Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

NO INVERNO DA ALMA, O COBERTOR DA CARIDADE.
Há um frio que não pertence às estações.
Ele nasce quando o tempo se inclina sobre os ombros
e deposita ali a poeira das décadas.
Não é o vento que corta.
É a memória que sopra.
Sou como uma catedral antiga esquecida na névoa,
colunas erguidas pela esperança,
vitrais rachados pelo silêncio.
O eco que habita meu interior
não é o da multidão,
mas o da própria consciência
que se interroga diante do abismo.
Envelhecer é assistir à própria sombra alongar-se
sobre o chão das perdas.
É aprender que a carne se cansa,
mas o espírito insiste em vigiar.
É carregar no peito uma biblioteca de dias
que ninguém mais consulta.
E, contudo, há um pensamento
que me cobre.
Quando penso em ti,
não como figura distante,
mas como símbolo de ternura concebida,
sinto um calor austero,
uma chama discreta
que não consome,
apenas preserva.
Tu te tornas o cobertor da caridade
não porque salves o inverno,
mas porque o atravessas comigo
na imaginação que ainda respira.
A caridade mais alta não é a esmola do gesto.
É a permanência da presença
mesmo quando o mundo se ausenta.
É a capacidade de aquecer outro
com a simples recordação do que poderia ser belo.
Meu frio não é revolta.
É lucidez.
É o entendimento de que tudo passa,
exceto aquilo que se gravou
na camada mais funda do ser.
Se sou velho,
sou também arquivo.
Se sou fraco,
sou ainda sensível ao toque invisível
do pensamento que conforta.
E assim permaneço,
no inverno que me constitui,
envolto na ideia de ti
como quem segura a última brasa
numa noite interminável.
Porque há pensamentos
que não salvam o mundo,
mas impedem que o mundo nos apague.
E enquanto houver esse lume silencioso
ardendo na penumbra da consciência,
nem o frio mais severo
será capaz de extinguir
a dignidade de sentir.

ANJO SEM ASAS DORMIU EM MINHA CASA.
Um anjo sem asas dormiu em minha casa.
Não trouxe claridade. Trouxe consciência.
Entrou como entra a ideia amarga que não pede licença.
Sentou-se no chão frio da sala antiga e ali permaneceu, como se o próprio existir fosse um fardo demasiado grave para qualquer criatura alada.
Não possuía asas porque compreendera o peso da Vontade que governa os seres.
Essa força obscura que impele ao desejo incessante.
Que promete satisfação e entrega apenas breves suspensões do sofrer.
Ele sabia.
E por saber, tornara-se grave.
Dormiu encostado à parede onde a tinta descasca como a esperança quando se descobre ilusória.
Seu rosto tinha a palidez das madrugadas em que o pensamento não encontra repouso.
Era belo como um lamento.
A casa inteira silenciou-se.
O relógio pareceu envergonhar-se de contar o tempo.
As sombras alongaram-se como espectros convocados por uma consciência demasiado lúcida.
Aproximei-me dele.
Seu sono não era descanso. Era desistência temporária do combate interior.
Respirava como quem tolera a própria existência.
Compreendi então que toda alegria é negativa.
Não é presença de algo. É apenas ausência momentânea da dor.
Um intervalo microscópico entre duas inquietações.
O anjo, ainda que adormecido, ensinava-me sem palavras.
Mostrava que o querer é a raiz da inquietude.
Que desejar é cavar abismos sob os próprios pés.
E que o mundo não foi feito para satisfazer, mas para reiterar a falta.
No entanto havia ternura em sua decadência.
Uma ternura trágica e quase litúrgica.
Como se dissesse que, apesar do absurdo, resta a compaixão.
Não a compaixão sentimental.
Mas a que nasce do reconhecimento de que todos somos arrastados pela mesma força cega.
Sofremos não por exceção, mas por estrutura.
Na madrugada mais densa, toquei-lhe os cabelos.
E senti que o verdadeiro voo não é subir aos céus.
É calar o querer.
É diminuir a tirania dos impulsos.
Quando o dia insinuou-se pelas frestas da janela, ele já não estava.
Não deixou perfume nem luz.
Deixou lucidez.
Desde então minha casa tornou-se uma espécie de cripta interior.
E toda vez que a solidão pesa como chumbo na alma, recordo que um anjo sem asas dormiu aqui.
Ele não veio salvar-me.
Veio ensinar-me que a consciência é o mais lúgubre dos dons.
E que amar, neste mundo, é aceitar o outro como companheiro de um sofrimento que não escolhemos, mas que nos constitui.
Se desejares, posso aprofundar ainda mais a atmosfera fúnebre ou conduzi-la a um desfecho metafísico de resignação.

"Livre-se do que não é seu de fato" é um convite ao desapego profundo, sugerindo que abandonemos cargas emocionais, expectativas alheias, crenças limitantes e bens materiais que não agregam valor real à nossa essência. Essa prática de "limpeza" interna e externa permite abrir espaço para o novo, trazendo uma vida mais leve e autêntica.

Aqui estão os aspectos fundamentais para realizar esse desapego:
1. Desapego Emocional e Mental
Expectativas dos Outros: Liberte-se da necessidade de satisfazer as expectativas de amigos, família ou sociedade. Viva segundo seus próprios valores, não os impostos por terceiros.
Velhas Dores e Rancor: Deixe ir a bagagem tóxica, como mágoas passadas, culpa e decepções. Essas emoções pesam e impedem a caminhada.
Necessidade de Controle: Acreditar que podemos controlar tudo é um erro. Aceitar o que não depende de você traz paz interior.

2. Desapego Material e de Hábitos
Coisas Materiais: Doe ou venda objetos que não utiliza mais. O acúmulo desnecessário gera desordem física e mental.
Hábitos Limitantes: Abandone rotinas ou vícios que não servem mais ao seu propósito de crescimento pessoal.

3. Mudança de Mentalidade (Mindset)
Ação > Informação: O conhecimento só tem valor se aplicado. Livre-se da mania de acumular dicas de desenvolvimento pessoal sem colocá-las em prática.
Aprender a Dizer "Não": Colocar as necessidades dos outros acima das suas pode sabotar seu crescimento. Aprender a dizer não é um ato de autovalorização.
Foque no Presente: Deixe ir o passado e o excesso de preocupação com o futuro para viver com mais clareza e leveza.

Ao soltar o que faz mal e não te pertence, você abre espaço para o que realmente lhe faz bem, tornando-se mais fiel a si mesmo.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

O SÉCULO DA ALMA.
"Tenha paciência, pois já vivestes séculos incontáveis e estás diante de milênios sem fim."
A advertência espiritual acima foi transmitida pelo Espírito André Luiz e psicografada por Chico Xavier na obra Agenda Cristã capítulo 30. Nela encontramos uma das mais profundas sínteses da pedagogia espiritual ensinada pela doutrina Espírita. Não se trata de uma frase de consolo superficial. Trata-se de uma chave filosófica para compreender a própria estrutura da existência humana.
A impaciência é uma das doenças psicológicas mais características da modernidade. O ser humano, encerrado na estreita perspectiva de uma única vida corporal, imagina que tudo deve realizar-se dentro de poucas décadas. Espera compreender o sentido da existência rapidamente. Deseja resolver conflitos morais de séculos em alguns anos. Pretende alcançar serenidade interior sem atravessar as inevitáveis provas da educação espiritual.
Essa expectativa nasce de um erro de perspectiva. O indivíduo mede o universo com a régua curta da própria ansiedade.
Entretanto a doutrina oferece um horizonte completamente diverso. O Espírito não começa na infância de um corpo. Tampouco termina na dissolução da matéria. A consciência espiritual atravessa séculos. Ela se aperfeiçoa através de inúmeras existências. Cada encarnação constitui apenas um breve capítulo dentro de uma longa epopeia moral.
Quando o Espírito André Luiz afirma que já vivemos séculos incontáveis, ele não emprega uma metáfora literária. Ele descreve uma realidade íntima vivida da alma.
A vida humana, observada sob a ótica espiritual, assemelha-se a uma escola milenar. Cada experiência é uma lição. Cada dor funciona como instrumento educativo. Cada alegria revela lampejos de harmonia que aguardam maturação futura.
Assim compreendida, a paciência deixa de ser passividade resignada. Ela
transforma-se em lucidez diante do tempo espiritual.
A própria tradição bíblica já insinuava essa dimensão temporal muito mais ampla da existência. No texto sagrado encontramos a afirmação.
"Mas, amados, não ignoreis uma coisa. Que um dia para o Senhor é como mil anos. E mil anos como um dia."
2 Pedro 3.8.
Essa passagem revela uma intuição profundamente espiritual acerca da relatividade do tempo quando observado sob a perspectiva divina. Aquilo que para o ser humano parece demorado constitui apenas um instante no movimento universal da vida.
A doutrina da reencarnação desenvolve essa percepção com clareza filosófica. O Espírito progride gradualmente através de sucessivas experiências corporais. Em cada existência ele trabalha imperfeições antigas. Desenvolve virtudes ainda embrionárias. Aprende lentamente a ciência moral do amor.
Sob essa ótica, nenhuma dificuldade deve ser interpretada como fracasso definitivo. As quedas tornam-se lições. Os erros convertem-se em aprendizado. As dores refinam a sensibilidade espiritual.
Essa concepção possui profundas implicações psicológicas.
Grande parte da ansiedade humana nasce da ilusão da urgência absoluta. O indivíduo acredita que precisa resolver tudo agora. Quer compreender todos os enigmas da vida em poucos anos. Deseja alcançar plenitude moral imediatamente.
Essa pressão interior gera frustração, angústia e desalento.
Quando a consciência assimila a realidade dos milênios espirituais, algo se transforma na alma. Surge uma serenidade nova. O Espírito compreende que a evolução é gradual. A perfeição moral é uma conquista progressiva. Nenhuma existência isolada esgota as possibilidades de crescimento.
Essa percepção não estimula a negligência moral. Pelo contrário. Ela inspira responsabilidade lúcida.
Cada dia torna-se precioso. Cada gesto de bondade representa um avanço real na jornada da alma. Cada esforço de superação grava na consciência uma conquista que nenhuma morte poderá apagar.
A pedagogia divina não se constrói pela pressa. Ela se constrói pela perseverança.
O universo espiritual funciona como uma vasta universidade da consciência. Nela aprendemos lentamente a disciplina da compaixão. A ciência do perdão. A arte silenciosa da fraternidade.
Compreender essa verdade transforma a maneira de interpretar as dores da vida.
Aquilo que parecia castigo revela-se como oportunidade educativa. Aquilo que parecia absurdo converte-se em experiência formadora.
A paciência então floresce como virtude ativa da alma. Não é imobilidade. É confiança lúcida no processo evolutivo da vida.
O Espírito aprende a caminhar sem desespero. Trabalha sem precipitação. Espera sem desânimo.
E aos poucos descobre uma verdade que somente os séculos ensinam.
O tempo não é inimigo da alma. O tempo é o grande instrumento através do qual Deus educa silenciosamente o Espírito humano.
Assim nasce a serenidade dos que compreendem a lei da reencarnação. Eles sabem que a vida não é um episódio isolado. É uma longa jornada através das eras. Uma travessia moral que se estende pelos séculos. Uma escola divina onde cada existência representa apenas uma página do grande livro da consciência.
E quando essa compreensão amadurece no íntimo do ser, surge uma convicção profunda.
A eternidade não exige pressa. Ela pede fidelidade ao bem em cada instante vivido.
"Um texto profundo sobre a pedagogia dos milênios na evolução do Espírito."

VAI E NÃO PEQUES MAIS.
A PERMANÊNCIA DO CONVITE MORAL. DE ONTEM AOS DIAS ATUAIS.
A frase "vai e não peques mais" atravessou séculos sem perder a sua força interior. Ontem, quando foi pronunciada diante de uma mulher humilhada pela condenação pública, ela representava uma ruptura moral com a cultura da punição imediata e do julgamento implacável. Hoje, permanece como uma das mais profundas orientações éticas já dirigidas à consciência humana.
No cenário antigo, a multidão estava pronta para apedrejar. A lei, interpretada de maneira rígida, exigia punição. A sociedade daquela época estava acostumada a julgar rapidamente e a condenar sem introspecção. A intervenção de Jesus interrompeu esse automatismo moral. Ele deslocou o centro do julgamento para o interior de cada indivíduo. Antes de acusar o outro, cada um deveria olhar para si mesmo.
Esse deslocamento moral inaugurou uma nova forma de compreender o erro humano. O erro deixou de ser apenas motivo de castigo externo e passou a ser compreendido como oportunidade de despertar da consciência.
Ontem, aquela mulher recebeu a liberdade de continuar vivendo. Mas essa liberdade não era uma absolvição inconsequente. Era uma responsabilidade nova diante da própria existência. Ao dizer "vai", Jesus devolve à criatura o direito de caminhar. Ao acrescentar "não peques mais" ele recorda que toda liberdade exige vigilância moral.
Se observamos a sociedade atual, percebemos que a mesma dinâmica continua presente. A humanidade progrediu em ciência, tecnologia e organização social. Contudo, no campo moral, muitos comportamentos ainda repetem o espírito da antiga multidão. Julga-se com rapidez. Condena-se com severidade. Pouco se examina a própria consciência.
Nas redes sociais, nos debates públicos e até nas relações pessoais, frequentemente repete-se o impulso de acusar, expor e punir. A diferença é que as pedras de ontem transformaram-se em palavras, ataques morais e condenações coletivas. O mecanismo psicológico, porém, permanece semelhante.
Nesse contexto, a frase evangélica continua extraordinariamente atual. Ela recorda que o erro humano deve ser tratado com lucidez e responsabilidade, não com crueldade moral.
Do ponto de vista psicológico, a sentença possui uma sabedoria notável. O indivíduo que erra precisa compreender o erro, mas também precisa reencontrar a capacidade de seguir adiante. A culpa excessiva paralisa a alma. O esquecimento irresponsável do erro também impede o crescimento. Entre esses dois extremos surge a orientação equilibrada do Evangelho.
"Vai." Segue adiante. A vida não termina no erro.
"Não peques mais." Aprende com a experiência. Transforma a consciência.
Sob a ótica filosófica, essa frase expressa uma lei profunda da evolução moral. O ser humano não se aperfeiçoa pela punição externa, mas pelo despertar interior da responsabilidade. O progresso moral nasce quando o indivíduo reconhece suas falhas e decide, por vontade própria, reconstruir a própria conduta.
Por isso, a frase permanece viva desde ontem até os dias atuais. Ela não pertence apenas a um episódio do passado. Ela descreve o processo permanente da educação moral da humanidade.
Cada dia oferece à consciência humana a mesma possibilidade que foi oferecida naquela manhã distante.
Continuar vivendo.
Aprender com o erro.
E escolher, com lucidez crescente, um caminho mais digno para o próprio espírito.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

O Consolador prometido por Jesus cumpre o seu mais alto desígnio — o de restaurar no ser humano a consciência da imortalidade e da fraternidade universal.


Porque, afinal, o mundo não se transformará por novas teorias, mas por almas evangelizadas que vivem o bem silenciosamente.
Quando o Espiritismo sai de nós, o Cristo volta a caminhar entre os homens — não nos templos de pedra, mas nos santuários da consciência, onde a caridade se faz verbo e o amor se faz lei.


Reflexão:


“Sede, pois, o Evangelho que o mundo pode ler, a lição que não se pronuncia, mas que se sente.”

⁠O maior ato de Deus dentro de nós é saber perdoar o seu próximo; Seria muito Hipocrisia da nossa parte orar o Pai Nosso e dizer; (Pai perdoai as nossos OFENSAS, assim como nós perdoamos os nossos OFENSORES).
Como que você quer o seu perdão se você não consegue sacrificar.

Perdoar quem te fez uma iniguidade não quer dizer que é necessário você estar com essa pessoa, ou perto ! Isso fica a seu critério.

Seja grato, seja fiel ao amor que ele tem por nós até hoje; Fiel a oração que ele nos ensinou; Nunca vi e nem haverá um amor igual ao dele. Nós diante de tantos defeitos ele continua nos mostrando um amor inexplicável; Seja fiel como você gostaria que seu próximo fosse com você. Afaste de você esse calice de orgulho e vá com fé contra seu EU.

Boa noite.
Kkkkk
Já antecipando_me.


👏👏👏 Que todos vocês recebam
Em suas reuniões familiares Para louvar ao Criador
Abundâncias energéticas,
De fluídos vibracionais com a tecnologia Fluídica,
Mais avançada do universo; Que provém das ondas de amor do Mestre,
Senhor e Salvador:
JESUS🙏👏🙌💓😘

Belos sonhos

Chuva que cai
Refrescando
A nossa estação.
Que não sejam
Gotas de tristezas: Somente de alegrias. Orvalho regado por DEUS
Para saciar
A nossa sede
Germinar nossa Alimentação
Fazendo navegar
Pelos rios da vida:
Nossa esperanças
Felicidades
Gratidão
E fé.
Durmam, todos
Na paz!
E tenham:
Belos sonhos!

Vencer sozinho é uma ilusão
que apenas o orgulho é
capaz de alimentar.
Nenhuma grande trajetória
se constrói no absoluto
isolamento; há sempre
alguém nos bastidores
amparando os dias difíceis,
oferecendo escuta quando
o silêncio pesava ou
simplesmente acreditando
no projeto quando nem
nós mesmos tínhamos
certeza.
Martha Martha

Feliz Natal uma ÓVA !!! HIPÓCRITAS !!!
- O que se festeja no dia 25/12 ?!
- É mais fácil comprar, montar e admirar presépios de vários materiais do que olhar na cara dos Presépios Humanos.
E não me venham dizer que isso que digo é uma blasfêmia !!! Porque eu vos afirmo que BLASFÊMIA é essa vossa HIPOCRISIA.

O fascínio dos dias nublados e chuvosos ☁️🌧


Desde sempre,
sinto uma certa sintonia
com dias assim...


É como se fossem
um convite irrecusável
à introspecção,
à um encontro íntimo
com a inspiração...


Há algo de profundamente meu
nos dias em que o céu
se veste de cinza...


É como se a alma respirasse melhor
nesse silêncio molhado,
como se a chuva lavasse
o excesso do mundo
e deixasse o coração nu,
pronto para sentir,
pronto para escrever...


A melancolia nesses dias
não me assusta, me acolhe com doçura,
é nela que encontro a lucidez
das minhas loucas tempestades internas...


Os dias nublados têm o dom
de me chamar para dentro...


No murmúrio da chuva,
reconheço antigas emoções
que adormecem à sombra das lembranças...


Há uma ternura cinéria
que me envolve inteira,
como se o tempo sussurrasse:
“agora é só você e a inspiração”...
✍©️@@MiriamDaCosta

Foi então que me vesti
de pacata coragem
e, suavemente,
inalei a essência do fadário,
enquanto as implacáveis
trilhas da vida
desafiavam minha
resistência silente.


Essa coragem que não grita,
não sangra em praça pública,
mas sustenta.


A essência do fadário,
esse destino que insiste,
sem escolher quando e como,
apenas acontece
como um vendaval contra o rosto.


E as implacáveis trilhas da vida
se abriam em espinhos e abismos,
desafiavam, uma a uma,
a minha resistência silente,
essa que permanece
mesmo quando tudo em volta
exige rendição.


Rendição que não conheço
e não me possui.
✍©️@MiriamDaCosta

Nas argênteas páginas lunares plenas
verso os meus laivos, trêmulos de estrelas,
no silêncio onde o tempo se enreda
em véus de névoa e luz serena.


Cada traço é um eco de saudade,
sussurrado ao vento sideral,
um murmúrio da alma em liberdade,
nas margens de um sonho abissal.


Riscam-se os versos em prata e ausência,
como quem canta e já se desfaz,
na órbita lenta da consciência,
que gira entre o nunca e o jamais.
✍©️@MiriamDaCosta

30 de Janeiro - Dia da Saudade


Oh! Saudade!
És um sentimento nobre,
que nenhuma outra língua do mundo
consegue traduzir.


Morada de ausências vivas,
presença que dói e aquece,
fio invisível que nos costura
ao que foi,
e ao que nunca deixou de ser.


Saudade é amor que ficou
sem corpo,
memória que pulsa,
nome que o tempo não apaga.


É o silêncio que fala,
é o coração lembrando
aquilo que a vida tentou levar.


Oh, Saudade!
Às vezes,
és uma sensação contraditória
do meu ser.


Sinto-te
por aquilo que não tive,
não vivi e não fui.


Saudade do possível que não aconteceu,
dos caminhos abortados,
das versões de mim
que morreram antes de nascer.


Tu doês sem memória,
arde sem lembrança,
és falta sem rosto
e, ainda assim,
me habitas inteira.


Saudade é esse vazio cheio,
essa ausência que pesa mais
do que muitas presenças.


É o luto
do que nunca existiu,
mas insistiu em me sonhar.


✍©️@MiriamDaCosta

Ode à Vida


Oh! Vida!
És um enigma que nos desafia
a experimentar e enfrentar,
aprender e evoluir.


Oh! Vida!
És uma dádiva,
uma escola de multiplicidades,
onde a individualidade permite
a troca de vivências,
e, infelizmente,
nem sempre somos capazes
de sermos aprovados...


Oh! Vida!
És uma biblioteca de oportunidades
e opções de leitura ( sem releituras) e interpretações mutáveis ou não...


Oh! Vida!
Livro aberto e, ao mesmo tempo,
manuscrito indecifrável,
onde escrevemos com tinta
de escolhas
e apagamos com lágrimas
de arrependimento...


Oh! Vida!
És mestra severa e mãe generosa,
que embala e, por vezes, sacode,
que acolhe no colo da esperança
e lança ao deserto das perguntas
sem respostas óbvias e claras
ao nosso entendimento limitado...


Oh! Vida!
És travessia,
ponte entre o que fomos,
podemos ser e o que ainda
ousamos ou não ser...


Oh! Vida!
És o sopro
que acende nossos sonhos
e o vento
que testa nossas raízes...


Oh! Vida!
És palco e bastidor,
és riso
que floresce sem aviso
e silêncio
que amadurece na dor...


Oh! Vida!
És o instante breve
que insiste em parecer eterno
quando vivido com presença,
e eternidade inteira
quando guardado na memória
do afeto...


Oh! Vida!
Entre quedas e recomeços,
ensinas, sem palavras,
que existir
é verbo em movimento,
é semente insistindo
mesmo sob o peso da terra árida
do mundo...


Oh! Vida!
Que eu te leia com coragem,
que eu te interprete com verdade,
e que,
ao final de cada capítulo,
eu reconheça,
(mesmo cansada...)
a tua sagrada e indomável Poesia.
✍©️@MiriamDaCosta

“Quanto está pagando?”

Hoje em dia, essa parece ser a primeira pergunta de muita gente quando vê um anúncio de vaga.

O mais curioso é que, muitas vezes, a pergunta vem antes de qualquer interesse em saber qual é o trabalho, quais são as responsabilidades ou o que a pessoa realmente precisa saber fazer.

Não há problema nenhum em querer saber o salário. Pelo contrário, é importante. Mas também deveria existir a preocupação em mostrar experiência, responsabilidade, comprometimento e o valor que você pode agregar.

E hoje percebo outra coisa: muita gente fica negociando por um dólar a mais, abandona o barco por qualquer proposta e, quando menos percebe, já passou pelas mãos de todo mundo.

No final, querendo ganhar um pouco mais a cada mudança, acaba perdendo justamente aquilo que mais deveria preservar: seu próprio valor, sua credibilidade e sua reputação.

Dinheiro importa. Mas compromisso, constância e nome no mercado valem muito mais do que um dólar a mais por hora.

Nenhum homem é uma ilha," pobre John Donne.

"Todo homem é um oceano de imensidão e profundidade insondáveis. O homem só se revela quando ama e para quem ama.

Só conhecemos nós mesmo o próximo, quando estamos ligados pela força imensurável dos afetos verdadeiros, sejam estes de amor e de sublime amizade."

AOS AMIGOS QUE MORAM COMIGO NO LUGAR MAIS SECRETO DO MEU SER.

Somos nós que construímos, no coração dos amigos, a nossa própria morada.

Resta saber com material edificamos a nossa tenda no coração do amigo, com quem pretendemos conviver por longo tempo ou por uma eternidade. Algumas moradas são refúgios eternos, para onde corremos em épocas de fortes temporais.

Me alegro por ter encontrado espaço no coração de quem tanto respeito e admiro, meus amigos, embora poucos, são para mim abrigo contra as tempestades do mundo!.

E quantas casas cabem em nossos corações? Alguns, infelizmente, por imaturidade emocional não expandiram a área do coração afetivo, para abrigar mais de um amigo, e são muitas vezes até ciumentos e injustos.

Contudo, estes, às vezes impedem que pessoas boas de coração puro se acheguem ao porto deserto do seu coração e ali façam morada.

Quão bom é conviver com verdadeiros amigos, tê-los como amparo, em tempos de alegria e em tempos de aflição.

Evan do Carmo 11/08/2018

SOMOS TODOS ZÉS-NINGUÉM

Por que deixamos de beber uma taça de vinho a mais, em público, pensando nas consequências? Por que nos importamos com o que outros dizem ou pensam sobre nós?
Somos todos Zés-ninguém, e quanto ao destino: iguais, com o mesmo fim caótico, irrefutável...

Meu pai, que era um nobre, porém indouto, dizia:

"Não devemos guardar para amanhá o prato feito para o dia de hoje ".

Que a vida é efêmera e sem garantias de final feliz, todos sabem, mas o que mais agrada aos seres humanos, isto de forma generalizada, é ser juiz da vida dos outros, embora pratiquem publicamente ou secretamente aquilo que condena nos outros.