Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Fachadas



Prometem com olhos brilhantes,

mas escondem as mãos vazias.

Erguem muros de palavras,

e constroem neles as suas mentiras.



O ouro que exibem é emprestado,

o sorriso, um convite envenenado.

Nos banquetes, brindam com taças cheias,

mas o vinho vem do suor de outros.



Chamam parceria o que é armadilha,

e vitória o que é ruína alheia.

Pisam pétalas para colher aplausos,

e apagam luzes para brilhar sozinhos.



E quando o palco desmorona,

fogem para acender tochas no quintal do vizinho.

Não para aquecer

mas para que ninguém veja o frio que carregam.



Sempre Terceirizam a culpa, se alimentam falando dos outros e nunca olham para si mesmos.

Despedida de um amigo
Hoje se foi um grande amigo, e o que fica é a essência que
marca na alma, as vivências, os momentos e os sentimentos.
A lição que fica, é a busca intensa por colecionar bons momentos! Menas materia, mais momentos, afinal a conexão humana é o que nos move a buscar a melhor versão de nós, para refletir em todos a nossa volta. Nossas vidas está a serviço de outras vidas. Viver os momentos intensamente e proprosital. Ser simples é o suficiente pra ser intenso.

Infâncias Roubadas



No berço onde deveria morar o sonho,


Habita o medo em olhos de criança.


Mãos sujas rasgam véus de esperança,


E a pureza escorre no silêncio tristonho.


Não há mais bonecas, nem quintal, nem céu,


A infância agora veste salto e maquiagem.


Brinca de ser grande farsa, personagem


Enquanto a rede a vende como um troféu.


Na tela azul, likes são algemas invisíveis,


Olhares doentes caçam pele e inocência.


Corpos expostos, desfeita a decência,


Entre danças virais e risos terríveis.


O predador não se esconde no mato escuro,


Ele mora ao lado, elogia, compartilha.


Comenta com coração, mas nada brilha


Nos olhos da vítima, só um abismo duro.


Pais que vendem o brilho dos seus filhos


Por views, por grana, por fama ilusória.


Transformam amor em moeda provisória


E assistem calados seus piores delírios.


A infância sangra em becos e mansões,


Em favelas, em iPhones de última geração.


O abuso não escolhe cor, nem condição:


Ele entra pelas portas, pelas conexões.


Há gritos engasgados no travesseiro,


Há vergonha, há culpa que não é delas.


E o mundo vira o rosto diante das janelas,


Onde a dor vira conteúdo passageiro.


Mas há de vir um tempo de justiça e luz,


Onde toda criança seja só criança.


Sem medo, sem dor, só riso e esperança.


E cada pedófilo carregue sua cruz,


E um dia a justiça o encontre .


CONCEIÇÃO PEARCE

Ciclos que Não Cabem no Relógio


Não é no calendário que a vida se escreve,


É no impacto daquilo que a alma recebe.


Há anos que duram segundos, sutis,


E segundos que abrem abismos sem fim.


Nem todo ciclo começa em janeiro,


Alguns se iniciam num olhar verdadeiro.


Outros nascem quando tudo desaba,


E a alma despida só sente e não fala.


Há despedidas que marcam começos,


E encontros que duram só por excesso.


Há primaveras que brotam no luto,


E invernos que chegam sem aviso e sem escuto.


O tempo real não vive nos ponteiros,


Mas nos suspiros contidos, nos travesseiros.


É no corpo que chora sem saber por quê,


É na alma que insiste em permanecer.


Os ciclos da vida não seguem o relógio,


Eles vêm com amor ou partem com ódio.


São ondas internas, marés do sentir,


Nos puxam ao fundo, pra depois emergir.


Tem dor que é mestra, tem medo que guia,


Tem perda que limpa a alma vazia.


E quando parece que tudo é ruína,


A alma, em silêncio, germina.


Assim, seguimos — sem saber quando ou por quê,


Mas sentindo que algo em nós quer nascer.


Não somos linha reta, somos espiral,


Vivendo o eterno num tempo sem igual.


CONCEIÇÃO PEARCE

Estar perdido nas nossas escolhas muitas vezes se assemelha a navegar em um labirinto sem mapa.
Cada decisão que tomamos pode parecer uma bifurcação, e a incerteza sobre qual caminho seguir pode ser angustiante.
Às vezes, olhamos para trás e nos questionamos se deveríamos ter tomado um rumo diferente, se as escolhas que fizemos nos levaram a um lugar que não esperávamos.
É importante lembrar que o processo de escolha é uma parte fundamental do crescimento e da autodescoberta. Cada erro e acerto nos ensina algo valioso, moldando quem somos e nos preparando para o que está por vir.
Encarar essa jornada com curiosidade e aceitação pode nos ajudar a encontrar nosso caminho, mesmo nas encruzilhadas mais complicadas.

Estou morrendo, mesmo estando vivo.
Estou vivo, mas morto por dentro ..
Um jovens tudo pela frente encontra-se no meio do universo dos seus pensamentos, sem saber a sua existência..
Preste a se matar e acabar de vês com está dor;
más tem uma força que fala filho, aguente mas um pouco, este processo vai acabar ..
Apenas creia e confia. Eu estou contigo 🙏🏾

A vida realmente é uma caixinha de surpresas, colocando pessoas extraordinárias em nossa trajetória.
a família, um amor, um amigo… e é incrível que da mesma forma em que ela põem, simplesmente ela tira.
Deixando apenas as lembranças e a saudade do que um dia foi vivido.




então não deixe de dizer seus sentimentos, se você gosta ou até mesmo se ama. Pois a vida tem dessas de nos surpreendermos, as vezes da melhor forma e as vezes da PIOR..

ENFIM 40


Sabe como eu me sinto?! Que "a vida começa aos 40".


Pra falar falar a verdade me sinto mais forte, leve e seguro do que quando eu tinha 20 ou 30. Só tenho que agradecer a Deus por ter chegado até aqui. " Até aqui nos ajudou o Senhor".


Parece algo tão distante, mas, acredite, é um "piscar de olhos".


Parece até que foi ontem que eu era ainda menino.


A vida não é linear como pensamos. Na verdade, são composições de fases, transições que nos vão levando a um destino... Ciclos com inícios e términos baseados em escolhas, onde cada escolha, por mais simples que seja, tem peso decisivo no resultado de sua vivência.


Se me arrependo de escolhas que fiz??! Sim, muitas! Às vezes até me lamento por isso... Se no passado eu tivesse a experiência que tenho hoje não teria errado tanto, teria feito tudo diferente ( assim dizemos nós.


Mas se não fossem os aprendizados que tivemos durante a vida, por mais dolorosas que tenham sido, teríamos a experiência e clareza que temos hoje?
Nos perdoem crianças por sermos cuidadosos, às vezes até exageradamente. Vocês não gostam quando "pegamos nos pés de vocês " mas é que não queremos que sofram como nós sofremos, nem passem o que nós passamos.


Hoje eu olho para uma criança, adolescente , um jovem e me vejo. Hormônios "a flor da pele", achando que sabem tudo, que viver o hoje é o bastante... mas o tempo passa e, acredite, é um "piscar de olhos" e chegará o tempo que você vai olhar para trás e vai dizer :


" Parece que foi ontem em que eu era apenas um menino. "

Texto: Voz ao fundo
Autor: Levy Cosmo Silva


Tenho que sair disso tudo
De tudo o que é negativo
Ainda que pareça absurdo
Cuidado com seus ditos amigos.


Clamo a pedir sabedoria
Para encarar qualquer dilema
Sempre a desafiar nosso dia
Nos livrando do mau esquema


O que me lembra o sistema?
Injustiça, corrupção, violência
Todos sabem a raiz do problema
E se acomodam com a indecência


Repare no hospital e vai ver
O mesmo está nas escolas
Toda estrutura a perecer
A culpa é dos pedintes de esmolas?


A sociedade alimenta o mal
Em busca de maior lucro
Pensando ser isso normal
Assim vão acabando o mundo


Nada de se conformar
Resista de servir a elite
Temos o poder de fiscalizar
Lutemos contra o mal que persiste.


(Levy Cosmo Silva)

Você sabe diferenciar...
"Ser independente" e "ser egocêntrico"?
"Autoestima" de " narcisismo"?
"Firmeza" de "arrogância"?
"Saber andar com as próprias pernas" e "ser individualista"?


Tenho certeza que a grande maioria das pessoas não sabem..


Levy Cosmo Silva

Às vezes a vida nos dá

pessoas boas

quando a alma está destruída.




Karma, talvez.

Quando sorrimos,

chega aquele que nos ferem.




Quando tentamos reconstruir

as cicatrizes antigas,

aparece quem acha poder consertar

algo que nunca quebrou.




E sabemos que:

quem tenta arrumar algo que não é seu

sai mais quebrado do que quem estava

com a vida em pedaços.

Entre o Coração e o Vazio


Há um abismo entre a boca e o coração,
um espaço onde os sons nascem e morrem
antes de alcançar o ar.
A língua repousa como um animal adormecido,
com medo de morder a própria carne.


Ele caminha entre rostos como quem atravessa um campo minado,
sabendo que cada gesto pode ser a explosão
que revelará a dor que carrega.
Prefere a distância à confissão,
prefere o eco vazio ao risco de ser visto.


As noites tornam-se longas
quando se guarda demais.
Os pensamentos crescem como raízes cegas,
procurando saída por frestas
que nunca se abrem.


O corpo aprende a calar antes da mente decidir,
uma disciplina antiga, quase cruel,
como um monge que jejua até esquecer o sabor.
O coração se torna um cofre de ferro,
sem chave e sem promessa de resgate.


Há uma ciência amarga em fingir normalidade,
em sorrir como se nada fosse urgente.
A arte de sobreviver está em parecer intocado,
mesmo quando por dentro
a própria alma se despedaça em silêncio.


Afastar-se é mais fácil do que explicar.
A ausência não exige justificativa,
apenas se instala como neblina,
apaga contornos
e esconde o que nunca foi dito.


Mas o que se evita pesa.
É um fardo que se acumula nos ombros,
uma sombra que cresce e acompanha os passos,
lembrando que todo silêncio é também
um grito sufocado.


O funeral acontece sob um céu pesado,
o cheiro de flores murchas e terra úmida
envolve os que choram com um peso invisível.
Ele observa de longe, sem se aproximar,
como se a morte fosse apenas mais um lugar
de onde é melhor se manter distante.


O caixão desce lentamente,
e todos ao redor murmuram despedidas
que ele jamais conseguiria dizer.
Os sinos soam como o eco de tudo que ficou preso,
e naquele instante,
ele percebe que enterra junto o que nunca teve coragem de oferecer.


Ele caminha sozinho pela rua deserta,
o corpo frio como pedra,
e pela primeira vez entende que não é o mundo que o abandona,
é ele que se abandona ao vazio
até que o próprio coração pare de chamar por socorro.

ESPLENDOR DOS IPÊS


Meus olhos lacrimejam pó

Minha garganta seca dá dó

Minhas pernas trêmulas dão nó

No horizonte tênue, cinza e pó

Estamos em agosto, que desgosto!

Estação seca das arvores tortas

Das flores e folhas mortas!



Do céu sem nuvens, descem vendavais

Formam redemoinhos de poeiras infernais

Estalos de galhos soltos criam asas latentes

Balanceiam como peraltas ambulantes

A mercê das correntes constantes...



Olho a imensidão dos eixos Sul e Norte,

Que unem as extremidades das asas do Plano Piloto

Onde carros apressados passam sem perceber

Do seu interior a beleza efêmera e tênue dos Ipês!

O roxo e o rosa enchem as retinas, bonito de se ver,

O amarelo é ouro e atraí abelhas e beija-flores

O branco é o símbolo da paz, que colosso!



A natureza nos brinda com esplendor

O destaque denso e um colorido revelado

Que se escondem na noite de um céu estrelado

E na manhã seguinte, o espetáculo bonito de se ver,

As explosões coloridas dos exuberantes Ipês!

Eu voltei pra casa. Eu fui embora.
Era 17 de fevereiro; de outubro.


Tudo tão bom,tão perfeito; será que ainda dá pra consertar e colocar tudo no lugar?


Que paz imensurável; não aguento mais pensar nisso


Amizade mais que perfeita; se eu soubesse,não esperaria por sua volta.


Eu quero viver pra sempre aqui; nunca pensei em querer abandonar tudo.


Pra sempre eu e você; não tenho mais você por perto.

Quando vc se vê sobre o mar da vida...


Há dias em que não é o mundo que me engole — sou eu que me afundo em mim.
A superfície parece perto, mas é como vidro: vejo o sol lá em cima, sinto o calor à distância, e ainda assim não consigo atravessar.


Seria simples nadar, se o peso não estivesse costurado nos meus ossos.
Seria fácil pedir socorro, se a voz não se dissolvesse antes de chegar à boca.
E assim fico, boiando no sal da minha própria tristeza,
enquanto os outros, da praia, acenam como se fosse só mais um mergulho.


Dizem para nadar até a areia, mas não sabem que a areia já não existe para mim.
Que a ideia de “voltar” é tão distante quanto um porto que nunca conheci.
O mar é fundo, frio, e tem o mesmo nome que eu.


E no silêncio submerso, percebo:
às vezes não é que a gente queira se perder.
É que o cansaço de tentar se salvar
parece mais letal do que simplesmente deixar-se afundar.

Eu vou...Mas Você não vai!

Eu vou… mas você não vai!

Vou dançar samba com a minha dor,

passear com meu desalento

e, depois, dormir com o meu cobertor.

Vou conversar com meu padecer,

abraçar a minha angústia

e, depois, aceitar meu enlouquecer.

Vou tropeçar na minha derrota,

conviver com meu sofrimento

e, depois, entender que perdi a aposta.

Vou seguir só pelo meu caminho,

caminhando sobre espinhos

e, depois, compreender que estou sozinho.

Vou divagar por este mundo,

remoendo o que me resta

e, depois, virar sopro em um segundo.

Eu vou… mas você não vai!

pois o seu caminho é você quem faz.

Então siga, olhe para o horizonte,

busque sempre o melhor de si

e acredite que o ódio não enche a fonte.

Siga em frente, lute pelo que lhe resta,

transformando a tragédia em festa.

Eu vou… mas você não vai!

reescreva sua história

sem olhar para trás.

Eu vou... mas você não vai!

Usufrua do direito de viver,

Deseje o ser e o não ter, queira sempre o querer,

Acesse o prazer, descubra na luta o melhor de você, se hoje não deu certo, amanhã há de ser.

Eu vou... mas você não vai!

Pois em uma mão não há dedos iguais,

São lutas distintas, cada quais com os seus cada quais, e no fim do percurso, só não prevalece o tanto fez nem o tanto faz.

O que mais nos importa é que o seu coração seja cheio de luz e repleto de paz

Entendestes agora, quando digo que "Eu vou... mas você não vai?"

É que na procura incessante pela felicidade, novas portas se abrem ampliando universos e trazendo novas possibilidades.

Faz tempo que não falo isso para você, a gente está bem perto e, ao mesmo tempo, distante, porém não podemos deixar se estender.
Existe um frio no peito que se esquenta quando te vejo.
É assim e do nada, essa chama se aquece, igual à faísca num monte de palha. Somos uma combinação imbatível e inflamável. Por isso te amo. E como te amo com todo meu amor inabalável.

É tarde.
O mundo dorme.
E eu estou aqui,
olhando pro teto,
como quem espera
uma resposta que nunca vem.


Tem dias que parecem semanas.
Tem noites que duram uma vida.
E mesmo quando tudo está quieto,
aqui dentro
continua gritando.


Me disseram, por tanto tempo,
que ser eu era errado,
que eu comecei a acreditar.
Fui apagando pedaços de mim
pra caber em lugares pequenos
demais pra quem só queria existir.


Olhar no espelho
e não reconhecer nada:
nem os olhos,
nem o nome,
nem a história.


Não saber quem sou.
Não ser o que esperam.
Não ser nada que baste.
Só esse lugar nenhum em mim.


Viver tentando lembrar
de quando foi que começou a doer tanto,
e não achar o começo.


Não saber se ainda sente,
ou se está só copiando emoções
que aprendeu a demonstrar
pra não parecer
vazia demais.


É dizer “tá tudo bem”
porque é mais fácil
do que explicar
o que nem se entende direito.


Pensar em desaparecer,
e depois se sentir culpada
por pensar nisso
como se até a dor
fosse um erro.


Queria ter coragem.
De gritar.
De não me calar.
De admitir que está difícil.


Mas, ao invés disso,
eu só fico aqui,
escrevendo pra ninguém,
deixando que o papel segure
o que eu não consigo mais
carregar sozinha.

O Cálice Transbordante




Por que me olhas, ó Vida, com olhos de espanto?

Acaso não vês que trago nas mãos um cálice tão cheio,

Que o amor nele contido, como um rio inquieto

Derrama-se sobre a terra árida dos dias comuns.

Buscando raízes que o aceitem?




Sim, carrego dentro de mim sóis internos,

Jardins noturnos de afeto não nomeado,

E um sentido mais vasto que o horizonte do mar.

É um vinho antigo, fermentado em silêncios,

Destinado a saciar a sede das estrelas...

Mas as estrelas são mudas, e seguem distantes.




Dizem que o amor é ponte para os objetivos,

A chama que ilumina o caminho da alma.

Eu o sei, ó Sabedoria Eterna!

Por isso insisto em erguer altares com as mãos vazias,

Em semear afeto no vento que passa,

Em oferecer meu peito como abrigo a pombas sem rumo.




Ah, se minhas asas pudessem carregar tanta dádiva!

Mas o tempo é lento, e os corações, quando se abrem,

Muitas vezes tremem como folhas de outono.

E eu fico aqui, na esquina do eterno,

Com os braços cheios de sementes douradas...

À espera de uma terra que as queira germinar.




Não me chames de iludido, emocionado em demaseio, chamem-me de, fiel.

Fiel ao rio que canta dentro do meu peito, pagodes, poemas..

Fiel ao sentido que nasce do próprio dar,

Fiel ao mistério de amar, mesmo sem destino.

Pois o amor que não encontra porto

Transforma-se em raiz.

E da raiz invisível nasce a árvore da resiliência,

Cujos frutos são a própria existência plena.




Assim sigo:

Com meu cálice transbordante,

Minha alma como oferenda,

E a certeza quieta de que o amor...

Mesmo não visto, mesmo não partilhado...

É o primeiro alicerce de todo sentido.

Porque antes de ser resposta, ele é pergunta sagrada.

Antes de ser encontro, ele é a coragem de permanecer aberto.

A busca de sentido no ato humano de amar,

quando

reciprocado... é o compreensível amar.
O Cálice Transbordante

Por que me olhas, ó Vida, com olhos de espanto?
Acaso não vês que trago nas mãos um cálice tão cheio,
Que o amor nele contido, como um rio inquieto
Derrama-se sobre a terra árida dos dias comuns.
Buscando raízes que o aceitem?

Sim, carrego dentro de mim sóis internos,
Jardins noturnos de afeto não nomeado,
E um sentido mais vasto que o horizonte do mar.
É um vinho antigo, fermentado em silêncios,
Destinado a saciar a sede das estrelas...
Mas as estrelas são mudas, e seguem distantes.

Dizem que o amor é ponte para os objetivos,
A chama que ilumina o caminho da alma.
Eu o sei, ó Sabedoria Eterna!
Por isso insisto em erguer altares com as mãos vazias,
Em semear afeto no vento que passa,
Em oferecer meu peito como abrigo a pombas sem rumo.

Ah, se minhas asas pudessem carregar tanta dádiva!
Mas o tempo é lento, e os corações, quando se abrem,
Muitas vezes tremem como folhas de outono.
E eu fico aqui, na esquina do eterno,
Com os braços cheios de sementes douradas...
À espera de uma terra que as queira germinar.

Não me chames de iludido, emocionado em demaseio, chamem-me de, fiel.
Fiel ao rio que canta dentro do meu peito, pagodes, poemas..
Fiel ao sentido que nasce do próprio dar,
Fiel ao mistério de amar, mesmo sem destino.
Pois o amor que não encontra porto
Transforma-se em raiz.
E da raiz invisível nasce a árvore da resiliência,
Cujos frutos são a própria existência plena.

Assim sigo:
Com meu cálice transbordante,
Minha alma como oferenda,
E a certeza quieta de que o amor...
Mesmo não visto, mesmo não partilhado...
É o primeiro alicerce de todo sentido.
Porque antes de ser resposta, ele é pergunta sagrada.
Antes de ser encontro, ele é a coragem de permanecer aberto.
A busca de sentido no ato humano de amar, quando
reciprocado... é o compreensível amar.

André Vicente Carvalho de Toledo

Corre o poeta do sistema poetal


Não podiam prendê-lo
Não podiam pegá-lo
Aqui um poeta livre
Aqui um poeta livre


Fugia ele do sistema
Ele dizia
Sistema de páginas impressas na poesia
Aprisionado ele em sua sabedoria


Fugia ele do que ele não sabia
Fugia ele de noite e de dia
Corre poeta, foge poeta


Não deixem que te prendam
No que eles querem que tu sejas
Não seja o que eles querem, mas seja livre como fugitivo poeta
Cavalos são poetas
Poetas são selvagens