Texto sobre Sol
Estou vivendo em vão, todos os dias o sol nasce e morre sem dar fruto na minha vida. A vida deles continua a florescer, e a minha morre com as gargalhadas que dou para fingir que o mundo é um paraíso.
Além do meu corpo, a minha alma também sente frio. Para onde foram os meus sonhos de vencer na vida? Alguém me disse: estão vivos no túmulo da minha mente. Estou morto em vida, os meus gemidos gritam no silêncio.
A solidão se tornou a luz para muitos, e a luz cega a mente que pensa que conhece a luz. Ao mesmo tempo que nasce, foi o mesmo que morre.
Até à próxima vida.
Dias de Chuva e Resiliência
por Augusto Silva
Nem sempre o sol desperta com a gente.
Às vezes é a chuva que dita o ritmo,
e o café, nosso único abrigo.
Esse poema é para quem já se sentiu preso nas nuvens,
mas decidiu caminhar mesmo assim.
Hoje acordei cedo,
a chuva fazia alarde nos telhados,
como se o céu também tivesse pressa.
O ar, denso e escuro,
trazia algo de Notting Hill,
um encanto suspenso,
uma pausa involuntária
para refletir.
O corpo levantava devagar,
como se a chuva também morasse por dentro,
e os pensamentos ainda fossem vestígios da noite.
E mesmo com os olhos carregados de escuridão,
nos obrigamos a levantar.
Uma força estranha nos segura pelo tornozelo.
Ainda assim, erguemo-nos
como quem carrega o próprio peso das nuvens.
O café, nesse teatro todo,
parece ser nosso bálsamo,
sem prometer cura,
ressuscitando devagar a alma.
Porque há dias que não pedem sol,
mas pedem resiliência.
E talvez a verdadeira felicidade
seja apenas isso:
seguir,
mesmo quando tudo em volta
parece querer que a gente não saia de casa.
Sementes da Gratidão
Acordo e sinto o vento,
o cheiro da terra molhada,
o calor do sol na pele,
e percebo — sou parte do milagre.
Grato pelos passos que me trouxeram,
pelas quedas que me ensinaram,
pelos olhos que cruzaram meu caminho
e acenderam luz quando tudo era sombra.
A vida não me deve nada,
e, ainda assim, me entrega tudo.
Em cada abraço, em cada sorriso,
existe um universo inteiro dizendo:
“Você não está só.”
Grato pelas manhãs que começam,
pelos desafios que me moldam,
pelos silêncios que me fazem ouvir
o que o mundo, às vezes, esquece de dizer.
Carrego no peito uma prece muda,
uma canção sem som,
mas cheia de sentido:
“Obrigado, vida.”
HOJE
Hoje eu quero ver o sol...
Na sua ostensiva beleza
Retirar-me do fino lençol
Com raios de delicadeza...
Hoje eu quero ver o mar...
Mais ainda do que ontem
E amanhã quando acordar
Lembrarei do anteontem...
Despertar e ficar de pé...
Levemente pisar a areia
Antes de tomar um café
Ou desejar a outra ceia...
Hoje eu quero mais um dia...
Quero um dia como antes
Para exprimir a viva poesia
Exaltando-se aos instantes...
(HOJE - Edilon Moreira, Maio/2021)
SOLIDÃO
Minha solidão ao sol... Nunca me dói...
Mas à lua... Só quando ela me diz
Que meu ser lunar, de triste, se corrói
E o meu ser solar é quem é mais feliz...
A solidão não é alvo que se destrói...
É pequena árvore de longa raiz!
Acompanhada por mais de uma voz
Faz brotar amor onde antes se quis...
Em meus versos... Há algo de aloe...
De nuanças medicamentosas para febrís
Como lanças... Acertam todo o algoz
Que ferir-me, sem dizer-me, o que fiz?
Em meus versos... Há algo dos nós...
Que apertam e deixam uma cicatriz
Para lembrar que não estamos sós
Mas à presença dos elementais sutís...
(SOLIDÃO - Edilon Moreira, Junho/2017)
RADIANTE
Brilhante como o tesouro...
Brilhante tal toda a prata
É ver o sol, cor do ouro
Que vem e me arrebata!
É quando o dia recomeça...
Ao fundo azul do horizonte
Vir sem nenhuma pressa
Iluminando a cada fronte...
Vibrante tal toda criança...
Que brinca dentro da água
E faz da vida, refestança
Enquanto à maré se salga...
Radiante tal som da voz...
Que emite tom de alegria
E que se acerca de nós
Feito uma mágica poesia...
(RADIANTE - Edilon Moreira, Novembro/2022)
DEPOIS QUE O SOL SE LEVANTA
Depois que o sol se levanta...
Tudo passa a ascender
A tristeza, logo, espanta
Deixa à vontade o viver...
Depois que o sol se levanta...
Desperta a mim e a você
Presente de ponta a ponta
Para toda planta e todo ser...
Depois que o sol se levanta...
Em seu reinado de aquecer
Qualquer terráqueo se encanta
Com tão enigmático poder...
(DEPOIS QUE O SOL LEVANTA - Edilon Moreira, Setembro/2021)
Não Quero Ver
Não quero ver as crianças pedindo no sinal,
Lavando carro de burguês no sol quente por um real,
Catando papelão, de porta em porta pedindo esmola,
Só pra matar a fome, nem que seja por uma hora.
Não quero ver o senhor na porta do mercado,
Implorando por um pão ou por cinquenta centavos.
Esquecido pela família, hoje ele vive na rua,
Sem aposentadoria, sem lugar no Cidade Madura.
Não quero ver meninas se vendendo na estrada,
Pra garantir o almoço, pra pôr comida em casa.
Ela não teve escolha, teve que abandonar a escola,
Vende o próprio corpo, única forma de ajudar a família agora.
Não quero ver a senhora chorando no presídio,
Pedindo aos agentes: "Não espanquem meu filho!"
Ela sabe que ele errou, mas não quer vê-lo chorar,
O amor de mãe é diferente, não dá pra explicar.
Essa é a realidade que eu vejo todo dia,
Cada vida é uma história, e a maioria sem alegria.
Eu rezo pra que um dia tudo isso possa mudar,
Pra escrever uma história feliz, onde a paz possa reinar.
São verdades que eu nem queria escrever,
Queria falar de amor, mas não vou te esconder.
Tô cansado de ver filas lotando hospitais,
Uma senhora no chão, pedindo a Deus pra não sofrer mais.
Sem atendimento, ela não vai aguentar,
Se tivesse dinheiro, talvez pudesse se salvar.
Essa é a realidade da nossa saúde,
Pessoas morrem todo dia, sem chance, sem atitude.
Pago tanto imposto e não vejo nada melhorar,
Só injustiça e sofrimento em todo lugar.
O governo não investe na educação,
Prefere gastar com propaganda na televisão.
A escola é o caminho pra um futuro decente,
Ela te ensina o certo, te prepara pra ser gente.
Mas com professor em greve, não tem aprendizado,
O menino fica na rua e segue o caminho errado.
Seu caderno, seu brinquedo, vira um trinta e oito,
Pois ninguém deu a ele a chance de aprender o certo a tempo.
Essa é a realidade que eu vejo todo dia,
Cada vida é uma história, e a maioria sem alegria.
Eu rezo pra que um dia tudo isso possa mudar,
Pra escrever uma história feliz, onde a esperança possa reinar.
Para Minha Amada Xiluva Xanga
Bom dia, Xiluva Xanga,meu amor, meu sol,
Hoje acordei com um sorriso, contagiante.
O sol brilha no meu jardim, sem igual,
Mas é o teu brilho, mulher, da força.
Xiluva Xanga, minha flor, a mais bela que já vi,
Meu amor, a saudade é imensa, aperta o coração.
Ouvir a tua voz alimenta o desejo de querer mais.
A vontade de mais querer estar ao teu lado, em união.
Meu amor, meu sol, que me guia e me aquece,
Minha companheira, a mais fiel e doce.
Minha flor, Xiluva Xanga, o meu amor não esmorece,
Em cada pensamento, meu coração te conhece.
Bom Dia, Xiluva Xanga (Minha Flor)
Bom dia, Xiluva Xanga,
Nesta manhã fria, o sol já brilha.
Mas o meu coração, cheio de saudades, chama-te,
A procurar o teu calor, a tua maravilha.
És a minha flor, a mais bela do meu jardim,
Perfume e cor que a minha vida alegra.
Sem ti, a nossa cama ficou tão grande e fria, assim,
E a insónia, sem o teu abraço, me apega.
Não consigo dormir só, meu amor,
É o teu toque, o teu cheiro, a tua paz que anseio.
Volta logo, Xiluva Xanga, por favor,
Para preencher o vazio e o meu peito cheio de saudades.
Volta, meu amor, que o dia já se ergue,
A aguardar o teu regresso e a tua presença.
Bom dia e agradável quarta-feira, minha querida,
Um beijo do teu amor, que te espera com veemência.
VIAJANDO NO AMOR
Naquela tarde esperando
O Sol se despedindo
Um friozinho no coração
Enquanto o amor vai surgindo.
Preparando para viajar
Levando na bagagem
O maior amor da vida
Sem destino, sem paragem.
Uma viagem sem destino
Entre sussurros e magia
Um caminho sem fim
Todo feito de poesia.
Entre o certo e o errado
Prefiro continuar
Nos tropeços da vida
Para sempre vou te amar.
Irá Rodrigues.
' CHEIRO DE MATO VERDE '
E quando o sol se põe,
Ouço as vozes na floresta,
Deixando meu coração alegre,
Fazendo uma grande festa.
Então danço com o porco espinho,
Dou ele o meu carinho;
Abraço minha amiga coruja,
Antes que o corpo enferruja;
Falamos de muitas coisas,
Da velhice e mocidade,
Cumprimento a amada árvore,
Que exala, o aroma da verdade.
E com o coração em festa
Caminho pela floresta
Embaixo da lua cheia
O coração aí enceideia
Pela madrugada Afora
Até que que amanheça o dia
Com cheiro de mato verde
De verdade e poesia !
Vamos respeitar a terra
Os seres vivos que nela estão;
Agradecer a Deus pela água, pelo pão;
Água que brota da terra,
Para matar a sede do homem cão.
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a Lei -9.610/98
Entre o Asfalto e o Sol
No meio da tarde cinza
um girassol nasceu do asfalto
Ninguém esperava nem o vento
nem o tempo nem o salto
do pássaro que ali passou
e hesitou como quem pensou
Isso é sonho ou erro do mundo
Um senhor de terno escuro
parou o passo e sorriu
como se o passado inteiro
nele tivesse se redimido
Uma criança desenhou ao lado
o sol com lápis partido
e disse
Ele brotou porque cansou de esperar no campo
E o girassol sem saber que era milagre
ficou ali
Entre buzinas pressa e concreto
erguido amarelo desobediente
como quem diz ao universo
Também posso ser poema
Sol
Radia, sol, por que me deixas tão só?
Me sinto só, com pouca luz,
Que todo o sol seduz...
Mas, mesmo assim, me sinto bem.
Amor, quantas vezes chorou?
Um cálice de dor, muitas vezes passou,
E, com o tempo, esqueceu-se de mim.
Radia, sol, vê se lembra: amanhã é um novo dia.
Você, lindo... qual seria?
Minha sereia marinha, Carolina,
Minha linda gatinha, tão lindinha...
E de tanto chorar as preces,
Não me apreço — me lamento, me levanto,
E, de novo, volto a cantar...
Volto a cantar... nosso amor...
MAR
Muito se fala na imensidão e profundidade de um lugar onde nem mesmo a luz do sol pode alcançar. Temido por muitos e admirado por todos, nossas vidas, assim como o mar, são ondas constantes, maremotos inundados de problemas, mas que, por diversas vezes, nos trazem calmaria.
Acredito que o maior medo do mar seja sua profundidade, mas é incrível como, muitas vezes, nos afogamos no raso. Assim como a profundidade de nossos problemas, por vezes, os mais simples são os que mais nos deixam afogados.
Saber flutuar é o mais importante: tentar sempre manter a cabeça fora da água, respirar e admirar o que temos de mais bonito, o azul infinito.
Existem contos antigos de um amor impossível: o mar e a lua, atormentados por uma maldição, onde a lua conseguia tocar o mar todas as noites, mas nunca podia encontrá-lo de verdade. Muitas vezes, o mar se irrita e cria tempestades e enormes mares como efeito de sentir a lua e não poder tê-la.
É normal, em nossas vidas, desejarmos algo que nunca conseguiremos alcançar, mas acredito que o importante é fazermos por onde e chegarmos o mais próximo de nossos objetivos, cruzar oceanos, desbravar correntezas e encontrar a calmaria.
Parte do nosso navegar nos pede paciência, mas, acima de tudo, humildade: em reconhecermos nossos limites, fraquezas. Nem mesmo o que um dia já foi o maior navio do mundo resistiu às reviravoltas de um mar tempestuoso, frio e congelante. Como na vida, sempre precisamos saber que, às vezes, naufrágios fazem parte. Tudo o importante é não ficar à deriva.
O vai e vem das ondas é o ciclo do mar, da vida e, como um rio, é impossível entrar no mesmo mar duas vezes. Só vivemos uma vez, e o que nos torna mais fortes é sabermos navegar. No final, sabemos flutuar, viver de forma leve, manter sempre a cabeça fora d'água. Lembrar que, depois da tempestade, vem a calmaria. Amar a vida, amar o MAR.
"Quando a Tarde Confessa Silenciosamente"
Há um instante, quando o sol se inclina e os contornos do mundo se acendem em brasa, em que a alma decide falar. Não alto. Mas em sussurros. É nesse tempo suspenso entre a luz e a escuridão que me confesso ao céu — e o céu, generoso, não me interrompe.
Ali, no exato momento em que o dia se despede sem prometer retorno, despeço-me também das culpas que nunca ousei nomear. Revelo as saudades que ainda ardem, os afetos que não soube cultivar, as palavras que morreram na garganta, as esperas que jamais se cumpriram.
Falo baixinho com a luz que se deita. E ela me entende. Há uma linguagem no pôr do sol que só se aprende com o tempo: a linguagem do não dito, do que pulsa nas entrelinhas, do que escorre por dentro, sem ruído. O céu se tinge de confissões veladas — e eu, feito parte dele, também me pinto de verdade.
No crepúsculo, tudo parece mais leve — até mesmo o que mais pesa. É como se o coração encontrasse abrigo na paleta avermelhada do entardecer. Como se o mundo, por um breve segundo, aceitasse a imperfeição como forma de beleza.
E quando o sol, por fim, desaparece, não é o fim — é o início de um entendimento. O escuro não assusta quando o coração foi ouvido. Porque ali, naquela cena de despedida que se repete todos os dias, minha alma reencontra a paz... de simplesmente ser.
Quando começamos com delicadeza nosso dia...
O sol parece sorrir mais sereno,
e a alma se pinta em tom ameno.
O silêncio baila com a leveza,
e o coração não apressa, encontra a firmeza.
Pequenos gestos florescem em cor,
as falas surgem com mais ardor.
A vida se molda em doce canção,
quando há carinho na intenção.
E tudo se converte em poesia no compasso da emoção.
Apenas o que Importa
O sol nasce na lua dormente
No café não como banana
Dormindo sonho que vou trabalhar
Pessoas andando não usam chinelo
Gosto da minha bicicleta
Namorar é bom, mas hoje não quero
Que linda mulher de Baton
Só os altos jogam basquete
No amor alguém já chorou
Olá, prazer te conhecer
Luz Simples
Cada dia acende
Uma luz diferente.
Não é nada complicado,
É um sol bem presente.
Luz que entra pela janela,
Aquece o chão da sala.
Luz que pinta a folha verde,
Que na roseira balança.
Essa luz não é só brilho
Pra clarear o lugar.
Ela é convite manso
Pra começar a olhar.
Olhar pro pão quentinho,
Pro cheiro do café.
Pro vizinho que acena,
"Bom dia!" pra você.
Olhar a nuvem viajante,
A formiga no caminho.
Ver que a vida, mesmo simples,
Tem um jeito de carinho.
É nesse olhar atento**
Que a luz vira alegria.
Não uma festa barulhenta,
Mas paz que todo dia cria.
Paz de sentir o tempo,
De agradecer o pão.
De saber que estar vivo
Já é grande lição.
E aí vem a felicidade,
Não um tesouro a guardar.
Mas o amor que se espalha
No simples compartilhar.
Amor no prato feito,
Na palavra de consolo,
Na mão que aperta a outra
Quando o caminho é um pouco só.
Cada dia tem sua luz,
Não precisa ser intensa.
Basta abrir os olhos
E a alma, com doçura imensa.
Deixe que essa luz simples
Te mostre o essencial:
A verdadeira alegria
Morando no amor, que é...
Eterno, e tão normal... Quanto essa canção que faz bem ao coração...
Tardes com Teu Nome
Há um instante no crepúsculo que cai,
Quando a luz, já cansada de ser sol,
Se derrama nos vidros a cantar
Um segredo que o mundo não sabe ouvir.
É nessa hora branda, quase parada,
Que teu rosto se forma no ar morno:
Não é lembrança, é presença delicada,
Um refúgio de sombra no fim do dia.
Penso em ti — e o tempo se dobra:
O vento traz tua voz nas folhas secas,
A poeira dourada dança devagar
Como gestos teus pela sala vazia.
Ah, que ofício simples e profundo
Deixar que a saudade, lenta, se instale: Pois ainda não vivi.
Não dói, aquece. É um fogo brando
Que a tarde carrega em seu manto largo.
O mundo lá fora se tinge de mel,
As nuvens desfiam algodão doce,
E eu — apenas navego sem pressa
Nesse mar calmo onde teu nome é porto.
Porque pensar em ti à tarde não é fuga:
É encontrar, no meio do dia que finda,
A quieta certeza de que existes,
E que essa luz, por um instante,
É tua mão acariciando o horizonte...
