Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
Corte Cirúrgico:
Hoje eu deitei para dormir mais cedo
O meu colchão me abraçou bem apertado.
Sufocado, eu senti bastante medo,
E neste enredo eu fiquei desacordado.
Quando despertei naquele lugar trancado,
Senti os meus braços amarrados
E logo isto me apavorou por inteiro.
As luzes piscavam descontroladas
E o suor com gotas geladas
Afirmava que não seria o primeiro.
Vozes me agitavam e risos me cercavam.
Estava em transe sem reação.
Os braços que me tocavam,
Tiravam de mim qualquer ação.
Nessa noção eu avistei o meu pavor,
Reluzindo com as luzes o brilho mortal.
E nesta hora não sabia como me recompor,
E então a dor seria mais do que fatal.
Engoli em seco, pois não havia
Na garganta uma só gota
De saliva que ali possuísse e nem poderia
Me salvar do meu destino com forma marota.
Aquele avental verde lodoso,
Castigava minhas pupilas com ardor
Sentia o meu suor se tornando poroso.
A carne queimando deixava no ar o fedor.
O bisturi cortando, preciso e cauteloso
A dormência na pele me impedia
Que eu sentisse aquele rubro lustroso
Cobrir o meu corpo o quanto podia.
Minha consciência lutava até o fim,
Para eu não cair fácil assim
No golpe de sorte que a vida possui.
No entanto, já exausto eu sei
Que tentei mas não aguentei
Àquele ato a vida logo me exclui.
Tsharllez Foucallt.
Olhe bem pra quem você é e sorria ao saber que cada detalhe da sua personalidade foi escrito por muito mais pessoas que só você. Quem te derrubou, quem te levantou, quem te destruiu, quem te motivou. Todas as pessoas que passam na sua vida moldam um pouco de quem você é. Agradeça essas pessoas, boas ou ruins. Valorize as boas, aprenda a ver quem não for. Essa é minha sorte, fique para quem for...
Às vezes a vida nos lembra, da forma mais dura, que o tempo não volta. A perda chega e deixa um silêncio que nenhuma palavra consegue preencher. É quando entendemos que cada abraço que deixamos para depois, cada “eu te amo” que ficou guardado, poderia ter feito diferença.
Valorize quem está vivo.
Ninguém sabe quando será o último suspiro.
Abrace mais.
Beije mais.
Dê carinho sem medida, sem esperar o momento perfeito.
Porque, no final, o que fica não são as pressas do dia…
são os momentos que tivemos coragem de viver com amor. 🤍✨
O que eu aprendi nos meus 40
Falou mal de mim?
Não tiro mais satisfação.
Virou a cara, se afastou?
Não tiro mais satisfação.
Me julgou sem me conhecer?
Não tiro mais satisfação.
Criou histórias sobre mim?
Não tiro mais satisfação.
Não gostou de mim?
Não tiro mais satisfação.
Aprendi que paz mental vale mais do que qualquer explicação.
Quem vive em paz não precisa provar nada para ninguém.
Dengue
Sabe hoje? Eu tô me sentindo doente.
Mas não é de hoje. Já faz uns dias.
Um mundo mais pálido, a vista fechada,
A vontade de viver secando em mim.
Tipo... eu tô doente. Doente de verdade.
Eu não tenho fome e nem coragem de sair da cama.
Na verdade, tenho uma bola na garganta.
Não, não é uma bola. É um bicho vivo.
É um gato arranhando a carne por dentro,
Rasgando pra fora, num desespero contínuo.
Eu tento cuspir, eu tento expulsar,
Mas ele crava a unha e não sai.
E o pior? O pior é estar sozinha.
Eu não sou fraca. Mas hoje me encontro frágil.
Odeio a fragilidade me arrastando pro chão,
Nesse poço sensível onde me afundei.
Eu não consigo pensar. Eu não consigo agir.
Eu só consigo ficar deitada. E chorar.
Qualquer som lá de fora me faz desmoronar.
Como se a doença vazasse pelos meus olhos.
Como se eu precisasse rachar de uma vez,
Com um choro contido e engasgado,
Pra engolir a verdade que eu sempre recolho:
Eu não tenho ninguém. Ninguém pra chamar.
Ninguém que me chame sem segundas intenções, sem transações sociais.
Alguém que só queira saber como estou e venha ao meu socorro.
Isso me lembra algo.
Eu tive dengue quando era criança.
Família grande. Casa cheia e vazia ao mesmo tempo.
Tudo acontecendo, mas nada era dito.
Eu ficava doente, encolhida no canto...
Pequena. Insignificante. Engolindo o grito.
Ninguém cuidava de mim. Ninguém me via.
E isso bate na ferida que nunca fechou.
A carne viva rasgada que não cicatriza.
É a minha maior ferida.
Talvez seja o abandono me fazendo doente.
Ou talvez seja dengue, que me paralisa.
Eu não sei. Eu só quero chorar.
Esperar que alguém me salve. Que alguém venha.
Mas ninguém nunca vem. Ninguém liga. Ninguém.
E eu choro mais forte, engasgada na dor
Desse gato maldito arranhando a garganta.
A vergonha sufoca. O vazio me esmaga.
Eu olho pro lado. O silêncio decreta.
Não tem ninguém.
Nunca teve ninguém além de mim mesma.
_Um amor perdido …
Sinto falta,
Sinto falta da sua bagunça,
Sinto falta da sua calma,
Das suas cores…
Do seu cheiro de café,
Sinto falta de você falando do céu, e dos planetas que estavam lá,
Se era Júpiter, se era Marte…
Sinto falta de você falando das suas peculiaridades, das coisas que você gosta…
Isso era importante, nunca vou achar algo assim.
Nunca vou achar ninguém igual a você.
Então por que você deixou isso passar?
Eu não sei…
A Páscoa não é — e nunca foi — um fenômeno comercial!
Reduzi-la ao chocolate, ao consumo, à superficialidade das vitrines, é um sintoma claro de uma sociedade que perdeu a capacidade de compreender o essencial.
Não se trata de condenar tradições.
Trata-se de hierarquia de valores!
O que está no centro?
O que é fundamental?
O que é inegociável?
A Páscoa é, antes de tudo, a afirmação de um evento que desafia a própria lógica humana:
a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.
E aqui é preciso rigor intelectual!
A cruz não é ornamento, não é símbolo decorativo!
Ela representa um ponto exato onde duas forças aparentemente incompatíveis se encontram:
— a justiça, que exige consequência
— e a misericórdia, que oferece redenção
Isso não é sentimentalismo.
Isso é estrutura lógica!
Agora eu pergunto — e é uma pergunta que exige resposta:
Se o amor verdadeiro implica sacrifício,
por que insistimos em tratá-lo como algo leve, descartável, conveniente?
A ressurreição, por sua vez, não pode ser diluída em metáfora!
Se ela ocorreu, então todas as premissas da existência humana são alteradas!
Repito:
todas!
— a morte deixa de ser definitiva
— o sofrimento ganha contexto
— e a vida passa a ter um sentido que não é arbitrário
Ignorar isso não é neutralidade.
É uma escolha!
Uma escolha filosófica, existencial — e muitas vezes, uma fuga.
Portanto, não basta celebrar.
É preciso compreender!
E compreender implica responsabilidade!
Porque, se isso for verdadeiro — e essa é a questão central — então não estamos diante de uma tradição…
Estamos diante de um chamado!
Um chamado à coerência, à reflexão, à tomada de posição.
A Páscoa não é um dia.
É uma interrogação permanente:
o que você fará com essa verdade?
Feliz Páscoa.
Fim dos tempos
São dias difíceis demais,
Os valores estão todos invertidos,
Pessoas não dizem a verdade jamais,
As coisas perderam seus sentidos.
São opostas ao que deveriam ser,
Uma verdade se torna mentira,
Uma mentira se faz com prazer.
O fim dos tempos é fato!
Um conceito do final da humanidade,
Está associado ao julgamento divino, Tribulações e guerras de verdade!
Após o julgamento e a destruição do mal, Deus estabelecerá novos céus e terra,
Um tempo de justiça e reconciliação real
É quando cessarão as doenças e guerras.
Dor não haverá jamais! Já pensou?
A eternidade no paraíso de harmonia.
E juntos daquele que nos criou
Transformados e com grande alegria.
Raimundo Nonato Ferreira
Abril/2026
Mudança de Perspectiva
Passamos muito tempo esperando,
Esperando que algo de extraordinário aconteça,
Todavia, ficamos mesmo é interrogando…
Interrogando e esquecemos da promessa.
Na verdade, gastamos a vida em expectativas,
Daí o desperdício de tempo é inevitável,
Dúvidas nos paralisam e ficamos sem iniciativas,
Tornando a vida em algo nada agradável.
No entanto, podemos mudar essa situação.
Firmamo-nos nas promessas divinas,
Essas sim, nos trazem paz no coração
E mudam até mesmo nossa rotina.
A vida segue de forma diferente,
Nosso olhar se enche de esperança
Tudo muda e nos faz resilientes
Para um futuro cheio de bonança.
Raimundo Nonato Ferreira
Abril/2026
Na Judeia, na época de Cristo, o “sobrenome” não era como hoje.
Geralmente, indicava de quem a pessoa era filho ou onde vivia.
Jesus era “Yeshua bar Yoseph” (Jesus, filho de José), “Yeshua Natzara” (Jesus de Nazaré).
Algo curioso é que Barrabás vem de “Bar Abba”... ou “filho do pai”, e alguns historiadores dizem que ele era “xará” de Jesus (“Yeshua bar Abba”).
A Divindade está até mesmo nos detalhes... o povo escolheu libertar uma pessoa que, literalmente, se chamava “jesus, filho de um homem”, para condenar “Jesus, filho de Deus”.
FÉ...!
Na luz serena da Páscoa, renasce a esperança…
A mesma que, um dia, floresceu com a ressurreição de Jesus Cristo,
mostrando ao mundo que a vida sempre encontra um jeito de vencer.
Que neste dia sagrado, não apenas a fé se renove,
mas também os sonhos adormecidos, guardados no silêncio do tempo.
Que eles despertem, ganhem força, cor e coragem…
E que, junto a esse renascer, venham também a saúde,
a paz no coração e a energia necessária para seguir acreditando,
caminhando e construindo dias mais leves e cheios de sentido.
Que a sua Páscoa seja feita de recomeços,
de amor que acolhe
e de esperança que nunca se apaga.
Feliz Páscoa... pra você e todos os seus...!🕊️✨
Porque quando você assume a responsabilidade, você recupera o controle da sua vida.
Enquanto a culpa está nos outros, você fica preso, sem poder mudar nada.
Mas quando você entende que suas escolhas te trouxeram até aqui, você também percebe algo poderoso: você pode escolher diferente a partir de agora.
Ser protagonista é isso…
não é sobre nunca errar,
é sobre não se esconder atrás dos erros.
E o “ainda dá tempo” é justamente isso:
enquanto você está aqui, existe chance de recomeçar, ajustar, crescer e viver algo novo.
Você é o silêncio,
o silêncio que eu insisto em preencher,
A vírgula esquecida em tudo o que eu quis dizer.
É estranho como quem nada me entrega,
acaba sendo o meu lugar de descanso.
Você não se vê nos livros que sublinhei,
nem ouve seu nome nas canções que decorei.
Não que você seja o centro do universo,
mas, quando se trata de você, tudo foi sentido ao extremo,
tornando-se assim a minha maior fonte de inspiração.
Obrigado por ser, mesmo sem pretender,
A beleza do que eu não pude ter.
Antes eu era magia,
hoje, sou silêncio.
Antes eu era riso fácil,
hoje, eco por dentro.
Antes eu era chama acesa,
hoje, cinza ao vento.
Antes eu era presença,
inteiro em cada momento,
hoje sou ausência que pesa
no vazio do pensamento.
Antes eu era caminho,
passo firme, sem medo,
hoje me perco em mim mesmo,
guardando tudo em segredo.
Antes eu era mundo,
imenso, vivo, intenso…
hoje, sou só silêncio.
Santo Kevin
Kevin que está na caixa
Santificado seja o vosso nome
Assim, na terra como em qualquer lugar
Nos livrais de se importar com os burracos que vivem nas sombras
E nos livrais de pensar mais sobre isso
Para não ultrapassar sua lente
Reluzente e protetiva
Nos livrais de todos os pecados
Antes que atinjamos a vida eterna
E se vemos no além.
Porque substituir dá menos trabalho. É quase um reflexo condicionado da modernidade. Travou? Troca. Cansou? Troca. Não brilhou hoje? Troca também, porque aparentemente tudo precisa performar como se fosse final de campeonato todo santo dia. E eu fico olhando isso com um certo espanto, meio rindo, meio cansada, pensando em quando foi que a gente começou a tratar pessoas como se fossem aplicativos com bug.
Construir, por outro lado, é um negócio meio antipático à pressa. Construir exige tempo, exige silêncio, exige aquele desconforto chato de ter que conversar quando o orgulho queria fazer greve. Construir é olhar pra alguém num dia completamente sem graça e ainda assim escolher ficar. E vamos combinar, dias sem graça são a maioria. A vida não é feita de trilha sonora emocionante, é mais aquele barulho de panela, notificação e boleto vencendo.
Substituir virou hábito porque dá a falsa sensação de controle. A gente acredita que, escolhendo outra pessoa, vai finalmente encontrar a versão sem defeitos, sem falhas, sem dias ruins. Spoiler que ninguém gosta de ouvir, mas eu falo mesmo assim: não vai. Você só muda o roteiro, mas o gênero do filme continua o mesmo. Sempre vai ter conflito, sempre vai ter frustração, sempre vai ter aquele momento em que você pensa “será que era melhor ter ficado sozinha vendo série?”. E às vezes era mesmo, mas isso não invalida o resto.
Construir é quase um ato de teimosia elegante. É tipo dizer “eu sei que seria mais fácil sair correndo, mas eu vou ficar aqui mais um pouco e ver no que dá”. E não, isso não tem nada a ver com aceitar qualquer coisa. Tem a ver com entender que profundidade não nasce de facilidade. Relações rasas são muito educadas, muito leves, muito fáceis de abandonar. Relações profundas dão trabalho, mas também dão raiz. E raiz, minha querida, segura até quando o vento resolve testar sua sanidade emocional.
A gente desaprendeu a permanecer porque permanecer não dá like imediato. Não rende história bonita todo dia. Não tem aquele brilho instantâneo que faz o coração disparar e a dopamina fazer festa. Mas tem uma coisa que o instantâneo nunca vai ter: consistência. E consistência é silenciosa, quase invisível, mas é ela que sustenta tudo quando o encanto dá uma cochilada.
Eu olho pra esse mundo que troca tudo o tempo inteiro e penso que talvez o verdadeiro luxo hoje seja ficar. Ficar com consciência, ficar com vontade, ficar sabendo exatamente onde está pisando. Não é sobre insistir no que machuca, é sobre não fugir na primeira rachadura. Porque se você sai toda vez que algo quebra, você nunca descobre o que poderia ser reconstruído.
No fim das contas, substituir é rápido, mas construir é o que fica. E eu, sinceramente, ando preferindo o que fica. Mesmo que dê trabalho. Principalmente porque dá trabalho.
Agora me conta, você é do time que troca ou do time que constrói?
Amar, hoje em dia, não tem mais esse glamour todo de novela das nove, com gente correndo na chuva, tropeçando na própria dignidade e chamando isso de intensidade. Eu mesma já fui dessas, dramática profissional, achando que amor de verdade precisava doer um pouquinho, como quem aperta o sapato novo só pra ter certeza que ele é caro. Só que uma hora a gente cansa de sangrar por estilo.
A verdade é que amar virou quase um exercício de resistência emocional, tipo academia, só que sem espelho e sem aplauso. É acordar num dia em que tudo dentro de mim quer silêncio, isolamento e um bom “ninguém me toca”, e ainda assim escolher olhar pro outro e pensar, eu fico. Não porque é fácil. Não porque tá lindo. Mas porque tem algo ali que vale mais do que o conforto de ir embora.
E olha que ir embora, às vezes, parece uma proposta tentadora, quase um convite VIP pra paz imediata. Só que a gente descobre, com o tempo, que paz que vem fácil demais costuma ir embora do mesmo jeito. Permanecer, não. Permanecer é quase uma arte esquecida. É tipo cuidar de planta que insiste em não crescer, mas um dia, do nada, dá flor e você fica ali olhando, meio emocionada, meio besta, pensando, ainda bem que eu não joguei fora.
Amar assim exige uma coragem silenciosa. Não tem plateia, não tem trilha sonora, não tem ninguém dizendo “nossa, que lindo vocês dois resistindo ao tédio de uma terça-feira qualquer”. Mas tem uma coisa muito maior acontecendo ali, escondida no cotidiano. Tem dois seres imperfeitos, cheios de bagagem, traumas, manias irritantes e fases insuportáveis, decidindo não transformar qualquer desconforto em despedida.
E isso, sinceramente, é revolucionário. Num mundo onde tudo é descartável, inclusive gente, escolher ficar virou quase um ato de rebeldia. É tipo dizer pro universo, eu sei que seria mais fácil recomeçar com alguém novo, mais empolgante, mais leve, mas eu escolho construir, mesmo quando dá trabalho, mesmo quando dá vontade de sumir.
Porque no fim das contas, amar não é sobre aquele pico de emoção que faz o coração disparar. Isso aí até café resolve. Amar é sobre constância, sobre presença, sobre aquele gesto meio despretensioso de continuar ali, mesmo quando não tem nada de extraordinário acontecendo.
E talvez seja exatamente isso que torna tudo extraordinário.
A Menina Vitória
No brilho dos olhos, traz a aurora,
Caminha com passos de quem sabe onde vai.
Pequena no tamanho, mas grande agora,
A menina Vitória nunca se retrai.
Seu nome é promessa de superação,
É riso que vence qualquer tempestade.
Leva a esperança em cada canção,
E vive a vida com pura verdade.
Não é só um nome, é o seu destino,
De conquistar mundos, de ser o que quiser.
No rastro que deixa esse ser tão divino,
A menina floresce e se faz mulher.
Que a força do nome te guie o caminho,
Com flores, abraços e muito carinho.
Pois em cada gesto, em cada memória,
Brilha o sucesso da menina Vitória.
No fim das contas, o tal do extraordinário não chega fazendo barulho. Ele não entra pela porta com trilha sonora, nem traz um roteiro pronto digno de cinema. O extraordinário, esse danado, tem uma mania irritante de chegar quando ninguém mais está prestando atenção. Porque no começo é tudo espetáculo. É conversa até de madrugada, risada fácil, promessa que parece contrato vitalício assinado com caneta de glitter. É bonito, claro que é. Mas também é fácil. Fácil demais.
Difícil mesmo é quando o silêncio começa a aparecer sem pedir licença. Quando a rotina bate na porta e não traz flores, só boleto emocional pra pagar. Quando a pessoa já não é novidade, já não é mistério, já não vem com manual de encantamento automático. É aí que a coisa fica interessante. Ou melhor, é aí que a coisa fica verdadeira.
Porque veja só, ficar quando tudo ainda é bonito não exige coragem nenhuma. Qualquer um fica quando o amor ainda está em fase de trailer. Quero ver é permanecer quando o filme já passou da metade, quando você já sabe os defeitos de cor, o tom de voz, o jeito que irrita sem esforço. Quero ver olhar pra aquilo tudo e ainda assim pensar, tá, não é perfeito, mas é aqui que eu quero estar.
E tem uma rebeldia silenciosa nisso. Uma teimosia quase poética. Num mundo que ensina a trocar tudo na primeira dificuldade, escolher ficar é praticamente um ato revolucionário. É dizer pro universo, olha, eu sei que seria mais fácil começar do zero, fingir que nada aconteceu, investir em alguém novo com aquele brilho de novidade... mas eu não quero fácil, eu quero real.
Porque substituir virou hábito. Construir virou raridade.
E construir, minha querida, dá trabalho. Dá preguiça às vezes. Dá vontade de largar tudo e sair correndo feito personagem dramática de novela das nove. Só que aí vem aquela lucidez incômoda, quase uma voz interna meio sarcástica, dizendo: você acha mesmo que lá fora vai ser diferente? Spoiler emocional: não vai.
Todo mundo decepciona. Todo mundo falha. Todo mundo, em algum momento, vai ser exatamente o contrário da expectativa que você criou. A diferença não está em evitar isso, porque isso é impossível. A diferença está em decidir com quem você topa atravessar essa bagunça chamada realidade.
E quando eu fico, não é por falta de opção. Não é por medo. Não é por comodismo. Eu fico porque eu escolho. Porque eu entendi que o extraordinário não mora no auge, mora na constância. Mora naquele café meio sem graça de manhã, na conversa que não é épica mas é honesta, no gesto pequeno que ninguém posta, mas que sustenta tudo.
O extraordinário é olhar pra mesma pessoa, depois de tudo, e ainda reconhecer ali um lugar possível de ficar.
E isso, sinceramente, não tem nada de marketing. Isso é quase um milagre cotidiano disfarçado de rotina.
No fim das contas, eu descobri uma coisa meio inconveniente, dessas que a gente não posta em status porque não rende aplauso imediato: o que é rápido quase nunca cria raiz. E raiz, minha querida, é feio no começo. Não tem filtro que salve. É terra, é esforço, é tempo, é aquela sensação de “será que isso aqui vai pra frente ou eu tô só regando um problema?”. Substituir é elegante, é limpo, é quase coreografado. Você troca, recomeça, reinventa, e pronto, parece que resolveu. Só que não resolveu nada, só mudou o cenário do mesmo enredo.
Construir, por outro lado, é quase um ato de teimosia emocional. É acordar num dia meio sem graça e ainda assim escolher continuar. É olhar praquilo que já não tem mais novidade nenhuma e, mesmo assim, encontrar um motivo pra permanecer. E olha, permanecer não tem glamour nenhum. Permanecer não ganha curtida, não vira história bonita pra contar em mesa de bar. Permanecer é silencioso, é repetitivo, é quase invisível. Mas é justamente aí que mora o segredo que ninguém gosta de admitir: o que fica não é o que começa perfeito, é o que sobrevive imperfeito.
Eu ando desconfiando cada vez mais desse vício moderno de querer tudo pronto, leve, sem atrito. Parece que qualquer dificuldade já virou motivo pra desistir. Como se tudo tivesse que vir com manual, garantia e botão de desistir fácil. Só que as coisas que realmente valem alguma coisa não funcionam assim. Elas exigem presença. Exigem paciência. Exigem que a gente suporte o desconforto de não ter certeza.
E eu sei, dá trabalho. Dá um trabalho quase ofensivo. Tem dias em que dá vontade de largar tudo e escolher o caminho mais curto, mais simples, mais bonito na superfície. Mas aí vem aquele pensamento inconveniente de novo: o fácil não sustenta. O rápido não aprofunda. O imediato não permanece.
Então eu fico. Fico não porque é sempre bom, mas porque é verdadeiro. Fico porque entendi que construir não é sobre ausência de dificuldade, é sobre decidir que aquilo merece o esforço. E, no fim, é quase engraçado perceber que aquilo que mais cansa é exatamente o que mais cria história. Porque ninguém conta com brilho nos olhos sobre aquilo que foi fácil demais. A gente conta sobre o que resistiu.
E eu, sinceramente, ando preferindo o que fica. O que cria raiz. O que demora. O que exige. Porque no meio de tanta coisa descartável, ter algo que permanece virou quase um luxo emocional.
Agora me conta… você também tá começando a desconfiar do que é fácil demais?
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