Quando a Noite Chega: A Importância de... Cidavitorio
Quando a Noite Chega: A Importância de Ter o Nosso “190” Emocional
A vida é marcada por momentos de luz, mas também por períodos de profunda escuridão. Em algum momento, quase todos enfrentamos crises existenciais, inseguranças profissionais, perdas, frustrações ou situações que nos fazem sentir vulneráveis. Nessas horas, descobrimos uma verdade simples e poderosa: ninguém deveria atravessar a escuridão sozinho.
Quando enfrentamos uma emergência médica, ligamos para o serviço de urgência. Quando há um incêndio, acionamos os bombeiros. Mas e quando o que está em crise é a nossa esperança, nossa autoestima ou nossa capacidade de seguir em frente? Quem chamamos?
Todos precisamos de alguém que seja o nosso “190 emocional”. Alguém para atender quando o desespero bate à porta, quando os pensamentos se confundem, quando o medo paralisa ou quando simplesmente não encontramos forças para continuar. Não precisa ser um profissional da área de saúde, embora esse apoio seja muitas vezes fundamental. Pode ser um amigo, um familiar, um mentor, um colega ou qualquer pessoa capaz de oferecer escuta, acolhimento e presença.
Há uma falsa crença de que força significa resolver tudo sozinho. No entanto, a verdadeira fortaleza está em reconhecer a própria fragilidade e permitir que alguém caminhe ao nosso lado. Compartilhar angústias não diminui a dor imediatamente, mas reduz o peso de carregá-la sozinho. Muitas vezes, uma conversa sincera não resolve o problema, mas impede que ele nos consuma.
No ambiente profissional, por exemplo, é comum que as pessoas escondam o cansaço, a ansiedade e as dúvidas sob uma aparência de controle. Entretanto, ninguém é imune ao esgotamento, ao sentimento de inadequação ou à incerteza sobre o próprio futuro. Ter alguém de confiança para ouvir, orientar ou apenas permanecer presente pode ser a diferença entre desistir e recomeçar.
A escuridão tem uma característica perigosa: ela nos convence de que estamos sozinhos. Mas quase sempre existe uma mão estendida, um ombro disponível ou uma voz disposta a lembrar que a tempestade passa. Por isso, tão importante quanto encontrar o nosso “190” é também nos tornarmos o “190” de alguém. Um telefonema atendido, uma mensagem respondida ou alguns minutos de atenção genuína podem representar muito mais do que imaginamos.
No fim das contas, a vida não é uma jornada de autossuficiência, mas de conexões. E, quando tudo parece escuro, a presença de alguém que nos ajude a enxergar uma pequena luz pode ser exatamente o que precisamos para encontrar novamente o caminho. Afinal, ninguém deveria enfrentar sozinho os momentos em que a alma pede socorro.
by Cida Vitório
