Texto Sobre Silêncio
Se eu fosse poeta, homenagearia
cada voz preta que rasgou o silêncio do Brasil.
Homenagearia Maria Firmina dos Reis —
a primeira luz que escreveu a fuga e a dor,
plantando cais de memória em terra de esquecimento.
Homenagearia Luís Gama —
ferro forjado em palavras, libertando nomes,
vindo das chagas para erguer a lei com verso.
Homenagearia Cruz e Sousa —
que fez do céu um espelho de expatriadas almas,
tecendo símbolos como quem reza contra o vento.
Homenagearia Solano Trindade —
com o batuque antigo no peito, palavra viva do terreiro,
poeta do povo, do samba, do salto que não se cala.
Homenagearia Machado de Assis —
ironia que desarma o pudor das verdades,
um espelho complexo onde se lê a cor do país.
E homenagearia tantas outras,
vozes anônimas nos quintais, nas cartas, nos jornais,
mães de rima, operários de verso, crianças de refrão —
todos os poetas negros do Brasil, uma constelação de nomes.
Se eu fosse poeta, faria altar com seus poemas,
acenderia lamparinas sobre as páginas gastas,
faria do silêncio um salão de festa,
transformaria o esquecimento em arquivo de resistência.
E recitaria seus nomes como quem chama antepassados:
para que a memória dance, para que a história ouça,
para que o futuro herde mais do que palavras —
herde voz, coragem e a beleza inteira de ser ouvido.
Liberdade vigiada
Minha voz não nasceu para o silêncio
Mas tentam calá-la
Com leis que servem ao poder
Com dogmas que não aceitam perguntas
Com costumes que se erguem
Como muros
Entre o direito de existir e eu.
Dizem
Não fale
Não questione
Não ouse
Não seja atrevida!
O medo é a corrente mais afiada
A prisão mais invisível
Usam-no como chicote
Fazendo de cada gesto de coragem
Um risco de punição.
Mas a palavra não se apaga.
Ela encontra frestas
Escapa pelas brechas do tempo
Grita em olhares
Se escreve nas ruas
Se levanta na boca de quem resiste.
Liberdade de expressão
Não é concessão de governantes
Nem favor de religião
Nem migalha de convenção social.
É direito de ser humano
De pensar
De discordar
De criar
De recriar
De questionar
De expandir
De viver sem algemas no pensamento.
Revoltante é saber que
A história repete seus cárceres
Vozes queimadas em fogueiras
Enterradas em ditaduras
Tantas hoje esmagadas
Em nome de ordem
De fé
De mercado.
Mas eu insisto em dizer
A liberdade é chama que não morre
Quanto mais tentam sufocá-la
Mais se espalha no ar
Mais vontade tem de se soltar
Mais cria coragem
Para chegar a outras mentes
Que criarão a mesma coragem
E gritarão.
E quem hoje se julga dono da verdade
Há de perceber
Cedo ou tarde
Que nenhuma força
Cala para sempre
A voz da humanidade.
Entre a caneta e o silêncio
Como professora, caminho...
não sobre chão firme,
mas sobre cacos de expectativas
e pós de esperança.
Cobram de mim o impossível:
números que sorriam para relatórios,
metas que brilhem nos gráficos,
resultados que não cabem no peito,
mas são expostas em planilhas frias.
Na sala de aula,
ecoam não vozes curiosas,
nem sussurros
em busca de saber,
mas do peso do desinteresse.
Olhares vagos,
mãos cansadas antes mesmo de escrever,
corações distraídos pela promessa fácil
de um benefício que paga a presença,
mas não compra o desejo de aprender.
O apoio?
Palavra bonita nos discursos,
mas ausente no cotidiano.
As leis que um dia protegeram
vão se dissolvendo
como tinta velha sob a chuva.
E o que sobra?
Um palco de cobranças
e a plateia da indiferença.
As famílias,
cansadas, omissas ou descrentes,
entregam seus filhos e filhas
como se fossem um pacote:
"Está aqui. Ensine. Cuide. Resolva. Eduque."
Os governos, contadores de cifras,
olham para o professor e veem um custo,
não um pilar, muito menos investimento.
“Os professores ganham muito,
incham a folha,
têm muitos direitos,
férias duas vezes ao ano,
piso salarial,
gratificações, recompensas,
rateios...
ganham apenas por quatro horas de trabalho
E ninguém vê as horas
roubadas de nossas famílias,
de nosso lazer,
de nossa saúde.
Querem índices
querem estatísticas,
querem provas,
querem resultados sorridentes,
mesmo que as almas chorem.
A carreira…
longa estrada de títulos caros
para salários curtos,
onde a gratificação é um remendo
que nunca vira tecido inteiro.
Trabalhar muito, viver pouco.
E o docente,
esse resistente,
esse malabarista de sonhos,
continua ali,
mesmo quando o respeito já não chega,
mesmo quando a violência não é só física,
mas se infiltra como veneno lento
no corpo e na mente.
Um dia, perguntaremos:
O que fizemos da educação?
Transformamos o mestre em operário de metas,
a sala de aula em linha de produção,
o saber em moeda barata.
E, talvez tarde demais,
descobriremos que sem professor
não há futuro que se escreva.
O milagre da vida
No silêncio do instante,
uma semente desperta,
brotando esperança em terra fértil.
Cada batida do coração,
um tambor que anuncia a dança do existir,
o milagre invisível que se repete,
sem roteiro, sem ensaio.
A vida se espalha em cores e sons,
em risos que ecoam pelo ar,
em lágrimas que regam a alma,
em gestos pequenos que salvam mundos.
É fogo e água, tempestade e calma,
um pulsar incessante que desafia o vazio,
um abraço entre o efêmero e o eterno.
Ser vida é ser mistério aberto,
é carregar no peito a luz e a sombra,
é ser parte do tudo sem jamais se perder.
O milagre acontece agora, sempre
no respirar profundo, no olhar atento,
na coragem de recomeçar
todos os dias!
nadas (in)versos
fiz do silêncio um idioma
e dos nadas, um abrigo
o que em mim parecia vazio
era só verso ao contrário
esperando quem soubesse ler
carrego abismos bem vestidos
sorrisos que nunca contam tudo
há verdades que só existem
quando ninguém está olhando
não me explico — me inverto
sou sombra que pensa
e nos meus nadas mais fundos
mora exatamente
o que não ouso dizer
Poema:
O Dom, o Aprendizado e a Sabedoria
Há dons que nascem no silêncio,
brilham no olhar de quem busca,
não pedem palco nem aplausos,
apenas o espaço da alma justa.
O dom é semente divina,
plantada no tempo da fé,
cresce em meio às dúvidas,
floresce em quem não desiste de ser quem é.
Mas o dom sozinho não basta,
precisa do chão do aprendizado,
da queda que ensina o passo,
do erro que forja o resultado.
Aprender é servir ao propósito,
é lapidar o talento com dor,
é entender que o caminho mais duro
é o que mais revela o valor.
E quando o dom encontra o saber,
nasce a sabedoria serena,
que não grita, apenas ilumina,
que não impõe, apenas ensina.
A sabedoria é o fruto maduro
de quem viveu com humildade,
e entendeu que o maior mestre
é a própria vontade.
JR TEIXEIRA
Escrevo-me
quando o silêncio pesa
e a alma pede morada.
Escrevo-me
não para ser lida depressa,
mas para ser sentida
no tempo certo do coração.
Há dias em que sou rascunho,
outros em que sou verso inteiro.
Mas sigo,
mesmo borrada,
mesmo em construção.
Escrever-me
é não desistir de quem sou,
é juntar pedaços de fé,
cicatrizes e esperança
numa mesma linha.
Porque enquanto me escrevo,
eu existo.
Inteira.
Viva.
Aprendendo a ficar.
_escrevendo.me
Cansaço da Alma
Minha mente… tão cheia, tão gasta, tão só,
grita em silêncio, sufoca no nó.
O corpo, exausto, cambaleia sem chão,
não corre mais — só carrega a solidão.
Já não há brilho nas coisas que vejo,
só lembranças amargas do que foi desejo.
O mundo pesa, e cada passo é dor,
como se a vida esquecesse do amor.
Quis desistir tantas vezes, calado,
por dentro partido, por fora marcado.
Mas algo ainda pulsa — uma tênue esperança,
de um reencontro, um renascer, uma dança.
Preciso de pausa, preciso de abrigo,
de um colo sereno, de um olhar amigo.
De palavras suaves que toquem meu peito,
que façam lembrar que ainda há jeito.
Necessito dela — da presença sentida,
do afeto que um dia encheu minha vida.
A falta que faz… é mais que saudade,
é um vazio que rui minha sanidade.
Mas não me entrego, não hoje, não agora,
há uma faísca que insiste e implora:
por cura, por paz, por carinho e calor,
por voltar a acreditar de novo no amor.
Fim de Semana em Silêncio
Chega a sexta, e com ela o peso,
da porta que fecho, do mundo que esqueço.
Meu lar se torna prisão e abrigo,
me recolho do mundo, só eu comigo.
Não há mais brilho nas ruas lá fora,
nem vontades que me tirem agora.
Não é preguiça, é cansaço da alma,
um torpor que me cerca, que tira a calma.
Os dias correm vazios, iguais,
de sábado a domingo, não saio jamais.
E não é solidão que me dói mais fundo,
é o medo de amar de novo este mundo.
Porque tentei… e no amor me perdi,
me doei demais e por dentro parti.
Tranquei o peito com dor e desgosto,
e joguei fora a chave no lugar mais remoto.
Na fossa abissal dos meus pesadelos,
onde até eu temo olhar os espelhos.
A chave se foi — e com ela a razão
de abrir novamente o meu coração.
Não quero outro alguém, seria traição,
oferecer um peito cheio de ilusão.
Seria injusto, cruel, devastador,
dar migalhas a quem merece amor.
E assim passam meus fins de semana,
em silêncio, em sombras, em dor que emana.
Na segunda eu volto ao mundo, ao labor,
com um sorriso vazio… e um peito sem cor.
Escombros de mim
Vivo em silêncio, no escuro de mim,
como quem perdeu o último trem da esperança.
O mundo me passa, veloz e sem fim,
enquanto eu paro, cansado da dança.
Nunca pedi que me vissem como vítima,
nem busquei compaixão disfarçada.
Mas fui julgado por olhos que não me leem,
acusado por bocas que nada sabiam.
Amei com a alma, com tudo que sou,
entreguei meu melhor, meu gesto mais puro.
E ainda assim, virei sombra, virei dor,
abandono vestiu meu futuro.
Hoje, caminho entre os escombros de mim,
em calabouços que ninguém visita.
Tranquei meu coração — e joguei a chave
nos pesadelos onde a luz hesita.
Não quero outro alguém, não por maldade,
mas porque meu peito não quer ferir.
Sou nau sem porto, sem vontade,
um grito mudo, a não mais sorrir.
Mas há, lá longe, um sopro que insiste,
um eco dizendo que posso voltar.
Talvez, um dia, eu me permita,
sair de mim… e me resgatar
O sentimento
Mais de trinta anos de silêncio aparente,
Mas o desejo nunca aprendeu a dormir,
Ficou à espreita, indomado, latente,
Esperando o instante certo de ressurgir.
Quando nos vimos, o tempo perdeu a voz,
O ar ficou denso, difícil de respirar.
Não eram palavras — era a pele entre nós
Gritando tudo o que evitamos lembrar.
Teu olhar ainda sabe me despir devagar,
Sem tocar, já provoca, invade, domina,
Me faz sentir mulher nas lembranças ainda menina
Meu corpo reconhece antes mesmo de pensar
A fome antiga que em ti se inclina.
Não é romance ingênuo, é fogo experiente,
É desejo que conhece o ritmo exato.
Somos dois corpos maduros, conscientes,
Sabendo onde o toque deixa o outro insano.
O passado não morreu — só ficou em abstinência,
E agora exige presença, calor, verdade.
A conexão é a mesma, cruel na evidência:
O sentimento nunca perdeu intensidade.
Se o tempo tentou nos tornar memória,
Falhou… porque o que arde é paixão verdadeira.
Depois de décadas, voltamos à história
Com a mesma chama só que bem mais inteira.
Vivi
A promessa
Chega mais perto, não diz nada,
Teu silêncio já me invade inteira,
Teu olhar me prende, me deixa rendida,
Promessa quente que corre na veia.
Você nem me toca e eu já tremo,
Meu corpo entende o teu sinal,
É ordem muda, firme e lenta,
Desejo cru, instinto animal.
Há perigo doce no teu controle,
Na calma tensa do teu chegar,
Você me domina só com a presença,
E eu gosto de me deixar levar.
O tempo te fez mais intenso,
Mais dono do que faz sentir,
E eu, consciente, escolho o risco
De em você me perder e insistir.
Aos cinquenta, não há disfarce,
Nem culpa, nem medo, nem véu.
Há vontade que pede urgência,
Há fogo queimando... tu me leva ao céu.
Você não é passado, é chama,
É gatilho, é fome, é prazer...
E quando se aproxima do meu corpo,
Tudo em mim lembra:
sempre foi, sempre será VOCÊ!
Vivi
Nem sempre tenho inspiração.
Há dias em que somente o silêncio predomina,
mas a vontade de escrever está presente.
Porém , não encontro palavras certas,
é um grito silenciado pela correria do dia.
Escrever é um processo de cura interior.
Branca
Aprenda a fazer silêncio dentro de si para escutar o que realmente importa.
Não seja prisioneiro dos seus erros; eles são páginas, não o livro inteiro.
Cuide da sua mente como quem cultiva um jardim: com paciência e constância.
A coragem nasce quando você decide ser gentil consigo mesmo.
Viver bem é transformar desafios em degraus para amadurecer.
No silêncio da noite eu penso em ti,
Nos passos que dei, nos que ainda darei.
A vida é um rio que nunca para,
Leva dores, memórias e tudo o que amei.
Há dias de sol, há dias de chuva,
Mas o coração insiste em continuar.
Mesmo ferido, aprende a ser forte,
E nos pedaços encontra um jeito de amar.
Se o mundo pesa e cansa a alma,
Respiro fundo e sigo em frente.
Pois quem sonha, mesmo caindo,
Levanta sempre… diferente. ✨
Teu corpo é poesia
escrita no silêncio dos gestos,
onde cada curva guarda um verso
e cada pausa revela sentido.
É poema que não se lê com pressa,
mas se sente —
na leve inclinação do sorriso,
na cadência do teu respirar,
no mistério que a pele sugere
sem jamais se entregar por inteiro.
Teu corpo fala uma língua antiga,
feita de harmonia e instinto,
onde o belo não pede explicação
e o desejo nasce da contemplação.
Há em ti uma métrica viva,
um ritmo que desacelera o mundo
e ensina que o amor,
antes de tocar,
aprende a admirar.
Teu corpo é poesia.
no silêncio da noite
só pensamento triste
não me deixa e insiste
em roubar minha paz
essa cama vazia
hoje está tão fria
antes ela ardia
da gente se amar
o suor virou lágrimas
uma dor no meu peito
discussão, desrespeito
e perdão não dou mais
você sempre vai embora
se arrepende e chora
sou sua vida e implora
pedindo pra voltar
me diz que é a última vez
foi um erro o que fez
que não vai mais errar
e eu acreditei que um dia
seríamos felizes
e não mais brigar
mas foram só promessas vazias
em um mês e uns dias
foi pra não mais voltar.
Permaneça na fé.
Antes de ser flor, houve semente, terra escura e silêncio.
Antes de ser borboleta, houve espera, recolhimento e transformação.
Antes de o beija-flor tocar o mel, há esforço, equilíbrio e voo constante.
Nada do que floresce chega fácil.
A beleza nasce do processo, não da ausência de dificuldades.
Que saibamos refletir sobre cada esforço da criação
e entender que o caminho não é castigo, é preparo.
Assim, atravessamos as lutas sem nos perder nelas
e nos tornamos vitoriosos,
não por não sofrer,
mas por não desistir.
O silêncio é algo que me deixa surda.
Dentro dele sempre mora algo que me pertuba, aquele grito explosivo de emoções.
Não posso esquecer, não consigo... Você não me permite esquecer.
No silêncio mora o sentimento que eu tive, nele mora antigos amores.
Meu inferno no céu, a calma sempre traz memórias, memórias que me ensinam, mas ainda sim... Machucam.
Meu amor nunca cantaria comigo, meu amor nunca poderia ser meu.
O silêncio sempre será ensurdecedor.
09/07/2025 11:48pm
- Bameyu
Ela surgiu como quem não tem pressa, caminhando em silêncio, deixando que cada passo fosse um convite à contemplação.
De repente, sem aviso, atravessou as barreiras do meu mundo — um mundo perdido, condenado ao vazio, sem direção, sem reação, sem controle.
Ela não pediu licença. Não precisou de permissão.
Foi onda que invade, correnteza que arrasta, fogo que consome.
Seu olhar desbravou territórios que eu julgava inabitáveis, sua presença redesenhou caminhos que eu acreditava extintos.
Ela é força indomável, capaz de transformar ruínas em desejo.
É tempestade e calmaria, domínio e entrega.
Um poder que não se explica, apenas se sente:
o poder de me tomar por inteiro, de reacender aquilo que estava apagado,
de mostrar que até o impossível pode ser conquistado quando ela decide existir dentro de mim.
