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CORRER ATRÁS DO VENTO

Tem gente que vive a vida
Sem saber onde quer chegar,
Conquista tudo que sonha,
Mas não consegue enxergar
Que aquilo que já possui
Era o que queria alcançar.

Quer sempre mais uma coisa,
Depois outra sem parar,
Quando consegue o que busca,
Já começa a reclamar:
O desejo vira fome
Que não consegue saciar.

Constrói castelo de sonhos,
Mas não consegue morar,
Pois sua mente está sempre
Procurando outro lugar;
Tem o mundo nas suas mãos,
Mas só consegue enxergar
O que ainda não pode tocar.

É como um buraco negro
No fundo do pensamento,
Que engole toda conquista,
Todo afeto e sentimento;
Quanto mais recebe dentro,
Mais aumenta o seu tormento.

Olha a casa que comprou,
Mas deseja uma mansão;
Tem amor da sua família,
Mas procura outra paixão;
Tem saúde, tem amigos,
Mas reclama da situação.

Tem dinheiro no bolso,
Mas ainda quer acumular;
Tem estrada percorrida,
Mas só pensa em caminhar;
Não contempla a própria história,
Porque só quer conquistar.

O problema não é sonhar,
Nem querer prosperidade;
É transformar o desejo
Numa eterna necessidade,
E esquecer que a verdadeira
Riqueza é ter liberdade.

Quem vive correndo atrás
Do que pensa encontrar,
Pode passar pela vida
Sem sequer dela desfrutar;
Pois enquanto busca o futuro,
Deixa o presente escapar.

Há quem tenha quase tudo,
Mas se sinta sem ter nada;
Porque mede sua riqueza
Pelaquilo que é desejada,
E não pelo que já possui
Na caminhada encerrada.

O vento passa ligeiro,
Não se deixa aprisionar;
Quanto mais alguém o persegue,
Mais distante ele estará.
E quem vive nessa corrida
Pode a própria vida perder.

Não é errado querer mais,
Nem buscar transformação;
O perigo é nunca dizer:
"Já tenho o que é de bom."
Pois a fome sem medida
Também devora o coração.

A vida pede equilíbrio,
Entre o ter e agradecer;
Entre aquilo que se busca
E aquilo que se pode viver.
Quem só olha para frente
Pode esquecer de se ver.

Se a felicidade é sempre
A próxima coisa a alcançar,
Quando ela enfim se aproxima,
Outra irá ocupar seu lugar.
E assim a pessoa passa
A vida inteira a procurar.

Pare um pouco nessa estrada,
Respire e olhe ao redor;
Veja quanto já venceu,
Reconheça o seu valor.
Talvez o que tanto procura
Já esteja dentro do amor.

Pois quem não sabe agradecer
Pelo pouco que conquistou,
Pode ganhar o mundo inteiro
E continuar sem valor;
Porque nenhum bem material
Preenche o vazio interior.

E se quiser correr livre,
Corra, mas sem se perder;
Busque aquilo que deseja,
Sem esquecer de viver.
Pois mais importante que chegar
É saber o que fazer.

Correr atrás do vento
Só por brincadeira,
Pode até ser divertido
Numa tarde passageira;
Mas fazer disso uma vida
É correr a vida inteira.

O LIVRO DA VIDA

1 — O começo

Minha vida é um livro,
Que começa ao nascer,
Todo dia há perigo,
Que o tempo faz escrever.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

2 — A infância

Na infância há folia,
Com brinquedo e correr,
Toda hora traz magia,
Sem ter medo de crescer.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

3 — A adolescência

Vem depois a mocidade,
Com desejo de voar,
Cheia de curiosidade,
Quer o mundo conquistar.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

4 — A juventude

O coração se desperta,
Quando aprende a desejar,
Uma paixão deixa aberta
Uma porta para amar.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

5 — A paixão

Tem olhar que diz carinho,
Sem sequer uma palavra,
E a paixão abre caminho,
Quando o coração se entrega.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

6 — A desilusão

Mas o amor também termina,
Quando a promessa se desfaz,
E a tristeza nos ensina
Que nem todo amor dá paz.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

7 — As lutas

Vêm as lutas da jornada,
Que nos fazem aprender,
Cada dor deixa ensinada
Uma forma de vencer.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

8 — As alegrias

Há momentos de alegria,
Que parecem não ter fim,
Há família em harmonia,
Com abraço e amor sem fim.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

9 — O tempo

O tempo passa ligeiro,
Sem parar pra nos esperar,
Leva o sonho derradeiro,
E nos manda envelhecer.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

10 — A maturidade

Cada ruga traz memória,
Cada marca, uma lição,
Cada queda conta história,
Cada perda, reflexão.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

11 — As perdas

Há páginas doloridas,
Que ninguém quer reler mais,
São lembranças tão sofridas,
De pessoas que se vão.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

12 — A velhice

Na velhice a gente entende
O valor de um bom viver,
Quem semeia amor, colhe e aprende
Que é preciso agradecer.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

13 — A morte

Todo livro tem seu fim,
Toda estrada tem chegada,
Quando a morte chega, enfim,
Fecha a última jornada.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

14 — O que fica

Mas o amor não morre inteiro,
Quando alguém deixa este chão,
Pois permanece verdadeiro
Na memória e no coração.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

15 — A lição

Não rasgue a página triste,
Nem esconda a cicatriz,
Pois a dor também existe
Pra ensinar a ser feliz.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

16 — A caminhada

Se a tristeza aparecer,
Não desista de lutar,
Toda dor pode ensinar
Outro jeito de viver.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

17 — A última página

Quando o livro for fechado,
E não der mais pra escrever,
Que seu nome seja lembrado
Pelo bem que fez crescer.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

18 — Conclusão

A vida é feita de histórias,
De alegrias e de dor,
De derrotas e de glórias,
De esperança, fé e amor.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

Nascer, crescer, amar e sofrer,
São páginas da existência;
Morrer é apenas devolver
Ao tempo nossa presença.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

Por isso escreva direito
As páginas do seu viver;
Faça o bem com muito jeito,
Enquanto puder viver.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

Pois ninguém escolhe as páginas
Que o destino vai trazer;
Mas pode escolher as marcas
Que deixará ao morrer.

No livro da Vida
nem todas as páginas são coloridas.

MÉTODO PROTAGONISTA: ASSUMA A AUTORIA DA SUA HISTÓRIA

Por Carlos Eduardo Balcarse

A vida não nos oferece o controle de todas as circunstâncias, mas isso não significa que estejamos condenados a ser meros espectadores da nossa própria existência.

Entre aquilo que nos acontece e aquilo que fazemos com o que nos acontece, existe um espaço de discernimento, consciência e possibilidades de resposta.

É nesse espaço que nasce o protagonismo.

Ser protagonista não significa acreditar que tudo depende exclusivamente de nós. Significa reconhecer os limites da realidade sem transformar esses limites em justificativas automáticas para a ausência de ação.

Não escolhemos todas as circunstâncias, mas podemos aprender a examinar nossas possibilidades de resposta diante delas.

A consciência nos permite perceber. O discernimento nos ajuda a examinar. A autoria consciente nos convoca a assumir a responsabilidade por aquilo que podemos realizar.

Foi a partir dessa compreensão que desenvolvi o Método PROTAGONISTA, uma proposta teórico-pedagógica e metodológica fundamentada na Autoria Consciente Situada (ACS).

O método articula autoliderança, discernimento, agência humana, autorregulação e responsabilidade proporcional, considerando que nossas possibilidades de ação são condicionadas pelas circunstâncias concretas em que vivemos.

Não se trata de prometer controle absoluto sobre a vida, mas de investigar como podemos reconhecer e construir respostas possíveis, conscientes e responsáveis.

Essa proposta integra meu projeto intelectual dedicado à consciência, ao discernimento e à autoria humana, estabelecendo também uma interface conceitual com o METADISCERN.

O protagonismo começa quando deixamos de confundir os limites da realidade com os limites das nossas possibilidades.

Não podemos escrever todas as páginas da nossa história, mas podemos aprender a assumir a autoria daquelas que ainda nos cabe escrever.

Afinal, consciência sem autoria é perceber a vida e permitir que outros a escrevam.

⸻

📚 PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA

O artigo “Método protagonista: autoria consciente situada, arquitetura da resposta possível e agenda de validação”, de Carlos Eduardo Garcia Moreno Balcarse, foi publicado em 24 de setembro de 2026, na Revista JRG de Estudos Acadêmicos, volume IX, número 21.

A publicação apresenta a fundamentação conceitual do Método PROTAGONISTA e sua agenda de validação científica.

DOI: 10.55892/jrg.v9i21.3775

Artigo completo: https://doi.org/10.55892/jrg.v9i21.3775

Carlos Eduardo Balcarse

Escritor, pesquisador, professor e palestrante.

Palavras-chave: Método PROTAGONISTA; Carlos Eduardo Balcarse; Autoria Consciente Situada; autoliderança; protagonismo humano; discernimento; METADISCERN; responsabilidade proporcional; agência humana; desenvolvimento humano.

Quando o inimigo se aproximar
No batente da porta da minha vida
Está o sangue de Jesus Cristo
Eu não terei medo, eu não terei medo
Há um exército de anjos aqui
Estou protegido de todos os lados
Pelo sangue de Jesus Cristo Hope Darst / Jacob Sooter / Lauren Sloat

A vida é um amontoado de despedidas, onde ninguém sabe qual é a derradeira.


A vida, em essência, é uma sucessão de chegadas e partidas.


Um amontoado de despedidas silenciosas que se acumulam, quase sempre sem aviso.


Nunca sabemos qual abraço será o último, qual conversa não se repetirá, nem qual olhar se prenderá eternamente na memória.


Talvez seja justamente essa incerteza que valorize o instante — a consciência de que ele é frágil, transitório, irrepetível.


Por isso, a vida nos convida a viver cada encontro com reverência, cada presença com gratidão e cada despedida com a delicadeza de quem entende que até a separação faz parte do milagre de existir.


No fim, não é a derradeira despedida que mais importa, mas sim a intensidade dos encontros que a antecedem.

Que o Senhor da Vida liberte os que trilham as Estradas da Saudade calçados com as Sandálias do Remorso!
Amém!


Liberta, Senhor!


Arrebentai as Sandálias do Remorso de todos que revisitam as lembranças dos que partiram antes de nós!


Saudades, sim — Tristeza, não!


Amém!?!


Porque a Saudade, por si só, já é estrada longa o bastante — feita de Memórias, Silêncios e Ausências que aprendem a conversar conosco.


Mas há quem caminhe por ela ferindo os próprios pés, calçado com as sandálias do arrependimento.


São passos, às vezes, demasiadamente pesados, que machucam o coração a cada lembrança do que não foi dito, do abraço adiado, da reconciliação interrompida...


No entanto, a verdadeira cura começa quando entendemos que o amor não termina com a partida — apenas muda de endereço.


E quem parte não deseja nos ver presos ao que faltou, mas gratos pelo que foi vivido.


Descalçar o remorso é um gesto sagrado: é permitir que a saudade volte a ser caminho de amor e não de castigo.


Que possamos, então, revisitar nossas lembranças com a graça de quem sabe que o perdão é o único calçado capaz de levar a alma em paz, sobretudo pelas estradas pavimentadas pela Saudade.


Amém!

⁠Talvez não haja
livro mais bobo
do que o
“Livro Aberto”
da nossa própria vida.




Pois, não há imaturidade maior que colocar nossa história nas gôndolas das curiosidades.




Não por falta de páginas, mas por excesso de exposição.




Há histórias que não foram feitas para vitrines, mas para travesseiros.




Não pedem aplausos — pedem silêncio.




Não querem curtidas — querem maturidade.




Transformar a própria trajetória em material de exposição na gôndola de curiosidades é — no mínimo — confundir transparência com exibicionismo, sinceridade com carência e coragem com imaturidade.




Nem tudo o que vivemos precisa ser explicado.




Nem toda dor precisa de plateia.




Nem toda vitória precisa de testemunhas.




Há capítulos que só fazem sentido quando lidos absolutamente em segredo.




E há aprendizados que se perdem no instante em que viram espetáculos.




A vida não é um Livro Aberto.




É um manuscrito sagrado, com trechos que só o tempo, a consciência e Deus têm permissão de folhear.⁠

⁠Enquanto para uns, o que dói é a finitude da vida, para outros, o que alivia é a finitude das dores.


Para uns, a morte é a grande inimiga — a interrupção brusca dos planos, dos afetos, dos sonhos ainda inacabados — para outros, ela surge como um descanso prometido, quase um silêncio misericordioso depois de longos e exaustivos gritos.


Há quem tema a finitude da vida porque ama intensamente o que tem, o que construiu, o que viveu e o que ainda espera viver.


Para esses, cada despedida é um rasgo, cada adeus é uma mutilação do possível.


A morte representa a perda de tudo: das mãos que se tocam, das conversas inacabadas, dos abraços que ainda poderiam ser dados.


É o fim das oportunidades de amar mais uma vez.


Mas há também quem, exausto de carregar dores que não cessam, encontre na ideia da finitude um alívio secreto.


Não porque despreze a vida, mas porque já não suporta a forma como ela se apresenta.


Para esses, a morte não é vista como roubo, mas como cessação.


Não é a perda de tudo — é o fim de tudo o que dói.


É o apagar de uma chama que já não aquece, apenas queima.


E aí reside o grande paradoxo da existência: a mesma morte que para uns é tragédia absoluta, para outros é libertação imaginada.


Ela é, simultaneamente, ausência e descanso; ruptura e cessação; perda e alívio.


Talvez isso revele menos sobre a morte e mais sobre a forma como estamos vivendo.


Porque, quando a vida é experiência de sentido, a finitude assusta.


Mas quando a vida se torna apenas resistência, a finitude seduz.


No fundo, não é a morte que muda de significado — é o peso que carregamos enquanto respiramos que redefine o que ela representa.


E talvez a tarefa mais urgente e necessária não seja discutir a morte, mas aprender a tornar a vida menos insuportável para quem já não a reconhece como lar.

⁠Sou muito da poesia, mas se a vida me empurrar para a artilharia,
jamais vou me furtar.


Porque há em mim uma inclinação natural para as palavras que curam, para os silêncios que acolhem e para as metáforas que ajudam o mundo a respirar um pouco melhor.


A poesia, afinal, é o território onde a sensibilidade ainda tem cidadania e onde a humanidade tenta se lembrar de si mesma.


Mas viver não é apenas contemplar.


Há momentos em que a realidade deixa de pedir versos e passa a exigir coragem.


Momentos em que a delicadeza, sozinha, já não protege quase nada — nem a dignidade, nem a verdade, nem a própria vida.


Nessas horas, permanecer apenas na poesia pode ser confundido com ausência, e silêncio pode parecer concordância.


Não porque a poesia seja fraca, mas porque existem tempos em que até a beleza precisa aprender a defender-se.


E nem se trata de abandonar a poesia, mas de compreender que ela também pode vestir armadura quando necessário.


Que quem cultiva sensibilidade não está condenado à passividade.


E que defender aquilo que dá sentido à vida também é uma forma de honrar tudo aquilo que a poesia sempre tentou dizer.


Ser da poesia é escolher, sempre que possível, o caminho da palavra antes do confronto.


Mas é também saber que a dignidade não pode ser permanentemente desarmada.


Porque quem ama profundamente a vida não luta por amar guerra — mas para que ainda exista mundo suficiente onde a poesia possa continuar respirando.

⁠Não há arrependimento de mãos ensanguentadas que devolva a vida de um inocente.


Essa é uma das verdades mais duras que a existência humana pode encarar.


Há erros que podem ser corrigidos, palavras que podem ser retiradas, pontes que podem ser reconstruídas e feridas que o tempo até consegue cicatrizar.


Mas existem escolhas cujas consequências atravessam o limite do reparável.


Quando uma vida inocente é interrompida, não há remorso capaz de inverter o curso dos acontecimentos, nem lágrimas doloridas e suficientes para preencher o vazio deixado por uma ausência definitiva.


O arrependimento possui um valor inegável.


Ele revela a consciência desperta para o peso dos próprios atos.


É a alma reconhecendo aquilo que antes ignorou, desprezou ou justificou.


Contudo, o arrependimento não é uma máquina do tempo.


Sua função não é apagar o passado, mas impedir que a mesma escuridão continue produzindo destruições futuras.


Talvez por isso a responsabilidade seja uma virtude tão necessária.


Antes de cada decisão, existe um instante muito silencioso em que ainda somos livres para escolher.


Depois que a ação se concretiza, passamos a ser prisioneiros de suas consequências.


A verdadeira liberdade habita o momento da escolha; a responsabilidade habita tudo o que vem depois.


Vivemos em uma época em que frequentemente se busca justificativas para tudo.


Circunstâncias, emoções, traumas e pressões são apresentados como explicações para atitudes que jamais deveriam ter acontecido.


Embora compreender as causas de uma tragédia seja muito importante, nenhuma explicação transforma o errado em certo, nem devolve à vítima aquilo que lhe foi tirado.


A compreensão pode esclarecer; a justificativa, porém, não absolve.


Existe também uma lição bastante dolorosa sobre o valor da vida humana.


Muitas vezes, ela só é percebida em sua plenitude quando já não pode ser recuperada.


A presença que parecia comum torna-se insubstituível.


A voz que era rotina transforma-se em profundo silêncio.


E aquilo que foi tratado como descartável revela-se um universo inteiro que jamais voltará a existir.


Por isso, mais do que refletir sobre o arrependimento, é necessário refletir sobre a consciência.


Sobre o cuidado com as próprias ações.


Sobre a capacidade de enxergar a humanidade do outro antes que seja tarde demais.


Porque a verdadeira sabedoria não está em lamentar o mal causado, mas em impedir que ele aconteça.


No fim, o arrependimento pode transformar quem errou, mas não ressuscita quem partiu.


E talvez essa seja a razão pela qual algumas escolhas carregam um peso tão imenso: elas nos lembram que há danos que o tempo não desfaz, palavras que silêncio algum corrige e vidas que, uma vez perdidas, permanecem para sempre além do alcance de qualquer pedido de perdão.

Entre os “cristãos” que aceitam a interrupção da vida intrauterina e os que aceitam a interrupção da que “não deu certo” — socialmente —, paira um abismo de Misericórdia.


Talvez porque a Misericórdia verdadeira não se acomode nas trincheiras ideológicas.


Ela não escolhe vítimas conforme a conveniência moral do momento, nem distribui compaixão segundo critérios de afinidade política, econômica ou cultural.


A Misericórdia vê primeiro a pessoa, depois a circunstância; primeiro a dignidade, depois o julgamento.


Há quem se escandalize diante da interrupção de uma vida ainda escondida no ventre, mas permaneça indiferente quando uma existência já nascida é descartada pela pobreza, pela dependência química, pela doença mental, pela solidão ou pelo fracasso.


Há também quem se mobilize em defesa dos vulneráveis que caminham pelas ruas, mas relativize a vulnerabilidade absoluta daquele que sequer pode erguer a própria voz.


Em ambos os casos, o risco de transformar a defesa da vida em uma causa seletiva é iminente.


E toda seletividade aplicada à dignidade humana revela mais sobre nossas preferências do que sobre nossos princípios.


O Evangelho apresenta um caminho muito mais exigente.


Não basta defender a vida em um estágio e ignorá-la em outro.


Nem proteger o inocente antes do nascimento e abandonar o ferido depois dele.


Tampouco basta acolher o socialmente excluído e negar humanidade ao que ainda não nasceu.


A coerência da caridade cristã pede um olhar integral: a vida humana não adquire valor por ser desejada, produtiva, saudável ou socialmente bem-sucedida.


Seu valor é anterior a qualquer mérito.


A Misericórdia não elimina a verdade, mas também não permite que a verdade seja usada como instrumento de condenação.


Ela convida à defesa da vida sem arrogância, ao acolhimento sem relativismo e à justiça sem crueldade.


Talvez o maior desafio não seja identificar quem está do outro lado do abismo, mas reconhecer que todos estamos à sua beira.


Porque, quando a compaixão se torna seletiva, quando a dignidade humana passa a depender de circunstâncias ou preferências, cada um de nós contribui para alargar a distância entre aquilo que professamos e aquilo que vivemos.


E é justamente sobre esse abismo que a Misericórdia insiste em construir pontes.


Não para abandonarmos nossas convicções, mas para que elas sejam iluminadas pelo amor; não para deixarmos de defender a vida, mas para aprendermos a defendê-la integralmente, do início mais silencioso até o último suspiro natural.⁠

⁠E se a
Finitude da Vida for aMoldura Invisível que valora tudo o que vivemos?


Talvez seja justamente porque a vida acaba que cada instante carrega algum valor.


Se tivéssemos tempo infinito, talvez os abraços pudessem esperar, os encontros poderiam ser adiados, os pedidos de perdão ficariam para depois e os sonhos jamais precisariam sair do papel.


A finitude nos lembra, e muito silenciosamente, que não existe um estoque ilimitado de manhãs nem amanhãs.


É ela que transforma um café com quem amamos em memória, uma conversa despretensiosa em lembrança, um olhar em saudade.


É porque sabemos que as pessoas podem partir — e que nós também partiremos — que certas presenças se tornam tão preciosas.


Estranhamente — aquilo que nos apavora — também pode nos ensinar a viver.


A consciência de que o tempo é limitado deveria nos tornar menos econômicos com o afeto, menos orgulhosos diante do perdão, menos preocupados em vencer discussões e mais interessados em não desperdiçar encontros.


Talvez viver bem não seja tentar encontrar uma maneira de escapar da finitude, mas aprender a fazer dela uma razão para estar inteiro no que ainda existe.


Porque, no fim, não é apenas a quantidade de tempo que valoriza a vida.


É a consciência de que ele não volta.


E talvez seja por isso que algumas coisas tão simples — um abraço demorado, uma mesa compartilhada, uma risada inesperada, um “eu te amo” dito sem esperar motivo — valham tanto.


A vida não precisa ser eterna para ser imensa nem intensa.


Talvez baste que, enquanto durar, a gente tenha coragem de realmente vivê-la.

⁠Passamos tanto tempo vivendo como se a vida fosse infinita, que morremos sem ter vivido quase nada.


Adiamo-nos.


Depois viajamos, depois amamos, depois perdoamos, depois dizemos o que sentimos, depois fazemos aquilo que realmente desejamos.


E, enquanto esperamos pelo momento certo, a vida vai acontecendo sem pedir licença — silenciosa, irreversível, indiferente aos nossos planos.


Talvez o maior engano não seja acreditar que nunca vamos morrer, mas agir como se ainda tivéssemos tempo para tudo.


Como se houvesse uma reserva infinita de amanhãs, abraços, conversas, encontros e recomeços esperando por nós.


Passamos anos acumulando coisas e adiando experiências; preocupados em garantir o futuro, esquecemos de habitar o presente.


Construímos agendas tão cheias que já não sabemos onde colocar a própria vida.


E o tempo, que parecia tão abundante, começa a revelar sua verdadeira face: ele não guarda nada.


Cada dia que passa não fica à nossa espera.


Vai embora.


Talvez viver seja, antes de tudo, compreender que não precisamos esperar algo de extraordinário para perceber o valor de um dia comum.


Há uma urgência muito discreta em estar vivo.


Urgência de olhar demoradamente para quem amamos, de dizer aquilo que sentimos, de rir sem culpa, de abandonar algumas prisões, de fazer as pazes com o que não podemos mudar.


Porque, no fim, ninguém lamenta ter vivido demais.


O que pesa é descobrir que poderia ter vivido mais — não necessariamente mais anos, mas mais presença nos anos tidos.


A morte não é apenas o fim da vida.


Às vezes, ela é também o resultado de uma vida que foi sendo adiada até que já não houvesse mais o que adiar.


Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja quanto tempo ainda temos, mas o que estamos fazendo com o tempo que já nos foi dado.


A vida pode não ser infinita.


Mas pode ser inteira.


E talvez isso seja o suficiente.

"Conheci dois grandes e poderosos na vida: o TEMPO e a DESCULPA DA FALTA DE TEMPO. Tenho amizade somente com ele. Quanto a ela foi expulsa antes mesmo de tentar entrar na minha vida."
Frase Minha 0559, Criada no Ano 2012

USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

2703 📜 'Reduzi' em 100 por cento Minhas Saídas Fotográficas porque a maior parte da Minha Vida vivi na Cidade talvez a mais bela deste Planeta (excelente, portanto, também para Fotos). Mas...
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Apesar de excelente até para Fotos de Rua, 'Minha' Cidade é, ainda, uma das mais perigosas (e sem solução à vista). Cansei de passar horrores, sobressaltos e ter que esconder Câmeras Fotográficas em sacolas de supermercado. Que ridículo!

" 'Eu sei que vou te amar / Por toda a minha vida, vou te amar...' Foi exatamente o que eu me disse, outra vez, quando me vi, outra vez, em frente ao espelho! Com base nos versos de Vinícius de Moraes, na composição com Tom Jobim."
Frase Minha 0482, Criada no Ano 2010

USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

"Impossível, para mim, conviver com quem passa a vida toda dissimulando. Aquele tipo de gente que diz que gosta até de jiló... Só para não desagradar a cozinheira, a amiga ou quem quer que seja!"
Frase Minha 0668, Criada no Ano 2013


USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

1579
"Não conheço nada mais PRESENTE na minha vida do que o meu PASSADO (que foi ótimo). E jamais vou entender quem repudia o proprio passado não porque quer, não por vontade ou por fatos mas (que absurdo!) porque a Igreja ou o Líder Religioso ou o Manual das Justificativas assim exigem. Sem chance, comigo!"

1585
"Entre tudo o que Eu NUNCA tive na vida, destaco, principalmente, algo que até me intriga: DÚVIDA. Jamais tive dúvida seja lá do que for e isso desde a época em que eu era bebê, dizem. Dúvida Alguma, Sobre Coisa Nenhuma. E gosto disso! Gosto de ser assim, sem qualquer dúvida, HeHeHe!"

1589
"Não tenho a menor ideia do que a Inteligencia Artificial irá fazer na vida pessoas. Do mesmo modo que também não sabia o que tantos Inventos e Descobertas iriam provocar... Como a chegada do Automóvel, da TV, dos eletrodomésticos, do Homem na Lua e tudo mais. Nunca soube, não sou Adivinho nem Vidente e, por isso nunca especulei e nunca me 'presepepei' em torno disso. Eu vivo assim. Não vivo como Alguns!"