Textos sobre o destino

Cerca de 3215 textos sobre o destino

ALTERAÇÃO (soneto)

Como se a sorte, tirar-me, assim quer
Como a névoa no cerrado embaça o ipê
Você, assim na sina tornou-se por quê?
E o destino passou outra trova escrever

Como se as promessas não mais a mercê
Não mais se lê na vã inspiração a sofrer
Você, agora figura numa dor para valer
E os sonhos se fazem de simples clichê

Um céu tão cinza matizou-se lá fora
Sem arco íris e um ar tão tenebroso
Na alma, é sofrência que sinto agora

Como se pudesse não ser malditoso
Nesta poesia, em que o verso chora
O que um dia no cantar foi mavioso...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
03 de março de 2020 – Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Todos tem uma missão específica nesta vida.
Se não encontrarmos a nossa, iremos desperdiçar nosso tempo e nossa vida
com outras ocupações alheias ao nosso objetivo.
Desta forma nunca estaremos felizes e satisfeitos com os resultados alcançados.
Um simples teste vocacional e espiritual seria bem vindo, para não nos perdermos daquilo que seria nosso verdadeiro destino.
(teorilang)

Inserida por ivan_teorilang

Eu Vivo

Hoje, ontem, amanha.
O passado, o presente, o futuro.
O gostar, o desejo, a paixão.
O carinho, o tocar, o beijo.

O que foi pode nunca ter sido.
O que é não se sabe como chegou.
O caminho pode ser todo errado,
E o certo nem caminho tomou.

Os dois lados estão divididos,
Por razoes e pretextos em vão.
Se o por que não é sabido,
E por que vem ao lado de um não.

Assim o completo não é cheio,
E o que falta se carrega na mão,
Se é rico ou pobre,
Se vende ouro, mas colhe humildade no chão.

Pois se viver é confuso e deserto,
Se solidão é destino,
Prefiro viver sem provar dessa aridez,
Que maltrata e traz desatino.

Acredito em flores, amores, paixões.
Que sempre me seja narrado conto de fadas e dragões,
Pois de espada em punho gritarei: EU VIVO.

Inserida por vinicius_campolina

VIA (soneto)

Venho de andanças, em um estio
Trago lembranças tão desgastadas
Das outras tantas outras moradas
Que não sei mais se choro ou rio

E no mar do céu de matiz pueril
Outrora fui talvez, tantas estradas
Tantas lágrimas por mim deixadas
Dadas ou pegadas, de vulto vadio

Hoje sou a saudade esfarrapada
Largada, do que um dia eu senti
Eu mesmo sou a razão que perdi

E nesta via de tão dura lombada
De alma ressecada e tão cansada
Nos sonhos que devaneei, morri!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 de março de 2020 – por aí.

Inserida por LucianoSpagnol

SONETO DO TEMPO

O tempo lá se vai, e vai apressado
Por um tropel das vândalas horas
E tão dispersas nas ondas sonoras
Do outrora, passando, é passado...

E o minuto pelo vento é levado
Alado, seguido... pelas auroras
Num voo certo. Duras senhoras
Da direção... as damas do fado!

Não fique espantado meu caro!
O amparo vem do seu bom viver
E do bem doado, amado, é claro!

Então, não se preocupe em correr
É aos poucos, em um querer raro
Lento, assim o tempo irá render...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12 de março de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

Que tenhamos a capacidade de compreender que, a vida nos dá o direito de:
Escolher quais caminhos seguir, quais sementes plantar e quais decisões é mais conveniente tomarmos.
Mas que partindo dessas escolhas teremos que aceitar o destino do caminho que escolhemos, comer os frutos das sementes que plantamos e conviver com o resultado das decisões que tomamos!

Inserida por Ruth_Augusto

És tu oh pai mistério, pois o entendimento é constrangido perante a magnifica dimensão que teu poder contempla, vejo me como um grão imperceptível nessa imensidão, porém entendo que também sou um elo dessa criação, meu respirar muitas vezes é conturbado pelo sufoco das tribulações cotidianas, o devaneio carnal e o caráter humano nos limita o entendimento, mas é a tua palavra que orienta e alimenta a condição de experimentar de ti, das tuas bênçãos e promessas, sou este que sozinho, com meu egoísmo não consigo alcança lo, então bato incessantemente na tua porta, talvez da minha maneira torta e inconsequente, mas és tu senhor que usa de sua piedade e aprofunda teu amor e misericórdia que suplanta nossos defeitos e dificuldades, me rendo a ti, entrego a ti, humilho a ti, pelo teu espírito, pelo teu entendimento, oh altíssimo, a quem possa alcançar essas palavras também venha alcançar tuas bênçãos e que teu poder se manifeste constantemente quebrando os grilhões da ignorância, toda consideração e efeito seja dada a glória pelo teu nome, para lhe engrandecer mais e mais.

Giovane Silva Santos

Inserida por giovanesilvasantos1

Embate

À volta de incerta inspiração
Ocupei as minhas mãos.
.... e foi a poesia sua combinação!

Brinquei de poetar a vida
Só por tê-la.
Ai! como é incontida
Misteriosa e bela
Cheia de medida!

Em rima discreta, branda
Fui poetando, fui poetando
O que a emoção manda...

E, o que o fado me foi dando
Talvez fiquei devendo à poesia
Um canto de delírio, trovando
Ou talvez mais alegria!
Quiçá! Uns versos amando.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
04/04/2020, 17’52” – Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Fim de um Ciclo.

Eu escrevi, escrevi uma última carta para meu falecido primeiro amor.
Escrevi as coisas mais belas e necessárias para se encerrar meu ciclo de dor.
Deixarei a nós no passado mas sei que carregarei para sempre você em meu peito afagador.
O passado se foi, o ciclo se encerrou, não houve culpa, houve erros, aprendemos com ele e assim seguirei em um novo destino inspirador.

Inserida por rayssamayanara

⁠INFORTUNO

Falas de solidão, eu ouço tudo e calo
Ó saudade! Rude e regateira caipira
É. E é por isto que o vazio me imbuíra
A alma, no silêncio, infortuno vassalo

Viver! Quando virei por ter intervalo
Entre a dor e o sofrer que não espira
No tempo, e me põe nesta mentira
Da esperança dum amor para amá-lo

Pois é agridoce sentimento sagrado
Que leva a noite insone no cerrado
Messalina sensação, refutado fulcro

Falas de amor, e eu me desalento
Paixão na minha sorte é tormento
Intento para eu levar pro sepulcro

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09/09/2020, 13’43” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SONHAR

Existe algo belo e sedutor em sonhar
Sonhamos com desejos novos e antigos, muitos dos quais não esperamos realizar
O sonho adoça nossa boca, encanta nossos olhos e deixa um gosto amargo no final
Porque não importa o quão belo ele seja nada daquilo é real

Lutar por um sonho é trabalho de mestre, deus e senhor
Tomar o destino em cabresto e, com os dentes trincados, lançar-se naquele furor
É duro desesperador e por vezes nada daquilo parece importar
Mas há a chance que os sonhos se pintem em realidade ainda mais bela do que podemos imaginar

Certos desejos, que não chegam a sonhos, também rodam o fundo da nossa mente
Inconfessos por sua própria natureza, oscilam no lusco fusco daquela estranha lente
Esses são perigosos porque não nos movem como um sonhar
Mas mantém por anos cativa nossa atenção enquanto oscilam entre ser e estar

Naquele lugar pseudo-esquecido mas que ressoa com uma melodia familiar
Não desbravamos a selva alagada das possibilidades esquecidas que fulguram no além mar
Mas existem ocasiões em que as Parcas gostam de jogar
E tecem uma trama profana nos colocando bem onde poderíamos, talvez, querer estar

O que você faz quando uma vontade que jamais verbalizou estende a mão?
A resposta é óbvia, não seria concebível para nós dizer um não
Com surpresa e prazer dançamos aquela valsa desconhecida em um solo escuro e movediço
E esperamos que aquele sopro de boa sorte nos leve para mais longe e nos dê cada vez mais disso

Nesse momento cometemos o maior erro e ousamos sonhar
Uma realidade que não nos pertence brilha ao longe e desejamos ardentemente tocar
Mas tal como as Parcas começaram, elas terminam, com um puxar preguiçoso do seu cordão
E aquilo se esfacela ao som agudo e triturante da decepção

O que nunca iria acontecer mas que bailou a nossa frente em um fátuo de saudade
Deixa nossos olhos momentaneamente cegos mas ainda desejos daquela onírica verdade
É possível sentir saudade de uma verdade que nunca esteve presente?
Pois sim, é possível, e essa é uma falta que jamais irá deixar os recônditos mais obscuros da nossa mente.

Inserida por rntodg

⁠Porto Aéreo

Estava tudo organizado
Estava tudo preparado
Estava tudo sob controle
Não teria porquê se preocupar
Basta seguir o protocolo & nada irá falhar

Deve ser rotulado
Deve ser carimbado
Deve seguir o padrão
É bem simples se parar & olhar
Siga a rota certa se quiser voar

Mas algo deu errado
Não seguiu como o planejado
E não sabiam o que fazer
Não sabiam lidar com aquilo
Nunca tinha acontecido isso

Não estavam tão organizados
Nem tão preparados
E os outros não estão nem aí
Pois não seguiu o esquema
Não seguiu o sistema

Houveram ameaças
Houveram lamentos
Houve um caos geral
Correndo contra o tempo
Para não prejudicar outro membro

Não ter solução parecia
Parecia não ter saída
Iriam se perder
Perder a bagagem
Perder a viagem

Mas algo os salvou
Os apaziguou
E encontraram outra rota
Milagrosamente
Um meio diferente

Sorte a deles
Que havia outro protocolo
Planejado para a falta de planejamento
E retomaram com muito contentamento
Guiados por um guia só
Um solo que os levou ao solo
O destino os levou ao destino
Ao objetivo, ao motivo por voar

Inserida por kaixtr

Até parece uma utopia...
Mas acredite...

As rejeições e certas coisas que dão errado são chaves que abrem a porta e limpam o caminho para que possamos caminhar em direção ao nosso destino e propósito sem impedimentos.

Precisamos enxergar as coisas com outra ótica.
Eis o nosso desafio.

Inserida por Samuelblessedoficial

⁠POETA FUI

Poeta fui e do causar ferino
Me acariciou a carícia dura
Versei mais dor que ventura
Andei sonhador e peregrino

No devaneio, vivi o desatino
Amando o que pouco dura
Gozando da decepção dura
Poeta sem charme no destino

Porém, a cada verso, tentei
Ter o acaso e a doce poesia
Não agonia que não sonhei

Entendo, que versar alegria
Tem de tê-la. Pouco cantei
Se cantei foi porque sofria

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09/10/2020, 08’06” – Triângulo Mineiro
paráfrase José de Abreu Albano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O amor que eu sinto
venceu o tempo,
perdoou a sua ausência
e resistiu ao seu silêncio.

O amor que eu sinto, sobreviveu;
às suas escolhas erradas,
às suas atitudes equivocadas,
à sua visão limitada.

Mas que tudo isso
não lhe de confiança
para acreditar
que faço parte
da sua estrada.
Um grande amor pode se transformar
em nada.

Pois, há uma força maior
pouco a pouco
me tirando daqui.
O tempo está se esgotando,
meu sentimento secando,
e o destino cobrando
que eu lhe deixe partir.

Inserida por danimoscatelli

⁠TEIMA

Retratar o amor em vão procura
quem na vida dele sentir não teve
porque um rasto na alma obteve
pois, longo ou breve, há ternura

Todavia eu, ideando, na ventura
a mínima sorte o destino deteve
sentir o que sinto, nunca leve
no vazio, minha solidão figura

E nestas paixões de boas alianças
poética redigiu só sofrido pesar
e uma, foi, dentre as lembranças

E, porém, neste suspiroso causar
do único, nas turronas esperanças
vou amador que cobiça mais amar!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
13, outubro, 2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PARALELO

Incultos sentimentos ditos pela metade
manifesto a vossa fiel leitura, ó leitores
e em cada trova a vossos olhos, piedade
lhes digo apenas piedade, não louvores

E neste orgulho, este que é inanidade
os suspiros, lamúrias e minhas dores
lágrimas de amores e sua imensidade
suportando por uns míseros favores

Se entre minha sorte de nascimento
encontrardes traços cujo o engano
indique que divaguei com portento

Crede, ledores, que foi do profano
versado com a mão do fingimento
em um paralelo ao o acaso insano

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Outubro, 14/2020, 16’54” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠GORJETA

Eu sou aquele que no amor é perdido
eu sou o que no fado me falta aporte
sou esse da desdita, e nesta tal sorte
sou a contramão, a solidão desmedida

A sombra no meio fio da cara vida
e que no devaneio perdeu o norte
que fica no vagar num choro forte
rascunhando a chaga tão dolorida

Sou aquele que no silêncio habita
Sou pôr do sol sumido, desprovido
Sou aquele que na ilusão orbita

Sou talvez o ideal de alguma dita
Quiçá a que o rumo me é devido
Quem sabe uma gorjeta merecida

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
15/10/2020, 16’19” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠FAMINTO

Vai, mísero sofrimento esfaimado
pastar noutra sensação livremente
deixai meu coração de te ausente
faminto, carente, mas imaculado

Não percas tempo, vá apressado
pois se insiste em estar presente
a paixão do teu olhar pendente
despojo inútil, inútil o passado

Deixai o vento levar, que o leve
hei de me arrancar do teu nome
e, assim, de ti isento, serei breve

Aqui, piedoso a dor me consome
nos soluços que o choro descreve
e sem que ventura emoção tome

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16/10/2020, 16’10” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠PRA QUÊ?

Como quem fica defronte duma cilada
espantado, sufocado, aí fui deixando
os sonhos pela desmarcada estrada
donde vinha, deveras, caminhando

E a minha alma, de chorar molhada
então ficava, o peito ali suspirando
me vi, enfim, que chorei pra nada
e pra nada foi que chorei passando

Assim, corroí o poético sentimento
redigindo a sangue cada caro verso
e num sombrio poetar, tristura se lê

E pergunto em fim ao duro lamento:
- se ainda terei na vida penar diverso
Pra que sofrer, e o pranto... Pra quê?

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Outubro,17/2020 – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol