Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

-Eu e os meus defeitos-


Imagina se todos os sonhos realizassem .
Para você iria acontecer se acreditasse.
Menos parar mim.
Porque não tenho nada de bom, só de ruim.


Para mim alguns são perfeitos .
Mas não faço parte desse grupo.
Pois tenho muitos defeitos.
Sou imperfeito.
Porque fui feito daquele jeito.


Não tenho mas sonho .
Pois acordo muito cedo do sono.
Fui fortemente mordida ,atacada e pisotiada .
De tal medida .
Por isso acho que só estou iludida.


A minha vida é de aflições .
Pois não tenho muitas emoções .
Tomo muitas estranhas medidas .
Por isso acho que sou tão incompreendida .







ℛ𝓊𝓈𝓉𝒾𝒸𝒶 𝒫ℴℯ𝓉𝒾𝓈𝒶

Eu fui te entregar rosas e chocolate.


Parei em frente à sua casa.


Pensei por alguns segundos...
Depois pensei mais um pouco...
E mais um pouco ainda.


A garganta travou.


Sua janela estava aberta.


De repente, começou a chover.


Fiquei ali, parado na chuva.


Seu vizinho me observava e ria.


Ouvi um comentário ao longe:


"Que brega..."


Não respondi.


Apenas dei meia-volta e fui embora.


Você nunca saberá que, um dia, alguém te esperou diante da sua porta com rosas nas mãos.


E que, naquele dia, o céu chorou comigo.


L**

EXÍLIO






O pior exílio do Éden não foi Adão levar consigo a serpente, mas esquecer que levava também a árvore da vida que frutificou no segundo Adão, Jesus Cristo



O Paraíso perde-se duas vezes: por quem o nega, e por quem o cerca de doutrinas.



As Escrituras são asas, quem as transforma em cova, expulsa-se do Éden.



António CD Justo

⁠Relação com o Mundo




Descobrimo-nos não apesar do mundo, mas através da nossa forma única de o habitar.

Ser pleno não é ser ilimitado, mas ser conscientemente limitado. E ser autêntico não é ignorar as influências, mas orquestrá-las conscientemente.

A ipseidade não se encontra, constrói-se, dia após dia, escolha após escolha.

ACORDA, PORTUGAL!


O horizonte encolheu. Trocaram o mar e as estrelas, que alargam a alma, por agendas estreitas e por um comercialismo triste, sem luz própria.


Desviámo-nos do rumo. Deixámos de ser a expressão audaz do espírito que descobriu mundos para nos perdermos em figurinos alheios, longe da nossa terra e do nosso povo.


É tempo de levantar o olhar. De voltar a sentir o sal e a nocturna claridade. De reencontrar, nas ondas e no céu, a perspectiva que nos foi roubada.
Acorda

UM ALERTA

Cuidado, ó poderoso porque até o sono mais profundo tem um limiar. E cuidado, ó povo adormecido porque quem prefere o berço à estrada, um dia acordará num cárcere que ele próprio ajudou a construir. A única magia forte o bastante para quebrar o elixir e dissipar o sonambulismo chama-se consciência desperta. Ela não vem com rugidos, vem com o primeiro silêncio em que se ouve, afinal, o próprio coração bater.

A Lei do Sonambulismo

Chamam-lhe sonambulismo: o sono é pesado e voluntário da sociedade. Não é a ignorância dos factos, mas a vontade férrea de não os ver. É o pacto não assinado: ‘Deixai-me o meu sono, e eu deixar-vos-ei o vosso poder’. Enquanto houver mais medo de acordar do que de ser governado, o ciclo alimenta-se a si mesmo. O embriagado de poder e o adormecido pela preguiça são cúmplices numa dança milenar: um precisa do outro para existir.

O Elixir do Poder
O poder não é uma ferramenta, é um alquimista. Ele não transforma o mundo; transforma primeiro a alma de quem o segura. O homem que toca no cetro acredita estar moldando o metal, mas é o metal que, silenciosamente, molda sua mão e depois seu coração. A embriaguez começa com o primeiro gole da ilusão: a de que se é diferente dos que estão abaixo, imune à própria corrupção. No ápice, o bêbado de poder já não ouve os gritos do vale; só ouve o eco de seus próprios decretos.

VERDADE E IMAGEM

A verdade tornou-se um espelho partido; cada fragmento reflete a vontade de quem o segura, e a imagem do todo é apenas a soma das nossas solidões.
No reino da imagem fabricada, o maior acto de rebeldia é ainda procurar a porta da realidade, mesmo sabendo que, para a abrir, talvez seja preciso derrubar a nossa própria imagem refletida.


PARA LÁ DA ESPUMA DA ONDA

A verdadeira felicidade nasce da transparência. Nasce de sabermos quem somos, o que nos envolve e o que nos condiciona. Mas não basta conhecer esses limites, é preciso tentar ir além deles, com a lupa dos sentidos, da intuição e da alma. Só assim poderemos intuir a luminosidade que, como um véu, ainda os encobre. E só então trilharemos um caminho verdadeiramente nosso.
António da Cunha Duarte Justo

GEOGRAFIA


A geografia é uma consciência silenciosa.


A Europa desorientou-se das suas raízes eurasiáticas,


esquecendo que a ortodoxia russa é sua gémea civilizacional.


E o discurso do ódio, selectivo,


revela apenas a hipocrisia de quem escolhe o que recordar.


António da Cunha Duarte Justo




As pessoas estão sempre se curando do amor.
De alguma forma, isso as renova.
É como se estivéssemos sempre nos tornando versões novas de nós mesmos —
moldando um alguém que esteja apto a tentar tudo outra vez.


Vejo isso como uma forma de melhoria:
mexendo aqui, mudando ali,
ajustando pedaços que antes doíam demais.


E, no fim de tudo,
torcemos para que, da próxima vez que nossos corpos e mentes forem danificados,
seja um pouco mais fácil se reconstruir.
E recomeçar.

Era uma vez uma linda borboleta azul. Suas asas brilhavam sob a luz do sol como pequenas joias vivas, e ela adorava voar pelos campos, jardins e bosques, admirando a beleza do mundo.


Em um de seus passeios, avistou ao longe um escorpião caminhando sozinho. Curiosa e gentil como era, aproximou-se para cumprimentá-lo.


O escorpião ficou surpreso. Nunca antes uma criatura tão bela havia demonstrado interesse em sua companhia. Acostumado ao medo e à rejeição, ele não entendia por que aquela borboleta desejava estar perto dele.


- Olá - disse a borboleta com um sorriso. - Posso caminhar com você?


O escorpião, sem esconder o espanto, aceitou.


A partir daquele dia, os dois passaram a passear juntos. A borboleta voava lentamente para não deixar o amigo para trás, enquanto o escorpião caminhava com rapidez para acompanhá-la.


Com o passar do tempo, o escorpião começou a mudar alguns hábitos. Mantinha o ferrão recolhido e imóvel sobre as costas, como se quisesse mostrar que não representava perigo. Parecia até que não possuía ferrão.


A borboleta o levava para conhecer lugares encantadores. Juntos atravessavam jardins coloridos, seguiam por caminhos floridos e observavam o pôr do sol nas avenidas arborizadas.


Para o escorpião, aqueles momentos eram preciosos. Pela primeira vez em sua vida, sentia que alguém gostava dele de verdade.


Até então, conhecera apenas a solidão.


Todos fugiam ao vê-lo. Ninguém desejava sua amizade. O medo que inspirava era maior do que qualquer qualidade que pudesse ter.


Mas a borboleta azul era diferente.


Ela enxergava além da aparência e não demonstrava receio algum. Sua confiança fazia o escorpião sentir-se aceito, algo que jamais havia experimentado.


Os dias passaram, e a amizade entre os dois parecia cada vez mais forte.


Porém, certa noite, algo inesperado aconteceu.


Como de costume, a borboleta adormeceu ao lado do escorpião.


A noite estava silenciosa. Apenas o som suave do vento atravessava as folhas das árvores.


Foi então que o escorpião sentiu um estranho impulso.


Seu ferrão começou a se mover lentamente.


Ele tentou detê-lo.


Lutou contra aquele movimento.


Mas, pouco a pouco, o ferrão ergueu-se sozinho, aproximou-se das delicadas asas da borboleta e a atingiu.


A borboleta despertou imediatamente, tomada por uma dor intensa.


Assustada e com lágrimas nos olhos, olhou para o amigo e perguntou:


- Você sempre foi tão gentil comigo. Por que me feriu?


O escorpião abaixou a cabeça.


Tomado pela tristeza e pelo arrependimento, respondeu:


- Eu não queria fazer isso. Mas é da minha natureza. Tentei controlar meu instinto, porém não consegui.


Aquelas palavras machucaram quase tanto quanto a ferroada.


Com grande esforço, a borboleta afastou-se.


Mesmo sentindo dor, abriu as asas e começou a voar.


Voou para longe.


Voou enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.


Voou sobre jardins, campos e rios, até que a distância entre ela e o escorpião se tornou impossível de medir.


Com o tempo, a ferida cicatrizou.


A dor diminuiu.


A vida seguiu em frente.


Mas a lembrança daquela noite jamais desapareceu completamente.


Desde então, a borboleta aprendeu uma lição difícil: por mais que exista bondade e afeto, algumas criaturas não conseguem vencer a própria natureza.


E, embora tenha conseguido superar a ferroada, a borboleta nunca mais voltou a se aproximar de um escorpião.

Eu sempre tive dificuldade em falar o que sinto — ainda tenho.
Talvez por isso eu escreva.
Ainda não consigo dizer “eu te amo”, sempre acho que nunca é a hora certa.
Ainda não sei consolar os outros, porque acredito que o silêncio também pode ser um abraço.
Ainda não gosto de abraços, mesmo sabendo que, às vezes, eles transformam um dia ruim em um bom.
Ainda não encontrei um propósito. Não que eu ache que isso defina quem seremos no futuro, mas eu gostaria de me sentir menos perdido.
Começo algumas coisas, termino outras, abandono tantas pelo caminho.
E me pergunto se todos já se sentiram assim — perdidos — em algum momento da vida.
Se sim, como se encontraram no processo?
Há dias em que eu só espero que minha mente desperte, que descubra algum sentido, ou que me conecte a pessoas que também se sintam assim.
Talvez nelas eu encontre uma resposta.
Enquanto isso não acontece, continuo escrevendo tudo que minha mente questiona.

“Ok, pai, você tem razão. Eu herdei aquele seu lado complicado. Fico irritado quando não consigo resolver as coisas, sou ansioso demais e não sei esperar o tempo agir como deveria. Não sei medir minhas palavras — elas quase sempre soam mais duras do que eu pretendia. E, sem perceber, acabo ferindo pessoas com atitudes impulsivas, tomadas antes que o pensamento alcance o gesto.


Então acho que podemos admitir isso: sou, em muitos aspectos, uma cópia fiel de traços que você deixou como herança. Não apenas no sangue, mas no jeito de sentir, de reagir, de errar. Carrego em mim partes suas que talvez você nunca tenha nomeado, mas que continuam existindo através de mim.”

Que a beleza
Da vida⁠
Nos cerque

Que a leveza da alma
Nos guie

Que a sabedoria
Nos molde

Que o amor
Nos banhe

Que possamos nos encontrar e nos encantar com os pequenos detalhes
Todos os dias

De um abraço apertado
De um sorriso espontâneo
De um bom dia sincero
Ou de uma palavra de carinho

Pq a estrada da vida devolve
Tudo que plantamos
E o universo nos guia e atrai
Tudo que pedimos e falamos

Em dez tempos verbais, o verbo espera seu libertador. No tempo cronológico confronta o biológico. No biológico atravessa ciclos. Nos ciclos constrói história. E na história deixa marcas que podem ser narradas, mas jamais ensinadas.


Porque há saberes que só nascem quando alguém ergue com as próprias mãos sua cadeia de valores.

Gestos humanos
Quando eu fechei a porta e saí à rua, percebi que considerava o que aconteceria como algo que já havia acontecido, o que era familiar, era um pé no futuro. Era como se tudo existisse de forma imutável: o passado seria o futuro. Daí veio uma nova consciência que derreteu o que era sólido: a visão de um fluxo eterno no qual nada estava fixado. A percepção do movimento da minha mente agora, em que não há repetições. Tudo era novo, era o olhar de um recém-nascido.
Eu comecei a caminhar pela calçada e vi que todos os meus gestos, a forma de caminhar, as expressões do meu rosto, eram apenas um teatro inconsciente. As minhas ideias, a minha forma de enxergar e de ouvir, a minha noção do tempo, eram apenas um formato, um figurino. Tudo para me manter dentro de um padrão reconhecível, assim os outros saberiam o que esperar de mim. Conseguia, então, suprir duas carências: confirmar os costumes e ter uma ilusão da minha identidade. Assim, os outros dizem quem eu sou. Isso é o máximo que temos para responder à pergunta. Claro que o que pensam sou eu que penso, portanto, eu sou os outros. Isso me deixou em dúvida, pois as pessoas fazem parte do fluxo interminável dos movimentos e como eu poderia saber o que pensam, se duvido da percepção? O tempo é a consciência desses movimentos e da sua constante dialética. O que é horizontal vira vertical e vice-versa. Na verdade, não existe uma mente. O que há é um pensamento que engloba este momento, a realidade.

Uma boa nova


Caminho pela noite fresca sob os reflexos de luz na calçada, nas paredes, nas árvores: figuras modeladas pela minha crença. O que serão essas ilusões? Que verdade guardam? Por que me projeto sobre a realidade e a modelo com as minhas mãos? Por que a necessidade de crer quando a liberdade está roçando as solas dos meus pés?

Repetição


Há um lugar que é o centro de tudo e este lugar é em qualquer lugar. A consciência está em toda parte e se manifesta também aqui. O universo está dentro de um grão de areia e o grão de areia é o universo. O odor de terra molhada, o céu coberto de nuvens, as andorinhas se precipitando das alturas, tudo isso se repete pelas eras. Os músculos da minha mão se retesam para um estalar de dedos. Algo assim já faziam os antigos romanos quando queriam se despertar e eles o fizeram há séculos.