Texto para um Amor te Esquecer
Cor do Pé de Buda
Fiz um comentário anteriormente, sobre como me impressionei com o nível de entendimento de um ateu e um religioso, acredito que se o mais alto clero estivesse junto, não mudaria nada. Essas pessoas alcançaram um nível de entendimento que independente de crerem em Deus ou não, é visível a sabedoria para com a vida, uma compreensão mais ampla do mundo, todavia, nos comentários em resposta ao meu primeiro comentário percebo o quanto as pessoas estão na escuridão, permitindo que suas crenças sejam a expressão da verdade absoluta e como consequência disso se cegam para o conhecimento, sabotando a si mesmas.
Isto Sim, Isto Não
Ontem, ao ter prazer de participar de uma conversa e ver uma religiosa e um ateu compartilhando o entendimento, me causa arrepios. Isso é incrível. É a prova de que estamos melhorando do aspecto consciência, uma percepção maior da realidade. Será que se eu raspar a cabeça me torno uma pessoa melhor ?
Ultrapassagem
Nem anjos, nem demônios, a humana escolha entre virtudes e vícios. Uma monge e um monge carmelita. Vale salientar que o carmelita, teve experiência monástica. Não há dúvida que a introspecção proporcionada nos mosteiros, beneficia para o autoconhecimento. Quem sabe, nesta quarentena de ano sabático, façamos dos nossos lares um espectro espaço de meditação existencial.
Dramaticidade Onisciente
Mesmo
Na
Dramaticidade
Das
Vicissitudes
Ter sempre
Um tempo
Tempo
De se
Lembrar
Recordar
Olhar
De olhos
Docemente
Cerrados
Mãos
Sobre mãos
Pinicando
Movimentos
Alternados
Pra cima
Pra baixo
Brincando
De
Gavião Pinhé
Um doce
Pra quem
Souber
O que é
Como é
Reflexo Absurdo da Distância
Todos os rios tem o seu narciso. Imagino as águas de um rio se exibindo para o céu azul de um dia ensolarado. O poema em si, é uma beleza de palavras ricas escritas não a lápis mas com tinta. Belas são as mãos de quem escreve algo que nos faz sonhar. Todos os homens tem o seu rio.
Os rios abandonam os homens que envelhecem distantemente da sua infância.
Continuo Bebendo
Em um bar em Barreiras no oeste baiano, em uma bar meio sujo e com cheiro de gente, vejo um senhor com dois copos de pinga vis-a-vis, me fez lembrar de um senhor que tive de abordar para saber. Em minha rua, eu que não sou de beber, depois de ter notado que sempre na mesa ao lado quando comprava tabaco, ele sozinho, tomava pinga, com dois copos defronte na mesa e as reveza.
Até que um dia perguntei se era a mesma bebida qual o motivo de dois copos?
O baiano cordial, disse: "promessa feita com um amigo."
Quem morresse por último sempre beberia um pelo outro. Por isso, tomava o gole dele e do amigo.
Não pude deixar de perguntar quando sabia a hora certa de parar, para não ficar bêbado.
Ele me respondeu: quando estou ficando de porre eu paro e só ele, que já morreu, continua bebendo.
A Visita de Messias no Passeio de Herodes
De
Um lado
Tio Sam
De FBI
E CIA
De outro
Ex KGB
De vocação
Imperialista
A estúpida
Arrogância
Do poder
Das armas
A humanidade
Padece
De
Insanidade
Galopante
Na
Impossibilidade
De fazer
Já
Agora
Na trilha
Que
Lhe coube
Volúpias
Efêmeras
De
Imediatismos
Passarinho
Que come
Pedra
Sabe bem
O que
Lhe advém
Não bastasse
O vírus
Também
O fantasma
De Herodes
Hoje é 21 de março
Chegou o momento de trazer à memória um episódio sangrento do racismo na África do Sul: o Massacre de Shaperville (1960). Pelos mortos e feridos daquela manifestação, a ONU instituiu o 21 de março como Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. O apartheid deixou de existir como legislação, porém, o racismo permanece. Não basta dizer “eu tenho um amigo negro” para que o mundo mude. Vamos pensar em políticas e práticas antirracistas? Como data também especial, é aniversário de meu pai.
Putin in Puto
O mundo já é um lugar violento em tempos comuns. Quando explode a guerra, os demônios reprimidos passeiam com liberdade. A situação piora para alguns grupos. Exércitos viram máquinas de órfãos e de estupros. Amanheci pensando nas mulheres e crianças da Síria, Iêmen, Nigéria e Ucrânia.
Toda mulher lida com um grau variado de conflito. O inimigo pode falar outra língua e vir em tanques estrangeiros, pode dormir na mesma cama ou até ser um deputado. A civilização fracassou em muitos pontos, porém, em particular, falhamos na defesa da dignidade feminina. Se houvesse um epitáfio da nossa espécie, poderia ser “Aqui jaz o ser humano, que perdeu o dom da empatia”. Em breve voltarei a sorrir e ter esperança. Hoje... está complicado.
Arde Sem se Ver
A mente é um fogo a ser aceso, não um vaso a preencher. Com o fogo, tem-se o poder de aquecer a mente de quem o vê, um fogo devora um outro fogo. Uma dor de angústia, cura-se com outra e se devoram na dança em chama. Do atrito de duas lascas de pedras, chispam faíscas, das faíscas vem o fogo, do fogo brota a luz que irradia o pensamento esporádico. O fogo queima a lenha, a inveja consome as boas ações, tal como o fogo tende para cima e a pedra para baixo.
O Segredo
Forasteiro no mundo, um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa, aprisionado pela realidade sem consentimento, feito um hóspede maldito e temporário do absurdo, refém durante o dia, testemunha ao cair da noite. Apenas um mero cúmplice ocasional de si mesmo. A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega. A renúncia progressiva dos instintos, parece ser um dos fundamentos do desenvolvimento da civilização humana e, a ambição sendo o último recurso do fracassado. A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular, é indispensável ser medíocre.
Outrora tive um eu
Estou cansado de pessoas que são apenas inteligentes e objetivas, que são apenas elas mesmas. Que não se perdem em devaneios, não se confundem em pensamentos, ou que não se distraiam entre tantas ideias.
Outrora tive um eu, agora não me sinto representado na primeira pessoa. Este pronome pessoal define um ser que busca nutrir seu ego, enquanto mantém uma alma perecendo à míngua. É por isso que Fernando é brilhante em seus heterônimos. Ele que foi tantos sob os subterfúgios da terceira pessoa, não teria antecipado cada um de nós que o compreende.
Volúpia
O mundo é um aprendizado e ensinar que ninguém nasce sabendo, vejo em um bebê, aprendendo virar de lado e soltar os primeiros sons, além do choro sinal da fome e da dor, cujo alimento de mamíferos é somente o leite materno, sem água nem pão, nessa etapa da vida. Logo virão as pegas, legumes e as carnes.
O Homem luta pela vida, a alimentação para se reproduzir e, logo no trabalho, produzir e com os excedente veio o pecado do capital, pois deixou de dividir e trocar as sobras para vender as mercadorias pelo valor de troca, sem pagar o valor integral do trabalho embutido, que leva um pouco da vida do proletariado que morto-vivo, vive sem mais-valia. Isso é notável em Marx, que tirou a alma mortal do Homem e deu vida à mercadoria que nas vitrines expostas, com olhar sedutor, nos chama para ser comprada.
Veja o significado de ovo de Páscoa, seu valor, e quantas crianças são forçadas na mídia para comer chocolate, cujos pais não conseguem comprar e frustra o filho, e o pai sente vergonha por culpa que não tem.
Martelo Comunista
O Homem se fez e se faz no trabalho, desde quando um aleijão virou o dedão de lado, pois resultou na pegada da pinça entre dois dedos. Pôde segurar mais bem a comida, pegar as frutas, arrancar as raízes, catar as sementes, os seixos, com o auxílio de uma alavanca em ponto de apoio deslocar as pedras e o mundo, e com o martelo quebrar. Com o cinzel e um pincel, com pigmentos orgânicos e minerais, pintar, e com as mãos levantar as casas.
Dominou o mundo e produziu, perdeu o controle da produção e se alienou, pois quem constrói a casa, faz o pão e a plantação, em geral, não tem teto e até passa fome se vendendo e se acabando no trabalho físico sem ficar com a mais-valia que se multiplica no capital com trabalho alheio.
É a vida, mais menos que bem vivida, mas em si o trabalho deveria dignificar o Homem, quando constrói até a cerca que delimita a propriedade privada que completa o domínio do capitalismo.
É isso que se faz no trabalho, ganham pouco, se exauri e aumenta o capital e garantia da propriedade privada que a delimita e impede o invasor.
O dinheiro e cerca são os símbolos do capitalismo. Assim como o martelo cruzado com a foice o símbolo do trabalho e da sua libertação.
O Assuntá de Assentados
Um
Gostoso
De
Se sentir
Bem
Manhãs
De domingo
Na pracinha
Turma
De sempre
Reunida
Alí
Assentados
No degrau
Da porta
De aço
Um
Encostar
De corpos
Divina
Sensualidade
Contida
Céus
E terra
Se
Fundindo
Secretos
Amores
Nem tanto...
Tempos
De adolescentes
De
Outros tempos
O Irreal e Lógico
Antes de tentar interpretar um sonho é necessário saber que, para ter tal êxito, precisa-se entender que o sonho é dividido em seu conteúdo explícito (ou manifesto), que é o acontece efetivamente no sonho, ou seja, o que vemos, ouvimos, pensamos e sentimos durante o sonho; e seu conteúdo implícito (ou latente), que são as conexões lógicas por alusões e referências que levam ao desejo censurado no sonho. Ou seja, quando se está com sede e sonha-se estar bebendo água, o conteúdo implícito e explícito do sonho são idênticos.
Mas quando o desejo é censurado pelo superego, o conteúdo explícito é o resultado das distorções que o conteúdo implícito (que está relacionado ao desejo) levou. Além disso, todo sonho está relacionado com o dia imediatamente anterior (o dia do sonho) tanto seu instigador do conteúdo explícito quanto do conteúdo implícito do sonho (ligado ao desejo).
Sabendo disso, para iniciar-se a interpretação de um sonho, deve-se buscar em seu conteúdo explícito elementos que fazem alusão ao que aconteceu ou que foi pensado no dia do sonho. A partir desse elemento identificado (o instigador do conteúdo explícito do sonho), pode-se fazer alusões através da simples lógica, de pensamentos que vierem naturalmente a mente, ou por meio de conexão desse elemento com sua vida no passado, que levem a outro elemento também explícito no sonho. A interpretação do sonho está fortemente relacionada a tentativa de conectar elementos que surgem no sonho, e no final, quando todos os elementos estiverem conectados, pode-se tentar entender o conteúdo implícito do sonho como um só todo (a partir das deduções feitas entre um elemento explícito e outro) e então interpretar qual a realização de um desejo estava contida nesse sonho analisado.
O Homem se fez e se faz no trabalho, desde quando um aleijão mudou para o lado o artelho, e conseguiu a pegada na pedra, alavanca, martelo, machado, faca e o pincel para fazer a casa, plantio ou colheita, e a pintura e escultura na arte, e tirar o som das notas músicas nos instrumentos de percussão, sopro e corda.
Conjugação Cotidiana
A vida como
Um seio exausto
Assim tão reluzente
Sobre a noite e do mar,
Lhe veio a voz
E só então, foi totalmente a sós
Sentiu-se pobre
E triste como Jó
Da carne nos rasgos
Da febre mais quente
Que
Jamais queimasse
Mas nunca como antes
Nem paixão tão alta
Nem febre tão pura
Em noites de insônia
Epifania
Sem
Estética própria
Orgânica
Tão-pouco
Um nome
Indefinível
Ainda
Que perceptível
Sutilmente
Sensual
Ninfas
E
Sátiros
Sobre deuses
Do Olimpo
A frívola
Comédia
Sobre
A nobre
Tragédia
Austera
Grandeza
Palaciana
Grandiloquente
Inquietante
Estranheza
Um possível
Novo
Áureo
Modo de
Vir a ser
Uma
Noble
Simplicité
Soneto de Uma Tarde
Esse sol já não é mais claro
Nasce o Sol
E não dura mais que um dia
Por que é que o sol nasce de dia?
Quando não devias ser
Pois se de dia é tudo tão claro
O que sol vem aqui fazer?
Já que de noite anda tão escuro
Toda viela
É um mar sem fim
Depois da Luz vem
A noite escura
É que me deito e me penso à noite
É que ele deveria nascer
