Textos sobre Dor
FUGITIVO DO AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Desenhei este amor pra brincar de sofrer
uma dor colorida e com traços velados,
pra viver um enredo que valesse a pena
e ter sonhos alados; distantes do chão...
Tive medos tecidos em linhas de vento,
nostalgias voláteis de puro frescor,
dei ao meu sentimento a duração serena
do sentido que a vida permitiu fazer...
É por isso que agora preciso sair;
minha mãe já me chama para tomar banho,
almoçar e cair no cochilo da tarde...
E também é melhor não apanhar da vida
por brincar em excesso e me ferir a sério
no mistério do amor que supera o brinquedo...
AMAR DE NOVO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já morri de vontade; raiva; dor... de frustração e nostalgia. De frio e sede. Mas também já morri de alegria, esperança, tensão e ansiedade... morri de muito esperar.
Foram muitas as versões desencontradas e vertiginosas das quais morri a vida inteira. Morri da ideia de morrer, e de viver uma só vez as emoções que uma vida não comporta. Muitas vezes morri de prazer, porque o chão que se abriu aos meus pés me sugou completamente e fez perder os sentidos. Nesse dia percebi o sentido que o próprio mundo não tem, sem essa perda pontual de sentidos.
Já morri de saudades do seu beijo. De quando morri de tanto amor. Tanto sonho marcado para morrer. Tive medo e morri de solidão. Morri de medo. Inclusive de medo da solidão. Mesmo assim, fui teimoso e reservei o melhor para te matar de pasmo. Provar meu poder de superação. Superação da separação...
Só agora revelo este segredo: depois de tanto morrer, estou vivo. Vivo e pronto para o que ainda pode ser. O motivo é todo meu. Revelo não... ele pertence ao coração.
DOR DE NÃO DOER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
No lugar da saudade não sentida
um abismo de sonhos defasados,
uma vida sem nada pra lembrar
do passado que nunca foi presente...
A saudade que tenho é da saudade
que jamais alcançou meu coração,
é daquela emoção que faz chorar
pelas voltas em tempos bem vividos...
Fico triste porque faltam tristezas,
dói sentir que não há por que sentir
que a beleza de outrora está no vento...
Não há como viver sem a magia
de se ter nostalgia pra voar
lá nos tempos que a vida fez valer...
TEU...
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fui mais teu do que a voz é do tenor;
do que a dor é da carne, o dom da alma;
ou a palma da mão, a paz do monge,
mais que o longe pertence ao vasto azul...
Era teu como a farsa dos poderes,
como nunca fui meu com tanto empenho,
um engenho pertence ao seu senhor
e ao mesmo senhor pertence o servo...
Na verdade nem sei como fui teu,
mas fui mais do que o sonho é do poeta,
do que a reta se rende ao horizonte...
Só eu sei como eu era, e quão não sei;
tão sem lei, tão além do que se é;
fui mais teu do que a fé não é do ateu...
DOR DE SOLIDÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Meu olhar serpenteia por entre seus olhos,
arma o bote na calma de minha tensão,
pra sugar no silêncio desta timidez
o que seu coração talvez queira dizer...
Novamente me acanho, só me assanho em sonho
e por mais que me chame pra fora de mim,
mais me ponho em meus medos de não ser feliz
nos engenhos guardados pra quando não sei...
Mas também pode ser que seu ser sequer tenha
uma lenha viável pra chama que trago,
um afago na força do meu bem querer...
Minha voz trai meus olhos e cala o calor,
volto cheio de nada, vazio de tudo
que tentei dar à dor de minha solidão...
DECISÃO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Quem tem apego à existência, sente a dor sem sentir doer o bastante para levá-lo a desistir. Chora sem lamúria e não deixa que a doença o adoeça. Que a própria solidão o torne alguém irremediavelmente só. Muito menos que a morte o acometa por toda a sua vida.
Viver bem tem muito a ver com abrir mão de qualquer grau de autopiedade. Com nunca se abandonar por nada e ninguém. Isso ocorre quando passamos a não deixar que o sofrimento seja, exatamente, um sofrimento para nós. A vida é uma decisão que precisamos tomar.
DEPRESSÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Faz de conta que a dor é "nem doeu";
a tristeza não cabe à luz dos olhos;
há um eu que supera qualquer flanco
pra sorrir nem que seja de sarcasmo...
Depressão que reage; faz poemas;
fotografa e se admira sem roupa;
que se poupa de choros e queixumes
pra ninguém lhe ferir de piedade...
E reprime a si mesma com estilo
e confessa os complexos com honra,
dando asilo a lembranças superadas...
É carência escondida em autoestima;
um pra baixo pra cima por viver
sem chegar ao abismo antes da hora.
CORAÇÃO VIOLADO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Dei amor que não tive ou tive só pra dar,
minha dor foi mentir com tal sinceridade,
por amar como preço e com peso de cruz,
construir a verdade que jamais foi minha...
Fiz amor que não era, tive o compromisso
do prazer que devia e não pude negar,
ser omisso e distante pra tanta presença
e pra tal promissória estendida pra mim...
Fui tão seu e não fui nos recantos mais meus,
um adeus latejava me cobrando ação,
porque meu coração não batia por nós...
Quis amar e meu erro foi querer sentir
pela força do quanto me fiz devedor,
o amor não é verso em letras cambiais...
POR AMOR
Demétrio Sena, Magé - RJ>
Entre dor e dormência preciso pensar;
já não sei se mudez faz as vezes da paz,
porque mais vem com mas e desconstrói o ter
ou voar é apenas evaporação...
Nosso amor é tristeza que me faz feliz
ou a felicidade que me deixa triste,
nunca mais quando bis está no mesmo espaço
que resiste cedendo à profusão do fogo...
Eu te quero com todo sem querer da mente;
não me queres com todo bem querer do mundo;
somos terra sem mundo procurando chão...
Se me amas me odeie pro meu próprio bem,
por te amar eu também te prometo que odeio
e será bem melhor que o pior aconteça...
DESEJO E DOR
Demétrio Sena - Magé
Vem o tempo em que amar promete a dor
mais profunda; cortante; contundente;
alma e dente se fundem onde o nervo
dói no corpo; nas vísceras; na linfa...
Mas me querem amante como há tempos;
não importa o que sangre nem pustule,
querem todo meu bule de prazer,
minha máquina expressa de café...
Meu amor já é feito na certeza
dos meus uivos tardios de agonia;
do pós-dia sem brilho em meu olhar...
O desejo me assombra e faz pedir
que o prazer não se ateie à flor-da-pele,
para não me fundir nos meus gemidos...
DESDE QUANDO NÃO SEI
Demétrio Sena - Magé
Sempre tive uma dor que não posso explicar;
também sinto saudades de nada e ninguém;
tenho vastas lembranças do que não me lembro,
como quem se perdeu do coração e a mente...
Trago muitas tristezas que não sei por que;
lambo tantas feridas que nem vejo em mim;
há um fim sem começo, muito menos meio
em minh'alma cansada porque não se cansa...
Eu me olho no espelho sem saber quem vi,
porque nunca vivi e mesmo assim sou velho
de jamais ter nascido no vão de quem sou...
Na verdade não sou no mais fundo em meu ser,
por morrer desde quando me notei brotar
neste chão que não sinto nas plantas dos pés...
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Respeite autorias. Isso é lei
DOR SOBERBA
Demétrio Sena - Magé
É viável que amemos a nós mesmos,
mas não tanto que o próximo inexista;
fere a vista vivermos da miragem
de que nosso deserto nos provê...
Amor próprio não pode ser paixão;
sermos loucos por nós é temerário;
ao beijamos o chão dos nossos pés,
a poeira se apossa dos pulmões...
Nosso eu se completa em outros eus;
quando não nos achamos ao redor,
o que resta por dentro é dor soberba...
Há em nossas cabeças um hospício;
esse amor declarado ao nosso espelho
faz comício notório da loucura...
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#respeiteautorias É lei
AMOR QUE MATA
Demétrio Sena - Magé
Um amor extremado que sangra num corte
cuja dor não se mede, como nada explica,
é a morte que vibra na concha das mãos
onde pulsam as veias do sistema inteiro...
Desencanto com cara desse tanto faz,
porque tenho que ter esta força que sobra,
que me cobra não ser um cobrador do quanto
já doei de meu corpo, minha'lma e meu eu...
Mas ainda preciso arrastar a carcaça,
pra cumprir a missão que jamais cumprirei,
pela graça ou a lei deste amor abismal...
Se pudesse partir, se pudesse poder,
conseguisse querer o que no fundo quero,
eu seria sincero e desembarcaria...
... ... ...
#respeiteautorias É lei
NADADOR
Demétrio Sena - Magé
O nadador
nada... nada mais que dor.
A dor nada; dor de quem
faz de tudo, mas nada.
E nada, nada, nada
pra esquecer toda dor
do amor, da dor, do nada,
da solidão na água.
Além-mágoa, o nadador
nada, nada e nada...
sempre além da dor.
Que dor do nada!
Que dor danada
do nadador...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
DOR SOCIAL
(um poema solidário)
Demétrio Sena - Magé
Não entendo essa gente que bajula,
porque tem que ficar do "melhor lado",
coagula o carinho, a identidade,
por agrado a quem dá maior status...
Cuja escolha faz contas, avalia
os perigos do ético e do justo;
da real amizade, a promissória
ou o custo por não se tabelar...
Beija pés de patrão contra o colega,
se desvia do amigo por prestígio;
menospreza os afetos por "imagem"...
Vim aqui te abraçar, correr os riscos
desses fiscos cobrados ao redor,
nessa dor social que te sufoca...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Sol, chuvas e rimas.
Paixão, amor e sinas.
Desejo, flores e solidão.
Fogo, dor e coração.
É disso que são feitos os dias confusos
Com Lagrimas, choro e soluços.
Sede, clamor e alma.
Reza, pedido e calma.
Paz, controle e chama.
Luz que ascende e anda.
É disso que são feito os dias de fé
Com orações e forças que nos Poe de pé
Pra mim não é o fim
Não acabou
E essa dor um dia
Vai me fazer entender
Que eu estou
Perto do que amo
Que quando somo
É pensando em dividir
E mesmo assim
Entendo que só restou
Pra mim o que não quis
Pra você
Portanto fique com o que não se vê
Mas faça de você
O melhor que puder
Siga seu caminho com seus velhos planos
E passe um pano no que passou
Vai ser mais fácil pra você
Compreender quem você é .
Uma dor no peito.
uma dor no peito de ver meu antigo amor com outro.
uma dor no peito de ver amigo um de infância me apunhalar pelas costas.
uma dor no peito por pessoas q se foram.
uma dor no peito por ajudar e curar muitos machucados de outras pessoas, mas ninguém tem a cura pros meus.
uma dor no peito por não querer mais viver sentindo dor.
uma dor no peito por um sonho que nunca acontecera.
apenas uma dor no peito.
E agora José?
O ano acabou
A Luz apagou
Pandemia ficou
O ano lacrou na fome, na dor
E agora José?
a vacina atrasou
Pandemia gripou,
matou, desolou
E agora José?
Patriotismo esfriou
Ninguém protestou
Conformismo venceu
O povo sofreu
E agora Jose?
Corrupção esquentou
Rachadinha imperou
Punição nem falar
O estado aprovou
E agora Jose?
O discurso é vazio
A loucura surgiu
Desmediu
Reage Brasil.
Uma dor inexplicável ,um sentimento latente , uma montanha de medos , um lago de tristezas e meu silencio…
Há uma ponte que me separa do gosto de sentir, gostaria de atravessá-la mas não consigo ,embora você a veja ,eu não consigo enxergá-la .Perdi minha visão quando cai ,eu só não sei em qual das minhas quedas parei de ver-vi. Seria como tentar andar na agua , nada consegue me segurar , sempre estou me afundando.
Ainda lembro de como nadar ,só que minhas forças se estão esgotando.
Socorro ! Tem alguém aí ? Grito dentro de mim. Mas ninguém vai me ouvir Por mais que eu queira. O ultimo barco que passou pelas minhas aguas não ouviu minha voz.
Eu me pergunto. Vou sobreviver... viva ?
