Texto sobre o Passado
ASSIM OU ASSADO
Se não for assim vai ser assado
Deixa pensar que tudo é passado
Se eu não for assim amado
Vou cair fora pra outro lado
Quantas vezes falei do meu amor
E você só fala decepção e dor
Causada por quem nunca te amou
E não enxerga que tudo passou
Mas a sua memória que travou
Na linha que não quer desprender
Para uma nova história viver
Se for assim de jeito sem jeito
Vou sair sangrando meu peito
Porém a dormir no meu leito
Mesmo chorando sei que vai passar
Vou contar pra Deus meu sofrimento
E sei que Ele vai entender meu lamento
Se for assim ou mesmo assado
Se por assim ou por acaso
Eu seja pra você só mais um caso
Mas que nos laços que o destino traçou
Ainda vou te mandar lindas flores
Dizer que mesmo em pranto e dores
Vou vivendo de um jeito meio louco
De amar você sem ser amado
E nas trilhas de sonhar acordado
O brilho do sol pra mim tao intenso
Depois um tempo nublado
E no corrimão dessa estrada
Seguro forte pra seguir em frente
Mesmo que peça em minha mente
Que Deus faça um novo milagre
Enquanto provo deste vinagre
Que pra mim parece tão doce
Já não sinto a tal realidade
Somente um amor de verdade
Mesmo que entre a saudade
Entenda que não é por maldade
Simplesmente é assim ou assado !
João Batista Barbosa
Poesia
Sou o encontro de passado e presente
uma história que se enlaça
em tantas outras vidas
são anos de aprendizado,
de gente querida
de momentos bons
e outros nem tão presentes
Mas em mim está a força
de seguir em frente
a certeza de que a vida
é mesmo uma partida
e que cada passo dado
nos leva a outra vida
q ue o tempo é gigante
e ao mesmo tempo tão carente
Eu sou um livro aberto,
folhas amareladas pelo tempo
mas ainda trago em mim
a esperança e o sentimento
de que é possível criar
um mundo melhor
E assim vou caminhando,
entre o passado e o agora
tão vasta é minha jornada,
tão grande é o meu tesouro
sou o tempo que persiste
e que não tem borda nem sabor.
Como não observar o passado, ver que nossa trajetória juntos é uma dádiva doada por Deus, é ele quem nos concede o sopro e o tempo de vida. Lembrar os momentos de apoio de incondicional, refletir sobre à solidariedade, o firme propósito do companheirismo, os segredos guardados no incrivel compromisso de guardá-los para eternidade, nossos risos fáceis de se realizarem, estes ficaram presos em nossos corações, saber que poderei contar com cada um de vocês já enche meu coração de carinho e felicidade.
Boas festas hoje e sempre!
A SABEDORIA DE NÃO DISCUTIR COM O PASSADO
Há batalhas que só terminam quando decidimos não comparecer mais a elas. Talvez uma das mais difíceis seja aquela que travamos contra o passado, esse território imóvel onde nada pode ser acrescentado, retirado ou corrigido. Passamos anos perguntando por que não aconteceu como desejávamos, por que alguém partiu, por que um amor não permaneceu, por que determinada escolha nos levou justamente ao caminho que queríamos evitar. E, enquanto interrogamos aquilo que já não pode responder, esquecemos que a vida continua nos fazendo perguntas sobre o amanhã.
O tempo, porém, possui uma sabedoria silenciosa: ele não apaga necessariamente as dores, mas muda o lugar onde elas habitam dentro de nós. Aquilo que ontem era ferida pode tornar-se memória; aquilo que parecia fracasso pode revelar-se aprendizado; aquilo que julgávamos ser o fim pode ter sido apenas uma curva que ainda não conseguíamos compreender. Por isso, gratidão não significa agradecer por tudo o que nos feriu. Significa reconhecer que, apesar de tudo, atravessamos. Continuamos aqui. E há uma dignidade imensa em continuar. Chega um momento em que precisamos devolver ao passado aquilo que pertence ao passado. Não porque esquecemos, mas porque aprendemos. Não porque deixou de importar, mas porque já cumpriu sua parte em nossa história. Então alguma coisa dentro de nós se torna mais leve. Descobrimos que não precisamos compreender todos os mistérios para continuar caminhando. Algumas respostas talvez nunca cheguem, e ainda assim o sol continuará entrando pela janela, haverá uma manhã esperando por nós e algum sonho ainda desconhecido poderá nascer onde pensávamos que nada mais floresceria. Talvez esperança seja exatamente isso: olhar para tudo aquilo que não aconteceu como queríamos e, mesmo assim, não perder a curiosidade pelo que ainda pode acontecer. Porque o passado escreveu algumas páginas de nossa existência, mas jamais recebeu o direito de escrever sozinho o último capítulo. Enquanto houver amanhã, a vida ainda terá uma palavra a dizer.
Hoje me peguei chorando por causa das sobras do passado.
Não exatamente pelo que aconteceu, mas por tudo aquilo que eu imaginei que poderia ter sido. Pelos planos que não saíram do papel, pelos sonhos que ficaram pelo caminho e pelos tantos “e se...” que ainda ecoam dentro de mim.
Às vezes, a saudade não é de uma pessoa. É da versão da nossa vida que imaginamos viver ao lado dela.
Dói pensar em como teria sido se tivesse dado certo, se algumas escolhas fossem diferentes, se algumas palavras tivessem sido ditas no momento certo, se algumas pessoas tivessem ficado.
A verdade é que existem histórias que terminam, mas não deixam de existir dentro da gente. Elas viram lembranças, devaneios e, de vez em quando, lágrimas.
E hoje eu chorei.
Não porque quero voltar, mas porque por alguns minutos senti falta daquilo que nunca chegou a existir.
Talvez amadurecer seja isso: aprender a fazer as pazes não apenas com o que perdemos, mas também com tudo aquilo que sonhamos e nunca tivemos.
Teu Nome
Teu nome foi um sonho do passado;
Foi um murmurio eterno em meus ouvidos;
Foi som de uma harpa que embalou-me a vida;
Foi um sorriso d’alma entre gemidos!
Teu nome foi um echo de soluços,
Entre as minhas canções, entre os meus prantos;
Foi tudo que eu amei, que eu resumia—
Dores—prazer—ventura—amor—encantos!
Escrevi-o nos troncos do arvoredo,
Nas alvas praias onde bate o mar;
Das estrellas fiz lettras—soletreio-o
Por noute bella ao morbido luar!
Escrevi-o nos prados verdejantes
Com as folhas da rosa ou da açucena!
Oh quantas vezes na aza perfumada
Correu das brisas em manhan serena! ?
Mas na estrella morreu, cahiu nos troncos,
Nas praias se—apagou, murchou nas flores;
Só guardado ficou-me aqui no peito
—Saudade ou maldição dos teus amores.
A verdade é que eu não enterrei o meu passado; ele se mudou para dentro das minhas costelas. Quando a mulher que desenhou o meu destino decidiu ir embora, recolhendo os pertences e deixando apenas o vazio no apartamento, algo em mim quebrou de maneira definitiva. Não houve gritos ou portas batendo. Apenas o estalo seco de uma engrenagem vital que parava de funcionar.
Durante quase uma década, tornei-me um vigia de túmulos.
Habitei a solidão da cama de casal como quem protege um solo sagrado. Desenvolvi um pânico visceral diante de qualquer aproximação humana. Se alguém demonstrava um interesse sutil, meu estômago contraía. A simples ideia de compartilhar a rotina com outra fisionomia parecia uma heresia, um insulto à memória daquela que ainda governava os meus pensamentos. Eu me convenci de que a capacidade de entrega era um recurso finito, totalmente esgotado naquela despedida. Sentia-me um náufrago confortável na própria ilha de amargura.
Até que a vida, soberana e imprevisível, cansou do meu isolamento voluntário.
Aconteceu numa livraria de bairro, num fim de tarde cinzento. Eu procurava um título qualquer para preencher as horas mortas, quando uma desconhecida esbarrou na estante ao lado, derrubando uma fileira inteira de volumes no assoalho. O estrondo quebrou a solenidade do ambiente. Instintivamente, abaixei-me para recolher as obras espalhadas.
Quando nossos dedos se cruzaram na tentativa mútua de resgatar o mesmo exemplar, ergui as pálpebras.
Aquela senhorita de pele morena possuía traços completamente distintos, uma voz mansa e um aroma fresco de lavanda que nada lembrava o perfume antigo que passei anos tentando esquecer. Contudo, ao fitar a profundeza das suas pupilas castanhas, percebi um brilho familiar de vulnerabilidade e resiliência. Foi um impacto mudo, um solavanco térmico que atravessou minha espinha. A couraça que cultivei com tanto zelo rachou de cima a baixo.
Ela esboçou um sorriso tímido, sem cobranças, que parecia compreender a bagunça que eu carregava na alma.
Pela primeira vez em milhares de dias solitários, o fantasma da rejeição retrocedeu um passo. O peito, antes congelado, ardeu com uma eletricidade esquecida, quase juvenil. Não era a cura imediata da dor crônica, mas a percepção nítida de que o mundo continuava girando lá fora, oferecendo novas estradas para quem ousasse caminhar.
A jovem senhorita agradeceu a ajuda, recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Pouco antes de cruzar o portal, deteve o passo. Girou o corpo, sustentou meu olhar fixamente por alguns segundos cruciais e acenou positivamente, num convite implícito que dispensava vocábulos.
Permaneci estático, assimilando o milagre daquele instante. A marca da perda segue cravada na minha pele, indelével. Todavia, compreendi que carregar uma cicatriz não significa permanecer sangrando. O pavor ainda sussurra no meu ouvido, mas o desejo de experimentar o calor do sol novamente tornou-se, finalmente, muito maior.
A grande lição que a dor me ensinou é que o luto não deve ser uma sentença de prisão perpétua, mas um processo de transformação. Fechar as portas para o mundo com medo de sofrer novamente não protege o coração; apenas o sepulta em vida. Amar exige coragem exatamente porque envolve o risco da perda, e a verdadeira superação não consiste em esquecer quem partiu, mas em ter a generosidade de permitir que novas histórias sejam escritas nas páginas que restam.
As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo"
BOM DIA, AMIGOS DO FACE!
Se o futuro parecer incerto e escuro como nos mostra o panorama ao fundo desta foto, lembre-se das bênçãos que Deus prepara para cada um de nós todas as manhãs.
Siga confiante, seguro de que Deus guia teus passos. Vá devagar, com calma e gradativamente tudo ira se resolvendo.
Que o dia seja regado de flores de otimismo e colorido de bênçãos!
by edite lima/2014
Solidões cativas é um desejo isolado,
um sabor de amargura de um momento passado.
No meu ponto de vista, sou um grande fracasso,
carregando o peso desse cansaço.
Preso nas horas desse eterno tormento,
onde o tempo se arrasta e me quebra por dentro.
Colecionando as sombras de uma falsa ilusão, sou o
eco que ecoa na minha própria solidão.
Perdi o norte e a direção para caminhar, restou
apenas o vazio para me observar.
E no silêncio que parece não ter fim, sou apenas
a sombra do que restou de mim.
🌅 O Passado é Só uma Referência
O passado é apenas uma referência, nunca um destino.
Olhe para fora por um instante, como eu faço quando a cabeça pesa muito. Não para fugir de si, mas para lembrar que a vida continua existindo mesmo quando tudo dentro de você parece paralisado.
O vento não pergunta quem sofreu mais.
O amanhecer não escolhe sobre qual janela nascer.
A chuva não faz distinção entre quem venceu e quem perdeu.
O mundo segue.
Sempre seguiu.
E continuará seguindo.
À primeira vista, isso pode parecer cruel. Confesso que já achei isso muito frio, mas depois de algum tempo, você percebe que é justamente essa indiferença que torna a liberdade possível.
A vida não exige que você permaneça onde caiu.
Também não promete levantá-lo.
Ela apenas continua, oferecendo, a cada manhã, a mesma pergunta silenciosa: e agora?
Você pode passar anos respondendo com desculpas.
Ou pode começar a responder com passos.
Há dores que ninguém escolhe. Há perdas que deixam marcas tão profundas que jamais desaparecem completamente — eu sei bem como é isso. Negar isso seria desrespeitar a própria condição humana.
Mas existe um momento em que a dor deixa de ser uma ferida e passa a ser um endereço, quando paramos de carregar o sofrimento e começamos a morar dentro dele.
O sofrimento tem valor.
Mais do que imaginamos.
Ele quebra ilusões, desfaz arrogâncias, ensina limites e, muitas vezes, revela forças que jamais descobriríamos vivendo apenas dias tranquilos.
O sofrimento pode ser um mestre extraordinário, mas é um péssimo lugar para construir uma casa.
Porque todo mestre veio para ser superado.
Nunca idolatrado.
Há um perigo silencioso que quase ninguém percebe: depois de muito tempo sofrendo, a dor começa a oferecer pequenas recompensas.
Ela atrai compaixão.
Justifica adiamentos.
Explica fracassos.
Diminui expectativas.
E, pouco a pouco, sem perceber, deixamos de buscar liberdade e passamos a aceitar a esmola da autopiedade.
E toda esmola cobra um preço.
Ela alimenta por alguns instantes, mas enfraquece quem vive dela.
A autopiedade faz exatamente isso, oferece conforto imediato, enquanto rouba, lentamente, a coragem de transformar a própria história.
É um alimento que nunca fortalece; apenas prolonga a fome.
Olhe novamente para dentro de si.
Quantas vezes você voltou ao passado procurando respostas que ele já não podia oferecer?
Quantas noites conversou com fantasmas esperando ouvir deles alguma palavra diferente?
Memórias podem ensinar, mas nunca poderão viver por você.
O ontem não possui braços para construir o amanhã.
O passado é um arquivo, não uma residência.
É uma biblioteca onde se consulta a experiência, não um quarto onde se passa o resto da vida.
Talvez você tenha sido ferido por pessoas que nunca pediram perdão.
Talvez tenha perdido oportunidades que jamais voltarão.
Talvez carregue cicatrizes que ninguém consegue enxergar.
Tudo isso pode ser verdadeiro.
Mas há uma pergunta que continua esperando resposta:
o que você fará com tudo isso?
Essa é a única pergunta que realmente importa.
Não porque apague o que aconteceu, mas porque devolve a você aquilo que nenhuma tragédia consegue tirar definitivamente: a capacidade de escolher o próximo passo.
Há uma diferença imensa entre honrar uma cicatriz e viver ajoelhado diante dela.
A cicatriz é memória da cura.
A ferida aberta é apenas um pedido para que algo ainda seja cuidado.
Confundir uma com a outra é transformar a própria história em prisão.
Por isso, silencie o fantasma que insiste em dizer que nada mudará.
Ele conhece apenas o que já aconteceu.
Não sabe quem você ainda pode se tornar.
Memórias não fazem profecias, apenas repetem lembranças.
Respire fundo, como se estivesse soltando um ar que segurava há muito tempo.
Demore um pouco nesse silêncio.
Perceba que, apesar de tudo, seu coração continua batendo.
Existe vida onde você imaginava haver apenas ruínas.
Existe futuro escondido exatamente atrás da porta que o medo insiste em manter fechada.
Levantar-se não significa esquecer.
Significa seguir.
Perdoar não significa aprovar.
Significa parar de carregar um peso que já não muda o passado.
Recomeçar não significa negar a dor.
Significa reconhecer que ela cumpriu o que tinha para ensinar.
Quando a poeira finalmente baixa, você descobre algo curioso: o vazio que tanto temia nunca foi ausência, era espaço.
Espaço para reconstruir valores, relações, sonhos e a própria identidade sem as correntes do ontem.
A vida não lhe deve respostas.
Também não lhe deve compensações.
Mas continua oferecendo, todos os dias, uma possibilidade que vale mais do que qualquer explicação: um novo começo.
A história ainda não terminou.
O passado escreveu capítulos importantes, alguns belos, outros dolorosos.
Mas ele nunca recebeu o direito de escrever o final.
Esse privilégio permanece, desde o primeiro dia, nas suas mãos.
Você foi a confluência do passado e do ontem.
Vi-me no tempo presente, vivendo dois passados que se colidiram simultaneamente, como diante de um espelho que confundia minha mente, a ponto de já não ter discernimento sobre o que, afinal, pertencia ao presente.
Diversas vezes entrei num portal dessas realidades já não mais existentes. Perdi-me e, quando percebi, já estava nesse labirinto, atravessando esses limiares que jurei nunca mais atravessar.
Foram necessários para que caíssem as vendas daquilo que permanecia oculto diante dos meus olhos. E, no auge da minha lucidez, vi que, de ti, em mim, uma nova camada havia germinado, até então desconhecida.
Passado...Futuro...Presente...
O passado é uma casa onde já moramos,
e que podemos visitar vez ou outra,
sem nos demorarmos nela.
O presente é a casa onde vivemos
e que precisamos cuidar com atenção.
O futuro é uma casa em construção,
da qual ainda não sabemos
se chegaremos a abrir a porta.
O passado é uma casa velha que ainda cheira a nós,
paredes impregnadas de ecos,
móveis que guardam nossos silêncios.
Visitamos, às vezes, só para lembrar
que já fomos outros
e que não podemos morar ali de novo.
O presente é a única casa habitável:
tem luz acesa, chão gasto,
plantas que precisam de água
e um telhado que pede reparos —
é viva, é urgente, é agora.
O futuro é um terreno em obras, poeira suspensa,
barulho de martelos, vento atravessando vãos.
Não sabemos se veremos essa casa pronta,
nem se haverá chave para nós,
mas seguimos sonhando a planta dela.
O passado é uma casa onde deixamos
versões antigas de nós;
às vezes voltamos, devagar,
como quem acaricia um álbum amarelado,
mas sabemos que não há cama pronta
nem lugar para ficar.
O presente é a casa que respira conosco,
com suas frestas, suas manhãs,
seus pequenos cuidados cotidianos
que sustentam o que somos.
O futuro é uma casa azul desenhada no horizonte,
em obras, em névoa, em promessa,
e caminhamos rumo a ela
sem saber se um dia
ela nos reconhecerá na porta.
✍©️@MiriamDaCosta
Num futuro muito próximo,
viveremos das memórias de um passado
em que as pessoas lutavam por aquilo
em que acreditavam, criavam
e acreditavam naquilo que criavam
e pelo que lutavam.
No presente,
a banalização, a futilidade
e a emulação reinam.
A escassez de conhecimento
e de consciência histórica,
de talento, sacrifício, estudo,
leitura construtiva, criatividade,
originalidade e idealismo
faz com que essas palavras
já pertençam ao passado.
✍©️@MiriamDaCosta
Ela se virou
e o olhar, bordado de poesia antiga,
tocou as teias do passado
com a delicadeza de quem ainda sente.
Pelas narinas da saudade
respirou a poeira e as teias de aranha
dos dias longínquos
e cada partícula era um verso
à espera de nome e escrita.
O tempo, esse artesão invisível,
pousou-lhe as mãos no peito
e ali, entre cicatriz e luz,
a dor aprendeu a florir em palavra.
✍©️@MiriamDaCosta
Carta para o "Eu" do passado.
Querido Eu de 1992,
Olho para essa foto tua, aos 20 anos, e sinto uma profunda vontade de te abraçar.
Vejo no teu olhar essa mistura bonita de serenidade, coragem e a simplicidade de quem ainda não faz ideia de tudo o que a vida guarda pelo caminho.
Se eu pudesse atravessar o tempo e parar ao teu lado por alguns minutos, não te daria atalhos, nem estragaria as surpresas do destino.
Mas gostaria de te sussurrar algumas certezas ao ouvido.
Ama sem reservas e guarda cada detalhe.
O tempo passa mais rápido do que essa fotografia consegue registrar.
Aproveita cada risada, cada abraço de quem está ao teu redor e cada momento simples do dia a dia.
São essas memórias que vão aquecer a tua alma no futuro.
Sê gentil contigo mesmo, tu não precisas de ter todas as respostas agora.
Os erros que vais cometer e as dúvidas que irão te tirar o sono vão servir para moldar a tua maturidade.
Tudo o que vier fará parte do teu crescimento.
A tua essência é o teu maior bem.
A vida vai mudar muita coisa ao teu redor.
Vai trazer alegrias imensas, mas também um momento em que o chão vai sumir completamente debaixo dos teus pés e dias em que a saudade vai parecer insuportável de carregar.
Mas ainda assim, aquilo que tens de mais puro no coração, o amor incondicional, a tua sensibilidade e a tua verdade vai permanecer intacto e dar-te forças para continuar.
Continua a caminhar com a cabeça erguida e com esse olhar focado mesmo nos dias cinzentos que irão surgir.
O futuro que te espera é feito de lutas, dor e lágrimas mas também é de uma beleza profunda que só o tempo e o amor conseguem ensinar.
Com todo o carinho e admiração do homem que te tornaste,
Do teu "Eu" do presente.
O que você mudaria em seu passado, se pudesse?
Certamente,
o empenho ao estudar para aprender,
o estudo com método (testarie vários),
rotina de produção textual diversificada...
[...]
Entretanto, isso só seria possível,
ou melhor: viável,
apenas,
se
houvesse um bom orientador.
[...]
Não houve.
Resultado?
Agora, sou meu mestre e pupilo.
Não porque não seria se fosse bem direcionado.
Mas porque tive que formar meu próprio professor...
enquanto formava meu próprio aluno.
Soirée d'Anniversaire de Monsieur Ricardo
Domingo passado, tive o prazer de desfrutar do aniversário de Monsieur Ricardo Soares: senhor de berço africano, porém de vivência europeia e, atualmente, dono de terras da província de São Vicente — mais exatamente na região de Leripe ou Baía Formosa, como desejar —, mas, mais importante e sem possibilidade de omissão, meu grande amigo.
Lá pelas quatorze horas, ordenei ao cocheiro que se preparasse, pois gostaria de partir rumo ao evento. Após as escolhas de vestes aptas a tamanha honraria, partimos rapidamente pelas estradas de terra da Fazenda Marilea rumo ao litoral, algo que atualmente, pelas carruagens de quatro cavalos, pode ser rapidamente percorrido no período de 45 minutos. Porém, não convém entrar em detalhes das modernidades de nossa época.
Depois de muitos solavancos, chegamos ao Palácio The King — nome, acredito eu, que venha de alguma homenagem ao amigo durante sua passagem pela Inglaterra. O local, externamente, era composto de vidro e pedras negras, dando um ar bucólico, porém destoante de todas as outras grandes residências locais, já que, na região litorânea, ficavam os grandes barões da região de Leripe.
Ao adentrar o Palácio, pude perceber que era muito belo e que possuía uma arquitetura extremamente moderna para os padrões da época. Luminárias de velas se alinhavam a espelhos, criando efeitos de cores superinteressantes e nunca vistos por mim. Havia também inúmeros violinos sequenciados que subiam enfileirados pelas paredes, indo até o teto, como se fossem uma onda de instrumentos vindo em minha direção. Lembro que Monsieur Ricardo é um grande apreciador da arte e grande musicista; por isso, não haveria como ser diferente: tal decoração tinha de ser harmonizada pela música e por seus instrumentos.
Além disto, temos de admirar a criatividade de Monsieur Ricardo em tentar nos proporcionar novas experiências, eis que ele criou um balcão de taberna para a aquisição de bebidas — algo totalmente contrário aos padrões de um palácio desta época. Por fim, um ato superelogiado perante os convidados.
A alta sociedade da Baía Formosa se encontrava em peso pelo salão, sendo muitos locais e outros vindos do povoado vizinho de Sacra Família de Ipuca, local de onde saíam as embarcações que atravessavam o Rio Peruíbe — única forma de se chegar à distante Capitania de Cabo Frio —, fora os vizinhos mais próximos que vinham do norte, diretamente da Capitania de São Tomé.
Pessoas extremamente bem-arrumadas, em trajes de gala, causavam tamanho estrondo na localidade, que não estava acostumada com tais vestimentas. Logo na entrada, vi muitos conhecidos, como a Madame Helen, grande confeiteira, das mais requisitadas por nossas terras e também na Europa por seus quitutes diferenciados em capricho; Madame Gláucia, possuidora de terras locais; Madame Sarah, amiga da área da saúde; Monsieur Lelecô, amigo de longa data, grande boêmio, alma dotada de tamanha alegria a ponto de contagiar todos ao seu redor nos eventos e que, utilizando um termo popular, é um dos grandes bastiões dos bailes imperiais atuais; Madame Qel, grande conselheira em tempos de crise; e muitos que há tempos eu não via, como Madame Fernanda e seu esposo, e Madame Faby e seu futuro esposo. Isso sem contar as celebridades, como o Monsieur Gertz, maior mestre vidente de nossa época; os Maestros Blue e Groove, conhecidos internacionalmente por conduzirem as mais importantes orquestras nos bailes do Império; e a esposa oriental do grande tenor Monsieur Luz, que não pôde estar presente por compromissos profissionais e, por isso, enviou sua esposa para representá-lo. Isso sem falar da ilustríssima presença da belíssima Mata Hari, que se fez presente ao fim do evento. Por fim, simplesmente um grande evento, na proporção que se deve esperar do dia do natalício de Monsieur Ricardo.
Após esse turbilhão de emoções entre um convidado e outro, encontrei Madame Paula com uma beleza estonteante, vestindo uma grande crinolina de armação antiga e um belo corpete preto na parte de cima — algo extremamente magnífico, simplesmente à altura de seu esposo e nosso anfitrião, a quem ainda faltava o meu abraço de afeto e de desejo de felicidades. Algo que não demorou: sempre sorridente e feliz com tal festejo, ele me deu um grande abraço e me agradeceu por estar ali. Pontuei que estava lá por ele, por nossa amizade, e que desejava alegrias e felicidades mil ao caro amigo que me recepcionava.
Seguindo o baile, pude dançar com inúmeras damas; confesso que há tempos não dançava tanto e não me divertia daquele jeito. Porém, sou obrigado a afirmar que havia senhoritas que eu nunca havia visto, e uma delas me chamou a atenção por uma beleza simples, singela demais para os padrões estéticos brutais de nossa época, fora a conexão existente no salão. Confesso que não sei o seu nome e nem irei procurar saber, pois quero mantê-la viva em minha memória como um sonho que alivia os dias difíceis atuais. Tamanha era a leveza daquela alma a girar sob minha condução que irei guardar na memória aquela dança — algo que, por algum momento, trouxe uma energia que há muito eu não sentia. Algo tão personificado em sentimento que merece o deslumbre futuro sem ao menos existir. Por fim, que lindo devaneio trarei comigo: não apenas o de uma dança, mas o de um baile nos tempos do Império em pleno 2026.
Rodrigo Horta
Rasgou as velhas roupas do passado como quem corta cordas invisíveis. Cada fio que caía era um sopro de liberdade, uma promessa de si mesmo que não se enrolaria mais em nostalgias fáceis. O prazer momentâneo sussurrava em cada canto — o chamado das mesas cheias, dos abraços sem compromisso, dos consolos rápidos — mas ele fechava os ouvidos.
Escolher o melhor para si é coragem que não se veste de glamour. É se colocar inteiro diante do mundo e dizer: “Não mais me contentarei com migalhas, mesmo que doces.” Há uma dor doce nisso, um aperto nos ombros e no coração, porque renunciar é um rito silencioso que só o próprio corpo entende.
Mas há também poesia no sacrifício. Cada passo para longe do que não serve é um avanço rumo à plenitude que ninguém pode roubar. É o gosto de um vinho guardado, saboreado depois de anos, ou o perfume das flores que crescem em solo inesperado, intenso, solto, sem pressa.
Ser gentil consigo mesmo não é indulgência; é firmeza. É reconhecer que você merece o melhor, ainda que seja caro, ainda que seja solitário, ainda que precise atravessar tempestades interiores. É aceitar que a reconstrução dói, que a vida não se repete nem se empresta, e que a cada manhã há um pedaço de você que renasce.
Reviver é isso: um gesto íntimo, visceral e silencioso. É dançar com suas próprias feridas, abraçar a coragem que faz do abandono do velho uma vitória e da escolha consciente, o maior dos prazeres.
Em 42 anos, meu coração só soube de amor uma única vez. Não há passado onde ela existe, pois o tempo, diante desse sentimento, perde o sentido. A lembrança de seu sorriso se confunde com o presente, como se estivesse aqui, ainda agora, acendendo em mim algo que o mundo não apaga.
Você foi, e ainda é, o que define o raro. Em meio a tantas vidas que cruzei, foi no seu olhar que encontrei o infinito. E por mais que os anos tenham desenhado sua ausência, meu amor não conhece o esquecimento. Amar você foi como encontrar a essência de todas as minhas buscas — e mesmo que o destino tenha seguido seu curso, você sempre será minha verdade mais profunda.
O que é raro nunca se desfaz, apenas se eterniza em silêncio.
Repetições
Porque você continua repetindo o seu passado?
Se você deseja tanto ter um novo resultado?
Porque você tá fazendo a mesma coisa que já fez, e deu errado?
Porque você continua tolerando relações que te desestabilizam, bagunçam suas emoções,
e que não tem nada
a ver com as suas ambições?
Por que que você ainda escuta a pessoa errada?
Porque valida o conselho da pessoa mal amada,
e a crítica construtiva
de quem não construiu nada?
Porque você culpa os outros por sua infelicidade?
Se tudo que você faz,
faz com total liberdade?
Porque você não assume a responsabilidade?
Você sabe o que machuca, sabe o que tem que fazer, sabe o que faz sentido, sabe o que é bom pra você,
Mas você não muda nada, então me diga, porque?
