Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

​"Menos discurso, mais semente" é o choque de realidade necessário para uma era de aparências. O discurso é vento; ele passa e se dissipa. A semente é silenciosa, mas carrega em si a teimosia da vida. O bem não é algo que se deixa em um testamento registrado em cartório; é algo que se planta no cotidiano. É a única herança que sobrevive ao tempo, porque enquanto o ouro oxida e o papel apodrece, o ato de bondade se replica na memória e no caráter de quem o recebeu.
_Suedson Corey

Viver com propósito não é sobre deixar um nome cravado na pedra, mas sobre deixar um rastro de calor na alma de quem cruzou o nosso caminho. A semente que você planta hoje, sem alarde, é a árvore que dará sombra a alguém que você talvez nunca venha a conhecer. E é aí, nesse anonimato generoso, que o bem se torna eterno.
_Suedson Corey

​A gratidão não é uma moeda de troca com o divino, onde você paga com obrigado para receber um favor. Ela é o próprio favor.
É a clareza de enxergar que a vida não é algo que acontece com você, mas algo que acontece para você.
​No fim, a oração que nada pede é a única que não corre o risco de não ser atendida. Ela já nasce vitoriosa, pois encontra o sagrado no agora, transformando o pão comum em banquete e o teto simples em santuário.
Suedson_Corey

​O erro humano é achar que o vácuo é ausência. Na verdade, o vácuo é a espera. Seus pulmões se esvaziam não para morrer, mas para criar a urgência do reencontro.
​Não olhe para o céu esperando mensagens cifradas em estrelas que já morreram há milênios. Sinta a pressão do ar preenchendo o espaço que, há um segundo, era nada. Se você precisa de uma prova da eternidade, perceba que você não "puxa" a vida — ela se precipita para dentro de você no momento em que você se abre. O sinal não está no brilho do sol, mas na fome de ar que o seu corpo sacia sem que você precise pedir.
Suedson_corey

⁠Houve um tempo em que o lugar de primeiro violino
me seduzia.
Qualquer preço por um lugar de destaque
em meu pequeno mundo...
Louvado sejas, Senhor, pelos dias que se fizeram
meses,
pelos meses que se fizeram anos,
trazendo-me um pouco da sabedoria Tua
que faz ver o mundo do Teu ponto-de-vista,
como um todo onde não importa o lugar na
orquestra,
mas o fazer parte dela,
de tal maneira que tua música encha a terra
e o coração dos homens...
Porque nas horas de provação,
de testes supremos,
de escolhas definitivas,
só uma coisa é absolutamente indispensável,
insubstituível:
a certeza de estar nas mãos de Deus:
nas Tuas mãos, Senhor!
Pode-se compará-la à pérola de grande preço,
que bem vale vender tudo quanto se ajuntou
para possuir...
Com tão preciosa provisão no coração,
levem-me os caminhos da vida aonde lhes aprouver,
apontem-me e aprontem-me o que lhes parecer
necessário,
e eu estarei tranquila,
aqui no meu 7°, 12° lugar...
Podem até apontar-me como alguém
que o regente desclassificou.
Mas que importa o que fazem as mãos dos homens
quando dentro do coração reina a certeza bendita
de estar nas mãos de Deus,
em tuas mãos, Senhor?

AMOR OU PAIXÃO

Paixão é o encanto pela vida.
Amor é a vida.
Paixão gera conflitos.
Amor gera soluções.
Paixão é agradecimento.
Amor é reconhecimento.
Paixão é um limite.
Amor é eternidade.
Paixão é ilusão.
Amor é real.
Paixão se ausenta.
Amor permanece.
Paixão é eu, você, as coisas...
Amor é nós.
Paixão é estático.
Amor se renova...cria...
Paixão escraviza.
Amor liberta.
Paixão cega.
Amor abre horizontes.
A paixão sonha.
O amor realiza.
Paixão gera medo.
Amor gera confiança.
Paixão é atração física.
Amor é atração total.
Paixão é monólogo.
Amor é diálogo.
Paixão vem do mundo.
Amor vem de Deus.
A paixão vê as cores da primavera.
O amor vê: as flores da primavera,
o sol do verão, o frio do inverno,
os frutos do outono.

Amar é estar apaixonado.
É estar encantado com a vida,
sendo a vida você.
É encarar os conflitos
junto com você.
É estar agradecido por
reconhecer em você a graça.
É respeitar o seu limite,
tornando-lhe única e eterna.
É poder saber que da minha ilusão
consegui tornar você real.
É sentir sua ausência
E pedir que fique.
É ver meu eu em você
E sentir que somos nós e que
tudo é nosso.
É parar no tempo... no espaço...
No pensamento... e ao mesmo tempo
Renovar... criar...
É estar escravizado em você
e sentir-se livre para lhe amar.
É estar cego para um outro
relacionamento por ter certeza que
você é o meu horizonte que se abre.
É viver sonhando com nossa realização.
É ter medo de lhe perder devido
a confiança que tenho em seu amor.
É sentir-me atraído pelo seu corpo
como parte íntegra do seu espírito,
da sua forma de ser.
É dizer a mim mesmo como eu lhe amo,
e por isso o quanto quero lhe falar.
É ver o mundo como um presente imenso
que Deus nos deu para nele vivermos
o amor.
É viver todas as estações do ano
com o colorido da primavera.
É dizer a você que estou apaixonado
por que lhe amo.

⁠#Se_Você_soubesse

Se você soubesse o quanto eu te amo
Não amaria outra pessoa
Se você soubesse quanto tempo fiquei na solidão
Acho que jamais me deixaria na escuridão

Se você soubesse o quanto eu sofri
Você jamais me faria chorar
Diria coisas bonitas para me alegrar
E jamias deixaria alguem me magoar

Se você soubesse que a minha vida é cheia de mágoas
Você jamais magoaria
se soubesse que não resta mais nenhum lugar para amar
Você saberia como me amar e mesmo prometendo planetas ,astros ,oceanos ,não preencheria o vazio que lá existe
Se você soubesse que o amor não é só feito de promessas
Você jamais prometia

Num mundo em que promessas são dúvidas
Ninguém paga antes que seja cobrado

#PrimeiroMcPoeta

Olha nos meus olhos, ninguém te deu o mapa da mina, e é por isso que o teu caminhar é mais pesado.
Enquanto tem cara que já nasce com o vento a favor, protegido pelo guarda-chuva dos contatos de ouro e com o futuro assinado em folha timbrada, você teve que aprender a andar na tempestade. Você não teve o empurrãozinho de ninguém, não teve o telefone certo para ligar na hora do aperto, nem o privilégio de errar sabendo que teria uma rede de segurança para te segurar.
A verdade é que a tua armadura está arranhada porque você está na arena, e não assistindo do camarote. Não deixa a falta de herança te fazer acreditar que você é menor. Você não está quebrado, você só está construindo o seu império com as próprias mãos, tijolo por tijolo, enquanto os outros ganharam o prédio pronto. O teu mérito não é herança, é cicatriz. E orgulho nenhum se compra com o dinheiro dos outros.

Amor Julgado

Dizem que o amor nasceu do erro,
que foi pecado antes de florescer.
Apontaram dedos, fizeram mistério,
sem conhecer o que havia no viver.

Ela carregou o peso das palavras,
ele vestiu o silêncio por proteção.
A cidade fez do boato uma verdade,
e condenou dois corações sem explicação.

A família ergueu muros de orgulho,
jurou que aquele amor não teria lugar.
Entre lágrimas, despedidas e medo,
os dois escolheram se afastar.

Cada um seguiu por um caminho,
mas nenhum conseguiu esquecer.
Porque há amores que o tempo separa,
sem jamais conseguir vencer.

Ela sorri, mas o olhar denuncia
que existe alguém morando em seu peito.
Ele vive tentando seguir a vida,
mas o destino nunca desfez aquele efeito.

O tempo levou fotografias,
apagou pegadas pelo chão.
Mas não encontrou um jeito de arrancar
o nome um do outro do coração.

Talvez o mundo nunca compreenda,
talvez a razão jamais possa explicar.
Há histórias que terminam na estrada,
mas continuam vivas no olhar.

Porque o verdadeiro amor, às vezes,
não precisa morar no mesmo lugar.
Basta existir em duas almas
que nunca deixaram de se amar.

E se um dia a vida for generosa,
e o destino resolver sorrir também,
talvez descubram que alguns amores
não pertencem ao passado de ninguém.

São eternos, mesmo em silêncio.
Vivem escondidos na lembrança e na saudade.
Pois há despedidas que encerram um caminho,
mas nunca conseguem acabar com um amor de verdade.

⁠como um espelho no sol
os olhos queimam
e eu já não consigo enxergar
a luz penetra irresistível
a pupila se esvai
tombo assombrada
com minha própria desilusão
como um espelho no sol
a água flui
pelas maçãs descoradas
da minha face
confunde-se entres os vales
mergulha em minhas entranhas
liberta-me a solidão
como um espelho no sol
o equilíbrio desvanece
subo em montanhas macias
confundo-me em fantasias
a pele e o pelo enrijecem
canto o som dos tementes
cego-me pela canção
como um espelho no sol
nada enxergo
tudo vejo
ao encontrar-me espalhada
pelo vasto
pelo nada
da minha própria imensidão

A escolha do que comer é de cada um!
Estou feliz com a minha! Sinto compaixão pelos animais independente de permissão para comê-los, e sinto que é um bom sentimento, escolhi essa vida pra mim. Consigo sentir isso por qualquer pessoa e espécie desta Terra, me sinto bem, aliás muito bem cheio de amor.

⁠união de nós dois


Em um lugar bem distante em que uma princesa linda vivia, havia um homem que procurava encontra-la, sem saber que ela existia.

Foi quando o acaso premiou de sorte dois belos destinos.

E um lugar comum, artificialmente produzido, promoveu a chance de seus olhos se encontrarem.

Na conversa havia sintonia, e por isso em pouco tempo, pareciam íntimos.

Reações químicas revelaram afinidade já no primeiro encontro, e antes que se beijassem havia chamas nos olhos que se encaravam.

A princesa, de boca formosa e um sorriso lindo, era magerrima e esbanjava graciosidade no caminhar.

Dona de uma voz doce, suave e extremamente única, o encantava por cada palavra que dizia.

O homem, dividia sua atenção, ora contemplava a boca, ora contemplava os olhos , enquanto a ouvia.

havia uma diferença na idade dos dois, mas igualmente a altura, que em nada prejudica, a diferença etária não lhes era impeditivo.

Nesta fase, o romance dos dois durou pouco, mas a amizade adquirida permanecia.

Houve um afastamento necessário, mas mensagens de amizades voltaram a serem trocadas com o tempo.

A amizade era sincera, mas eventuais encontros, pareciam flashback do romance que existiu.

A química era recíproca e indisfarçável, coisa que aguçava o imaginário dos dois.

Aquele homem se sentia grato a princesa, por ela ter sido importante em um deserto difícil que o tal homem atravessou.

Movido de gratidão, certo dia resolve a amiga presentear.

Chocolates e guloseimas, mimos que fariam a princesa se alegrar , pois para o homem, vê-la sorrindo, o fazia bem ficar.

Certa noite, a distância de alguns anos era rompida por uma ligação que antecedia o encontro físico dos dois.

Como era linda a princesa da boca formosa, que trazia um sorriso lindo que brilhava na mesma intensidade de seus olhos.

Na noite de um domingo, depois de uma prazerosa conversa durante um lanche, um novo flashback do antigo romance, ou uma prolepse do que iria surgir, aconteceu no carro com beijos que precediam a despedida dos dois.

Novos encontros foram marcados, e presente em todos eles, uma chama que preexistia de uma química não deletavel pelo tempo.

Em um desses encontros a força da Natureza bloqueou estradas, criando caminhos para uma intimidade desejada.

Uma nova fase se iniciava, e os encontros tornaran-se mais frequentes, ao passo que a paixão dos dois só crescia.

Muitos lugares juntos conheceram, passeios, diversão e romantismo tem feito parte desta jornada.

Ela, o faz sorrir, e ele a deixa encantada, declarações, flores e chocolates são privilégios de casais apaixonados.

Sempre que um final de semana se aproxima, cresce a vontade de ter a distância diminuída.

E quando ocupam o mesmo espaço, os corações falam através de olhares, e as vozes se calam por intensos beijos.

A lei da física é desafiada, sente-se a expansão do corpo, proporcional ao fogo que se espalha.

Um novo e lindo casal é formado, a princesa, que é uma morena linda e o homem que a procurava.

Nessa história ainda há muito que se contar, os dois unidos, há muito fogo, e não falta lenha pra se queimar.

Saíram de seus mundos para um novo mundo, juntos formarem.

E a bela e linda princesa, fez do homem o seu príncipe encantado.

⁠DANÇA SOLITÁRIA


Romantizar o mundo
É ser tragado por ele
É ser devorado por lobos
É insistir numa inocência
Que já não existe...
Eu guardo em mim
Meu romance...
Em uma luta brutal
Onde, o devorado da vez
É o amor nas coisas
Que deixei ir
E as que insistiram em ficar
Dançam na linha tênue
Da insignificância
Do infortúnio de estarem
Pois, há muito tempo
Já não sou mais eu
Mas, o eu que quer ficar,
Dança, uma dança, solitária!

OLHAR DO TEMPO


Não posso, e nem quero, olhar a vida alheia, muito menos julgá-la: afinal, também tenho meu teto de vidro!
Eu observo, isto sim, o tempo que corre velozmente e me expõe nu...
A fadiga que hoje me pesa nos ombros, eu a criei. E das sementes que plantei, busco regá-las. Mesmo que não colha os melhores frutos, estarei pronto para a colheita, no tempo certo!
O tempo é o próprio jogo da vida. Rebuscar o passado requer coragem, exige nobreza; é uma questão de honra!
Ensinaram-me valores tais que me perdi neles. Não por culpa de outrem, mas pela minha própria visão tacanha sobre o mundo.
Eu vivo as ilusões que me foram ensinadas e busco aperfeiçoá-las, de modo que tudo que vejo se torne belo. Não para mostrar aos outros o caminho da felicidade, mas para provar a mim mesmo que também erro quando falho em entender os porquês da vida!
Eu ouço o despertar do relógio, e são 6 horas...
Logo mais, ouço o badalar dos sinos, e são 18:00 horas. Comprazo-me com o tempo: ele foi ajeitado em compassos lentos nos ponteiros do relógio... mas a vida... a vida passa, dando sinais de que o tempo que me resta jaz confinado neste corpo. Um corpo pueril e condenado à dor; a dor que eu não queria sentir, mas que, por consequência das horas, se desfaz involuntariamente nas veladas marcas do tempo.

⁠Crônica: O Mapa dos Textos Inacabados


Existe uma tirania da página completa. A exigência de que o pensamento seja redondo, a frase, lapidada, a ideia, finalizada e assinada com um ponto inquestionável. Mas a vida, convenhamos, não é feita de tratados; é feita de sussurros interrompidos, de notas de rodapé que nunca chegaram ao livro e de rascunhos rasgados.
Aqui reside o poder dos pequenos textos inacabados e eficazes, intrépidos e vorazes que falam sobre você.
Eles são a nossa verdade mais bruta, a confissão não autorizada pelo censor interno. Pense nas listas de supermercado rabiscadas, que revelam não apenas a fome, mas a pressa, a desorganização charmosa, a prioridade daquele dia. Pense nas mensagens de texto digitadas e apagadas, aqueles dez segundos de fúria ou de amor inarticulado, que morreram no limbo digital, mas que continham a essência do que a sua alma gritava.
Esses fragmentos são eficazes porque ignoram a burocracia do bom-tom. Eles não têm tempo para introdução, desenvolvimento e conclusão. Vão direto ao ponto nevrálgico: o desejo, a dúvida, o pico de alegria. Um haicai mental que, por sua incompletude, nos força a preencher as lacunas, convidando-nos à intimidade.
São intrépidos porque ousam ser feios. Ousam ser mal escritos, gramaticalmente incorretos, ou até mesmo incompreensíveis para qualquer um que não seja o seu criador. Eles quebram a regra de que a arte deve ser perfeita. São a prova de que a vida é um borrão maravilhoso, e não uma aquarela de precisão cirúrgica.
E são vorazes. Devoram a máscara social. Enquanto o seu currículo, sua biografia e seus posts cuidadosamente filtrados buscam construir a imagem de quem você gostaria de ser, o texto inacabado revela quem você é. Ele carrega o cheiro da ansiedade que o fez acordar às três da manhã e o arrepio do insight que durou apenas um instante.
O Ser Humano, afinal, é um projeto inacabado. Somos a eterna promessa, nunca a realização total. E é por isso que esses pequenos textos, que não pedem licença e não esperam aplausos, são os mapas mais honestos. Eles são os vestígios da sua mente em estado de fluxo, a prova de que a maior poesia está no que não foi dito por inteiro.
Portanto, olhe para os seus fragmentos. Eles não são falhas. São o seu diário mais íntimo, a crônica mais verdadeira de quem você ousou ser, mesmo que por apenas um instante e meia linha. A incompletude é a sua assinatura mais autêntica.
Esta incompletude é também um ato de resistência contra o "culto do impecável". Vivemos na era da curadoria da vida, onde tudo deve ser filtrado, editado e exibido como uma peça de museu. O fragmento, no entanto, recusa o palco; ele reside na margem do caderno, no verso do guardanapo manchado, na nota de voz que é cortada pelo barulho de um carro. Esse é o seu território sagrado: o não-lugar da performance.
Nesses nichos de verdade, a clareza chega como um raio, intrépida, e se esvai antes que possamos vesti-la com palavras adequadas. O texto inacabado é o registro exato desse instante fugaz de lucidez, antes que a razão o domestique. Ele é um pacto consigo mesmo: a promessa de uma ideia que talvez nunca se concretize, mas que foi, no seu nascimento, absolutamente vital. É o seu código secreto, a sua língua franca com o seu próprio inconsciente. E é justamente por serem inacabados que eles permanecem vivos. Se estivessem completos, seriam memória; como fragmentos, são eternas possibilidades. Somos todos, no fundo, a soma voraz desses pequenos textos à espera de um final que, poeticamente, nunca chegará.
E é nessa espera, nessa promessa suspensa, que encontramos a liberdade mais pura. O texto completo é um corpo fechado; ele não pode mais mudar, não pode mais se contradizer. Sua verdade é finita. Já o fragmento, o pequeno texto voraz, mantém todas as suas portas e janelas abertas. Ele carrega consigo o peso do "ainda não", a energia do "e se". Essa incompletude nos obriga a voltar, a tentar de novo, a continuar o diálogo com a página, com a vida. No fundo, a crônica da nossa existência é apenas uma coleção de começos brilhantes e meios confusos. E o maior ato de autoconhecimento é amar esse caos, reconhecendo que a única forma de o Ser Humano não se tornar um objeto de museu, frio e intocável, é permanecer, para sempre, um rascunho apaixonado.
O nosso legado, quando partirmos, não será a obra terminada que deixamos sobre a mesa, mas sim a pilha de papéis a meio. Não é o livro publicado, mas a anotação na margem que revela a dúvida mais íntima do autor. O que fala verdadeiramente sobre nós é o conjunto de pontos de interrogação que não conseguimos resolver, as ideias que foram grandes demais para caber numa única frase. São esses fragmentos de pensamento, carregados de vida não vivida e intenção pura, que se tornam convites para quem vier depois. São a nossa maneira de dizer: "Continue, a história não é minha, mas nossa". E assim, nesse mapa voraz e intrépido de textos inacabados, encontramos a nossa mais profunda e mais humana imortalidade: a de sermos possibilidade até ao último suspiro.

A solidariedade, a fraternidade são palavras muito esquecidas e pouco utilizadas no dia-a-dia e, muito pior, pouco experienciadas, mas, como transformadores do mundo, temos a obrigação de fazermos a nossa parte mudando o nosso pequeno mundo.
Sei que mudar os cacos de lugar não é tarefa muito fácil, mas reformar-se sempre, também, configura-se numa premissa imperativa para a nossa caminhada. Sabedores que não iremos conseguir fugir das carquilhas das nossas faces, ao menos, sintamos o alívio de tê-las adquirido sob a batuta do Nosso Senhor e na tentativa de sempre fazer o bem.

FIM DO ESPETÁCULO

Não me encantam as rosas obtidas pelo excesso das possibilidades e muito menos as palavras colhidas sem o resultado da vida ida.
Não abarrote os vazios sutis da minha alma com a possibilidade “do vir a ser” e não escriture promessas sem o compromisso das realizações.
Preciso do agora e, ele, não é dirimível frente aos tantos apelos desatendidos.
Eu quero e sei estar querendo o irrealizável neste contexto sem nexo que revela a falta de sintonia dos tempos que vagueiam sem nós.
Avante, mas sei que alguns pedaços ficam e outros seguirão feridos.
Inteiro, talvez, jamais, mas não posso ficar sem mim.
Anseio um canto sem os cantos tristes desta sonoridade abrupta de acenos que desencantam o meu canto de mundo.
Quero o irrisório, mas preciso disto mesmo sabendo que o amor pretendido seja, para muitos, coisa banal.
Não me alimento de coisas superficiais e não me visto com as máscaras fétidas da hipocrisia, talvez, por isso, o palco tenha sido desfeito e o espetáculo findara.

⁠#TÃO #ASSIM...

Um olhar tão profundo...
Querendo descobrir o mundo...
Um sorriso..
Uma atenção...
Alguém para alegrar...
O coração...
Na tristeza que vê...
Tanto a esconder...
Na luz que incendeia...
Torvelinho em cadeia...
Não consegue manter...
O sustento que deseja...
Tem medo que vejam...
A sua pena...
Foge e disfarça...
A sua graça...
Espelho da alma...
Ah quem dera...
Nesse olhar me entregar...
Me perder...
Me encontrar...
Diria eu...
Com alegria...
Que assim seria...
Tão feliz...
Em lhe amar...
Todos os meus dias...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Se o amor for grande...
A espera não será eterna...
E a distância será vencida...
Os carinhos serão doces e suaves...
Os beijos profundos e cheios de valor...
E os abraços calorosos e confortantes...
Perguntas serão respondidas...
E as palavras poderão ou não ser ditas...
Talvez não seja um amor eterno...
Mas que seja um amor verdadeiro...

Sandro Paschoal Nogueira

Ela está viva… mas, para mim, é como se tivesse morrido. Caminha pelo mundo, respira o mesmo ar, talvez sorria para outros rostos... e ainda assim, dentro de mim, vive apenas o eco do que fomos. Eu a perdi não para a morte, mas para a distância, para o tempo, para o destino que decidiu que o meu amor seria eterno e silencioso. Vivo em luto por alguém que ainda existe.


A saudade me habita como uma doença que não mata, mas também não permite curar. Penso nela todos os dias, como quem toca uma ferida só para ter certeza de que ainda sente. É uma presença que não me abandona, entranhada (literalmente) na pele, nas lembranças, nos espaços entre um pensamento e outro. Ela é ausência e companhia ao mesmo tempo... o fantasma mais vivo que já existiu.


Não há rituais para esse tipo de morte. Ninguém me consola, porque ninguém entende que ela ainda está viva. Mas dentro de mim, algo se fechou... um túmulo de memórias onde repousa o amor que nunca deixou de respirar. A cada batida do meu coração, ouço o murmúrio de tudo o que poderia ter sido, e não foi.


O tempo tenta me convencer a seguir, mas o amor não obedece ao tempo. Ele é teimoso, indisciplinado, cruel. Cresce nas ruínas, floresce no impossível. E eu sigo, condenado a amar uma lembrança viva, a beijar um nome no silêncio, a conversar com uma ausência que me responde dentro da alma.


Há quem morra e deixe saudade; ela, não. Ela ficou viva, e isso é o que mais dói. Porque o mundo pode tê-la, mas eu a carrego no coração como se fosse minha morta particular... uma morta que respira em outro lugar, que sonha outro sonho, mas que nunca deixou de me habitar.


E assim vivo: metade homem, metade lembrança. Um viúvo de alguém que ainda está vivo. Um sobrevivente de um amor que o tempo tentou sepultar, mas que, teimosamente, insiste em renascer em cada amanhecer.