Textos de Amor Passado
o fantasma do meu passado
Ele percorre
Por entre esses corredores...
Majestosamente
Com o seu sorriso...
ironicamente lindo.
Seus olhos de musgo,
de um verde envelhecido.
seus cabelos de areia,
de um liso escorrido.
Tudo nesse me assusta... minha sombra. Tudo nele me remete ao passado,
este o qual eu quero esquecer,
este o qual me perturba suas lembranças...
O fantasma do meu passado que assombra o meu presente e me faz ver o futuro sem precedentes
Viva! Não espere mensagens de ninguém. Não guarde mágoas. Não traga seus erros do passado para o seu presente. Deixe-os para trás. Leve consigo apenas as lições e aprendizados. Faça mais as coisas para você, por você e com você. Saia, vá ao shopping, vá a um restaurante, compre roupas novas, conheça novas pessoas, desfrute de você e do melhor dessa vida. Mas nunca, em hipótese alguma, deixe de se tratar bem, e tratar os outros também. A gente carrega o que tem de melhor, e eu espero que o seu melhor possa ser sempre lembrado por alguém, que as suas atitudes, que as suas demonstrações sejam lembradas para além dos momentos presentes. Saiba viver da forma que você acha certo, mas saiba que equilíbrio é tudo. O que para você poder ser bom, para o outro pode não ser. Tenha empatia. Estude. Se qualifique. Leia livros. Conheça novos lugares. Mergulhe em novas águas. Se renove. Vibre por cada conquista. Esteja em sintonia com você, mas não se deixe se abalar por críticas, julgamentos e opiniões alheias. Você merece o melhor dessa vida. Você merece acordar e dormir sabendo que estar nesse plano existencial é um privilégio. Mais do que isso, você ainda vai conquistar tudo aquilo que pede a Deus antes de dormir. Porque pessoas como você, apesar de carregarem coisas que ninguém sabem, merecem tudo, mais tudo o que há de bom. Continue a viver, ok? As coisas vão dar certo.
Autor: Filipe Pimentel (@sigocomfe)
SÃO LEMBRANÇAS DO PASSADO
O tempo muda as pessoas
O povo de antigamente
Eram sábios por natureza
Sabiam viver contente
Amizade valia ouro
Era tão diferente.
X
Nas noites de Lua cheia
O povo se encontrava
Uma prosa boa
De tudo se falava
Mas uma coisa era certa
Nunca faltava alegria.
X
Não existia separação
Das empregadas as professoras
Nem do trabalhador e o patrão
Lavadeiras e ou agricultoras
E nas horas de brincadeiras
Todas viravam cantoras.
X
Eram momento de descontração
Em um dia da semana
Lavavam roupa no tanque
Enquanto trabalhavam
A prosa era bacana
A merenda se dividia
Seja farofa ou banana.
X
Cada uma com sua profissão
Tinha Zilda a costureira
Ninguém fazia melhor
Dona Nita era rendeira
Trabalhava bem nos bilros
E Edite a melhor engomadeira.
x
Lembro bem dos artistas
Seu Juvenal era sapateiro
Deixava tudo novinho
Pedro era barbeiro
Estevão na cozinha
Era um bom cozinheiro.
x
Autoria-Irá Rodrigues
Eu já deixei claro o quanto te quero.
Sei que as marcas do seu passado ainda pesam, sei que nem todos os amores foram gentis com você.
Talvez alguns tenham sido, outros não. Mas agora, é sobre nós.
Eu só preciso que você confie.
Confie um pouco em nós, no que estamos construindo.
Porque por mais que eu queira carregar isso sozinha, não posso amar por nós duas.
Eu não estaria aqui, me entregando assim, se não fosse algo que eu desejo com toda a alma.
Eu quero casar com você.
Quero que entenda: estou te amando muito.
Quero uma vida ao seu lado.
Quero nossa família, nossas pequenas conquistas, nossa bagunça, nossos domingos preguiçosos.
Quero abrir os olhos todos os dias e encontrar você ali, sendo o meu lar.
Mas, como já te disse, eu não posso viver esse amor sozinha.
Amor só cresce quando vem dos dois lados.
E eu estou aqui, esperando que você venha comigo.
K.B
À cada amanhecer , me lembro que é novo tempo
Lembro que o passado nao esta no meu alcance
Lembro que o hoje é o reflexo do ontem
Lembro que existe tempo, muito tempo
E que por mais que houvesse tempo para construir o passado , presente e o futuro
Os dias e as horas nao iriam nos pertencer
Mesmo eu que nunca
olhei tão longe...
Sei dos medos,
dos arrepios que
o passado trás.
Parece que perdemos
coisas.
Ou deixamos de
carregar conosco
aquilo que parecia
tão precioso, antes,
tão necessário, agora.
Havia um tempo
onde o espelho
nada significava.
Remorsos que não
cabem num reflexo...
E isso é ...
e temos que levar
tudo olhando
pra frente.
Porque nada
volta e
o que se repete
nunca é exatamente
como foi antes...
Saudades
que sinto...
Mesmo sabendo que
o que se amontoa
nas minhas gavetas
são apenas
lembranças...
Ao longo da vida,
somos magoados, magoamos,
enterramos e desenterramos coisas do passado.
Perguntamos e respondemos,
crescemos e regredimos,
nos apaixonamos... mas nem sempre somos correspondidos.
São coisas da vida que, infelizmente, ocorrem com todos, não com um, com outro ou com você...
São coisas da vida que, infelizmente, todos fazemos. Todos fazem para nós... será que não vê!?
Continue sua vida. Cresça, observe, entenda.
Deixe sua missão cumprida. Apareça, ouça, compreenda.
Deixe o passado..
Na vida de cada um de nós existe um passado.
Certamente todos têm uma história onde passaram por momentos
bons e por situações difíceis, pois a vida é uma mescla
de coisas boas e outras, digamos assim, mais difíceis.
O que não podemos fazer é vivermos presos ao passado,
vivendo de recordações. A vida segue e o passado não volta.
Não há como reviver o momento passado, pois cada um
é único em nossas vidas. Podemos sim usar o que vivemos
no passado como experiência para um futuro melhor.
Tenha o passado sido bom ou ruim deve ficar para trás.
Devemos prestar atenção no momento presente,
pois o futuro depende do que fizermos hoje.
Portanto, agradeçamos a Deus pelo passado que nos enriquece
de experiências e nos faz crescermos,
e fechemos essas páginas de nossa história,
para que possamos abrir uma nova página,
de um novo começo no dia de hoje.
Cada dia é uma oportunidade que temos de
fazermos uma nova história. Reflitamos!
Quem vive no tumulto dos negócios ou dos prazeres sem ruminar o seu passado, só desnovelando a própria vida, perde a clareza de consciência. Sua mente torna-se um caos, e em seus pensamentos penetra uma certa confusão, testemunhada por uma conversação abrupta, fragmentária e, por assim dizer, picotada. Tal condição será tanto mais pronunciada quanto maior for a intranquilidade exterior e a quantidade das impressões, e menor a atividade interna do espírito.
Para viver com perfeita clareza de consciência e extrair da própria experiência toda instrução nela contida, é necessário pensar muito no passado e recapitular oque se vivenciou, fez, experimentou e, ao mesmo tempo, sentiu, e comparar o juízo de outrora com o atual, os projetos e as aspirações com o sucesso e a satisfação deles resultantes. É a repetição das aulas particulares que a experiência deu a cada um. Nossa experiência pessoal também pode ser vista como um texto, do qual reflexão e o conhecimento são o comentário.
Muita reflexão e conhecimento acompanhados de pouca experiência assemelham-se àquelas edições cujas páginas apresentam duas linhas de texto e quarenta de comentário. Muita experiência acompanhada de pouca reflexão e escasso conhecimento assemelha-se àquelas edições bipontinas, sem notas, que deixam muitas coisas incompreensíveis.
A regra de Pitágoras, de que toda noite, antes de dormir, devemos passar em revista o que fizemos durante o dia, está de acordo com a recomendação aqui dada.
Deve-se observar aqui que, após longo tempo e depois de terem desaparecido as relações e os ambientes que atuaram sobre nós, não conseguimos evocar nem renovar a disposição e a sensação outrora provocadas por eles; todavia, podemos muito bem recordar-nos das manifestações provocadas por eles na ocasião. Estas são seu resultado, sua expressão e sua medida. Desse modo, a memória ou o papel deveriam conservar cuidadosamente os momentos importantes da vida. Para tal fim, os diários são bastante úteis.
Me pego aqui sozinho e me lembro do passado
Saudades da infância, eram tempos dourados
Muita coisa acontece e eu não me manifesto
Minha cabeça está em guerra, minhas atitudes em protesto
Neste mundo onde tudo é proibido
Não vou me importar com o que vão pensar
Vou sonhar, vou sorrir, vou chorar, eu vou ir e desabafar!
É algo como andar de bicicleta: você cai, machuca e jura nunca mais montá-la. Mas passado o susto, o primeiro impacto, você tentará de novo (pode ser que demore algumas horas, dias, meses). Pode ser que nesse momento queira usar um capacete, uma joelheira, uma cotoveleira para se proteger e recomece a dar pequenas pedaladas, indo de quarteirão a quarteirão, sempre na reta e próximo ao meio fio. Até que, novamente, você tenha vontade de sentir aquela brisa no rosto, a mesma de quando estava em uma determinada velocidade e se arrisque um pouco mais e tenha coragem de descer o morro outra vez.
(Sobre o amor)
Hoje o dia amanheceu cinza, e o silêncio me fez pensar…
Voltei ao passado, com lembranças que antes estavam apagadas. Tempo em que tudo parecia claro e calmo, foi onde cheguei a conclusão de que nada é esquecido por inteiro, mesmo as coisas mais rudes, elas ficam lá, guardadas bem no fundo da nossa caixinha de memória e basta uma coisa para lembrar, pode ser uma música, ou até mesmo o clima do tempo.
Sorte a nossa, podemos reviver momentos e relembrar histórias! Que mesmo distantes estão tão próximas da gente, eu me lembro bem de quando tinha apenas 16 anos e tudo era novidade, o sorriso que fitava no meu rosto com cada coisa nova que me era permitida, sentia um sensação gostosa em saber que novos ares, e responsabilidades estavam vindo, hoje sinto que já não irei viver isso novamente, mas posso reviver com o fechar dos olhos.
Me trás tanta alegria saber que nossa mente é algo tão divino, podemos viajar para onde quiser, sem permissões, sem conselhos, livres de qualquer especulação. Aqui dentro não existe esquecimento, é só pensar e pensar, que logo encontramos o que queremos: Velhos amigos, histórias tristes e alegres, o primeiro beijo, o antigo amor, aquela pessoa querida que já se foi, o café da manhã feito pela vovó, os domingos de feira com o meu avô… Tanta coisa linda que passou, e saudades deixou.
- E tudo vira passado, que delícia de vida!
- É preciso para que haja recomeços!
- Se recomeçar permitisse ser com a mesma pessoa, essa coisa toda seria tão boa.
- Será? Acho q as coisas sempre mudam, nunca são as mesmas...
- A vida pede mudanças, são inevitáveis. Mais há pessoas que não deveriam sair desse repertório.
Sim, os meus erros do passado, o meu hábito de confiar demais, de confiar uma, duas ou três vezes na mesma pessoa me tornou esta pessoa que quase nunca confia em alguém.
Uma pessoa sozinha, mas feliz consigo mesma, porque tenho plena certeza de que não irei dar confiança demais para quem não merece o mínimo do meu prezar. Novos erros talvez eu cometa, os mesmos de ontem, eu não pretendo cometer.
Não alimente o passado,mais tente criar o presente e desista nunca vai intender o futuro,não desvie das pedras do caminho mais guarde-as talvez precise,pois nada e construído apenas por sonhos,um sonhador vive só,não tente escrever seu nome em uma pedra pois ao pó ela se tornará,a quem diga não perca a fé,a quem não intenda o que e ter fé,colecione tudo que te faz bem,e saiba o que te faz mal e apenas uma cicatriz,desta vida nada se leva se não as marcas,e não se esqueça que nada se vai por acaso e nada permanece por capricho do destino,não acredite apenas em ascendência,ou qualquer previsão astral,não perca quem realmente te quer bem,apenas sinta, viva, sonhe não perca a hora certa com a pessoa errada,valorize cada instante se for pra sempre,seja breve...
Guilherme Curado
E é hoje o dia da faxina mental...
joga fora tudo que te prende ao passado... ao mundinho
de coisas tristes... fotos...peças de roupa, papel de bala...ingressos de
cinema, bilhetes de viagens... e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados... jogue tudo fora... mas principalmente... esvazie seu coração... fique pronto para a vida... para um novo amor... Lembre-se somos apaixonáveis... somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes... afinal de contas... Nós somos o "Amor"...
" Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do
tamanho da minha altura."
Hoje a lembrança está mais presente...
Tenho tentado fugir da dor....
O passado de planos e sonhos, que um dia dividimos me faz ficar com saudade.
Já cheguei ao meu limite de tentar superar e esquecer...
Mas sozinho parece impossível...
Lembro das tarde que estávamos juntos..
Como é maléfico quando não conseguimos fugir de nossos pensamentos...
Estou aqui escrevendo novamente, encontrei nas palavras um amigo que me entende...
Realmente é complicado entender o que sinto e digo...
Sou realmente uma pergunta!
Admito que estou em conflito e a solidão me abraça forte.
Ganhei um presente da solidão e tenho usado todos os dias.
A amargura até me cai bem...
Vou seguindo silencioso e pensativo...
Cada vez mais estou caminhando sobre a noite...
Mas nunca vejo estrelas...
Me cubro da escuridão para que o frio que sinto não me deixe ainda mais frágil...
De verdade sinto sua falta...
Mas já tenho companhia, lembra?
A solidão!
Viajando pela estrada, eu passei em araguari,
Confesso que me arrependi de ter passado ali,
Com meu coração sofrendo, e em prantos de dor,
Fiz os meus lábios sorri pra saudar meu ex amor,
Com seu jeito sorridente, me abraçou alegremente,
Pra não manter esperança, me mostrou sua aliança,
A saudade é castigo, que em meu peito fez de abrigo,
A perda foi uma tortura, sinto muita esta amargura,
Por minha culpa e loucura, perdi uma criatura tão linda e pura.
Poesia — “Entre Fronteiras”
Estou entre a linha do riso e do choro,
Entre o passado que grita e o presente sem coro.
Entre lembrar e deixar pra lá,
Entre o que fui… e o que ainda há.
Amigos pedem, memórias puxam,
O coração sangra, mas as mãos ainda ajudam.
Quero cuidar de mim, mas me dou demais,
E acabo vazio nas madrugadas reais.
Feridas que não cicatrizam,
Nomes que ainda se repetem na brisa.
Aquela pessoa… ainda me fere em silêncio,
E as lágrimas… escorrem por dentro.
Mas mesmo assim, permaneço.
Mesmo em pedaços, eu mereço.
Mesmo perdido, sei que há direção.
Mesmo doendo, há força no meu coração.
E se hoje sou sombra, amanhã serei sol,
Não mais ingênuo, mas inteiro e melhor.
Porque quem sente assim tão fundo,
Carrega o tipo de alma que transforma o mundo.
O Passado Bateu na Minha Porta — Capítulo I
✍️ Valter Martins / Santo da Favela, o Poeta da Rua
Diário da Madrugada – Confissões de Rua
O Passado Bateu na Minha Porta Vinte anos. Duas décadas inteiras guardadas num canto silencioso da memória — onde a vida empurra aquilo que a gente pensa que superou. Mas o tempo não apaga tudo. Algumas histórias só hibernam. Ela era jovem — igual a mim —, mas tinha aquele jeito leve, quase de menina, que escondia uma mulher inteira por trás do sorriso. Naquela época, vivemos um romance que parecia improviso: rápido, intenso, urgente demais para ser entendido. A vida nos separou, como costuma fazer com tudo que queima cedo demais. Até hoje. Hoje o passado bateu na minha porta. E quando abri, ela estava ali. Não como lembrança — como realidade. Mais madura, mais linda, com cicatrizes que combinaram perfeitamente com as minhas. Conversamos como quem reencontra um livro interrompido na metade. Sem pressa, sem cobrança, sem aquela inocência de antes. Mas com a mesma chama — só que agora mais consciente, mais perigosa, mais verdadeira. E quando nos tocamos, o tempo desmoronou. Foi como voltar para aquela versão de nós dois que acreditava em eternidade. A pele dela ainda tinha o mesmo sabor que minhas lembranças guardaram. E na ponta da língua, senti novamente o gosto que vinte anos não conseguiram apagar. Ela me puxou como quem sabe exatamente onde guardar meu corpo. E sugou cada gota do meu desejo com uma sede antiga, familiar, que parecia ter ficado congelada no tempo à espera desse reencontro. Não era nostalgia — era destino atrasado. Não era saudade — era continuidade. Não éramos nós de antes — éramos nós de agora, finalmente preparados para aquilo que antes não sabíamos segurar.
O Passado Bateu na Minha Porta — Capítulo II
✍️ Valter Martins / Santo da Favela, o Poeta da Rua
Diário da Madrugada – Confissões de Rua
Ela sorriu quando entrou, aquele sorriso que já tinha tirado meu chão duas décadas atrás.
E enquanto falávamos do passado, ela trouxe à tona um detalhe que eu, talvez por culpa ou covardia, tinha escondido de mim mesmo:
— “Você lembra da primeira vez? Lembra que me beijou na testa? Aquele beijo foi a última coisa sua que eu levei comigo.”
A memória voltou inteira.
Cravada.
Viva.
Cruel.
Lembrei da menina que ela era — corpo jovem, mas desejo de mulher feita, dessas que aprendem cedo demais o que é sentir.
Naquela noite, ela me levou à loucura.
Foi mágico, foi urgente, foi proibido, foi fogo aceso sem pensar no estrago.
Eu lembro da pele dela pedindo a minha, do olhar dela exigindo o que nem sabia nomear.
Eu lembro das mãos trêmulas, da respiração curta, da forma como ela me puxou para dentro daquele instante como se fosse o último argumento do destino.
E antes de irmos longe demais, beijei sua testa.
Um gesto simples.
Quase ingênuo.
Mas para nós dois, aquilo valeu mais que todo o resto:
foi a primeira vez que toquei a alma de alguém sem perceber.
E ela continuou:
— “Você prometeu que ia deixar sua namorada. Prometeu que ficaria comigo… e nunca mais voltou.”
Senti o chão abrir.
Porque era verdade.
E eu era o tipo de homem que, naquela época, não sabia segurar nada — nem a mim mesmo.
Disse que ia abandonar um amor morno por uma paixão que queimava.
Disse.
Mas não fiz.
E deixei uma menina com coração de mulher esperando numa esquina que eu nunca tive coragem de retornar.
Agora, vinte anos depois, estávamos ali — dois estranhos cheios de história um do outro, carregando as cicatrizes daquilo que não vivemos.
E talvez tenha sido por isso que, quando a noite caiu, o reencontro não foi só reencontro: foi acerto de contas com o tempo.
Ela me tocou como quem cobra uma dívida antiga.
Me beijou como quem quer apagar duas décadas de silêncio de uma vez só.
E quando me puxou para perto, senti a mesma fome de antes — só que agora lapidada, adulta, consciente de tudo que podia destruir.
A roupa dela caiu como se tivesse esperado vinte anos para cair de novo.
E cada gesto, cada respiração, cada mordida tinha a mesma intensidade de quando era menina — mas agora com a precisão fatal de uma mulher que sabe exatamente onde guardar um homem e como desmontá-lo sem pressa.
E eu me entreguei.
Não como antes, movido por imprudência.
O Passado Bateu na Minha Porta — Capítulo III
✍️ Valter Martins / Santo da Favela, o Poeta da Rua
Diário da Madrugada – Confissões de Rua
Mas como agora: movido por falta, por memória, por desejo que sobreviveu escondido em alguma gaveta da alma.
Na metade do nosso corpo entrelaçado, ela sussurrou no meu ouvido:
— “Vinte anos… e você ainda tem o mesmo gosto.”
E pela primeira vez desde jovem, senti minha própria vida passar inteira pelos olhos enquanto o corpo dela encaixava no meu como se nunca tivesse deixado de ser meu lugar.
Não houve nostalgia.
Não houve fantasia.
Não houve mentira.
Houve nós dois.
De verdade.
Finalmente no mesmo tempo.
Finalmente na mesma pele.
E percebi:
alguns amores não envelhecem.
Eles apenas esperam o relógio certo para voltar e cobrar o que deixamos pela metade.
Quando teus olhos encostaram nos meus,
o mundo perdeu o equilíbrio —
e eu perdi a noção do que era certo ou seguro.
Teu corpo tinha o cheiro de madrugada molhada,
pele quente pedindo abrigo,
e eu…
eu era só um homem cansado demais pra negar o destino
e faminto demais pra recusar tua boca.
Me deitei nas tuas curvas como quem encontra casa,
mas beijei tua pele como quem sabe
que toda casa um dia desaba.
Teus dedos riscavam meu peito,
e cada toque teu parecia um poema escrito com fogo,
um aviso de que não existe amor sem queimadura.
E, mesmo sabendo,
eu me atirei.
Porque quando você sussurrou meu nome,
não era só desejo —
era recomeço, era cura, era pecado,
era tudo aquilo que eu nunca tive
e que sempre pedi calado.
E se amanhã a gente se perder,
que seja.
Hoje, aqui, agora,
eu quero teus olhos, tua pele, teu caos inteiro,
até o último fio de luz
que escorre da tua alma
quando você desmorona nos meus braços.
Hoje, amor…
eu só quero te sentir
até a poesia gemer.
✍️ Valter Martins / Santo da Favela, o Poeta da Rua
Diário da Madrugada – Confissões de Rua
