Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Os aparentes atrasos de Deus não são provas de Seu desagrado, às vezes é possível que esconda Seu rosto dos santos que mais ama. Lhe agrada em extremo manter os Seus em oração, encontrá-los continuamente batendo na porta do céu. Pode ser, diz a alma, que o Senhor me prova, ou que Lhe agrada ouvir como lhe apresento, gemendo, a minha condição.

Amar é sofrer. Para evitar o sofrimento, não se deve amar. Mas, então, sofre-se por não amar. Portanto, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar; logo, ser feliz é sofrer. Mas o sofrimento deixa a gente infeliz, portanto para ser infeliz deve-se amar, ou amar para sofrer, ou sofrer por excesso de felicidade. Espero que você esteja entendendo." (do filme A última noite de Boris Grushenko)

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

Por não compreendermos a significação das palavras, nem eu nem meus amigos, uma coisa se tornou muito clara: que há maneiras de não compreender e que a diferença entre a não compreensão de um indivíduo e a não compreensão de outro cria um mundo de terra firma ainda mais sólido que as diferenças de compreensão. Tudo quanto outrora eu pensava ter compreendido desfez-se e eu fiquei como uma lousa limpa. Meus amigos, por outro lado, entrincheiravam-se mais solidamente na pequena vala de compreensão que haviam escavado para si próprios. Morreram confortavelmente em sua pequena cama de compreensão, para se tornarem cidadãos úteis do mundo. Senti pena deles e sem demora abandonei-os um a um, sem o menor pesar.

Nenhuma relação é fácil e simples. É interessante, todo mundo quer alguém. Mas ninguém percebe que muito mais difícil do que conseguir esse alguém é manter o relacionamento sadio e forte. As pessoas se preocupam com o começo e com o final. Mas o meio, que é aquilo que a gente vive no dia a dia, fica esquecido, jogado em alguma caixa de papelão pegando pó e juntando mofo. É por isso que as coisas terminam. Quer saber? O meio é o que mais importa. É o que merece atenção, cuidado. Até o fim.

Clarissa Corrêa

Nota: Trecho do texto "Até ao fim" publicado no blog oficial de Clarissa Corrêa em 11/01/2013

Eu sempre dei muito valor a ele. Porque ele era sincero, diferente. Sempre passei por cima de muitas coisas porque, apesar dos vacilos, ele era especial. Até o dia em que eu entendi que eu também era incrível e que se alguém teria que ter medo de perder entre nós, definitivamente não era eu. Foi aí que eu parei de engolir desculpas nunca acompanhadas de arrependimento. Foi aí que eu abri a porta e deixei ele ir. Quer liberdade? Boa sorte. Quando voltar e outro cara te atender, não sei, fica feliz por mim e tenta ser livre.

Quero te dar chuva de flores pela manhã. E quando quiseres podes vir colher sorrisos direto do quintal da minha alma. Nunca há de te faltar afeto. E se murchar tua alegria, podes vir buscar uma muda no meu jardim para que a tua floresça outra vez. Se te faltar o vento, eu te sopro carinho. E se te faltarem as cores do dia, a gente pinta tudinho com tons de felicidade. Lá do alto, não te deixarei o lhar para baixo e mesmo que escorregues de uma nuvem molhada, eu não te soltarei a mão, não te deixarei cair. Amizade é isso, teto firme no temporal, água para a sede no deserto, riso pra enxugar a lágrima que cai.

O "eu"é uma relação que não se estabelece com qualquer coisa alheia de si, mas consigo própria. Mais e melhor do que na relação propriamente dita, ele consiste no orientar-se dessa relação para própria interioridade. O "eu" não é uma relação em si, mas sim o voltar-se sobre si própria depois de estabelecida.

Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.

Guimarães Rosa

Nota: A Terceira Margem do Rio, Primeiras Estórias, Guimarães Rosa

Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os encrenqueiros. Os que fogem ao padrão. Aqueles que veem as coisas de um jeito diferente. Eles não se adaptam às regras, nem respeitam o status quo. Você pode citá-los ou achá-los desagradáveis, glorificá-los ou desprezá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram adiante a raça humana. E enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como gênios. Porque as pessoas que são loucas o bastante para pensarem que podem mudar o mundo são as únicas que realmente poderão fazer.

Rob Siltanen

Nota: Texto criado para o comercial “To the crazy ones” da Apple.

A juventude quer divertir-se, a velhice, trabalhar. Ninguém se casa só para ter filhos, mas, uma vez que os tem, eles o modificam e, no fim, ele percebe que tudo, com efeito, acontecera somente em função deles. Isso prende-se ao fato de que a juventude, sem dúvida, gosta de falar da morte, mas nunca pensa nela. Com os velhos, dá-se o contrário. Os jovens julgam que vão viver eternamente; daí, poderem reportar a si mesmos todos os seus desejos e pensamentos. Ao contrário, os velhos já perceberam que, num ponto qualquer, existe um fim e que tudo o que alguém tem ou faz só para si mesmo, acaba por cair no vazio e por ter acontecido em vão. Assim, necessitam de outra eternidade, bem como da crença de que não estão trabalhando unicamente para os vermes. Para isso existem mulher e filhos, atividades e cargos e pátria: para saber-se por quem é, afinal de contas, que suportamos a lida e o desgaste e as aflições cotidianas.

Ensina-nos a não ter pressa, mostrando que há uma razão e um tempo para tudo. Permite-nos sorrir para desafios e crises, porque nos faz entender que há solução para todos os problemas. Ensina-nos a abrandar nossas respostas ao dar tempo para avaliar a situação com mais clareza. Gentilmente permite-nos aceitar as cenas do drama da vida, sabendo que as nuvens passam. Para ter paciência é preciso ter fé em si, nos outros e em Deus. Grande é o poder da paciência.

Bebeágua, sacerdote dos sioux, sonhou que seres jamais vistos teciam uma enorme teia de aranha ao redor de sua aldeia. Despertou sabendo que assim seria, e disse aos seus: Quando essa estranha raça termine sua teia de aranha, nos trancará em casas cinzentas e quadradas, sobre terra estéril, e nessas casas morreremos de fome.

Eduardo Galeano

Nota: Eduardo Galeano, in Memórias do fogo (I) - Nascimentos

Felicidade não pode ser encontrada simplesmente por esperar o melhor. Não há atalhos. Nenhuma outra pessoa, nenhuma coisa externa pode criar um estado permanente de bem-estar. Criar isso é nossa própria responsabilidade. Coisas de fora podem contribuir, guiar e inspirar, mas vida é o que fazemos dela, definitivamente. Explorar a casa interior traz entendimento. Com esse entendimento podemos criar a vida que queremos viver.

Eu torço pra não fazer Sol, eu torço pra não chover, eu torço para acordar no meio do dia, eu torço para o dia acabar logo. Eu torço para ter alguma coisa que me faça torcer, que me diga que eu ainda sei torcer por algo mesmo sem torcer pela gente. Minha dança é queda equilibrada, minhas roupas novas são fantasias, meu sorriso é espasmo de dor, minha caminhada reta é um círculo que sempre me traz até aqui, meu sono é cansaço de realidade, minha maquiagem é exagerada, meu silêncio é o grito mais alto que alguém já deu, minhas noites são clarões horríveis que me arregaçam o peito e nada pode me embalar e aquecer, o frio é interno, o incômodo é interno, nenhum lugar do mundo me conforta. Minha fome é sobrevivência, minha vontade é mecânica, minha beleza é esforço, meu brilho é choro, meus dias são pontes para os dias de verdade que virão quando essa dor acabar, meus segundos são sentidos em milésimos de segundos, o tempo simplesmente não passa.

Para ser feliz não é preciso ter uma vida perfeita. Mas é preciso saber extrair sabedoria dos erros, alegria da dor, ter força nas decepções, coragens nos fracassos. Tem momentos que tudo parece estar contra nós, na verdade e só momentos para refletir-mos... lute, sonhe, perdoe, ame e nunca desista dos seus objetivos. Aproveite cada segundo, pois na vida não há retornos! Apenas recordações...

Você encerrava em mim eu mesma e era uma loucura tudo, como eu sentia, como eu queria me vomitar e ensanguentar e explodir e rodopiar em mim até furar o chão como uma broca desgovernada e depois sair derrubando o mundo como o único pião que sabe a verdade e precisa chacoalhar seu entorno pra não enlouquecer sozinho. Era uma loucura tudo. Mas a morte, o fim, nós, andando calmos, ao lado um do outro, isso me permitiu estar de alguma forma sem querer habitar cada instante do estar e para isso me retirando o tempo todo. E isso pode ser viver mas viver é terrível. E antes, quando eu não sabia viver e me sentia amada, era ainda mais terrível. Daí que sobra essa sensação de uma solidão filha da p*** mil vezes pois em nada dá pra ser com você. E tudo bem, não é você, nunca foi, mas escuta a maluquice: é que nada disso impede que eu sinta um amor absurdo por você.

Você não consegue ver além do chão, porque você acha que as coisas só tem um lado, esse que o seu olho sujo vê. Você é exatamente igual a esses cinzentos todos que estão lá fora. A gente só consegue ver o que está dentro da gente. E você só consegue ver o sujo, o feio e o doente das coisas. Tudo isso está dentro de você, na sua mente, na sua cuca. Aqui. A sua cuca é que é feia, suja e doente. Nada é horrível, nada é maravilhoso. O seu olho daqui é que transforma tudo. O seu jeito de olhar. O que acontece é que você ainda não aprendeu a olhar

Ainda tenho muitos segredos para te entregar, amor. Ainda tenho cicatrizes escondidas e fios de cabelo que caíram no chão da sala, mas esses farei questão de não deixar que tu vejas. Mas confia em mim, debaixo de tanta bagunça e dentro de tanta névoa ainda é possível encontrar luz, som, coração batendo feito estrela que acaba de nascer. Tudo de colorido, florido e dançante está atrás das portas, meu anjo, e as chaves eu só entreguei a ti. Vem, vem que eu não deixarei praga alguma corroer essa sua alegria de nascença. Vem, mesmo sabendo da minha escuridão, que eu não permitirei que males se aproximem de ti, ainda que para isso eu precise prendê-los em minhas mãos frágeis, nuas e calejadas. Eu saberei te cuidar, eu saberei trazer felicidade, porque qualquer resquício grandioso que eu encontrar no caminho será só para ti, amor, só para ti.

Você faz um favor pra mim existindo. Porque as pessoas reproduzem as palavras que eu te dedico, o que me faz sentir menos boba por te amar tanto mesmo sem nada em troca. Você fez um favor pra mim e pra elas quando um dia me fez tanto bem. Por que tem gente que adora o que eu escrevo. E seria divino se você fizesse o mesmo. Seria realmente magistral se você conseguisse adorar não só as minhas letras como a mim também, com toda a sua incompreensão e neurose. Mas eu nem peço isso nem nada nada, porque mesmo que de um jeito impróprio e intocável, agora eu te tenho meio por perto e te ter de qualquer jeito já é algum troco pra quem até pouco tempo não te tinha de forma nenhuma. E você sabe, você faz um favor pra mim existindo. Porque te esperar, mesmo que inutilmente, ainda é a minha condição mais bonita. E eu e minha tristeza pacífica e minha obsessão excomungada sentem uma vergonha enorme de te pedir qualquer amor porque sabem que você já faz demais estando aqui, no mesmo planeta que eu. E em vez de "te amo", te digo "obrigado". O agradecimento que ofusca todas as paixões do mundo. Obrigado. Você é, ainda, o meu tema preferido.