Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
Desde o primeiro aperto de mão
Até o nosso último abraço
Não consigo esquecer por um minuto
E sinto seu cheiro por onde passo
Você beira a perfeição
Com sua organização e praticidade
Impossível não desejá-la
Ó bondosa moça da prestatividade
O seu olhar é cintilante
E sua beleza é peculiar
Pararia tudo que fosse possível
Para delicadamente te admirar
Que a sua inteligência
Torne-a cada vez mais feliz
Pois você é a virginiana mais doce
Que meu ingênuo coração a quis
🎹 Sem Cortina de Fumo 🇵🇹
Yeah…
Hoje não tem filtro, não tem capa, não tem mentira,
É Portugal nu e cru, sistema que conspira…
Falam de progresso, mas o povo tá na fila,
Reforma que não chega, salário que não brilha,
Jovem emigra, foge do vazio,
Futuro tá lá fora, porque cá tá tudo frio.
Corrupção na mesa, promessas de eleição,
Sorrisos na TV, mas no bolso é pressão,
Saúde a cair, escolas sem condição,
E dizem que a culpa é sempre da inflação.
(Refrão)
Sistema em Portugal, sem filtros nem disfarce,
Quem manda joga alto, mas o povo é que arde,
Na rua a verdade, não dá pra calar,
Portugal acorda, tá na hora de mudar.
Bancos salvos com milhões, mas quem salva o cidadão?
Velhinho a contar trocos pra pagar medicação,
Casas viram luxo, renda sobe sem parar,
E quem trabalha duro não consegue lá ficar.
Prometem transparência, mas é tudo cortina,
Tapam buraco aqui, nasce outro na esquina,
Quem fala a verdade é tratado como louco,
Mas o povo já cansou de ser tratado como pouco.
(Refrão)
Sistema em Portugal, sem filtros nem disfarce,
Quem manda joga alto, mas o povo é que arde,
Na rua a verdade, não dá pra calar,
Portugal acorda, tá na hora de mudar.
A juventude tá cansada, não vê direção,
Professores sem respeito, médicos sem proteção,
Política de palanque não enche coração,
Queremos futuro limpo, não só mais um sermão.
Sem filtro, sem mentira, essa é a rima real,
O sistema não funciona, mas o povo é imortal,
Portugal não é só fado, nem saudade no olhar,
É força que resiste e que vai revolucionar.
-
🎹 Sistema Podre 🇵🇹
(Intro)
Yo… sem maquiagem…
Sem filtro… só verdade na batida…
Sistema em ruínas, mas vendem televisão,
Povo sem comida, banqueiro com mansão,
Prometem mudança, mas é sempre igual,
Roubo com gravata é crime legal.
Portugal cansado, mas ainda de pé,
Jovem sem futuro, fuga é cliché,
Trabalho mal pago, vida sem valor,
Ministro no luxo, povo no suor.
(Refrão)
BoomBap na rua, verdade no vocal,
Sem filtro, sem mentira, retrato de Portugal,
Sistema podre, não dá pra confiar,
Se o povo não falar, nada vai mudar.
Hospitais sem camas, filas no corredor,
Velhinho a esperar, governo a prometer amor,
Político sorri, fala bonito no ecrã,
Mas por trás da cortina é só jogo e manhã.
Casas viram ouro, salário não acompanha,
Família despejada, dono enche a panha,
Corrupção é lei, justiça é piada,
Se tens nome grande, a culpa é apagada.
(Refrão)
BoomBap na rua, verdade no vocal,
Sem filtro, sem mentira, retrato de Portugal,
Sistema podre, não dá pra confiar,
Se o povo não falar, nada vai mudar.
Mão no ar, resistência no som,
Voz do gueto ecoa, verdade é o tom,
Sem medo, sem freio, na cara do patrão,
Portugal é do povo, não da corrupção.
Yeah…
Sem filtro, sem truque, rima frontal,
BoomBap é a arma contra o sistema em Portugal.
-
COGITO, ERGO FLUO.
Começo com a cena comum: releio o que escrevi para simular a impressão do outro. Ao reler, descubro que não sou o mesmo leitor. Mudei o
referencial. O texto não mudou, eu mudei. Esta simples constatação abre o problema do “eu” e do verbo que o sustenta.
Pergunto o essencial: quem fala quando digo “eu”? Se tomo “eu” como nome de coisa, procuro uma entidade fixa. Se trato “eu” como índice de
perspectiva, reconheço uma função no jogo de linguagem. O primeiro caminho promete substância. O segundo só garante presença. A experiência
diária favorece o segundo.
Trago o cogito ao centro. “Penso” descreve ocorrência situada. Tempo. Corpo. Contexto. “Existo” soa como estado que atravessa tempos. Ao passar
de “penso” para “existo”, a gramática troca de regra sem declarar a troca. Não é dedução. É deslocamento silencioso. A força retórica do cogito nasce
dessa elipse gramatical.
Se “existir” pretende mais do que aparição, precisa de critérios de reidentificação. Quem é o mesmo amanhã. Como o distingo de outro. Que marcas
permanecem. O pensar, por si, não entrega esses papéis. Ele atesta presença. Ele não protocola permanência. Logo, de “há pensamento” segue
apenas “há sujeito-em-ato”. Não segue “há substância que pensa”.
Releio de novo, agora com os olhos de quem receberia o texto. O referencialismo se mostra na prática. O outro que penso é uma face do meu
espelho. O sentido que encontro é correlação entre posição de leitura e regras de uso. Identidade, nesse quadro, é narrativa sob um ponto de vista.
Troque o ponto e a narrativa muda. O “eu” não é laje. É curso.
Chamo Heráclito para a ontologia mínima. O rio não exige uma gota essencial para ser rio. Exige continuidade de passagem. O sujeito que pensa não
reúne provas de minério. Reúne recorrência de atos sob regras. Se isto vale, então a pergunta “quem sou eu” não busca um bloco. Busca a coerência
operativa de um fluxo.
Volto a Descartes. O cogito é inabalável se o leio como enunciado performativo. Se penso, é indubitável que comparece o fenômeno do pensar. Onde
ele falha é no salto da ocorrência ao estado e à substância. A “res cogitans” é hipóstase. Faz do índice um nome. Faz do uso uma ontologia. É feitiço
da linguagem.
Objecção previsível: o “existo” cartesiano seria momentâneo, não permanente. Se for assim, “existo” significa “apareço agora”. Aceito sem
resistência. A refutação mira o passo seguinte, quando se transforma o momento em coisa. Outra objecção: sem substância, evapora a
responsabilidade. Respondo com sobriedade. Responsabilidade é continuidade normativa e memorial. Regras, registros, reconhecimento. Não
precisa alma mineral.
Sigo com a prática discursiva. Dizer “eu me encontrei” supõe um objeto fixo e um mapa estável. Não é o que a experiência oferece. Na vida, não nos
encontramos. Nós nos construímos. O encontro pertence ao ser que pode dizer “Eu Sou” como estado absoluto. Para nós, permanecer é manter um
fio de narrativa sob condições públicas. O fio é suficiente para a ética. Desnecessário para a metafísica de bloco.
Fecho a reflexão com a precisão que devo à gramática. Do evento pensar não se lê essência. Lê-se aparição. O cogito sobrevive ao exame se perder a
pretensão de substância. Resta claro e útil como prova mínima de presença. A ontologia que o abriga é de fluxo. A semântica que o disciplina é de
uso.
Conclusão operativa: penso, logo apareço. Sou em ato enquanto o pensar acontece. Quando o ato cessa, a narrativa arquiva um contorno. Entre
arquivo e curso, escolho o curso para dizer “eu”. Em língua seca e lírica o bastante para fixar o sentido: cogito, ergo fluo.
Não é o que já vivi que determinará meu destino, mas aquilo que faço no presente e a firmeza com que persevero no caminho da retidão.
Sim, tropecei muitas vezes.
E se alguém me aponta como imperfeito, não nego: sou.
Pois a perfeição não pertence ao ser humano, mas apenas a Deus.
Contudo, o que me move não é justificar minhas quedas, e sim superá-las.
Com a graça do Altíssimo, empenho-me em não repetir os desvios de outrora.
Porque se os erros de ontem permanecem nos gestos de hoje, que esperança haverá para o futuro?
Se me falta compaixão...
Se ignoro que as escolhas passadas influenciam o presente...
Com que autoridade poderei aspirar a uma vida de verdadeira nobreza moral?
Esta meditação não se restringe ao vício ou à infidelidade, mas alcança todos os campos da vida:
os gestos que não se pensam, as palavras que ferem, as atitudes que silenciosamente revelam o coração.
Pois quem não reconhece suas próprias falhas, não pode jamais caminhar rumo ao amadurecimento.
Achava que era uma forma de amor!
Porém, o amor verdadeiro não desaparece, não se finda.
Crença era de que era real, até que me deparei com muitas falsidades.
Nunca considerei que fosse uma ilusão, dado que parecia tão clara diante de mim.
Não era amor, já que o amor é compreensivo e não prioriza a si mesmo.
Não era, pois o amor envolve colaboração e troca.
Não era, pois quando é amor, sempre encontramos maneiras de resolver quase tudo, já que o amor é capaz de enfrentar qualquer desafio.
Acreditei que fosse, mas estava errado, porque quando é amor
Não se apaga
A ilusão se desfez e revelou a verdade.
O que pensei ser amor não era mais do que um reflexo de meus próprios desejos.
Mas aprendi que o verdadeiro amor é paciente, não busca interesses próprios e tudo suporta.
É parceria e reciprocidade, um equilíbrio que fortalece e não destrói. Agora, com essa experiência, posso reconhecer o amor verdadeiro quando ele aparecer. Já apareceu, você!
A mulher que um dia eu fui
Houve um tempo em que eu acreditava cegamente no amor. As palavras doces me tocavam profundamente…
Me deixavam vulnerável — e eu achava isso bonito.
Mas o tempo passou.
E com ele, vieram as desilusões.
Hoje, ainda acredito no amor… mas com ressalvas.
A cada dia, luto contra a descrença que me consome em silêncio.
As frases lindas que antes me encantavam agora soam ocas. Começo a pensar que talvez fossem só palavras —
como tantos já me disseram.
Não escrevo mais cartas de amor. As palavras não fluem. A comunicação é difícil. É como se tivessem arrancado o meu lado romântico à força.
E isso me dói.
Porque a pessoa que agora ocupa esse espaço…
gostaria de ouvir o que sinto. Os poemas que um dia fiz — e recitei — pra você.
Será que um dia eu volto a ser? Aquela mulher sonhadora, sensível, romântica... a que você destruiu?
Será? Hoje, tudo o que consigo dizer… tudo o que ainda sobrevive em mim…
é que eu te amo.
Metamorfose
Era eu, agora quem sou?
O que sou é quem eu era?
Carrinhos, ciranda o “era”
adiante, um velho adaptado por consequência.
Menino se foi...
Rugas e falta de memória “predominam”
Quem escapa?
Há um rio que nos leva...
Às mentes, outrora ingênuas
o mundo deu seu “trato”
Do casulo da vida
(metamorfose é certa).
OLIVEIRA, Marcos de. Metamorfose da vida. In: OLIVEIRA, Marcos de.
Tristeza por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 11.
Do improvável
Não se deve acender velas nos velórios;
há um cômico perigo de o morto sentar-se
em seu próprio caixão...
e todos saírem correndo de medo!
Mas ninguém avisou ao pobre do morto
que não se tratava de seu aniversário...
e ele bate palmas entre as quatro velas que o rodeiam!
CZERWINSKIN, Marcos.Do improvável.In: CZERWINSKIN, Marcos.Abajur
Amarelo. Porto Alegre: Besorah Brasil, 2014. p. 13.
Tens que ir?
Lá fora a chuva cai.
No quarto, fumaça de caracol.
Paredes se comprimem
diante de nós dois.
Face a face, deleito-me
no momento tão mágico
que deixa à deriva
os problemas do dia.
Por que tens que ir?
Se te quero só pra mim?
Se só você é meu sim?
Por que tens que ir?
Se ao coração não mente
e sempre te senti?
OLIVEIRA, Marcos de. Tens que ir?. In: OLIVEIRA, Marcos de. Tristeza por
Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 12.
Teodoro e o preço
Veja Theodoro que decepção era querido por todos
E agora onde parou?
Pelo asfalto vermelho sua ganância pagou
Poderia ser diferente porque se perdeu...
Seus passos seguiam o sepulcro de si mesmo...
Comparo-o com o Judas... Cego... Trocou
A vida pelos seus próprios interesses
E o preço foi seu próprio remorso
Que o matou...
CZERWINSKIN, Marcos.Teodoro e o preço.In: CZERWINSKIN, Marcos.
Esperança em meio a guerra. Porto Alegre: Besorah Brasil, 2012. p. 18.
Sou uma criança que envelheceu
Eu sempre quis meus brinquedos
mesmo que velhos e quebrados fossem.
Sou apenas uma criança
num corpo exausto de velho
que não resiste a uma boa gargalhada
sou assim mesmo...
(uma criança cheia de sonhos)
OLIVEIRA, Marcos de. Sou uma criança que envelheceu. In: OLIVEIRA,
Marcos de. Tristeza por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 16.
O menino no espelho
Quem é esse, mais novo do que eu?
Seria mesmo eu?
Ou apenas doces lembranças
Salvando minha velha alma?
Quem é esse menino cheio de sonhos no olhar?
Ele parece desconhecido,
Mas há algo que me prende a ele.
Como pude esquecer o menino todos esses anos?
Agora, diante do espelho,
Me questiono escolhas e desencontros.
CZERWINSKIN, Marcos. 5.In: CZERWINSKIN, Marcos. Dias perfeitos e
muros escuros. Porto Alegre: Besorah Brasil, 2014. p. 52.
Querido defunto
No velório, nunca pode faltar
o que grita num desespero só...
Dizendo, eu quero ir junto... Deus, me leva...
Talvez, o único momento
em que o pobre do defunto
mais se sentiu importante e amado
em toda sua vida.
OLIVEIRA, Marcos de.Querido defunto.In: OLIVEIRA, Marcos de. Tristeza
por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 29.
Rosas
Rosas não encontramos nas esquinas
de todas as ruas.
No melhor lugar se escondem,
e quando as encontramos nos apaixonamos.
Rosas são especiais
e num toque embelezam nossa vida
fazem do outono da solidão
a primavera do acreditar.
OLIVEIRA, Marcos de.Rosas.In: OLIVEIRA, Marcos de. Tristeza por
Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 52.
A perfeita cor
No rosto negro,
há um sol que não se apaga,
mesmo quando o mundo fecha as janelas.
A pele, essa página escura,
guarda segredos que os brancos não leem,
e brilha como se fosse silêncio.
Não é cor apenas.
É dignidade em estado visível…
Livro: Negros - 2025
Beleza negra
À Letícia Regio da Silva
Que bela negra, que belo desejo
De viver a pureza de suas formas.
Não é apenas um monumento,
Tampouco por um momento.
É tela perfeita na existência,
Encanto das multidões
E minha mais divina observação.
Entre os teus cachos, a minha saudade
Nunca soube ser contida.
Vivo a te querer como quem quer
Viver um novo mundo.
Aliás, onde esconderam as chaves
Para trancar no baú
Todo esse teu charme?
Que vontade de viver a tua beleza negra
E simplesmente arder em chamas…
Livro: Negros 2025
Som da liberdade
O som ainda pode ser dos navios de sangue,
As páginas ainda podem guardar tristezas,
A sociedade ainda respira desigualdade,
E nem todos entenderam as mazelas da alma.
Mas existem, em cada rosto negro,
Um passado que não viveram,
Mas que trazem como marcas para o futuro.
Não, o som é da vingança e das divisões?
Não; é a mais nova das antigas
Formas de gritar às nações:
O som agora é de liberdade!
Livro: Negros 2025
Reflexão nos brinquedos
A sua vida é vida igual e sonhável,
Entre os espinhos e leões do dia a dia,
Você desenha os teus sonhos.
Não importa a cor, não importa o cabelo;
Nada disso tem valor
Quando se refere a ser humano e a Deus.
Ninguém nasce ruim, ninguém nasce odiando.
Crianças brancas e negras brincam
Como se nada disso impedisse cada sorriso.
Mas a gente cresce, e a falta de amor
Cresce junto.
Infelizmente, um dia os ouvidos ouviram
Uma podridão que se alastra.
E, como um brinquedo quebrado,
Simplesmente não deveria mais ser brincado!
Livro: Negros 2025
Primavera chegou!!!
A primavera é sempre radiante, é como uma criança cheia de vida, de cores, que nós traz esperança, renovação e fé que tudo vai florir em nossas vidas.
Gratidão Deus pelo meu filho João Arthur, o que seria de mim depois da morte da minha mãe em 2022, se não fosse meu pequeno grande homem, como ela o chamava. Ainda estou aprendendo a te criar, mesmo com tantas falhas e incertezas, saiba que hoje vivo porque Deus me deu você, e isso me basta, para lutar a cada dia para ser melhor como pessoa, como sua mãe e te dar o melhor meu filho. Grata, grata, grata.
22/09/2025
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