Texto Sobre Silêncio

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Peço desculpas por romper o silêncio e te procurar mais uma vez, mas há madrugadas em que a ausência se torna um fardo pesado demais para se carregar sozinho. Senti que precisava libertar o que queima no meu peito e deixar o coração falar, nem que seja pela última vez.
Com o tempo, essa dor me ensinou que amar de verdade não é posse, nem uma luta inglória contra o destino que resolveu redesenhar o nosso "para sempre". Amar é a forma mais pura de generosidade: é permitir que a sua felicidade floresça, ainda que o perfume dela só chegue a mim de longe, em um caminho oposto ao meu. O amor verdadeiro é uma chama silenciosa e resiliente; ele não sucumbe à distância, nem se apaga com o sopro dos anos. Ele se transmuta em abrigo, tornando-se o refúgio onde minha alma descansa nos dias mais cinzentos. A verdade é que ninguém esquece um grande amor; a gente apenas aprende a sobreviver à falta, como quem tenta respirar em uma altitude onde o ar é rarefeito e tudo dói.
Às vezes, o passado me invade como um flash devastador. Fecho os olhos e ainda ouço a melodia da sua voz; ainda vejo aquela única foto que tiramos — você sabe bem onde, o lugar está cravado em mim. Naquele instante, seu sorriso era o mundo e seus olhos brilhavam mais que todas as estrelas daquela noite mágica. A imagem física se perdeu na baixa resolução do tempo, mas a nitidez do que eu senti... essa permanece intacta, pulsando sob a minha pele.
E ainda existe aquela música... a nossa música. Basta o primeiro acorde para que o resto do mundo emudece. Por alguns segundos eternos, o tempo para e eu só enxergo nós dois. A letra se tornou o espelho da minha alma solitária:
'O tempo passou, só que nada mudou / O mesmo vazio de antes / Sua voz eu ouvi, nosso mundo eu senti / E a mente vem recordar...'
Passei anos tentando me esconder de você, com medo de tocar em cicatrizes que nunca se fecharam. Escolhi o isolamento acreditando que o silêncio seria a minha cura, mas ele foi o veneno que me corroeu por dentro. Repito o que sempre te disse: você é, e sempre será, o grande e único amor da minha vida. Se um dia me perguntarem sobre o que eu mudaria no meu destino, meus pensamentos voariam direto para aquela viagem a Petrolina. Eu não deveria ter ido; aquele foi o marco de uma partida que meu coração nunca aceitou assinar. O tempo é um rio impiedoso que não corre para trás, mas saio deste silêncio com uma certeza inabalável: o mundo pode duvidar de tudo, menos do quanto eu te amei.
Se esse amor não fosse uma força da natureza, eu não teria ligado para aquela casa, desesperado, buscando uma última chance que o orgulho não permitiu acontecer. Eu falei besteiras, eu me perdi, mas você nunca saberá o quanto meu coração ficou em pedaços, destruído em mil fragmentos. Busquei seu rosto no Facebook um milhão de vezes, como quem busca água no deserto, até que o destino me mostrou o seu perfil. Naquele momento, o mundo escureceu ao ver sua foto; a beleza do que perdi me tirou o chão, e o medo, esse velho carrasco, me calou mais uma vez.
Lutei contra cada lembrança sua como se lutasse pela minha própria vida, mas descobri que a única forma de te apagar seria perdendo a memória ou fazendo um "reset de fábrica" na minha própria alma. Como não posso renascer de mim mesmo, aceito que você foi o meu sonho mais mágico — uma primavera eterna que deixou um perfume incurável no meu peito.
Você é luz, o brilho que ainda guia meus pensamentos, e é como uma pedra preciosa: rara demais para ser encontrada duas vezes, mas impossível de deixar de amar.
Sigo agora o meu caminho, guardando em um altar o que foi bom e tentando enterrar o que ainda dói. Desejo, com toda a força que me resta, que a vida te retribua toda a beleza que você trouxe para os meus dias.

Quando o silêncio amadurece a palavra


É importante escolher quem são meus amigos. Falo de amigos de verdade, não de amigos de ocasião. Amigos permanecem, estejamos no pódio ou no chão. Assim como é fundamental saber com quem não devemos sentar à mesa.
Tenho mais de 40 anos, e faz tempo. Para muitos, sou ultrapassada. Antiga. Mas penso que nunca, em toda a minha vida, estive tão pronta.
Nunca soube ouvir tanto quanto agora. Nunca calei tanto como hoje. E não me calo por medo de falar. Calo porque entendi que a fala é um instrumento poderoso e que só deve ser usada quando necessária e útil. O silêncio também é palavra.
E com toda essa idade, que para alguns me faz parecer jurássica, aprendi a escolher com quem me sento à mesa e a compreender que a palavra amigo não se usa para qualquer um.
Nildinha Freitas

Hoje eu entendi uma coisa que não veio de livro, nem de frase pronta. Veio do silêncio.

Percebi que o que sustenta o ser humano não é o amor romântico, nem as pessoas ao redor, nem os prazeres rápidos que distraem a dor. Não são os dias ensolarados que animam, nem os dias frios que recolhem. Tudo isso passa. Tudo isso oscila. O que nos sustenta é a fé. E a esperança. É uma fé quase invisível, dessas que não fazem barulho, mas permanecem. É a esperança que fica ali, quieta, em segundo plano, mesmo quando tudo parece estar desmoronando por dentro. Porque, se a gente parar pra pensar, como continuar quando não se acredita que algo maior está organizando o caos? Como seguir se não houver, ainda que mínima, a certeza de que dias melhores podem existir? A fé não é grito. É sussurro. A esperança não é euforia. É resistência. Elas seguram nossa mão nos dias em que ninguém mais consegue. Elas nos lembram que o processo não é o fim, que a dor não é sentença, que o hoje não define o para sempre. Há uma força chame como quiser que nos atravessa e nos mantém de pé quando a lógica já teria mandado desistir. Sem fé, a vida vira peso. Sem esperança, o caminho vira escuridão. Mas quando ainda acreditamos, mesmo cansados, mesmo feridos, algo dentro da gente continua aceso. E é essa pequena chama que nos torna fortes. Não invencíveis fortes. Capazes de suportar o tempo, o silêncio, as perdas e as reconstruções. No fim, talvez não carreguemos nada além disso: a esperança tranquila de que dias melhores chegam e a fé serena de que estamos sendo guiados até eles.

O Eco da Ausência
​Eu carrego o peso
das palavras que engoli,
Um silêncio denso que escolhi.
A alma veste um cinza antigo e frouxo,
E cada dia é um novo esboço
De um sorriso que nunca se completa.
​A solidão não é a falta de alguém,
É o abismo entre o que sinto e o que convém.
É a canção baixinha que só a parede ouve,
Enquanto o ponteiro da vida não se move,
Preso em um instante que não tem mais pressa.
​Eu me perdi no mapa das promessas,
E as esperanças viraram meras rezas.
Resta o nó na garganta, sem desfecho,
Apenas o vazio morando em meu peito,
E a espera por um dia que cesse.

Hoje me peguei inquieto,
a madrugada e seu silêncio eram o único som que se ouvia além de um coração repleto.
repleto de pesares e amargura
Pelos erros doravante cometidos,
erros que perante o céu fiz meu Deus tê-los assistido

antes tinha desculpas, hoje responsabilidade,
não sei se o fardo ameniza quando se confronta com a extrema verdade.

Somos o que somos e essa realidade é inevitavelmente fiel
Embora passamos muito tempo tentando ser o que não somos pra agradar o público no qual seu teto mesmo é feito de papel
quebrável assim como o meu

Pois atrás da tela da rede social ninguém é feliz o tempo todo,
mas pago pra ver uma foto da tristeza do despejo, da fome e da imperfeição do outro.

Quem me dera ouvir a voz humana disse um poeta,
eu só queria ouvir uma verdade,
pra fugir dessa busca constante de afirmação do ego e da vaidade

meu passado é meu carrasco e com ele devo me resolver,
o só por hoje virou um tema que apenas nele consigo viver,
o futuro entreguei a Deus, pois minha vontade é má vil e cruel

Mas tudo que vi de bom nesse mundo
foi quando fechei os olhos e rezei pro céu.

Carta de Despedida
“Pra Ela Que Nunca Mais Voltou”


Ei, garota de olhos escuros e silêncio barulhento…


Não sei se você lembra de mim,
mas tem um pedaço seu que ainda vive em mim como se o tempo não tivesse passado. Você apareceu como quem não pede licença, entrou na minha mente e fez morada num canto que ninguém conhecia.


Foi tudo tão rápido, estranho, misterioso.
Mas, de algum jeito, foi real.
Mesmo que ninguém tenha visto,
mesmo que eu duvide às vezes,
meu peito lembra.


Você foi abrigo.
Foi confusão.
Foi arte em forma de pessoa.
Me ensinou que saudade não precisa durar anos pra doer como se fosse pra sempre.


Hoje, eu não escrevo pra pedir respostas.
Nem pra te culpar.
Eu escrevo porque quero me libertar do que ficou preso aqui dentro.


Se você era real, eu te desejo paz.
Se você era só uma fantasia, eu te agradeço por ter me feito sentir.
Mas agora, eu preciso me escolher.
Preciso me olhar no espelho e parar de procurar seu rosto nos rostos alheios.
Preciso parar de me perguntar "e se?",
e começar a me perguntar "e agora?"


Hoje eu me despeço.
Não porque eu esqueci.
Mas porque eu me respeito.
E porque eu mereço ser amado no presente.


Adeus, garota de franja e mistério.
Você foi capítulo.
Mas eu sou o livro inteiro.

Quando o diálogo não consegue se fazer entender…
O silêncio fala na prática o que as palavras não conseguem…
A distância encurta caminhos…
Nos faz refletir sobre o valor da presença de alguém em nossa vida…
Reciprocidade na indiferença ou no partilhar…
É hora de decidir amar ou apenas seguir…
Patrícia Feijó

Que o silêncio grite…
Pois quem ama não cala…
Que o cheiro da saudade…
Nao se demore a passar…
Que o amanhã seja sempre…
Motivo de festejar a presença…
Que a solidão não faça morada…
Escolher e ser escolhido é o propósito do amar…
Que o tempo não se gaste…
Sem a presença do outro em nosso abraço…
Patricia Feijo

trazer pra vista o que não se traduz

há coisas que não cabem em palavras,
como o silêncio entre dois olhares,
ou o peso leve de uma saudade que não se nomeia.

há gestos que falam mais do que a língua alcança,
como o toque que diz “fica”
sem nunca ter dito “vem”.

trazer pra vista o que não se traduz
é como tentar mostrar o cheiro da infância,
o som da ausência,
a cor de um pensamento que nunca foi dito.

é desenhar com vento,
escrever com pele,
falar com olhos.

é fazer do sentir uma linguagem,
mesmo que o mundo não saiba ler.

porque há verdades que só o coração entende,
e há presenças que só se revelam
quando o verbo se cala.

Atenção


A fofoca não nasce do acaso.
Ela surge onde o caráter falha e onde o silêncio deveria prevalecer.


Falar de alguém ausente não é apenas um ato social —
é uma exposição involuntária de si mesmo.
Quem pratica isso revela, sem intenção, a fragilidade da própria honra.


Mais preocupante, porém, é quem escuta e permanece confortável.
O ouvido que aceita o erro se torna cúmplice dele.
Na ausência de rejeição, há consentimento.


Não há complexidade nisso.
Quem fala de outros diante de você, inevitavelmente falará de você diante de outros.
É um padrão humano simples, repetido sem exceções.


O caráter verdadeiro não se manifesta em palavras elevadas,
mas em escolhas silenciosas.
Na recusa firme ao que é indigno.
Na disciplina de não participar do que enfraquece a confiança entre as pessoas.


Por isso, mantenha postura.
Recuse a fofoca — não por aparência, mas por princípio.


No fim, não é sobre o outro.
É sobre quem você decide ser quando ninguém está sendo observado.

Porque no meio de um mundo barulhento, você foi silêncio. Um silêncio que dizia tudo. Eu te vi e algo em mim... se reorganizou. Não foi escolha. Foi inevitável. Porque algumas conexões não precisam de lógica — só acontecem. E é isso que dizem sobre almas gêmeas, certo? Que elas se reconhecem antes mesmo de se conhecerem. Que elas se pertencem. Eu nunca acreditei nisso, até você.
Nos apaixonamos não por vontade, mas por falta. A falta de algo que a gente nem sabia que precisava até olhar nos olhos da pessoa certa. Ou errada. Ou perfeita demais pra caber em qualquer definição segura. A gente ama porque precisa se sentir inteiro. E você me fez acreditar que era possível.
Mas então veio o vazio. A ausência. Saudade?
Não. Não é só saudade. É abstinência. Do seu cheiro, do seu toque, do seu caos que fazia sentido. Ou parecia fazer. Você foi embora, mas ficou. Em cada canto. Em cada pensamento. Em cada pensamento de seguir em frente.
E eu me pergunto, toda noite, você ainda me ama?
Será que sente falta? Será que lembra da gente como eu lembro? Porque eu tento esquecer, mas não consigo. Porque amar você foi o que me fez crescer. E se tudo que fiz foi errado... foi pelo amor certo. O seu.
Então, no fim de tudo, eu volto à pergunta que nunca cala:
Por que você?
Porque sempre foi você. Desde o primeiro olhar. Desde antes do primeiro toque. Porque no meio de um mundo inteiro... Nós nos encontramos


E agora, dizem que é hora de... seguir em frente.
É, eu sei, as pessoas gostam de ouvir isso, não é? Achar que a dor vai embora só porque você diz isso em voz alta. Acontece que as palavras são apenas isso — palavras. E eu... bem, eu sou bom com palavras. Eu sei como fazer parecer que estou bem. Como fazer parecer que já não ligo mais.
Como se o coração entendesse comandos. Mas não é assim que funciona, é? Seguir em frente não é sobre andar... é sobre deixar pra trás. Esquecer. Apagar. Enterrar.
Você.
E como eu poderia fazer isso? Como se apaga alguém que se tornou sua vida? Como se esquece do sorriso que fazia você se esquecer de todos os problemas, o riso que fez sentido onde só havia ruído?
Você foi o começo. O meio. E, mesmo que tenha ido embora, ainda é o fim de tudo que veio depois.
Mas, se sou honesto, eu não esqueci de você. Não é fácil esquecer. Mas quem realmente esquece, não é? A memória de tudo que compartilhamos, tudo o que fizemos, permanece. E eu sou grato por isso. Grato por ter experimentado o que é verdadeiramente sentir. Porque, no fim das contas, são as experiências que moldam a gente. Você me moldou. Não da forma que eu imaginava, mas de um jeito que, de alguma forma, me ensinou a ser mais... real.
E isso, por mais doloroso que tenha sido, valeu a pena. Mesmo que eu nunca tenha sido capaz de seguir completamente em frente, eu me tornei alguém diferente. Alguém que agora sabe que a dor, a saudade, o vazio — tudo isso pode coexistir com o crescimento. Pode coexistir com o agradecimento.
Você fez parte de uma parte importante de mim, e talvez isso seja o suficiente. Não sei se um dia vou realmente esquecer. Mas aprendi que não preciso disso. Não agora. O importante é que eu aprendi a valorizar o que ficou. Eu realmente agradeço. Porque sem você, sem o que vivemos, sem o que me fez sentir, eu nunca teria chegado a esse ponto. O ponto onde posso olhar para tudo e dizer: 'Eu estou bem.'.

— Doeu de novo.
— O quê?
— O amor.
— Ah. Isso explica o silêncio.


O coração suspira, cheio de rachaduras novas.
O cérebro anota algo mentalmente, como quem registra um dado irrelevante.


— Você nunca entende, né?
— Eu entendo perfeitamente. Só não vejo utilidade em sofrer por isso.
— É que você não sente.
— É que você não pensa.


O coração se cala por um instante.
O cérebro aproveita pra revisar compromissos da semana.


— Ela parecia diferente…
— Todas parecem.
— E eu acreditei.
— Você sempre acredita.
— Eu só queria sentir de novo.
— E eu só queria dormir em paz.


Há um silêncio entre eles — o tipo de silêncio que dói mais que qualquer palavra.


— Como você consegue ser tão frio?
— E como você consegue insistir tanto em algo sem garantia?
— Porque é o que me faz vivo.
— E é o que quase te mata toda vez.


O coração ri. Um riso trêmulo, cansado.
— Então o que eu faço agora?
— Espera.
— E depois?
— Espera mais.
— E quando passa?
— Nunca totalmente. Mas você aprende a bater no ritmo certo de novo.


O coração respira fundo.
O cérebro volta ao trabalho.


No fundo, ambos sabem
vão brigar de novo,
vão se prometer paz,
e no próximo olhar certo —
lá estarão, lado a lado, repetindo o erro mais humano de todos:
acreditar de novo.

O Pensamento sobre as Eras:


​O Passado:O Silêncio Forçado
​Durante séculos, a sabedoria feminina foi confinada ao ambiente doméstico, sob a égide de um patriarcado que via a mulher como coadjuvante. A estrutura familiar era uma hierarquia de comando, não de parceria. O "lugar da mulher" era um conceito geográfico e social rígido, onde o silêncio era a maior virtude esperada.


O Presente:O Despertar e o Atrito
​Vivemos o tempo da transição. As conquistas são inegáveis: ocupação de espaços de poder, independência financeira e o direito à voz. Porém, esse progresso gera atrito.


​A Violência: O aumento visível da violência muitas vezes é a reação desesperada de estruturas antigas que se recusam a morrer.


​A Família e Sociedade: Estamos renegociando o que significa ser família. O desafio atual é equilibrar a autonomia individual com o cuidado coletivo, combatendo o preconceito que ainda rotula a mulher que escolhe caminhos fora do padrão tradicional.
​
O Futuro: ASabedoria da Integração
​O futuro que o sábio vislumbra não é uma inversão de poder (a substituição de uma opressão por outra), mas a superação do gênero como limitador de humanidade. A sociedade sábia será aquela onde a "conquista" de uma mulher não seja vista como um evento extraordinário, mas como a normalidade de um potencial humano sendo plenamente exercido.


​A reflexão central:


A sabedoria da vida nos ensina que o patriarcado não feriu apenas as mulheres, mas desumanizou os homens ao proibi-los de sentir e cuidar. O Dia da Mulher é o marco dessa correção histórica: uma busca por um mundo onde a força não precise ser violenta e a sensibilidade não seja vista como fraqueza.

O Silêncio do relógio:


O medo que eu sentia se desfez no cansaço,
eu já não tenho medo da morte, nem do fim.
Antes eu tinha, mas hoje o tempo é escasso,
e o peso do que carrego já transbordou de mim.
​Eu desconto a minha dor nas pessoas, eu sei,
e por isso eu evito me aproximar delas agora.
No silêncio dos muros que eu mesmo levantei,
espero o momento de, enfim, ir embora.
​Pois algum dia ficarei off-line para o resto da vida,
uma ausência que o mundo não saberá explicar.
E na alma cansada, uma certeza incontida:
sei que não existe uma cura para a minha doença,
apenas o silêncio que me ensina a parar.

Teu valor não ecoa na voz alheia,
não é moeda nas mãos do mundo;
ele nasce fundo, em silêncio e raiz,
tronco que cresce inteiro por dentro.
E mesmo quando a tempestade ruge,
tuas folhas resistem, firmes no vento;
porque és árvore que sabe quem é,
e não se curva ao peso do momento. 🌿

Entre nós

Entre nós
existe um silêncio pesado,
daqueles que não nascem da paz,
mas da falta de conversa.

Vocês me olham
como se meus passos
fossem erros inevitáveis,
como se amar
fosse algo a ser condenado.

Palavras duras
pisam em assuntos frágeis,
e o que poderia ser cuidado
vira julgamento.

Até pediram
que outra pessoa falasse por vocês,
numa conversa fria,
desconfortável,
como se meus sentimentos
pudessem ser resolvidos
sem o calor de um abraço.

E eu me pergunto:
por que tentar se aproximar
se cada gesto
acaba me afastando mais?

Pai,
seu silêncio pesa
como uma porta fechada.

Mãe,
suas reclamações
ecoam mais alto
do que qualquer tentativa de entender.

Eu estou cansada
de lutar sozinha
por um espaço
que deveria ser meu por direito.

Só quero que entendam
uma coisa simples,
mas difícil de aceitar:

o tempo passou.

Eu cresci.

E embora ainda seja filha,
já não sou mais criança
para viver presa
às correntes do controle.

A vocês que fazem esta página um lugar vivo...


A vocês que nunca passam em silêncio,
que deixam palavras, carinho e presença, e compartilham minhas palavras, minha gratidão por tornarem
esta página um lugar vivo.
Gratidão por caminharem comigo.


Josy Maria 23/03/2026


Frases, textos e citações by Josy Maria

**Uma mentira mal contada voa e ecoa melhor no silêncio dos que não questionam.
Impérios não precisaram de verdade… apenas de "fé" cega e vozes altas, há daqueles que se opor ...
Roma não construiu só estradas — pavimentou crenças.
E nelas, muitos caminham até hoje, sem saber para onde vão que a fé lhes basta.
Mas há sempre aquele que para… observa… aprende.
Porque o conhecimento é chave fria na mão de quem ousa abrir.
E a ignorância…
é uma cela sem muros, onde a porta sempre esteve destrancada.** 🗝️

Ele veio sem ruído,
belo como o silêncio que antecede a resposta.
Chamava-se Azzael,
e em seus olhos não havia fim,
apenas passagem. O seu rosto era igual ao meu.

Mostrou-me portas,
não eram de madeira,
eram feitas de tempo.
Algumas eu atravessei,
outras respeitei com distância,
porque nem toda lembrança pede retorno.

Nas portas que abri,
vi rostos que amei
e vozes que ainda moram em mim.
Vi os que partiram
não como ausência,
mas como presença amadurecida em saudade.
Cada entrada era um espelho:
não do que perdi,
mas do que me tornei.

E entendi, enfim,
que a morte ali não encerrava nada,
apenas organizava a eternidade do afeto. Ele partiu e eu perguntei se ele iria voltar, olhou para trás e sorriu igual ao meu sorriso e me disse que talvez, mas naquele momento por ele parecer comigo, senti que iria voltar.

Quando acordei,
as portas não estavam mais diante de mim,
mas continuavam dentro.

Do que era ao silêncio, o que restou foi pó:
teu nome na boca já não tem calor,
o anel, que apertava, agora é só metal,
e o "eu te amo" virou eco no corredor.

Não há vilão, nem cena de drama,
só dois que se cansaram de fingir.
A cama, antes nossa, agora é um túmulo,
onde o amor morreu sem nem pedir.

Eu te solto, como solta o pássaro preso,
não por ódio, mas por falta de ar.

Vai, leva o que foi teu: o riso, o peso,
e deixa comigo o vazio que sobrar.

Adeus não é grito, é suspiro cansado,
um casamento que acabou sem ser amado.