Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
Sobre Sonhos e Concreto
Aprendi com uma grande mestre:
"Quando não souber o que fazer,
não faça nada."
Mas confesso:
não sei se consigo — ou desejo — ser assim.
E assim, com esta minha inquietude,
nascem estas palavras.
Imagino que tuas lições foram duras
e teus mestres, severos.
Professores silenciosos e exigentes,
ensinando firmeza e retidão com régua em riste
e com compasso de precisão.
Com habilidade incrível,
Cumpre metas e prazos apertados,
traça linhas retas em terrenos irregulares
que muitas vezes não são seus.
Você aprendeu a ser exata —
pontual, direta,
sem deixar margem para dúvidas
quanto ao que pensa.
Mas quantas e quantas dúvidas se abrem
quanto ao que sente?
Quantas emoções foram postergadas,
tal como etapas de um projeto
ainda não autorizado para execução?
Certamente, incontáveis.
O luto, que aqui jaz, é meu...
mas talvez o teu ainda ecoe em silêncio,
assim como obra que ainda falta o acabamento interno.
É habitável,
mas ainda não é o conforto de um lar.
Falta-lhe um canto para deixar as defesas,
um alguém que te ajude a sustentar as pilastras do teu silêncio
sem cobrar respostas,
um olhar que te veja com ternura
e compreenda o que ainda não foi dito.
Uma luz acesa, um cuidado, um lugar
onde teu coração, cansado após um dia de trabalho,
possa enfim repousar.
Minhas dores são apenas minhas.
Meus desafios,
meu canteiro de obras.
Não te peço que carregue os pesos que me são inerentes e necessários.
Mas te convido a acompanhar este projeto bem de perto.
Se quiser,
posso te oferecer ferramentas para me ajudar:
uma trena para medir distâncias seguras,
uma chave para abrir o que foi trancado,
um nível para buscar equilíbrio,
uma marreta para romper o que já não serve,
e, sobretudo, um esquadro para alinhar alguns sonhos.
Peço que não esconda essas ferramentas
num depósito escuro por medo de ferir-se ao manejá-los.
O risco é parte do projeto — e vai acontecer.
Entretanto, a chance de solidez também.
Tenho a ciência,
e queria compartilhar contigo:
sei me reconstruir só,
como já fiz tantas e tantas vezes...
mas não quero levantar estas fundações sozinho.
Parece que há uma guerra silenciosa em ti,
entre o sentir que pulsa e movimenta,
e o plano que traçaste.
Teu coração esboça grandes pontes,
mas tua razão levanta muralhas altas,
não admitindo construtores iniciantes e inexperientes.
Aliás, são necessários trabalhadores resilientes para tocar essa obra.
Se teus muros e fortalezas forem largos e sólidos,
me ofereço para caminhar contigo sobre eles —
e podemos usá-los como pontes.
Num dia,
me convidas a viver em teu mundo —
e a construirmos juntos uma edificação majestosa e colossal.
Noutro,
me dizes que não caibo nele,
ou, pelo menos, não tanto quanto imaginei, me deixando um contrato temporário como consolo, sem grandes expectativas de ser efetivado.
Ter trabalho leve
não é deixar tudo ao acaso e à revelia.
É calcular bem a carga,
providenciar o material necessário
para permitir portas e janelas abertas para deixar o ar circular.
É aceitar que nem tudo cabe na planta,
mas que se pode deixar os cômodos amplos e bem iluminados.
É entender que, entre um ajuste e outro, tão necessário,
entre o escopo e projeto,
não importa o tamanho da estrutura que está no esboço —
podemos fazer tudo caber dentro do coração.
Eis-me aqui:
com planos, alicerces e esperanças,
de coração aberto, mãos firmes
e algumas ferramentas empoeiradas - bem da verdade.
Mesmo com medo de que a obra não siga exatamente o projeto original,
sigo disposto a (re)construir o que for necessário,
mesmo sabendo que trata-se de obra arrojada e de longo prazo.
Tijolo a tijolo.
Peça por peça.
Com cuidado e carinho
Te convido a ser a arquiteta e a engenheira.
Se alternar entre a mestre de obras e a construtora.
a dosar técnica com intuição, prumo com afeto.
Às vezes é necessário ser líder.
Às vezes é necessário se colocar no lugar de trabalhador.
Às vezes é necessário somente estar.
Minha obra inacabada
Nunca precisou de ajuda
A tua, tampouco...
Mas por que não permitir auxílio,
misturar os desenhos para,
juntos, erguer algo novo?
Se achar que posso trabalhar bem,
me efetive.
Pois conheço bem o tamanho do desafio
que é reconstruir um coração.
Estou aqui,
com minhas luvas e capacete
para prevenir qualquer acidente.
Há ferramentas, equipamentos e material
todos a disposição
Para começar a trabalhar ao teu lado.
Entretanto,
se não caibo em tuas concepções,
em teu plano de trabalho,
sigo adiante —
Compreendo que nem toda planta comporta tudo o que planejamos,
e nem todo terreno está apto para fundações tão profundas.
Sem mágoas no canteiro,
apenas a esperança e o desejo profundo de que tua obra avance
com segurança,
com beleza,
e, quem sabe, com amor.
E eu, com minhas ferramentas,
seguirei estrada a fora,
tentando erguer,
com calma e coragem,
um abrigo verdadeiro —
sólido o bastante para me acolher
e leve o suficiente para sonhar.
No fim das contas…
é sempre sobre o amor.
Sobre aquele olhar que entende sem palavras,
o abraço que parece casa,
o riso que faz o dia parecer feriado.
É sobre escolher ficar,
mesmo quando tudo lá fora grita pra ir.
É sobre cafuné,
mensagens bobas,
e dividir o último pedaço do bolo.
E, acima de tudo…
é sobre continuar.
Continuar acreditando,
mesmo depois de tudo.
Continuar sentindo,
mesmo que doa um pouco.
Continuar amando,
mesmo sem saber o que vem depois.
Porque o amor…
ah, o amor.
Sempre vale a pena ficar pra ver o final.
Ou o começo.
Isso não é sobre um jogo
Tem dia que é difícil. Em outros parece que é mais tranquilo... Às vezes a vida parece um jogo de futebol. Por vezes enfrentamos aquele adversário mais tranquilo de lidar, mas em outros dias é uma luta para terminar a partida de pé. Não sei se ainda está na moda, mas diziam muito que o dia ter sido “tão duro quanto o 7x1”... e aí, “lá vêm eles de novo”, enfim, depois que começa é difícil parar. “Haja coração!” Tá bom, parei!
Mas realmente pensando em como é a vida, ela pode ser como um jogo de futebol. Cada dia uma partida diferente. E pensando no meu caso, sendo cristão... Um beemmm meia boca, mas sim, crente de que há um único Salvador e o nome dEle é Jesus Cristo, O Nazareno… A vida de um cristão é como se, em todo jogo, fôssemos o time visitante nas partidas de cada dia — sempre encarando torcida contra, ambiente hostil, enfim, aquele famoso caldeirão nos estádios.
João 15:18-19 fala que não somos daqui. E assim como no futebol, a vida também tem um fim. Cremos nisso como cristãos. A partida de futebol passará e a vida neste plano também se findará. É difícil lembrar disso sempre, mas é na oração e foco nos propósitos dEle que permanecemos de pé ao final da partida. E como viver esse “Rumo ao Estrelato”¹ da forma que agrade o juiz? Bom, para agradar o juiz dos jogos é só jogar no modo Fair Play² que tá safe. Agora, o grande juiz, o juizão, o 01 da parada³... a gente tem bons exercícios como em Romanos 12:2 e uns conjugados como em Filipenses 3:20, onde fala sobre esperar em Cristo, nosso Salvador.
O negócio é que não é só para esperar também. Estamos aqui com propósitos⁴ a serem colocados em prática e um dos mais fortes na minha humilde opinião é sobre o Fair Play, digo, sobre amar os inimigos⁵. Nosso juiz é perfeito e esse é um dos treinos mais interessantes para mim. Pode exigir muito de nós, mas como um bom pós-academia, não só “tá pago”, como vem aquela paz de estar no caminho certo.
Enfim, voltemos ao jogo, não sabemos quanto tempo o juiz dará de acréscimo, mas, enquanto o apito final não soar, não podemos parar!
_________________________________________________________________________
Rodapé:
¹ Saudades de um PES no Play 2.
² Significa Jogo Limpo em português e muito usado na linguagem do futebol.
³ Às vezes me pergunto: será que Deus se incomoda com esse tipo de brincadeira? Fico refletindo se não falta um pouco de reverência, temor, enfim.
⁴ Miquéias 6:8, Colossenses 3:23-24, Mateus 5:14-16, Mateus 28:19-20, João 13:34-35, Tiago 1:27 e 1 Pedro 2:12. Todas na versão NVI. E claro, tem muitas outras referências sobre propósitos, esses são só alguns exemplos.
⁵ Mateus 5:43-48 (NVI).
Vizinhanças
Na casa do perfeccionista João - de - barro o vizinho é o invejoso do Pica - pau e sua revolta é tão grande ao ponto dele descontar a sua irá diária macetando as árvores ao lado.
Os corvos não dividem sua soneca com as corujas e muito menos o seu espaço aéreo , pois a torre de controle não aceita ancestralmente tal interação.
No sol de girassóis as borboletas pousam em meio aos insetos e abelhas em abundância e nesta pequena sociedade existencial os Beija - flores coexistem sem maiores problemas com os cantarolantes Bem - ti- vis.
Se Você Soubesse...
Te enxergo além dos olhos,
Além do corpo, além do sorriso.
Te enxergo com a alma,
Com calma,
Te despindo em silêncio com o pensamento.
Ah... se soubesse o quanto eu te desejo,
O quanto te adoro,
O quanto te quero...
Se soubesse,
andaria mais vezes apenas de toalha,
Como quem não quer,
Mas sabe muito bem o que faz.
Se soubesse,
Me provocaria sem pudor,
Me olharia com esses olhos doce cor de mel ,
E essa boca carnuda que acende meus instintos.
Se soubesse,
Não teria medo,
Se aproximaria devagar,
E tomaria posse do que já é seu...
Se soubesse...
Me tornaria teu escravo,
Teu brinquedo, teu amante.
Ah... se soubesse que já sou...
Se você soubesse...
Amor, obrigado...
Por acreditar em mim, mais do que eu mesmo,
Por me incentivar a crescer e enfrentar meus medos,
Por me encorajar a seguir meus sonhos
até o da moto,
Por me mostrar que o medo não pode limitar nossos voos.
Obrigado por ver em mim um potencial escondido,
Por me transformar, aos poucos, num homem de verdade,
Por quebrar meus preconceitos, meus muros, meus paradigmas,
Por me ensinar a me olhar no espelho e sentir orgulho do que vejo.
Por segurar minha mão quando fraquejo,
Por me abraçar quando desabo em lágrimas,
Por pensar em cada detalhe pra me agradar,
E me ajudar, sem medidas, nas dificuldades.
Obrigado por abrir sua casa e me acolher,
Por fazer daquele espaço um lar também pra mim,
Por me incluir na sua vida, no seu mundo,
E no seu círculo de amigos, como se eu sempre estivesse lá.
Por me mostrar o valor do cuidado,
Por ser tão carinhosa, tão romântica,
Por se doar sem reservas,
Por se entregar sem medo, sem pudores.
Por ser esse mulherão da porra
E, acima de tudo,
Por me amar e me respeitar como sou.
Obrigado, meu amor...
Por ser tudo isso e mais um pouco em minha vida.
“Há sentimentos que não têm nome, mas têm raiz na eternidade. São feitos de silêncio, de presença invisível e de um amor que a alma reconhece mesmo sem entender. É assim que a fé começa — onde as palavras não chegam, mas o coração permanece.”
Roberto Ikeda
Citação do Livro: Tobias: O Elo Invisível - por Roberto Ikeda
Capítulo 18.
Complexa essa nossa reação,
Mistura de desejo, carinho… e raiva.
Mendigar tua atenção, teu carinho, teu respeito,
Muda por completo a perspectiva da nossa relação.
Confuso esse nosso gostar:
Hora é amor,
Hora é desejo,
Hora é fúria.
Medimos palavras, ocultamos pensamentos,
Escondemos o que realmente sentimos um pelo outro.
É complexo,
É confuso,
Esse nosso querer.
Tudo que faço te leva a pensar o contrário do que sinto.
Tudo que digo é mal interpretado,
E na tua história,
Sou sempre o vilão.
Atitudes bobas da minha parte me tornam suspeito.
E por mais que eu tente explicar,
Por mais que me justifique,
Acabo sempre me afundando
Na "certeza" de que sou culpado.
Não enxergas além das minhas falas,
Não compreendes o valor das minhas boas ações.
Julgas-me mal,
Deduzes sempre o pior.
Triste,
Doloroso,
Complexo esse nosso confiar.
Dormimos com os olhos abertos,
Sempre na expectativa de que algo ruim venha do outro.
Talvez a distância…
Seja realmente necessária,
Ou até mesmo fundamental.
Complexo,
Triste…
Esse nosso amar.
Para Ayane, com todo o amor do tio
Hoje a vida te chama, Ayane, a flor que desabrocha em luz,
Quinze primaveras dançam no tempo, e um novo ciclo te conduz.
Teu jeito calmo e doce encanta, teus olhos falam sem gritar,
E teus bracinhos dourados brilham como o sol a acariciar.
Cresces linda, única, forte, com alma nobre e coração de mel,
Tens em ti um dom tão raro, feito estrela num céu fiel.
Nunca te esqueças, minha menina, de quanto és capaz e luz,
E que toda dor e todo passo, no fim, te leva à tua cruz.
Mas não à cruz de derrota, não —
E sim à cruz de superação!
Pois a vida é feita de degraus,
E a fé é quem sustenta os teus pés leais.
Desafios virão, com força e vento,
Mas dentro de ti mora o talento.
Com dedicação e com afinco,
Teu caminho nunca será extinto.
E quando a alma chorar baixinho,
E o mundo parecer um lugar sozinho,
Lembra, Ayane: Deus é refúgio, é abrigo,
É quem caminha sempre contigo.
Vitórias? Celebra com equilíbrio e calma.
Derrotas? Honra com nobreza e alma.
Tudo ensina, tudo molda, tudo faz crescer —
E a menina se torna mulher com o saber.
Então vai, minha querida, sem medo, sem véu,
Tens força, ternura e um céu só teu.
Sê justa, sábia, firme e leal,
E vive teu sonho com amor sem igual.
"A mulher sábia edifica a sua casa..."
— Provérbios 14:1a
Seja honesto em sua vida, em suas ações. Procure não complicar as coisas — atitudes corretas trazem felicidade. Nunca corrija seu semelhante julgando-o; pelo contrário, mostre a direção a seguir. Dar exemplos é a forma mais digna e valiosa.
Errar é humano; não assumir é fraqueza. Persistir no erro é infantilidade; corrigir é maturidade; evoluir é essencial.
Semeie a paz buscando um futuro melhor. Faça sua parte.
Clube dos Menores Homens que Existem no Mundo
No clube dos menores homens que existem no mundo,
eles se reúnem aos sábados,
e planejam como podem destruir
o coração de mulheres que são mais mulheres do que eles são homens.
Mulheres que são melhores que eles.
Financeiramente, educacionalmente, emocionalmente.
Mulheres que são capazes de amar e se doar por eles.
Mulheres que morreriam por seus pecados.
Mulheres que cruzariam o país por eles.
No clube dos menores homens que existem no mundo,
eles não conseguem cumprir promessas,
não conseguem acordar antes das 10h,
não conseguem ser financeiramente responsáveis,
não conseguem cozinhar, nem comer bem.
Não conseguem.
Não conseguem sequer ter uma ereção.
Eles planejam e vivem crimes após picotar corações de mulheres.
Mas eles não serão condenados por isso.
Eles são tão pequeninos
que, ao serem pegos,
conseguem se esgueirar e sair pelas grades.
São tão pequenos que se escondem nos bueiros.
E as mulheres que matam precisam usar lupas para enxergar suas qualidades.
Precisam se diminuir para caber.
Mas eles são tão pequenos que não aguentam o peso.
Mas as mulheres que eles matam se culpam pelas suas mortes.
Porque elas são tão benevolentes que pensam:
“É só um pequeno homem aprendendo a amar.”
E a partir disso, todos os erros são justificáveis.
Mas as mulheres que eles matam conseguem esquecê-los,
mas nunca perdoá-los.
Porque são tão pequenos,
que cabem em notas de rodapé nas histórias que contaram.
Cabem em caixas de fósforo junto com promessas quebradas.
Cabem em silêncios constrangidos nas rodas de conversa.
Cabem em apelidos ridículos e piadas internas que ninguém mais ousa repetir.
Tão pequenos que, no final,
Só há um aviso velado:
“Cuidado, ali já houve um homem menor que o mínimo aceitável.”
“No caderno dela, meu nome"
(Angelina e Gabrielly)
Escrevi meu nome no caderno de uma garotinha..
Mas sem saber, escrevi muito mais que letras..
Gravei ali um gesto, um momento, uma semente..
E ela — do alto de seus sete anos de encanto — escreveu por baixo,
com a pressa doce de quem ainda está descobrindo o mundo..
Ela falava sem parar, tropeçava nas palavras e ria,
como se o coração dela fosse grande demais pro corpinho pequeno..
E eu a ouvia..
Como ninguém nunca a ouviu..
Não com pressa, não com tédio — mas com alma..
Ela encostava o bracinho no meu,
e eu, em silêncio, ensinava a escrever com calma..
Mas no fundo, eu ensinava mais do que palavras..
Eu ensinava que ela podia ser o que é:
inquieta, viva, verdadeira..
Sem a ignorância emocional que os pais causavam..
Ela dizia que ia “ficar doida” —
mas no fundo, ela só queria ser entendida, ouvida..
E tudo isso causava ansiedade nela, porque ninguém parava para compreende-la..
E naquele instante, eu compreendi..
Compreendi que o mundo anda surdo para as crianças..
E que só quem se abaixa ao chão com elas,
descobre que a altura do amor é o joelho dobrado e a consciência compreensiva..
Não houve malícia..
Houve ternura..
Não houve poder..
Houve presença..
Não houve controle..
Houve cuidado..
Não por obrigação, e sim porque sinto..
E dentro de mim, existe um sentimento difícil de explicar..
Não um desejo egoísta, não uma vontade de posse..
Mas uma esperança pura, de um dia ter uma filha,
não para ser dono dela,
mas para ser o chão onde ela pode pisar sem medo..
Talvez eu veja pouco a Angelina..
Talvez ela cresça e se esqueça de mim..
Mas aquele momento — tão simples e tão eterno —
é revigorante..
Porque há nomes que escrevemos no papel,
e há nomes que escrevemos com o coração..
E o dela, naquele dia,
foi escrito com sentimento..
"Há corações que, para suportarem o peso das próprias escolhas, preferem vestir o outro com a roupa da ingratidão.
Talvez um dia, alguém precise convencer o mundo — e a si mesmo — de que você foi injusta, cruel, ou insensível...
Mas não se engane: isso é apenas a tentativa desesperada de encontrar paz onde só caberia arrependimento.
Infelizmente, há quem precise distorcer a sua luz para justificar a própria sombra.
Mas a verdade, serena e silenciosa, permanece. Ela não se apressa. Ela sabe o caminho de volta."
📘 5. Fragmentado — O Peso de Ser Invisível
> Já percebeu que ninguém pergunta se você tá bem...
quando acha que você é forte?
Já percebeu que homem doente é chamado de mole?
Que homem triste é motivo de piada?
Tem homem que dorme com um buraco no peito.
E acorda no meio da noite, sem saber por que ainda tá aqui.
A sociedade criou uma armadura pra gente.
Mas esqueceu que por dentro ainda somos carne.
Ser invisível cansa.
Cansa demais.
E o pior é que quando o homem some,
só aí perguntam:
“Mas ele parecia tão bem...”
Tarde demais.
Fragmentado.
E ninguém viu.
Desapegar
Às vezes é preciso largar…
deixar ir o que já foi cais,
mas hoje só âncora pesa.
Romper os laços do ontem,
fechar as portas sem pressa.
Caminhar pela ponte antiga,
mesmo que rota, esquecida
com os pés firmes no presente
e o coração livre da ferida.
O que antes foi abrigo,
agora é muro, é prisão.
O afeto que já curou,
hoje machuca em vão.
Então, agradecer em silêncio,
o que um dia foi abrigo e flor,
mas que agora é folha seca,
sem perfume, sem cor.
Despedir-se com ternura
dos nomes, dos sonhos, da ilusão,
e lançar-se no novo que chama
com verdade e direção.
Sorrir para a luz que nasce,
acolher o que faz sentido,
tornar-se mais leve e inteiro,
mais gentil consigo mesmo,
mais vivo, mais decidido.
Porque viver é, sobretudo,
saber que o tempo transforma,
e que é preciso soltar o velho
para que o novo se forme e se informe
com liberdade, com alma, com forma.
As Estações
No meio dessa aventura,
Que se chama viver,
Entre flores, nuvens, chuvas,
Estações marcam sem perceber.
Em cada detalhe da vida,
Uma estrela, um horizonte,
Aprendemos que, pra ser sentida,
Não se deve atentar ao ontem.
O presente, mesmo inconstante,
Com surpresas, aventuras, tristezas,
Traz uma certeza de um instante:
Eis o segredo da leveza.
Queria transpor essas dimensões,
Ultrapassar todas as montanhas,
Sem nome, endereço, destino...
Onde mora a esperança?
Esse vislumbre de ter e perder,
A incapacidade de suportar,
Lembra-nos: a beleza de viver
É ter caminhos a trilhar.
Contradições
Sou contraditório.
Às vezes acho que sou um escritor “bom”.
Quando releio o que escrevi e sinto algo real.
Como se as palavras fossem minhas cicatrizes com nome.
Outrora, vejo que sou apenas um iniciante.
Perdido entre ideias soltas,
com medo de nunca ter algo original pra dizer.
Me sinto vazio por dentro.
Como se tivessem me secado aos poucos,
sem que eu percebesse.
Mas transbordo nos meus textos quando ninguém tá olhando.
Textos de puro sentimento.
Intensos demais.
Quase vergonhosos.
Quase como se alguém estivesse me lendo por dentro.
É um excesso disfarçado de ausência,
uma sobrecarga emocional
camuflada de silêncio.
Duvido do meu valor.
Todos os dias.
Nos detalhes, nos silêncios, nas comparações que faço com os outros.
Mas luto pra tentar demonstrar.
Escrevo, continuo, me exponho.
Mesmo com medo de não ser suficiente.
Mesmo tremendo.
Porque cada palavra é
a prova viva de que eu ainda sinto algo.
E enquanto escrevo,
ainda resiste em mim uma parte que sobrevive.
Acredito que ninguém virá me ajudar.
Porque aprendi a não esperar.
Aprendi que ajuda demais decepciona.
Mas escrevo como quem espera ser encontrado.
Como quem joga garrafas no mar.
Esperando, secretamente, que alguém leia as entrelinhas.
Mesmo negando, ainda há em mim um farol aceso.
Me recuso a sonhar.
Como se sonhar fosse um luxo que não me pertence mais.
Como se já tivesse sonhado o suficiente por uma vida inteira.
Mas sonho todos os dias.
Com vidas que não vivi.
Com amores que só existem no papel.
Com finais felizes que nascem só na minha cabeça.
É a forma que encontrei de viver sem me iludir...
mas também de não desistir por completo.
Temo eu não ser mais eu.
Como se, aos poucos, partes de mim tivessem sido arrancadas.
Trocadas.
Desgastadas.
Como o navio de Teseu —
onde já não sei mais quais partes ainda me pertencem.
Mas tento me reconstruir todos os dias.
Com pedaços de ontem.
Com fragmentos de silêncio.
Com a coragem frágil de continuar escrevendo.
Porque escrever ainda é a única maneira que conheço
de tentar voltar pra casa.
Me enxergo em tudo que faço.
Mesmo que não percebam.
Mesmo que ninguém veja.
Mas precisei de uma segunda opinião
pra me ver nas contradições.
Doeu escrever tudo isso.
Mas sinto que essa dor faz parte
da “cura” que nunca virá.
"A Restituição"
Quer que a vida nos restitua
Tudo que suas mãos roubaram:
Os amores que a morte apagou,
Os instantes que o vento levou,
Os sonhos que o tempo trincou
Como vidro sob o sol da rua...
Ah, delírio! Querer colher
As flores já dissolvidas no chão,
Reconstruir com as mesmas pedras
A casa que ruiu na encruzilhada,
Beber outra vez da mesma água
No rio que seguiu outra direção.
A vida não faz contabilidade.
Não guarda recibos nos bolsos do tempo.
O que ela toma, transforma em raízes
Ou em pó de estrelas desfeito no asfalto.
Nenhum tribunal de sombras ou lumes
Decreta indenização por nosso pranto.
Mas há um segredo nas entranhas da perda:
O que nos foi arrancado à força,
Roubado em plena luz ou na neblina,
Não segue intocado para algum cofre celeste —
Ele fermenta nas adegas da alma,
Torna-se outra moeda, outra semente.
Não nos devolve a vida o que tirou,
Mas nos entrega o ouro da transformação:
A cicatriz que sabe de dores alheias,
A paciência que tece redes no vazio,
A coragem de amar sabendo da morte,
E a estranha liberdade de quem nada espera
Do balcão vazio da mercearia do destino.
Não cobramos. Aceitamos o câmbio rude:
Perdemos rosas, ganhamos raízes.
Perdemos dias, ganhamos esta presença
Que habita o agora sem ânsia ou dívida.
A vida paga na única moeda que tem:
A de nos fazer mais vastos que a própria vida....
Visita no Cárcere
Entre muros altos, grades e vigias,
Chega ela, frágil, sob o sol que ardia.
Na bolsa, um pão duro, um doce, um afago,
Carrega o peso de um profundo estrago.
O olhar procura, entre rostos fechados,
O filho amado, dos caminhos errados.
Encontra-o ao fim, pálido, cabisbaixo,
Um corte no rosto, um silêncio no espaço.
Separados pelo vidro frio e grosso,
As mãos se buscam, num gesto forçado.
A voz, através do telefone embaçado,
Treme: "Meu filho... como estás? Tive pressa..."
Ele baixa os olhos, vergonha profunda,
Enquanto ela vê a ferida, a juba desgrenhada.
"Trouxe teu bolo...", a voz quase sumida,
"E rezei, meu menino, por tua vida."
Lembra o colo quente, a mão pequena na dela,
A infância leve, sem sombra de cela.
Agora, o abraço é feito de saudade,
E de uma dor que corta como espada.
Fala de casa, do irmão, do cachorro,
Do céu lá fora que ainda é o mesmo.
Fala baixinho, com medo do erro,
Evita o "porquê", evita o desespero.
"Coragem, meu filho!", sussurra baixinho,
"Um dia isso passa, te juro, caminho...
A mãe tá contigo, onde quer que andes,
Até nestas grades, até nestes andares."
O tempo escoa, cruel, impiedoso,
O guarda avisa, o momento é pesado.
Um beijo no vidro, um olhar que não mente,
O amor mais forte que qualquer corrente.
Ela sai devagar, carregando a dor,
Mas carregando intacto, o maior amor.
Aquele que vence o erro, a queda, a sina...
A vida é bela, florar sem ver
Eu te amo como o amanhecer
De dia calor e noite no amor
Peço a vc no calor, um tempo pro meu interior
Tou parada no tempo, esquecimento quero gerar
Porque e uma dor que quero não relembrar
Porque um amor com vc eu quero criar
Criar momentos bons, na caminhada quero deixar
O amor e lindo em se ver, porque e um amor difícil de esquecer
Só vou dizer uma coisa, só não se deixa esquecer
Eu te amo e contigo quero viver
- Relacionados
- 67 frases positivas sobre a vida que trazem alegria 😃
- 57 frases positivas curtas para despertar a felicidade interior
- Frases bonitas
- Frases de saudades para status que te ajudam a desabafar
- Textos de Amor
- Frases de otimismo para manter a fé no que vem pela frente
- Textos de amizade para honrar quem está sempre do seu lado
