenas:
"Para onde foi aquele que amo?"
Pode também perguntar:
"Que posso fazer de melhor nesta existência, para que o meu amor por ele não permaneça somente na saudade?"
Talvez aí esteja uma das mais belas lições da Doutrina.
Os mortos não precisam de uma lembrança vazia.
Precisam de amor.
E o amor, quando verdadeiramente compreendido, não se limita a chorar quem partiu.
Ele procura tornar melhor quem ficou.
FONTES.
Allan Kardec. "Revista Espírita", dezembro de 1868. "Sessão anual comemorativa dos mortos. O Espiritismo é uma religião?"
Allan Kardec. "Revista Espírita", dezembro de 1869. "Sessão anual comemorativa dos mortos. Comemoração especial do Sr. Allan Kardec. A festa dos mortos não é nos cemitérios, por Moki. Comunhão de pensamentos, por Jean Reynaud."
Allan Kardec. "O Que É o Espiritismo", capítulo I. "Pequena conferência espírita."
Allan Kardec. "O Livro dos Espíritos", especialmente as questões relativas à alma, à vida futura, à separação da alma e do corpo e às relações entre encarnados e desencarnados.
Allan Kardec. "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulos XXVII e XXVIII, sobre a ação da prece e as preces pelos mortos e pelos Espíritos sofredores.
Revista Espírita de dezembro de 1869. Texto integral.
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Hoje tomei posse de mim.
Sem festa, sem juiz, sem plateia.
Só eu e a cadeira
que já me viu pequeno.
Resolvi me escolher.
Não por orgulho,
por cansaço de me encolher.
Eu semeava nos outros
e me deixava em pousio.
Queria colheita
com o terreno vazio.
Hoje não.
Hoje eu fico comigo.
Me rego.
Me espero.
Me tenho.
E se for pra ser talvez,
que seja talvez meu,
inteiro,
eterno.
(Saul Beleza)
Na sua companhia fazer
uma festa quando florescer
o Tarumã poético,
Fazer juntos uma festa
ainda maior quando
a hora da colheita chegar,
e se for preciso plantar
outros para nunca frutos faltar,
e com quem precisar compartilhar,
Amar se entregar, transbordar
e contagiar por onde a gente passar
na vida para outros corações inspirar.
O aroma de Jambu Air
maduro e fresco,
Os teus lábios fazem
festa e desejo.
...
Uma Bunga Kantan
você me deu,
O amor teu
o peito acolheu.
...
Rafflesia desabrochada
pelo caminho que levam
para os teus olhos aos meus,
Poética e benção magnífica
que o Misericordioso Deus
generosamente me concedeu.
LXXXIX
Quando Rodeio está em festa
o meu coração também está,
Por esta e por cada primavera
a alma sempre plena agradecerá.
Feliz por viver aqui neste rincão
que tem o Pico do Montanhão
diante da visão como inspiração.
Por hoje e por cada festa que virá
nesta terra onde a poesia perdurará.
A beleza primeira que sempre enredará.
Não me interessa o que
acontece ao meu redor,
quero ser todo o seu amor,
Você é a festa inteira
que desejo intensamente viver.
O meu coração latino
já a celebra o doce sentir
enquanto minh'alma
espera com a sua se fundir,
sob a Tinguaba a florir.
Pelo seu poder de diversão,
deixo-me entreter,
porque pelo meu
tu haverá de se de derreter,
e inteiro se render.
Um mora na mente
e no coração do outro
sem um minuto sequer
da gente se perder,
O amor é o prêmio
que a vida irá nos conceder.
