Textos sobre Dor

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A dor nunca é universal, ela é sempre íntima.
Quando não habita em nós, torna-se invisível, e o invisível costuma ser julgado com leveza.
Por isso o ser humano erra quando mede a dor do outro com a própria régua: cada alma carrega um peso que só ela conhece.

A filosofia nos lembra que o outro não é extensão de mim, mas um mistério.
A psicanálise revela que muitas violências nascem da incapacidade de reconhecer a dor alheia — projetamos, negamos, minimizamos aquilo que não suportamos sentir em nós.
E a Bíblia nos adverte, com simplicidade e profundidade, que amar o próximo como a si mesmo não é sentimento, é responsabilidade.

Ferir o outro é, muitas vezes, ignorar que ele também sangra por dentro.
Quem carrega a dor sabe o seu tamanho; quem observa de fora só vê o silêncio.
Por isso, antes de agir, é preciso lembrar: o que faço ao outro pode se tornar a cruz que ele terá de carregar sozinho.

Embriaguez

Eu me embriaguei de amor,
Esse amor de ilusão,
Tormento da alma que traz dor,
Tormento que traz sonhos ao meu coração.

Eu me embriaguei de paixão,
Essa coisa boba de se imaginar,
Duas almas em canção,
Duas almas em se amar.

Eu me embriaguei,
Com seu sorriso a iluminar,
O meu mundo,

E nesse segundo,
Apenas imaginei,
Mil formas de te amar.

16/05/2017 - 06:04

Que o amor venha a despeito da dor,
das marcas que o mundo na alma deixou.
Quem guarda no peito um firme caráter,
sabe que o tempo há de nos resgatar.


Pois quem se conhece e conhece seu valor,
não aceita o medo no lugar do amor.
Há almas sinceras querendo cruzar,
um passo leve que venha somar.


Quebrando o escudo, abrindo a prisão,
quem ousa viver, não vive em vão.
Quem crê na beleza de um querer bem real,
encontra nos braços o porto ideal.

DOADORAS DE EMOÇÕES


Só nós mulheres permitimos que a dor se instale no momento em que ela é única. Só nós mulheres enfrentamos e combatemos esta dor, sem deixar nosso carisma de lado. Só nós mulheres carregamos dentro de nós um ser tão especial que quando nos separamos dele, sorrimos. Só nós e mais ninguém deixamos uma parte se desprender e seguir seu caminho, mesmo que este caminho seja um rasgar de intensidade.

Somos esculpidas por um Deus que teve a ideia e a sensibilidade de saber que dentro de cada uma, haveria amor o suficiente para doarmos para toda a humanidade. Somos elementos de um quebra-cabeça que quando unidos nos tornamos tão fortes, mas, tão fortes que nem uma tempestade devastadora conseguiria nos derrubar.

Se há em algum canto do nosso universo feminino elementos que nos deixam sensíveis, esses elementos são os nossos desejos de ser além de mulher. Nascemos e morremos várias vezes e não deixamos que ninguém perceba. Somos sensíveis o suficiente para deixar que a fortaleza seja nossa aliada. Dilaceramos nossos sentimentos quando eles acabam interferindo no nosso momento, que é único.

Perseveramos nos nossos ideais e jamais deixamos que a dor interfira nas nossas lutas. Somos fortes e a dor física jamais nos aflige se estivermos fortes o suficientes para seguirmos em frente. Nossa dor é muito mais além da carne, por isso sabemos que ela é necessária.

Plantamos dentro de nós sementes prósperas e no inicio de cada primavera elas nutrirão nossos olhos e o nosso espírito. É o momento de renascer, o momento de desabrochar mais uma vez para a vida e se preciso for, passar novamente por todas aquelas dores.

Contornamos todos os obstáculos, serpenteamos nos íngremes e tortuosos caminhos, suportamos as bruscas quedas e saímos ilesas. Somos a própria semente. Damos a luz a mais linda flor que possa existir. Flor esta que desabrocha dentro e fora de nós. Somos extremamente a bela e exuberante natureza, que nos dá todos os dias o nascimento de mais um dia.

Somos eternas porque somos doadoras de emoções e de vidas...

"Um dia paramos de cobrar, paramos de falar, deixamos a dor falar alto, porém no silencio de nosso interior, sofremos calados até que nossos pensamentos destruan qualquer ideia de dor ou sofrimento que não podemos controlar, seguir enfrente não é pra qualquer um, mas dever de todos, se seu próximo não sabe o mal que lhe faz é por que não merece sua admiração, seu respeito, seu amor"


Gil Alves

A dor de um braço quebrando não termina no instante em que o osso cede.

Existe o estalo.

Existe a carne tentando entender o que aconteceu.

Existe o corpo inteiro procurando uma posição onde a dor diminua, mesmo sabendo que nenhuma posição resolve.

Mas existe uma outra dor.

Aquela que ninguém vê no raio-X.

Aquela que fica quando você percebe que alguém foi capaz de olhar para você e escolher a violência.

E então não é mais só o braço.

Quebra alguma coisa por dentro.

Quebra a sensação de segurança.
Quebra a confiança.
Quebra aquela parte ingênua que ainda acreditava que certas pessoas simplesmente não seriam capazes de atravessar determinados limites.

E existe a humilhação.

Aquela sensação miserável de estar ali, machucada, vulnerável, tentando juntar os pedaços enquanto quem fez aquilo talvez siga respirando como se tivesse apenas atravessado mais uma esquina.

Você se sente pequena.

Sozinha.

Às vezes, até suja de uma culpa que não é sua.

Como se o corpo violentado carregasse também a vergonha da violência.

Mas não.

A vergonha não é minha.

Nunca foi.

O lixo não sou eu.

Lixo é quem precisa destruir o corpo de outra pessoa para se sentir grande.

Lixo é quem transforma força em covardia.

Lixo é quem levanta a mão porque não possui argumento, caráter ou humanidade suficientes para permanecer de pé diante de alguém.

Eu estava sozinha quando a dor chegou.

E talvez essa tenha sido uma das partes mais cruéis.

Porque há momentos em que a gente gostaria de ter alguém segurando nossa mão, dizendo que vai passar, dizendo que aquilo não aconteceu porque merecíamos.

Mas ninguém deveria precisar de uma testemunha para provar a própria dor.

Eu sei o que senti.

Eu sei o que ouvi.

Eu sei o que meu corpo suportou.

Eu sei o que quebrou.

E sei também que existem ossos que médicos conseguem colocar no lugar, mesmo que demore.

A alma é mais complicada.

Ela não recebe gesso.

Não existe cirurgia para devolver imediatamente a confiança.

Não existe remédio capaz de apagar a imagem da covardia.

Então eu vou ter que reconstruir.

Devagar.

Com raiva, talvez.

Com lágrimas também.

Com dias em que vou me sentir forte e outros em que vou me sentir um lixo por uma violência que nunca foi minha.

Mas vou reconstruir.

Porque aquele homem conseguiu quebrar meu braço.

Não conseguiu decidir quem eu sou.

E talvez essa seja a primeira coisa que eu precise aprender novamente:

eu não sou o que fizeram comigo.

Eu sou a mulher que sobreviveu ao que fizeram comigo.

E isso muda tudo.

“Se qualquer ser vivo fosse condenado a sentir, por um breve instante, apenas um terço da dor que habita em mim, talvez finalmente compreendesse que existem sofrimentos que não cabem em palavras, lágrimas ou gritos. Uma dor que não sangra por fora, mas apodrece lentamente tudo aquilo que ainda insiste em permanecer vivo por dentro.


O que carrego não é apenas tristeza. É um abismo sem fundo, uma escuridão que aprendeu meu nome e fez morada na minha essência. É acordar todos os dias carregando dentro do peito algo que, para qualquer outro, seria insuportável até por alguns minutos.


Talvez, depois de sentir apenas uma fração dessa dor, qualquer ser implorasse por um instante de silêncio dentro da própria existência. E então compreenderia que há sofrimentos tão profundos que não pedem compreensão — apenas o fim daquilo que os faz doer.”


Tiago Scheimann

Dor profunda


A dor que às vezes inunda o peito profundo
toma forma e essência num instante fecundo...
Entre sombras e luzes, a alma vai navegando,
encontrando na poesia um porto seco e seguro.
Assim, envolve a vida com melodia suave,
fazendo do sofrimento um doce enclave.
Na dança das palavras, tudo ganha sentido,
e o espírito encontra seu caminho perdido.
Tudo, num piscar de olhos, acaba fazendo algum sentido.

A Dor e o Tempo.


A dor grita alto no começo. Parece que nunca vai acabar, que vai te engolir inteira.


O tempo não apaga a dor. Ele ensina você a carregar ela de outro jeito. No início você arrasta. Depois você aprende a caminhar com ela no bolso. Um dia percebe que ela ficou menor que você.


Tempo não é remédio. É espaço. É ele que te dá fôlego pra respirar entre uma lágrima e outra, até o dia em que a saudade pesa menos que a lembrança.


Não tenha pressa de "superar". Tenha paciência de atravessar. E se hoje doer demais, lembra: isso também vai passar.

O céu da alma


Nuvens carregadas cruzam o céu da alma,
pesadas de dor, tecem véus de tristeza.
No horizonte, o deserto sussurra em silêncio,
sedento e vazio, busca a esperança perdida.
Poeira, pó... fino manto cobre o que restou,
enterra sonhos sob o peso do desamparo.
Cada grão, um suspiro de abandono,
cada vento, um lamento perdido no espaço.
Mas mesmo na sombra densa do sofrimento,
há um brilho tênue, escondido nas fissuras.
Pois até as nuvens mais negras se desfazem,
e a vida insiste — renascendo na ternura.

Quem carrega o Céu:
não deixa rastros de dor,
não normaliza abusos,
não justifica feridas em nome de Deus.
Deixa marcas de amor que edifica,
verdade que liberta,
e graça que transforma.
Continue guardando teu coração, para que cada passo teu seja testemunho do Reino, e não eco de trevas. miriamleal

A dor de ser uma exceção é ser, ora sim, ora também, arrastada e misturada com todo o restante do balaio — eclipsada por ser considerada semelhante aos olhos mais apressados.


E talvez sejam justamente aqueles que mais se apressam em taxar e rotular, para depressa desprezar, os que no fim mais perdem com tudo isso. Afinal, é nessa pressa que acabam jogando fora as oportunidades que mais ansiavam; ou, no campo dos relacionamentos, as pessoas que realmente poderiam ser algo em suas vidas.⁠

Às vezes, para não sofrer novamente, levantamos muros tão altos que nem a dor consegue entrar. Mas, junto com ela, também impedimos a entrada do amor, da amizade e da esperança. O coração que vive apenas para se proteger corre o risco de esquecer como é confiar. A verdadeira cura começa quando encontramos coragem para construir pontes onde antes existiam apenas muros.
— Fabinho Martins

⁠Meu coração bate por ti

Meu coração bate por ti.
Sente ele uma dor...
Por que te foste daqui, meu amor?
Meu coração espera por ti.
De pensar em ti ele nunca se cansa...
Continua a bater na esperança de aqui te rever.
Meu coração só ama a ti.
Nem sei por que ele ainda te ama.
Quando partiste, deveria ter se apagado a chama...
Mas meu coração é teimoso...
Já me avisou: se um dia eu deixar de amar meu amor, será exclusivamente porque morri.

Há amor, há desamor...
há alegria, há dor,
há luz, há escuridão,
você não sabe como anda meu coração.

Há paz ou há guerra
o que minha vida encerra?
Há medo ou há coragem,
enquanto sigo viagem?

Do que fui, do que sou,
do que serei...
somente, a verdade, eu saberei...
você que me olha de fora...
está por fora... ah! como está por fora.

Pode tentar adivinhar
o que estou a digitar
são verdades... são mentiras?
Meu coração está inteiro
ou está em tiras?

Já disse Pessoa
"o poeta é um fingidor".
Nas minhas linhas
há verdadeiramente dor?
O que escrevo são verdades,
são mentiras?

Em silêncio você sofre toda a dor de quem não consegue aceitar.
Seus olhos dizem coisas que você se nega a falar.
A sua voz embargada não consegue disfarçar.
E eu... eu sou obrigada a disfarçar,
em silêncio ficar,
pra não denunciar esse amor que a todo custo você tenta negar.
Você ainda não entendeu que é meu?

Louco por pouco...
louco de amor,
louco de dor,
louco mais um pouco...

louco por tão pouco.

Louco por um amor,

um amor louco.

Louco por tão pouco amor,
que durou muito pouco...

Louco mais uma vez,
que insensatez!

Louco de dor!
Louco de vez...
Agora,
porque louco você me fez!

Um amor ferido,
um coração partido,
uma dor difícil de suportar,
uma lágrima impossível de segurar.

Você partiu,
meu coração feriu,
e eu tenho de continuar,
fingindo não me importar.

Uma noite que não acaba mais.
Uma vontade enorme de voltar atrás.
Um coração que sente
um amor que você não sentiu jamais...

Como é que você pode me fazer sentir
o que de sentir por mim você não é capaz?

Trabalho de Hércules... disfarçar minha dor.
Sorrio!
E os meus lábios doem.
Faço de conta que está tudo bem.
Está tudo bem!
E o meu coração desalentado sabe que é mentira...
apertado, sufocado, grita: as coisas não precisam ser assim,
não duplique o trabalho pra mim... sofrer e fingir não sofrer...
Não está tudo bem! Sofra! Simplesmente sofra e fim.

As dores da vida.


Tem dor que dói por dentro,
Vevimos sorrindo com a alma sofrendo.
Tenho dó dessa dor que insiste
Em viver por dentro de mim.
Vivo louco e vou levando a vida, escrevendo meu triste fim.


Doente estou, mesmo sem sentir, e nesse
Trajeto.
Lutuoso, falo da vida e de todas
Outras vidas
Que existiam dentro de mim.

01
23/10/18
Alexsander Nascimento


Do livro Risos Salientes um Xodozinho Nascente (alexsandernascimento 🌹)