Texto para um Amor te Esquecer
Tem gente que olha pra vida como quem olha pra um espelho quebrado e pensa assim, vou deixar um pedaço meu espalhado por aí, quem sabe assim eu não sumo por completo. Aí faz filho como quem planta uma placa escrita “eu estive aqui”, como se o tempo fosse um porteiro educado que respeita avisos. Mas o tempo não respeita nada, minha filha. O tempo entra sem bater, apaga luz, leva os móveis e ainda sai assobiando.
A gente cresce ouvindo nomes de família como se fossem heranças eternas, como se aquele sobrenome fosse uma espécie de colete à prova de esquecimento. Só que aí você para pra pensar com calma, numa terça-feira qualquer, lavando uma panela ou dobrando roupa, e percebe que mal lembra o nome dos seus bisavós. Às vezes nem foto tem. Viraram um vulto, uma história mal contada, uma frase começando com “dizem que...”. E pronto. Foi assim que uma vida inteira virou rodapé.
E não é falta de amor, não. É excesso de tempo mesmo. O tempo vai empilhando gerações como quem guarda caixa em cima de caixa no fundo do armário. Uma hora ninguém mais abre. E lá dentro ficam risadas que ninguém mais escuta, medos que ninguém mais entende, sonhos que ninguém mais sabe que existiram. Tudo guardado, tudo esquecido, tudo tão humano.
Aí me vem essa ideia de imortalidade através de filho, e eu fico meio assim, meio rindo, meio pensativa. Porque não é sobre permanecer no mundo, é sobre ter feito sentido enquanto esteve aqui. Não adianta querer eco eterno se a própria voz nunca foi ouvida de verdade nem por si mesma. Não adianta deixar descendência se a existência foi vazia de presença.
No fim, a gente não fica. O que fica é um gesto, um jeito, uma frase repetida sem saber de onde veio. Fica um costume, um traço no rosto de alguém, uma mania de rir em hora errada. A gente vira detalhe. E talvez isso seja até mais bonito do que virar monumento. Monumento ninguém toca. Detalhe vive sem pedir licença.
Então talvez o segredo não seja tentar não ser esquecida. Talvez seja viver de um jeito que, mesmo esquecida, tenha valido cada segundo. Porque a verdade, meio sem glamour nenhum, é essa: o esquecimento não é o contrário da importância. É só o destino comum de quem passou por aqui.
E eu, sinceramente, acho libertador. Dá um alívio danado saber que não preciso carregar o peso de ser eterna. Já basta ser inteira enquanto dura.
Eu confesso que às vezes eu olho pra esse tal “sistema” como quem olha pra um vizinho fofoqueiro que sabe demais da vida alheia, mas nunca lava a própria louça. Ele sempre aparece quando dá errado, sempre tem uma narrativa pronta, sempre tem um culpado conveniente. E, curiosamente, esse culpado quase nunca é humano. É sempre algo maior, inalcançável, impossível de confrontar. Deus vira o bode expiatório perfeito, porque não responde no WhatsApp, não dá entrevista e não abre processo por difamação.
E eu fico pensando, com a minha xícara de café meio frio na mão, que existe uma certa preguiça intelectual nisso tudo. Porque culpar o divino é confortável. Me tira da responsabilidade. Me absolve antes mesmo de eu admitir culpa. Se o mundo “resetou”, se civilizações caíram, se tudo foi destruído e recomeçado, talvez seja menos sobre um botão secreto sendo apertado lá de cima ou por um sistema invisível… e mais sobre o fato de que a gente, como humanidade, tem um talento quase artístico pra repetir erro com convicção.
Eu, sendo bem honesta comigo mesma, vejo esse discurso como um espelho meio distorcido do nosso medo. Medo de perder o controle, medo de evoluir e não saber lidar com o que vem depois, medo de olhar no espelho coletivo e perceber que, muitas vezes, somos nós mesmos os agentes do caos que tanto tememos. Porque é mais fácil acreditar que existe uma força manipulando tudo do que admitir que talvez a gente ainda não aprendeu a conviver com o próprio poder.
E sobre Deus… eu penso nele não como um destruidor impaciente, mas como algo que observa, talvez até silenciosamente cansado, essa nossa mania de terceirizar responsabilidade. Porque, se existe criação, também existe continuidade. E destruir tudo repetidamente seria mais uma falha de projeto do que um plano divino. E, sinceramente, eu não consigo acreditar em um criador que erra tanto quanto a gente erra tentando explicar Ele.
No fim, essa ideia de “reset” me parece menos um evento externo e mais um padrão interno. A gente constrói, complica, corrompe, colapsa… e recomeça. Não porque alguém apertou um botão escondido, mas porque ainda estamos aprendendo, tropeçando, insistindo em não aprender, e chamando isso de destino.
Talvez o verdadeiro sistema não seja uma entidade secreta, mas um ciclo de comportamento humano que se repete com nomes diferentes ao longo do tempo. E talvez a maior rebeldia não seja lutar contra esse sistema invisível, mas simplesmente evoluir de verdade, quebrar o padrão, sair do roteiro.
Mas isso dá trabalho, né? Muito mais do que culpar Deus.
Às vezes, a vida não é trilha de um só,
no nó da família, o laço vira nó.
Por mais que o rosto tente o brilho sustentar,
há um peso invisível que faz tudo desabar.
Os problemas não guardam RG ou lugar,
a raiva e a dor insistem em contagiar.
Tento ser ilha, viver o meu norte,
mas o sangue é o rio que corre mais forte.
Psíquico e espírito em fios emaranhados,
meus passos, por eles, parecem travados.
Quero a partida, a estrada, o além,
mas a culpa me puxa e me prende também.
Como seguir, sem ao peso me entregar,
se deixá-los para trás parece me abandonar?
Ass Roseli Ribeiro
391🌹🙏"Vivemos hoje um cenário de dois mil anos, quando o inocente é preso e o ladrão é solto. O cenário é o mesmo e muitos distorcem, em todos os níveis sociais, aquilo que a humanidade aprendeu há dois mil anos. Muitos se deixaram envenenar por inverdades e distorcem a verdade, condenando aqueles que não têm crime algum, fechando os olhos à verdadeira justiça. Pobres de espírito, levando culpa a quem não tem! Os ensinamentos cristãos não serviram para esses seres que, no pretérito, viveram tal injustiça...
A riqueza desses ensinamentos é de grande relevância e não assimilamos ainda. A humanidade sempre retalia o mal vivido de forma distorcida e sem a prática do perdão. Não abrem seus corações, para a paz e assim alimentam as trevas. O mundo gira em injustiça, desde conflitos geopolíticos pela ganância do homem, pela fome do poder roubado. Conflitos que ceifarão vidas inocentes, como ocorreu no Holocausto, onde homens, mulheres, jovens, crianças e idosos sofreram crueldade sem limites na Segunda Guerra Mundial. Vidas ceifadas e famílias destruídas em prol da ganância e superioridade de povos e raças. Crueldade ao extremo em que as trevas prevaleceram na vida daqueles que aplaudiram e ainda aplaudem toda aquela crueldade que nos tornou pública. Triste demais...
E continuam procurando atalhos para chegar ao poder e ter o que não lhes pertence. Temos que nos perdoar uns aos outros, pois o cenário que hoje vivemos foi o mesmo no pretérito. Só o perdão liberta. Cada qual vive aquilo que conquistou através do trabalho... As trevas te mostram a mentira e te escondem a verdade que está no teu coração. "O reino de Deus" usa de todas as formas para te envenenar; o Reino do Criador não está nas religiões, mas no coração. As nossas imperfeições ocorrem pelo distanciamento de Deus. Portanto, ore, ore e busque o teu equilíbrio espiritual e a verdade chegará a você... 🌹🙏BOM DIA FAMÍLIA.
Ayache Vidal"
390🙏🌹"De um sentido à sua vida, uma razão de existir, faça o necessário para viver o amor. A riqueza da nossa existência está nos valores que, muitas vezes, ignoramos e deixamos para depois, caindo no esquecimento. A vida passa tão depressa e, quando percebemos, é tarde. Retornamos para casa sem nada, a nossa morada espiritual, e arrependidos... Perdemos todas as oportunidades que a vida nos dá, vivemos sem sentido algum, deixando para trás os valores reais da vida... Nossas origens, um bem maior que se torna um passado em nosso viver. Como águas do rio que vêm e se vão, deixamos um rastro de tristeza em vidas desprezadas e esquecidas.
O homem que despreza e nega o amor, depois de conquistá-lo em vidas pretéritas, é de uma total negligência e paga um preço muito alto na sua consciência: 'é tarde'...
A família é um instrumento de progresso espiritual. Entenda e lembre-se de que não pode ser esquecida, desprezada e trocada por qualquer migalha... Nossa tendência é amar ao próximo, mas nunca esquecer os que nos amam. É esse o sentido da vida...🌹🙏
BOM DIA, FAMÍLIA!
Ayache Vidal
vez ou outra o meu "eu do passado" vem me dar um abraço
vez ou outra o meu "eu da infância" me chama para brincar
vez ou outra... o meu "eu do futuro" me leva para passear e me mostra que vale a pena chorar e que toda essa luta valerá muito a pena se eu decidir ficar
363🙏🌹🙏🌹 conduzido intuitivamente a um culto evangélico atendendo o pedido de socorro de um espírito amigo, eu fui inconscientemente...O tema da pregação era: raiva, rancor, ódio e mágoas, sentimentos esses que às vezes nutrimos quando temos uma experiência no plano físico... E inconscientemente o narrador sentiu em seu coração a necessidade de falar sobre perdão, e que foi sentido por meu amigo quando partiu, seu o coração pedia o mesmo... E Tais sentimentos negativos, levados para o além túmulo causou revolta e com o coração ferido a vítima não aceitava o desfecho trágico que o envolvia, ainda mais quando o agressor totalmente alheio a essas dores e sofrimentos causado na vítima e famiares, atingiu também o próprio agressor arrependido de seu ato, cometido numa ação impensada batendo forte em seu coração o peso na consciência, e após um descontrole emocional uma perda se fez deixando um imenso vazio naquela família, despertando todo sentimento negativo descrito acima onde causou a destruição no viver de ambos, seguido por uma profunda tristeza em todos os envolvidos...
Mas a misericórdia divina leva todos ao tema descrito, a vítima em espírito nutrindo o ódio do seu algoz que se arrependera, e assim o amigo doou-se ao perdão... O pregador emocionou-se ao relatar o acontecido como forma de pedido de perdão, e a necessidade do tema, na igreja era um alerta para os presentes e todos ouviram o relato do narrador que aliviado de falar sobre o caso num gesto de arrependimento, mostrou-se mais leve como que tivessem os dois se doando em vibrações de perdão, e os familiares ausentes pois desconheciam o culto, e eu como testemunha do acontecido, "não do fato em si" e amigo muito próximo fui intuído estar presente nesse culto, quando senti a forte presença do meu amigo ali espiritualmente, e em vibrações o perdão ao seu agressor, às emoções de ambos era sentido por mim, todo o episódio narrado depois de anos passados, onde o encontro gerou perdão arrependimento entre ambos " o perdão cura e fecha feridas"...🌹🙏BOM DIA FAMÍLIA. Ayache Vidal.
A cada dia que nos encontramos, eu conheço um pouco mais de você
Eu te percebo nos detalhes das suas ações, quando estamos juntos
E em cada detalhe, eu me apaixono mais por você
O jeito que me olha, que faz carinho sem que perceba que faz
Que nos apegamos mais e mais
Amo o jeito que você é atencioso, quando estamos juntos
Amo quando estamos dormindo juntos, que você não me larga a noite toda
Você foi o único, que eu consigo dormir agarrada a noite toda
Amo quando levanto para ir ao banheiro e você me pergunta aonde estou indo
Como se eu fosse ir embora de madrugada
Muito lindo, como sempre se preocupa
Se estou com fome, se quero alguma coisa
Amo o fato de nos vermos com mais freqüência
Amo o fato de você ignorar a profundidade do nosso relacionamento
Amo o fato de tentar me esquecer, e não conseguir
Amo o fato de que não importa o tempo que passamos separados, você sempre volta pra mim
Eu amo você, eu te amo nos detalhes das nossas noites juntos
09 de abril de 2026
(...) Sozinha em uma cafeteria da cidade, onde frequentemente ia, estava lá, eu, sentada. Levei um livro para ler, e por um breve momento me deparei comigo mesma olhando através da janela. Estava observando as pessoas caminhando, umas caminhavam com muita pressa e era até engraçado de ver, outras caminhavam sem pressa alguma, e enquanto eu tomava um café, olhei para espelho, enxerguei nele, o meu reflexo, pensei no quanto senti a sua falta, em todos os momentos, aqueles momentos verdadeiramente importantes da minha vida, em que você não pode estar. E quando me dei conta de onde você estava, não achei que seria tão óbvio, me senti burra, porque como não me dei conta? Era você mesmo!! Eu estava assustada e cheia de lágrimas nos olhos. Você não lembra? você estava lá no meu reflexo estrela. Você estava no meu sorriso, no sorriso mais sincero e verdadeiro que eu dava, estava no meu olhar, aquele olhar de ternura, no olhar com lágrimas, você estava na minha risada, no meu choro, estava na minha voz, estava quando eu me calava, estava viva, mas era apenas na minha memória... E eu não sentia mais raiva e nem tristeza, porque principalmente estava presente no meu coração mãe.
- Esthea Luzo
Anatômico
A vida que se faz entre os ventrículos
urgência silenciosa
um motor cego,
engenharia bruta sem licença,
transmuta o mundo sem sossego
Houve o silêncio,
o quase,
o não querer,
a porta estreita
o sopro hesitou
mas o sangue,
rio teimoso no dever,
insiste, insiste
em canais apertados encontra caminho
Milagre pesado,
sem seda, sem ornamento
batida seca contra a grade das costelas
uma aposta alta
onde a alma não cede,
não cede,
e acende no escuro
as próprias velas
O átrio recebe o medo,
o ventrículo devolve vida,
gramática de carne indizível
Pela fresta da pálpebra
a dor cedeu
e o soco do peito bate, bate, bate
até fabricar luz.
Carina Gameiro
Palavras que ferem !!
Como um punhal que finca na mente,
Com o poder de magoar o coração,
Sem medir consequências, destroi,
Não tem amor, necessidade em ferir,
Não consegue mensurar o poder,
Em dizer o que poderia ser evitado,
A necessidade da razão sem ética,
Dizer o que pensa, sem desapego,
Palavras têm lâminas invisíveis,
Não rasgam a pele, mas o silêncio,
A digninidade guardada no peito,
De quem escuta, no tom de um toque,
Não ecoam somente no ouvido,
Ficam andando pela memória,
Sem gritos, sem ofensas claras,
Mas que ferem no fundo d'alma,
Chegam em frases quase comuns,
Carregam os espinhos na intenção,
Como pedras atiradas na consciência,
Lacerando a mente, em consideração,
Entre justificativas e conselhos,
Há sempre um peso escondido,
Um julgamento que vem vestido,
De uma pseudo preocupação,
E quem a recebe,
Fica perplexo,
Entre duas dores:
A de responder,
Ou a de guardar.
Salvador Faria
Nunca ame um poeta
Nunca um poeta deve amar
A dor de um poeta que ama e a dor de um sonho que se tornou pesadelo
E a luz que se torna trevas no medo desesperador da solidão profunda
É o esmagamento de um coração que outrora livre agora é prisioneiro da desilusão
Nunca ame um poeta,um poeta irá amar
Em uma entrega absoluta,abrira mão de si
Entregará o coração sem dúvida alguma
Pois o poeta do amor poetiza a totalidade da vida sintetiza
Onde em versos apaixonados o poeta o amor eterniza...
Nunca ame um poeta
Por Marcio Melo
Mesmo quando você não está, você existe dentro de mim,
como um sussurro leve que o silêncio não apaga,
como um abraço guardado na memória da pele.
Há em mim um pedaço seu que o tempo não desfaz,
um eco doce que insiste em ficar,
mesmo na ausência, mesmo na distância.
E é assim que o amor acontece…
não depende da presença, nem do toque,
ele simplesmente permanece — vivo, inteiro, eterno.
Um dia, cansado da gaiola do desamor,
eu fugi,
bati minhas asas o mais forte que pude
e voando, no meu voo,
mais alto que as nuvens.
Eu me libertei.
Não sou pássaro, mas eu posso voar,
voando nas asas da minha imaginação,
cruzo os mares e por sobre montanhas,
eu posso voar.
Esta é minha liberdade.
Por Marcio Melo
Um governo inteligente investe na força de trabalho produtiva,
em capacitação e recursos.
Um grande líder é amigo do povo,
afinal é o povo que constrói uma nação.
Sem o povo não há liderança e muito menos nação.
Quando o governo investe mais em infraestrutura,
qualidade de vida, capacitação profissional e empreendedorismo,
o país cresce e se torna forte e capaz, independente.
Mas se um governo investe mais em esmolas sociais,
o país declina e se torna uma maldição social,
um fracasso, e este governo, um lixo.
Por Marcio Melo
Há um conflito silencioso entre quem somos e quem mostramos ao mundo. Desde cedo, aprendemos a vestir máscaras como quem veste um casaco em dia de frio: para suportar o ambiente, para caber nos lugares, para não ferir nem sermos feridos. No entanto, essa proteção também pesa. A aparência de força, muitas vezes, esconde um coração em tempestade; o sorriso social, por vezes, cobre ruínas que ninguém vê.
Vivemos tentando equilibrar a verdade interior e a versão aceitável de nós mesmos. Queremos ser acolhidos, mas tememos que nossa essência, crua e imperfeita, assuste. Assim, vamos aparando arestas, calando dores, podando sonhos, como um jardim bonito demais para parecer real. O problema é que, quando negamos demais o que sentimos, a alma cobra em silêncio.
Ser humano é justamente carregar essa contradição. Somos casa e vitrine, abrigo e espetáculo. E amadurecer talvez seja isso: diminuir a distância entre o rosto que oferecemos ao mundo e a pessoa que, em segredo, pede apenas o direito de existir por inteiro, sem pedir desculpas.
ADEUS 2023💫(Ana.santos.escritora)
Em 2024 quero conquistar
Tudo de bom é sonhos que
Um dia eu sempre sonhei
Viver em paz é feliz
Desejo que cada suor derramado
venha uma conquista é um sonho
Esse final de 2023 serve de gratidão
Gratidão por ter chegado até aqui
Derramei lágrimas, chorei é tive
Alguns momentos tristes é felizes
Mais vivo sonhando que o melhor
Estar por vim é felicidade imensa.
Hoje acordei com um relógio mastigando nuvens, e a parede sussurrava alfabetos em espiral. Três cadeiras dançavam xadrez sobre o teto, enquanto meu nome virava vapor dentro de uma xícara vazia. A rua, lá fora, era um aquário de buzinas; eu caminhava sem pés, colecionando sombras como moedas furadas. Um pássaro de papel me pediu senha, e eu respondi com silêncio em braile. Tudo parecia erro de tradução: risos que não pertenciam, cores que tinham gosto de ferrugem.
Então percebi o fio: cada imagem era um recado do corpo. O relógio eram meus prazos, as nuvens, a ansiedade. A parede repetia o que eu evito dizer. As cadeiras no teto eram as conversas que deixei para depois. As moedas furadas, a energia que gasto tentando agradar. O pássaro de papel era meu pedido de ajuda, dobrado e escondido.
Quando coloquei a mão no peito, o aquário virou janela. Respirei, sentei, e desliguei o telefone por cinco minutos; ouvi o próprio coração batendo, sem metáforas, e finalmente entendi o idioma da manhã. Escrevi uma linha simples: hoje eu vou me escolher.
Linha Tênue
Escrevo esse poema
entre a dor e um dilema,
sabendo que muitos vão apontar
antes mesmo de tentar entender.
Pra nós…
já virou rotina sentir demais,
carregar um peso antigo
de quem, muitas vezes,
nem pediu pra nascer.
A vida… a morte…
quem é que diferencia?
Existe uma linha tão tênue
que meus passos caminham sobre ela
todos os dias,
sem garantia.
Já tive vontade de ir embora,
não por fraqueza,
mas por não achar lugar
onde eu pudesse caber.
Desajeitado, quebrado, perdido…
como só entende
quem já perdeu tudo
e ainda tenta sobreviver.
Mas a recuperação tem algo estranho,
quase um enigma que intriga:
a mesma dor que antes nos empurrava
pro fim,
hoje nos faz implorar
por mais um dia de vida.
E chega a ser irônico…
porque antes, sem perceber,
a gente se destruía aos poucos,
roubando os próprios dias
de uma contagem silenciosa,
de uma doença incurável,
progressiva
e fatal.
Hoje eu perdi um amigo.
Não foi para as garras
da adicção ativa,
e isso, de alguma forma, conforta…
mas não apaga a dor.
Porque perder…
ainda é perder.
E a vida, que antes parecia clara,
se mostra torta,
como um reflexo quebrado
de tudo que já fomos.
Mas no meio desse caos,
existe um porquê que insiste em ficar:
ele partiu limpo,
de cabeça erguida,
carregando uma vitória silenciosa
que o mundo nem sempre vê.
Meu amigo se foi…
sem saber que, no caminho,
salvou vidas.
Sem saber que foi luz
em meio à escuridão de muitos.
E talvez seja isso…
o que me mantém aqui:
entender que, mesmo na dor,
mesmo na perda,
mesmo na saudade que aperta…
eu ainda escolho viver
mais um dia.
Namorinho!
Trazia-me flores e perfumes
chocolates e palavras doces
me tocava suavemente
Um cheiro, um abraço
um cafuné, beijinhos
Fazia-me suspirar
contando os minutos
para o reencontrar
O coração palpitando
um frio na barriga
Saudade...
Voltavas a mim
cheio de amores, belas palavras
um cartão,carinho, mão dadas...
Saudoso é o tempo do namorinho
Do rapaz apaixonado
Da moça ansiosa a esperar
Saudoso namorinho que deixamos a rotina matar!!!
