Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Nasci orgulhosamente
nesta terra austral,
Não nego que carrego
na minha amorosa alma
de tudo um pouco
das caravanas ancestrais:
as bibliotecas perdidas
e os percursos mais
antigos da Rota da Seda.


Quando a tua alma gentil
encontrou e roçou na minha,
No dilúculo da existência,
percebi que eu comecei
a ser realmente lida;
Senti, sem dificuldades,
que a gente se combina.


Na doce viração entre
a aurora matutina
e a aurora vespertina,
passei a desejar fazer
parte da sua vida linda;
E venho percebendo
que tens cobiçado a fazer
parte da minha vida,
Há sinais claro que
somos, enfim, além da poesia.

Na tua madrugada
surjo como galáxia,
A sua atenção trago
toda concentrada.


Balança a ventania
a Canela-sassafrás,
A aurora em sintonia
solene acompanha.


O aroma das flores
paira e aqui fica,
e de mim não desliga.


Trago o carinhoso
sopro de harmonia,
paz, fé e amor para a sua vida.

Entre os nossos hemisférios,
existem os dois trópicos;
além da distância que desafia,
habitar numa única aorta
está escrito com intensidade fina.


Por onde o Trópico de Câncer
passa a imaginária linha,
tu sabes que da Mata Atlântica
sou a mais devotada filha,
e a que te busca para ser
a tua mais alta galhardia.


O nosso mundo é grande,
e para nós a única barreira
que interessa é a indômita
Grande Barreira de Corais;
e o que não nos traz paz,
somos capazes de deixar para trás.

A tua plenitude existencial
provoca, infrene, a cobiça;
Ver toda a tua beleza física
plena, a minha fantasia atiça.


A reverência e a exaltação
tão queridas serão prestadas
quando nas nossas mãos forem entregues
as rédeas da inequívoca cumplicidade
com intensidade e verdade.


Não é porque é Lua de Morango
que ilumina o Alecrim-do-campo,
Que estou de peito aberto revelando:
é porque sinto que estou me apaixonando.

Com ancoragem nos efeitos
de primazia e de recências,
mesmo com ímpares contrastes,
com jeito e sem nenhum alarido,
manterei o fogo da paixão
aceso com toda disposição.


Se não for para contrariar
o que dizem ser coisa de novela,
ou o que só está escrito
nos livros de romance,
é melhor nem começar.
Em ti quero me enlaçar,
para nunca mais soltar,
e sei que partilha de igual pensar.


Baixo ao Hemisfério Austral,
florescem as manduiranas
no início do inverno junino.
A chuva e a escuridão,
trazidas pelo El Niño,
não afetarão o nosso destino.


Quando há o que é recíproco
e a vontade de dar certo,
não há o que se preocupar
se existe alguém interferindo;
e sim manter desejo vívido,
cultivar para viver o amor,
e eleger vê-lo sempre sorrindo.

Reger as tuas vias dopaminérgicas
Para alçar a sensação de prazer,
Tocar no teu sistema de recompensa
Para a motivação se arrojar a fazer
Mais e melhor, como a sentença.


Para ativação intensa sem temer
O comportamento de dependência,
E colocar tudo meu nas tuas mãos
Com certeza, vontade e excelência
Afinadas numa inequívoca cadência.


Deixar que os conceitos externos
Se diluam com a chuva que cai
E rega a malva-silvestre em flor,
Para nada atrapalhar o nosso amor,
E nos permitir viver como tem que ser.


Porque julho gentil abriu a porta,
Com os jogos de sedução agora,
Sabemos que não há queda de braço
Entre dois vencedores nesta história:
É só questão de afinar passo a passo.


Com doçura, ciência e instrução afetiva.

Tornar-me o sol pela manhã,
o caminho ao ar livre,
a sua alimentação, a gratidão
e a razão da sua satisfação,
que aumenta a sua serotonina.


Ser tudo isso com equilíbrio e alegria,
para que eleja todos os dias
viver com a minha companhia.


Deixar que a Timbuva cresça
onde quer que ela eleja,
para quando o verão chegar
tenhamos uma boa sombra fresca;
jamais deixar perder o espírito
de diversão, aconteça o que aconteça.


Que o amor nos colha como
a queda d'água que desce a serra,
para que venha em cheias,
e encontre, com bondade, a terra.


Permitindo eleger orgulhosamente
o que vale à aferra, e nada encerra;
para que sejamos naturalmente
o curso e o ciclo intermináveis onde
só há emergência pela matéria;
buscando ser o que somos entre dogmas,
sem entrar no campo do comum
de gente habituada a fazer guerra.

Fazendo da palavra a joalheria,
não busco o atalho do desejo;
E sim, insisto ser todo o universo
para recebê-lo potente e íntegro.


Não nos temos no momento,
mas me vejo sendo o teu riso,
o seu lidar com todas as artes
com domínio e pedestrianismo.


Enquanto não me tens mesmo,
sou a maior fonte de endorfina,
Tornei-me a sua grã liberação
com toda a calmante poesia.


Como afelandra em flor e raízes
imortais na amada Mata Atlântica,
não sou apenas enfeite ou pista,
assumo que sou a protagonista.


Porque descobri ser a alma da tua,
e a recíproca tem sido verdadeira;
Habitamos a transcendescência
com apego e sem interferência.

Sem ter pressa de nada,
construir com encanto,
fiel aos vínculos afetivos.
Um elevar o outro como
a sua tão querida fonte
de ocitocina favorita;
fazer o coração confiar,
cultivar a intropatia
e crer que é possível
viver com generosidade.


​Abraçá-lo por inteiro,
abraçar tanto
até a tua alma alcançar
e com a minha se encaixar;
brincar como se ainda
fôssemos crianças
com animais de estimação,
e não permitir que nada
desoriente o coração.


​Manter à disposição
a nossa companhia
de quem precisar da gente,
manter-se perto
das pessoas queridas;
não permitir que
nenhuma intranquilidade
entre nas nossas vidas,
para que o amor entenda
que ele é feito para durar.


​Quando for percebido
o risco de desapaixonar,
recordar que é possível
se apaixonar várias vezes
por tudo aquilo que fez
a gente se encontrar
e com amor nos enveredar;
de igual maneira que depois
da florada do guanandi,
saberemos o momento
certo dos frutos encontrar
para o nosso paladar adoçar.

Ter a doce, livre e leve posse sobre ti,
E o meu dedo indicador pousar
nos lábios mais lindos que já vi,
no afã intenso de angariar,
Após o beijo, a pausa amorosa.


Para o teu fino aroma respirar...
E em toques leves, em paz divina,
Curar qualquer dor que porventura apareça,
Sendo a tua envolvente endorfina
com o maior orgulho e toda a delícia.


Assim nos colocar em movimento
e rir quando o tempo não colaborar
ou mesmo até se estiver fechado,
Para o voto de amar não ceder
ao padecimento e ao esvaziamento.


Florir em tempo de julho invernal
com convicção guaçatunga,
ser existencialmente toda tua,
a cada sinal teu, que se inaugura,
compartilhar a mais alta ternura.

​O meu olhar de longe alcança
tudo o que você reserva.
És a minha diversão favorita
e o meu território de paz,
tudo o que faz a diferença
como ninguém na vida faz.


​O teu olhar de longe alcança
igual o que suscito,
como a tua principal distração favorita,
como teu porto seguro exclusivo
e todo cheio de poesia.


​Aguardo que assuma o controle
para que nós o percamos em nós,
porque o amor tem o nosso nome;
e a urgência é faminta da nossa fome.


Embora o Ipê-amarelo-da-mata
floresça em agosto, não somos diferentes:
em julho, como ele, começamos
a dar os primeiros sinais amáveis
ainda longe do litoral catarinense —
no que se tenta controlar e sente.

Odiar as demonstrações de contentamento do próximo ou até as demonstrações indignação contra qualquer desumanização.


Odiar as pessoas que estão no serviço público. Odiar artistas. Odiar quem pensa diferente.


Não têm a ver com militar politicamente, e sim é falta de repertório político, moral e intelectual.

Não fui a única testemunha,
sob o sol e sob a chuva,
que vi os 50 gols do Vini JR.


Enquanto a vitória estava ali,
a um palmo, para se agarrar,
no primeiro tempo,
o pênalti foi espatifado no ar —
mas no final a honra foi salva
ao menos com um gol do Neymar.


As lições desejáveis que ficam
são que, além de aprender a remar,
é preciso aprender a domar
a atenção, para não se dispersar.


Quem persiste em se achar,
perderá, inevitavelmente na vida,
a oportunidade de golear.

Reconheço a herança ancestral,
sem igual, que todos os dias
honro além da Copa do Mundo,
com o que há de mais profundo.


O sangue que também levo
é o das intermináveis diásporas;
no Brasil, tenho raízes indígenas.


Porém, é nas três Américas
que o meu coração encontra casas.


Neste final, sou a torcida das duas.

Poesia precisa de chão
para nascer e crescer;
assim como o amor,
para a gente viver,
precisa da coragem
contida no seu peito.




Sim, eu vi a florada
do manacá entrelaçada
com o Ipê-amarelo,
que tem a sua florada
por mim esperada.




Ciente disso, percebi
que o inverno rigoroso,
aqui em Rodeio,
no Médio Vale do Itajaí,
que seja deste jeito,
não detém a beleza
por causa do tempo.


Se for para florescer,
sobre nós que seja
o florescer dos manacás.
Que seja do jeito que estás,
com leitura prazerosa,
e doçura sem nenhuma aspas.

Ah! Sinto forte e bem daqui,
do meu Brasil Brasileiro
que estas oitavas de final
nos trazem à tona e com tudo
a lembrança sentimental:
de que a América Latina
deve seguir inabalável, unida,
consistente, igual para igual,
e de maneira transcendental.


Elevo, com a máxima ternura,
a minha América do Sul,
na altura do Hemisfério Austral,
desejando o mais monumental
com o amor que é fundamental.


No coração, as inabaláveis,
Argentina e a Colômbia,
ocupam o espaço sobrenatural
do desejo que surpreendam
o mundo com o mais fenomenal.

Há uma coincidência histórica entre Egito e Argentina: o Egito também sofreu a ocupação britânica, contudo, logrou expulsar o Império Britânico, ao passo que a Argentina ainda vive as sombras dessa hegemonia.


A parcela da elite argentina que exporta a má educação em eventos esportivos — protagonizando episódios deploráveis que conhecemos bem — representa um extrato social que, de certa forma, foi quebrado. Contudo, essa elite não representa a totalidade do povo argentino; aquele 'povão' que não dispõe da oportunidade de viajar e que, muitas vezes, é o alvo primário da própria crise que essa elite ignora.


O futebol não deve ser ponte para a desumanidade, nem gatilho para a hostilidade regional. Que a paixão esportiva não sirva de pretexto para o retrocesso civilizatório.

O gesto do técnico do Egito denunciou:
houve dois gols,
das duas seleções, que o juiz anulou.


O meu favoritismo é tudo, menos cego.
A sã credibilidade, ao vivo, foi erosionada.


Diante dos olhos da Humanidade
que moldaram, também, graças ao esporte,
parece que rejeitaram o apreço ao norte.


Sou brasileira, sim!
Sou sul-americana, amém!
A Seleção Argentina ganhou esta partida
e perdeu, infelizmente também!


Sou torcida, com certeza!
Pela Seleção Argentina torci, e torço;
mas exijo coerência e grandeza.


Não é meia dúzia de uma torcida
que vai me impedir de ver
que, na Pátria vizinha,
tem fraternidade, luta e beleza.


Mesmo quando estes poucos
cantam na arquibancada
que o Brasil está morto;
O Brasil está vivo, é maior
do que esta gente que não honra
a própria Pátria, imagina...


Alô? Alô? Investigação e redesenho!
Carregar no colo ou pela mão
gente grande, eu me nego!


Desfazer dos princípios sul-americanos,
por qualquer razão
e por quem que seja, não me entrego;
sempre que houver erro, há conserto.


O recado mais forte é para você, Dona FIFA,
e para cada vício entranhado no erro;
porque para não a ver erro, existe a lógica
com base óbvia na insistência do treino:


Para o aperfeiçoamento humano e do modelo.

Estou mal e não sei por quanto tempo mais hei de ficar assim; estou apático e desinteressado por qualquer cousa, como se minha vida tivesse deixado de existir; tudo se tornou um peso o qual, quando colocado sobre minhas costas, tem as suas dimensões e, consequentemente, a massa aumentadas.
Vós leitores desentendidos, não tendes capacidade de compreender essa vastidão que me assola diariamente.
Leitores, se vós, amigos meus de longa data, encontrásseis alegria na existência, e se estiver vivo no anúncio dessa descoberta, clamai pelo meu vulto, que correrei até vós e vos abraçarei de todo o coração.
Caso esteja desacordado no interior de uma caixa de madeira, abri-a e cutucai-me com palavras que minha querida amada, na época da mocidade, costumava dizer. Com isso, hei de acordar e saudar-vos múltiplas vezes a fim de demonstrar-vos a minha mais pura gratidão.
Benzerei-vos e, depois de algum tempo, voltarei para me deitar, pois a minha juventude já se foi há muito tempo; foi-se com a partida de um certo alguém.

A tua ida aos céus

Um carro preto, tão escuro quanto o céu, aconchegava dentro de si um belo casal de humanos.
Humanos estes que, a todo momento, ficavam batendo nos cantos.
Um jovem casal belissimamente lindo!
Pena que o jovem rapaz não sabia o que estava vindo…

Ao ligar o velho motor, tomou-se pela dor,
porém preferiu ignorá-la, para não tirar de sua garota o sorriso.
Garota elegante, com olhos cor de madeira e cabelo cor de petróleo,
olhava-o com certa ambiguidade em seu olhar.
Pena que o jovem não houve de notar.
À toa, o carro gastava seu óleo.

Cada hora da noite — noite esta que se assemelhava mais à eternidade — os dois, novamente, demonstravam um amor que, confesso eu, nunca antes recebi, um amor cheio de reciprocidade.
Como queria estar igual aos pombinhos, amando na flor da idade!
Continuemos…
Seguiram-se amando, trocando beijos e palavras lindíssimas.
Pena que, para o jovem rapaz, estas seriam as últimas.

O seu olhar a fitava, amava e a desejava ao seu bombeador de sangue.
A sua mão a tocava, ou melhor, tratava-a como a uma mulher.
Depois de um tempo, a viagem seguiu.

Um caminhão, maior que minha mão, foi de encontro ao carro.
Talvez para cobrar-lhe uma antiga dívida?
Pena saber que, para o jovem, o combinado custou caro.
A jovem, por sua vez, teve a sua saúde mantida.

Colocaram o jovem sobre uma caminha — acredito que se chame “maca” —
e levaram-no, com certa despreocupação, a uma salinha cujas paredes e cujo teto eram brancos e sem vida.
No lugar, não havia nada, mas isto não era um problema ao rapaz,
pois ele sabia que, ao fim, teria perto de si sua mulher.

Os dias corriam de um lado ao outro, claramente sem rumo algum.
No entanto, não havia preocupação,
porque carregava a imagem daquela detentora de seu coração.
Não se queixava de remédio nenhum.

Os olhos, ainda brilhantes, namoravam a porta.
Sempre achei aquela porta digna de ser aberta por uma linda dama
que, no momento em que estivesse eu dentro de uma ilusão, me visitasse na cama,
que segurasse, em suas mãos de coelho, uma deliciosa torta, sorrindo para mim enquanto uma fatia corta.

Desculpe, continuemos…

O tempo muito se passou,
e a moça, no prédio, nem sequer pisou.
Pelo grau do acidente, o pobre rapaz perdeu parte de sua coordenação motora da região inferior.

Se ao menos ela o visse, poderia facilmente tratar de seu caso com o seu simples amor.
Se ao menos… Se ao menos tivesse…

Aos poucos, o movimento no interior foi diminuindo…
Mesmo em sonhos, não a conseguia ver ao seu lado sorrindo.
O lugar tornou-se um velho prédio onde todos os profissionais ficaram à disposição.
Suas pernas, já saudáveis, entrelaçavam os dedos ansiosamente.
Seus dentes chocavam-se uns contra os outros de nervoso,
e seu coração se quebrava em sua totalidade. Neste momento, arrisco dizer que parte dele foi eliminada pelos sucessivos vômitos de tristeza.
Ao final de seus dias, ficava de prantos em sua pequena mesa.

Na hora de sua partida, pegou seus pertences, derrubando um oceano de mágoas pelo chão.
No instante em que deixou o hospital, olhou ao pobre e triste céu,
querendo ver novamente sua amada e cobri-la com um lindo véu.
Pobre jovem… não há nada neste mundo material para segurar sua mão.

O homem foi caminhando a um local cheio de pedras com formato de paralelepípedo.
O lugar era belo; havia uma quantidade rica de flores deixadas por aqueles que, igual a ele, sentiam as mesmas dores.
Ele, a fim de honrar o local em que estava inserido, levava consigo um lindo conjunto de rosas que, milagrosamente, deixaram-no com o peito aconchegado.

“Como eu a amo!
Como eu a vislumbrava!
Uma mulher que, durante sua vida, feliz o meu coração deixava!
Como eu a amo!”