Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Placa


Recordo uma época
que todo dono de sítio
sempre fazia questão
de mandar fazer
uma placa com dizeres
talhada por algum artesão,
para status ninguém ligava,
saber quando seria a próxima
reunião era o que se desejava.


O que mais importava mesmo
era poder fazer no próximo
final de semana,
no feriado ou no aniversário:
um bom churrasco.


Criançada era criançada,
todo mundo se visitava
sem ter medo de nada,
Se fazia novos amigos sempre
de forma despreocupada,
Os anos passaram,
e não me esqueci de nada.

Isqueiê


Nas encruzilhadas
e pelas passagens
no Norte de Minas,
assustando viajantes,
quase todos os dias,
Não sei se em assombração
tu realmente acreditas.


Estou lembrando você
do Isqueiê pregando
cada peça em noite alta
e antes do raiar do dia,
Cruz credo! Que agonia!...


Vem! Aperta e esquenta
a minha mão que está tão fria...
Por estes caminhos rezo por dez:




(dez Pai Nosso e dez Ave Maria).

O teu jeito observador
entretém e seduz,
Os meus cabelos alcançam
o Estreito de Ormuz.


O que gostaria mesmo
é que os meus sonhos
tocassem o seu peito,
E entre nós se abrisse
uma generosa passagem,
Porque não quero ser
espectadora da paisagem.


Não penso contar miragens
e tampouco contar com oásis,
Desejo ser a tua escolhida
inequívoca para habitar
a tua dulcíssima paragem.

O Poemário Rodeense
é feito do pôr e do nascer
de muitas e todas luas,
Das doces manias tuas
que se encontram com
as minhas manias de poesia
no Médio Vale do Itajaí.


Jaci que é bem-vinda,
e vista no céu de Rodeio
brincando como trapezista
na corda do Universo,
e eu pensando qual
será o caminho certo
para ser o que pacífica.


Adorada Jaci adorada,
que guia e orienta
e faz a rota protegida
nesta Santa Catarina,
que todo o dia tem uma
flor tem arrancada do jardim
da primavera da vida.


Jaci que me é tão querida,
que me deu o aceno de despedida,
e teve o lugar tomado
pela garoa mansa e tão fria,
sei que não a deixo,
e ela não me deixa,
assim cultivo a minh'alma feminina.

Não existem músicas ou jazz
que me interessam mais
do que os sussurros de meia-noite
capazes de pacificar terras inteiras:


Sempre que saem da sua linda boca,
que esquentam a minha nuca fria,
e que me fazem absoluta e louca.


[Quem dera se verdade fosse,
mas é devaneio místico e poesia].

Poetisa do Médio Vale do Itajaí


Na mente o segredo da existência
sem excusa e com emergência
de escrever o cotidiano com versos
e cores do Médio Vale do Itajaí,
Que continuam inabaláveis
desde o primeiro dia que vi
com os olhos do meu coração.


O espelhamento é incontestável,
qualquer pretexto vira assunto,
e acaba virando poema no curso
do Rio Itajaí-Açu e os afluentes,
E sobretudo para falar das belezas
e de tudo o que move as gentes.


Para tentar a sorte de tocar-te
do jeito mais profundo e amável,
para quem sabe os teus olhos
se voltarem da maneira mais admirável,
E comigo se encontrar noite e dia,
entre as auroras e o Hemisfério Austral
com direito do melhor da minha poesia.

Línguas ou armas estrangeiras
colocadas contra o meu povo,
da minha parte sempre
encontrarão forte oposição.
Outras Nações jamais
estarão acima da minha Nação.
Espero, da mesma maneira,
que assim seja para você e sua Nação.


Com igual lealdade, ainda que solitária,
tal qual a dos guardiões
das pirâmides do Sudão,
é a que guardo no coração:
ela mantém meus pés e a alma
fincados neste chão
que, sob o Hemisfério Austral,
enlevo em total sagração.
Não sei de onde me lês
nem que terra te chama,
mas desejo a ti a mesma devoção.


Cultivar o nosso amor vivo
em dias solares ou de tormenta,
nas noites de lunação ou escuridão,
é o meu diário voto e querer:
que a poesia se cumpra
e nunca nada me faça esquecer;
para que ninguém nos domine
e nada abale o meu e o teu viver.

Maio floresce com os ipês
sob o Hemisfério Austral,
assumo a minha urgência
que também floresce igual.


De silêncio em silêncio,
o coração sentimental,
indomado e brejeiro:
é puro desejo total.


Venha sem demora,
porque florescer requer
companhia sem hora.


Maio abrirá a porta
secreta e estenderá
o paraíso e a sua aurora.

Alma de Tuiuiú no ninho do mês de maio,
que da poesia ostenta --- o mais sagrado,
Onde o desabrochar das flores dos ipês-rosa
como preces recordam a promessa amorosa.


Promessa que foi cumprida e floriu no lugar
que foi enterrado o heroico guerreiro indígena;
Como prova de amor para a sua amada
além da vida que hoje enfeita a nossa vista.


Desta e de tantas recordações que a memória
resgata com particular lírica se finca a história,
para se envaidecer e honrar de cada glória.


Para que legados entre os dedos não escorram,
para de tudo o que importa por nada nem ninguém
tenha nenhum poder de fazer que a gente desista.

Como quem de cima
do seu próprio cavalo,
enxerga o chão sagrado
que o abriga e sustenta,
Vê tudo com clareza,
incluindo a vil vileza,
Com toda a sutileza,
espírito de galpão e tropa
e chimarrão na mão.


Não nego a herança filial
do vento pampeiro
que ninguém controla,
De Sul a Sul balança
o ipê-roxo-de-sete-folhas
em preparação,
em maio, para a sagração
da absoluta floração.


Das raízes ao coração,
fincadas as origens
com apego a este chão,
Carrego alma briosa
de Sepé Tiaraju, que não
permite que a História
sofra mais alteração.


A herança de qualquer povo
ninguém retira,
independente de quem ali guia,
porque, gostando ou não,
quem manda passa, e o povo fica.

Lua das Flores


A Lua das Flores da estação
no Médio Vale do Itajaí
preludia os ipês rosa e o roxo,
Com certeza percebi
a tua curiosidade bonita
que maio me anuncia.


Se é amor ou não, não sei,
mas que já poesia, virou lei;
Sem precisar da aprovação
alheia constrói o legado
de manter o seu coração
todo em estado de maio.


Não preciso falar o que
sinto porque se me ama,
Saiba que também é amado,
do jeito que não tínhamos
sequer antes imaginado:
do lugar deste amor não
haverá outro para ser ocupado.

Permitir todas as chances
dos três tipos de mangues
no peito se enraizarem
com várias coragens
da liberdade conhecer,
crescer, procriar e revoar:


Não permitir que nada
venha a te dominar.


Criar brio e asas de guará,
mescladas com as auroras
matutina e vespertina
do Hemisfério Celestial Sul,
sem preocupação se há
alguma rima óbvia ou não:


Resgatar com todo o coração,
o deslumbramento e a poesia
sempre a cada nova estação.

Mangue-Preto


Deixar que o Mangue-Preto
seja o pulmão do oceano
com as suas sul-americanas
absolutas glândulas de sal,
e se permitir um dia normal.


Ser um pouco Guará no ninho,
e confiar plenamente que a vida
cumpra o seu próprio destino,
mesmo que cause algum calafrio:


Para dizer para si: -- Estou vivo.

Mangue-Branco


No sobrevoo do Guará,
entre a restinga e o manguezal,
desvela-se, serena e clara,
a certeza que não se desfaz:


O Mangue-Branco floresce
com branca e obstinada beleza,
com suas glândulas de sal
bebendo o amargo com a certeza
da cura em terra brasileira.


Aqui, no nosso chão,
segue imutável a ordem natural.
Muitos tentam rompê-la,
e sempre se darão muito mal.


É prova viva de que a vida
é mais forte que a morte.
Não é só questão de norte
nem mero capricho da sorte.


Nascemos libertados,
nossa raiz é forte;
e está para nascer a hoste,
para alcançar e tombar
todo o que contra a vida se levantar.

Mangue-botão


Algo em mim faz a transição,


o ponto onde o mar desiste,


Insistindo em ser a imensidão


tendo tudo a ver quando


a terra começa a vencer:






Do jeito exato do Mangue-botão


onde reinam cada um


dos três mangues que crescem,


abrigam e a vida nutrem.






Sem sequer tocar na lama,


os mangues roçam na contemplação


profunda d'alma humana


que possui asas guarás,


e se reserva do que não liberta.






[Sem deixar de lado o coração


enraizado na própria terra].

Senhora de toda a poesia


Somos de muito longe,
mas não distantes,
Não importa o quanto
tempo demore,
Estamos do lado de dentro
no coração e no pensamento.


O quanto deverei
caminhar e quantos
degraus irei subir,
Não intimida
e nem desmotiva.


A minh'alma feminina
pela tua se encantou,
deseja ser cativa,
e senhora de toda a poesia.

Desta novela não há
nenhuma novidade.
Nos seus capítulos
só resta crueldade.


Não tem nada a ver
com teoria conspiratória:
a poesia também serve
à memória histórica.


Matam e sequestram
a solidariedade de uns
no vasto mar da Humanidade.
Amanhã voltam os tempos
em que muitos foram
sequestrados dos berços.


Sem nenhum arre(medo),
isto é só o começo
do que nunca deveria
outrora ter iniciado
e que agora, diante dos olhos
e debaixo dos narizes,
está sendo requentado.

Pouco a pouco, paulatinamente,
fui crescendo profundamente.
Encontrei-me por dentro contigo
de maneira surpreendente no destino.


Exatamente onde Ocidente e o Oriente,
se entrelaçam interminavelmente,
porque coincidem todos os motivos
que ainda sequer por nós foram ditos,
e mesmo sem dizer nenhuma palavra,
há mais de uma emoção celebrada.


Em mim encontraste intensidade,
feminilidade, mistério e imensidade;
Sobre nós dois o céu da Humanidade
e tudo o que não pode ser mudado.


Com cada uma das minhas nuances
capturei e finquei profundas raízes
como as de um conhecido cipreste milenar
que enfeita, sombreia e perfuma o seu ar;
Ainda cedo celebro o fascínio, o encontro,
a glória do amor, a vitória e a verdade.

O Mangue-vermelho




Simplesmente ser como um Guará
sob a proteção do Mangue-vermelho,
da vida não ter nenhum medo,
Viver não pede receita de bolo ou segredo;
No Mangue-vermelho se proteger,
nutrir e com confiança viver;
e adiante, no curso, com coragem seguir.


Se permitir ser couro a ser curtido
e pintado pelo Mangue-vermelho,
Não ter nenhum vínculo passado,
orgulhar de ter as raízes expostas,
deixarque a ciência encontre a cura
e não se fazer em tudo --- absoluta.


Ser paciência pura com gente dura,
que não enxerga um palmo adiante do nariz,
como o Mangue-vermelho, ser refúgio feliz,
mesmo quando não for visto como merecido,
dizer com honra para sim: - Eu existo, e resisto.

Com os olhos e o coração
voltados para Deus
e o Hemisfério Celestial Sul,
Sempre recebo borboletas
como as melhores companhias,
A minha voz empresto sempre
a quem precisa nesta vida.


Livros, papel, caneta e poesia,
forte ligação com a Natureza
e com a minha Pátria nativa,
A influência indígena sempre
mantenho viva desde pequenina:
Assim fui, sou e sempre serei,
mantenho inquebrável esta grei.