Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Lua das Flores


A Lua das Flores da estação
no Médio Vale do Itajaí
preludia os ipês rosa e o roxo,
Com certeza percebi
a tua curiosidade bonita
que maio me anuncia.


Se é amor ou não, não sei,
mas que já poesia, virou lei;
Sem precisar da aprovação
alheia constrói o legado
de manter o seu coração
todo em estado de maio.


Não preciso falar o que
sinto porque se me ama,
Saiba que também é amado,
do jeito que não tínhamos
sequer antes imaginado:
do lugar deste amor não
haverá outro para ser ocupado.

Permitir todas as chances
dos três tipos de mangues
no peito se enraizarem
com várias coragens
da liberdade conhecer,
crescer, procriar e revoar:


Não permitir que nada
venha a te dominar.


Criar brio e asas de guará,
mescladas com as auroras
matutina e vespertina
do Hemisfério Celestial Sul,
sem preocupação se há
alguma rima óbvia ou não:


Resgatar com todo o coração,
o deslumbramento e a poesia
sempre a cada nova estação.

Mangue-Preto


Deixar que o Mangue-Preto
seja o pulmão do oceano
com as suas sul-americanas
absolutas glândulas de sal,
e se permitir um dia normal.


Ser um pouco Guará no ninho,
e confiar plenamente que a vida
cumpra o seu próprio destino,
mesmo que cause algum calafrio:


Para dizer para si: -- Estou vivo.

Mangue-Branco


No sobrevoo do Guará,
entre a restinga e o manguezal,
desvela-se, serena e clara,
a certeza que não se desfaz:


O Mangue-Branco floresce
com branca e obstinada beleza,
com suas glândulas de sal
bebendo o amargo com a certeza
da cura em terra brasileira.


Aqui, no nosso chão,
segue imutável a ordem natural.
Muitos tentam rompê-la,
e sempre se darão muito mal.


É prova viva de que a vida
é mais forte que a morte.
Não é só questão de norte
nem mero capricho da sorte.


Nascemos libertados,
nossa raiz é forte;
e está para nascer a hoste,
para alcançar e tombar
todo o que contra a vida se levantar.

Mangue-botão


Algo em mim faz a transição,


o ponto onde o mar desiste,


Insistindo em ser a imensidão


tendo tudo a ver quando


a terra começa a vencer:






Do jeito exato do Mangue-botão


onde reinam cada um


dos três mangues que crescem,


abrigam e a vida nutrem.






Sem sequer tocar na lama,


os mangues roçam na contemplação


profunda d'alma humana


que possui asas guarás,


e se reserva do que não liberta.






[Sem deixar de lado o coração


enraizado na própria terra].

Senhora de toda a poesia


Somos de muito longe,
mas não distantes,
Não importa o quanto
tempo demore,
Estamos do lado de dentro
no coração e no pensamento.


O quanto deverei
caminhar e quantos
degraus irei subir,
Não intimida
e nem desmotiva.


A minh'alma feminina
pela tua se encantou,
deseja ser cativa,
e senhora de toda a poesia.

Desta novela não há
nenhuma novidade.
Nos seus capítulos
só resta crueldade.


Não tem nada a ver
com teoria conspiratória:
a poesia também serve
à memória histórica.


Matam e sequestram
a solidariedade de uns
no vasto mar da Humanidade.
Amanhã voltam os tempos
em que muitos foram
sequestrados dos berços.


Sem nenhum arre(medo),
isto é só o começo
do que nunca deveria
outrora ter iniciado
e que agora, diante dos olhos
e debaixo dos narizes,
está sendo requentado.

Pouco a pouco, paulatinamente,
fui crescendo profundamente.
Encontrei-me por dentro contigo
de maneira surpreendente no destino.


Exatamente onde Ocidente e o Oriente,
se entrelaçam interminavelmente,
porque coincidem todos os motivos
que ainda sequer por nós foram ditos,
e mesmo sem dizer nenhuma palavra,
há mais de uma emoção celebrada.


Em mim encontraste intensidade,
feminilidade, mistério e imensidade;
Sobre nós dois o céu da Humanidade
e tudo o que não pode ser mudado.


Com cada uma das minhas nuances
capturei e finquei profundas raízes
como as de um conhecido cipreste milenar
que enfeita, sombreia e perfuma o seu ar;
Ainda cedo celebro o fascínio, o encontro,
a glória do amor, a vitória e a verdade.

O Mangue-vermelho




Simplesmente ser como um Guará
sob a proteção do Mangue-vermelho,
da vida não ter nenhum medo,
Viver não pede receita de bolo ou segredo;
No Mangue-vermelho se proteger,
nutrir e com confiança viver;
e adiante, no curso, com coragem seguir.


Se permitir ser couro a ser curtido
e pintado pelo Mangue-vermelho,
Não ter nenhum vínculo passado,
orgulhar de ter as raízes expostas,
deixarque a ciência encontre a cura
e não se fazer em tudo --- absoluta.


Ser paciência pura com gente dura,
que não enxerga um palmo adiante do nariz,
como o Mangue-vermelho, ser refúgio feliz,
mesmo quando não for visto como merecido,
dizer com honra para sim: - Eu existo, e resisto.

Com os olhos e o coração
voltados para Deus
e o Hemisfério Celestial Sul,
Sempre recebo borboletas
como as melhores companhias,
A minha voz empresto sempre
a quem precisa nesta vida.


Livros, papel, caneta e poesia,
forte ligação com a Natureza
e com a minha Pátria nativa,
A influência indígena sempre
mantenho viva desde pequenina:
Assim fui, sou e sempre serei,
mantenho inquebrável esta grei.

Não existe nenhuma
distância segura de mim;
pertenço ao coração,
à alma e ao pensamento.


No outono catarinense,
sou a flor persistente
do maracujá-silvestre
descoberta em maio.


Do sagrado ao abrir
e fechar dos teus olhos,
a insurgente favorita
e inabalável enigma.


Cada nova defesa vira
um brinquedo novo;
não me desmotiva
e alimenta a adrenalina.


Não nego que não exista
a emergência de amor,
embora a sedução convide
para o que não é só fantasia.

Não temer nenhum risco,
num lugar secreto
de ser o universo,
e com os dois pés na terra,
com o peito aberto.


Assumir de tudo
um pouco, sem reserva,
e entre dois mundos —
selar a convergência
com lábios mudos.


De um pacto semeado
sem nenhum pleonasmo,
arcando ser de um
jardim oriental:
todas as frutas
mais doces e macias
para alimentar,
com delícias infindas,
a sua liberdade
de tão linda ave.

Nas esquinas das ruas
e das nossas memórias,
fazia sol o chuva,
O sorriso era gratuito
até quando íamos buscar
o prêmio escrito no palito.


Sempre debaixo do guarda-sol
para carrinho de picolé,
vendendo sorvetes ou balas,
Era ponto de orientação
para voltar para casa:
tudo muda, o tempo passa...


Vendo gerações crescer
ou até mesmo se casar,
Nunca mais vi nenhum
por onde tive de passar,
O sorveteiro virou história
para muita gente lembrar.

Em meio ao véu frio
do tempo que envolve
a cidade de Rodeio,
mesmo sob o Sol e o céu azul,
Tudo invoca que é chegado
o mais austral poético momento.


À.partir dos nossos silêncios
contornando o Médio Vale do Itajaí
começarão discretamente
em nós a ser escritos os destinos
Onde o amor guiará pelos caminhos,
somos mais do que livrosa ser lidos.

Nas auroras sob a tua porção
do Hemisfério Norte,
onde tens porto seguro,
Prometo de ler como quiser,
e basta somente dizer.
quando e do jeito que quer.


Exatamente como o florescer
da Chuva-de-prata
que não pede sequer licença,
ainda sem definitiva sentença.


O que será ou não será,
somente o futuro irá dizer;
Não tenho nenhuma
pressa de como irá ser;
Porque eu sei o que sou
capaz de contigo fazer.


Não há nada que desvie
o que é para ser,
As oscilações são sinais
de que o amor está a envolver.

Corri para a janela
à espera do sol,
Uma distração
para não concentrar
a minha mente
nos teus olhos lindos,
como um jeito de tentar.


Desejei boa semana
e saí para passear,
mas com você
no coração de um jeito
que não vai passar,
Comecei a me apaixonar,
não faço a menor
ideia no que irá dar.


Só sei que comecei
a me apaixonar,
e você também tem
me visto por todo o lugar.

Permitir ser a tua mulher
sem pressa de viver.
o vital compromisso
com o amor no destino.


Com toda calma atlântica
no lugar que elegeste,
Na tua mão a alma austral
aceite plena, fiel e perene.


Para que o amor respire
sem que nada o sufoque,
o florescer que existe,
e nem o céu não o limite.


Assim as mãos se enlacem
na primavera que acontece,
no romance que floresce
e nenhum mau tempo alcance.

Mantendo lembranças vivas
como quem planta camélias,
colhe e com elas se enfeita
por onde quer que se passe.


O espírito abolicionista sabe
que a justiça e a liberdade
ainda não chegaram de verdade
e pedem de todos continuidade.


O abolicionismo vigilante
e atuante deve ser mantido
como pacto pela Pátria inteira,
porque queira ou não queira.


Só assim teremos, enfim,
a tão sonhada harmonia perfeita.
Enquanto houver um só irmão
sob o jugo de qualquer senhor,
todos estaremos acorrentados.


Devemos afastar-nos do passado
que, mesmo sem pensar, ainda vive
nos velhos hábitos que nos prendem
e nos perpetuam como aprisionados.

Não importa o caos do mundo,
o que importa é o que podemos
fazer com muito amor por dentro.


O silêncio não é distanciamento
quando se carrega alguém
no coração e no pensamento.


Capinxigui florescido em maio,
do desejável embalo por nada
e nem por ninguém me distraio.


Neste tempo de florescimento
que cura e adoça com mel
não só o momento e o tormento.


A Ponte Hercílio Luz em centenário
ainda não sentiu os nossos passos,
prevejo caminhos sendo traçados.


Sob o Hemisfério Celestial Sul
entre sonhos e embalos cultivados,
coloco todos nas alturas confiados.

Meu amor, você sabe bem
que os pensamentos seus
tomaram conta dos meus,
sem nenhuma censura
e com infinita ternura.


​É fato que não tenho
olhos para mais ninguém;
sorrio por sua causa,
sem tempo para trégua,
muito além de maio
e nem um pouco de soslaio.


​Aguardo um sinal seu
como quem aguarda um milagre
dos céus em Santa Catarina;
a Alegria-dos-jardins cresceu
e floresceu repleta de poesia.


​Não sei quanto tempo
levará para que você seja meu
e para que eu seja tua;
de todo o coração, tens habitado
até na minha prece noturna.