Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Poema Bipolar

Hoje eu reconheço:
nem todo mundo fica,
nem todo mundo quer.

E talvez seja melhor assim.
Nessa dança de idas e silêncios,
eu não corto ninguém com as minhas arestas,ninguém me corta com a lâmina da ausência.

Entre o alívio e a solidão,
eu me divido.
Metade é paz.
Metade é vazio.

E sigo,com esse estranho consolo:
ser livre do que não me escolhe,e prisioneira do que ainda sinto.

A vida é parecida...
Com uma viagem longa de carro, você segue seu percurso, aproveitando a viagem inteira, e uma hora acaba a gasolina, e ele morre, após abastecer... ele liga de novo, para continuar mais um percurso, mas diferente do carro, a nossa segunda vida... é ligada a vida eterna... uma vida sem fim com Deus.

Entre o abismo e o sopro


Perdi-me em mim, num silêncio que ninguém ouve, num vazio que devora por dentro, numa dor inexplicável que não encontra tradução. Era como se o mundo me chamasse para fora dele, como se uma voz sussurrasse: “deixa ir, solta, termina…”. E eu, sem forças, só queria calar aquela angústia, só queria pular da ponte para escapar da ponte que havia em mim. Mas não era escolha, não era vontade, era um medo escondido, um segredo escuro, uma batalha sem testemunhas. Até hoje carrego essa luta constante: não cair nas armadilhas da vida, não ceder ao convite da desistência, não desejar apagar a própria luz. E quando sorrio, ninguém vê que por trás do riso há uma alma cansada, travando guerras invisíveis. A cada amanhecer, sou sobrevivente de um combate silencioso, uma rosa vermelha perfumada, com espinhos que perfuraram a alma. E ainda que doa, escrevo, choro, respiro… porque a vida insiste em mim, mesmo quando eu não consigo insistir para viver.

será que futuramente iremos nos encontrar?

bom, espero que possamos dividir o mesmo lar

mas o que seria de nós se não fosse aquele teu olhar?

eu queria tanto poder te falar




eu te amo, mas não é só isso, é além

mas sei que todo amor tem um porém

entretanto, eu não quero um outro alguém

mas também não queria ser teu refém




por que você não me enxerga da forma que eu lhe enxergo?

só queria viver aquele amor sobergo

você poderia se desfazer desse ego

não vê a forma como eu lhe venero?




eu te amo, mas não é só isso, é além

todos veem a forma que você me têm

teu abraço me traz paz, algo que não encontei em outro alguém

mas mesmo assim, sei que nunca escutarei um: "eu sou teu, meu bem."

No final do século XIX, quando a ciência acreditava ter desvendado todos os mistérios da mente humana, um homem provocou uma verdadeira revolução ao afirmar que grande parte do que somos permanece oculto. Sigmund Freud, o pai da psicanálise, trouxe à tona a existência do inconsciente, mostrando que o ser humano não é senhor de si mesmo. Essa ideia, ao mesmo tempo perturbadora e libertadora, ainda ecoa no pensamento contemporâneo e continua a moldar a filosofia, a psicologia e até mesmo a cultura popular.

Historicamente, Freud foi um neurologista austríaco que, insatisfeito com os limites da medicina tradicional, buscou compreender os sintomas psíquicos por meio da fala. Seu método rompeu com séculos de crença na supremacia da razão, revelando que desejos reprimidos e traumas da infância são forças decisivas em nossa vida adulta. O inconsciente, portanto, não era um detalhe oculto, mas o verdadeiro palco da existência. Essa concepção o aproximou de filósofos como Nietzsche, que já havia questionado a racionalidade humana, e abriu caminho para debates intensos no século XX.

Atualmente, suas ideias permanecem influentes, mesmo diante de críticas. O grande desafio é lidar com a constatação de que o sujeito é fragmentado, movido por conflitos entre instinto, moral e razão. Enquanto parte da sociedade encara a psicanálise com ceticismo, outros reconhecem nela uma ferramenta poderosa de autoconhecimento. Muitos especialistas consideram que Freud nos obrigou a abandonar a ilusão de transparência sobre nós mesmos, convidando-nos a encarar nossas próprias contradições.

O futuro desse pensamento aponta para uma humanidade cada vez mais consciente da complexidade da mente. Se as tendências atuais persistirem, pode-se esperar uma integração maior entre psicanálise, filosofia e neurociências, ampliando nossa compreensão do ser humano. Soluções como o diálogo entre disciplinas podem superar antigas oposições e dar novos significados ao estudo do inconsciente, mostrando que ele não é apenas uma teoria clínica, mas também uma reflexão sobre a condição humana.

Em síntese, Freud não apenas fundou uma escola terapêutica, mas inaugurou uma nova forma de pensar o homem. Sua tese de que não somos donos de nós mesmos permanece atual e desafiadora. Cabe à sociedade, especialmente aos jovens estudantes, aproximar-se desse legado para buscar compreender as forças invisíveis que nos habitam. Afinal, reconhecer a existência do inconsciente não é motivo de pessimismo, mas um caminho de esperança: somente quem se conhece pode transformar-se.

“Somos o reflexo daquilo em que cremos e que defendemos. Não permitais que outrem vos desvirtue os dogmas ou os princípios nucleares que sustentam a vossa existência, nem consintais que tomem o governo da vossa vida. Sede autênticos, originais, coerentes e, sobretudo, prudentes.
Os conselhos que escutamos não se confundem com as decisões que nos cabem; não percais a faculdade cognitiva de refletir e de colher proveito do que ouvistes, mas não transformeis o conselho em substituto da vossa própria deliberação.”


Lisboa, 29 de Agosto de 2025

Meu Cavalo Barbicacho


Eu sei que muitos não entendem
Mas aqui hei de contá-lo
O que faz o gaúcho
Gostar tanto do cavalo

Essas cosa vem de guri
Criado nas camperiada
Arrastando alpargata
Bombachita arremangada

Vem também do ensinamento
Da Mãe e do velho pai
Das cosa da fronteira
Da Argentina, Uruguai

Mas pra mais claro entender
Me busco longe a memória
Pra contar de um cavalo
Que fez parte da minha história


Eu ainda muito cedo
Meu pai ainda em vida
Tinha ofício de peão
Eu acompanhava na lida

Nasceu um dia na estância
Que criamo feito guacho
A mãe parindo morreu
Pus o nome de barbicacho

Onde eu ia me seguia
No rancho, mangueira galpão
E com ele eu me entendia
Ele entendia meu coração

Ja um pouco crecido
Me deixava eu montar
Ia com ele pra escola
Me esperava até eu soltar


E quando voltava pras casa
Nós vinnha cantando facero
Dos amigo que eu tinha
Ele era o primeiro

O tempo foi passando
E nos crescendo na idade
E quanto mais passava o tempo
Mais crecia a amizade

Acabei domando de baixo
Mas tinha que enfrena
Pedi pro peão da estância
Cuida ele pra não judia

Nem bocal precisou
Aceitou o freio solito
Eu fui lidando com ele
Dando função despacito

Meu pai ficou muito enfermo
Se fumo la pra cidade
E meu cavalo ficou
Com ele minha saudade

Depois na faculdade
Fizeram eu estudar
E lembrava do meu cavalo
Que jurava um dia buscar

Voltei ainda umas vezes
Meu amigo visitar
Tinham largado pra várzea
Só de longe pude olhar

Naquele ano meu pai
Que já vinha adoentado
Nao aguentou o tirão
E sei foi pro outro lado

E junto com meus estudo
Eu tive que trabalhar
Pra ajudar nas despesas
E minha mãe sustentar

E o grande dia chegou
Pra vida não ser mais dura
Um doutor veterinário
Era minha formatura

Agora ja formado
Com a profissão eu consigo
Podia cumprir a promessa
De buscar meu velho a amigo

Já tinha tudo ajustado
Até cocheira construi
Só faltava ir buscar
Meu amigo de guri

Levantei naquele dia
Radiante em felicidade
E disse pra minha mãe
Vamos buscar ele pra cidade.

Chegamo na velha estância
Onde meu pai fora peão
E vi minha mãe chorando
De tanta recordação

Pedi licença na entrada
Pra falar com o capataz
De pronto nos recebeu
Podem entrar no más

Depois de um dedo de proza
Falei da minha razão
De voltar na velha estância
Entrar naquele galpão

Eu vim buscar meu cavalo
Meu amigo nunca esqueçi
E hoje ele vai comigo
Conforme eu prometi

O capataz me olhou
Mirando meio de baixo
Eu de pronto! peça um peão...
Pra trazer o barbicacho

E num instante silente
Me pedindo pra eu sentar
Me perdoe, a fraqueza
Mas não podes mais levar

E sem meio entender
Retruquei inconformado
O cavalo é da minha posse
A mim me foi regalado

Com meu pai ainda em vida
Aqui criei ele guacho
Todos sabem da história
Minha e do barbicacho

E já com os olhos aguado
No meu ombro a mão estendeu
Lamento mas a verdade
O teu cavalo morreu

Mas como, de que maneira?
A mim ninguem avisou
Sabiam que eu voltaria
E nem tanto tempo passou

E o capataz rude homem
Me deu a grande lição
O tempo pra alguns e largo
Pra outros se conta na mão

A saudade, adoece
Quando se tem a distância
O tempo lá da cidade
Não é o mesmo da estância


As vezes do fundo do campo
Ele vinha e relinchava
Depois voltava a passo
E mais um tempo esperava

Até que um dia um peão
Notou que não vinha mais
E foi recorrer o campo
Aos cinco meses atrás

Encontrou ele já triste
Jogado junto ao alambrado
Morreu no outro dia
Na várzea foi enterrado

Num pé de curunilha
Deixamos a marcação
Podes ir até lá
Fazer uma oração

Quem sabe ele aguarda
De ti uma despedida
E te espere mais um pouco
No outro lado da vida



Meu coração se partiu
Sem querer acreditar
Deixei meu maior amigo
Morrer de me esperar

Naquela várzea sem fim
Me ajoelhei no campo largo
Pedi perdão ao amigo
Que até hoje saudade trago


E assim fica explicado
Nessa payada pra contá-lo
Quem é gaúcho entende
A amizade um cavalo.


Renato Jaguarão.

Não é todo dia que alguém chama nossa atenção.

E, de algum jeito, você conseguiu.

Você não me conhece ainda, e eu também não te conheço.

Soube que passou por momentos difíceis recentemente, que é um observador calado, e que gosta de levar um jeito mais só.

Quero que saiba mais sobre mim, quero poder te contar algum dia como foi meu dia.

Não sei exatamente onde isso vai dar, mas tenho vontade de descobrir.

Talvez nem dê em nada.

Mesmo sem te conhecer direito, sinto que há coisas interessantes por trás do teu jeito.

Queria poder rir das mesmas bobagens, ou dividir aquelas pequenas histórias do dia a dia que só fazem sentido quando alguém escuta de verdade.

Não espero nada de nós, só quero que você saiba que tem alguém curiosa por você.

E talvez também te deixar curioso sobre mim. E então nos conhecermos melhor.

Quem sabe, aos poucos, a gente descobre afinidades, conversa sobre coisas aleatórias e encontra alguma coincidência.

Quem sabe você seja a pessoa pra mim, e eu seja a sua pessoa.

Ou quem sabe nada disso aconteça.

Mas o que tenho certeza é que quero que nossa história continue, mesmo que seja só para descobrir o que ela pode se tornar.

E que essa não seja a última vez que eu te escreva.

Acho que agora tenho diabetes,
Me viciei em seu olho mel,
Da cor do amanhecer,
Apesar de terem no fundo uma escuridão
Que me perdiria sem medo
Para conseguir te encontrar


Me causa tormentos nos pensamentos,
Sem a sua resposta definitiva
Haveria uma maneira de saber,
Mesmo querendo,
E a curiosidade me sufocando,
Prefiro ficar sem ar,
Porque não aguentaria voltar a realidade,
Voltar a triste agônia, não poder aceitar
Que não te tenho e o presente viver


Deixo você abrir minhas feridas,
Ver o fundo do meu passado,
Que tranquei a sete chaves,
Mesmo que o quebre-o,
Minha angústia será saciada,
O transformarei em um kintsugi,
Para mostrar a beleza e os defeitos se exaltam,
Apesar de lágrimas derrubadas


O sorriso que me hipnotiza
Até o clarear do dia,
Onde encontro o mágico
Que por maldade, lança-o novamente
Para me prender a você,
E não deixar de ser sua prisioneiro

A matemática e a física com os seus elevados teoremas e postulados, jamais vão explicar a consciência: a vida em sua plenitude, porque elas nasceram da consciência... Todos os cálculos emergiram da consciência... Sem a consciência, essas leis fantásticas e fundamentais jamais existiriam. Elas vão descobrir muitas coisas, mas jamais irão desvendar o infinito, o insondável e o nada... Porque do nada e do silêncio, vem tudo: existe tudo. Eu e você somos partes dessa consciência poderosa e fantástica.
Gratidão
Paz no 💓

A cada dia, a cada segundo
Eu me entrego, íntegro e me religo nesse fluxo abençoado da vida, onde o onipresente sempre esteve em nós. E nós como cegos, coxos e aleijados, não percebiamos o Rio de água viva: a fonte da vida que sempre esteve presente e que jamais faltará para aqueles que sentem essa unidade com o todo, com a consciência universal, com o mental: com Deus

E foi em um lindo dia e ensolarado de outono que você partiu.
Na verdade te admiro, pois você resistiu e insistiu.
Mas infelizmente te perdemos, na verdade nunca te merecemos.
O teu olhar com brilho intenso e sua doce voz, me fazem lembrar de quando eu sorria sem motivo aparente.
A saudade machuca, sua doçura e bondade animava até os mais tristes de alma.
Esse junho foi marcado por sorrisos e lagrimas, felicidade e tristeza mas saber que você não esta mais nesse mundo já parte meu coração.
Espero que não tenha sofrido e foi em paz como uma leve brisa verão.
Resisto em aceitar sua ida precoce, mas aceito a bela marca que deixou em todos nós!


Em memória de V.S

Não fiz acordo com príncipes inventados nem firmes promessas com melhores amigos.
O único compromisso é comigo mesma:
se até os trinta nenhum sobrenome ousar se entrelaçar ao meu, então que permaneça intacto, soberano, como estandarte da minha própria existência. Porque meu nome é minha herança, minha raiz enele repousa inteira a mulher que sou.

a. Eneilde de Aquino Silva

#TempestadeDeEntrega


Tempestade de Entrega
por Eliz Areba


Você veio aninhar em meu coração
como gota oculta de orvalho,
repouso frágil sobre a folha,
tímido,
mas nascente em terra seca.


Não queria margens estreitas


então se fez riacho,
apressado em se converter em rio.


Mas antes,
precisou ser cascata que despenca do alto,
ímpeto de céu rasgado,
como se fosse esmagar a terra —
mas não fere.


A terra se abre, acolhe cada gota,
se deixa saciar,
e o vale inteiro respira.


Até encontrar o mar.


Assim você me fez amar.


E veio a neblina que abraça a montanha,
trazendo consigo a geada
que adorna a relva,
testando se esse amor
iria mesmo solidificar.


Até a chuva que fecunda a terra
se ausentou por um tempo.
Mas nós — pó e chão


não poderíamos rachar.


Então a neve em nós se abrigou,
com o intento de nos transformar em gelo,
em granizo armado,
mas esqueceu-se:
tudo é água,
e viva sempre será.


Pode se recolher em lago quieto,
tornar-se terra fértil,
mover-se em marés,
respirar maresia,
explodir em ondas indomáveis,


até tocar o oceano sem bordas,
onde todas as águas se reconhecem
e se tornam uma só.


Pois toda gota — orvalho,
nascente,
riacho ou mar —
guarda em si
a promessa do infinito.

É verdade que o tempo cura tudo?
Todos os dias, passa um filme na minha cabeça, é como se eu estivesse vendo toda a minha vida em um flash de memórias durante alguns minutos. Tenho sido atormentada por milhões de pensamentos, que têm tirado o meu sono. Perguntas como tudo vai melhorar? e Eu vou me reencontrar daqui a um tempo?' estão ecoando constantemente em minha mente e me deixando atordoada. É muito comum ouvirmos que o tempo cura tudo, mas será que cura mesmo? Essa é uma resposta que ainda não sei sobre sua veracidade, mas o mais íntimo do meu ser está ansiando positividade.

A resistência vive✊🏾


Igual Maria Doze Homens, sou destemida, não temida
Não sou capoeirista, mas me esquivo dos golpes da vida
Enfrento Doze problemas, mas também resolvo os Doze
Minha força é um golpe de martelo
Segurando uma foice


Desde quinze, dezesseis, dezessete, dezoito
Abolição de dezenove, e o reflexo no vinte
A dor da minha ancestralidade, nunca foi sequer pintada
Só mostram o sangue azul nas pinturas de Da Vinci


De séculos em séculos minha resistência vive
Meus ancestrais resistiram na luta do século XV
Quem lutou no XVI, também lutou no XVII
Continuou no XIX, pra alcançar o século XX


Desde quinze, dezesseis, dezessete, dezoito
Abolição de dezenove, e o reflexo no vinte
A dor da minha ancestralidade, nunca foi sequer pintada
Só mostram o sangue azul nas pinturas de Da Vinci


... Abolição no Dezenove
... E o reflexo no vinte...
... Mesmo sem as mãos de Da Vinci...
... A resistência vive...

A vida é um quadro, de cores vibrantes,
Com pequenos detalhes, que a tornam tão bela.
A madrugada silenciosa, com estrelas brilhantes,
Um momento de paz, antes do mundo acordar.


Mas no fundo do peito, uma dor ainda lateja,
Um amor que se foi, uma lembrança que permanece.
Não dói mais como antes, mas ainda sinto,
Um eco de saudade, que às vezes me visita.


Nos pequenos detalhes, encontro um pouco de paz,
E nos momentos simples, encontro um refúgio.
Então vou apreciando, cada minuto que passa,
E encontrando um pouco de calma, nesse mundo caótico.

A noite estrelada, um espetáculo celestial,
Com estrelas brilhantes, e um céu tão belo.
Mas você passou, como uma estrela cadente,
Deixou um rastro, de sonhos desfeitos.


A lua cheia, um sorriso irônico,
Ilumina a noite, e os meus erros.
As estrelas cintilam, mas não me guiam,
Pois segui o meu coração, e me perdi.


A noite estrelada, que antes era mágica,
Agora é um lembrete, de uma lição aprendida.
Que às vezes é preciso, perder para crescer,
E as estrelas continuam a brilhar, para quem sabe aprender.

Egrégora da Luz Silenciosa

Eu imprimiria este instante
e o colocaria emoldurado no tempo, para que se eternizasse. Quanta beleza se revela em uma única imagem, a imagem que reflete em meus olhos e se oferece ao mundo, uma egrégora para aqueles que contemplam o universo, como se a própria luz resolvesse compartilhar-se em silêncio.

Allan Cerdeira

Eu fuide moto, meu cavalo de ferro,
e no meio da estrada, vi o impossível nascer.
Um olhar tímido, um gesto pequeno,
um toque que fez o mundo desaparecer.


A Sombra me acompanhava em silêncio,
meu coração batia como nunca antes,
foi a primeira vez de tantas coisas,
foi a única vez em que acreditei de verdade.


Ela me envolveu em promessas suaves,
em carícias que pareciam eternas,
me pediu que não desistisse,
e eu, cega, me entreguei inteira.


No ponto médio de uma fazenda distante,
a Sombra se fez real diante de mim,
e naquele instante pensei:
"talvez seja aqui que eu finalmente existo".


Mas a Sombra nunca pertenceu à luz.
Ela sempre esteve fadada a desaparecer
quando o sol da verdade surgisse
e revelasse o vazio que escondia.


Hoje caminho entre ruínas,
abraçada ao silêncio que grita.
A Sombra que amei se desfez,
restou apenas a ausência fria.


Me apaixonei por uma Sombra.
E como toda Sombra,
ela partiu antes que eu pudesse segurá-la,
deixando em mim apenas a noite eterna.


Na escuridão que ele deixou,
eu também deixei de existir.