Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

​O PESO DO SUSPIRO
(Na esperança do amanhã)

​Houve um tempo em que o peito vivia apertado como pedra. Qualquer decepção virava eco; qualquer injustiça era um tambor batendo forte no meu coração. Eu queria que o mundo ouvisse a minha indignação, que o outro entendesse a minha dor na mesma voltagem em que eu a sentia.

​Eram os meus gritos abafados — aqueles que a gente engole no jantar, que guarda sob o travesseiro, quando as lágrimas se misturam com a água do chuveiro ou com a chuva lá fora. É nesse instante que o silêncio grita, a voz trava nas cordas vocais... e o que resta é apenas um suspiro profundo, que faz a alma levitar e sair da matéria.

​Mas o tempo trouxe consigo uma espécie de cansaço vago e silencioso; as cordas vocais da alma parecem agora preferir o repouso. A gente percebe que gritar, mesmo que para dentro, ainda gasta uma energia flutuante que o corpo agora pede para outras coisas: para o café da manhã sem pressa, para o livro que finalmente faz sentido, para o olhar que compreende sem precisar de legenda.

​Com o envelhecer, a maturidade nos ensina que o que antes era um vulcão contido vira brisa. Os silêncios deixam de ser prisões e passam a ser refúgios. Não é que a dor sumiu; é apenas que a urgência de ser compreendida foi substituída pela paz de se compreender e de se aceitar.

​Hoje, quando algo aperta o coração, eu não busco mais o grito. Eu busco o fôlego. Quero apenas que aquele nó na garganta se desfaça em um suspiro longo, que saia pelos lábios e se misture ao vento. Porque o suspiro não exige resposta, não pede plateia e não carrega o peso da explicação. Ele é, simplesmente, a alma fazendo as pazes com o que não posso mais mudar, apenas aceitar.

​O suspiro é o som da liberdade de quem já não precisa mais provar nada a ninguém — nem a si mesmo. Pois o que a gente mais quer é que nossos gritos abafados, em nossos silêncios, apenas suspirem.

​Lu Lena / 2026

​PÁSSAROS ATÔNITOS

​O paradoxo da liberdade diante do caos interno de tua mente é quando os pensamentos ficam prolixos e se perdem em direções difusas, como pássaros atônitos e dispersos querendo voar dentro de ti. Mesmo com a gaiola aberta, não o fazem; não conseguem sair do lugar. Às vezes, a liberdade também é uma forma de prisão lá fora... por isso, o voo se paralisa no ar que acabas de ganhar.

​Lu Lena / 2026

​O PARADOXO DO CAMINHO
(​Reflexões sobre o Tempo e a Virtude)

​No labirinto do tempo, encontrei duas setas no caminho: uma apontava para a Vida, a outra para a Frente. Então, descobri que a bifurcação era uma ilusão da minha mente; seguir em frente é o comprometimento com o destino, e viver o aqui e o agora é a virtude e a evolução da alma.

​Lu Lena / 2026

​NADA É ABSOLUTO
(Tudo é transformação)

​A vida nos desafia, constantemente, a aceitar a transitoriedade. Quaisquer que sejam as circunstâncias, cabe a nós a responsabilidade pelas nossas interpretações do mundo. É preciso silenciar a busca por certezas definitivas — que, muitas vezes, não virão — em favor de uma existência em constante transformação. A intenção reside no fluxo, na coragem de mudar e na liberdade de ser novo a cada dia.
​Nesse caminho, avistamos duas setas: uma aponta para a Vida, a outra para a Frente. Decifrar esse enigma da bifurcação é o grande desafio que confunde nossa mente, pois o compromisso com o destino é, inegavelmente, seguir adiante. Viver o aqui e o agora é a certeza da evolução da alma; é refletir sobre o espaço que ocupamos neste tempo oscilante, feito de erros, acertos e virtudes. Afinal, se não ficarmos atentos, a vida passa num instante.

​Lu Lena / 2026

CIRCUITO DE VIDRO
(Entre o meltdown e o porto seguro de um olhar)

​Minha essência foi moldada num mosaico vitral,
feita de cacos espalhados pelo chão.
​Em instantes de crise, o espaço me aperta, me comprime.
Às vezes é amplo, às vezes me liberta.
O ruído do mundo lá fora me desestrutura,
meu grito ecoa, fio desencapado.
Curto-circuito.
O excesso me enclausura.
​Mas no instante seguinte, a paz:
o básico, o abstrato.
Não preciso sair de mim, não preciso orbitar o desconhecido.
​No choque, o meltdown acontece e eu vou embora.
Desconexão. Penumbra.
No vão oco da minha quietude,
consigo voltar e me ver.
​Sinto a mão que puxa o plugue da tomada.
Refugio-me no olhar do meu abrigo: minha mãe.
E enfim… estou seguro.

​Lu Lena / 2026

A maioria das pessoas não teme a ignorância.


Teme o desconforto de pensar profundamente.


Pensamentos rasos oferecem respostas rápidas, certezas imediatas e pertencimento coletivo.
Já o pensamento verdadeiro exige solidão intelectual, dúvida constante
e coragem para abandonar convicções antigas.


Poucos suportam esse processo.


Porque pensar de maneira genuína
não é acumular informações.
É permitir que a própria mente seja desmontada, reorganizada
e reconstruída inúmeras vezes ao longo da vida.


O conhecimento real raramente produz arrogância.
Produz consciência da imensidão do que ainda permanece desconhecido.

Nota sobre ela

Nas noites de insônia ela tem o hábito de perambular por suas vielas, becos, por seus cantos, recantos e esconderijos secretos acompanhada apenas por seus pensamentos minguantes. Atravessa pontes que levam a lugar nenhum; sobe e desce os degraus sombrios do seu interior; visita os porões do medo, enfrenta seus fantasmas obscuros, briga com o sono que não vem mas, de manhã ressurge nova, certa de que mesmo à margem de seus abismos jamais deixará de ser inteira, íntegra e verdadeira.

O Inventário do Tempo

Trinta e sete anos é o tempo exato que a memória leva
para transformar o luto em monumento. As décadas passaram
como forças erosivas, mas falharam em desgastar o essencial:
o incêndio absoluto dos teus cabelos ruivos e a lucidez
cortante dos teus olhos verdes que desafiam o esquecimento.

Para quem vive da arquitetura das palavras, a tua ausência
não é um vazio abstrato, mas uma presença muito concreta,
uma matéria densa que molda o contorno de tudo o que escrevo.
O tempo limpou o excesso e o sentimentalismo ruidoso do peito,
deixando apenas a estrutura firme daquilo que nunca morre.

O que resta hoje é uma sobriedade clássica e definitiva,
a crônica de uma partida que fixou a tua imagem na eternidade.
Tuas cores vivas não desbotaram com o avanço dos invernos;
permanecem salvas da decadência dos anos pelo registro exato,
gravadas para sempre na folha em branco através da narrativa.

O mundo seguiu o seu curso perecível, confuso e esquecido.
Aqui, contudo, a tua existência permanece totalmente intacta,
guardada com zelo no ponto mais alto e frio da minha história.
Testemunha do tempo e também o guardião dessa eterna memória,
deixo registrado o fato que o destino jamais apagará.

AnjoPoeta

O Homem De Lata


Ah, homem de lata,
tão cobiçado pelos solitários,
rei silencioso dos que nunca foram escolhidos,
por que foste pedir um coração
se teus olhos de ferro já conheciam
o peso de ver amores partirem
como fumaça levada pelo vento?


Tu vias mãos se soltando,
promessas morrendo nas esquinas,
gente amando sozinha
e gente incapaz de amar de volta.
Então por que desejar sentir?
Por que querer um peito pulsando
se o amor é uma tempestade
que sempre encontra onde destruir?


Ensina-me, homem de lata,
como enferrujar sentimentos,
como não esperar passos voltando,
como não morrer aos poucos
toda vez que alguém decide ir embora.


Ensina-me a não sofrer,
a não amar,
a não implorar migalhas de atenção
como quem recolhe estrelas quebradas do chão.


E eu prometo…
prometo esquecer aqueles sapatos vermelhos.
Nunca mais seguirei o som deles pela estrada,
nunca mais levantarei os olhos
quando passarem diante de mim.


E pela última vez, homem de lata,
juro que deixarei meu coração
parar de pedir abrigo
em quem nunca quis ficar.


Henry Keys

FOLHAS DO TEMPO.


Como um vento a soprar sobre uma pradaria, assim perecem os sonhos do homem, que ele tanto queria.


A vida é como um vento que vai, que passa tão rápido e não volta mais.


Assim, nas folhas do livro do tempo, vamos escrevendo a história.
Não nas folhas que já se passaram completamente, mas na de agora — esta folha chamada presente.


Cícero Marcos

Meu amor, tenho muito orgulho de você.
Te valorizar a cada momento virou minha forma de orar.
Porque gente como você é evidência: o que é escasso tem mais peso.
Você me lembra que reciprocidade não se implora, se reconhece.
E reconhecer você é a maior prova de que ainda sei o que é amar.

Cansei de ser forte o tempo todo.
De fingir que acredito que algo incrível me espera no final, enquanto todos os dias essa guerra dentro de mim fica mais difícil de suportar.

Já pensei inúmeras vezes em desistir de tudo.
Dói ouvir que sou inútil, que não faço nada da vida, principalmente vindo das pessoas que eu mais amo.
Só queria conseguir dar orgulho para eles e parar de me sentir um peso.

Lutei sozinha contra dores que ninguém viu.
Aprendi a me curar sem abraço, sem apoio e sem alguém dizendo que tudo ficaria bem.

Às vezes, tudo o que eu queria era me sentir amada de verdade.
Mas mesmo machucada, ainda existe uma parte de mim que acredita que dias melhores vão chegar.

E talvez seja essa pequena esperança que ainda me mantém aqui.

O Renascimento Praiano

Renascimento Praiano em um lindo cenário: os pés descalços na areia, o céu azul ensolarado, os raios de sol iluminando a pele, esquentando o corpo; o mar vivo, com as suas ondas em movimento; o clima caloroso e a brisa suave dançando por perto. Atrativos, de fato, grandiosos, naturalmente, admiráveis, que fazem o espírito recuperar o fôlego e a mente desfrutar de uma certa tranquilidade — quando a intensidade é imprescindível, assim como é o fogo atrevido existente na própria integridade.

Da união profunda entre Simão do Rosário Miango e Feliciana José Domingos nasceu Sifell — a palavra que o amor criou para traduzir o que o dicionário não conseguia explicar. Desde 2008, o casal caminha sob o mesmo compasso, transformando dias em anos de cumplicidade. O nome surgiu como uma promessa silenciosa, um selo para blindar o sentimento que os une.
​Longe de ser apenas uma combinação linguística, Sifell tornou-se o lema da vida deles: a personificação da ternura, do desejo ardente e de uma paixão que não se desgasta com o tempo. É o eco diário de um juramento inabalável: o de que eles são, e sempre serão, um só para sempre.

Que Haja Luta antes que venha o Luto

Nunca se sabe quando é o último dia, o último abraço, a última despedida, o último momento de alegria ao lado daquela pessoa, a última melodia a ser ouvida, o último sorriso compartilhado, a última viagem, os últimos passos, e, devido à falta de tal sabedoria, cada um vai seguindo entre conquistas e adversidades.

Seguimos e não aproveitamos exatamente como deveríamos; ignoramos o fato de que as discussões muitas vezes são à toa e não nos trazem nenhuma serventia, que a vida não permite voltar no tempo, a não ser em pensamentos, e nem sempre vem aquele bom sentimento de nostalgia, podendo ser a porta para um grande lamento.

Quanto mais o bom senso passa a ser escasso, mais necessário ele se torna, pois não deve ser desprezado para que o viver seja bem praticado, o mais aproveitado possível, sem aquela prisão pelas perdas, dificuldades e outras formas de tristeza que tiram a liberdade de usufruir todas bênçãos e presenças de verdade.

Não quero que ninguém se entristeça lendo essas palavras, mas que possamos tratá-las como um alerta para que os últimos suspiros não venham a ser desperdiçados; peço que tudo seja conduzido por Deus, que o presente seja vivido antes que o passado seja saudades, que haja Luta antes que venha o Luto e o próprio mundo se perca na vaidade.

Não deixe que adoeçam sua saúde mental.
A alma também cansa.
A mente também grita em silêncio.
E há dores que ninguém vê,
mas destroem por dentro lentamente.

Proteja sua paz.
Proteja sua essência.
Porque o mundo já tenta endurecer pessoas boas todos os dias.

E mesmo depois de tudo,
não perca a capacidade de sentir,
de amar,
de ser luz.

Quem tenta apagar você
já perdeu a própria luz faz tempo.

— Jordeane Lemes

-A Mulher Que Sobreviveu ao Silêncio-


Nunca duvide da mulher que você é,
mesmo quando a dor fizer o peito perder a fé.
Porque ninguém conhece o peso da tua caminhada,
nem as lágrimas que caem na madrugada calada.
Você sorri enquanto a alma aprende a sobreviver,
mesmo cansada da vida insistindo em doer.
Carrega o mundo no peito sem deixar transparecer,
e ainda encontra forças para permanecer.
Quantas vezes pensou em parar no meio da estrada,
sentindo a esperança fraca, quase apagada.
Mas algo dentro de você jamais se rendeu,
porque até no caos teu coração permaneceu.
Você é tempestade, mas também imensidão,
é cicatriz aberta buscando reconstrução.
E mesmo quando o medo tenta te consumir,
há uma força divina mandando você seguir.
Nunca duvide da tua capacidade de vencer,
porque só quem já caiu entende o peso de erguer.
Você não é feita apenas de dor e solidão…
você é renascimento pulsando dentro do coração.
— Jordeane Lemes

Mulheres…
Mulheres que moldam gerações, que despertam sensações.
Que não pedem permissão para existir…

Que são o que são:
mães, artistas, esposas, poetas,
escritoras, cantoras, psicólogas, filósofas…
Mulheres.

Belas mulheres em toda a sua essência.

Mulheres presentes em toda a sua intensidade.

Como admiro essas mulheres…
Que tocam a alma, que se permitem.

Que transbordam o universo dentro de si.

Que são livres, mesmo em meio às suas limitações…

Ana Caroline Marinato

Somos feitos de tudo: do que quebra, do que sustenta, do que molha e do que escorre. Andamos no tempo. Quem envia e quem recebe. Tudo que soltamos ao vento retorna. Somos a imagem do espelho e o que existe depois dela. Chegada e partida. O inteiro e o vazio. Fazemos planos, sonhamos, plantamos ideias. Puros no começo, vivendo num mundo cheio de regras. Podemos ser doces ou amargos – no momento certo.


Às vezes assustamos, às vezes abraçamos. Nos encontrar por dentro é o segredo. Se olhar com calma é a estrada. Enxergar longe é o que falta. Cuidar do outro e saber que ele sente como a gente é o que importa. Ninguém está acima. No final, viramos pó. Nem sempre firmes. Nem sempre limpos.


O que vale é buscar, se olhar por dentro e sentir que a Vida é um presente.

Não demore pra dizer pra alguém, hoje:
"Eu não sabia como a nossa amizade era tão importante. Ela começou com uma conversa simples, criou raízes e está crescendo. Cada dia com você, percebo que um pedaço de mim fica em você e um pedaço de você fica em mim."


Sabe aquele carinho gostoso de amizade verdadeira, que traz paz e aquece o coração da gente...
Então é esse carinho que eu vim aqui rapidinho deixar pra você!