Flores em vida Recentemente, fui ao... Jenefer Ofemester
Flores em vida
Recentemente, fui ao cemitério limpar o túmulo da minha mãe. Há 15 anos não a vejo. Ela lutou durante dois anos contra um câncer de pâncreas, e fiz tudo o que estava ao meu alcance para cuidar dela. Dei o meu melhor, embora, às vezes, ainda me pergunte se poderia ter feito mais.
Enquanto estava ali, observei os túmulos ao redor. Havia muitas flores artificiais, lápides com mensagens de amor, promessas de nunca esquecer e declarações de uma saudade que permanece.
E comecei a pensar: será que todas aquelas pessoas receberam flores enquanto estavam vivas? Será que ouviram o quanto eram importantes? Será que foram valorizadas enquanto ainda podiam sentir um abraço, ouvir uma palavra de carinho ou desfrutar da companhia de quem as amava?
Esse pensamento me levou a outra observação.
Nas redes sociais, vejo pessoas compartilhando fotografias, conquistas e momentos da própria vida. Muitas vezes, quase ninguém comenta. Mas, quando alguém morre, surgem centenas de mensagens. São lembranças, histórias, elogios e declarações sobre o quanto aquela pessoa era especial e a saudade que deixará.
E eu me pergunto: por que tantas dessas palavras ficam guardadas até que a pessoa já não possa ouvi-las?
Não penso que as homenagens depois da morte sejam menos sinceras. A saudade é real, e cada pessoa encontra sua maneira de expressá-la. Também sei que muitas flores deixadas sobre um túmulo representam histórias de amor, presença e cuidado durante a vida.
Mas essa experiência me fez pensar sobre aquilo que costumamos adiar.
Às vezes, temos facilidade para reconhecer as qualidades de alguém depois que essa pessoa parte, mas dificuldade para expressar nossa admiração enquanto ela está presente.
Talvez devêssemos elogiar mais, agradecer mais, visitar mais, ouvir com mais atenção e demonstrar nosso carinho sem esperar uma ocasião especial.
Porque a vida acontece agora, nas relações que ainda podemos cultivar e nas palavras que ainda podem ser ouvidas.
As flores sobre os túmulos podem representar uma saudade que nunca desaparece. Mas as flores oferecidas em vida têm algo especial: podem ser recebidas por quem amamos.
Não é errado levar flores a quem partiu. Mas que não nos falte a sensibilidade de oferecê-las também a quem ainda está aqui. Que possamos reconhecer o valor das pessoas enquanto ainda podemos compartilhar a vida com elas.
