Textos de Caminho
Todas as vezes que pegamos e escolhemos um "atalho", erramos o caminho, e não chegamos aonde precisávamos chegar.
Nem sempre a estrada da vida que nós precisamos caminhar é confortável, ferimos os pés e o cansaço nos domina, mas querer enganar o tempo e chegar em algum lugar sem esforço, poderá nos levar ao abismo.
Gilberto Braga.
Janeiro/2016.
Meu Deus,
Ilumina o meu caminho me livrando de todo mal e me protejendo do inimigo!
Purifica o meu coração, tornado-o manso e humilde para que nele habite apenas o amor!
Abençoe minha vida, minha família, meus irmãos e meus amigos, fortalecendo a nossa fé todos os dias e em todos os lugares!
Alimenta ó Pai aqueles que sentem fome e que ninguém pereça por falta do que comer!
Nos guie no caminho da verdade, da fidelidade e da honestidade para que vivamos uma vida justa conforme a sua vontade! Amém
Qual será o caminho
que, em resumo
nos conduza a algum lugar
ou a alguma conclusão
Eu procuro, eu tento e me acostumo
A viver sob falsas verdades
Coisas que eu não procurava
Me invadem a vida
e me fazem viver assim
Cercado por grades imaginárias
Muito mais intransponíveis que as reais
Porque nestas
Não existe um ponto frágil
Onde a gente pudesse então, serrá-las
Qual será o segredo
Que me proporcione, então, a chance de sair
Deste tão longo, triste, angustiante e solitário
degredo
Onde meus medos são meus menores problemas
Onde estarão as chaves
destas algemas infames
Que prendem minhas mãos aos meus pés
Estarão na fé
Na capela
Num rosário
na chama da vela
ou no armário
onde nunca mais encontrei
nada?
Vou procurando a resposta
Nos canteiros desta estrada
Vivendo
Esta vida, cercada de mentiras verdadeiras
Procurando a maneira
De fazê-las visíveis
Aos olhos insensíveis
Que encontro por este caminho
Mas...qual será o caminho?
Quase sempre que saio de casa
Quase nunca levo a chave
Pode ser que em algum caminho
Eu encontre a nave que me leve
E nela esteja a chave de lá
Vou vivendo de alma leve
Até que ela se livre de mim
E que se lavre nos boletins da vida
Que a minha chegou ao fim
Pode ser, quem sabe
Que a vida se agrave
Até que o tempo escave em meu rosto
Muitas marcas dessa passagem
A cada vez que vou pra rua
Peço à chuva que lave-me a alma
E dê-me calma
E ponha lama eu meu caminho
Pra eu pisar
E que de preferência
Eu esteja descalço
Como eu fazia
Nos velhos tempos
de alegria e felicidade
Em que eu corria pelas ruas tortas
E as enxergava todas retas
A chuva e o tempo lavaram-me os olhos
Agora eu sei que é torto
Aquilo que é torto
E por isso nunca levo as chaves
Pois pode ser que não haja volta
E eu nunca mais precise
Abrir outra porta
Outro dia, a caminho do nada
Cara amarrada, coração fechado
de repente olhei pela janela
Não estava longe e nem perto
Estava exatamente onde tinha que estar
Um lindo Campo de Flores Amarelas
Até hoje eu me pergunto
Que flores seriam aquelas
Sem perceber, quando dei por mim
de repente eu já sorria
Uma simples paisagem
Alguma coisa muda na gente
E acaba por mudar tudo no dia
Eu não criei, nem ao menos tentei
mas tento não perder
Essa mania que há em mim
de enxergar a beleza
Que existe nas menores coisas
Isso sempre me causa
Uma sensação muito boa
A vida sempre se encarrega
de fazer algo que dói
Mas, por mais que a vida doa
Eu creio que não seja esta
A intenção ou finalidade
Mas, sim, aprender a enxergar
Sempre beleza e qualidade
A vida existe pra que a gente
Saiba sempre abrir o coração
e se deixar invadir pela alegria
E levar sempre pra casa
Um pouco dela
Ao final de cada dia.
Meu pensamento
é minha verdade
Todo meu caminho
eu tenho feito
Deitando remendo
de linho novo
Eu só aceito a noite
Se o candeeiro
de aonde me deito
Me alumia
Qual se fosse
a luz do dia
A vida tem me feito
Muitos cortes
Mas eles se curam
antes do cantar do galo
de sorte que eu sempre posso
Prosseguir no meu caminho
Mantendo firme
O meu pensamento
Eu fiz minha casa
De vidro e cimento
e cavei no terreno
meu poço bem fundo
Meus calos
na terra dura
me tem garantido
minh'água mais pura
Meu quintal
Me dá fruta madura
Meu sonho tem dado
a paz da noite escura
Sob a luz do candeeiro
e o pensamento sereno
água pura no meu terreno
a noite escura
e a fruta madura
e a paz no meu dia
e o candeeiro
que a tudo alumia.
Talvez eu esteja
Já a meio caminho
daquele lugar
Onde todo Mundo um dia
Precisa chegar
Mas não há como saber
Eu bem que gostaria
de quem sabe...não ter vindo
Pois olhando à minha volta
Me vem a clara impressão
de que estamos voltando
Parece que estamos perdidos
Carecendo de um Norte
ou de um Oriente
Navegamos desorientados
Ao sabor da própria sorte
a confiar na própria astúcia
Enquanto a tempestade não chega
e o lobo não vem
Talvez eu esteja a meio caminho
Mas acho muito mais provável
Que o lugar não seja este
Nem a estrada seja esta
Existe algo escondido
Diante de mim
Diante de nós
Distante de todos
E enquanto não o sabemos
Vivemos, aparentemente juntos
Mas no fundo, todos já percebemos
O quanto ainda nos sentimos
Meninos perdidos
Almas sós.
Outro dia eu estava triste
pensando nas coisas
que deixei de viver
ou abandonei pelo caminho
arrastando os pés, sempre sozinho
quando vi dez meninos brincando
Deslizavam sobre um muro
braços abertos
fingindo aviõezinhos
eu sorri com aquela esquadrilha
alvejando o coração deserto
deste velho menino passante
acordei num passado distante
aconteceu de as bombas
de contagiante alegria
me acertarem o coração
e então, naquele dia
e eu pude ser menino
por mais um instante
o homem seguiu adiante
chato que era
o menino subiu no muro
foi brincar de bombardeiro
na triste tarde de primavera
nem todo dia é possível um sorriso
mas há dias em que é preciso
irremediavelmente necessário
simular inexistente alegria
verdadeira, na tarde daquele dia
nas noites em que acordo assustado
e o eu-menino, que ainda vive do meu lado
levanta-se sem medo do escuro
e vai mais uma vez
ser o décimo-primeiro menino
a abrir as asas
e voar por sobre o muro
O trêm partiu
e mesmo sabendo
que o caminho
já esta traçado
você nunca esteve lá
Ele voltou vazio
Voce embarcou
e agora sente frio
o mesmo frio
do qual fugia
vai guardando a paisagem
na retina
Colinas, campos,
chuva fina
dias de Sol
e tempestades
Ontem era muito cedo
hoje é tarde
Se a viagem
apenas te sujasse
estaria tudo bem
Mas o tempo
a tudo encarde
Não há retina que guarde
tantas paragens
pode até parecer muito
mas é uma só viagem
é uma estrada só
onde você embarca,
viaja, deseja, teme, treme, geme,
espera, desespera, dança e se cansa
só.
Eu gosto de andar sem rumo
Mas eu sempre guardo o caminho
E quando sozinho, imagino
O que será que eu poria no meu destino
Se acaso eu pudesse ser Deus
Pois sei que minha vida aparenta
um caos
E que toda escuridão do mundo
Não esconde os meus passos
E agradeço a Deus
Por não permitir
Que eu tropece
Quando caminho
Sozinho e sem rumo
No prumo dos Seus escritos
Traços tortos
É o preço que a vida exige
Pra gente poder
Caminhar descalço
No passo da dor, que corrige
E sempre guardo o caminho
Sabendo que não vou voltar
Confesso meus medos
Ao ar que me rodeia
Assim me acostumo
Como de costume
A manter-me no rumo
Distante de o Saber
Imagino
Quantos sonhos sonhados
Será que seriam meus
Quantos passos apressados
Ficaram guardados na areia
Qual a luz verdadeira
das luzes que vejo
Desvenda a verdade distante
E me pergunto
O que será que eu deixaria
Em meu caminho
Se eu tivesse a qualidade
de pensar o que pensa Deus
Por um único instante.
Edson Ricardo Paiva.
Era estrada de caminho incerto
Incerteza que andava por perto
Andava, que...por ser caminho
Se chamava estrada
Ao contrário, que se pressupõe
Era sim, um caminho
Mas era apenas ida
Com pequenas diferenças
Havia lances de escada
Faces largas e falsos sorrisos
de cara cansada
Mais nada, além do preciso
Havia chovido e ressecado
E também de vez em quando
Tinha gosto de pão amanhecido
Com cor de aquarela
Dependia da luz
Vez em quando, desbotada
E bela no instante seguinte
Não falava nada
E também não era bem ouvinte
Era pressa, era espera
Era uma fera
Dessas, que parecem mansas
Que nem gente velha
de tão velha despertou pra vida
Cuja experiência
Convida a ser criança
Parece até que não pensa
Mas pensa
Bem mais que se pensa
E não se arrepende
Parecia justiça
Parecia que era
Só não digo que era
Porque era brasileira
E não pendia pros lados
Portanto, a chamo de estrada
Por enquanto é tudo
Mais nada.
Edson Ricardo Paiva.
"Não era uma espera
E nem primavera sem Sol
Não era pela pedra no caminho
e nem no sapato
Não era pelo fato de a via ser de dupla-mão
Não, não era
Porque por ela, só ia
Não era a linha solta e nem cruzada
Não, não era nada
Era por causa da vida
Porque era isso que era."
Edson Ricardo Paiva.
Errante
Da a raiz à semente
Se a semente à raiz
O caminho é igual
Não semelhante
Quando o tempo é o juiz
Por nenhum instante
Ele se fez ausente
Evidente
Que evidência
Teus olhos ocultam
Cega a mente
Desejoso orgulho
Ego orbitante
Cegamente
Organizadamente
Um nome em dourado
Atestando
Emoldurado ignorante
Desconhece
Ao ciclo da semente
Que segue a corrente
Com simplicidade
O caráter se revela
Quando a última porta
For fechada atrás de si
Jamais, somente
Quando alguém o vir
Não pelo preço
Tendo o engodo
Um ornamento
Adereço
Não me esqueço
Que eu
A mim mesmo
Vejo o tempo todo
E não faço
A semente termina
Na semente
Água turva
Se decanta
Cristalina
O céu desaba
O lugar onde é o começo
Invariavelmente
Onde tudo se acaba.
Edson Ricardo Paiva.
Simplesmente.
Tava aqui, pensando
Se será que vale a pena
Esquecer o caminho
A jornada
Alegria adiada...odiada
Alegria por nada
Que eu sentia, sem sê-la
Tava eu aqui, me lembrando
A criança serena que eu era
Sem medo do desconhecido
E o que eu mais queria
Era só poder me aproximar do céu
Nem pedia que tivesse estrelas
Se ele acaso não tivesse
Se, por certo, fosse o céu
Me bastava olhar de perto
Nem que fosse só por breve instante
Mas o tempo tem seu prazo
Mesmo sendo o chão deserto
É preciso sempre um novo passo
Passo a vez, sigo adiante
Tanta dor danada que te dói na vida
Que acontece quando a gente
Já não pode fazer nada
A pressa obsessiva te atravessa
Quando a gente para e olha
Folha em branco era um barco à deriva
Assim se faz os caminhos
Tantas vezes
Passar a vez e seguir
Numa condução qualquer, que te sacode
A caminho de alguma ilusão
Que tem cara de alegria
De balão que explode em coloridos
Mas, se a gente não puder vivê-las
Não terá sequer vivido
Não, não vale jamais a pena se esquecer
De nenhum caminho percorrido
Alguns, simplesmente para não trilhá-los nunca mais
Outros, por saber que te podem levar
Novamente à presença
Da criança sincera e serena
Que sabia como segurar estrelas
Em seu par de mãos pequenas
Que podia estar perto do céu
Porque o céu era ela
Num tempo de pura alegria
Até hoje ela jura
Que o era
Por jamais ter pretendido sê-la
Simplesmente era a vida
Acordava e a vivia.
Edson Ricardo Paiva.
A flor.
Ficava ali, no chão do caminho
E todo dia eu passava por ela
Era apenas uma flor, sem cor definida
Entre outras tantas
Não sei dizer quantas
Pode ser, fossem centenas
E eu também era criança, igual a ela
Entre outras muitas, iguais a mim
Num mundo de tantas coisas sempre iguais
A simplicidade as faz diferentes
Não sei por quê
Meus olhos se acostumaram
Olhar pra ela, exatamente
Passado o tempo, é como estar ciente
De quanto a fantasia não se distancia do concreto
De fato, não tinhamos procurado
O ângulo correto para olhar
Mas tudo tem seu lugar
Precisamos encontrar o nosso:
Em muitos casos, que não seja perto
Creio que em tudo na vida
A gente continua sendo sempre assim
Uma casa com jardim, numa grande avenida
Um momento que parece assim; desimportante
Que se repete momentaneamente
Ao longo de toda uma jornada
Que, ao final, se tornará também desconhecida
Uma simples coisa, entre outras tantas
Algum caminho do passado
Onde ninguém jamais voltou
Nem voltará
Nenhum agosto e nem setembro serão eternos
Hoje, olhando esses momentos à distância
Compreendo perene, a inconstância
Mas, alguma coisa permanece
Ali, parada no chão do caminho
Como simples lembrança
A ser replantada, com o carinho da imaginação
Talvez, tornar de alguma forma
Um tantinho assim, mais leve
O caminho, a jornada
Que, ao final terá sido
Breve como flor.
Pode ser que o Criador
Com o amor de quem se recorda, nos replante
Num jardim gigante, onde seja permitido
A criança sair da fila, a caminho da sala de aula
E sentar-se à borda do jardim, pra dizer àquela flor
Que, pra mim, ela era importante
e seria pra sempre lembrada.
Edson Ricardo Paiva
Escolhas.
Quando surge outro caminho
Quando finalmente alguém
Encontra uma saída
Uma trilha, uma senda, uma via que envereda
Aparece sempre outra estrada
Essa, indiferente, estava ali, presente
Apesar de ser uma queda
Talvez, por isso, jamais urgente
Mas, agora que existe opção
Ela parece atraente.
Edson Ricardo Paiva
VIDA, CAMINHO DA ETERNIDADE.
(Dissertação inspirada no pensamento de Léon Denis).
A vida não é um enigma insolúvel, nem um acaso cego, mas uma lei sublime que envolve o universo em sua ordem majestosa. É o fio dourado que liga as consciências ao Infinito. “A vida é universal, incessante, infinita. Brota de todas as formas da natureza, derrama-se em todos os planos do ser” (Depois da Morte, cap. II).
Aqueles que a observam apenas pelo prisma material enxergam nela um breve clarão que se apaga na noite da tumba. Mas para quem a contempla com os olhos da alma, a vida é um rio sem fim, que desce das alturas divinas, atravessa os vales da dor e da experiência, e retorna, purificado, à fonte eterna.
A dor como escola da alma.
O sofrimento, muitas vezes temido, não é senão uma lição. “A dor é a grande educadora, a reveladora das leis superiores; desperta em nós as forças latentes e nos faz compreender a solidariedade que nos liga a todos os seres” (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, cap. IX).
Cada lágrima, cada prova, é um degrau oculto da escada que conduz ao infinito. O destino não pune, ele instrui; não aniquila, mas redime.
A lei de solidariedade.
A vida também é fraternidade. Nenhuma alma é uma ilha isolada, perdida no oceano da existência. Estamos ligados por laços invisíveis de amor e de dever. “Assim como as estrelas brilham juntas no espaço, sustentadas pela atração, assim também as almas crescem e se elevam pelo amor que as une” (No Invisível, cap. XIV).
Negar o próximo é estancar a própria ascensão. Amar é viver em harmonia com a lei universal.
A imortalidade como certeza.
A morte não é o fim. É apenas o desdobrar de um véu. “A morte não existe. O que chamamos assim é apenas uma mudança de estado, uma transformação necessária ao progresso do espírito” (Depois da Morte, cap. V).
Reencontraremos os que nos precederam, assim como seremos reencontrados pelos que virão depois. A vida é comunhão entre os dois mundos o visível e o invisível — que se entrelaçam continuamente.
O destino maior.
Viver é avançar. Cada existência é uma etapa, cada esforço uma vitória, cada dor uma lição. Do átomo ao arcanjo, a vida segue sua marcha, sempre ascendente.
E quando o homem, após longas lutas, atingir as cumeadas da sabedoria, compreenderá que a vida foi, desde o princípio, um chamado de Deus à sua criatura.
“Deus nos fez para a felicidade. A dor é apenas o prelúdio da alegria eterna, assim como a noite prepara o esplendor da aurora” (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, conclusão
*(Dissertação baseada nas obras de Léon Denis - O Apóstolo Incansável Do Espiritismo.)
Meus irmãos, a vida é a maior das revelações divinas. Não é obra do acaso, nem simples agitação da matéria: é o sopro de Deus animando todas as coisas. “A vida é a lei universal, que se traduz em todos os graus da escala dos seres, desde o átomo até o arcanjo” (Depois da Morte, cap. II).
Não a julgueis pelas aparências frágeis e mutáveis. Sob a diversidade das formas, ela permanece eterna, indestrutível, sempre a mesma em sua essência. A morte, que tanto aterroriza os corações, não passa de uma mudança de vestimenta, uma passagem necessária para que a alma prossiga sua marcha. “A morte não é mais que uma mudança de plano, uma libertação” (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, cap. V).
A dor como mestra.
Se a vida fosse apenas alegria, talvez adormecêssemos no egoísmo e na indiferença. Mas Deus, em sua sabedoria, semeou a dor no caminho humano, não como castigo, mas como mestra.
“A dor é o estímulo supremo do progresso. Revela ao ser a lei moral, desperta a consciência e o conduz ao amor” (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, cap. IX).
Cada lágrima derramada não se perde: cai no solo fecundo da alma e ali germina em compaixão e fraternidade.
A solidariedade que nos une.
A vida não é isolada. Assim como as estrelas não brilham sozinhas no céu, também os homens não vivem senão pela solidariedade que os une.
“O destino de cada um de nós está ligado ao destino de todos. As almas formam uma vasta cadeia em que cada elo sustenta o outro” (No Invisível, cap. XIV).
Compreendei, pois, que amar não é apenas virtude: é lei da vida, é condição de progresso.
A certeza da imortalidade.
Ah! meus irmãos, que horizonte novo se abre quando sabemos que a vida não termina no túmulo!
Quantas mães reencontram seus filhos além da morte! Quantos corações despedaçados descobrem que a separação é apenas temporária! “A morte é apenas um instante na eternidade, uma pausa na sinfonia da vida” (Depois da Morte, cap. V).
Não há perda absoluta: tudo se reencontra, tudo se harmoniza no grande concerto da imortalidade.
O apelo da ascensão.
A vida é ascensão contínua. Cada existência é uma lição, cada prova um degrau, cada virtude conquistada uma vitória do espírito sobre as trevas.
E quando, após longos séculos de esforço, tivermos vencido o egoísmo e as paixões, quando a dor tiver cumprido sua missão, então a alma se erguerá radiante, livre, consciente de sua filiação divina.
Sim, irmãos! A vida é um dom de Deus. É a estrada luminosa que nos conduz, através de lutas e lágrimas, ao seio da Eterna Beleza. Não desanimeis, pois: a dor é a noite, mas toda noite se abre para a aurora.
“Deus nos criou para a felicidade; a dor é o prelúdio da alegria eterna, assim como a sombra prepara a luz” (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, conclusão).
A SENSAÇÃO DE DESCOMPASSO DA ALMA:
UMA LEITURA ESPÍRITA DA ANSIEDADE, SUAS CAUSAS E SEUS CAMINHOS DE TRATAMENTO.
A ansiedade, sob a ótica espírita, não é apenas um distúrbio emocional circunscrito ao corpo biológico. Ela é, sobretudo, um sinal de desarmonia da alma encarnada, revelando um descompasso profundo entre as exigências da existência material e as necessidades evolutivas do espírito imortal. A Doutrina Espírita esclarece que o ser humano é sempre o resultado de sua história perispiritual, formada por vivências atuais e pretéritas, cujo reflexo se projeta na organização física, emocional e moral do presente.
No contexto contemporâneo, o transtorno de ansiedade alcança proporções alarmantes. Como aponta a própria Organização Mundial da Saúde, quase 10% da população brasileira convive com esse sofrimento crescente. O ambiente social marcado pela competitividade, violência, instabilidade econômica e pressões incessantes repercute no psiquismo humano, que se vê muitas vezes incapaz de administrar tamanha sobrecarga. No entanto, pergunta a filosofia espírita: estariam as causas da ansiedade reduzidas apenas ao plano terreno? A resposta é clara, não.
A Ansiedade à Luz da Doutrina Espírita.
O Espiritismo ensina que a ansiedade pode ter matriz espiritual, psicológica e física, refletindo não apenas desequilíbrios circunstanciais, mas conflitos íntimos que acompanham a alma há séculos. A encarnação é sempre um processo educativo, mas, em sua pedagogia, coloca-nos frequentemente diante de provas, expiações e desafios que reacendem fragilidades preexistentes.
Quando o indivíduo se desequilibra emocionalmente, sua psicosfera enfraquecida torna-se campo propício à sintonia com pensamentos negativos, ideias fixas ou entidades espirituais que compartilham o mesmo padrão vibratório. A obsessão espiritual, fenômeno estudado por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, configura uma das causas mais frequentes de agravação dos quadros ansiosos, especialmente quando a pessoa já se encontra vulnerável e sem prática de vigilância moral.
Causas Espirituais da Ansiedade:
1. Obsessão.
O processo obsessivo manifesta-se quando espíritos perturbados, ainda fixados na mágoa e no sentimento de injustiça, influenciam psiquicamente o encarnado. Essa ligação se estabelece por afinidade vibratória, e o indivíduo ansioso torna-se mais permeável às sugestões negativas.
2. Mediunidade não educada.
A mediunidade impõe disciplina, estudo e autocontrole. Sem esse tripé, o médium pode confundir suas percepções, absorver vibrações de entidades sofredoras e desenvolver estados de ansiedade e inquietação que, muitas vezes, interpreta erroneamente como sintomas físicos.
3. Traumas presentes e pretéritos
A dor emocional não elaborada — seja da vida atual ou de existências passadas, deixa marcas profundas no perispírito. Situações semelhantes, reencontradas no presente, reacendem medos antigos e desencadeiam crises de ansiedade que o espírito ainda não sabe administrar.
Ansiedade, Depressão e o Esforço de Progresso.
Tanto a ansiedade quanto a depressão, na leitura espírita, revelam o esgotamento da alma que luta pela felicidade e pela liberdade íntima, mas ainda se encontra limitada pelas exigências do corpo físico e dos desafios reencarnatórios. A falta de sentido existencial, o desalento e a sensação de vazio derivam da desconexão com a própria missão espiritual.
Entretanto, o Espiritismo não romantiza o sofrimento. Ele indica caminhos seguros de tratamento, sempre afirmando que a medicina e a psicoterapia são instrumentos divinos de cura, indispensáveis ao equilíbrio do ser.
Fatores que Agravam a Ansiedade.
Eventos traumáticos coletivos, como a pandemia, representam catalisadores de desequilíbrios emocionais. O medo, a perda, o isolamento e a insegurança geraram um aumento mundial de casos de ansiedade, realidade que exige compaixão, esclarecimento e apoio integral.
Tratamento Espiritual da Ansiedade.
Nenhuma orientação espírita substitui o acompanhamento médico ou psicológico. A terapêutica espiritual é complementar, nunca excludente. Dentre as medidas recomendadas pela Doutrina Espírita, destacam-se:
Estudo sistematizado do Evangelho e da Codificação,
Passe magnético e água fluidificada,
Evangelho no Lar, prática de recolhimento e elevação mental,
Prece diária, como higiene vibratória da alma,
Meditação e respiração consciente, favorecendo o domínio das emoções,
Vida moralizada, baseada na caridade e na reforma íntima.
Quando o espírito se esclarece, sua psicosfera se ilumina. E quando sua vibração se eleva, a ansiedade encontra menos espaço para se instalar.
Ansiedade e Mediunidade.
A mediunidade equilibrada é instrumento de luz — mas, em estado ansioso, torna-se uma porta aberta para influências perturbadoras. O médium ansioso perde clareza, discernimento e controle, tornando-se suscetível a comunicações ilusórias ou mistificadoras. O autocontrole emocional é, portanto, condição ética para o exercício mediúnico.
Espiritualidade como Caminho de Equilíbrio.
A espiritualidade vivida, e não apenas teorizada, fortalece a alma, centra o pensamento e renova o sentido da existência. Quem se eleva moralmente amplia sua capacidade de resiliência, pois compreende que nenhum sofrimento é inútil ou destituído de finalidade pedagógica. A fé raciocinada, ensinada por Allan Kardec, é antídoto poderoso contra a inquietação da alma.
Conclusão.
A ansiedade, sob a visão espírita, é um fenômeno complexo, envolvendo o corpo, a mente e o espírito. Suas raízes podem estar na vida atual ou em experiências remotas, e seu tratamento exige abordagem integral. Quando o indivíduo une o acompanhamento médico ao amparo espiritual, alcança não apenas alívio, mas transformação interior.
A doutrina nos convida a cultivar serenidade, disciplina mental e elevação moral — remédios eficazes contra as sombras que ainda insistem em nos perseguir. A luz do conhecimento, aliada ao exercício do amor e da caridade, desata os nós da alma e devolve ao espírito a harmonia perdida.
Sob a proteção das Leis Divinas, a ansiedade deixa de ser tormento e converte-se em convite ao autoconhecimento, à vigilância e à ascensão moral. A cura começa quando aprendemos a pulsar em sintonia com Deus.
AQUELE QUE CAMINHA NO INVISÍVEL.
Caminho como quem aprende a ver novamente.
Não procuro respostas. As respostas fazem barulho.
Prefiro o silêncio. É nele que a verdade repousa como uma criança adormecida.
É estranho.
Sem querer dizer sim sou levado para fora de mim.
Na memória que não me pertence reconheço teu rosto. Reconheço como se reconhece um deserto.
Não pela aridez. Mas pela fidelidade ao essencial.
Cada lembrança é uma lâmina delicada.
Ela não corta de uma vez.
Ela ensina.
Nota a nota o tempo escreve em mim sua música severa.
Gota a gota a ausência aprende a falar.
Lágrima a lágrima descubro que amar é aceitar ser atravessado.
O infinito não grita.
Ele observa.
Parece vazio apenas para quem olha com pressa.
É pleno para quem aceita perder-se.
E assim sigo.
Mais leve porque ferido.
Mais verdadeiro porque não fugi.
Somente aquele que consente em ser tocado pelo invisível torna-se digno de guardar o eterno no coração humano.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O caminho da felicidade é uma jornada de autoconhecimento e propósito, onde a essência está em valorizar cada passo, não apenas o destino.
Ao longo desse caminho, aprendemos que a felicidade não é algo a ser alcançado ao final, mas uma construção diária de escolhas, como praticar a gratidão, cultivar relações verdadeiras e encontrar sentido no presente.
É um caminho que pede paciência e coragem para enfrentar os desafios com otimismo e buscar a paz interior.
A felicidade, assim, se revela ao nos permitirmos viver com simplicidade, conectados com nossos valores e com o mundo ao redor.
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