Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Fincar-se na terra, semear-se,
permitir-se crescer, florescer
e frutificar-se como o pomar
de frutas doces entre rochedos
e os ventos, para alimentar
o pavão em todas as estações,
é o meu mais ambicioso plano,
literal, secreto e paradisíaco,
para a celebração romântica
da revelação do seu colorido
entre as minhas montanhas.


Obedientes ao rito da primavera
e à maturidade que exige
de ambos os dois pés na terra,
embora estejamos flutuando
e o tempo esteja passando
como o rio entre as pedras,
nossas mentes e corações
todos os dias se encontram,
desde o primeiro dia em que nos
conhecemos, estamos namorando.


São inatos nas nossas veias
a dedicação, a consciência e o sacrifício,
à altura dos desafios, em nome
das conquistas grandiosas
que incluem a honra e a liberdade.


Por isso, tornarmo-nos o grande amor
um do outro é inevitável,
porque está escrito no Universo
que, em breve, despejados dos egos,
reuniremos nossos hemisférios
como águias que não temem
cruzar céus e montanhas.
Seremos espada e escudo —
vitoriosos diante das batalhas.

Não tem nada a ver com clichê,
não existe ninguém como você,
e não preciso sequer reiterar.


Tens a capacidade de capturar
o voo dos meus sentidos
que, como falcões-peregrinos,
te aceitam como o mais
distinto de todos os ninhos,
e não reagem mais
a outros novos destinos.


Seja no sobrevoo ou fincada
nas terras das três Américas,
levo o código de reconhecimento
inabalável, com o fogo eterno
no coração e no pensamento.


Tal qual a dança das alvoradas
na Baía de Babitonga,
reconheço sem conta
que existe gente que conversa
a vida toda e não alcança
o que uma única mensagem tua
é capaz de comigo fazer:


Tu tens potencial completo
para inteiramente me render,
e tu às minhas mãos pertencer.


Mesmo quando se afasta
por qualquer motivo em silêncio,
não me aflito porque dentro
o porvir está sendo construído.

Diante do oceano que és,
como ave e livre poema,
sobrevoo com asas intensas
nas tuas regiões costeiras,
sem permitir que me vejas,
para abrigar-me nos manguezais
do teu consciente e inconsciente,
e ousar ser o pulmão e a respiração.


Súdita dos teus ensinamentos corajosos
que permanecem mesmo em fase
de maré bravia que a presença me priva,
a mente vira árvore e rochedo
onde o savacu-de-coroa se abriga.


Não apenas feita de algum sinal,
mas da raiz até a alma sambaquiana,
sob a proteção do Hemisfério Austral,
nas correntes da Baía da Babitonga,
pronta para com amor te tomar sem conta.


Porque reinar sob a glória do teu amor
a mim me destina com toda a honra
e pompa que sei que serei digna,
sob o teu olhar feito de fidalguia:
o desejo sedento, a adorável malícia,
e constelação que n'amplidão te ilumina.

As palavras que deixam o aroma
da tua alma nesta distância oceânica
convidam a imaginar o que o silêncio
pode fazer conosco, dia e noite,
além de encantar o coração
para o rito íntimo de iniciação.


O que há em mim não tem parado
de clamar para o momento chegar.
Observando um par de tapicurus
na Baía de Babitonga,
fiquei sonhando de olhos abertos
como será quando a gente se encontrar.


Se é amor ou paixão, quero que nos dê
céu e asas, para não temermos voar,
para ignorar previsões do fim do mundo
ou quando disserem que o romance
já não terá mais tempo ou chance de durar:
que a gente tenha a coragem de dobrar a aposta.


Porque desde o dia em que te conheci
não acho mais graça em ninguém
para conversar, e algo tem me dito
que a recíproca é a mesma.
Ora tenho sido o papel e você a caneta,
sem pensar muito a gente sempre inventa.


Quando a hora certa nos brindar,
que venha a certeza lado a lado,
que o aconchego de sossegar
acompanhados venha se celebrar,
e de tudo a gente se permita desligar
sem se importar com o que irão pensar.

Fui encontrada pelo teu olhar
nas estepes do acaso.
Nutrindo com naturalidade
a liberdade
de ave peregrina que me cerca
com potente pensamento.
Com teu jeito de caçador,
ao meu lado pousaste com amor.


Como tulipa selvagem,
espalhei-me imparável,
sem pedir permissão.
Criei raízes no teu coração.
Não vou, nem preciso ir,
porque tenho direção,
o tempo como aliado
e a irresistível devoção
que me tens tocado.


Por isso, sem nenhuma pressa,
porque já estou dentro
como a ilustre habitante
da glória do teu sentimento.


Sempre que for necessário,
para que em mim encontres
o genuíno abrigo paradisíaco.
De corpo e alma em fruição diária,
apaixonado, te orgulhes
de ter me encontrado
e digas, orgulhoso, para ti mesmo:


— Pertenço à que soube, como ninguém,
o valor de ter capturado meu coração.
Conquistei a merecedora de veneração.

Entre você e quem conversa
existe um distante abismo.
Tu tens a capacidade de incendiar
uma rebelião apenas com um suspiro.
Como sou poeta, em ti fiz
a jura de escrever o destino.


Farei de ti uma mina de diamantes,
interminável em brasas lentas,
para que em outros romances
não encontres mais cadências.


Em céu catarinense tal como
a amável carícia do sol deixa
rastro aurífero nas asas livres
e belas da saíra-de-sete-cores,
tu hás de iluminar as penumbras
e guiar-me nos voos da intimidade,
porque em tuas mãos desejo
ter-me com plenitude e liberdade.

Com a sutileza da caraúna
tocando o sereno riacho,
assim te percebo ao meu redor
e desejo para nós o melhor.


Teu ser, embora bem talhado,
promete ser como lingote
que se renderá ao meu calor.
É claro que não negarei amor.


Com as minhas carícias
prometo lapidar tudo o que
desejas me entregar altivo,
porque assim haverá de ser:
estamos nos seduzindo.


Tudo dá voltas ao mundo
e em Santa Catarina
encontra a convergência.


Tudo dá voltas ao mundo
e em Santa Catarina
encontra a convergência.
Como aves migratórias
que cruzam hemisférios,
trazem no peito a sutil essência
e no coração guardam o ninho:
discernimos nosso destino.

Se queres cumprir
o teu papel de homem,
é claro que eu deixo fazer,
desde que me permitas
cumprir o meu de mulher.


Saiba que se for assim,
terás tudo quanto quiser,
desde que saiba que é
com carinho que se molda
o amoroso convívio comigo.


Que amo ser mulher
em cada curva que reluzirá
sob o teu sol e transformará
em volúpia áurea, e nos braços
com serenidade te embalará.


Sou garça-branca-pequena
diante do rio espelhado
que tu me ofertaste,
sob o céu de Santa Catarina,
alguém que o teu eu tocou.


A conexão inevitável
que está a caminho não
provoca nenhum temor,
tens sido o pensamento
favorito e o sorriso
que por razão a ninguém
compartilho: és o meu amor.

Há beijos...


Há beijos que pronunciam por si sós
a sentença de amor condenatória.
Principalmente aqueles beijos dados
em segredo no coração não têm volta.


Gabriela Mistral, Claudio Estrada,
Rufino Blanco Fombona,
Fortoul-Hurtado e o poeta anônimo
de um poema viral — meus advogados —,
trouxeram à luz que a tua existência é a prova. Venha, porque a hora de amar é agora!


Há beijos que se dão com o olhar,
tantos dei e ainda te dou sem que saibas.
Há beijos que se dão com a memória,
os nossos não acabarão em nada.
Haverão de ser os nossos beijos
o nosso estabelecimento da íntima pátria.


...
Nota: Este poema foi inspirado no famoso "Beijos", erroneamente atribuído a Gabriela Mistral. Invoco Mistral e outros autores como "meus advogados" para denunciar ironicamente essa falsa atribuição. Uma homenagem ao verso que se tornou uma expressão popular de amor.

Inspiração plena e amorosa
que captura a concentração,
Guarás pousando na beira
do rio serenamente,
neste mundo em turbilhão.


A tua respiração entrecortada
de prazer invade o sensorial
de forma ainda sobrenatural.
Deleitada, calo em êxtase
total no instante alucinatório.


Meu coração tem a cor e as asas
de guará levantando voo rumo
ao mistério do mangue-vermelho,
o balançar, a cadência e o segredo,
pelo teu ninho me rendo sem receio.


O seu olhar dominante de torre
de uma fortaleza distante
me põe em rendição por inteira,
mas é ao calor das suas mãos
solares que desejo entregar o ritmo
celebratório, o desafio e o infinito.

Tua pele de sal, sol e amor
torna quente e polida,
a minha pele de mármore
na rota da seda para o frenesi.
Carícia que ao desatar
a alta sedução encontre
posição ao se encaixar.


Não, não vou passar,
porque campos em ti
fiz a jura de conquistar;
escalar já é a direção.


Por cada imagem de alta
voltagem sedutora,
sem culpa nenhuma,
manifesto ainda que
silenciosa que em você
fiz nascer a cultura.


Não, não vou parar,
porque tornei-me como
os quatro elementos;
e o impulso incontrolável.


Moram em mim todas
as mulheres brasileiras,
que o seu vício em seduzir
enxergava ser por
costume qualquer uma,
e agora não sabe o que
fazer com tanto amor.


Não, não vai dissipar,
porque em cada curva,
tu haverá de encontrar
o requinte floral de cada
ipê de junho a surpreender,
e selvagem, haverá de querer.

Fique.
Quando a rendição chegar sem resistência,
e o desejo se curvar com fina ardência
à minha vontade cheia de malemolência,
a entrega plena te tomar por inteiro,
a liberação através do controle firme,
afastando o ruído do mundo e as influências
que ainda tentam distrair e levarem ao limite.


Fique.
Se for para florescer em tremores,
quando o minuano soprar forte,
roçar, balançar e amainar
tão fundo como catuaba-branca
na profunda e verdejante Mata Atlântica.


Fique.
Se for para fazer história na existência
e plenamente amorosa na memória,
quando sentir o frenesi lento,
autêntico, possante e devorador,
e teu corpo aprender leal que
não haverá regresso com todo amor.


Fique.
Com quem comanda num toque
os teus pontos sensíveis de prazer,
e as rotas com magnitude não permita
nem por um minuto nos esquecer,
e seja o motivo do sorriso espontâneo
sem a necessidade de explicações render.


Fique.
Quando teus lábios, meus íntimos
se abrirem para fundir o ouro
da nossa polaridade com aromas,
perfumes e sabores compartilhados,
e o verdadeiro prêmio for a liberdade
que só existe na rendição total
ao que sabe tomar o que é na totalidade
com exclusividade — meu e seu.


Fique.
Porque onde eu lidero, tu floresces.
Onde eu tomo, tu te entregas.
E nessa dança ancestral, sem jogos,
nos permitir o pulo do gato e o tesouro
ganharmos muito mais do que o dobro —
eu na minha glória, tu no teu êxtase,
a realidade acordada de viver o nosso sonho.

Não preciso de permissão
para tomar conta da sua
consciência íntima toda.
Por ter a senha e a chave,
entro a qualquer hora,
com calma, porque moro
no coração e no pensamento,
certa de que já me esperava.
E não me desculparei nunca
por te desejar inteiro:
tornei-me o adorável tormento.


​O mundo lá fora implora
por sua atenção.
Com tato de senhora
do que a sua mente quer,
mostro lado a lado
tudo o que você sempre
sonhou e nunca vivenciou;
porque, sem volta,
nos sagramos atlânticos.


​No abandono luxurioso
a dois, em banho dourado
pelo preguiçoso sol de junho
cortando o guanandi,
sem perder o embalo
alucinatório com os rubis
íntimos totalmente pulsantes,
trocamos os lábios coralíneos
bailantes, vivos e famintos,
por plânctons místicos.
Somos a continuidade
do romantismo proibido.

Há um romance sonâmbulo
sob os teus olhos de Lorca...


Palavras pretensiosas arremessadas,
e um arranque automático
entre algo épico
e o pesadelo lírico,
na alta madrugada.


Com o peso da alma
cheia de poesia intensa,
onde o mundo olha
para as personagens
que não podem corresponder
devido à profundidade,
à leveza e à liberdade
de ser o que sou — escolhi.


Diante da lua cigana,
num estado de êxtase,
sob os teus olhos de Lorca,
ainda talvez acordada
todavia desejo o real,
pois a essência segue intacta.


Firme vivendo o suspense
de um romance sonâmbulo:
"Ver-te que te quero ver-te",
nos teus braços que também
querem ver-me em meio ao verde.


Onde não sei como, quem dará
e qual será o passo primordial,
ao se se conseguirá alcançar o pleno final.

Junho de divino desígnio
que floresce com o camboatã
que alimenta as aves e as abelhas,
que trará para nós o destino
que eu desejo quanto tu desejas
com carinhos e suaves maneiras.


Sem flertar com ilusões baratas,
ofereço a verdade, o sonho
e o romantismo raro de quem anseia
o desejo em toda a sua intensidade,
o baile de posse, a elegância
do brinde e da condução firme.


A postura compenetrada
há de ruir como impérios
diante das tuas mãos,
rendida em fortes tremores de seda,
embalada pela tua existência e ventania
que espalha fogo lento
e torna incendeia a platina
da veneração em perpetuamento.


Sinta a voz poética e a respiração
descer pela tua tez,
rompendo o protocolo
enquanto a sensatez acende
os luzeiros austrais —
eco do chamado ancestral
pela união da polaridade fundamental.


Mais que memória, cúmplices do tempo,
que exige total reverência diária.
Assumiremos o pacto de amor e sangue ferventes e nos faremos consumada pátria:
território indivisível, indissolúvel,
porque não há como fugir do que é inevitável.

Tudo ao seu redor te ensinou
a ser forte, não nego,
O que vi me fez enamorada,
aprecio e presto reverência
à cada nuance moldada
que há de me fazer abrigada.


Cada demonstração sua,
há de ser recompensada
com a minha vulnerabilidade,
O meu nome há de ser
trocado facilmente pelo seu
- e nos reconheceremos
totalmente liberdade,
nos queremos de verdade.


A potente sedução retomou
a ordem natural das polaridades,
Não nos rendemos ao comum,
somos o que somos:
amor, corpos e sonhos.


Transmutar-se para a cena
de cristais derretidos na caverna
rendidos à êxtase e aos delíquios
têm sido repassados na cabeça
como um roteiro de cinema,
desde a primeira vez que te vi
não consegui mais ser a mesma.

O está escrito o descanso jubiloso
na fortaleza do seu forte peito,
ser a tua fome e forma reino,
não nego que tem sido o meu desejo,
é algo que toda hora prevejo.


Em nós existe o encontro
do nossos hemisférios
além do inverno que se aproxima,
Como lianas, cipós e trepadeiras
em agarramento nos dosséis
das florestas da América do Sul,
com apetite de feras não há mais
nada na vida que nos renda, e preencha.

Não me interessa nunca
mais olhar para trás,
Desde que encontrei
com os meus olhos austrais
os teus olhos sensuais
mais supreendentes,
Outros caminhos
não conheço mais.


Reviver o que se foi,
é querer viver sem rumo.
Sem olhar para trás,
quero seguir em frente,
Agora tenho direção
e não quero conhecer
mais outros caminhos
porque qualquer
outro não me levarão
até o seu caminho.


Como chuva mansa,
o teu coração tomarei
de um jeito inusitado,
E quando você se der
conta estará capturado,
e nas tuas mãos te darei
o poder do meu coração
perdidamente apaixonado.

Te coloco sob o meu olhar
e faço da minha arquitetura
o teu lar de arrebatamento,
De um jeito que obstinação
ninguém poderá controlar,
O que busca para amainar,
tornou-se urgência sem par.


Não preciso performar
e nem fingir submissão,
como território conquistado;
Pois é peremptório,
fixo e desapegado —
o meu perfume afrodisíaco,
feito do Oceano Atlântico Sul,
é o teu favorito santuário.


Na troca afável entre
meu e o seu pulsar aurum,
Mentes e corpos
em plena convergência,
profunda, sedenta e quente,
No abandono das horas
no melhor acordo entre a gente
para incorporar a êxtase
que se derrama inteiramente.


Jogos de imprevisibilidade
para aquecer o inverno
que se aproxima em Santa Catarina,
Não nego que assim quero,
mas que venham com
a tranquilidade de um chá de Tinguaciba,
com o seu abraço cheio de aconchego,
e a tua carícia que até a minh'alma alisa.

Diante do teu olhar entreguei
beleza, mistério e poder
como a marianeira ao frutificar
generosa concede ao sabiá,
estamos dispostos a esbanjar,
e sei que a gente se envolverá.


O nosso silêncio há de vir
com a progressão voluptuosa
dos fatos e do encontro
para a gente envolver
a mente, o coração e a alma,
e com a mudez derreter.


De longe ando percebendo
quando fala ou pensa em mim,
até a sua respiração muda.
Isso não é sedução por acaso —
é o retorno à ordem universal:
o masculino e o feminino
em encontro se rendendo total.


Olhe para mim. O que passou, passou.
Não me interessa nenhum pouco
o que não pude fazer antes de te conhecer;
a sua peregrinação já me previa antes de ser.


O que importa é que, depois de mim,
toda carícia conhecida será esquecida,
e só irá obter o desejável êxtase
com a minha atemporal delícia.


Longe de mim querer igualdade,
o que desejo entre nós é intimidade.
Você foi feito para ser meu
com magnitude e intensidade,
nos teus toques que nos dissolverão
nos andares da alta sedução,
como âmbar e mel em fusão.


Ser além da curva com reverência,
acariciado com a minha presença
e adorado na alma por eu que
sei como solenemente cortejar,
e não irei jamais precisar implorar.


Sempre que for necessário,
virei ou receberei sem pedir
por tudo aquilo que é meu
por natureza: a sua entrega total
para alcançarmos juntos o sideral.

Não foi a primeira vez
que destruíram a fogueira
da Capela Santo Antônio,
O rodeense é resistência
e vai construir de novo.


Porque a festa junina
ninguém vai impedir,
Com muita alegria
a fogueira de Santo Antônio
a nossa gente irá construir,
a festa virá e vai prosseguir.


A nossa cidade de Rodeio
honra a ancestralidade,
e a bonita tradição,
Do Médio Vale do Itajaí
é o meu e o seu coração.