Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Eu não sei sentir sem sentir muito.
Não sei querer se não for por inteiro.
Não sei ser, se for para ser pela metade.


Carrego intensidade até no silêncio, verdade até no que calo, entrega até no que temo.


Por isso me pergunto: por que me invades?
Se sabes que, quando entras, nada em mim permanece raso.
Tudo transborda. Tudo ganha nome. Tudo pede permanência.


Porque em mim, o pouco nunca soube morar.

Minha querida,


Essa intensidade que carregas nem sempre é chama. Às vezes, ela pesa. Às vezes, ocupa todos os espaços dentro de ti e faz parecer que nada mais existe além do que sentes. Enquanto o mundo segue lá fora, tu te vês parada, imóvel, como quem observa a vida de longe sem conseguir tocá-la.


Eu sei que desejas voar. Sei do impulso que existe em ti, da vontade de viver, de sentir o vento, de alcançar horizontes novos. Mas também sei que, por vezes, tu olhas para as próprias asas e acreditas que estão quebradas.


Escuta-me com carinho: talvez elas não estejam quebradas. Talvez estejam cansadas. Talvez feridas. Talvez recolhidas pelo excesso de peso que tens carregado em silêncio.


Não te condenes por isso. Não te chames de fraca por estar parada. Há batalhas que ninguém vê, cansaços que não aparecem no corpo, dores que se escondem atrás de um rosto quieto.


Tu não foste feita para viver apenas dentro de ti. Existe vida te esperando do lado de fora. Existe beleza, encontro, recomeço e caminhos que ainda não conheceste. Mas, para alcançá-los, primeiro precisas abrir algumas janelas por dentro.


Não precisa acontecer tudo hoje. Começa pequeno. Um passo. Um gesto. Um respirar fundo. Um pouco de sol no rosto. Um cuidado contigo. Uma palavra honesta. Um pedido de ajuda, se for preciso.


Lembra-te: o voo nem sempre começa no céu. Muitas vezes, ele começa no chão, no instante em que decidimos nos mover apesar do medo.


E nunca esqueças disto: tu não és a tua prisão. Tu és também a porta.


Com amor,
De mim para mim

Enquanto existo só em mim, carrego duas vontades: a de morrer… e a de viver de verdade. Não apenas passar pelos dias, não apenas respirar por obrigação, não apenas sobreviver. Quero tudo o que a vida ainda me permite tocar, sentir, descobrir e construir.


Mas há também essa desistência silenciosa, que tantas vezes me faz abrir mão de tudo antes mesmo de tentar. Uma força escura que me convence a parar, a recuar, a aceitar menos do que minha alma deseja.


Que morra em mim essa desistência. Que cesse esse hábito de abandonar sonhos, caminhos e a mim mesma. Porque não nasci para apenas suportar os dias. Nasci para habitá-los.


Enquanto travo essa batalha invisível, sigo sobrevivendo um dia de cada vez. E às vezes isso já exige uma coragem imensa. Há dias em que levantar é vitória. Há dias em que continuar respirando já é resistência.


Mas no fundo de mim ainda pulsa algo que não se rendeu. Uma centelha que insiste em querer mais, em querer vida inteira, em querer verdade.


Talvez seja por ela que ainda sigo aqui.
E talvez seja ela que, no tempo certo, me ensine a viver — não só existir.

Casa de taipa.
Feita de barro, mãos e memória.
Erguida entre o vento e a esperança, sustentada mais por coragem do que por paredes.

Nela, cada rachadura conta uma história, cada canto guarda um silêncio antigo, cada porta conhece quem chegou cansado e quem partiu sonhando.

Casa simples aos olhos de muitos, mas imensa para quem entende que riqueza também mora no afeto.

Porque há lares de concreto que nunca aquecem…
e casas de taipa que abraçam como colo de mãe.

Passei tanto tempo colocando a dor no bolso, escondendo meus próprios problemas, porque os meus nunca pareciam prioridade. As circunstâncias sempre faziam da necessidade do outro algo maior, mais urgente, mais digno de atenção.


Até que veio o acúmulo. E com ele, a implosão
silenciosa, mas devastadora, causando danos profundos.


Agora estou aprendendo qual é o meu lugar de prioridade dentro da minha própria vida. Aprendendo a dar passos que antes nunca me foram permitidos.


Mas hoje surge um novo dilema nas circunstâncias da vida: minha dor já não cabe mais no bolso. Ela transborda, aparece até no silêncio. Tento guardá-la em uma gaveta, mas até essa gaveta está quebrada. E, ainda assim, a prioridade segue sendo cuidar de uma dor física, visível, aquela que todos conseguem enxergar.


E a que ficou em mim?
A que implodiu por dentro?


Existe forma de impedir que os danos ultrapassem os limites do aceitável, quando se viveu tanto tempo sem saber se colocar no próprio lugar?

Engana-se quem julga a Depressão como doença de alguém frágil. Muitas vezes, ela habita justamente quem suportou demais em silêncio, quem guardou dores para si, acumulou cansaços, varreu feridas para debaixo do tapete e colocou a própria dor no bolso para cuidar depois.


A Depressão costuma chegar como um grito silencioso, um pedido de socorro daquilo que foi negligenciado por tempo demais. Surge como limite, convocando a pessoa a reorganizar a bagunça emocional acumulada dentro de si, quando o corpo e a mente já não conseguem sustentar tanto peso calado.


É invisível aos olhos de muitos, mas profunda e devastadora para quem a enfrenta. A Depressão é como um câncer na alma: silenciosa, corrosiva e, muitas vezes, letal em seus efeitos.


Por isso, não é fraqueza, não é drama, não é falta de vontade. É sofrimento real que precisa de acolhimento, escuta, cuidado e tratamento.

A bondade é a mais bela linguagem do universo.
Ela alcança lugares onde palavras não chegam, toca feridas invisíveis e devolve luz até aos dias mais escuros.

Deus é bom, todo o tempo.
E o tempo todo, Sua bondade continua encontrando formas de nos lembrar que ainda existe beleza, cuidado e propósito mesmo em meio ao caos.

Às vezes nos quebram por inteiro por termos sido bons, por confiar, por entregar bondade a mãos erradas.
E dói… dói perceber que aquilo que oferecemos com verdade foi recebido sem cuidado.


Mas como deixar de ser bondade, se Deus nos ensina justamente através dela?
Sua graça nunca foi sobre merecimento. Sua misericórdia nunca escolheu apenas quem acertou.


Talvez o maior desafio não seja continuar acreditando nas pessoas…
Mas continuar preservando a essência que Deus colocou em nós, mesmo depois das decepções.


Porque o mundo pode endurecer alguém.
Mas existe uma força imensa em permanecer luz, mesmo depois de ter atravessado tanta escuridão.

A realização é a contrapartida do desejo; ela nasce dele, cresce através dele e só encontra sentido porque, antes, existiu algo pulsando por dentro, pedindo para acontecer.
Ninguém realiza o que nunca desejou de verdade. Até as maiores conquistas começaram como ausência, vontade, inquietação.

O desejo é a centelha.
A realização é o fogo alcançando forma.

E talvez seja por isso que viver também doa às vezes: porque desejar exige coragem. Mas é justamente essa coragem que move a vida, cria caminhos e transforma o impossível em algo tocável.

A realização é a contrapartida do desejo; ela só existe porque antes houve algo queimando em silêncio.
Um impulso. Uma vontade. Um corpo inquieto imaginando toque, presença, entrega.

Tudo que arde demais dentro da gente procura um jeito de existir fora.
O desejo provoca, percorre a pele antes mesmo das mãos, invade pensamentos, cria cenas, acende faltas.

E a realização…
ah, ela é quando aquilo que incendiava por dentro finalmente encontra corpo, boca, calor e coragem para acontecer.

Porque existem desejos que não nasceram para permanecer imaginados.
Nasceram para serem sentidos até o fim.

Eu sei o que você quer…
consigo sentir no jeito que me olha, nas entrelinhas, no silêncio que tenta esconder o que arde.

Mas quero te ouvir me pedindo.
Quero ver teu desejo perdendo o controle devagar, tomando coragem, deixando de ser pensamento para virar vontade dita, assumida.

Porque existe algo absurdamente provocante em alguém que tenta resistir… até não conseguir mais.
E, sinceramente?
A forma como você me pedir talvez me acenda ainda mais do que o próprio desejo.

Só se vê bem com o coração. O essencial quase nunca se entrega aos olhos apressados.

Há coisas que não se explicam pela aparência, nem se alcançam apenas pelo toque das mãos. É preciso sensibilidade para perceber, calma para enxergar além da superfície e alma para tocar aquilo que não se vê, mas se sente.

Olha pra mim.


Olha para o que me tornei ao longo desses três anos. Não para alguma versão antiga de mim, nem para expectativas guardadas em alguma gaveta do passado. Olha pra mim, agora. Nos meus olhos. No que existe diante de você.


Percorre com calma a textura do que venho me tornando. Passa os olhos pelo meu corpo, pelo meu semblante… e não se assusta.


Quero que me decifre. E eu não tenho dificultado a tua leitura. Estou aqui, me revelando inteira, com falhas, cicatrizes, vulnerabilidades e verdades que nunca souberam mais se esconder.


Olha pra mim.


Entra pelos meus olhos e percebe o que a tua ausência causou em mim. Tenho queimado por ti em silêncio há tanto tempo… Me toca, não só com os olhos.


Olha pra mim e vê se consegue enxergar o tamanho do que te guardei, de tudo o que ficou aqui, apertado no peito, esperando um lugar para existir.


Estende as tuas mãos e me puxa pra junto de você. Me sacode. Baila comigo. Me faz sentir que ainda existe espaço para nós em algum canto do teu caos.


Olha pra mim e vê se consegue se enxergar, nem que seja um pouco, ao meu lado… nos teus sonhos, nas tuas vontades, nos teus dias distraídos.


Vê se eu caibo aí, nessa tua bagunça bonita. Me encaixa. Me ajeita. Ou simplesmente me permita encontrar abrigo em ti.


Mas, antes de tudo… olha pra mim.

Hoje não estou muito bem.


Há um barulho dentro de mim que ninguém ouve. Por fora, tudo parece seguir seu curso. Por dentro, os pensamentos se atropelam, as lembranças se misturam e o coração tenta organizar um caos que não cabe em palavras.


Carrego o peso de tudo o que precisei esconder. Das emoções que foram empurradas para as gavetas da alma porque não havia tempo para senti-las. Das sombras que aprenderam a morar em silêncio, atrás de portas que eu mesma fechei para conseguir continuar.


A noite sempre parece saber onde essas portas estão.


O frio toca o que passei o dia tentando aquecer. E, enquanto o mundo desacelera, minha mente percorre corredores que eu gostaria de evitar. Luto para manter tudo em equilíbrio, porque hoje não posso me permitir cair. Há responsabilidades, há caminhos que ainda precisam ser percorridos.


Mas sentir não pede licença.


Mesmo tentando seguir, eu sinto. Sinto o peso, o vazio, a exaustão de quem passou tanto tempo sustentando o próprio mundo que já nem sabe mais como descansar.


Talvez amanhã tudo pareça um pouco mais leve. Hoje, porém, só consigo admitir que existe uma batalha silenciosa acontecendo dentro de mim.


E, mesmo cansada, continuo caminhando.

No outono, nos dias de frio que parece inverno mas que o sol brilha forte no céu azul, aprendemos que o nosso corpo sente o frio como resultado da perca de calor para o ambiente que está mais frio. Não há outra alternativa precisamos encontrar meios de nos aquecer e repor a nossa temperatura, caso contrário, podemos em situações extremas a que somos submetidos, até morrer de hipotermia.
Assim também acontece na nossa vida, por maior que seja a nossa fé e, por maior que seja nossa alegria em estar vivo, não há meios de sobreviver isolado do mundo. Ninguém sobrevive sozinho. É necessário termos amigos. Eles nos aquecem de esperança e nos repõe a ternura que o mundo nos retira.
E só assim podemos seguir.

⁠O despertar do casulo...

Eu consigo contar nos dedos o pouco de pessoas que sabem o quanto exponho no papel e nas entrelinhas o que sinto...
Poucos que conhece a verdadeira Ana, uma metamorfose...
Tão meiga e tão erupção!
É difícil postar algumas coisas que eu mesma faço, a verdadeira frase: Sair do casulo! Nada fácil expôr o que vem guardado a sete chaves com cadeados e correntes, apenas pelo fato de eu não deixar que as pessoas me vêem do jeito que sou. Fui blindada, aprendi a me permitir ser blindada...
Foram tantas as feridas e cicatrizes curadas, tantas as decisões e dúvidas. Tanto o expor como o omitir.
Bem, venho em um novo ciclo da minha vida do recomeço do reinventar.
Coragem de sair da zona de conforto, de se arriscar, de se lançar, se “olhar” e buscar aparar as arestas que todos temos: defeitos, medos e alguns sentimentos considerados “nada nobres” - mas que são humanos e, muitas vezes, legítimos - em busca da superação. Para isso é necessário essa dose de coragem e se permitir viver a metamorfose e deixar a vida de lagarta para virar borboleta.
Mas imagino que para a lagarta, se aquietar e ficar durante algum tempo abandonando a velha “roupagem” sem a certeza de como serão as novas asas, deve ser um grande desafio! Um misto de incerteza, medo, confiança e fé em si mesma! E aí em fim – sair do casulo - alçar voo! Poder olhar o mundo de outro ponto de vista, acima e mais abrangente, com a certeza de que se arriscar a deixar o comodismo em busca da completude, vale à pena!
Sem mais...

Coleção de Fracassos


Diga-me, coleção de fracassos,
quantas histórias ficaram pelo caminho?
Quantos sonhos morreram em silêncio,
antes mesmo de encontrar abrigo?


Ainda jovem demais para amar no colégio,
carregava uma mente inocente
em um corpo que já anunciava a vida adulta.
Eu não sabia os caminhos,
não entendia os sinais,
não causei a impressão que desejava.


O tempo passou sem pedir licença.
Hoje carrego uma mente cansada,
como se um velho habitasse meus pensamentos.
Conheci muitos rostos,
muitos abraços,
muitos amores passageiros,
alguns oferecidos pelo destino,
outros comprados pela solidão.


Mas existe uma coisa que nem o tempo devolve:
a juventude perdida.
Aquele garoto que não sabia amar,
que tinha medo de tentar,
ficou preso em algum lugar do passado.


E talvez o maior fracasso
não tenha sido perder algumas histórias,
mas perceber tarde demais
que algumas oportunidades
só passam uma vez.

A chuva cai torta
Como as minhas lágrimas
Na direção do vento
Escorrendo pelas calçadas

As pétalas voando
De um buquê de flores
Que eu nunca ganhei
E não fico esperando

Passaram lindas
Girando como em uma dança
E leves como o coração
De uma criança

O meu choro era pesado
Pesava mais que uma nuvem carregada
Porque levava a tristeza
Que também escorria pela calçada

Um dia daqueles
Que o sol já não brilhava
Que meus olhos não sorriam
E o silêncio dominava

Dominava até mesmo
O barulho dos trovões
Que caiam do céu com raiva
Mas eu só via os clarões

Iluminavam os meus olhos
Me faziam pensar mais
Será que existe outro caminho?
Ou só cair como a chuva faz?

⁠enquanto insisto,
desejo pensar que,
nada mais é que um desejo.
Insisto, persisto !
. . então percebo que meu sentimento,
é a saudade de um instante
que nada mais é, que a vontade inexplicável de estar.
Não diria, é verdade !
nem mesmo assim sei que sou seu destino em um instante de felicidade.
mas sei que esse instante me completa
nem sei porque !
mas sei que . . .
amo esse alguém que me faz sentir saudade.
verdade . . .
poderia ser você . . .
poderia ser alguém . . .
poderia ser até mesmo a saudade .
Sinto a falta de um amor de verdade.

Eu tenho inúmeras razões para ser grata.
Sou grata pelo dia de hoje, por todas as bençãos e livramentos na vida dos meus amigos e na minha.
Sou grata por cada pessoa que tive e tenho a oportunidade de conhecer...
Grata pelos corações lindos que Deus tem unido ao meu...
Grata por poder acordar e descansar todos os dias com a certeza de que mais e mais pessoas e situações lindas surgirão em minha vida e me tornarão ainda mais forte, ousada e feliz.