Texto Sobre Silêncio
Ele caminhava pelas sombras do que um dia fora o brilho de seu próprio coração, crendo que a entrega completa lhe havia cobrado um preço alto demais. Sentia-se despido de armaduras, como se cada pedaço seu já não lhe pertencesse. Talvez acreditasse que, ao entregar o coração, também entregara sua última chance de ser amado, como se, ao esvaziar-se, perdesse o direito de se preencher novamente.
Em noites de silêncio, perguntava-se se o amor realmente existia para ele, ou se não passava de um sonho distante, tão frágil que a própria entrega o tornava inalcançável. Mas foi nesses momentos de solidão que começou a enxergar o amor com uma nova perspectiva: amor é entrega, sim, mas não é posse, nem fim. É sopro, é fluxo — vai e volta, renasce e surpreende.
Entendeu, enfim, que amar é também ser amado, mesmo quando o coração parece partido. Cada pedaço entregue era também uma semente plantada em solo fértil, esperando o momento de florescer outra vez. O amor, ele aprendeu, não se limita a um destino, mas se faz caminho, um convite contínuo para acreditar, para sentir e, sobretudo, para se permitir ser amado de novo.
Ele sorriu, com um novo olhar para si mesmo, para o vazio e para o desconhecido. Afinal, amar, ele descobriu, é a arte de sempre reencontrar o próprio coração nas mãos de quem, inesperadamente, escolhe cuidar dele.
Era uma vez um homem que amava uma mulher... e o sorriso dela era um mistério ao qual ele desejava dedicar toda a sua vida desvendando. Cada curva daquele riso iluminava sua alma, como se o universo o convocasse a eternamente buscar essa resposta doce e infinita.
Mas o tempo, com seus desentendimentos e desencontros, os separou. Ainda assim, ele manteve sua promessa, gravada nas linhas do seu peito. Possuiu outros corpos, é verdade — breves respiros de uma ausência que nunca se curava — mas jamais os amou. Seu coração, teimoso e fiel, permanecia ancorado naquele amor primeiro, que nem a distância dos anos conseguia apagar. Amar aquela mulher não era uma escolha, mas um destino que o tempo não soube desviar.
O tempo é um tirano silencioso.
Não estende a mão, não consola.
Ele leva sem pedir licença,
rouba risos, desfaz promessas,
e castiga com a saudade.
Mas talvez sua crueldade seja arte —
uma forma estranha de ensinar.
Pois só no vazio que ele deixa,
floresce o que somos capazes de ser.
Sabe… certas dores não gritam. Elas silenciam a alma devagar, como quem fecha as cortinas de um teatro depois do fim. Algumas feridas não sangram mais, mas seguem abertas dentro da gente, como páginas que o tempo não teve coragem de virar.
Elas criam um véu — sutil, quase invisível — sobre tudo o que fomos antes do abismo. E é nesse véu que a alma aprende a respirar diferente, com mais cautela, com menos fé. Nunca tente levantar esse véu… Ele não é esquecimento. É sobrevivência.
Tributo
O pensamento dissipa-se ilimitado
Como se te prestasse um tributo da paixão
No vento teu nome é pronunciado
Entrelaçando um séquito de fantasia
Brota no poente o sol amarelado
Da janela o contemplo astro rei
Sábia é a língua capaz de louvar
Tanta beleza no longínquo abismo
Onde o silêncio retalha os ruídos.
Uma fração de mim habita dentro de ti
Vertente que escorre intensamente
Meu querer carregado do orvalho
Ofertando seu bálsamo cobiçável.
O sol nasce de trás do horizonte e entre nuvens
Densas banha as águas revoltas da imensidão do mar.
O pescador adentra no mar e lança longe a linha de pesca
E pacientemente fica a espera de mais uma fisgada.
Entre o silêncio e a espera sempre haverá uma nova
Possibilidade e sonhos que poderão ser realizados.
O homem e o mar se conectam de alguma forma
E entre eles serão revelados segredos inimagináveis.
O rumor é forte e a maresia deixa o ar impregnado.
O voo rasante e o grito das gaivotas quebra o silêncio.
O céu encoberto deixa a manhã de janeiro pálida e a
Brisa canta suavemente deixando o momento impar.
Ombros da Saudade
Naquele instante que os olhos percebem
A envergadura do mistério da noite,
O silêncio vela por aqueles que descansam.
Nos ombros da saudade o frescor dos dias
De chuva de verão cavalga em direção do nada
A vida passa rapidamente acenando e sorrindo.
Assim, fica apenas a sensação de que alguma coisa
Ficou para trás e nós apenas observamos.
Viver contente em Deus na bonança e na escassez, só é possível quando tudo que nos une a Ele é o amor. No amor a felicidade está no fazer para o outro, no doar para o outro e não no receber do outro -, por isso que na bonança da manifestação de Deus como na escassez do silêncio dEle, é possível continuar contente. (Filipenses 4.11-13)
Rener Brito
TENTE OUVIRA Voz Do Silêncio...
Em meio a uma sociedade freneticamente agitada, que elege o barulho como meio de extravasar suas ansiedades e frustrações, a recomendação é o antídoto, que consiste de três elementos: parar, silenciar, ouvir. Precisamos ouvir cinco principais vozes, para não sermos absorvidos pelos estranhos barulhos do mundo moderno: A voz da natureza, a voz do silêncio, a voz do espírito, a voz de Deus e a voz da consciência. Precisamos aguçar os ouvidos da nossa alma, para voltar a ouvir a voz do silêncio, no qual veremos menos shows e teremos mais essência.
Me perdoa por não estar bem.
Achei que era forte… mas me perdi nos meus próprios dias difíceis.
Só queria ter feito tudo melhor.
Me afoguei nas preocupações,
e deixei de ser aquele homem que brilha nos teus olhos.
Voltei pra casa de mãos vazias e coração frio,
tentando me aquecer no calor do teu sorriso,
mesmo que fosse só pela tela do celular.
Mas o sol nasce…
e com ele, nasce também a esperança
de um novo dia.
Um dia em que eu consiga esquecer a dor,
e ser só aquele homem
que você um dia sonhou ter ao lado.
Desculpa se sangrei…
Tentei esconder a dor,
mas ela transbordou pelos olhos
e manchou os dias com silêncios.
Sigo devagar…
Às vezes paro,
respiro,
e busco paz em pequenas doses.
Só quero viver o agora…
e se for contigo,
melhor ainda.
Há momentos que trago a paz
e deixo de lado a razão
ainda que temporariamente,
outras vezes, causo inquietação
despertando pensamentos na mente,
e, mesmo sem intenção,
posso transmitir um falso consenso,
ocultando palavras e sendo muito discreto,
meu agir não vem do nada,
sempre há os motivos
apesar de não serem todos claros
por serem instintivos ou não aceitados,
algumas pessoas conseguem
usufruir das minhas qualidades,
enquanto outras não estão preparadas
para lidarem com as minhas verdades,
entretanto, tenho meu propósito,
carrego vários significados comigo,
minha jornada nunca acaba,
sou O Silêncio e bastante expressivo.
A madrugada e a insônia
são como duas irmãs travessas
que agem sorrateiramente
despertam e soltam meus pensamentos
abrindo as portas da minha mente
já que não suportam o silêncio,
às vezes, isso é até conveniente
quando se quer aproveitar mais o tempo,
entretanto, elas não se importam
de serem inconvenientes,
a vontade delas é o que importa,
são bastante persistentes,
sendo assim,
dificilmente se cansam.
Pra uma consciência
que se sente culpada,
o silêncio fala bastante,
mesmo sem usar nenhuma palavra,
é algo angustiante pra mente
que destrói por dentro dilacerando
até a alma e apenas quando conseguir se perdoar
é que poderá seguir em frente
e pra o seu próprio bem e de outrem
na próxima, antes de falhar,
será bom que pense duas vezes.
Algumas vezes, nada precisa ser dito
principalmente num momento difícil,
quando um abraço apertado da pessoa certa
é muito mais confortante do que palavras
que podem ficar soltas ao vento
sem trazerem algum grande efeito de fato,
pois quando se abraça com amor e respeito,
então, em silêncio, é falado
"não estás só, podes desabafar, se necessário, coloca pra fora
estas lágrimas que podem te afogar por dentro"
e assim, um conforto poderá ser alcançado
por um coração, que outrora estava aflito,
ter conseguido lembrar que é amado.
És uma mulher interessante,
uma rica poesia,
cada trecho de ti é relevante,
então, triste daqueles
que não te apreciam atentamente,
por não saberem ler nas entrelinhas,
por ficarem presos àquilo
que lhes é explícito
como a magnitude da tua beleza
e as palavras que saem da tua boca carnuda,
não percebem que, muitas vezes,
falas com a alma pela expressão
dos teus lindos olhos, que nem sempre brilham de felicidade, tendo em vista que há momentos que estão brilhantes
por causa de lágrimas que foram derramadas ou têm o brilho ofuscado por uma noite mal dormida,
o teu silêncio demorado
também tem muito a dizer,
pode ser teu espírito dizendo
que está cansado,
quando o teu sofrer fica contido,
mas o teu íntimo está agitado.
Claro que não sou melhor do que eles
e, talvez, eu esteja equivocado,
pois é provável que eu também
não consiga compreender todos os teus significados,
entretanto, percebo que o teu sorriso sincero é muito precioso,
sendo assim, nem todos são dignos
por não estarem dispostos,
assim, o pouco que eu conseguir,
já terá valido o meu esforço.
Ôh, vida tão efêmera quanto expressiva, feita de suspiros, palavras, silêncio,
encontros e despedidas,
desapegos, afetos, desagrados,
atos impulsivos, calculados,
falsos e verdadeiros,
então, mesmo que não acompanhe
o ritmo do tempo, não pára um minuto sequer, está em constante movimento,
por isso que o viver deve ser intenso e contínuo, do contrário, será desperdiçado e a vida perderá seu sentido.
O silêncio é muito intrigante
por não se utilizar das palavras,
mas ainda assim ter tanto a dizer
causando paz ou inquietação,
a depender de cada ocasião,
da pessoa que o recebe
e daquela que o presta,
logo, mais de uma interpretação.
Podendo ser uma forma de ofensa,
um sinal de desprezo, um dissabor
de indiferença, um indício de medo,
uma demonstração de cautela
se a fala não vale o preço,
uma maneira de amar alguém
ou de dar amor a si mesmo,
quando provar quem está certo
não convém.
Pode também expressar
que a tranquilidade está presente,
que chegou o momento de apenas admirar dando a oportunidade
de falar aos sentimentos
que falamatravés da intensidade
e que não percebemo passar do tempo.
Assim, silenciar na hora certa
pode gerar bastante refrigério,
por exemplo, diante de belas paisagens,
ao sentir o toque dos ventos,
ouvir o lindo canto dos pássaros
ou admirando um sorriso de felicidade principalmente de uma pessoa amada,
até observando um sono sereno de um filho entre outras preciosas oportunidades.
Compreendo o valor da simplicidade
por meio de um silêncio bem vindo,
o espírito será abraçado por muita vitalidade, o coração estando aflito,
será confortado, então, um benefício de tamanha singularidade, dessarte,
saber o valor de um silêncio oportuno é uma necessidade.
Muitos pensamentos persistentes que incomodam, sejam tensos ou entusiasmados, ficam muitas vezes suspensos pelo arna insistência de serem notados, dessarte, todos querem falar ao mesmo tempo, por isso que a mente não consegue descansar, muito menos ficar em silêncio.
Este pensar recorrente e inoportuno que aparenta não se cansar, não costuma agir por impulso, precisa normalmente ser motivado por um sentimento sentido, mas não externado, trechos pensados, porém, não ditos, um querer muito notável, infelizmente não correspondido.
Assim sendo, a contrariedade é a principal motivadora pra esta persistência pensante diante de coisas e pessoas, resultante de vontades sem atitudes, objetivos sem foco, indecisões que confundem ou simplesmente de algo que não é pra ser, nem pertencer e se custa a aceitar por não satisfazer o seu inquietante pensar.
Parando um pouco para observar este teu olhar atento, contido e ao mesmo tempo tão expressivo, faz eu pensar que tens muito a dizer, por existir uma natureza inquietante no teu íntimo, que a maioria não consegue perceber.
Muitos ainda não compreendem e outros esquecem de que nem tudo é dito com palavras ou visto com os olhos, pois, muitas vezes, é o sentimento que fala através de atos, sorrisos, certos olhares e o silêncio.
Por isso que, justificadamente, sentes uma alegria incomparável quando alguém consegue ler pelo menos uma parte das tuas entrelinhas por meio de um agir caloroso como vívidos raios de sol iluminando o teu lindo rosto.
Numa relação pode haver mais de um tipo de silêncio, a exemplo disso, existe aquele que é causado por dois seres, estando entregues de corpo e alma, se estiverem saboreando um deleitoso momento, no diálogo sem palavras de seus ardentes sentimentos.
Um outro silêncio que é amargo, fruto da indiferença, quando falar aparenta ser desnecessário, como se o calor tivesse cedido o seu lugar a frieza, o sabor do respeito de ambos não é mais o mesmo, então, a chama outrora acesa vai se apagando com o tempo.
Silêncios marcantes e distintos que tanto um quanto o outro pode acontecer, entretanto, um deles precisa ser o mais presente possível, enquanto que o outro raramente deve aparecer pra o que o relacionamento não venha a esfriar ao ponto de o fogo não mais acender.
